Objetivando Disponibilizar

Arquivo pela categoria 'Aprenda, estúpido!'

A Língua de Eulália – o livro é chato, mas o tema é muito importante!

quinta-feira, setembro 13th, 2012

Fiz essa resenha como trabalho de Linguística. Mas comecei a discutir o assunto no Twitter, e resolvi trazer esse texto à tona.

Desafio você, aluno ixperrrto, a copiar este texto e entregar ao seu professor. Vais ver porque eu sou uma bruxa…

Enfim. A ideia (que falta que faz esse acento…) é a seguinte: mostrar ao público leigo que frases como os livro é bonito ou pronúncias como trabaio não são português errado, mas variação de uma língua cuja evolução do Latim não se estagnou, ainda prossegue – e é consequência de um país de dimensões e culturas continentais.

O assunto é sério, e rende pano pra manga, discussão, polêmica, quiproquós e tudo quanto é expressão clichê pra designar arranca-rabos de grande magnitude. Que o digam o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e o livro didático Viver Aprender, lançado por seu Ministério no ano passado.

O sentido de falar certo e falar errado está mais do que arraigado no subconsciente dos brasileiros e, sem que as pessoas percebam, é uma forma de expressar preconceitos outros: de classe, de raça, geográficos…

Há quem tenha calafrios ao ouvir a frase já citada: os livro é bonito. “A regra é clara”, diriam os arnaldos césares coelhos da Língua Portuguesa: todas as palavras flexionáveis da frase devem concordar em número entre si. Portanto, artigo, substantivo, verbo e complemento nominal devem obrigatoriamente estar todos ou no singular ou no plural. Caso contrário, é errado. O corretor gramatical do Word é minha prova de que até softwares são adestrados a identificar os livro como errado, pois todas as ocorrências da citada expressão neste texto foram sublinhadas em verde pelo programa.

Mas com um pouquinho de metodologia percebe-se na frase errada um critério, uma norma: só a primeira palavra do sintagma ganhou um ésse, e isso já basta para transmitir a informação de plural. Regra diferente, e que é seguida, ainda que instintivamente, de norte a sul deste país, por quem fala português errado. É o que os linguistas chamam de variação linguística. Não caracteriza erro ou ignorância, apenas o emprego de regras outras. A mensagem é transmitida com perfeição do emissor ao receptor, sem ruídos.

Da mesma forma, pronúncias como trabaio, abeia, cuié ou fia estão longe de serem erros ou ignorâncias. Com iguais critérios científicos de análise linguística empregados no raciocínio anterior, é possível perceber que tais pronúncias são explicáveis com palatos, línguas e todas as partes do sistema do corpo humano usado na produção de fonemas e sons de letras e de onomatopeias. E, com um molhinho extra de comparação com outras línguas que, assim como o português,(atenção, professor! se você está lendo estes parênteses, é porque seu aluno copiou um texto da Internet de terceiros e apresentou como se fosse dele, sem nem se dar ao trabalho de ler a bagaça toda! Zero no meliante!)  tiveram seu ponto de partida no Latim, nota-se que essas pronúncias erradas são, na verdade, uma pronúncia quase igual à francesa para essas mesmas palavras: travaille, abeille, cuiller, fille.

Que coisa mais fascinante! – deve pensar o leigo que porventura vier a ler este texto. Mas como fica o ensino da Língua Portuguesa a partir dessa tese? – retrucará em seguida esse mesmo leigo hipotético que me permitiu o uso do verbo retrucar.

Simples: o professor usa em aula as duas variações do português (padrão e não-padrão), evidencia suas diferenças e avisa aos alunos o tempo todo: o português não-padrão não é bem visto por todo mundo. Por fim, fará seus alunos entenderem que é importante usar o português padrão em textos escritos, provas oficiais, tribunais e locais onde se exige mais formalidade por parte dos frequentadores.

Ah, então tá bom! Então, vamos disseminar essa tese, certo? – concluirá o leigo hipotético.

Aí a coisa começa a pegar. Para divulgar essa tese importante, Marcos Bagno – que não é um cara qualquer, trata-se de Linguista e professor do Instituto de Letras da UnB – resolveu fazer “uma novela sociolinguística”. E escreveu o livro A Língua de Eulália, em 1997.

Todo brasileiro que se preza, ao ler a palavra novela logo pensa em enredos e tramas típicas de telenovelas. Mas há quem se lembre de alguma coisa de gêneros literários (assunto de aulas do segundo grau), e que o gênero telenovela está mais para folhetim do que para novela.

Na era do Google, o sacrossanto site de buscas resolve a dúvida, e nos leva a dona Wikipedia: “Uma novela em português é uma narração em prosa de menor extensão do que o romance. Em comparação ao romance, pode-se dizer que a novela apresenta uma maior economia de recursos narrativos; em comparação ao conto, um maior desenvolvimento de enredo e personagens.”

Se dona Wikipedia está certa, então A Língua de Eulália pode ser tudo menos uma novela. Porque de uma coisa enredo e personagens da história de Bagno definitivamente não foram vítimas: de desenvolvimento.

O livro conta uma história chata, arrastada, modorrenta, por vezes pedante. E utiliza-se, para isso, de personagens chatos, insossos, que chegam do nada e levam a história a lugar nenhum, e aparecem no livro para se reunirem em “interessantes” (boceeeeeeeeejo) aulas de português.

E o que dizer da personagem principal, Eulália? Nada, absolutamente nada. Contei menos de cinco falas de Eulália em toda a trama, todas dispensáveis para a condução do enredo.

Na verdade, estou em dúvidas. Eulália é personagem principal ou desculpa do livro? A história desenvolve-se sem que sua participação seja decisiva para o enredo (talvez isso faça de Eulália a personagem com mais empatia em toda a trama).

Em suma: a história prende pelo conteúdo e não pelo formato. O leitor só chega às últimas páginas do livro caso se atenha às ideias de variação não-padrão do português, defendidas pela doutora em Linguística Irene a sua sobrinha e amigas.

Creio que A Língua de Eulália seria muito mais interessante se fosse um folhetim sociolinguístico, e contasse, por exemplo, as agruras e sofrimentos da heroína Eulália, uma trabaiadora no ramo de curtura di abeias que é vítima dos ricos e poderosos que caçoam da forma como ela fala. Se Bagno explorasse a noção de português padrão e português não-padrão por meio de conflitos de classes e geográficos, a história talvez fosse menos modorrenta.

Mas o mais gritante foi ler, na edição de 2011 do livro, as observações do autor a respeito de sua obra, passados 14 anos da primeira edição. Na página 212, Bagno afirma:

Todos os aprendizes devem ter acesso às normas linguísticas urbanas de prestígio, não porque sejam as únicas formas “certas” de falar e de escrever, mas porque constituem, junto com outros bens sociais, um direito do cidadão, de modo que possa se inserir plenamente na vida urbana contemporânea (…)

E, na página 213, completa:

(…) constitui um atentado aos direitos do cidadão continuar a prescrever, como únicas corretas, regras gramaticais que entram em flagrante conflito com a intuição linguística do falante e que não correspondem ao estado atual da língua, nem sequer em seus usos escritos mais formais.

O leitor leigo (público-alvo do livro) pode entender uma contradição nesses dois trechos. E o leitor mal-intencionado (aqueles que defendem que dizer os livro é bonito é coisa do Lula pra impor seu falar errado aos brasileiros estudantes) vai encontrar contradições e vai trabalhar esses dois trechos com o lado negro da força.

É necessário um semestre inteiro de um curso de Linguística para entender que os dois textos não são contraditórios, mas complementares.

A meu ver, Bagno deve urgentemente reescrever essas duas páginas de forma a deixar suas ideias mais à prova de contradições. Pensando bem, se der pra refazer tudo para dar mais vida aos personagens, a história vai ficar melhor…

Adivinha…

quinta-feira, setembro 6th, 2012

… que jornal escreveu essa pérola aí de baixo:

Diquinha básica: começa com F, é de São Paulo, e tem uma catiguria exclusiva aqui no Caldeirão…

Pra quem não sabe onde está o erro, o verbo correto é apropRiar.

 

PORRA, FOLHA!

#prontofalei

Subjuntivo, esse modo ignorado no prédio da Barão de Limeira

segunda-feira, agosto 27th, 2012

Enviado pelo dileto ectoplasma Luis Alacarini via Fêicebúque.

Mais um daqueles posts no qual eu sei nem por onde começar. Vou tentar começar explicando alguns modos verbais.

Porque, né? Quando você quer contar uma ação que não avente dúvidas ou questionamentos, seu modo é o indicativo.

Como o próprio nome dá a dica, ele indica a coisa que rola/vai rolar/já rolou:

Eu sou

Fulano nasceu

Beltrana morrerá de curiosidade.

Mas se a sua praia for a dúvida, ou o exercício da probabilidade/adivinhação, o modo que se adequa às suas necessidades é o subjuntivo. Ele não denota certeza nem indica coisa nenhuma, apenas fala de possibilidades e devaneios:

Que ele nasça bonito (ele ainda não nasceu, nem se sabe se ele vai nascer. Mas, quando isso acontecer, que seja assim)

Se eu estivesse em Paris agora (não estou em Paris, mas bem que essa possibilidade podia rolar, né?)

Quando eu tiver uma Ferrari (no remoto ou improvável dia em que isso acontecer -feat. senta lá Cláudia)

 

Isto posto,

ALGUÉM EXPLICA ESTA MANCHETE DA FOLHA DE SÃO PAULO, CACETE?!?!?

 

Não é certeza que o servidor vá manter a greve. Ele pode manter ou não.

Quedizê: o servidor que MANTIVER a porra da greve vai ficar sem a bosta do reajuste.

 

NÉ, FOLHA?!?!?!

PORRA, FOLHA!!!

 

Vou mandar o subjuntivo invadir o prédio da Barão de Limeira pra detonar uma bomba gramatical lá dentro.

Ele vai entrar de sussa, pois ninguém dentro daquele prédio é capaz de reconhecê-lo, mesmo…

 

Sem café X com café

terça-feira, julho 24th, 2012

Imagino até o que aconteceu.

Redação do Poder online, do IG, lá pelas sete e meia da manhã:

– Entra no site e bota no ar aquela matéria das cestas básicas que eu vou passar o café! – disse o editor

– OK – retrucou o estagiário. (Segunda vez que eu uso o verbo retrucar, me deixa, tô feliz!)

Aí lá vai o estagiário dizem que ele trabalhou no Ego, mas essa informação carece de confirmação morto de sono abrir a edição do site para postar a notícia que já tinha sido apurada, só faltava ser redigida:

 

Pouco depois, o estagiário levanta-se e vai tomar café. Volta para a mesa cheidi café nazidéia, já devidamente acordado, e dá aquela bisoiada básica no site.

E grita:

– POOTAQUEPAREEOO, COMO EU PUDE ESCREVER UMA MERDA DESSAS, CACETE?

Aí ele clica no botão “editar matéria’ e remenda a merda:

 

Com os devidos agradecimentos ao César Cardoso por ter orado aos deuses do print-screen a tempo! \o/

Só 38% ? Acho pouco!

quinta-feira, julho 19th, 2012

Daí que dia desses alguém contabilizou que 38% dos universitários (eu disse universitários, aquela raça que já passou pelo crivo do Vestibular) não dominam as habilidades básicas de leitura. Eu acho esse número baixo. Deve ser muito mais do que isso!

E daí? O que fazer? Assino embaixo do que a Dad squarisi escreveu na edição de hoje do Correio Braziliense:

Língua é direito humano :: Dad Squarisi

Os dados não surpreendem. Mas chocam. Nada menos de 38% dos universitários não dominam as habilidades básicas de leitura e escrita. A pesquisa do Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa prova que o menino é o pai do homem. Os alunos do nível superior são os estudantes que ficam na rabeira de testes de avaliação como Pisa, Enem & Cia. Esperar resultado diferente com dados iguais é acreditar em Papai Noel.

Impõe-se, pois, mudança no andar de baixo para que o de cima reaja. Como? A resposta também não surpreende. O salto qualitativo do ensino se baseia, necessariamente, em três pilares. Um: gestão. A administração da escola precisa de profissionalismo. Bom professor em sala de aula não é sinônimo de bom diretor. Outro: professores nota 10. Mestres quebra-galhos, sem qualificação de ponta e alta motivação, formam alunos à sua imagem e semelhança. O último: salário e carreira atraentes. O magistério deve atrair excelências, não excluídos das demais carreiras.

Com o velho modelo, o Brasil já avançou o máximo. Para seguir adiante, precisa de novo paradigma. Com ele, melhorará os indicadores. O pleno domínio do idioma fará a diferença. A língua impulsiona a leitura, que desempenha papel central em todas as dimensões. De um lado, desenvolve habilidades que favorecem a aprendizagem nas diferentes áreas do conhecimento. De outro, motiva o aluno a estudar, retém-no na escola e promove progressos pessoais. Por fim, leva à compreensão da diversidade cultural e nos torna mais cidadãos.

Novidade? Nenhuma. Tampouco é novidade a inapetência do Estado em mudar as coisas. Juras de amor à educação não faltam. Mas cadê? Sai governo, entra governo, nada se altera. Saídas existem. A Academia Brasileira de Letras (ABL) tem autoridade para encabeçar campanha em prol do ensino pleno da norma culta nas escolas. Tem autoridade também para publicar a gramática da academia, que serviria de base para as demais. Não só. Que tal a ABL defender o domínio da norma culta como direito humano? A ONU está aberta para abraçar a causa.

Dorinha de mal com o verbo haver

quinta-feira, julho 12th, 2012

[suspiro]

Nada como uma bela escorregadela no Manoel (português) pra me fazer reabrir o caldeirão em grande estilo, néam?

Então, vamos analisar a tetéia (com acento, porque eu me apego muito aos acentos) recém-produzida pela Dora Kramer no twitter:

[outro longo suspiro]

Acho que vou fazer um postão que vai virar página especial, só com o verbo haver! Mas enquanto isso não acontece, vou contar um segredinho aqui:

Titicamente, quando o português ainda era um jovem e garboso mancebo e ainda tinha altas relações com o Latim, não tinha evoluído a ponto de criar um futuro do presente para seus verbos. (sabe como é, ele tentava passar de fase do game, mas morria antes, tinha que começar do zero, um saco….)

Daí que as pessoas usavam meique uma ameaça pra se referirem a um tempo que ainda estava por chegar. Mas pra isso, o verbo haver no presente do indicativo (antes que você pergunte: eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles hão. Agradeça a  Tio Antônio!) frequentava geral as altas e baixas rodas da sociedade.

Então, como eu dizia, lá em priscas eras, nego dizia

Eu hei de chegar em sua casa amanhã / ele há de chegar em sua casa amanhã

Essa locução “haver + preposição de + [enfie aqui o verbo principal de sua preferência]  acabou trocando de ordem, e ficou assim:

eu [enfie aqui o verbo de sua preferência] +verbo haver, ou seja:  

eu chegar hei / ele chegar há  

daí pro

chegarei  / chegará

foi um pulo e um beijinho, beijinho, tchau, tchau pro agá.

O resto é história. E futuro do presente do modo indicativo.

Isto posto, a expressão a ser combinada com  [verbo enfiado de sua preferência] que terá valor similar ao da locução verbal ir+verbo no infinitivo (vou falar / vou fazer / vou acontecer) é a expressão haver de.

Isso, é claro, se você quiser deixar seu texto metido a besta – no que contarás com meu total apoio! Atoron! \o/

Então, Dorinha, sua linda, ou você cria rapidão um trocadilho com o verbo haver e esse verbo dar mal enfiado no seu tuíte ou você deleta seu post.

Mas eu já orei pros deuses do print-screen!

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 ATUALIZAÇÃO ÉPICA:

Observação tão maravilhosa do Flávio aí embaixo nos comentários que eu tive que subir o que ele escreveu:

Pode ter sido erro de pontuação:
1. Reclamar de Kassab? Quem? A Dê? (pode ser alguma conhecida da Dorinha que gosta de reclamar)
2. Reclamar de Kassab, quem? A Dê.
3. coloque aqui a “aversão” de sua escolha…

*************

#Bjomeliga

Sarney, Millôr, a ordem invertida e a trolada épica – quando ainda não existia o termo “trolada”

segunda-feira, abril 9th, 2012

Deu na coluna do Jorge Bastos Moreno do último sábado, no Globo:

Túnel do tempo

O ano é 1985.

