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TV Folha e a Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, ou o facepalm na cara da sociedade inteligente

terça-feira, março 18th, 2014

(Pra quem não sabe, facepalm é o nome daquele tapa que você dá na sua cara com a parte de dentro da mão, quando pensa “Ai, meu Deus, que burrice!”

Véi, sei nem por onde começar. Apenas digo pra você estourar umas pipocas porque o papo vai ser longo (traz um guaraná pra acompanhar, também, por favor…)

 

(CLique por sua conta e risco. Não aceitamos reclamações.)

A TV Folha fez um vídeo sobre os líderes da Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, edição 2014 (que doravante chamarei MFDCC, tá? Quero colocar essa marcha em pé de igualdade com eventos tipo Fashion Week). Daí que tem muita gente que não consegue ver o vídeo até o final por sentir repugnância. Então, eu resolvi ser bem legalzinha com vocês e descrever o vídeo. Porque o conteúdo é tão ruim, mas tão ruim, que beira a tragicomédia. batman-facepalm

Mas ó: total apoio a quem não conseguiu ver o vídeo até o fim. Nunca minha vergonha alheia atingiu níveis tão altos. A primeira vez que eu vi o vídeo acabei horrorizada, embaixo da mesa, com um saco de papel na cara porque OLHA… vamos contar o número de facepalms que eu fiz em cinco minutos de vídeo?

#Facepalm nº 1: Aos dezoito SEGUNDOS, com o primeiro personagem do vídeo, o Historiador Equivocado. O moço diz que “o povo foi às ruas” no dia 19 de março de 1964.

Aí, fera, fala uma coisa dessas não que pega supermal pra você… pra começo de conversa, vamos definir “povo” na frase do tio aí de cima. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, as Marchas de 1964 foram “organizadas principalmente por setores do clero e por entidades femininas”. Então, pra ficarmos dentro dos parâmetros de honestidade, devemos dizer que a Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade foi organizada por setores da sociedade. Povo, não. Povo, povão, mesmo é a parte da sociedade que ou tá ocupada demais ralando o dia inteiro, ou tá enfrentando trânsito no transporte público a caminho de casa/trabalho ou tá fazendo faculdade à noite.

che-facepalm#Facepalm nº 2- Aos 32 segundos ele fala em contrarrevolução. Porque, né? Eles estavam se pelando de medo de um (favor ler com voz fantasmagórica) goooooolpe comuniiiiiiiistaaa…

Cara, em 1964, por mais insólita que a sugestão já parecesse (Jango Goulart, fazendeiro E comunista? Não rola, é contradição entre termos…), ainda fazia algum sentido no contexto do fla X flu da Guerra Fria, disputado a ferro e fogo entre Estados Unidos e União Soviética.

Mas em 2014?!?!?! Golpe comunista em andamento? Naonde que tem golpe comunista? Vivemos a mais capitalista das eras do Brasil, estamos a pleno consumo e a pleno emprego! Tá em dúvida? Pergunte a um banqueiro o que ele acha de golpe comunista em 2014…

#Facepalm nº 3: Entra em cena o segundo personagem do vídeo, o Esclarecido do Agronegócio. Fala em “setores esclarecidos da sociedade”. Tá. São esclarecidos. Mas me digam, por favor: que tipo de esclarecimento eles têm? A respeito de quê? O que eles sabem que a gente não sabe? Conta tudo pra gente, por favor…. (e até o fim do vídeo ele conta tudo, uma coisa….)

Aí, mais adiante, o Esclarecido do Agronegócio vai e diz que “A sociedade vem sendo imbecilizada há 50 anos, por todos os governos do crime repetidos” #facepalm nº 4: mas meu tio, pelo amor de Santa Genoveva, juntou tudo no mesmo balaio? Militar, não-militar, PT, PSDB… esclarecidão o senhor, hein?

Mas espere… se o governo militar há 40, 50 anos era um “governo do crime”, como o senhor mesmo disse, por que o senhor quer voltar com os militares? Então o senhor apoia o crime? Cejura? Mas cejura mesmo? É impressão minha ou o senhor, do alto do seu esclarecimento, caiu em contradição?dog_facepalm

E a Mãezona de Família, preocupada em educar a filha de 17 anos, é a nossa terceira personagem. Gente, alguém avisa que a filha dela não terá problemas com os estudos, pelo contrário? Ela pode se valer do Ciência sem Fronteiras para ir estudar no exterior, e ainda volta doutora! Fique à vontade pra confiar na Dilma, dona Mãezona! Tá, parei.

A Mãezona de Família nos traz o #facepalm nº 5: o Brasil vai virar uma Venezuela e uma Cuba, e teremos quilômetros de filas pra comprar papel higiênico ou frango. Mas minha tia, com tanto empresário de comércio varejista salivando porque as vendas estão em franca expansão, onde já se viu esperar desabastecimento, falta de comida?

Quarto personagem do vídeo, batizado por um amigo do Facebook de “o Politizado em Download”. Que diz que é politizado a 85%. (O download falhou, coitado, cês tão vendo como é importante votar logo o Marco Civil da Internet, gente?) Só essa do politizado a 85% já renderia o sexto facepalm, mas minha cara tá doendo de tanto tapa que eu tô me dando. Vou dar um desconto.

Voltamos ao Esclarecido do Agronegócio, que nos diz agora que “os anseios da presidenta das república não representam os anseios da maioria da sociedade”. OK, aqui não dá pra economizar. #facepalm nº 6.

dilma-rousseff-facepalm[suspiro] Tio, é assim: de-mo-cra-ci-a. Aquele lance que diz que todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Esse lance é corroborado por um troço chamado e-lei-ção. Um megaevento, com megacobertura da imprensa, onde as pessoas vão e contam pra um troço chamado urna quem elas querem que seja o representante delas. Daí, ao final do dia, a urna é aberta e descobre-se quem teve mais votos. Esse carinha mais votado é o eleito. No caso, Dilma Rousseff foi escolhida em 2010 como a pessoa que a maioria da sociedade quer que seja a representante máxima do país.

Em democracia não rola esse lance de “setor esclarecido o voto vale mais; setor menos esclarecido o voto vale menos”. É tudo um para um. E se ela não corresponde aos anseios da sociedade mais esclarecida, corresponde aos anseios de todo o restante da sociedade. “Ah, Dilma Rousseff não me representa!” Ótimo! Direito democrático seu achar isso! Vamos pras urnas, escolher um candidato que te represente? Daí , fale com os seus e peça que eles também votem nesse candidato. Quem tiver mais votos, leva. Combinado?

Voltamos à Mãezona que diz que morre de vergonha dos políticos. Tia, aceite umas pipoquinhas aqui do meu balde, e vamos conversar. O que tem de mané que não me representa não tá no gibi. Mas o que fazer se eles representam outros setores da sociedade? Pedir divórcio do resto da sociedade? Num rola, né?scully_facepalm

Eis que retorna à telinha o Historiador Equivocado, dizendo que “não votaria num candidato com menos preparo do que eu!”. Ele, por exemplo, não teria problemas em achar um candidato em quem votar, porque eu listo vários com mais preparo do que ele. A começar pelos professores de história que sabem o que realmente significou a marcha das famílias em 1964. Aí ele diz que não vota em quem fala português errado. Querido, se for assim, você vai limar todo mundo! Pode começar com os que se dizem os “melhor(es) preparados”, porque o superlativo de locuções adjetivas é feito com mais. Então, o superlativo de “bem preparado” é “o mais bem preparado”. Mas isso aqui não é aula de português, e sim exercício de masoquismo. Voltemos aos facepalms.

O #facepalm nº 7 é um oferecimento do Politizado a 85%, que nos fala em “intervenção militar provisória”. Bom, eu vou evitar o caminho mais fácil de mandar o tio acabar o download de politização dele. Também vou evitar chamar a atenção de vocês pro tanto que o sujeito gaguejou antes de falar esse troço. Vamos lá. [longo suspiro].

Zuckerberg_FacepalmExiste um calhamaço de texto chamado Constituição da República Federativa do Brasil. Troço mó legal, levou um bom tempo pra ser feito, e foi resultado de muito esforço e muito consenso de vários setores da sociedade, representados por Parlamentares Constituintes.

Daí que essa Constituição prevê intervenções militares. Em casos extremíssimos. Falha no download do seu app iPolitizado 2.0 não é um deles, OK? E por provisório, entende-se um troço com prazo final. Quem, como e por quê vai determinar o fim desse prazo? Da última vez, imaginava-se que seriam alguns meses, e foram 21 anos. Ou seja: não rola, esquece.

Voltamos ao Esclarecidão do Agronegócio que nos diz que o grupo dele almeja seis objetivos nacionais permanentes. Bora conferir?

1- Democracia – check

2- Progresso – check

3- paz social e ordem pública – ah, tem sempre uns doidos que querem a volta da ditadura, mas nada que seja a transubstanciação do caos, né? Oops!

4- Soberania – check

5- Integração nacional – check

6- Integridade nacional – check

Isto posto, qual é mesmo o motivo da sua manif?

E mais uma vez a Mãezona dizendo que acha um absurdo não poder andar armada. Olha, gente, mó alívio saber que as famílias de Deus adoram andar armadas. É uma forma doce e singela de espalhar a mensagem de amor de Deus, né? Certeza que Deus tá jesus-facepalmmorrendo de orgulho da tradicional família armada brasileira.

Mas espere! O #facepalm nº 8 traz o Historiador Equivocado com a grave denúncia de que estão tentando implantar um bloco socialista na América Latina! Gente, alguém aperta o F5 desse pessoal, pelamor? Avisem que quem nasceu quando acabou a Guerra Fria já completou meio quarto de século? E que a Agenda Mundial já virou um bocado de página?

Não existe mais isso de “implantar o socialismo” ou “implantar o bolchevismo”, fazfavor! O que todos temos, salvo esta ou aquela nação, são regimes 100% democráticos com políticas de governo mais à esquerda ou mais à direita. Noves fora, os direitos individuais das pessoas permanecem I-NAL-TE-RA-DOS!

E se você pensa que o #facepalm nº8 foi o auge do vídeo, você ainda não viu o #facepalm nº9: o Teorema das Ferraris. Foi o Equivocadão quem desenvolveu o conceito (pára de rir, coisa! Tô falando sério!): “Imagina eu tendo uma Ferrari, tu tendo (o Godzilla-FacepalmEquivocadão não vota em si mesmo, isso é fato!) uma Ferrari, todos aqui tendo uma Ferrari. Imagine todo mundo tendo condições de viver num mundo igualitário. Não existe isso!” Aí não agrega mais valor ao camarote, tem que ver issaê! Traz a bebida que pisca! No que a Mãezona completa: “Isso é uma coisa nítida! Só quem mora no Morumbi já sabe!”

Ou seja: se você ralou pra caramba pra fazer a sua faculdade, se trabalhou até não poder mais pra comprar um carro, ou a casa própria, isso não pode! Você é pobre e tem que saber do seu lugar e se contentar com seu reles papel de serviçal na sociedade! Tudo isso explicado com o Teorema da Igualdade das Ferraris.

Não foi à toa que esse moço recebeu a alcunha de Equivocadão…

(Ah, sim: só pra lembrar, o #facepalm nº 1 foi o Equivocadão falando em povo, tá? Volta lá em cima pra conferir que eu espero…)

Chegamos àquele que é o meu #facepalm preferido, o #facepalm nº10. O Esclarecidão e o Equivocadão chegaram nos Illuminatti! Gente, agora tudo faz sentido! “Quem manda no Brasil não mora no Brasil, quem governa o Brasil é o Dono do Mundo”, diz o Equivocadão. Não sei se penso em Antônio Fagundes como protagonista daquela novela de mesmo nome do Gilberto Braga, ou se me lembro daquela música infantil dos anos 1980: “Vê qual é o nome do dono da terra, inventor do céu e do mar”. Acho que fico com o Fagundes…

Mas o melhor mesmo é quando o Equivocadão diz que o nome do Dono do Mundo é o Barão de Rotixíude.

Geeemt… Rothschild (lê-se róts-tcháudi) mudou pronúncia e ninguém me contou? Afff… (voltando lá no meio do vídeo, o mesmo cara que diz que não vota em quem não fala português direito tenta pagar de sabido e não sabe pronunciar Rothschild corretame… melhor eu parar, daqui a pouco vão dizer que eu tenho parte com os Iluminati!terceirizado_facepalm

Neste momento você vai dizer: “Ai, você é muito implicante! Ele não tem obrigação de falar inglês fluentemente!”, e eu serei obrigada a concordar contigo. Então, me empreste seu rosto para o #facepalm nº 11: Equivocadão dizendo que o Collor foi impitimado.

O Esclarecidão do Agronegócio convida a todos a entrarem no Google pra procurar se informar a respeito (Já dizia o ET Bilu: Busque conhecimento !). Olha, tio, devo confessar que eu joguei “Rothschild iluminati” e… ah, puxa! Acabaram-se as pipocas!

Deixemos de lado o Google só um pouquinho, e voltemos à Mãezona contando que o que tá acontecendo agora é o mesmo que aconteceu em 1964, e que, naquela época, “dentro do contexto, era o que melhor podia ter acontecido”. Nessa hora eu tive a impressão de que o Historiador Equivocado tinha ido ao banheiro e deixou a Mãezona dando entrevista, mas ele entrou em seguida pra fechar o vídeo de maneira brilhante: com um nariz de palhaço.

sextuplo_facepalmEscuta… Vai ter transmissão da Marcha na TV? Com narração de locutor de futebol? Ah, eu quero ver… Cadê meu balde de pipocas?

A clichetaria aeciana no Lugar Comum momesco dos substantivos abstratos

quarta-feira, março 5th, 2014

1450939_775317525827909_1244250478_nAi, gente, quanta emossaum!!!

Devo confessar a vocês que esta ectoplasma suína que vos fala toda segunda-feira de carnaval, desde 2012, faz questão de ler a coluna de Aecim na Folha de São Paulo. Virei fã quando o garboso senador mineiro-carioca cometeu este texto aqui, que eu tive que exorcizar (reza a lenda que, por causa do meu exorcismo, o sujeito que escreveu esse texto só não foi demitido das hordas de comunicação de Aecinho porque tem o rabo preso com o mensalão tucano. Mas essa história carece de confirmação, deixa prá lá…)

E não é que em 2014 eu fui brindada com mais uma clichetaria aeciana, minha gente? Esse texto está royalmente maravilhoso. Ele conseguiu misturar carnaval com Plano Real! Vamos acompanhar/exorcizar:

[Antes do início do exorcismo, deixa eu falar de uma coisa que eu acho que você deve ter aprendido. Você sabe me dizer o que é um substantivo abstrato? Explico: 

Substantivo é a classe de palavras que as pessoas usam para dar nomes às coisas. E essas coisas podem ser concretas, palpáveis (cadeira, mesa, caneta, computador, estojo, homem, mulher, criança), ou podem ser abstratas, e servem pra nomear ideias e conceitos (ordem, progresso, beleza, feiúra, comunismo, capitalismo, islamismo, etcetcetc.). Com isso, temos os substantivos concretos e os substantivos abstratos. Vou marcar em roxo todos os substantivos abstratos do texto de aecim pra vocês verem que se um dia essa subclasse de palavras for proibida, cabô discurso do PSDB!)

O país está em festa. Milhares de brasileiros estão nas ruas e passarelas do samba, [vocês tão vendo que nem a suposta ameaça de demissão evitou que o sujeito caísse novamente em tentação clichetária, né? Brasileiros estão nas ruas e passarelas do samba… cara, num dá pra ser menos escorreito, não?] protagonizando uma das maiores e mais bonitas celebrações populares do mundo e a nossa excepcional diversidade cultural [vou convidar cientistas britânicos para encontrarem alguma conexão entre o uso do verbo protagonizar e a capacidade de enrolação das pessoas. Mas antes eu grito BINGO! BINGO! BINGO! Cara, como tem lugar-comum isso aqui! E olha que estamos apenas no primeiro parágrafo!].

Neste momento, suspendemos as tensões e eventuais diferenças e idiossincrasias [Acho que o zifio que escreveu esse texto anotou um monte de palavras bonitas que ele poderia usar num texto sobre carnaval. Idiossincrasias ficou de fora da versão 2012, e ele tratou de enfiar uma idiossincrasia na versão 2014!] para ocupar as avenidas, sob o signo da alegria. Poucos fenômenos são capazes de construir uma convergência assim, tão ampla e verdadeira.[ai, que lindo! Esse desfile de clichês ao menos ficou mais positivo do que o de 2012!]

Pensando nela, lembrei-me de um outro momento da vida nacional que uniu os brasileiros, em um fevereiro como este, 20 anos atrás: depois de vários planos econômicos fracassados, o Plano Real acabou com a hiperinflação [BAZINGA! Lá vai o querido candidato falar da única coisa que presta do partido dele. Vamos acompanhar – atentem para o fato de que fevereiro é o elo entre carnaval e plano real!].

As novas gerações nem sequer podem imaginar o que significou uma era de descontrole inflacionário que dizimava a renda das famílias, aumentava a desigualdade social e impedia o país de crescer.

Sem pirotecnia, demagogia e quebra do ordenamento jurídico[ai, deixa eu me recuperar dessa metralhadora tucanamente abstrata para concluir que: puxa, acho que tem alguma mensagem cifrada aqui! O que será? hum? hum?] , instaurou-se uma agenda que contemplava os fundamentos da estabilização e do desenvolvimento, na mais importante reforma econômica do Brasil contemporâneo.

Outros avanços estruturais moldaram o país moderno e respeitado que somos hoje.

Mas a data de 27 de fevereiro é emblemática como ponto de ruptura com o passado de equívocos e o advento de uma nova ordem. Foi, acima de tudo, uma construção [E antes que você me diga que construção é uma coisa concreta, nessa frase foi usada com sentido metafórico, abstrato! Idem com a ruptura do início do parágrafo!] política, nascida na democracia e em diálogo aberto com a sociedade. Um exemplo de como a coragem e a responsabilidade podem ser instrumentos transformadores da nossa realidade[Agora imagine você, meu querido leitor, uma diretoria de uma empresa aguardando resultados em números, e o presidente vira pra todos e diz: “coragem e responsabilidade podem ser instrumentos transformadores de nossa realidade” A reunião vai acabar em pancadaria, porque os diretores vão concluir na hora: “FECHAMOS MAIS UMA VEZ NO VERMELHO, SEU BEÓCIO?” Tá, parei. Vamos voltar ao texto]

Mas nem o unânime reconhecimento que o Plano Real conquistou nesses anos foi suficiente para uma autocrítica daqueles [Daqueles, viu? Da-que-les… porque ele não é macho pra falar em PT e Dilma, né? Se falar, perde voto… então, vira aqueles…] que, apesar de terem se beneficiado dele, o combateram com ferocidade, pautados, como sempre, pelos seus interesses eleitorais.[Não há nada mais fascinante do que um partido político, inserido num sistema eleitoral, com claros interesses eleitorais, acusar OS OUTROS de terem interesses eleitorais. O PSDB não tem interesse eleitoral NENHUM, né? Bando de desprendidos….]

Todos sabemos que nenhum dos avanços obtidos nos últimos 20 anos teria sido possível se a inflação não tivesse sido derrotada. Esta é a verdadeira herança deixada pelo PSDB para os brasileiros, já incorporada ao patrimônio do país.[Muito bem! Bom menino! Mas e aí, depois que acabou a inflação, vamos todos ficar olhando uns pras caras dos outros comemorando o fim da inflação, ou temos mais o que fazer?]

Não podemos permitir que essa conquista se perca.[Novamente: pense na reunião do presidente com a diretoria…]

O país vive um momento delicado, de baixo crescimento [Baixo = terceiro maior PIB do mundo.] , inflação rediviva [nas páginas da Folha de SPaulo, né?] e credibilidade em risco [MA CHE CAZZO? Naonde que a credibilidade tá em risco? Quem faz pouco caso da nossa credibilidade, caramba? Gente, quem informa o PSDB, por Tutátis?!?!?! Nessas horas me dá uma vontade louca de me filiar aos tucanos só pra ver se eu ajudo com um pouquinho de workshop de oposição….] . A infraestrutura compromete nossa competitividade; a educação demanda uma gestão inovadora para cumprir o seu papel transformador; as instituições públicas, reféns de grave aparelhamento e pactos de conveniência, precisam ser resgatadas e devolvidas ao interesse público.[Eu adoro essa parte de sofrimento gerencial dos discursos do PSDB! eles falam tudo o que tem que ser feito. e nessa listagem do tudo tem que entrar mesmo esse rosário de substantivos abstratos. Mas pra explicar COMO tem que ser feito exige um cadim mais de neurônio, e de planejamento.  Algo que a nossa hipotética diretoria cobra desse suposto presidente de empresa e NUNCA consegue uma resposta….]

Crises graves, como a desassistência à saúde pública [Masgeeeemt… bando de cubano atendendo pobre ferrado nos cafundós do país é desassistência à saúde pública? afff…] e a violência endêmica [RÁ! Explicar, contextualizar e quantificar a ideia de violência endêmica é tarefa complexa pacas, né? Sair do mundo abstrato e ir pro mundo concreto das quantificações é difíiiiicil….] , merecem uma nova mobilização de todos os brasileiros, para fazer o país avançar mais.[De novo: cadê o macho pra dizer: “Não vote no PT, vote no PSDB, porque nós somos melhores!” Não, ele fica nesse reme-reme abstrato e conclamador de insurgências oníricas!]

Convergência. Coragem. Responsabilidade.[AAAAAAAAAAHHHHH, OUTRA  METRALHADORA TUCANA ABSTRATAAAAAAAAAA. Adoro! Isso não quer dizer absolutamente nada, mas eles falam mesmo assim!]  No país que é também do Carnaval [E zás! Nosso herói voltou ao carnaval! Ai, que lindo!], todo dia é dia de construir o Brasil que podemos ser [… e encerra no melhor estilo Humberto Gessinger! (“somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter…”)

E vocês têm medo dissaí? Véi, na boa, bora esoturar pipocas?