Morto Tancredo, Sarney assume definitivamente o governo.

Beletrista, o novo presidente da República reúne seu sacro colégio de ghost-writers, Josué Montello e Joaquim Campello à frente.

Cada palavra, cada frase, cada parágrafo, milimetricamente medidos, examinados com lupas.

Enfim, uma obra-prima, uma obra de arte.

O primeiro discurso do presidente acadêmico.

Sucesso total.

Como um parnasiano, Sarney, depois, lambe as suas palavras como a vaca lambe a cria, principalmente o ápice: “O destino não me trouxe de tão longe para ser o síndico da catástrofe“.

Dia seguinte, lá, no seu cantinho, como se fosse um mineirinho, Millôr, silenciosamente corrige:

A catástrofe não me trouxe de tão longe para ter o destino de síndico“.

Sarney quis matá-lo!

Deu pena do Demóstenes. Sério. (mas isso passa, não se preocupem! :D )

segunda-feira, abril 9th, 2012

Da série “texto bom é pra ser compartilhado”.

Ruy Castro de hoje, na Folha de SPaulo.

Se o Demóstenes Torres está (dizem) morrendo de vergonha, depois desse texto ele se mata, coitado…

 

Muito antes

No fim de seu reinado, que coincidiu com o fim do século 19, a rainha Vitória, da Inglaterra, foi apresentada ao projeto do submarino, um navio que viajava debaixo d”água e, de lá, disparava contra o inimigo. Vitória ficou chocada: “Quer dizer que o inimigo não verá nossa bandeira?”. Era um golpe baixo e ela não quis saber. Mas isso, claro, foi muito antes dos aviões-robôs.

No Campeonato Carioca de 1913, Belfort Duarte, jogador do América, pôs a mão na bola dentro da própria área e impediu um gol do adversário. O juiz não percebeu. Belfort se acusou e exigiu que ele marcasse o pênalti contra sua equipe. E ele marcou, para desespero dos meninos Vicente Celestino, Lamartine Babo e Mario Reis, que já eram torcedores do América. Mas isso, claro, foi antes de Maradona, Messi e outros que acham normal fazer gols com a mão.

Até 1950, as rádios americanas não admitiam tocar a mesma gravação mais de uma vez a cada 24 horas. “Imagine o ouvinte perceber que já ouviu aquele disco há poucas horas!”, eles alegavam. Mas isso, claro, foi antes do Top 40, da “payola” (jabá) e do roquenrol.

Nos anos 70, os clubes brasileiros não admitiam corromper seus uniformes com marcas comerciais. O que os torcedores diriam ao ver seus craques reduzidos a homens-sanduíche anunciando pneu, refrigerante ou óleo de carro? Mas isso, claro, foi antes de começarem a oferecer até o fundilho dos calções para imprimir marca de gilete ou de camisinha.

Em outros tempos, políticos e contraventores se mantinham a certa distância, sabendo que aquela intimidade era perigosa. Mas isso, claro, foi antes de o senador Demóstenes Torres (GO) e o empresário de caça-níqueis Carlinhos Cachoeira frequentarem as mesmas contas bancárias -e de, antes deles, muitos outros já terem feito o mesmo sem ser apanhados.

Luis Fernando, seu lindo! ♥

quinta-feira, março 22nd, 2012

Faz tanto tempo que não compartilho um texto do Verissimo aqui, né?

Pois bem: o de hoje merece!

E não se avexem: o texto abaixo é um autêntico Verissimo! Estampa a Zero hora e o globo de hoje. Podem verificar!!!

 

Territórios livres

Imagine que você é o Galileu e está sendo processado pela Santa Inquisição por defender a ideia herética de que é a Terra que gira em torno do Sol e não o contrário. Ao mesmo tempo, você está tendo problemas de família, filhos ilegítimos que infernizam a sua vida, e dívidas, que acabam levando você a outro tribunal, ao qual você comparece até com uma certa alegria. No tribunal civil, será você contra credores ou filhos ingratos, não você contra a Igreja e seus dogmas pétreos. Você receberá uma multa ou uma reprimenda, ou talvez, com um bom advogado, até consiga derrotar seus acusadores, o que é impensável quando quem acusa é a Igreja. Se tiver que ser preso, será por pouco tempo, e a ameaça de ir para a fogueira nem será cogitada. No tribunal laico, pelo menos por um tempo, você estará livre do poder da Igreja. É com esta sensação de alívio, de estar num espaço neutro onde sua defesa será ouvida e talvez até prevaleça, que você entra no tribunal. E então você vê um enorme crucifixo na parede atrás do juiz. Não adianta, suspiraria você, desanimado, se fosse Galileu. O poder dela está por toda a parte. Por onde você andar, estará no território da Igreja. Por onde seu pensamento andar, estará sob escrutínio da Igreja. Não há espaços neutros.

Um crucifixo na parede não é um objeto de decoração, é uma declaração. Na parede de espaços públicos de um país em que a separação de Igreja e Estado está explícita na Constituição, é uma desobediência, mitigada pelo hábito. Na parede dos espaços jurídicos deste país, onde a neutralidade, mesmo que não exista, deve ao menos ser presumida, é um contrassenso – como seria qualquer outro símbolo religioso pendurado.

É inimaginável que um Galileu moderno se sinta acuado pela simples visão do símbolo cristão na parede atrás do juiz, mesmo porque a Igreja demorou mas aceitou a teoria heliocêntrica de Copérnico e ninguém mais é queimado por heresia. Mas a questão não é esta, a questão é o nosso hipotético e escaldado Galileu poder encontrar, de preferência no Poder Judiciário, um território livre de qualquer religião, ou lembrança de religião.

Fala-se que a discussão sobre crucifixos em lugares públicos ameaça a liberdade de religião. É o contrário, o que no fundo se discute é como ser religioso sem impor sua religião aos outros, ou como preservar a liberdade de quem não acredita na prepotência religiosa. Com o crescimento político das igrejas neopentecostais, esta preocupação com a capacidade de discordar de valores atrasados impostos pelos religiosos a toda a sociedade, como nas questões do aborto e dos preservativos, tornou-se primordial. A retirada dos crucifixos das paredes também é uma declaração. No caso, de liberdade.

Contradição entre termos

quarta-feira, fevereiro 15th, 2012

Tá puxado, viu?

Abro minhas redes sociais e dou de cara com uma aberração em forma de twitter que vai ser difícil ser superada (muito embora em ano de eleição eu não duvide de nada).

Antes de mais nada, deixem eu trazer aqui alguns exemplos de contradição entre termos:

  • Descida ascendente – ou a coisa desce ou a coisa sobe. Os dois juntos não dá – a não ser que você esteja subindo numa escada rolante que vai pra baixo, mas isso não vem ao caso…
  • Naso-judaico – ou você é nazista ou você é judeu. Os dois juntos ao mesmo tempo não dá pra ser. Por quê? Bom, porque se você for nazista você vai querer matar judeu, e se você for judeu você vai querer dizimar as ideias do nazismo da face da Terra. Só por isso.

 

Enfim, foram só alguns exemplos de expressões que não podem andar juntas porque se anulam.

Mas calma que eu ainda não cheguei ao ponto que eu queria chegar, peraí.

Então, vamos a mais uma definição de expressões da língua portuguesa. com a palavra, Tio antônio. O que é laico?

Laico

1 que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo

Exs.: um membro l. da congregação

 um l. no meio do clero

2 que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos

Exs.: é próprio de um espírito l. reverenciar o conhecimento científico

 os l. se opõem ao ensino religioso nas escolas públicas

 n adjetivo

3 que é independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa

Ex.: educação l.  

 

Agora sim, podemos começar o post propriamente dito:

Alguém explica?

Ah, não, Bruxa! É mentira! Ele não disse isso! Disse sim, ó….

Tudo isso pra dizer que laico-cristão é uma contradição entre termos. Assim como são contradições entre termos laico-islâmico, laico-judaico (essa ao menos rima!), laico-umbandístico, laico-Sagrada Igreja do Pônei Rosa de Santa Cher ou laico-[insira aqui a religião de sua preferência].

Acho que por enquanto a melhor explicação foi a do Ednaldo Macedo: “É o famoso duplo twist carpado hermenêutico

Pergunte à bruxa: ideia de plural, palavra no singular – como proceder com a concordância?

terça-feira, fevereiro 14th, 2012

Daí que o Rafael Galeoti me fez esta consulta no meu Faceboook:

Achei isso na FOLHA, queria compartilhar contigo. Sei que eu também tenho dificuldades com “palavras no singular que querem dizer coisas no plural” (casal quer? Casal querem?), mas pelo menos sei que “casal QUERER” está longe do correto, rs…
Enfim, qual é a forma correta? Aproveito: que tal um post explicando isso? Eu, como leitor fiel, ficaria muito agradecido (e não, não faço questão alguma de créditos pela imagem, enfim…)

 

Salve, zifio!

Entendo e respeito sua dificuldade. A confusão é justificada, mas é a partir da confusão que dar-se-á a luz (nossa, que lindo! Inté emocionei! :D) para a compreensão da bagaça: a ideia é de plural, mas a palavra é singular.

E eu vou aproveitar pra enfiar aqui também a explicação pra concordância da palavra maioria, que assim como o casal, dá ideia de plural e embola azidéia da… maioria das pessoas! 😛

Senão vejamos:

um casal = duas pessoas

dois casais = quatro pessoas, separadas em dois grupos de duas pessoas

três casais = seis pessoas, separadas em três grupos de duas pessoas

etc, etc, etc, etc…

Portanto, a ideia AIQUEMERDA!!! QUE SACO FICAR ME POLICIANDO PRA NÃO ACENTUAR ESSA IDÉIA, CACETE!!!! deve ser relegada a segundo plano nesses casos…

Então, temos:

Um casal quer morar junto

Dois casais querem morar juntos (e como diria a Katylene: é soorooba?)

Raciocínio idêntico deve ser o usado pra fazer a concordância com a palavra maioria.

A maioria das pessoas é chata. <– quem é chata é a maioria, não as pessoas. 

A maioria dos homens heterossexuais é bonita <– novamente, bonita está concordando com maioria 

A maioria das mulheres entende que homem é tudo igual.

 

Tudo isso pra concluir que maioria é uma só, e singular. As pessoas é que são plurais…. 😀 \o/

Mas permitam-me aqui copicolar a explicação e a tangente do Manual de Redação do Estado de São Paulo com relação à maioria. Simplesmente amei (principalmente a tangente!) 😀 :

Maioria. Veja como fazer a concordância de a maioria de e maior parte de. 1 – Deixe o verbo no singular quando estas expressões antecederem uma palavra no plural. Proceda da mesma forma com grande número ou grande quantidade de, uma porção de, (uma) parte de, um semnúmero de, etc. Exemplos: A maioria das pessoas assistiu ao show em silêncio. / Grande número de crianças cantou o Hino Nacional. / Parte deles chegou atrasada. / Estava ali grande quantidade de pássaros. (Admite-se a concordância no plural, em alguns desses casos; no Estado, porém, use a forma indicada.)

2 – Se se considerar a construção estranha, em alguns casos (exemplo: A maioria dos soldados foi ferida), pode ser intercalada a expressão na maioria ou alguma das outras: Os soldados, na maioria, foram feridos. / Os trabalhadores, em grande quantidade, foram demitidos.Maior, menor. 1 – Não existem as expressões “a menor”, mas apenas a mais e a menosdinheiro a mais (e não “a maior”), quantia a menos (e não “a menor”). 2 – Uma pessoa é maior ou menor, e nunca “de maior” ou “de menor”. Assim: Ele é menor (e nunca “de menor”)

Conclusão: desta vez, não posso dizer PORRA, FOLHA! O texto tá certo… <– Atualização:
POOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOTAQUEPAREEEEEEEEEEEEEEEEEOOOOOOOOOOOOOO!!! EU SÓ FUI REPARAR NO QUERER DEPOIS QUE A MARLA ME ALERTOU NOS COMENTÁRIOS!!!! PORRA DE ÓCULOS FRACO, MERDA!!!!

Marla, concedo-lhe portanto o sagrado direito de gritar PORRA, FOLHA aqui nos comentários. Grata pelo aviso, zifia! 😀

 

(P.S.: CADÊ O ZECA CAMARGO DE CALÇA RASGADA?!?!!?!? EU QUERO VEEEEEEEEEEEEEEERRRRRRRRRRRRRRRRRR #numpresto #valhonada)

Da série “calo-me”

quarta-feira, fevereiro 8th, 2012

Preciso dizer marnada.

OK, digo sim: peguei essa tetéia no Facebook do Fernando Andreazi Neto. Kibada portuguesa: copio, colo cito a fonte e dou o link pro original!

Falar o quê mais?

segunda-feira, fevereiro 6th, 2012

Daí que eu encontro no twitter link pro blog do Lino Bocchini, aquele terrorista difamador de jornal impresso 😉 , falando do rebolê de números no texto da Folha de SPaulo de hoje. Lino contava que a Folha deu um duplo twist carpado numérico pra não dizer que perdeu mercado prum jornal popular de minas etcetcetc pereré pão duro. Li o texto do Lino, e (claro) corri pro site da Folha pra ler a reportagem (sic) com os próprios olhos.

E olha, eu até ia mencionar a rebolança com números e o desprezo infantil pelo jornal mineiro, coisa e tal, mas fui surpreendida por um ectoplasma suíno dos bons nos comentários da Folha.

Depois desse comentário, nada mais que eu ou qualquer outro crítico da Folha diga, com ou sem embasamento, fará sentido. Portanto, aplausos para o zifio daqui de baixo. A observação foi épica! \o/

 

Continue assim, Zifio! E que Nossa Senhora da Coerência Textual lhe ilumine os caminhos de forma magistral!

Eu poderia terminar com um PORRA, FOLHA! Mas carece, não. Só quero um cafezinho agora… 😀

Objetivando disponibilizar posts terceirizados – literalmente

terça-feira, janeiro 10th, 2012

Hoje não tem post novo.

Carece, não!

É só clicar aqui e, literalmente, vocês encontram o tumblr do dia.

Divirtam-se!

Voltamos mais tarde com nossa post-gramação 😀 normal!

O alfabeto português

sexta-feira, dezembro 30th, 2011

Estou forever inlóvi com esse vídeo, gente!

Meu filho tá começando a se interessar por musiquinhas de alfabetização. Fuçando no Youtube, encontrei esta pérola da pedagogia lusitana (em todos os sentidos abarcados pela expressão).

O que é que começa com a-
Abacate e avião
O que é que começa com b-
Brincadeira e beliscão [lusopedagogia, quem nunca?]
O que é que começa com c-
Carochinha e camião [camião, mesmo! Grafia d’além Mar!]
O que é que começa com d-
Dado dedo e decisão
O que é que começa com e-
Elefante e empurrão[lusopedagogia, quem nunca?]
O que é que começa com f-
Faca foca e feijão
O que é que começa com g-
Gato garfo e gratidão
O que é que começa com h-
Harmonia e habitação[são duas palavras de uso corrente por crianças em fase de alfabetização, né? Harmonia e habitação! Tô amando muito essa letra, gente!]

Refrão:
A e i o uuuuuuu
Ba be bi bo uuuuuu
Ca ce ci co uuuuu [Claro que você não canta só a vogal, a consoante vai junto!]
Da de di do uuuuuuu (2x)

O que é que começa com i-
Ivo indio e injecção~[De novo: grafia d’além mar]
O que é que começa com j-
Jacare jarra e João
O que e que começa com l-
Lagartixa e limão
O que é que começa com m-
Marmelada mãe e mão [Agora fale isso rápido: Marmelada, mãe e mão]
O que é que começa com n-
Narizinho e narigão
O que é que começa com o-
Olho onze e oração
O que é que começa com p-
Pinto porta pai e pão
O que é que começa com q-
Quarta quinta sexta não

Refrão:
A e i o uuuuuuu
Ba be bi bo uuuuuu
Ca ce ci co uuuuu
Da de di do uuuuuuu (2x)

O que é que começa com r-
Rabanada e requeijão
O que é que começa com s-
Sapo sopa e saltitão
O que é que começa com t-
Truta trigre e tubarão [outro trava línguas: truta tigre e tubarão! Fala rápido]
O que é que começa com u-
Uva urso e união
O que é que começa com v-
Vaca vela e verão
O que é que começa com x-
Xadrez xícara e xixuão
O que é que começa com z-
Zero zumbido e zangão

Eu acho que já sabe ler

Quem cantar esta canção!