(Mas eu não posso encerrar esse post sem antes agradecer ao dileto ectoplasma suíno – mineiro Luis Carlos, que me enviou o link pro evento momesco de Aecinho. Valeu, zifio! \o/)

Oi? Quem disse? Eu disse! Quem disse eu? Eu disse eu!

segunda-feira, fevereiro 10th, 2014

vanzo

Quando uma manchete precisa de cinco bonequinhos Playmobil (Vanzo, você é um lindo! Roubei seu infográfico! Muack!) para ser compreendida é porque:

1- cabô menino jornalismo

2- cabô menina compreensão de texto

3- cabô vergonha na cara

4- cabô bom senso

5- cabô noção de mundo

 

No mais, acho que o Pica-pau também ajuda a explicar esse título do G1:

 

(E como faz pra controlar a vontade de gritar #PORRAFOLHA? A pobrezinha é inocente desta vez….)

De matemáticas, probabilidades e de PORRA, FOLHA!

segunda-feira, fevereiro 3rd, 2014

Mais um post em que eu sou obrigada a falar de matemática. Vamos lá, amebas. Vamos fazer uma continha pequenininha aqui.

Joãozinho tem 100 laranjas. Desse total 25 estão podres. Quantas laranjas boas Joãozinho tem?

A tia Maricota do primário te ensinou que a conta a se fazer é: 100-25 = 75. Portanto, Joãozinho tem em seu poder 75 laranjas de qualidade.

Essa mesma conta pode ser transformada em fração, né?

4/4 – 1/4 = 3/4

O que nos leva aos percentuais de 100%, 25% e 75%.

Isto posto, imagine que {insira aqui o nome daquela pessoa com quem vc vive sonhando em transar] ligue pra você agora e diga: “Oi, delícia! Hoje há 25% de chance de eu não trepar com você.” (agradeço ao @cardoso pela analogia concedida 😉 )

Me diga, por favor: você vai pensar no 1/4 de possibilidade de não trepar ou nos 3/4 de probabilidade de trepada?

 

O que nos leva à manchete da Folha. POOTAQUEPAREEO, ALGUEM CONSEGUE EXPLICAR ESSA MERDA?!?!?!?!

Porque, pelas NOSSAS contas daí de cima, um programa com 25% de fracasso é também um programa com 75% DE EXITO, CARALHO!!! PORRA, FOLHA!!! UMA MANCHETE DO CARALHO QUE VOCE PERDEU PRA FAZER PICUINHA, FOLHA?!?!?! PORRA, PORRA, PORRA!!!

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Mortos amestrados urgente

quarta-feira, janeiro 29th, 2014

Os mortos amestrados voltaram a trabalhar. Pra Folha, claro! <3

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O primo do vírgula-mas, a Folha e o desemprego no Brasil

quinta-feira, dezembro 19th, 2013

Hoje não vou apenas exorcizar o texto da (adivinha?) Folha (RÀ!). Começo a treinar pro meu mestrado, então vou me concentrar na análise semântica da coisa.

Vamos começar com a frase João é bonito, mas tá velho. Se João ouve isso, certamente vai começar a pensar em botox. E essa frase é tão canalha que eu ainda posso, cinicamente, dizer: “Mas eu disse que ele é bonito!” O problema é que a última mensagem, que contradisse a primeira, foi a que ficou retumbando nos neurônios dos ouvintes. Pois o vírgula-mas tem um primo tão canalha quanto ele, o apesar. Olha só o que tio Antônio diz dele:
Apesar

advérbio ( sXIII)indica, na oração ou sintagma a que dá entrada, uma ideia oposta àquela expressa na outra parte do enunciado, contrariando uma provável expectativa

Locuções

a. de
não obstante, a despeito de, pesar de

‹ a. da idade avançada, trabalhava diariamente › ‹ a. de ser jovem, era bastante responsável ›

Isto posto, acho que já dá pra gente começar a ler o texto épico (pra não dizer outra coisa) da Folha de São Paulo de hoje.

A notícia é simples: desemprego foi medido hoje. O índice é o menor desde que a medição começou a ser feita.

Aí a Folha me apronta isso:

19/12/2013 – 09h10

Taxa de desemprego cai para 4,6% e retoma mínima histórica [ou seja: a maioria dos brasileiros está empregada]

PEDRO SOARES

DO RIO

Apesar [olha quem abriu o texto! O primo canalha do vírgula-mas! Vamos acompanhar o raciocínio do repórter pedro:] do menor ritmo da economia no terceiro trimestre, da freada do consumo e do crédito restrito [uau,a economia vai mal, hein?], as empresas não lançaram mão ainda de demissões [Ainda, gente! Ainda! Quer dizer, não houve demissões, mas nós tamos aqui tudo na torcida pra que haja! O_o] e a taxa de desemprego segue em níveis baixos.[O desemprego tá baixo, mas a sensação dessa frase é que repórter pedro quer que isso seja negativo!]

[Agora vamos pensar aqui nesse primeiro parágrafo como um todo: ele abre com um apesar, que enumera uma série de supostos fatos negativos (permito-me esse supostos daí. Ao chegar ao fim da leitura deste post, vocês terão entendido o motivo) e termina com uma mísera oração (nem frase é, coitada) positiva e que, no frigir dos ovos, traz a notícia em si. Outra coisa: como muito bem lembrou o Pedro Alexandre no Twitter, esse parágrafo tá com todo o jeitão de ter sido “feito” pelo bípede (viram como eu sou boazinha? Parto do princípio que esse texto não foi editado de quatro!) que editou a matéria, e não pelo repórter.

Então, um lead (primeiro parágrafo de uma notícia, que resume a informação respondendo às perguntas Quem? O quê? Onde? quando? como? Por quê?)  que tecnicamente deveria ser “O IBGE divulgou nesta quinta-feira o índice de desemprego nacional, de 4,6%, igual ao registrado em dezembro de 2012, o menor índice da série desde que o IBGE iniciou a medição, em 2001.” , virou esse mafuá de mau humor e de mau agouro daí de cima, que de notícia, mesmo, só teve a última oração (“e a taxa de desemprego segue a níveis baixos”). voltando à tese de que o 1º parágrafo foi “montado” pelo editor, digo mais: o texto original do repórter começava com o que terminou sendo a última oração do primeiro parágrafo. E foi a única coisa do lead do repórter que o editor manteve. Isto posto, vamos ver o que mais nos aguarda. Mas, antes, deixa eu postar aqui uma imagem pra combinar com o tom do texto, pera.] 

1463720_608587872510287_1907597210_nEm novembro, o índice ficou em 4,6%, abaixo dos 5,2% de outubro, segundo dados divulgados pelo IBGE na manhã desta quinta-feira(19). O resultado é o mais baixo para o mês e iguala a taxa de dezembro de 2012, a menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2001[ou seja, o que tecnicamente deveria ter sido escrito lá em cima, no primeiro parágrafo, veio pra cá. Quer dizer: esse segundo parágrafo tem tudo pra ser o resto do primeiro parágrafo original do repórter, que o bípede da edição preferiu jogar pra baixo. Vai entender….]

Tradicionalmente, a taxa de desemprego declina nos últimos meses do ano, com a injeção de recursos na economia –vindos, por exemplo, do 13º terceiro salário–e a contratação de trabalhadores temporários no comércio e em alguns ramos de serviços e da indústria [Isso aqui é de fato uma informação relevante. Com a proximidade das festas de fim de ano, o comércio se aquece e começa a catar trabalhadores temporários. Por esse motivo, o mês de dezembro é o que registra os menores índices de desemprego].

O emprego, porém, [terceiro primo da raça adversativa, o porém. Irmão do mas. O último parágrafo disse que dezembro registra índices baixos de desemprego. Isso é uma informação positiva. O porém nos introduz uma ponderação negativa. Vamos acompanhar.]  já não mostra o mesmo vigor de meses e anos anteriores [puxa, que coisa! Isto significa que ele começa a declinar, é isso?] e cresce [não, ele cresce! Licença, eu tenho que rir aqui QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA pronto, voltemos à análise semântica] numa intensidade mais moderada. De outubro para novembro, houve alta de apenas 0,1% no total de pessoas ocupadas nas seis maiores regiões metropolitanas do país, número que atingiu 23,293 milhões. Já em relação a novembro de 2012, o IBGE registrou recuo de 0,7%.[aqui eu saio da análise semântica e entro na análise jornalística da coisa. Não vou me dar ao trabalho de abrir sáites e googlar informações para desmentir o que está dito aqui, porque não precisa. Digo apenas que:

1- Para se ter o real espectro do crescimento de outubro para novembro, o texto deveria ter falado da evolução do índice de janeiro até novembro de 2013. Isso ambientaria melhor o comportamento e as oscilações da economia brasileira num intervalo razoável de tempo.

2- O texto ficou tão mal redigido que esse 23 e quebrados milhões ficou solto e perdido. Refere-se ao número de pessoas desempregadas nas seis principais regiões metropolitanas do país [atualização das 20:00: reli o texto mal escrito bagarai e me dei conta de que esses 23 milhões são os EMPREGADOS, ao passo que o milhão lá de baixo são os DESEMPREGADOS. Texto mal-escrito tem dessas coisas: engana até editor-revisor! O_o #PORRAFOLHA!]. Ficou faltando informar quais são essas regiões metropolitanas, e qual o número total de pessoas economicamente ativas (portanto, aptas a trabalhar).

1450845_601867599848981_498426824_n3- Tradicionalmente, a comparação de índices é feita entre o período imediatamente anterior e igual período do ano anterior. Portanto, o índice de desemprego de dezembro de 2013 deve ser comparado com novembro de 2013 e dezembro de 2012. Comparações outras são permitidas, claro – desde que explicado o motivo. Se o único motivo que a Folha tinha para fazer essa comparação era mostrar um recuo de 0,7%, eu começo mentira, já comecei lá na primeira linha a me perguntar sobre a boa-fé das informações contidas nesse texto. Mas voltemos à nutiça:]

O total de pessoas em situação de desemprego (a procura [prometi análise semântica, então vou abstrair esse erro de crase. O certo é à procura de] de um trabalho) recuou 10,9% ante outubro e caiu 6,4% na comparação com novembro, atingindo um contingente de 1,131 milhão de pessoas. [ó só a informação que eu cobrei no item 3 da minha 

observação! Esse parágrafo diz que nas regiões analisadas, há um total de 1,131 milhão de pessoas desempregadas. Mas não informa o total de economicamente ativas. O que o texto diz – de maneira péssima – é que o número de desempregados é menor quando comparado com outubro e novembro deste ano! Mas meu Deus, isso é quase um cenário de pleno emprego! Cadê entrevista com economista pra falar sobre esses índices? Cadê entrevista com geral no IBGE pra falar sobre isso? Ah, peraí que eu vou pôr outra foteenha pra ilustrar esse texto] 

O mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor de antes [masgemt! Como pode? O desemprego lá embaixo do pé, reduzindo-se mês a mês, mas o mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor de antes? E que antes é esse? Qual o período a que o texto se refere?] diante de um cenário de juros mais altos[minha preguiça homérica de googlar Selic me impede de comentar isso aqui. Aumentou a Selic, gemt? Por que eu desconfio de que não aumentou? Ah, já sei: É PORQUE ESSE TEXTO TÁ UMA MERDA!] , confiança de empresários combalida e menor disposição de consumidores em gastar [Aposto um doce como em janeiro teremos o maior consumo evar em épocas natalinas, e empresários felizes da vida com tudo isso que está].

 

 

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Agora tentem me convencer de que acabamos de ler um texto jornalístico de qualidade. Não está fáceo, viu?

PORRA, FOLHA!

Paulo Henrique Amorim e a perca [suspiro] do IPTU

segunda-feira, dezembro 16th, 2013

Foi com este post daqui. Lá pelas tantas, o texto declara que

“A situação de não poder aumentar o IPTU acarreta em uma perca de 1 bilhão”

Perca, gente. Perca. PERCAAAAAAAAA

Duvidam?

Alá a imagem! Tá destacada….

Captura de Tela 2013-12-16 às 21.46.04

Ticontá, viu?

Oi? Você não entendeu o erro?

Tio Antônio, socorre aqui, por favor?

Perda \ê\ [/ê/ e D, cacete! é com D, cacete!!!!]

substantivo feminino ( sXIII)

1 ação ou efeito de perder

E antes que você me pergunte sobre a perCa, eu te aviso que perca é presente do subjuntivo do verbo perder. (que eu perca, que tu percas, que ele perca, que nós percamos, que vós percais, que eles percam. De nada.)

Quer dizer: O IPTU de São Paulo tá tão zicado, mas tão zicado, que até erro de português tá sendo cometido em nome dele, coitado!

Haddad, seu lindo, vá tomar um bom banho de descarrego, porque não está fácil procê, viu, zifio?

Mas eu não posso perder o foco: PORRA, PAULO HENRIQUE! QUER GANHAR TROFÉU #PORRAFOLHA, É?

E PORRA, FOLHA! Cê num tem culpa, mas merece ser culpada mesmo assim!

Atualização de 19/12: APRENDEU, HEIN, PAPUDO?

 atualizacaopha

Já que a ordem é fazer merda, vamos fazer bem feita? PORRA, FOLHA!

sexta-feira, novembro 8th, 2013

Tanto já foi dito por tantos a respeito desta manchete vergonhosa

folha

que eu só vou falar mais uma coisinha que ninguém falou, de tão escandalizado:

PORRA, FOLHA!!! A VONTADE DE FAZER MERDA ERA TÃO GRANDE QUE VOCÊ ENFIOU VÍRGULA ONDE NÃO EXISTE, É?

EXPLICA DIREITINHO ESSA VÍRGULA DEPOIS DE PRESO, EXPLICA?

(OK, eu explico: sem a vírgula, a manchete diria que o fiscal ficou preso em uma gravação. E, COMO DEVE TER SIDO PROIBIDO MEXER NA MERDA DO TEXTO ANTES DESSA PARTE, nego achou melhor botar uma vírgula pra ao menos tentar deixar a coisa menos pior.)

MAS PUTAQUEPARIU, QUE MERDA DE MANCHETE, CACETE!!!

QUER FAZER MERDA, AO MENOS FAZ BEM FEITO, PORRA!

Bom, então vamos fazer uma manchete pra Folha.

Permitam-me manter a indecência e a falta de vergonha do texto original:

Primeiro, vamos contar os caracteres das duas linhas da manchete:

Prefeito sabia de tudo, diz = 27 caracteres

fiscal preso, em gravação = 26 caracteres (mais um espacinho sobrando depois do o de gravação, vamos contar 27 caracteres.

Que tal se trocarmos para

Fiscal acusa em gravação:

prefeito estava a par de tudo

Fiscal acusa em gravação: – (25 caracteres, com uma letra m fica mais recheadinho)

Prefeito estava a par de tudo – (29 caracteres, mas como não tem a letra m, dá pra espremer

PRONTO, FOLHA! QUER FAZER MERDA, FAZ BEM FEITO, PORRA!

Aliás,

PORRA, FOLHA!

PORRA, PORRA, PORRA!

(Eu até diria que o subtítulo termina com “Kassab diz que não sabia de nada” é a cerejinha do bolo da putaria, mas acho que já disseram isso. Não vou gastar teoria de análise do discurso com uma manchete tão torpe, tão vil, tão vergonhosa).

 

Atualização do domingo, com  o texto ÉPICO da Ombudsman (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsman/138267-sujeito-oculto.shtml) a respeito da manchete. Claro, vou comentar:

A manchete de sexta-feira passada da Folha –“Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação”– induzia o leitor a erro[AH, CEJURA? Mas por que você afirma isso? Manchete tão honesta….]. O prefeito de São Paulo é Fernando Haddad, mas a referência no grampo era a seu antecessor, Gilberto Kassab. [ah, puxa, que bom que cê sabe disso, né? Fico feliz mesmo! O_o]

O título partiu da transcrição de um telefonema em que o auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues dizia que deveriam ser convocados para depor “o secretário e o prefeito com quem trabalhei” [AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH então O PREFEITO COM QUEM ELE TRABALHOU é específico? Tem nome, partido?] , porque “eles tinham ciência de tudo”.

Ronilson foi subsecretário da Receita no governo Kassab e, na atual gestão, foi diretor na SPTrans de fevereiro até junho.[aaaaaaaaaaahhhhhhhhh, então a Folha de SPaulo SABE com quem ele trabalhou?]

O fiscal não cita nominalmente o ex-prefeito, mas é fácil deduzir de quem ele está falando[Cejura? Então, se é fácil deduzir, por que a manchete não “deduziu”?]. Foi na gestão anterior que Ronilson ocupou o cargo de zelar pela arrecadação de impostos, o que lhe teria possibilitado atuar na “máfia do ISS” –esquema de cobrança de propina que pode ter causado um prejuízo de R$ 500 milhões aos cofres da cidade.

“A Folha optou por transcrever a declaração do fiscal de forma literal, já que ele não citou nenhum nome e exerceu funções de confiança tanto na gestão atual como na anterior”[então deixa eu ver se eu entendi: a gestão atual instalou uma corregedoria e tá catando focos de corrupção; demitiu o sujeito assim que descobriu que ele tava mais sujo que pau de galinheiro; a gestão anterior… pera… vamos voltar ao que você, ombudsman, falou lá em cima: é fácil deduzir de quem ele está falando”] , diz a Secretaria de Redação.

O excesso de zelo [Kirida, excesso de zelo é passar protetor solar no rabo. O que a Folha de SPaulo fez não é excesso de zelo, é canalhice, é abrir mão do jornalismo objetivo e preciso e direto para investir em subentendidos, e duplos entendidos. TOME TENTO!] ficou só na manchete, já que a hipótese de que a frase do fiscal pudesse ser uma referência a Haddad não foi explorada na reportagem [OU SEJA: o duplo entendido – que é bem diferente de duplo sentido – ficou restrito à parte do texto que é lida pelos transeuntes, no meio da rua, ou pros leitores de home page, que não clicam no resto da notícia pra ler, né?]]. O “outro lado” foi apenas com Kassab, que classificou as declarações de falsas, mas não cogitou que o fiscal estivesse falando de outra pessoa.[ou seja: NEM O KASSAB TEM CULHÃO DE INSINUAR QUE O FISCAL PODE ESTAR FALANDO DO HADDAD.]

(…)

Lindo, SÓ QUE NÃO!

 

Sempre ela, sempre ela… ♥ ♥ ♥

sábado, novembro 2nd, 2013

Parece ciúme, viu?

Eu falo da minha tese de mestrado, falo do CNMP, aí ela percebe que eu estou há muito tempo sem falar dela, e ZÁS! Ela vem e apronta das suas (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/136731-teste-evita-biopsia-de-prostata-desnecessaria.shtml)!

folha

Ai, gente, é impossível não amar a Folha de São Paulo!

Aí o movimento radical machista vai dizer que trata-se de uma feminazi extremista que quer exterminar de vez as próstatas masculinas (porque, né? Vai que existe próstata feminina e eu não tô sabendo?) e etc. e tal e…

A alternativa seria simplesmente inferir que a autora do texto deveria ter escrito biópsia desnecessária de próstata, e trocou a ordem dos tratores das palavras.

Eu tenho medo de perguntar o que é uma próstata desnecessária. Mas vou um pouco na tese dos hipotéticos mascus: a autora do texto é mulher, então para ela próstata são todas desnecessárias.

Mas, ó, Folha: já tava morrendo de saudades de você por estas bandas. quero nem saber da Cynara Menezes que já deixou de te ler porque você contratou o Reinaldo Azevedo e você vai ficar reacionária e isso e aquilo. Você, Folha, tem um lugar especial no meu ♥.  Porque seus erros só você sabe cometer, né?

#PORRA, FOLHA!

(E um beijo bem estalado pra Karla Lima e pra Pia Pêra que me enviaram esse teteia deliciosa daí de cima)

 

 

Da série “certos erros só acontecem na Folha de SPaulo” (ou PORRA, FOLHA!)

sexta-feira, junho 7th, 2013

sombril

Cadê que Estadão escreve isso?

Cadê que o Globo escreve isso?

Trocadilhos com Bombril: já foram praticados, obrigada.

Só espero que o Grande Gatsby não tenha se apequenado diante desse esquecimento… /o\

PORRA, FOLHA!

Depois de ler a legenda dessa foto…

sexta-feira, maio 3rd, 2013

… você vai poder dizer: “já li de tudo nessa vida”.

bonecotesticulo

 

… que por onde passou chamou a atenção de todos.  Tô achando que o repórti da Veja São Paulo anda frilando pros jornais de Viçosa…

De nada. (ou “Queira me desculpar pelo inconveniente”, o que você achar mais apropriado)

O processo de LadiDianificação de Fernando Haddad

segunda-feira, abril 15th, 2013

Zifio, vá estourar muitas pipocas, porque esse texto vai ser longo. Mas eu prometo que você vai saborear cada palavra dele! 😛

Vejinha São Paulo causou muito ontem. E se você pensava que o must do domingo foi Sophia Alckmin com a declaração

sophia

você se enganou rotundamente! Isso daí é pinto perto da reportagem cometida por Maurício Xavier (que eu já suspeito ser Lucas Celebridade disfarçado!)