E  quem descobrir o que é xixuão, me avise por favor!

Palimpsestwo

sexta-feira, dezembro 30th, 2011

Acabo de tomar um susto! Um amigo querido de longa data, ex-repórter do Globo Informática (e vamos parar por aqui, não vou contar que ele foi repórter da primeira revista de informática deste país, editada pelo Jornal do Brasil), o Paulo Vianna, está com câncer. E acabou o último ciclo de quimioterapia.

Mas o Paulo consegue contar sobre esse assunto espinhoso e complicado de forma leve e serena. Como sempre foram seus textos. Por isso eu faço questão de, dentre uma notícia tão incômoda (triste não é, a quimio tá funcionando, então força aê, companhêro! 😀 ), destacar uma alvíssara: Gente, Paulo Vianna tem um blog!!! E que maravilha de textos!!!

Só pelo nome dá pra se ter uma idéia (que dia é hoje? 30? TENHO MAIS 48 HORAS PRA USAR ESSE ACENTO AÍ, ME DEIXA!) do naipe do blog: Palimpsestwo é um trocadilho altivo, sofisticado, nobre. Ao fuçar os textos, você vai encontrar uma crônica que beira a poesia sobre as endívias – é, endívias!

Mas eu não vou ficar aqui descrevendo o blog do Paulo. Façam o favor de clicar no link fornecido e de se esbaldarem com a elegância e serenidade dos textos de um cara que, mesmo passando pelo conjunto de perrengues dessa doença, não perde a classe.

Feliz 2012 a todos, em especial ao querido e dileto amigo Paulo Vianna. Que o ano lhe(s) seja novo, inédito, leve e agradável. Mas, principalmente, saudável! \o/

O forró da PUC

quinta-feira, dezembro 22nd, 2011

Deu saudade desse post aqui, originalmente publicado em 2009. Republico-o-o-o… 😀

 

Eu me lembrei agora dessa historinha que aconteceu entre uma conhecida minha e a irmã dela, doravante denominadas Dorinha e Dorabela (só pra aliterar com o doravante). Miacaaaabo de rir toda vez que essa historieta me volta à memória. Mas deixem que eu a compartilhe com os frequentadores deste caldeirão.

Pois Dorinha e Dorabela moram em Niterói (Rio de Janeiro). Um belo dia, Dorabela chega em casa e conta para Dorinha:

– Ih, parece que vai ter forró na PUC.
– Como assim, forró na PUC? Onde você viu isso?
– Ah, tava passando de ônibus na esquina das ruas tal e tal, e tinha um cartaz esticado lá avisando…

Dorinha ficou bolada com a história. Primeiro porque a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro não fica em Niterói, mas na própria cidade do Rio de Janeiro; segundo, porque forró não é exatamente o perfil dos estudantes daquela universidade elitista até a alma.

Alguns dias depois, está Dorinha  a passar de ônibus pela esquina onde o tal do cartaz anunciava o curioso evento. Mas o que ela leu no tal do cartaz era um pouquinho diferente do que Dorabela havia lido dias antes. Voltou para a casa, e deu um esporro em Dorabela:

– SUA ANALFABETA! O CARTAZ NÃO DIZ FORRÓ DA PUC! É FORRO DE PVC!!! FORRO DE PVC, SUA ANTAAAAAAAAAAAA!!!

****

Atualização:

Recebi este comentário e chorei tanto de rir que resolvi incluir a tetéia aqui nosencima. Veio da Isabel Ferreira (Feliz 2012, procê tumém, zifia!!! 😀 )

Esse seu “causo” me lembrou meu comecinho de carreira na construção civil. Na época, dois “colaboradores” vieram comentar comigo, completamente empolgados, que já sabiam onde ir no final de semana, já que estavam em São Paulo ha pouco tempo e não tinham amigos. A balada? Forró do Gerson… Só depois de muito pensar onde é que eles tinham visto a “propaganda” foi que a minha ficha caiu. O forró do Gerson na verdade era o forro de gesso… rs

Feliz Natal e um ótimo 2012 pra você!

O lugar-comum da solidariedade de uma típica socialite (ou: numpresto!)

quarta-feira, dezembro 21st, 2011

Vocês sabem que eu não presto e não valho nada. Por isso mesmo tava lendo a nota de pesar do PC do B pelo falecimento do camarada King Jong pai e não pude me furtar a imaginar como seria uma carta de solidariedade escrita por uma socialite, por exemplo.

Vou brincar com os chavões clássicos de cada universo (o dos comunistas e das socialites) pra tentar provar a vocês de uma vez por todas que o uso excessivo do lugar-comum cai no ridículo. À esquerda, por questão de coerência, o texto comunista; à direita, a versão socialite pesarosa. Divirtam-se! 😀

Estimado camarada Kim Jong Un 
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia  Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. 

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana, inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. 

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano.

Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011

 

Querido Kim jong Un
Queridos e Exclusivos integrantes de família da Alta Sociedade da CoréiaFiquei passada com a notícia de que seu querido pai, o tradicional membro da sociedade Kim Jong Il, orgulhoso pai de importante família da alta sociedade da Coréia, faleceu há alguns dias. Espero que sua alma esteja bem entregue nos braços de Deus.


Durante toda a sua vida de destacado membro da sociedade, o querido Kim Jong Il manteve bem altos os padrões de classe, sofisticação e elegância da alta sociedade coreana, assim como o discernimento e valores morais e éticos típicos de um membro da alta sociedade, incapaz de se misturar com quem não é do nosso meio.

 

Seu adorável pai, que na juventude foi um grand vivant, namorou as moças das famílias exclusivas da alta sociedade coreana, mas se casou anos mais tarde com sua mãe, uma discreta e sofisticada jovem oriunda da mais tradicional sociedade coreana, foi um perfeito exemplo de homem de valor e de princípios morais.


Em nome de nossa igualmente tradicional família, venho expressar minhas mais sentidas condolências à memória de Kim Jong Il, e aproveito para perguntar onde será rezada a missa de Sétimo Dia.

Tenho a confiança de que sua família saberá, pelos caminhos de Deus, superar esse momento de dor e conseguirá se manter unida para defender os valores da tradicional família coreana. Sei que você saberá conduzir sua família de forma a não se misturar com gente que não faz parte do nosso meio.

 

Com meu cordial abraço à sua mãe e a todos os seus parentes,

[insira aqui o sobrenome de uma tradicional família coreana]

19 de dezembro de 2011

 

Dá vontade de continuar com a brincadeira, mas vou parar por aqui… 😀

 

O encontro, as preposições e um poste didático

terça-feira, novembro 29th, 2011

É, não tem jeito. As expressões ao encontro de e de encontro a  confundem gregos e goianos.

Por isso, esta brujita que vos fala vai fazer um post ilustrativo, que é pra geral nunca mais confundir.

De encontro a – essa expressão indica ir contra a coisa e se chocar (no sentido figurado ou não).

Pense sempre que, numa batida, o carro vai de encontro ao  poste, e se esborracha todo.

De encontro ao poste

Ao encontro de – Essa expressão significa comparecer a um encontro, compromisso, convescote. E, em sentido figurado, significa aliar-se, juntar-se, enfim, concordar.

Lembre-se da namorada que vai ao encontro do  namorado no motel. Pronto, enfia sacanagem no meio que você não esquece mais! 😀

Ao encontro do amor (é, eu sei que ficou brega. Mas veja o lado didático da coisa, vai...)

 

Espero ter ajudado vocês com esta aula ilustrativa! 😀

Ameba sobrevoa o caldeirão e causa um post longo com vídeo do Golias

sábado, novembro 26th, 2011

Tudo começou há mais de dois anos quando eu fiz este post daqui. Curto muito essa música do Vitor e Leo. Não sei se foi por conta dos hormônios à flor da pele na época em que eu ouvia essa música direto, meu filho tinha acabado de nascer, e invariavelmente o tema da novela das seis começava a tocar quando eu estava dando meu peito a ele. Mas até hoje a música Deus e eu no sertão só me traz boas recordações e sensações.

Ponto parágrafo.

Ontem, aprovei este voo (sem acento porque merece!) rasante de ameba comentário pro post em questão:

 

”]Claro que eu respondi! E minha resposta rendeu tanto que eu vou transformá-la em post novo:

 

Ai, que bom que você gosta de música sertaneja, Eliana!
Deixa eu te apresentar, então, ao novo hit parade da língua portuguesa:

1º lugar – Vírgulas. Elas costumam separar idéias nas frases.
2º lugar – Pontos. Eles são mais enfáticos do que as vírgulas quando o negócio é separar idéias. Na verdade, eles atuam como se fossem um “botão de enter” pra você jogar a frase inteira dentro do seu cérebro (cérebro você sabe o que é, né?) e processar a informação toda.

Isto posto, vamos adequar a sua frase ao novo hit parade da língua portuguesa:

BOM EU ADORO MUSICAS SERTANEJAS-ponto. ANTES EU NAO GOSTAVA-vírgula, MAIS DEPOIS DESSAS MUSICAS-vírgula, AGORA EU AMO.

Outro grande sucesso do hit parade da língua portuguesa é saber a diferença entre conjunção adversativa e advérbio. E não se assuste, porque eu não falei inglês. Assista aeste vídeo do Ronald Golias que você vai entender tudo!!!

Portanto, com essa aula magna de Ronald Golias, deve ter ficado claro (né, Eliana?) que você deveria ter escrito

ANTES EU NÃO GOSTAVA-vírgula, MAS (e não mais, como você escreveu) AGORA EU AMO

Enfim, só tenho a lhe agradecer por ter passado por aqui e me feito uma visita tão aterradora que me rendeu um post perfeito!

Volte sempre! E quando você aprender a escrever direito eu até te ofereço um bolinho de fubá!

Abraços da
Bruxa

O neologismo malafaiense

sexta-feira, novembro 11th, 2011

Daí que Silas Malafaia, uma entidade cujas credenciais me recuso a propalar por aqui (joga no Google por sua conta e risco!), disse em entrevista à revista Época que ia funicar Toni Reis, líder da comunidade LGBT pereré pão duro whiskas sachê blablablá.

Claro, lógico, óbvio e evidente que o repórter entendeu o verbo como fornicar. É um verbo muito usado por salsinhas em cristo evangélicos para referir-se a práticas por eles consideradas tipicamente do público gay. Não vou entrar no mérito dessa questão.

Mas Silas resolveu soltar as plumas dizer que ele jamais disse fornicar:

geral eu e o repórter da revista Época fomos ver que diabos significa funicar. E não encontramos essa palavra no dicionário. E ainda temos que ler esta belezura no site do Malafaia (não, não vou lincar. Me recuso. Jogue a frase em vermelho no google que você encontra o texto completo. E se você quiser ler esse texto completo, problema seu. Pronto, avisei.):

“Ele não pode supor que o entendimento da palavra funicar signifique fornicar, se ele mesmo confessa ter pesquisado em quatro dicionários e não ter achado a palavra funicar. E não vai achar em dicionário algum, pois é uma gíria, um linguajar popular e não formal”, declarou Silas.

Portanto, temos que:

1- PAPORRA! Dicionários listam todas as palaras de um idioma, sejam elas regionalismos, palavrões e outras expressões chulas, gírias, paravras oficiais, palavras extraoficiais etcetcetc.

2- Se o repórter da Época não pode supor o que ele supôs, então o que ele pode supor? Oi? Quem disse?

3- Se essa palavra não se acha em dicionário nenhum, então o dileto pastor inventou esse verbete?

4- Se o pastor inventou esse verbete, coisa que a meu ver lhe é permitida (pensem no que ele faz com a Bíblia, e vocês perceberão que o que ele faz com a  Língua Portuguesa é pinto…), ele que explicasse o significado. Chamar o interlocutor de ignorante por desconhecer uma expressão usada no seu meio é forçar a barra.

Não me canso de dizer isso aqui: se você diz bolinhas vermelhas e seu interlocutor entende listras azuis, repita sua idéia de forma diferente até que o seu interlocutor entenda exatamente o que você quis dizer. Isso dá certo em 99% das vezes (o 1% restante dá conta de seres incapazes de raciocinar).

Isto posto, e como nenhum dicionário lista a palavra malafaiense, este blog-caldeirão só aceita uma possibilidade de uso da palavra funicar:

Pode passar a régua.

 

 

Raridade…

segunda-feira, novembro 7th, 2011

Recebi o link para esta verdadeira obra literária via Twitter. E faço questão de compartilhar com vocês, porque é muito raro encontrar textos desse nível num jornal diário, ainda mais produzido por um repórter.

A redação é de uma leveza doce que te leva no colo com todo carinho, linha por linha, até o fim.

E você acaba de ler esse texto com um sorriso no rosto, e uma leveza n’alma…

Ele foi publicado originalmente aqui. O autor da obra chama-se Christian Carvalho Cruz. Eis sua obra:

Aos cuidados do Chacrinha
O porteiro de poucas palavras disse a Lula tudo o que tinha para dizer: ‘O senhor está bem?’

É baixinho e todo quebrado o jeito de o Osvaldo falar. Um acaipirado doce nos erres que ele inventa, nos esses que ele esquece, nas concordâncias que ele deixa pra lá. E de uma economia desgramada. Palavra, ponto. Palavra, outra palavra, ponto. Silêncio. Ponto. Quer ver só? Como foi de Finados, Osvaldo? “Iguar”, ele diz. O que você fez? “Fui na campa”. No cemitério? “É. De Vargem Grande.” E quem fica lá? “Tenho seis gaveta.” Mas quem está nelas? “Ninguém. Tudo vazia.”

Aos engasgos, e chegando o ouvido bem pertinho dos sussurros dele, você vai sabendo que o Osvaldo não tem a menor intenção de fazer esse passeio em definitivo. Mas gosta de ir ver o lugar onde um dia, absolutamente contra sua vontade, passará mais tempo do que já passou na portaria do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Dos seus 83 anos, há 52 ele trabalha ali. Nenhum dos 3.740 colegas, incluindo os 155 médicos, tem mais tempo de casa. Tampouco tem o cargo do Osvaldo: capitão-porteiro Osvaldo Luiz de Melo. Assim ele foi contratado em 1958, assim ele permanece, único – mesmo 17 anos depois de oficialmente aposentado. Não está na hora de descansar, Osvaldo? “Não, senhor.” Por que não? “Descansá cansa. Mió trabaiá.”

Então lá está o Osvaldo trabalhando. Boa parte do tempo ele fica do lado de fora do saguão, sentado. Ele, o quepe dele e a corrente de vento. “Tá frio, mas tá gostoso.” Recebe os pacientes, abre a porta do carro para eles, ensina os caminhos, pega a cadeira de rodas, volta, empurra até o andar desejado, pega o carrinho de malas, empurra também, elevador. Vai num jeito meio bambo de andar por causa da artrose na coluna e ligeiro quanto pode dentro do seu terno azul-marinho com camisa branca e gravata de nó grande. Sempre quer saber: “Como o senhor se sente?” E sempre tranquiliza: “A senhora não se preocupe. Os médico aqui são tudo bão, a senhora logo fica boa”. Se custa um pouco a chegar paciente, ou se os outros quatro colegas encarregados dessa primeira assistência lhe tomam a frente, o Osvaldo se impacienta.

“Vou lá dentro ver se precisam de mim.” Aí o mandam buscar alguém que recebeu alta. “Marca aí”, ele pede, apontando o dedo pro Ubirajara Américo, funcionário que comanda o vaivém na portaria. O Ubirajara Américo explica: “Quando eu designo um assistente para um serviço em outro andar eu anoto o horário da ida e da volta. Não tenho que fazer isso com o Osvaldo, mas ele fica bravo se não faço, briga comigo, diz que desse jeito vão achar que ele está se encostando”.