Com o título “O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad” e o subtítulo “Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre”, a coisa (permitam-me o uso desse substantivo genérico. Grata.) abre com essa montagem medonha, que prenuncia algo entre o brega e o inacreditável. O texto se concretiza ora como um post de Lucas Celebridade, ora como pauta de tabloide britânico que vai escarafunchar todos os microdetalhes da vida de um anônimo recém-alçado à fama. Mais ou menos como fizeram com Lady Diana Spencer.

abrehaddad

De fato, esse texto me consumiu muito ontem. A princípio, achei q foi obra de hacker petralha pra acabar de vez com a reputação da Veja. Sua leitura foi quase sadomasoquista. eu me revezava entre a gargalhada histérica e inúmeros facepalms de profunda vergonha alheia do texto cometido. Mas depois de superar o sofrimento e os julgamentos morais, descobri um grande prazer proibido nessa reportagem. É que o texto tá que nem a novela Salve Jorge: tá tão ruim, mas tão ruim, que ficou ótimo! E o lance é multimídia, porque as foteenhas também são de um primor que nos leva quase ao Nirvana.

Daí que eu decidi não mais sofrer de vergonha alheia com esse texto, me entreguei à sua alma e venho aqui partilhar com todos vocês os prazeres proibidos de um texto ruim. E Não, não sofram com manipulação política! Isso é coisa tão pequena diante da grandeza desse texto, que não vale a pena mesmo! Venham comigo que eu lhes guio por esse mundo novo de prazer pelos caminhos de satanás ah, deixa prá lá.

Então, pegue um guaraná pra acompanhar sua pipoca e vamos lá:

O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad

Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre [esse subtítulo foi uma tentativa de transformar o prefeito de São Paulo numa espécie de Grande Síndico da Afonso de Freitas. Vamos acompanhar, porque o texto não consegue provar sua tese]

12.abr.2013 por Mauricio Xavier [é você, Lucas Celebridade? Beijo na alma, seu lindo!]

Na noite de 27 de janeiro, uma bomba movida a óleo diesel instalada pela Sabesp trabalhava em velocidade máxima para drenar um vazamento na Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, na altura do número 687. Sem conseguir dormir por causa do barulho ensurdecedor, um grupo de vizinhos apelou para as autoridades: tocou o interfone de um apartamento no 11º andar do Edifício Panorama, que fica ali nas redondezas.[Nossa, que primeiro parágrafo cheio de loucas aventuras e emoção! Mas quem será o morador do 11º andar do Edifício Panorama? Super-homem? Batman? Homem Aranha?]

O endereço não abriga o escritório da companhia de água e esgoto do estado, mas a residência do prefeito Fernando Haddad. [aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, meu herooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii desculpem, esse texto é puro êxtase.] Alertado, ele deixou o prédio por volta das 6 da manhã e desceu um quarteirão para constatar a balbúrdia provocada pela máquina [Primeira falha do texto: não descreveu os trajes do prefeito nesse momento. Ele trocou de roupa? Foi de pijama mesmo, ou ao menos pôs um roupão por cima? Ou às seis da matina ele já estava acordado, lépido, fagueiro e sempre alerta a zelar pela cidade de Metrópolis Gotham City Nova Iorque São Paulo?] . “Em poucas horas apareceu uma tropa de funcionários e, no fim do dia, tudo estava resolvido”[…e todos viveram felizes para sempre!], lembra o autônomo Ricardo Rosales, que teve sua casa alagada.[… menos o zifio em questão, que teve a casa toda alagada. Ah, Haddad, que coisa feia, seu culpado!]

O episódio mostra como mudou a rotina da pacata via da Zona Sul [A frase definiu uma rua de são Paulo como pacata. Daí dá pra tirar o que nos aguarda…] desde 1º de janeiro, quando um de seus moradores assumiu o comando da cidade. O vizinho ilustre é assunto recorrente nos bate-papos de padarias, salões de beleza e pontos de táxi[Mas é claro! Se a rua é pacata, funciona como uma pequena cidade do interior, onde todos se conhecem e tomam conta da vida uns dos outros. Mas será que eles serão bem-sucedidos na tarefa de tomar conta da vida do prefeito? Vamos acompanhar!] . Durante a campanha eleitoral, a presença constante de fotógrafos e jornalistas por ali já indicava que a vida naquele lugar não seria mais a mesma. E foi o que aconteceu.

Pouco mais de dois meses depois da posse do prefeito, dezenas de ciclistas se reuniram na frente do seu prédio para um ruidoso protesto por mais segurança. Na ocasião, Haddad não estava presente. Seu filho, Frederico, de 20 anos, acalmou a multidão com a promessa de que o pai os ouviria em breve[EXTRA! EXTRA! Temos uma notícia (oi?) aqui: o filho de Haddad, o Sucessor do pai, também tem vocação em liderar multidões! E isso é tudo o que ele faz na rua onde mora…] “Se querem reclamar, por que não vão até a prefeitura?”, diz Lígia Chedid, do apartamento 32 do Panorama. [Guarde esse nome: Lígia Chedid. Vai ser necessário mais adiante…]

O edifício transformou-se no epicentro desse frisson [o epicentro do frisson. Uau, que tudo!] . Os moradores ainda ficam impressionados ao cruzar com algumas figuras conhecidas no corredor[Gemt, o edifício Panorama está a-con-te-cen-do socialmente!] . “Há poucos dias vi a ex-prefeita Luiza Erundina entrando pelo saguão”, conta a síndica Roseli Rodrigues. O próprio Haddad é abordado com sugestões para a gestão — a maioria de envergadura similar a “arrumar a calçada da frente”.[a envergadura de arrumar a calçada da frente. SIm, eles escreveram isso…]

[Agora concentre-se, pois vou exigir muito de sua imaginação. Pare de comer suas pipocas e leia o próximo parágrafo com muita atenção] Não raro, há quem exagere nos pedidos. No mês passado, por exemplo, uma reunião de condomínio debatia animadamente a possibilidade de solicitar ao prefeito a antecipação do horário de recolhimento do lixo no bairro, mudando a regra que vale para toda a cidade. Motivo? Otimizar a escala de trabalho de um funcionário. [Agora respire fundo, bem lentamente. Depois, expire fundo mais lentamente ainda. Repita esse processo mais duas vezes, e bem calmamente tente imaginar a cena descrita acima: dez ou quinze pessoas discutindo o que fazer com os cestos de lixo do prédio, e o tamanho da responsabilidade do prefeito acerca do assunto. Imaginemos que a aposentada do terceiro andar, aquela dos gatos, foi quem sugeriu a troca de horários, e a ideia foi acatada por todos os desocupados do prédio. Agora imagine o gerente de vendas que mora no sétimo andar (e que age como se fosse CEO da empresa) afirmando categoricamente que não tem nada a ver esse lance de regra, já que o prefeito é vizinho, e ele tem poderes especiais. Vou assumir que nenhum dos moradores do 11º andar estava presente, caso contrário já teriam feito a sugestão diretamente pra mulher do Haddad]

“Eu expliquei que era inviável e, mesmo assim, sugeriram que ele poderia abonar a multa”, diz Roseli Rodrigues. Nada disso aconteceu.[aí chega a síndica e chama todos de volta à razão, e o seu transe acabou. Essa síndica tem noção de mundo, muito racional. quase um peixe fora d’água nessa história. Num curti ela, não!]

 Morador do prédio há vinte anos, Haddad era síndico em 2002, quando tentou, sem sucesso, comprar o terreno ao lado para ampliar as vagas da garagem[PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARA O MUNDOOOOOO!!! HADDAD FOI SÍNDICO! E o repórter não arranjou UMA VIV’ALMA SEQUER pra acusá-lo de ser ladrão! (porque, né? Reunião de condomínio é um evento cármico-cósmico cuja conexão holística com o universo se dá no momento em que um dos condôminos chama o síndico de ladrão!)] . Sua “obra de vulto” à época envolveu a implantação de uma academia de ginástica [OK, dou um tempo pra você gargalhar com o “obra de vulto”. Não, não se irrite com isso, não vale o fígado. Ria, mas ria muito. E guarde essa informação da acadimia assim como você guardou a informação de dona Lígia.] . A proximidade com o paulistano famoso também serviu para criar uma fervorosa base eleitoral. No segundo turno da disputa para a prefeitura, Haddad teve apenas 28% dos votos no distrito da Vila Mariana, que engloba o bairro do Paraíso, tradicional reduto do PSDB.[Agora vocês tentam me explicar essas duas últimas frases. ele conquistou eleitorado ou obteve pífios 28% dos votos na Vila Mariana?]

Agora, vamos reunir as informações Dona Lígia + Acadimia do sindicão e deixo com vocês a foteenha abaixo pra vocês se deliciarem. Não se apressem em passar por ela.

Dona Lígia causando na acadimia

Dona Lígia causando na acadimia

CALMA, DEVAGAR! Não se apresse em definir o melhor dessa foto. Faz assim: eleja um detalhe de cada vez como seu preferido, e siga em frente. E, se você mora em são Paulo, vá logo rezar um padre nosso e uma ave-maria pela alma da vice-prefeita Nádia Campeão, porque dona Lígia era uma espécie de Nádia Campeão do Edifício Panorama. A legenda original da foto diz que:

Síndico em 2002, o hoje prefeito deixou seu legado para o prédio onde mora:  [Atenção para o legado de Fernando Haddad no edifício Panorama:] uma academia de ginástica, o principal orgulho de seus vizinhos [O point onde dona Lígia acontece socialmente. Oi, cabô suas pipocas? Vai estourar mais, porque não cheguei nem à metade!] . “Ele ainda planejava construir um jardim na entrada, mas aqui só mora idoso, ninguém quer aprovar nada”[A oposição do Edifício Panorama é muito passivona! ninguém aqui aprova nada! Nem minha roupitcha de ginástica!, reclama Lígia Chedid, que ocupa o apartamento 32 desde 1979 e atuou como conselheira (são três, segundo o estatuto) durante a “gestão Haddad” no Edifício Panorama. (Foto: Lucas Lima) [aí Lucas, tá de parabéns essa foto! Não sei se você sugeriu à Dona Lígia a pose e ela aceitou fazê-la prontamente, ou se foi dona Lígia que lhe sugeriu a pose e você aceitou a ideia prontamente. Imaginei ambas as situações e senti o mesmo medo.]

[Mas voltemos ao texto! Temos mais fotos, mas vamos beeem devagar! Prá quê pressa?] O cenário [de medo, pavor, classemédiasofrismo e um vizinho querendo aparecer mais que outrono Panorama, onde vive com sua mulher, Ana Estela, e os dois filhos, foi diferente.[detalhe: o texto volta a falar da votação de Haddad no microcosmo Panorama] “Achava que nunca apoiaria o PT, mas mudei de ideia com o Fernando”, afirma a aposentada Maria Aparecida Sallum. “Votei no partido pela primeira vez na vida”, diz Lígia Chedid[Mas cejuuuuuuuuuura, dona Lígia? Olha, num tem quem diga, viu?] . No comércio local, o prefeito é figura carimbada[Opa! A vizinharada já se exibiu até não poder mais à Veja, hora de estender a Vergonha Alheia à rua! E nada melhor pra mudar de ares do que usar um clichezão básico, né?]. Na Padaria Cecilia, costuma sentar-se ao balcão para traçar um sanduíche de queijo com mortadela e uma xícara de café. “Ele é simpático, conversa, mas o acho um pouco tímido”, conta o gerente Gerenaldo Lima. [Momento nhóim: Haddad é simpático, mas tímido. Uma verdadeira Lady Diana da Vila Mariana, gente! E pelamordedeus, ignorem o nome do gerente.] 