Duro o Osvaldo se encostar. Nem sentar nos sofazões de couro da recepção ele senta. Jamais. Se você insistir muito, muito mesmo, ele se abanca no máximo no braço de um deles. Daí não passa. O Osvaldo, que mora em Cotia, a uns 30 quilômetros do Sírio, trabalha dia sim, dia não, em turnos de 12 horas. Pega às 8h e larga às 20h. “Ele chega 15 minutos mais cedo e fica ao lado do relógio de ponto até dar o horário correto”, conta a Marina Muto, gerente de atendimento do Sírio e chefe do Osvaldo. É ela que às vezes, com muito jeito, pede pro Osvaldo diminuir o número de broches que ele gosta de pendurar no paletó. Corinthians, Palmeiras, PT, PSDB, Unimed, TFP, United Steelworkers (o sindicato dos metalúrgicos americanos) – todos convivem numa harmonia de dar gosto na lapela do Osvaldo. E isso tem pouco a ver com a boa-pracice radical dele, ou com um desejo inconsciente de agradar a todo mundo. Os pins são um momento íntimo do Osvaldo, uma rara conversa dele com ele mesmo sobre o desempenho de sua missão. São as suas medalhas – que ele conquista e exibe como prova dos bons serviços prestados. “O trabalho é a vida dele”, conta o José de Melo, o filho que leva e traz o Osvaldo, de carro. Não há metáfora aí: “Se tirarmos o trabalho dele, estaremos tirando a vida dele.”

O clínico geral Alfredo Salim Helito, o único médico do Sírio – e, portanto, do mundo – cujas recomendações o Osvaldo segue (em relutantes doses homeopáticas), assina embaixo. “Se ele não morrer no trabalho vai ser vindo ou voltando dele.” Diabético, hipertenso e com a severa artrose na coluna, por ordem do doutor Salim o Osvaldo deveria carregar apenas papéis. Nada de malas. “Só que eu canso de surpreendê-lo em flagrante delito pelos corredores do hospital. Ele sorri, eu o repreendo e sei que ele vai reincidir”, diz o médico, bem-humorado. Nos irritantes dias de folga, o Osvaldo fica em casa mexendo e remexendo no álbum de recortes, fotos e recordações do Sírio que ganhou da família no aniversário de 80 anos. “Ele não lê, não ouve música, não assiste à TV. Quando muito, vai ao portão à tardezinha olhar a rua.

Basicamente, ele espera o dia seguinte chegar para ir pro trabalho de novo”, conta o José. Se pudesse você moraria no hospital, Osvaldo? “Sim, senhor.” Por quê? “O senhor me acompanhe.” O Osvaldo me conduz até a portaria antiga do hospital, hoje transformada em memorial, com fotos e bustos de bronze dos fundadores. Foi ali que ele começou como porteiro, depois de ter sido pedreiro numa das obras de expansão do Sírio. “Meu pai”, ele aponta para um retrato a óleo pendurado na parede. É o doutor Daher Cutait, diretor clínico do Sírio por quase 40 anos, que só deixou o posto quando faleceu, em 2001. O Osvaldo olha para ele e quer ser eloquente desta vez: “Em 1994, quando me aposentei, o dotô Daher reuniu a turma e falou: ‘O Osvaldo se aposenta hoje, mas vai continuar aqui. Enquanto eu viver, ninguém mexe com ele. E depois que eu morrer, se vocês me consideram, também não’. Então eu tô aqui. Admiro o dotô Daher”. Mas o palavrório durou pouco, porque o Osvaldo voltou à sua quietude tão logo se viu cercado por duas entusiasmadas funcionárias dispostas a sapecar bicotas nas bochechas dele. “Tá famoso, hein Chacrinha?! Vai sair no jornal…” Chacrinha, Osvaldo?! “Apelido.” Como assim?! “As piada que eu contava.” Sei. “E também porque ele foi sempre desse jeitinho, baixinho, redondinho, fofinho”, explica melhor a auxiliar de enfermagem Estela Regina Rita dos Santos, 35 anos de Sírio, uma das beijoqueiras.

Médico o Osvaldo nunca quis ser. Chegou a sonhar com os filhos (duas meninas e um menino, que lhe deram quatro netos e quatro bisnetos) metidos no jaleco branco, mas a realidade não permitiu. Em vez disso, ele e d. Maria Marieta, com que está casado há 60 anos, passaram a vida dando um jeito aqui e ali para conseguir internações e consultas com os médicos do Sírio para os vizinhos mais precisados. O Osvaldo conhece todas as especialidades e especialistas do hospital, e não se enrosca na hora de orientar os pacientes que chegam meio perdidos. “Dotô fulano? Médico da pele.” “Dotô sicrano? Médico do olho.” “Dotô Beltrano? Médico dos instestino.” E assim vai. “Uma vez um paciente que eu nunca tinha visto me bateu à porta do consultório. Contou que precisava de uma cirurgia delicada e tinham me indicado para realizá-la”, relembra o gastroenterologista Raul Cutait, filho do doutor Daher Cutait. “Eu quis saber quem havia feito a indicação e ele respondeu: ‘Aquele senhor de quepe lá da portaria. Pela cabeça branca, supus que ele trabalha há muito tempo aqui e fui lhe perguntar quem era bom nesse hospital para cuidar do meu problema. Ele me garantiu que com o doutor Raul Cutait eu estaria em boas mãos’.” Um craque.

Você gosta de futebol, Osvaldo? “Não, senhor.” Por quê? “Caus da veiz que o Pelé internou aqui.” O que aconteceu? “Ele chamou tudo nóis de trouxa, aí parei.” Chamou quem de trouxa? “Disse que os torcedô parece trouxa, que fica brigando de soco no campo. Aí parei.” E você fuma? “Não, senhor.” Bebe? “Só uma vez.” Quando foi? “Era criança.” Se sentiu mal e nunca mais bebeu? “Nem tonto fiquei, mas o patrão viu.” E finalmente eu entendi um pouco a relação do Osvaldo com o trabalho. Quando ele tinha 15 anos e trabalhava numa fazenda em sua cidade natal, Paraíso Garcia, perto de Curralinho, em Minas, o filho do patrão o convidou para fazer uma visita ao alambique da propriedade. O amigo entornou até cair. O Osvaldo diz que só deu um gole e precisou carregar o sinhozinho para casa.

Chegando lá, o pai do menino o chamou de canto: “Osvaldo, você entra na minha casa, toma conta das minhas filhas, conhece tudo aqui. É quase da família. Agora bebendo, como é que eu posso confiar em você? Ponha-se daqui pra fora”.

O Osvaldo engoliu a humilhação, mas nunca a digeriu por completo. O episódio está dentro dele ainda, e parece ter norteado o resto de sua vida. A lição pra ele é bem simples: “Se ocê quer trabaiá nessa vida, tem que ter a confiança do patrão”. Na última terça-feira, alguém que conhece bem as idiossincrasias do capitalismo mandou chamar o Osvaldo. Era o ex-presidente Lula, que, de partida depois de sua primeira sessão de quimioterapia, queria se despedir. O Osvaldo, muitas outras vezes com Lula (nas internações do ex-vice José Alencar e da presidente Dilma Rousseff), manteve o protocolo: “O senhor tá se sentindo bem?”, quis saber. “Tô bem, querido”, devolveu Lula. Então fizeram o retrato que sairia nos jornais e que o Osvaldo, dois dias depois, ainda levava dobrado no bolso do paletó – junto de uma cópia do boletim médico que anunciava a alta do ex-presidente.

Você é feliz, Osvaldo? “Sim, senhor.” O que te faz feliz? “Tô trabaiando, converso, ninguém me aborrece. Se fico em casa não vai ninguém…” E você gostaria de morrer no Sírio? “Claro, uai.” Por que claro? “Se morro em casa é um trabaio danado conseguir atestado de óbito. No Sírio os médico tem que se virar. Não vão me deixar ficar mais aqui por muito tempo”, conclui o Osvaldo, não levando em conta os planos do doutor Raul Cutait de propor um busto de bronze seu para o memorial.

Exercícios da Bruxa

domingo, novembro 6th, 2011

Queridos ectoplasmas suínos:

Inauguro com pompa e circunstância uma nova modalidade de post neste caldeirão. Exercícios da Bruxa.

Como vocês são muito espertalhões e sabem identificar os herros de hortografia melhor do que eu, identifiquem abaixo as aberrações produzidas pelas amebas fornecedoras de conteúdo da Peugeot do Brasil.

Eu encontrei pelo menos três (colinha básica: o erro mais gritante tem outro embutido, mais sutil. O terceiro é um verbo fidamãe conjugado que nem a cara da mãe do sujeito que escreveu essa excrescência em forma de texto).

Não pensem vocês que o primeiro a responder esta maravilhosa enquete irá ganhar um maravilhoso [insira aqui o seu brinde preferido] porque estas são épocas de vacas magras no caldeirão. Se alguma lhynda empresa resolver me patrocinar, aí a gente brinca feito gente grande (Brincar? Feito gente grande? Oi?)

Mas por enquanto, vale entrar na página do Facebook da Peugeot e  torrar a paciência das amebas fornecedoras de conteúdo do sáitchy em questão….

E se você não aguenta de curiosidade, selecione com o mouse o trecho abaixo para ver a resposta deste intrigante (ah, deixa eu valorizar o meu texto, dá licença?) e excitante (ah, me erra, sô!) quiz (ok, aqui vocês podem me xingar! Deixa eu trocar a palavra) concurso! \o/

Erro nº1: Verbo prever, 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo:

Muitos prevIram, com iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii caceteeeeeeeeee!!!

Erro nº2 – e o mais gritante de todos, por Tutátis!

CampEão se escreve com E, E de Energúmeno!!!

Erro nº3, que tá junto do erro nº2: todos os prefixos que indicam multiplicação de números juntam-se à palavra sem hífen, e formam um novo vocábulo. Mais explicações aqui. Portanto, Cacá Bueno é tetracampeão.

A “hortografia pobremática” e a identificação da Folha

sábado, outubro 29th, 2011

Seguinte, Folha:

Eu poderia gastar aqui horas de pesquisa e mostrar a origem etimológica da palavra identificar pereré pão duro blablablá whiskas sachê. Mas diante desta tetéia,

 

serei breve e brava:

PORRA, FOLHA! BANDO DE ANALFABETOS!

VAI, PROCESSA O PRIMEIRO QUE FIZER UMA TROCADILHO COM O SEU NOME E TE CHAMAR DE FALHA DE SÃO PAULO!!!

(Oh, wait!)

(com agradecimentos aos queridos ectoplasmas suínos que frequentam o caldeirão 😀 )

P.S.: Se identificado sai desse jeito, imagine as exceções

 

Didática do trauma nº 5: O spam de CD-ROM e por que não usar a palavra “necessidade” como se fosse bosta

sexta-feira, outubro 21st, 2011

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula traumatizante desta bruxa que vos fala.

Marido recebeu um spam e-mail marketing com um texto tão horroroso que eu não vou deixar passar. Não me digam que spam e-mail marketing é tudo igual, porque este é diferente: é pra vender um CD-ROM com aulas de… redação e gramática! Entenderam por que eu não posso deixar passar em branco?

Pois eu vou aproveitar esse spam tenebroso que baixou por aqui pra aplicar mais uma didática do trauma. Acompanhem mais este trauma proposital da Bruxa, amebas!!!

Enfim, como eu dizia, marido recebeu spam e-mail marketing para venda de um produto. Produto à venda: CD-Rom com aulas de gramática, novas regras ortográficas e redação. Fui ler, claro. Afinal de contas, meus instintos suínos me diziam que COM TODA A CERTEZA DO MUNDO a apresentação não seria das melhores.  E não é que eu tava certa? Ó o texto que acompanha a bagaça:

Nosso material foi desenvolvido a partir das necessidades [Pronto! Já descobri o erro crasso de produção: o material foi desenvolvido a partir de necessidades, e não a partir de fontes acadêmicas de ensino de Língua Portuguesa. Fora que eu já comentei isso por aqui, quando eu leio que um torço surgiu a partir das necessidades de alguém, imagino esse alguém sentado no troninho, com IPhone em mãos jogando Angry Birds ou tuitando (sou moderna, me deixa!) enquanto…er… satisfaz as necessidades. Papel higiênico acompanha, claro!] que eram encontradas [Agora que eu já deturpei sua imagem de a partir das necessidades, imagine só por um momento uma pessoa a caminhar tranquilamente pela rua e encontrando uma grande necessidade no meio do caminho! Pronto, de nada por acabar de vez com seus ímpetos de usar a palavra necessidades a esmo.] por aqueles que desejavam aprender a escrever de forma profissional [o que seria escrever de forma profissional? zifio quer se tornar escritor? Ou o zifio quer escrever corretamente os textos produzidos em seu ambiente profissional? Neste caso, melhor seria dizer aprender a produzir textos com finalidades profissionais, ou coisa do tipo, né?]   ou necessitavam [Se necessidades = cocô, então necessitar = (complete com a expressão adequada). Em outras palavras: nego decretou que o verbo PRECISAR deve ser abolido do dicionário, depois não sabe mais o que fazer quando se embanana pra dizer que geral PRECISA.] analisar adequadamente produções textuais diversas [uau, que troço pomposo! Acho que é isso o que eu faço aqui, né? OK, tirem o adequadamente da frase.], encontrando-se [BINGO!!!! OLHA O ENCOSTO GERUNDOL DANDO AS CARAS!!! Gerúndio desnecessário num texto é prenúncio de fez-se a bosta. Vamos acompanhar?] atualizado [E voilà! O sujeito desta frase é aqueles. Todos os verbos anteriores – desejavam e necessitavam – estavam no plural. O atualizado escapuliu! com as novas regras do acordo ortográfico da língua portuguesa”[Deu medo nocê também, né?]

Agora olhe para o parágrafo daí de cima e compare a quantidade de caracteres vermelhos (o texto original) e a de caracteres azuis (minhas esculhambadas). Seguinte, zifio: quando o texto estiver mais azul do que vermelho, é sinal de que ele ficou tenebroso!!!!

 

E ELES QUEREM ME CONVENCER A COMPRAR ISSO?!?!?!?!?!

Omenajem a Esteve Jobs

sexta-feira, outubro 7th, 2011

Texto originalmente postado no Te dou um dado?, mais precisamente aqui.

Seguinte: tô exausta demais pra exorcizar este texto. Mas como soltei boas gargalhadas, faço questão de compartilhar a tetéia aqui cocêis tudo.

Se tiver tempo/forças, prometo exorcizar depois.

Mulher maca faz uma dedicatoria a Esteve jobs presidente da apple falecido.

Gracy Kelly a mulher maca se sentiu tocada com a morte de Esteve Jobs. Ela acredita que boa parte de seu sucesso nacional e principalmente internacional tem haver com o simbolo da apple que vem a ser uma maca . No ano em que comecou a aparecer na midia como a mulher maca por coincidencia foi o mesmo da ascencao da empresa americana. Mesmo nunca tendo conhecido esse genio inventor de grandes modernidades ela se sente profundamente agradecida pelo maca vir a ser o simbolo da empresa que vem a ser seu apelido desde adolescente. Ela promete fazer uma nova tatuagem com o simbolo da apple para eternizar o seu agradecimento.

Pronto! depois eu volto!

A bênção, Chiquinho! \o/ Parabéns!

terça-feira, outubro 4th, 2011

Hoje, 4 de outubro, é dia de São Francisco de AssisMeu grande amigo lá nosencima. Ele quebra meus galhos lá em cima, e eu quebro os galhos dele aqui embaixo, na medida do possível. Ajudo os bichinhos, procuro um lar pros abandonados, ajudo as amigas a cuidarem bem de seus bichos… enfim, é o que as amebas chamariam de parceria de sucesso 😀

Mas em homenagem ao Grande Chiquinho do meu coração, deixa eu postar aqui uma letra liiiiiiiinda do Vinícius de Moraes (ah, não! Vocês queriam a Oração de São Francisco? Coisa mais batida!) Enfim, curtam a sutileza do dizendo ao fogo saúde irmão. De Vinícius de Moraes e Paulo Soledade (magistralmente interpretada por Ney Matogrosso):

 

 

São Francisco

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo a água
Do ribeirinho.

Lá vai São Francisco
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom-dia, amigo
Dizendo ao fogo
Saúde, irmão.

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesuscristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Pros passarinhos.

Letrinha igual e agá. Só então o hífen dá as caras!

domingo, outubro 2nd, 2011

Se vocês fuçarem as entranhas deste caldeirão vão ver o quanto eu já estrebuchei e estrebucho contra a reforma ortográfica. É contraproducente, mais desagradou do que agradou, vai levar um bom tempo até que todo mundo se acostume, e que negócio é esse de micro-ondas agora ter hífen e….

EPA! Eu entendi qual é a lógica do hífen, e vou aqui explicar pra cêistudo! Gente, é a coisa marfácil deste mundo! E eu dedico esta aula ao querido professor Sério Nogueira Duarte, que sempre esteve incluído nas minhas preces, jamais nos meus despachos. Pois foi ele quem explicou o negózdi hífen que ficou claro e límpido aqui nazidéia…

Primeiro, vou explicar como era a regra do hífen na minha cabeça:

quando aparecer alguma expressão com os prefixos

ANTE ANTI ARQUI AUTO CIRCUM CO CONTRA ENTRE EXTRA HIPER INFRA INTER INTRA SEMI SOBRE SUB SUPER ULTRA

ou os falsos prefixos

AERO FOTO MACRO MAXI MEGA MICRO MINI NEO PROTO PSEUDO RETRO TELE

(antes de fazer a pergunta: mas bruxa, qual a diferença entre falso prefixo e prefixo? Pergunte-se: ´necessário eu saber essa diferença? Eu já te respondo: não é necessário saber diferença entre falso prefixo e prefixo, então, vamos nos ater ao como escrever a bagaça, sim?)

Enfim, como proceder com esses prefixos?

Na minha cabeça, era só correr pro Manual do Estadão. a regra ficava clarinha, clarinha pra mim. (#numpresto #numvalhonada)

Mas eu tenho que tirar o chapéu pra reforma ortográfica, que simplificou horrores a tacação de hífen. Agora é assim, ó:

1- Olhe a letra final do prefixo e olhe a letra inicial da palavra à qual ele vai se ligar.

2- Se a letra final de um e inicial de outro forem iguais, taca hífen. Se a palavra seguinte começar com agá, taca também.

 

Gente, tem como ser mais fácil? (Ah, sim: lembre-se que quando necessário devem ser feitos os ajustes, como dobrar ésses e érres, tá?)

daí, nós temos: microssaia, minissaia, mini-indústria, mini-herói, anti-imperialista, anti-inflamatório, arqui-inimigo, microempresa. E temos semi-interno, antimachista, micro-ondas, micro-humano, super-herói, hiper-realismo, hipermercado etcetcetc.

Tá tão fácil que dá pra guentar até uma exceções, né? então vamos a elas:

* prefixo CO-

Pra entender o que houve com o prefixo co- e o hífen, pensem em José Dirceu. Pronto? Agora, pensem em Roberto Jefferson. Lembraram-se do eu repilo? Então, pronto! Negósseguinte: o prefixo co brigou com o hífen, repele ele (tá, eu sei que deu cacófato, mas vou deixar!) e só se junta às palavras sem hífen. Nem que para isso tenha que se acabar com o agá!

Por isso temos: copiloto, coerdeiro (fala-se do cara que também é herdeiro), coabitar, coocupante, coordenador.

* prefixo SUB-

Ah, bruxa, eu entendi! O prefixo sub só ganha hífen se a palavra seguinte começar com bê ou agá, né?

Isso mesmo, encosto! Mas no caso do sub, dona eufonia também fez lobby, e conseguiu ter sua reivindicação aprovada!

(antes que perguntem, e isso é importante saber: eufonia = som agradável. É aquela parada que faz com que os fonemas das palavras se ajeitem bonitinho e fique agradáveis aos nossos ouvidos. Se não entenderam direito, tio Antônio explica: qualidade acústica favorável da emissão e/ou da audição de um significante pela articulação de certos fonemas No domínio fônico, a eufonia procura evitar sons estranhos, contrastantes, discordantes, repetições desagradáveis; em fonética, explica certas mudanças, podendo ser fator de assimilação ou de dissimilação. 2     som ou combinação de sons agradáveis ao ouvido 3     a sensação auditiva resultante da combinação desses sons)

Mas eu falava do lobby de dona eufonia. Por conta disso, e só por conta disso, as palavras que querem se ligar ao prefixo sub e que começam com érre também ganham hífen. Exemplo: sub-rei. (Tudo pra evitar que nego leia em voz alta subrei em vez de subirrei, entenderam?)

Isto posto, tem também os prefixos que JAMAIS vão abrir mão dos seus bons hífen: 

ALÉM AQUÉM EX GRÃ GRÃO RECÉM SEM SOTA/SOTO VICE/VIZO.

Também entram nessa lista os prefixos PRÉ e PÓS tônicos e BEM (lembre-se: é bem-feito ou benfeito de acordo com a sua religião, mas bendizer, bendito, benquisto).

 

Enfim, é isso. Espero conseguir tempo de voltar a esse ponto com exercícios pra vocês fixarem bem a idéia da coisa toda. Não prometo, porque tô atolada de coisa pra fazer.

 

 

 

 

 

Momento irmã Selma

sábado, setembro 24th, 2011

Tô bege, gente. Essa irmã Selma que vive em mim, que pensa numa coisa – e ela acontece – é muito sinistra!

Vocês leram meu post da queda do satélite da Nasa?

Lembram que eu sugeri que jogassem no carneiro, porque 26 ( = número de pedaços sinistros do satélite) no Jogo do Bicho é carneiro?

Ó só o bicho que deu hoje, sábado, dia da queda do satélite, às 14h. Peguei neste site aqui, com os resultados do Rio de Janeiro:

Se lhe servir de consolo, eu também não joguei.

Vamos dormir?

Quando o som fede a suor – ou quando o suor fica barulhento: a história da namorada mala

terça-feira, setembro 20th, 2011

Não consigo entender como as pessoas conseguem fazer confusão com esses dois pobres verbinhos.

Suar, com u, significa produzir suor, gerar CC nas axilas.

Soar, com o, significa produzir som, tocar – no sentido de fazer barulho.

Portanto, amiguinhos, por favor, todas as vezes que vocês forem citar a ação de produzir suor, não temam em fazê-lo sempre com ésse-u (su), porque este é o certo: Eu SUO; Ela SUA; Nós SUAMOS; Eles SUAM.

E os sinos, então? Os sinos e campainhas deste lindo planeta que Deus nos deu são das poucas peças que têm o direito de SOAR. E não, sino não tem glândula sudorípara, então não sabe como fazer pra suar. Portanto, sempre que você for falar de um objeto que faz barulho, conjugue o verbo com ésse-ó (so): o sino SOA, os sinos SOAM, os sinos SOARAM, os sinos SOARÃO; os sinos SOARIAM.

Essa é a regra. Ah, Bruxa, toda regra tem exceção, certo? Certo! Mas eu também conheço a exceção. E é aqui que começa a historinha (Rá!) 😀

A personagem principal desta historinha é a (graçadeus ex-) namorada do meu primo.

A coisa falava pelos cotovelos. Sobre o que devia e sobre o que não devia. Na hora certa e na hora errada. Bem e mal. E muito. Sempre muito. Nunca pouco.

Daí que a coisa voltou de uma corrida, com muito suor pelo corpo. Virou-se para mim e disse: Ah, eu sôo muito.

Minha prima, pobre cunhada da coisa, olhou pra mim pra ver se eu iria comentar sobre o erro de português da coisa. Mas eu contestei veementemente minha prima:

Como assim, tá errado? Me diga se em algum momento essa coisa parou de soar desde que chegou nesta casa?

Minha prima foi obrigada a concordar comigo. A coisa era a exceção à regra dos verbos Soar x suar.

Enfim, achei por bem compartilhar esta linda historinha aqui com vocês….

Quando a ordem dos tratores altera a rodovia

quarta-feira, setembro 14th, 2011

Vamos dar um tempo aos mortos. Mas não pensem que os mortos estão dando um tempo, não! Eles estão surtando que é uma coisa – só encontro explicações para isso na fase de lua cheia. Mas vamos falar de outras esdrovengas redacionais de corar de vergonha o mais falecido dos seres humanos.

Cer-te-za que você já ouviu de um professor de matemática a frase a ordem dos fatores não altera o produto. Poi zé. Aí, você também já deve ter ouvido a variante engraçadinha dessa frase, a ordem dos tratores não altera o viaduto.

Mas ó, zifio, vou te contar que teve ameba escrevente que conseguiu alterar a ordem dos tratores de forma tal que destruiu um rodovia lheeeanda e pôs um matagal no lugar dela (e quem descobriu a tetéia foi a Deize Fonseca, que me enviou o link via Twitter). Quer ver só?

O fenômeno deu-se neste site aqui, obra (com trocadilho, pelamordedeus!) do governo do Estado do Rio de Janeiro.

Preciso dizer que a expressão dará lugar a  pressupõe uma coisa que sai de cena e para ser substituída por outra?

Vou ter que explicar que do jeito que a ameba escrevente deixou essa legenda, ela acabou por dizer que a rodovia vai sair dali e no lugar dela vai ficar o matagal?

Será necessário revelar que a frase mais adequada pra essa legenda seria “comemora a chegada da nova via que vai ocupar o lugar do matagal”?

Isto posto, só me resta agora vislumbrar um balão de pensamento de história em quadrinhos apontando para a cabeça do zifio da foto, e… ah, vamos escrever aqui nos comentários o que o Zifio da foto tá pensando, vamos?

Muah! Um beijo! 😀

************

Atualização:

Comentário do dileto Manoel, frequentador assíduo deste caldeirão:

Manoel

Bruxa! Substituíram a legenda no link original e colocaram uma bem parecida com a sua…

E lá vou eu ver como ficou:

conclusões:

1- Esta Bruxa está fazendo bem ao texto mal-escrito dos outros.

2- Os deuses do print-screen não falham nunca!

3- Texto sempre dá pra melhorar. Mas a cara do zifio continua a mesma, coitado!

Comemorar coisa triste: pode mas não pode!

sexta-feira, setembro 9th, 2011

Daí que geral estrebuchou no twitter por causa disso aqui:

Eu concordo. O Fantástico errou. Mas acertou também! Calma que eu explico:

Primeiro, vamos ver a definição de Tio Antônio para

Comemorar:

 transitivo direto

1 trazer à lembrança; recordar, memorar

Ex.: os textos comemoravam datas históricas

 transitivo direto

2 fazer comemoração, realizar cerimônia de evocação de (um fato, um acontecimento, uma pessoa etc.)

Ex.: c. o centenário de uma cidade

Daí vai aparecer um idiota e vai dizer: “viu só? Está certo! Por isso que o dicionário é o pai dos burros e explica direito e blablabla whiskas sachê etc. e tal.

Esse discursinho é típico de quem não entende como se comunicar. E não entende que comunicar-se é fazer a mensagem chegar até o receptor sem ruídos. Porque se geral ao ouvir o verbo “comemorar” só pensa na definição nº 3 de Tio antônio:

3 Derivação: por extensão de sentido.

celebrar com festa; festejar

Ex.: ele comemorou seu aniversário numa casa noturna 

Então, se você diz As comemorações dos dez anos do 11/9, por mais certo que você esteja, sua frase será entendida de forma errada pelo seu leitor. E se o seu leitor entendeu errado um troço que você escreveu, em boa parte dos casos a culpa é sua e você sempre pode ser mais claro. Portanto, larga de preguiça, para de cagar sabedoria (geral dizendo olha quem tá falando em 5,4,3…) e reescreve esse texto sem que ele tenha margem a interpretações outras:

O mundo se lembra dos dez anos do 11/9

Combinado?

 

Mortos amestrados

quinta-feira, setembro 1st, 2011

Agora bateu uma nostalgia aqui, sabe?

Faz bem uns dois anos que os mortos não aprontavam tanto! Lembro de ter publicado neste caldeirão em 2009 sobre as peripécias de vários mortos. tudo começou com os mortos catarinenses, aqueles hipocondríacos. Parece que foi ontem que eu terminei esse post pedindo por manifestações dos mortos argentinos – o que ocorreu cinco dias depois, aqui (eu e meu lado irmã Selma! Tenho medo quando ssascoisa acontecem!). Isso sem contar dos mortos que foram todos mortos (é isso mesmo que você leu!)  nesta nota do Globo.

Daí, a presuntaiada (é ficou horroroso, mas veja só a quantidade de mortos que já tem no parágrafo de cima! Uma carnificina só! Deixa eu variar um cadim a expressão!) sossegou um pouco em 2010. Mas neste segundo semestre, eles resolveram… er… voltar do mundo dos mortos (viu? num dá pra escapar! êta palavrinha safada, viu?) pra nos assombrar! Ó só:

Primeiro foi o morto da Oscar Freire que ressuscitou no UOL e foi posar com Lea T. (tudo bem que só uma mexidinha no tempo verbal pra Modelo morto em SP HAVIA POSADO com Lea T. não faria com que o zifio ressuscitasse só pra posar com Lea T. Mas o que ferrou de vez foi o lá nosencima: “após assassinato!” Experiência mediúnica perde!).

Depois, foi o tal do quase-morto escapado da Espanha que não escapou de morrer depois (dica do Leomar Moreira, por e-mail).

O que mais me causou espécie nessa história é que eu li o texto bem-escrito (NO SITE DA FOLHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!). Mas a France-Presse não perde a oportunidade de dar suas patacoadas (falo de cadeira: já trabalhei lá, conheço aquele povo!)

Antes de falar da construção do texto em si, deixa eu esclarecer a história:

Zifio caminhoneiro espanhol sofreu acidente com seu possante. Quase morreu. No hospital, foi consertado e sobreviveu. Ficou tão grato pelo ocorrido que resolveu sair ele mais duas tias em peregrinação para a Virgem dos Milagres de Caión.  Tava os três na estrada rumo a Caión, veio um carro, cataplof, e matou eles tudo. (sim, esse trechinho tá repleto de errinhos de português. divirta-se consertando esse parágrafo! Exercício da Bruxa! Aqui abaixo eu colei o texto “consertado”. Confere (do verbo conferir, mesmo! checar pra ver se ficou igual!) aí embaixo. O texto tá em branco, se você selecionar com o mouse consegue ler!)

Zifio caminhoneiro espanhol sofreu acidente com seu possante. Quase morreu. No hospital, foi consertado e sobreviveu. Ficou tão grato pelo ocorrido que saiu com mais duas tias em peregrinação para a Virgem dos Milagres de Caión.  Os três estavam na estrada rumo a Caión, veio um carro, cataplof, e matou todos eles.

A AFP contou a história assim:

O caminhoneiro espanhol de 40 anos seguia a pé por uma estrada secundária com um grupo, no qual estavam duas tias, também falecidas, em direção a Caión, a 30 quilômetros de Ordes, informou a prefeitura.

Ele caminhava para agradecer por ter sobrevivido a um acidente de trânsito, mas com menos de um quilômetro de peregrinação o grupo foi atropelado.

Pelo horário da publicação da história, imagino quem tenha feito a tradução do texto em espanhol (que deveria estar ainda pior!). Mas deixa isso prá lá que eu não sou de ficar fazendo fofoca (faz de conta que você acredita em mim, vai? 😉 ). Mas enfim. Quarenta minutos depois, a Folha deu uma melhorada no texto da AFP, e contou a história assim:

O caminhoneiro espanhol de 40 anos seguia a pé por uma estrada secundária com um grupo, no qual estavam duas tias, que também morreram, em direção a Caión, a 30 km de Ordes.

Ele caminhava para agradecer por ter sobrevivido a um acidente de trânsito, mas, com menos de um quilômetro de peregrinação, o grupo foi atropelado. Os três familiares não resistiram aos ferimentos e morreram.

Aparentemente, as amebas escreventes da Folha estão sucumbindo à clareza redacional.

Mas é bom ver que, volta e meia, os mortos voltam à ativa. eu me divirto muito com eles! 😀

O Reino da Grande Chave

sexta-feira, agosto 26th, 2011

Este post é mais uma Kibada portuguesa desta que vos fala. Foi publicado pelo dileto @klaxonsbc em seu brógue. O texto foi publicado mais exatamente aqui.

O jornalista americano Av Westin escreveu o livro How TV Decides the News. Não sei de tradução para o português. Nele, Westin teve a pachorra de criar a Land of the Common Place (A Terra do Lugar Comum), salpiacada de locais como “rios de sangue”, “montanhas íngremes a escalar” e coisas do tipo. Meu sonho é reencontrar esse livro e fazer a tradução desse mapa. Se alguém por aí encontrar esse livro e o mapa da Land of the Common Place e enviar a esta bruxinha, eu vou agradecer horrores!