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA O must da foto é a cara de orgulho com que os dois exibem a noiva digo o sanduíche. De novo, Lucas Lima: tá de parabéns a foteenha! (O Gerenaldo é o da esquerda, antes que perguntem. O da direita é o dono da padaria)

A poucos metros dali, a Sapataria Veneza ostenta calçados da família pelas prateleiras[esse é um dos meus trechos preferidos! Acompanhemos] . No último dia 2, uma das botas da primeira-dama estava na fila do serviço [E ZÁS! TEMOS OUTRA INFORMAÇÃO RELEVANTE! O Filho contém multidões e a mulher leva botas para serem consertadas na esquina! Gente, como a família Haddad é um manancial de notícias relevantes, não?]. “Os sapatos dele são engraxados a cada três semanas”[num disse? num disse? Já imagino as manchetes: “Haddad engraxa os sapatos a cada três semanas e come de forma tímida um sanduíche de mortadela” <– ó a perfeição da manchete!!!], diz o sapateiro Edson Silva. Outro ponto já requisitado foi a Oficina Mecatron. “No ano passado, eles deixaram um Toyota Fielder para trocar a bateria, por 200 reais”, lembra o dono Cesar Parra.[TERCEIRA INFORMAÇÃO RELEVANTE DO TEXTO! O prefeito teve que trocar a bateria do carro! E aqui o repórter falha fragorosamente na comparação de preços! Quanto custaria a troca de uma bateria na Zona Leste, reduto petista? Essa bateria do carro do Haddad equivale a quantos quilos de tomate? Tá, parei].

Momento foteenha: o sapateiro e a bota de Dona Estela.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

[Aí você deve estar pensando assim: como é que esse texto vai acabar? Eu também pensei nisso. Sofri com isso, até. Tá faltando algum ingrediente nesse troço, né? Senão, vejamos: temos tomação de conta da vida alheia, vizinho babando ovo, vizinho querendo aparecer mais que outro… tá faltando intriga e fofoca, né?

Pois então eu te conto que esse texto concluiu-se de forma tão épica que só me resta chorar de emoção:]

Mas nenhum estabelecimento da área tem mais recordações que o Salão Primus, onde o prefeito cortou o cabelo por dezenove anos. Na campanha eleitoral, entretanto, o então candidato passou a frequentar o badalado Celso Kamura, na Rua da Consolação. A decepção pela perda do cliente é grande. Tanto que a data da última visita está na ponta da língua: 3 de janeiro de 2012. “Espero que ele volte um dia”, suspira o dono André Ribeiro. “Notei pela televisão que Haddad perdeu cabelo nos últimos tempos, está com entradas. É bom ficar atento.”

[barbeiro recalcado por perder o cliente para Celso Kamura denuncia: Haddad tá ficando careca! É-PI-CO! SIMPLESMENTE É-PI-CO! Mal posso esperar pelo comentário de Celso Kamura a respeito. E olha que desde o blazer rosa chiclete Ping Pong que o Kamura tá calado, vem bomba por aí…]

 

Moral da história: o prefeito, que começou a ser apresentado como um síndico da rua Afonso de Freitas, acabou traçado como uma pobre e indefesa criatura, tímida às vezes, mas que é o herói dos vizinhos (à exceção de seu André da Barbearia, mas deixa pra lá, né?).

O texto não foi bem sucedido em outras duas frentes: falar sobre a Carolina e Sticky, respectivamente filha e cachorro de Haddad. E olha, faltou um cachorrinho cuticuti nesse texto! O Lucas Lima bem que podia ficar à espreita pra ver se os donos do Sticky catam o cocô da rua ou deixam na calçada pros outros pisarem! Uma pauta e tanto, lamentavelmente perdida!

E lembrem-se, moradores da rua Afonso de Freitas:

Com Veja [pausa dramática de cinco segundos] VOCÊ ACONTECE EM SÃO PAULO!

 

O advento do último dia de abril

sexta-feira, março 1st, 2013

Queridos encostos,

Vou ensinar um feitiço pra ninguém nunca mais errar a quantidade de dias de cada mês.

 

Façam assim:

1- Fechem a mão direita como se fossem dar um soco em alguém.

2- Agora reparem o “nó” de osso que liga os dedos à mão. e repare que entre dois “nós” de osso tem um “vale”.

3- Comece a contar janeiro a partir do nó do dedo fura-bolo, e fevereiro será contado no “vale” à direita.

4- O “nó” do mindinho é o mês de julho.

5- E agora, Madrasta, cabô a mão, o que eu faço? – volte pro nó do fura-bolo e conte de agosto até dezembro.

6- Todos os meses contados nos nós dos dedos têm 31 dias. Os meses dos vales têm menos de 31 dias (30 ou, no caso de fevereiro, 28 ou 29).

 

Agora, vamos todos fazer esse feitiço juntos pra exorcizarmos o 31 de abril do Correio Braziliense!

(Mas antes eu agradeço ao Constâncio Viana Coutinho, que compartilhou a teteia (sem acento) no Facebook)

abrilCB

Vambora, conta com a ajuda de todos! /o\

Querido Fantástico….

segunda-feira, fevereiro 4th, 2013

Você está fazendo isso MUITO errado…

(Via Maristela Alves, no Facebook)

fantastico

Anônima só que não

quinta-feira, novembro 22nd, 2012

Antes de mais nada, peço milhões de desculpas à pessoa que me enviou esta teteia. Eu fiquei empolgadíssima pra postar, mas estava enrolada, copiei a imagem no meu desktop e simplesmente me esqueci… E me esqueci de tudo: não só de fazer o post como quem foi o dileto ectoplasma suíno que me enviou a imagem!

Então, meu caro / minha cara: se foi você, manifeste-se, por favor! Autorizo-lhe, inclusive, a me dar algumas chibatadas… 😀

Mas vamos ao que interessa:

Impossível não amar a imprensa brasileira, gente!

Essa coisa maravilhosa (por favor, refiro-me ao texto! A notícia é tenebrosa, credo-cruz!) que eu vou mostrar pra vocês veio da cidade de Viana, no Espírito Santo.

Acompanhem o drama:

A tia, Luciana Batista Moreira, de 32 anos, teve a identidade preservada. Só que não…

Parabéns aos envolvidos! \o/

Títulos perigosos

terça-feira, outubro 23rd, 2012

Queridos jornalistas e políticos de cidades com nomes que sugerem um duplo sentido (Ponta Grossa, Curralinho, Pau Grande, Rolândia etcetcetc):

Muito cuidado com os títulos de redações que envolvam a cidade.

Porque uma hora ou outra vocês fazem um troço desses

E nem se dão conta do que aprontaram…

(Com agradecimentos ao dileto ectoplasma suíno Fábio Mantovani, que enviou a diliça daí de cima via Twitter…)

Por que me ufano de Merval Pereira

segunda-feira, outubro 22nd, 2012

Aqui neste blog ninguém fala mal de Merval Pereira!!! Eu não deixo!!!

Um cara que me garante média máxima em Introdução à Linguística não deve ser blasfemado!

Tudo começou no ano passado, com o quiproquó do livro do Mec, lembram?

Resumo da ópera, em uma frase e uma imagem: Oposição (mais Merval e Sardenberg) chiaram com a publicação do conteúdo da imagem abaixo porque nos microneurônios deles isso aqui é ensinar o aluno a falar errado:
(só mais uma informaçãozinha: esse livro é destinado ao ensino de Jovens Adultos)

Daí que Carlos Alberto Sardenberg resolveu pedir a Merval que tecesse seu sábio comentário a respeito desse livro.

E foi esse comentário que eu e minhas colhégas apresentamos como trabalho final do curso de Linguística. Tiramos dez.

Mas o que que você fez, Bruxa?

Eeeeeeuuu? Ah, fiz nada de mais, não!  Só editei um videozinho… 😀

 

Ou seja: NÃO FALE MAL DE MERVAL PEREIRA AQUI NESTE CALDEIRÃO!!!

Cada blog tem a Nicole Bahls que merece, néam? 😉

(Se você quiser saber um cadim mais a respeito de língua padrão e língua não-padrão, dê uma passad’olhos neste texto aqui.)

Aleluia!!!! \o/

quarta-feira, outubro 17th, 2012

Mais um milagre das redações! Conseguiu deixar viva uma sobrevivente!!!

E ó: ainda bem, viu?

Grávidas sobreviventes mortas, quando existem, costumam ser insuportáveis….

 

Um beijo pro jornal de Teófilo Otoni que nos brindou com tão maravilhosa pérola!

Ah, essa regência verbal…

segunda-feira, outubro 15th, 2012

Droga!

Tava indo dormir! Adivinha quem não me deixa? Ela mesma, a Rainha da Barão de Limeira!

Ó só essa manchete magnífica só que não:

Depois de me refazer do impacto de um folhacóptero (se helicóptero é um objeto que tem asas em forma de hélices, então um folhacóptero é um objeto que tem asas em forma de folhacó, é isso mesmo produção?) na minha vida, dediquei-me a decifrar o enigma da manchete em questã.

Porque, né? Se você vai atrás, você vai atrás DE algo. Preposição, por favor!!!

Serra e Haddad vão atrás DE votos no segundo turno.

Então, Folhacóptero, você deveria mostrar onde estão os votos DE que Serra e Haddad vão atrás no 2º turno, ou:

Folhacóptero mostra onde estão os votos DE
que Serra e Haddad vão atrás no 2º turno 

Mas, enfim… você é novinho lá pelas bandas da Barão de Limeira, né?  Tão novinho e tão inserido no contexto…

Dá licença que eu vou ter que encerrar o post com o já clássico

 

PORRA, FOLHA!!!

PUTA. QUE. PARIU.

terça-feira, outubro 2nd, 2012

Imagine a situação:

Você é professor de português. Toca o seu celular. É um repórter de um jornal querendo dicas para os vestibulandos estudarem pereré pão duro blablablá whiskas sachê aquela história toda.

Você para tudo o que está fazendo e, solícito, atende o repórti e diz a ele tudo o que ele quer ouvir.

No dia seguinte, você abre o jornal e encontra issaqui:

 

Comcorda? O_o

Qual a sua reação?

esta!

(A minha foi a exclamação que intitula o post).

 

PORRA, TRIBUNA!!!

Adivinha…

quinta-feira, setembro 6th, 2012

… que jornal escreveu essa pérola aí de baixo:

Diquinha básica: começa com F, é de São Paulo, e tem uma catiguria exclusiva aqui no Caldeirão…

Pra quem não sabe onde está o erro, o verbo correto é apropRiar.

 

PORRA, FOLHA!

#prontofalei

Subjuntivo, esse modo ignorado no prédio da Barão de Limeira

segunda-feira, agosto 27th, 2012

Enviado pelo dileto ectoplasma Luis Alacarini via Fêicebúque.