Mas vamos ao post do Klaxonsbc:

Chavão abre porta grande

(Itamar Assumpção e Ricardo Guará)

O mantra “nosso” de cada dia:

“O mercado tá nervoso”; “Não tem que dar o peixe, tem que ensinar a pescar”; ”É necessário fazer a lição de casa (cortes de gastos públicos, desoneração da folha…)” ”O Estado não pode estar em determinadas áreas, mas tem que fiscalizar estas áreas, mesmo que ele náo tenha nenhum poder sobre elas”;

“Os maiores racistas são os próprios negros”; “Eu também quero a minha cota, sou filho de pobre”; “Dia do Orgulho Hétero”;   “Eu sou um antiracista convicto, mas no futebol meu time tem que entrar em campo com raça”; “Ele é veado, mas é meu amigo”;

“…mas lá (longe) a Justiça funciona”;  ”Nós trabalhamos para eles receberem bolsas”; “O Estado é totalmente incompetente e corrupto, mas eu sou a favor da pena de morte”; “Não existe país mais corrupto que o Brasil, já rodei vários países na Europa, fiquei quinze dias em cada um e não vi nada do que vejo aqui”;

“Eu nunca uso transporte público, não funciona mesmo e não adianta reclamar…”; “Corredor exclusivo para ônibus atrapalha o trânsito”; “Eu peguei metrô uma duas vezes na vida, em Paris e em NY, em São Paulo não tenho coragem”; “eu contribuo de qualquer forma para melhorar o trânsito, só não me peçam pra deixar o carro em casa”;

“As reinvidicações são até justas, apesar do discurso ideologizado”; “Não existe mais esquerda, direita ou centro (mantra neoliberal)”; “Acabou a guerra fria, agora é guerra ao terror (do outro)”; “vamos destruir o povo e suas cidades para lhes dar a liberdade e a democracia”;

“Globalização é o fim da fronteira local em nome do universal (só não mexa no que é meu)”;

“Eu não voto em mais nínguem”; “Todos os políticos são corruptos”; “Eu não tenho nada a ver com isso, apesar de ter votado…”;”Não me envolvo com política, sou apolítico, a política é suja”;

“Nínguem (eu?) respeita as leis nesta cidade”; “Para quê leis, se elas não são cumpridas?”; “Existem leis que pegam e aquelas que não pegam” ;

“Pra quê Copa do Mundo aqui? Primeiro teria que resolver educação, saúde…” ; “A seleção brasileira é um lixo, a promessa agora é a Croacia…”; “Jogador de futebol ganha muito pra não fazer nada (a Nike agradece)”;

“O que falta para as pessoas é Deus no coração (em geral o “Deus” exclusivo da pessoa)” ; ‘Religião, política e futebol não se discutem (basta ignorar a opinião do outro); “O seu direito acaba onde começa o meu (ou a negação da dialética)”;

“O acesso ao livro é fundamentais (não importa onde, quando e como ele vai ser lido); “Informação é poder (e como tal privilégio de poucos)”; “Vivemos a era da informação…distorcida, tendenciosa, manipulada…”; Política cultural é um assunto complexo (quando se inaugura a discussão…?).

Eu poderia ficar horas a pensar, pensar, escrever, escrever, mas creio que cada qual identifica seus vários chavões de portas grandes…e o dos outros…

Se um jornalista te pedir pra “conferir”, cuidado: ele quer que você faça o trabalho dele! (ô, raça!)

quarta-feira, agosto 24th, 2011

A coisa já vinha me incomodando há algum tempo. Pensei em fazer um post a respeito, mas preferia sempre enviar o link pra obra-prima do Hector Lima. Mas já que ele me autorizou, deixa eu kibar o texto dele. Kibada portuguesa: copio o texto, colo aqui, cito a fonte e dou o link pro site original, claro! 😀

Enfim, ponha só uma coisa na sua cabeça: se alguém te pedir pra conferir alguma coisa, tá pedindo pra você verificar por conta própria se a coisa tá certa. Se um jornalista te pede pra fazer isso num texto, o que ele diz em síntese é o seguinte: ó, listei esses troço tudo aqui mas não conferi nada. Confira o que abre e o que fecha nesse feriado, porque eu não fiz o meu trabalho direito!

Mas deixemos que zifio Hector aborde o assunto:

Campanha pelo fim do ‘Confira’

Por Hector Lima [27.11.2009]

Esses dias um de nossos colaboradores perguntou por que eu havia editado seu texto e mudado o “confira” pra “veja”. Essa é uma questão que estou pra abordar faz tempo aqui na Goma, e vivia adiando pra não parecer chato nem metido, mas é algo importante para a saúde e o bem estar da população – então vamos lá:

Pare de usar o verbo CONFERIR no imperativo.

“Tá maluco, Hector?” Sim, maluco de amor pelos meus olhos e ouvidos. Eles sangram toda vez que ouço ou leio o verbo “conferir” ser usado no sentido de “veja”, “leia” ou “olhe” e afins.

No Jornalismo em geral é muito comum ele ser usado assim. Na TV não tem um dia em que eu não ouça pelo menos uma vez. Nas mídias impressa e digital a mesma coisa, talvez mais ainda. Mas o verbo ‘conferir’ não tem esse sentido. Veja:

Conferir

v.t. Verificar, ver se está certo.

Comparar, confrontar.

Dar, conceder, outorgar (prêmios, honrarias).

V.i. Estar exato, conforme: a cópia e o original conferem.

Sinônimos de Conferir

certificar, confirmar, corrobar, reconhecer e verificar

Dizer confira o texto [as imagens, a matéria etc] é a mesma coisa que dizer verifique pra ver se está certo. E não é isso que você está querendo dizer, né? Você não quer que seu leitor \ telespectador \ ouvinte seja um conferidor de uma lista de itens. Quer que ele “veja” ou “leia” aquilo que você quer apresentar.

Se o seu mundo caiu, sua cabeça explodiu e o chão parece ter sumido abaixo de seus pés, mal aê. Mas é isso. ‘Confira’ não deve ser usado para dizer ‘veja’, mas infelizmente muita gente faz esse uso errado. Nossos irmãos d’além-mar concordam.

Momento Prof. Pasquale: tudo bem… o uso, mesmo errado, força informalmente que certos casos tornem-se aceitos porque a língua evolui conforme o uso, não conforme as regras formais. O uso sempre causa a transformação. Isso rolou com ‘suporte técnico’, ‘liga pro suporte’, que é uma tradução literal do ‘support’ inglês. O certo seria usar ‘apoio’, ‘assistência [técnica,em alguns casos]‘. Mas com o uso acabou virando o sentido comum e aceito.

No caso do ‘conferir’ isso também pode acontecer e eu sou a favor da informalidade sempre, do popular, isso você já sabia. Mas no caso do ‘conferir’ isso é tão feio que eu não resisto. Morre um animal em extinção a cada vez que algum jornalista fala isso na TV, ou escreve em algum texto. É frescura minha, sim, mas é mais forte que eu, me recuso a aceitar.

Assim como todo mundo parou de usar “risco de vida” e trocou pra “risco de morte” é muito fácil fazer essa mudança – só começar a usar do jeito certo. Então é isso: pare de usar “confira”, prefira usar “veja”, “leia” e afins. Até “óia” tá valendo. Seu público e a Goma agradecem.

♥ Tem como não amar? ♥

domingo, agosto 14th, 2011

Aaaaaaaaiiiiiii, derreti todinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Tô quase chorando de emoção, viu, gente?

São comentários como esse que eu acabei de receber, do João Paulo Ferreira de Assis, que fazem valer cada segundo usado para fazer este blog, viu? Vou nem perder tempo explicando o porquê! Deixo que ele conte tudo:

 

Enviado em 13/08/2011 as 1:21 PM

Tomo a liberdade de propor uma sugestão:

Como a escola onde leciono, no interior de Minas Gerais aderiu ao movimento de greve dos professores estaduais, eu sugeri aos meus alunos que tivessem dúvidas sobre Gramática da Língua Portuguesa, que consultassem esse blog. Sugiro então que facilite aos meus alunos a pesquisa pelo seu blog, que considero um dos melhores do gênero, dispondo para consulta os links correspondentes. Grato pela atenção.
Cordialmente, João Paulo Ferreira de Assis

Eu respondi:

Enviado e14/08/2011 as 1:53 AM | Em resposta a João Paulo Ferreira de Assis.

Em primeiro lugar, muito obrigada, zifio! Fico lisonjeadíssima por saber que sou recomendada em sala de aula por professores! \o/
Em segundo lugar, te pergunto: quantos anos têm os seus alunos? Te pergunto isso pq eu não tenho lá muito controle com minhas expressões, escrevo palavrão mesmo! Tá tudo bem com isso? Se não, me avisa que eu JUUURO que eu tento me controlar!
Em terceiro lugar, tem um campo de busca no canto direito desse blog. Vou facilitar a vida docêis tudo: vou subir esse campo de busca e deixá-lo bem no alto do lado direito do blog, OK?
Em quarto lugar, quais seriam os links correspondentes a que vc se refere?

Saudações, e avante companheiro, a luta continua! Que Nossa Senhora da Concordância Verbal lhe ilumine os caminhos para exorcização de amebas escreventes! Transforme seus alunos todos em ectoplasmas suínos! :D

Abraços da
Bruxa

E aproveito pra avisar:

1- O campo de busca já foi devidamente “subido”. É o Procure aqui, zifio! Tá aí no canto direito —>

2- Aproveitem este post daqui pra conversarem com a Madrasta do Texto Ruim, crianças! Façam seus comentários e aguardem. Pelo menos uma vez por dia eu entro no blog pra aprovar o que vocês escrevem (Tão pensando o quê? Quem manda aqui sou eu!), e posso ou tirar as dúvidas de vocês pelos comentários, ou criar novos posts a respeito. Mas não se preocupem: todos terão resposta!

3- Declaro que, mesmo sem jamais ter conhecido o zifio, fui muito com a cara do professor de vocês, meninos! E decreto a partir de agora a sacrossantidade do professor João Paulo Ferreira de Assis. Se algum aluno sacanear ele, JÁ ESTÁ JURADO DE HEMORRÓIDAS, ENTENDERAM BEM?

4- Entrem no blog da Hillé, o Manual Prático de Bons Modos em Livrarias, sempre que encherem o saco do meu caldeirão. Lá vocês também vão dar boas gargalhadas!

5- Divirtam-se! \o/

Manual prático de bons modos em livrarias

sexta-feira, julho 22nd, 2011

Parei um pouco de ler esse blog pra recuperar meu diafragma.

O Manual prático de bons modos em livrarias é o relato dramático de uma pobre livreira obrigada a lidar com amebas consumidoras de livros e afins (“Tem o DVD do Repórter 6?” E o sujeito queria era o DVD do Harry Potter. sentiram a linha editorial, né?).

Quer dizer, o drama é da livreira. Eu estou é me acabando de rir com os textos!

Dica deliciosa do Cardoso que vai entrar aí no cantinho direito deste caldeirão.

E na minha lista de páginas que se abrem automaticamente a cada sessão de meu navegador.

Agora, licença. Já peguei mais lencinhos pra acompanhar a leitura (tô chorando de rir, sério) e vou ler todos os posts, desde o início do blog.

O benfeito é bem-feito. Calma que eu explico!

quinta-feira, julho 21st, 2011

Adoro esses quiproquós do Twitter!

*** aqui começa um breve nariz de cera. Leia se tiver saco***

Agorinha há pouco a Rosana Hermann tava reclamando que bem-feito a partir de janeiro deverá ser escrito benfeito. Daí que várias pessooas reclamaram da nova ortografia pereré pão duro blablablá todas discute no Twitter (por favor, não corrija o português, sei que está errado, foi de propósito). Eis que a Marinilda (já disse que curto horrores a Marinilda? Gente, curto horrores a Marinilda, viu?) bateu o pé e disse que benfeito não existe nem jamais existirá. Daí que esta anta que vos fala foi ver o que Evanildo Bechara tem a dizer a respeito. E num é que a Marinilda tá certa, sô?

*** aqui termina o breve nariz de cera. Pode ler daqui pra baixo!***

Enfim, que eu fui ver qual é a desse negózdi bem-feito. Diz a 2ª Edição ampliada e atualizada pelo Novo Acordo Ortográfico da Gramática Escolar da Língua Portuguesa, de Evanildo Bechara (p. 611):

Em muitos compostos, o advérbio bem aparece aglutinado ao segundo elemento, quer este tenha ou não vida à parte quando o significado dos termos é alterado:

  • bendito (= abençoado),
  • benfazejo,
  • benfeitor,
  • benquerença e afins:
  • benfazer,
  • benfeitoria,
  • benquerer,
  • benquisto,
  • benquistar,
  • benfeito (substantivo; = benefício); cf. bem-feito (adjetivo = feito com capricho, harmonioso), e
    bem-feito! (interjeição)

Em língua de gente, é o seguinte:

Quando você quiser dizer “troço feito direito”, pode escrever bem-feito, assim, com hífen. Vai na fé de Bechara e seja feliz.

Mas se a sua intenção é dizer que o negócio é um benefício, aí você junta tudo, troca o eme pelo ene (porque aquele papinho de antes de p e b só se usa m não vai morrer tão cedo), escreve benfeito, entende que é substantivo e se agarra dicumforça em Evanildo Bechara pra se garantir na história toda.

Porque se você se agarrar a Tio Antônio Houaiss, ele vai te dizer que benfeito é como você deve escrever bem-feito de agora em diante.

(Prevejo confusão, brigas, balbúrdia e desentendimentos em janeiro de 2012 por causa desse (des)acordo ortográfico. Inda bem que em dezembro de 2012 o mundo acaba…)

Didática do trauma. aula nº4: por que não usar a expressão vis-à-vis

segunda-feira, julho 18th, 2011

(Antes de começar o post, deixa eu pedir ajuda pro tio Antônio pra ele explicar que negózdi vis-à-vis é esse:)

vis-à-vis:
advérbio
1 em face; defronte
Ex.: sentamo-nos v. 

n preposição
2 em frente a
Ex.: uma janela v. à Baía de Guanabara
3 em relação a; em comparação com
Ex.: ativo bancário v. passivo anual

n substantivo de dois gêneros e dois números
4 pessoa que está colocada à frente de outra
Exs.: meu v. na quadrilha foi Virgílio
no escritório, meu v. é papai
5 tipo de carruagem cujos ocupantes se sentam face a face

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula da Madrasta do Texto Ruim.

Daí você curte horrores dar um tchan, um élan ao seu texto, e usa a expressão vis-à-vis, né?

A Madrasta do Texto Ruim avisa: faz isso não, zifio! Ssuncê num sabe que ssascoisa fica feio?

De jeito nenhum, Madrasta! é uma expressão chique e elegante, vou usá-la! – dirá você, ameba.

Aí eu venho e provo pra você que você num tá na melhor das companhia, não, zifio…

Digo marnada…

 

“Vamos ouvir as belas vozes…”

sábado, julho 9th, 2011

Adoro quando me bate saudades do Álvaro, e eu pego Havia uma Oliveira no Jardim para reler. Há quem faça isso com o Minutos de Sabedoria, e sinta que sempre é possível descobrir uma bela mensagem dos céus pereré pão duro blablabla whiskas sachê. Me desculpe, mas se pra você a referência de mensagens bonitas é o Minutos de Sabedoria, eu só posso ter pena de você e da sua alma repleta de lugares-comuns. (Até porque é muito mais gostoso garimpar em Havia uma Oliveira…)

Álvaro tem aquele filtro típico dos mais belos poetas. Ele sabe filtrar as coisas feias da vida, e sempre perceber a beleza. Das palavras, da Natureza, de uma cena banal, até mesmo de Deus.

Opa? Eu disse Deus? Mas Álvaro era comunista! Como ele percebia Deus?

Assim, ó (Havia uma Oliveira no Jardim, p. 107):

Vozes… tantas… desde as primeiras que soaram no mundo. Por que não as escutamos? A voz de Deus depois da criação disse que tudo era bom. Mais tarde, Jesus disse aos homens: Amai-vos uns aos outros. Mais tarde, Francisco de Assis, que ouvira essa voz, disse: Senhor, abençoado sejas, com todas as tuas criaturas!

Vozes… tantas. De Santos e de pecadores. Agora mesmo a voz de Goethe passou por mim: Quando não se fala das coisas com uma parcialidade plena de amor, o que se fala não deve ser repetido

Vamos ouvir as belas vozes…

E aí, ameba? Você sabe ouvir as belas vozes?

 

Alvaro Moreyra

sábado, julho 9th, 2011

Neste século XXI de internetes, blóguis e podiquéstis, Alvaro Moreyra (joguei direto pra busca do Google porque não sou besta de limitar esse gênio a apenas uma fonte de conhecimento) é praticamente um desconhecido. Talvez ajude se eu começar por informar que ele é o avô da Sandra Moreyra, uma das melhores repórteres da Rede Globo. Sandra é filha de Sandro Moreyra, antológico botafoguense e colunista esportivo. Pois foi Alvaro quem começou essa deliciosa dinastia, ao lado de Eugênia, que foi a primeira repórter policial do Rio de Janeiro e uma das primeiras feministas deste país. Familinha porreta, essa.