Mais um daqueles posts no qual eu sei nem por onde começar. Vou tentar começar explicando alguns modos verbais.

Porque, né? Quando você quer contar uma ação que não avente dúvidas ou questionamentos, seu modo é o indicativo.

Como o próprio nome dá a dica, ele indica a coisa que rola/vai rolar/já rolou:

Eu sou

Fulano nasceu

Beltrana morrerá de curiosidade.

Mas se a sua praia for a dúvida, ou o exercício da probabilidade/adivinhação, o modo que se adequa às suas necessidades é o subjuntivo. Ele não denota certeza nem indica coisa nenhuma, apenas fala de possibilidades e devaneios:

Que ele nasça bonito (ele ainda não nasceu, nem se sabe se ele vai nascer. Mas, quando isso acontecer, que seja assim)

Se eu estivesse em Paris agora (não estou em Paris, mas bem que essa possibilidade podia rolar, né?)

Quando eu tiver uma Ferrari (no remoto ou improvável dia em que isso acontecer -feat. senta lá Cláudia)

 

Isto posto,

ALGUÉM EXPLICA ESTA MANCHETE DA FOLHA DE SÃO PAULO, CACETE?!?!?

 

Não é certeza que o servidor vá manter a greve. Ele pode manter ou não.

Quedizê: o servidor que MANTIVER a porra da greve vai ficar sem a bosta do reajuste.

 

NÉ, FOLHA?!?!?!

PORRA, FOLHA!!!

 

Vou mandar o subjuntivo invadir o prédio da Barão de Limeira pra detonar uma bomba gramatical lá dentro.

Ele vai entrar de sussa, pois ninguém dentro daquele prédio é capaz de reconhecê-lo, mesmo…

 

Mombaça, uma cidade do… oi?

segunda-feira, agosto 27th, 2012

Queridas Folha de São Paulo e France Presse,

 

A cidade do Quênia em questão é MombaSa, com um ésse mesmo.

MombaÇa, com cedilha, fica no Ceará:

 

 

E, pelo que Tio Google me contou, Mombasa (A) fica um cadim longe de Mombaça (B)

#Bjomeliga

 

 

 

Sem café X com café

terça-feira, julho 24th, 2012

Imagino até o que aconteceu.

Redação do Poder online, do IG, lá pelas sete e meia da manhã:

– Entra no site e bota no ar aquela matéria das cestas básicas que eu vou passar o café! – disse o editor

– OK – retrucou o estagiário. (Segunda vez que eu uso o verbo retrucar, me deixa, tô feliz!)

Aí lá vai o estagiário dizem que ele trabalhou no Ego, mas essa informação carece de confirmação morto de sono abrir a edição do site para postar a notícia que já tinha sido apurada, só faltava ser redigida:

 

Pouco depois, o estagiário levanta-se e vai tomar café. Volta para a mesa cheidi café nazidéia, já devidamente acordado, e dá aquela bisoiada básica no site.

E grita:

– POOTAQUEPAREEOO, COMO EU PUDE ESCREVER UMA MERDA DESSAS, CACETE?

Aí ele clica no botão “editar matéria’ e remenda a merda:

 

Com os devidos agradecimentos ao César Cardoso por ter orado aos deuses do print-screen a tempo! \o/

Dorinha de mal com o verbo haver

quinta-feira, julho 12th, 2012

[suspiro]

Nada como uma bela escorregadela no Manoel (português) pra me fazer reabrir o caldeirão em grande estilo, néam?

Então, vamos analisar a tetéia (com acento, porque eu me apego muito aos acentos) recém-produzida pela Dora Kramer no twitter:

[outro longo suspiro]

Acho que vou fazer um postão que vai virar página especial, só com o verbo haver! Mas enquanto isso não acontece, vou contar um segredinho aqui:

Titicamente, quando o português ainda era um jovem e garboso mancebo e ainda tinha altas relações com o Latim, não tinha evoluído a ponto de criar um futuro do presente para seus verbos. (sabe como é, ele tentava passar de fase do game, mas morria antes, tinha que começar do zero, um saco….)

Daí que as pessoas usavam meique uma ameaça pra se referirem a um tempo que ainda estava por chegar. Mas pra isso, o verbo haver no presente do indicativo (antes que você pergunte: eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles hão. Agradeça a  Tio Antônio!) frequentava geral as altas e baixas rodas da sociedade.

Então, como eu dizia, lá em priscas eras, nego dizia

Eu hei de chegar em sua casa amanhã / ele há de chegar em sua casa amanhã

Essa locução “haver + preposição de + [enfie aqui o verbo principal de sua preferência]  acabou trocando de ordem, e ficou assim:

eu [enfie aqui o verbo de sua preferência] +verbo haver, ou seja:  

eu chegar hei / ele chegar há  

daí pro

chegarei  / chegará

foi um pulo e um beijinho, beijinho, tchau, tchau pro agá.

O resto é história. E futuro do presente do modo indicativo.

Isto posto, a expressão a ser combinada com  [verbo enfiado de sua preferência] que terá valor similar ao da locução verbal ir+verbo no infinitivo (vou falar / vou fazer / vou acontecer) é a expressão haver de.

Isso, é claro, se você quiser deixar seu texto metido a besta – no que contarás com meu total apoio! Atoron! \o/

Então, Dorinha, sua linda, ou você cria rapidão um trocadilho com o verbo haver e esse verbo dar mal enfiado no seu tuíte ou você deleta seu post.

Mas eu já orei pros deuses do print-screen!

*******************

 ATUALIZAÇÃO ÉPICA:

Observação tão maravilhosa do Flávio aí embaixo nos comentários que eu tive que subir o que ele escreveu:

Pode ter sido erro de pontuação:
1. Reclamar de Kassab? Quem? A Dê? (pode ser alguma conhecida da Dorinha que gosta de reclamar)
2. Reclamar de Kassab, quem? A Dê.
3. coloque aqui a “aversão” de sua escolha…

*************

#Bjomeliga

Ah, Folha… ♥♥♥

terça-feira, junho 12th, 2012

É sempre assim, gente!

eu começo a me condoer que estou há muito tempo sem atualizar o caldeirão, e vem a Folha me brindar com suas folhices…

 

Desta vez, ela apresentou sem mais delongas seu verdadeiro eleito para o Banco Central.

Reparem:

♥♥♥ Fernando Henrique Cardoso, presidente do BC segundo a Folha. ♥♥♥

Tem coisas que só a Folha consegue fazer

quarta-feira, abril 11th, 2012

Sei nem por onde começar. Bom, deixa eu começar agradecendo ao Loyola que, além de produzir esse avatar fófis de Cudi Ampola que eu uso, ainda me manda coisas como a que estampará este post.

Gente, verdade seja dita: a capacidade da Folha de gerar posts para este blog tende ao infinito. E tenho que dar o braço a torcer: o jornal da Barão de Limeira tem todo um estilo próprio, intransferível e inconfundível pra fazer merda. E uma folhice é eterna, não prescreve.

Esta daqui, por exemplo, tem praticamente dois anos. Vamos acompanhar:

Homem que esfaqueou três em mercado de SP foi contido meia hora após ataque

AFONSO BENITES [faço questão de manter o nome do autor da teteia.]
DE SÃO PAULO

“Quem quer morrer?”, dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo.[Tá. O texto até que começou legal. Eu distribuiria uns pontinhos no lugar das vírgulas que é pra dar pra respirar direito, mas isso realmente não vem ao caso. Próxima frase, por favor!]

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro[Epa! Citou o nome do estabelecimento! Na boa, não havia necessidade. E, se o autor realmente fizesse questão de citar o local, que o fizesse de maneira mais formal, tipos: “o hipermercado Extra da avenida tal, no centro de Guarulhos], ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90) […. e zás! Chegamos à nossa folhice em questão! Só tenho uma dúvida: isso aqui foi excesso de apuração ou jabá?].

Era dia de promoção –a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes)[RE-PI-TO: ISSO É EXCESSO DE APURAÇÃO OU JABÁ?!?!?!?!?!] . A loja estava cheia.

A primeira vítima foi o comerciante chinês Ding Yu Chi, 60, esfaqueado próximo à banca de tomates, ao lado da mulher. Sem motivo aparente, Araújo deu-lhe duas facadas na barriga. Afastou-se e voltou a esfaqueá-lo. Ao todo, desferiu oito golpes.

Ding andou por 30 metros e pediu ajuda. Seguranças disseram para ele se deitar no chão e esperar o socorro. Gemendo, no colo da mulher, dizia: “Não aguento mais”.

Uma poça de sangue se formou debaixo de seu corpo. Clientes começaram a gritar que um “maluco” tinha esfaqueado um homem. Seis mulheres desmaiaram.

A segunda vítima foi outro comerciante. Ele se deparou com Araújo, tentou fugir, mas foi ferido nas costas. Antes de fazer a terceira vítima (um fiscal do Extra atingido no abdômen), Araújo tentou esfaquear outro cliente, que jogou um carrinho de compras contra ele.

Pânico e correria duraram quase meia hora. “Quando começou a confusão, eu tinha acabado de passar minha primeira compra no caixa, às 20h41 [E ao chegar aqui nós percebemos que o zifio repórti peca por excesso, mesmo! O texto está muito bem escrito, com excesso de riqueza de detalhes!]. Quando acabou, eu terminei [Cejura que você terminou quando acabou? Que maravilha, isso, não? A conclusão que coincide com o término! Que grande revolução! Nego num pode elogiar muito um texto da Folha que eles vêm e pimba de novo, cacete!]. Eram 21h13″, disse a dona de casa Karina Marques, 31, exibindo o cupom fiscal com horários.

Um policial disparou dois tiros no meio da loja –mais gritos, mais pânico. Não o atingiram o agressor, que acabou detido pela PM.

A família de Ding estuda processar o Extra por omissão de socorro. Testemunhas dizem que ele sangrou sem parar na loja e só foi removido ao fim da confusão. Morreu ao entrar no hospital.

O Extra não divulgou cenas de câmeras internas. Em nota, informou ter “tomado todas as medidas cabíveis”. Também disse que acionou a PM, “lamenta profundamente o ocorrido” e se mantém “à disposição das autoridades”.

Preso, Araújo afirmou que era perseguido desde sua casa, em Guararema, a 40 km de Guarulhos, mas não disse quem o seguia. Segundo a polícia, ele não conhecia as vítimas. Na delegacia, disse não se lembrar de nada. Não parecia estar sob efeito de drogas nem alcoolizado.

A polícia ainda tem poucos dados dele. Só sabe que nasceu em São Bento do Una (PE) e nunca foi condenado. As outras duas vítimas passaram por cirurgias e não correm risco de morte.

 

O texto está realmente muito bem escrito. Tão bem escrito que eu aposto que o zifio era novo na Folha. Deve ter aprendido as manhas da redação e perdido toda a capacidade de escrever direito que Nossa Senhora da Boa ortografia lhe deu.