Alvaro, dentre outras tarefas intelectuais, era poeta. Ao completar 70 anos, publicou dois livros meio autobiográficos, meio de pensamentos e poesias, Havia uma oliveira no jardim e As amargas, não…  Desses dois, o meu preferido é o Havia uma oliveira. Vejam como ele começa o livro:

Não posso afirmar que cheguei ao mundo no bico de uma cegonha. Desconfio que vim num ramo de oliveira. Havia uma oliveira no jardim da casa onde nasci, e dava azeitonas. A oliveira é a árvore da paz. Sou homem da paz. Deve ter sido essa a minha origem espiritual. A gente, de verdade, sabe poucas coisas. Mas todas as coisas são possíveis.

Claro que o dono de alma tão bonita como essa foi preso pela ditadura de 1964 – um sujeitinho assim só podia ser subversivo, claro.

Como ele já estava velhinho, ficou poucos dias na cadeia. Quando ele saiu, o carcereiro virou-se para ele e disse: “Pode ir, o senhor é um homem livre agora!”. Prá quê? Ouviu dele a seguinte frase: “Engano seu, meu jovem. Eu jamais deixei de ser livre. O prisioneiro aqui é você.”

Alvaro Moreyra é um dos espíritos que me iluminam para que eu tire os encostos de amebas escreventes. Espero que vocês entendam que é em nome de gente tão boa, tão fina, que eu me predisponho a fazer com que os textos mal-escritos presentes neste blog sejam dignos da Língua Portuguesa. Faço isso, dentre outros, pela alma do Alvaro. Que Deus continue a lhe iluminar e abençoar, ó espírito de luz. Ah, só por isso vou dar mais um chorinho do Havia uma oliveira aqui:

Todas as idades ficam em nós e vão colaborando. Infância, adolescência, juventude, mocidade, maturidade, velhice – aparências do corpo. A alma faz coleção. (…)

Admirar é agradecer. A vida traz sempre coisas melhores quando lhe dizemos por uma flor, por uma canção, por uma mulher: – Obrigado, Vida! (…)

Escrever? Não, conversar.
Ler? Não, escutar.
Assim lhes digo e vocês me ouvem. Falo como aprendi quando me contavam histórias. Era uma vez sempre.
Já olhei tanto a vida, e na manhã aberta na janela vejo a primeira manhã do mundo. A noite foi ontem.

Meu caro amigo

segunda-feira, julho 4th, 2011


 

O Português é uma das línguas mais difíceis do mundo. Mas parece que para o Chico Buarque isso não significa nada. As sílabas dos versos desta música magistral se encaixaram tão bem, que parece que a Língua Portuguesa foi total e definitivamente seduzida pelo charmoso autor de olhos verde-esmeralda.

Acho essa explicação mais plausível. Porque creditar a magistralidade desses versos unica e exclusivamente à genialidade de Francisco é meio exagerado. Reparem como as sílabas da última estrofe cabem nos versos de forma inacreditavelmente precisa…

Confiram:

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus

A essência do preconceito

segunda-feira, junho 27th, 2011

(antes de começar a ler este post, ponha na sua cabeça que eu não defendo nem um discurso nem outro. Apenas pretendo demonstrar a construção de um discurso)

À primeira vista, esse discurso me irritou horrores. A deputada estadual Myrian Rios, do PDT do Rio de Janeiro, em nome de sua religião e de seu deus (e eu fçao questão de manter deus em minúscula aqui, porque o verdadeiro Deus, quem quer que seja Ele, jamais corroboraria de tão nefasto discurso) defendeu a homofobia durante a votação da PEC-23, que criminalizava o preconceito contra orientação homossexual no estado do Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 2011.

Mas como eu sempre tento entender a essência do texto, da palavra, em todo e qualquer discurso, percebi na fala da deputada (a íntegra está aqui) uma oportunidade de dar uma aula de estrutura do discurso preconceituoso.

O discurso está pronto. A argumentação é racionalizada (existe uma tentativa de inserir o preconceito dentro de uma linha de raciocínio pertinente que, para muitos, faz sentido – ou seja: a premissa torna-se verdadeira).

Bom, vamos ao discurso em questão. Destaquei em negrito as palavras-chave do discurso:

A SRA. MYRIAN RIOS – Graças a Deus, boa tarde, boa tarde Presidente em exercício, boa tarde a todos vocês, meus irmãos do Ministério de Madureira, sejam todos bem vindos, agradeço também a Deus por essa oportunidade de poder usar primeiro o Expediente Inicial; foi o próprio Senhor que reuniu os sete Deputados aqui para abrir a Sessão porque quase não abre, mas, quando é vontade de Deus é a vontade do Senhor que prevalece e não a do homem. Por isso estamos abrindo a Sessão para honra e glória do nome de Jesus.

Vocês que me acompanham de casa; vocês que estão aqui, meus colegas, sabem que eu sou missionária consagrada católica da Comunidade Canção Nova e como tal eu prego o respeito, o amor ao próximo, o perdão, a misericórdia de Deus. Como missionária eu viajo o Brasil todo pregando que Deus, claro, Deus ama todas as pessoas, Ele realmente não faz distinção, Ele ama e quer salvar todos.

Eu gostaria também de me pronunciar hoje neste Expediente Inicial como mulher, como mãe. Como mãe eu sou formadora dos meus filhos e como Deputada Estadual eu represento a população. Hoje, às 16h30, nós vamos votar a PEC-23 da qual já 32 Deputados se manifestaram contra, dentre eles eu. Sou uma delas e gostaria de convidar vocês que estão aqui na tribuna, para que permaneçam, por favor, até as 16h30, que é a hora da votação. Agora é só o momento dos pronunciamentos; a votação começa às 16h30.

Eu venho usar do Expediente Inicial para deixar bem claro para as pessoas que me acompanham em casa; para as pessoas que me acompanham aqui no plenário, no Palácio, que eu não sou preconceituosa e não discrimino; que eu prego o amor e respeito ao próximo. Da mesma forma que prego o amor e respeito ao próximo, quero também ser respeitada pelas minhas decisões.

Na proposta de Emenda à PEC-23, o Deputado diz, no artigo 9º, primeiro parágrafo: “que ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de idade, raça ou orientação sexual”. Ou seja, se for discriminado por orientação sexual, idade ou raça, não pode ser prejudicado e nem privilegiado.

Da mesma forma, o nosso Deputado cita na justificativa dessa emenda que a Constituição da República Federativa do Brasil, no art. 5º, diz que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Ora, se somos todos iguais, com os mesmos direitos, eu também tenho o direito de não querer um funcionário homossexual na minha empresa.

Vou me posicionar de uma maneira muito franca e direta. Digamos que eu seja mãe de duas meninas e eu contrate uma babá e essa babá mostra que a orientação sexual dela é ser lésbica. É opção dela. Ela escolheu, ela é livre. E tenho duas meninas em casa que ela está cuidando. Se a minha orientação sexual não for essa, for contrária, e quiser demiti-la, eu não posso, pois vou estar enquadrada nessa PEC. Vou estar enquadrada como preconceituosa e discriminadora. São os mesmos direitos. O direito que a babá tem de se manifestar na orientação sexual dela como lésbica, eu tenho como mãe de não querê-la na minha casa como babá de minhas filhas. Dá-me licença? São os mesmos direitos.

Só que com essa PEC-23 e com essa emenda, eu não tenho esse direito. Eu vou ter que manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas e sabe Deus se ela não vai, inclusive, cometer a pedofilia com elas. Eu não vou poder fazer nada. Eu não vou poder demiti-la, porque está aqui: “ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado”. Eu quero essa liberdade para minha escolha e orientação sexual – também.

Se o rapaz escolheu ser homossexual o problema é dele. Eu o respeito como próximo, como ser humano. Nós vamos orar e clamar a Deus por ele, porque a salvação é para todos, e Deus é misericordioso. Não é isso? Ele escolheu ser homossexual; ser travesti. Eu o contrato para ser motorista e eu tenho dois meninos em casa. Ele começa então a vir trabalhar vestido de mulher, travestido, porque essa é a orientação sexual dele. Como mãe de dois meninos, opa, não é essa minha orientação sexual aqui em casa. Aqui em casa, gostaria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie, como está em Gênesis. Deus criou o homem e a mulher para perpetuarem a espécie. É uma orientação sexual que eu concordo; que eu vivo e formo meus filhos assim. Mas, se no momento em que eu descobrir que o motorista é homossexual e poderia estar de uma maneira ou de outra, tentando bolinar o meu filho… Não sei, pode de repente partir para uma pedofilia para com os meninos, não vou poder demiti-lo, porque a PEC-23 não me permite, porque causarei prejuízo a esse rapaz que tem orientação sexual homossexual. Mas, o direito não é para todos? Não está dizendo na Constituição, no art. 5º, que todos são iguais perante a lei? Eu quero a lei para mim também. Quero a lei para mim para demitir sim; para explicar que na minha casa a orientação sexual é outra.

Meus queridos colegas Deputados, meus queridos companheiros que me assistem pela TV ALERJ, os direitos são iguais. Essa PEC vem tirar o nosso direito de sermos heteros e de termos uma orientação sexual homem com mulher e mulher com homem. Não podemos ter a orientação sexual com que fomos criados, para viver o homem com a mulher e a mulher com o homem? Só temos cuidar para que não se fira a orientação sexual dos homossexuais?

Quero deixar isso bem claro, porque este momento do meu pronunciamento vai para o Diário Oficial. Sou uma missionária católica; sou mãe de dois meninos e sou Deputada representando o povo. Representando o povo, quero defender as crianças e os jovens inocentes. Se essa PEC passa, e um rapaz tem uma orientação sexual pedófila, tem a orientação sexual de transar, de ter relacionamento sexual, com menino de três a quatro anos, nós não vamos poder fazer nada, porque ele está protegido pela lei, pela PEC-23, meus queridos. Isso eu não vou permitir.

Vou votar contra a PEC-23, hoje, primeiramente como cidadã. Estou defendendo as crianças e os jovens de uma porta para a pedofilia, como bem manifestou o meu colega Deputado Samuel Malafaia. Vou votar contra porque também quero ter o direito de igualdade de demitir uma pessoa se ele não está de acordo com a minha orientação sexual, deixando bem claro que respeito o próximo, respeito o homem e a mulher.

Vou conceder um aparte ao Deputado Xandrinho.

O SR. XANDRINHO – Deputada Myrian Rios, primeiramente, eu quero parabenizá-la por sua coragem e astúcia por manifestar o que o seu coração e a sua formação religiosa de ser humano indicam. É evidente que hoje há uma tendência da mídia muito grande em ter esse canal aberto.

Quando se pronuncia qualquer coisa que não seja a família em si, dentro da normalidade, a mídia vai por um caminho em que ela pega pesado. Eu estou gostando de ver a sua sinceridade, que é também a minha. Vamos votar aqui, hoje, simplesmente, um projeto de lei em que temos o direito de votar sim ou não.

A SRA. MYRIAN RIOS – Com certeza.

O SR. XANDRINHO – Então, não estamos, neste momento, discriminando ninguém.

A SRA. MYRIAN RIOS – Ninguém.

O SR. XANDRINHO – Gostaria de deixar isso bem claro porque parece que aqui, nós, numa votação, seja sim ou não, estaríamos discriminando alguém. Não. O que se fará na tarde de hoje é votar se isso vai se tornar uma lei ou não. Não é isso? Entendo dessa maneira.

Portanto, eu, que estou presidindo a Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional dentro da Assembleia Legislativa, gostaria de pedir às pessoas que atentassem bem a esse detalhe. Ninguém está discriminando. O que vai acontecer hoje será um ato democrático, no qual diremos se somos favoráveis ou não.

Parabéns, Deputada, por seu pronunciamento.

A SRA. MYRIAN RIOS – Obrigada, Deputado.

Gostaria de continuar, agora com um testemunho. Eu tenho na minha família primos homossexuais: lésbicas e homens homossexuais. O que eu posso fazer? Na minha casa. Família; de sangue. Pessoas íntimas na minha família que eu respeito; que eu amo; que eu oro; que eu rezo e que eu clamo. Vou fazer o quê? É a opção deles. Eu não os desrespeito; não sou preconceituosa; não deixo de conversar com eles; não deixo de amá-los como ser humano e como filhos de Deus.

Mas, não vou permitir que, por desculpa de querer proteger ou para sacarem com violência à homofobia, abramos uma porta para a pedofilia. A orientação sexual pode ser qualquer uma. Como abordei antes, ela pode ser uma relação sexual com uma criança, com um menino e, assim, as crianças serão prejudicadas.

Então, para finalizar, agradeço a Deus a oportunidade, e deixo bem claro que hoje, às 16h30, haverá a votação e meu voto será contra. Convido as pessoas a permanecerem no plenário e mais uma vez esclareço que sou contra porque da maneira como está nossos jovens serão prejudicados. Quero ter a liberdade, a orientação sexual, aquela com que fui criada também, e aquela que tenho fé e sigo, sempre respeitando a orientação e a liberdade de cada um. Mas voto contra a PEC 23.

Deus abençoe a todos. Tenham todos uma boa tarde. Que o Espírito Santo possa hoje, nesta Assembleia, descer fazendo cair fogo do céu aqui.

Muito obrigada. (Palmas)

Quero saudar os pastores presidentes do Ministério de Madureira, que estão sentados ali na tribuna. Esta Casa é a sua casa, onde exercemos o nosso direito de cidadania. Bem-vindos à Alerj, em nome de Jesus!


 

Antes de você se irritar com esse texto como aconteceu comigo, vou lhe convidar a abstrair todo o lado nefasto desse texto para se ater exclusivamente à essência dele.

Esse texto, então, torna-se perfeito para demonstrar a definição principal de preconceito de Tio antônio (Houaiss):

ideia, opinião ou sentimento desfavorável formado sem conhecimento abalizado, ponderação ou razão
sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância

Quer ver como esse texto serve para qualquer tipo de discriminação?

Vamos substituir as palavras em negrito da seguinte forma:

homossexuais /homossexual – negros/negro

Lésbicas/lésbica – negras/negra

orientação sexual – raça (em dois casos, eu mantive apenas orientação, para manter o nexo da coisa)

E aí temos um discurso prontinho para ser lido na primeira quinzena de maio de 1888. Para não dizer que eu não fiz nenhuma alteração, vou deixar apenas uma frase que sobrou do texto original, e pode ser removida. Ela está destacada em lilás:

A SRA. MYRIAN RIOS – Graças a Deus, boa tarde, boa tarde Presidente em exercício, boa tarde a todos vocês, meus irmãos do Ministério de Madureira, sejam todos bem vindos, agradeço também a Deus por essa oportunidade de poder usar primeiro o Expediente Inicial; foi o próprio Senhor que reuniu os sete Deputados aqui para abrir a Sessão porque quase não abre, mas, quando é vontade de Deus é a vontade do Senhor que prevalece e não a do homem. Por isso estamos abrindo a Sessão para honra e glória do nome de Jesus.

Vocês que me acompanham de casa; vocês que estão aqui, meus colegas, sabem que eu sou missionária consagrada católica da Comunidade Canção Nova e como tal eu prego o respeito, o amor ao próximo, o perdão, a misericórdia de Deus. Como missionária eu viajo o Brasil todo pregando que Deus, claro, Deus ama todas as pessoas, Ele realmente não faz distinção, Ele ama e quer salvar todos.

Eu gostaria também de me pronunciar hoje neste Expediente Inicial como mulher, como mãe. Como mãe eu sou formadora dos meus filhos e como Deputada Estadual eu represento a população. Hoje, às 16h30, nós vamos votar a PEC-23 da qual já 32 Deputados se manifestaram contra, dentre eles eu. Sou uma delas e gostaria de convidar vocês que estão aqui na tribuna, para que permaneçam, por favor, até as 16h30, que é a hora da votação. Agora é só o momento dos pronunciamentos; a votação começa às 16h30.

Eu venho usar do Expediente Inicial para deixar bem claro para as pessoas que me acompanham em casa; para as pessoas que me acompanham aqui no plenário, no Palácio, que eu não sou preconceituosa e não discrimino; que eu prego o amor e respeito ao próximo. Da mesma forma que prego o amor e respeito ao próximo, quero também ser respeitada pelas minhas decisões.