Mas aí eu fico pensando se esse jabá (Proposital? Inocente?) já não era um prenúncio ou, sem querer, uma compensação para o que aconteceria pouco mais de um mês depois

Enfim: PORRA, FOLHA!!!! SEU ESTILO DE FAZER MERDA É INIMITÁVEL, CACETE!!!!

UOL: criança não é humano

terça-feira, março 13th, 2012

Basta ver este título aqui:

A manchete

Crianças começam a testar remédio para combate à aids desenvolvido pela Fiocruz

foi dispensada porque, obviamente, criança é uma coisa, e humano, outra.

Sem mais.

Detetivões 2 – Identifique a fonte anônima

domingo, março 11th, 2012

Atooooooooooooron a imprensa brasileira, gente! A capacidade que nossos queridos (cof, cof) jornalistas têm de manter suas fontes no anonimato é espantosa!  Tô observando essa tendência, viu?

Primeiro foi o Estadão, que entrevistou *duas* fontes durante a renião do BIS na Basileia. Agora é a Istoé desta semana. Resolveu listar um *ex-ministro* de Dilmavana que teve contato direto com Jérome Valcke, aquele secretário-geral da Fifa que fala merda em inglês e pede desculpas por ser mal-interpretado em francês, saca?

Enfim, vamos acompanhar o texto lheando da Istoé:

O trapalhão da FIFA

 A bola fora do secretário-geral Jérôme Valcke é mais uma em seu currículo recheado de polêmicas e confusões

Um chute mal dado embolou o meio de campo dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 nos últimos dias. A disputa entre a Fifa, a entidade que comanda o futebol no mundo, e o governo brasileiro se acirrou na sexta-feira 2. Em um evento na Inglaterra, o francês Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade, afirmou que o Brasil deveria levar “um chute no traseiro” para apressar as obras prometidas para o Mundial e a aprovação da Lei-Geral da Copa, espécie de cartilha de regras da Fifa para o evento. De imediato, o País partiu para o contra-ataque. O articulador da jogada foi o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que no dia seguinte disse – em público e por carta enviada à Fifa – que o governo não aceitava mais o francês, número dois na hierarquia da entidade, como interlocutor. Isso sem contar as reações de repúdio dos presidentes da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e do Senado, José Sarney, além de outros políticos da base governista e da oposição.

A Fifa acusou o golpe ao ver seu homem forte, responsável pelo evento que faz lucrar bilhões de dólares, jogado para escanteio no país-sede do Mundial. E pediu desculpas. A começar pelo próprio Valcke, 51 anos, que encaminhou uma carta ao ministro. Joseph Blatter, presidente da entidade, repetiu o gesto e o reforçou com uma ligação a Rebelo. Mais do que o mundo ter visto a poderosa Fifa perder uma queda de braço – o jornal espanhol “Marca” publicou que o Brasil “baixou a bola” da organização –, o episódio se revelou como mais uma trapalhada no currículo do controverso dirigente francês. “Ele é boquirroto, fala mais do que deve”, diz um ex-ministro que conhece de perto o secretário-geral. Segundo essa pessoa, que prefere não se identificar, Valcke queimou uma ponte que tinha com a presidenta Dilma Rousseff, construída em Bruxelas, na Bélgica. Na ocasião, Dilma recusou uma reunião com Blatter para tratar do Mundial com o número dois da entidade. “Se bem a conheço, acho impossível a presidenta voltar a recebê-lo.”

(…)

Na opinião do ex-ministro brasileiro, o dirigente francês e a Fifa têm uma visão eurocêntrica e veem países como o Brasil e a África do Sul tais quais periferias com menos capacidade de realização. “Dessa forma, cobram muito mais da gente”, diz. O destempero verbal de Valcke foi rechaçado por Rebelo em carta enviada à Fifa no mesmo dia em que o francês se desculpou. “A forma e o conteúdo das declarações escapam aos padrões aceitáveis de convivência harmônica entre um país soberano como o Brasil e uma organização internacional centenária como a Fifa”, escreveu. Infelizmente, a polidez do ministro não foi regra entre seus colegas. Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, deu ares de briga de botequim ao episódio. “Esse cara é um vagabundo! Já está riscado”, disse. Na Câmara, o presidente da Casa, Marco Maia, afirmou que Valcke merecia um chute de volta.

(…)

No Brasil, o francês é muito benquisto pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que se licenciou do cargo na semana passada. Valcke e a família estiveram hospedados na casa do dirigente brasileiro em Angra dos Reis no Réveillon de 2010. “Ele adora praia e, especialmente, Angra”, diz um assessor da CBF. “De fato, ele é afável, brincalhão, mas não se constrangeu em oferecer a cabeça do amigo Ricardo Teixeira numa reunião com Dilma em Bruxelas, em outubro passado”, conta o ex-ministro. Segundo ele, ao perceber que Teixeira não mantinha boas relações com a presidenta – e, portanto, era uma peça inconveniente na ligação entre a Fifa e o governo –, Valcke pediu que Dilma indicasse um substituto ao posto de chefe do Comitê Organizador Local do Mundial de 2014 (COL) no lugar de Teixeira. “A presidenta disse que respondia pelas questões ligadas ao governo, não por Teixeira.”

(…)

Agora, vamos descobrir quem é o ex-ministro de Dilma? De acordo com o diletíssimo Antonio Luiz Costa, que me enviou este link, nossa lista se restringe a 12 nomes, que são:

Antonio Palocci – Casa Civil; Nelson Jobim – Defesa; Wagner Rossi – Agricultura; Alfredo Nascimento – Transportes; Carlos Lupi – Trabalho; Fernando Haddad – Educação; Pedro Novais – Turismo; Mário Negromonte – Cidades; Iriny Lopes – Secretaria para Política de Mulheres; Afonso Florence – Desenvolvimento Agrário; Luiz Sérgio – Pesca; Orlando Silva – Esportes.

Dentre os listados acima, aponte um, e apenas um, cuja atribuição principal, quase única, tenha sido lidar diretamente com a Fifa com o objetivo de organizar a Copa do Mundo. Dica: a Copa do Mundo da Fifa é um evento de ES-POR-TES…

Se você ainda não descobriu de quem eu desconfio, longe de mim ficar aqui com dedo de seta. Prezo horrores pelo sigilo de fontes! 😀

O máximo que eu posso fazer é cantarolar um pouquinho pra você…

#beijomeliga2

(P.S.: Querida Istoé: ex-integrante é mais genérico que ex-ministro, e queima menos o filme das fontes, viu? #ficadica)

Te dou um dado?

terça-feira, março 6th, 2012

O Te dou um dado? é um dos meus blogs preferidos. Primeiro, porque descobriu uma utilidade pras subcelebridades – transformou todas em motivo de diversão para todos nós mortais – e segundo porque eles são tão bonzinhos como eu, sabe? 😉 Curto muito quando eles brincam de detetivões e buscam, no Google, respostas para notícias dadas pela metade em sites outros de fofocas.

Pois foi justamente a série os detetivões que esta notícia de hoje do Estadão me fez lembrar. Eis que o correspondente do Estadão na Basileia (é, fica horrível, mas não tem mais acento!) foi correr atrás de fofoca pauta na reunião do Banco de Compensações Internacionais, o BIS, que, longe de ser um chocolate gostoso, tá mais pra um colegiado de bancos centrais.

Mas eu falava da matéria do Estadão. A tal da reunião do BIS foi cercada de mistério e de mordaças. Os participantes foram convidados a ficarem calados, porque a reunião era de economistas, e o que fosse dito poderia mexer nas bolsas, e no câmbio, e nas marés e na rotação da Terra etcetcetc. E não é que o Jamil Chade conseguiu uma fonte pra abrir a boca e contar fofoca o que estava acontecendo na reunião do BIS?

Aí você lê a matéria e descobre que o Jamil Chade falou com *duas* fontes. Uma, desconhecida, e outra, o presidente do Banco Central brasileiro, Alexandre Tombini. Mas vamos tentar descobrir quem é a fonte anônima de Jamil Chade?

Primeiro, vamos ler o texto todo. Vou destacar em negrito as citações das fontes.

Bernanke e Draghi trocam acusações

Críticas foram motivadas pela injeção de liquidez

JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL / BASILEIA – O Estado de S.Paulo

A guerra cambial desembarca nos países ricos e escancara a incapacidade dos xerifes das finanças internacionais em gerenciar a crise. Estados Unidos, Europa e Japão se acusam de injetar liquidez em seus mercados e, assim, manipular suas moedas. Ontem, os maiores bancos centrais do mundo se reuniram na Basileia, em encontro fechado. Cada participante foi orientado a não vazar nenhum detalhe do debate.

Ao Estado, porém, um representante de um mercado emergente revelou que a troca de acusações, ainda que diplomáticas, escancarou a inexistência de uma estratégia comum para lidar com a crise. “Hoje, está claro que é cada um por si e que as esperanças de uma coordenação são cada vez mais apenas promessas políticas”, disse a autoridade monetária. “Hoje, existe uma crise da gestão da crise. Isso é ainda pior que só uma recessão. Não há um caminho para superá-la de forma coordenada.”

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também esteve nos debates na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS). Mas não aceitou falar com a imprensa, sob o argumento de que a ordem de mordaça era da cúpula do BIS [Ah! ele não falou? Ah, então, tá!].

Ben Bernanke e Mario Draghi, que comandam respectivamente o Federal Reserve e o Banco Central Europeu, foram os protagonistas do desentendimento.

Em 2010, o governo americano havia liberado mais de US$ 1 trilhão, e foi acusado de de promover uma desvalorização competitiva, auxiliando nos esforços de ampliar as exportações e reduzir o déficit. O Fed, na época, recusou a acusação e insistiu que apenas estava garantindo que os empréstimos de seus bancos à economia real relançassem a economia do país, dizendo que isso seria positivo para todos.

Agora, é Bernanke quem critica o BCE por ter, em apenas dois meses, injetado 1 trilhão, afetando o mercado de câmbio. A acusação foi rejeitada por Draghi, que defendeu a ação apontando que a perspectiva de recessão na Europa em 2012 exigiria novo incentivo. Draghi recebeu críticas também do Banco do Japão, temendo ver sua moeda afetada tanto pela ação dos europeus quanto dos EUA. “Ficou claro que o que existe é uma corrida de cada um para resguardar suas economias e interesses”, disse a fonte.

Aí, vamos acrescentar os seguintes dados à nossa análise:

– Tá um frio do caramba na Suíça. Ficar do lado de fora esperando declaraçãozinha reme-reme não é o que um jornalista está propenso a fazer;

– O Brasil é um país emergente

– Alexandre Tombini falou ao Estadão

 

Isto posto, o que devemos inferir?

1- Ben Bernanke é a fonte misteriosa do Estadão

2- Mario Draghi é a fonte misteriosa do Estadão

3- Alexandre Tombini é a fonte misteriosa do Estadão,

 

Certa de que sigilo de fonte é algo sagrado para o moderno jornalismo, e mais certa ainda de que o Estadão preza horrores por suas queridas fontes anônimas, recuso-me a dar meu pitaco aqui. 😀

#Beijomeliga

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