Na proposta de Emenda à PEC-23, o Deputado diz, no artigo 9º, primeiro parágrafo: “que ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de idade, raça ou raça”. Ou seja, se for discriminado por raça, idade ou raça, não pode ser prejudicado e nem privilegiado.

Da mesma forma, o nosso Deputado cita na justificativa dessa emenda que a Constituição da República Federativa do Brasil, no art. 5º, diz que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Ora, se somos todos iguais, com os mesmos direitos, eu também tenho o direito de não querer um funcionário negro na minha empresa.

Vou me posicionar de uma maneira muito franca e direta. Digamos que eu seja mãe de duas meninas e eu contrate uma babá e essa babá mostra que a raça dela é ser negra. É opção dela. Ela escolheu, ela é livre. E tenho duas meninas em casa que ela está cuidando. Se a minha raça não for essa, for contrária, e quiser demiti-la, eu não posso, pois vou estar enquadrada nessa PEC. Vou estar enquadrada como preconceituosa e discriminadora. São os mesmos direitos. O direito que a babá tem de se manifestar na raça dela como negra, eu tenho como mãe de não querê-la na minha casa como babá de minhas filhas. Dá-me licença? São os mesmos direitos.

Só que com essa PEC-23 e com essa emenda, eu não tenho esse direito. Eu vou ter que manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas e sabe Deus se ela não vai, inclusive, cometer a pedofilia com elas. Eu não vou poder fazer nada. Eu não vou poder demiti-la, porque está aqui: “ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado”. Eu quero essa liberdade para minha escolha e raça – também.

Se o rapaz escolheu ser negro o problema é dele. Eu o respeito como próximo, como ser humano. Nós vamos orar e clamar a Deus por ele, porque a salvação é para todos, e Deus é misericordioso. Não é isso? Ele escolheu ser negro; ser travesti. Eu o contrato para ser motorista e eu tenho dois meninos em casa. Ele começa então a vir trabalhar vestido de mulher, travestido, porque essa é a raça dele. Como mãe de dois meninos, opa, não é essa minha raça aqui em casa. Aqui em casa, gostaria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie, como está em Gênesis. Deus criou o homem e a mulher para perpetuarem a espécie. É uma raça que eu concordo; que eu vivo e formo meus filhos assim. Mas, se no momento em que eu descobrir que o motorista é negro e poderia estar de uma maneira ou de outra, tentando bolinar o meu filho… Não sei, pode de repente partir para uma pedofilia para com os meninos, não vou poder demiti-lo, porque a PEC-23 não me permite, porque causarei prejuízo a esse rapaz que tem raça negra. Mas, o direito não é para todos? Não está dizendo na Constituição, no art. 5º, que todos são iguais perante a lei? Eu quero a lei para mim também. Quero a lei para mim para demitir sim; para explicar que na minha casa a raça é outra.

Meus queridos colegas Deputados, meus queridos companheiros que me assistem pela TV ALERJ, os direitos são iguais. Essa PEC vem tirar o nosso direito de sermos heteros e de termos uma raça homem com mulher e mulher com homem. Não podemos ter a raça com que fomos criados, para viver o homem com a mulher e a mulher com o homem? Só temos cuidar para que não se fira a raça dos negros?

Quero deixar isso bem claro, porque este momento do meu pronunciamento vai para o Diário Oficial. Sou uma missionária católica; sou mãe de dois meninos e sou Deputada representando o povo. Representando o povo, quero defender as crianças e os jovens inocentes. Se essa PEC passa, e um rapaz tem uma orientação pedófila, tem a orientação de transar, de ter relacionamento sexual, com menino de três a quatro anos, nós não vamos poder fazer nada, porque ele está protegido pela lei, pela PEC-23, meus queridos. Isso eu não vou permitir.

Vou votar contra a PEC-23, hoje, primeiramente como cidadã. Estou defendendo as crianças e os jovens de uma porta para a pedofilia, como bem manifestou o meu colega Deputado Samuel Malafaia. Vou votar contra porque também quero ter o direito de igualdade de demitir uma pessoa se ele não está de acordo com a minha raça, deixando bem claro que respeito o próximo, respeito o homem e a mulher.

Vou conceder um aparte ao Deputado Xandrinho.

O SR. XANDRINHO – Deputada Myrian Rios, primeiramente, eu quero parabenizá-la por sua coragem e astúcia por manifestar o que o seu coração e a sua formação religiosa de ser humano indicam. É evidente que hoje há uma tendência da mídia muito grande em ter esse canal aberto.

Quando se pronuncia qualquer coisa que não seja a família em si, dentro da normalidade, a mídia vai por um caminho em que ela pega pesado. Eu estou gostando de ver a sua sinceridade, que é também a minha. Vamos votar aqui, hoje, simplesmente, um projeto de lei em que temos o direito de votar sim ou não.

A SRA. MYRIAN RIOS – Com certeza.

O SR. XANDRINHO – Então, não estamos, neste momento, discriminando ninguém.

A SRA. MYRIAN RIOS – Ninguém.

O SR. XANDRINHO – Gostaria de deixar isso bem claro porque parece que aqui, nós, numa votação, seja sim ou não, estaríamos discriminando alguém. Não. O que se fará na tarde de hoje é votar se isso vai se tornar uma lei ou não. Não é isso? Entendo dessa maneira.

Portanto, eu, que estou presidindo a Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional dentro da Assembleia Legislativa, gostaria de pedir às pessoas que atentassem bem a esse detalhe. Ninguém está discriminando. O que vai acontecer hoje será um ato democrático, no qual diremos se somos favoráveis ou não.

Parabéns, Deputada, por seu pronunciamento.

A SRA. MYRIAN RIOS – Obrigada, Deputado.

Gostaria de continuar, agora com um testemunho. Eu tenho na minha família primos negros: negras e homens negros. O que eu posso fazer? Na minha casa. Família; de sangue. Pessoas íntimas na minha família que eu respeito; que eu amo; que eu oro; que eu rezo e que eu clamo. Vou fazer o quê? É a opção deles. Eu não os desrespeito; não sou preconceituosa; não deixo de conversar com eles; não deixo de amá-los como ser humano e como filhos de Deus.

Mas, não vou permitir que, por desculpa de querer proteger ou para sacarem com violência à homofobia, abramos uma porta para a pedofilia. A raça pode ser qualquer uma. Como abordei antes, ela pode ser uma relação sexual com uma criança, com um menino e, assim, as crianças serão prejudicadas.

Então, para finalizar, agradeço a Deus a oportunidade, e deixo bem claro que hoje, às 16h30, haverá a votação e meu voto será contra. Convido as pessoas a permanecerem no plenário e mais uma vez esclareço que sou contra porque da maneira como está nossos jovens serão prejudicados. Quero ter a liberdade, a raça, aquela com que fui criada também, e aquela que tenho fé e sigo, sempre respeitando a orientação e a liberdade de cada um. Mas voto contra a PEC 23.

Deus abençoe a todos. Tenham todos uma boa tarde. Que o Espírito Santo possa hoje, nesta Assembleia, descer fazendo cair fogo do céu aqui.

Muito obrigada. (Palmas)

Quero saudar os pastores presidentes do Ministério de Madureira, que estão sentados ali na tribuna. Esta Casa é a sua casa, onde exercemos o nosso direito de cidadania. Bem-vindos à Alerj, em nome de Jesus!


Viram só?

Agora, divirta-se: faça Myrian Rios discursar contra gordos, evangélicos ou, ainda, louras heterossexuais.

Você vai ver que o discurso ainda vai ter uma linha lógica.

E no dia em que geral entender que homossexualismo não é opção (NEM DOENÇA, CACETE!), esse país volta a andar pra frente.

Aleluia, irmãos!

Semântica desenhada

terça-feira, junho 7th, 2011

Como vocês já sabem, curto muito gente que sabe escrever bem e se expressar de forma correta e adequada.

Por isso caí de amores por este desenho-definição de semântica feito pelo Carlos Latuff que, com um pé atrás (não lido com bruxas, você é malvada?), me autorizou a copiar e colar a charge dele aqui em meu mui humilde caldeirão.

Zifio, ssuncê é menino bão! Faz parte dos mitológicos ectoplasmas suínos que ajudam esta bruxa a exorcizar as amebas escreventes! Muito obrigada pela autorizçaão!

E não, eu não vou escrever mais nada. Prá quê, se o Latuff desenhou tudim?

Ó só:

Eu digo basta! – blogagem coletiva

domingo, junho 5th, 2011

O Objetivando Disponibilizar é um blog sobre textos mal escritos e erros de português. A princípio, não teria motivos para participar de uma blogagem coletiva a favor da amamentação e contra estupidezes de machinhos pseudo-engraçados.

Mas eu encontrei uma ligação entre este tema e a blogagem. Tio Antônio, faz favor! O que é misoginia?

n substantivo feminino
1 ódio ou aversão às mulheres
2 aversão ao contato sexual com as mulheres

Pois Marcelo Tas e seus colegas do CQC estão sendo acusados de serem misóginos. Por quê? bom, por causa distodisto.

É ridículo ver como os homens não sabem se comportar diante das mulheres. Insistem em achar que, se elas não lhes servirem de colírio para os olhos, como objetos inanimados, sem opinião e sem ação própria, têm mais é que ficar em casa, e amamentar seus rebentos de forma privada. Afinal de contas, amamentar em público é muito chocante! (O_o).

Patético ver que eles não acompanharam a evolução da sociedade. Patético notar que esses seres não conseguem perceber a mulher de outra forma que não um objeto sexual, sem direito a opinião, raciocínio, inteligência, nada. Devemos nos limitar a satisfazer o prazer deles, e ai de nós se ousarmos pensar ou fazer algo diferente.

Seremos execradas. Seremos achincalhadas. Seremos vilipendiadas. Seremos ridicularizadas. Enfim, seremos excluídas.

Nossa independência, inteligência, atitude, capacidade de ter opinião própria lhes causam medo. Eles só conseguem conceber mulheres-objetos, lindas e prontas e lhes saciar os desejos sexuais (que eu não sei se devo classificar de primitivos ou de primatas. Temo faltar com o respeito aos macacos e gorilas). Isso lhes causa medo – daí a misoginia.

E vamos párar com esse textinho lindinho porque quem tá falando aqui é um bruxa, porra.

Quem Rafinha Bastos, Marcelo Tas e cia. pensam que são para determinarem que mulher não pode amamentar em público? Afinal de contas, quem decide isso somos nós, mulheres?

Ou é a fome de um bebê inocente, que nada tem a ver com a falta de noção de seja lá quem for? O bebê, aliás, é quem vai determinar se quer se alimentar em público ou num lugar mais calmo e reservado!  Se o bebê quiser no meio do vão do Masp, ótimo! Vai ser lá mesmo! Mas se ele preferir um local mais silencioso, calmo e escurinho – isso é decisão do bebê. Acreditem, bebês são capazes desse discernimento.

Seio só serve pra deixar paus duros? Qualquer outra aplicação é execrável e deve ser proibida e reprovada em público?

Eu poderia entrar naquela história de homens brancos cristãos heterossexuais e seus pontos de vista dominantes e machistas e etc e tal, mas a Lola sabe falar disso com muito mais precisão e maestria do que eu.

Na verdade, eu venho aqui mui humildemente (cof, cof, cof) oferecer aos machinhos do CQC um workshop de humor.

Porque, né? Eles acham engraçado comparar um mamilo a um rocambole! (Oi?)

Ou, então, dizem que mulher que gosta de pôr o peito pra fora pra amamentar é mulher feia que não tem seio, tem teta! (Que ano é hoje?)

Caros membros do CQC, é o seguinte: eu criei um personagem há alguns meses, a Doriana. Ela é a mãe perfeita, que vive num comercial de margarina. (Preciso explicar a piadinha pra vocês ou vocês conseguiram entender? Num tem sexo nem depreciação do outro, daí o meu receio de que vocês não tenham compreendido….)

Enfim, a Doriana vive num comercial de margarina e é a mãe perfeita. Por ser absolutamente perfeita, ela amamenta, porque mãe que é mãe amamenta. Sempre.

E seu discurso pró-amamentação faz rir quem realmente entende do assunto e pratica o ato de amamentar:

“Meu irmão foi amamentado antes de fazer a prova de direção, e foi aprovado de primeira! E tem gente que acha que amamentar não faz bem!”

“Na semana seguinte, meu irmão foi amamentado antes da entrevista de emprego, e foi contratado! E tem gente que acha que amamentar não faz bem!”

“Nossa, me estressei tanto com minha mãe agora! Ela queria levar minhas filhas na esquina pra tomar sorvete sem a minha presença! Fiquei tão nervosa e chorei tanto que ela me ofereceu o peito pra eu me acalmar um pouco! Ainda bem, viu?”

A Doriana quase não fala em sexo.  Não precisa. Já existem estereótipos suficientes no ato de amamentar e no discurso pró-amamentação e pró-mães perfeitas. É só exacerbar tudo e trabalhar o discurso.

Se vocês fossem menos tacanhos (ou, pelo menos, fizessem realmente parte desse momento tão importante da vida de uma mãe e um bebê) teriam se dado conta de detalhes curiosos e mesmo risíveis do dia a dia de uma lactante. E daí saberiam fazer piadas engraçadas a respeito. Fico aqui a imaginar (e lamentar) que tipo de pais vocês são.

Seu colega (em tacanhez) da Folha de SPaulo comparou amamentação com masturbação. Sério, eu ainda não consegui relacionar uma coisa à outra. Que que tem a ver alimentar um bebê em público com proporcionar-se prazer em público? Ah, é porque a visão do seio deixa os homens excitados, e masturbar-se em público também é excitante? Isso é engraçado? Cejura? Mas é curioso, porque eu sempre entendi que boas piadas não precisam ser explicadas e… eu realmente consegui estabelecer uma lógica nessa piada? É pra rir disso? quer dizer, então, que vocês homens héteros não conseguem desligar a paudurescência ao verem um peito de fora com a função de alimentar um filhote de gente?

Quer dizer, eu sou capaz de compreender a linha de raciocínio até de piadas racistas – não concordo, mas entendo o mote. Mas essa piada de vocês é pior que piada racista. Se é que isso é possível, viu?

Enfim, se alguém ainda não disse isso pra vocês, tá na hora de vocês entenderem que apelar à fórmula

sexo + padrões repressivos de beleza feminina + burrice feminina

é muito Balança mas não cai – e isso é tão século vinte que vocês deveriam se envergonhar de se acharem muderrrnos.

Enfim, apertem o F5*. Vocês estão mais de meio século ultrapassados.

 

(pra quem não usa PCs: a tecla F5 é o atalho do teclado em navegadores Internet para atualizar as páginas web exibidas.)

Os outros posts desta blogagem coletiva estão neste post do blog  Rede Mulher e Mãe

A caminho da crase IV – Estação final

sábado, maio 28th, 2011

Ficou fresco esse troço aí em cima, né? Ah, mas eu gostei! Me deixa! 😀

Antes de começar este post, deixo uma perguntinha clássica:

Qual é o correto: Vai à merda ou vai para a merda?

Resposta no final deste post. Mas leia tudissaqui antes pra entender o porquê, né?

… Eis que eu terei, sim, a pretensão de publicar aqui a explicação de-fi-ni-ti-va para a crase.

Tadinha, uma menina tão útil, tão prestativa, tão femininamente acumuladora de funções, e nego faz pouco caso e desdenha dela! Vou sair por aí acusando geral de sexismo, hein? 😉

Vamos começar perguntando o que tio Antônio (Houaiss) tem a dizer sobre essa mocinha tão mal-compreendida. Tio Antônio, conta aqui pra gente: o que é crase?

 

Crase

n substantivo feminino

1 na gramática grega, fusão ou contração de duas vogais, uma final e outra inicial, em palavras unidas pelo sentido, e que é indicada na escrita pela corônis

2 Rubrica: fonética, gramática.
fusão de duas vogais idênticas numa só, que ocorre, p.ex.:, na evolução das línguas român. (lat. colore ‘cor’ > port. coor > cor)

3 Rubrica: gramática.
contração da preposição a com o artigo a ou com o pronome demonstrativo
(à = a + a; àquele = a + aquele)

4 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: gramática.
acento grave que marca na escrita a contração

 

Tio Antônio foi lá no intestino da coisa pra explicar direitinho! Se você pensa que crase é artigo mais preposição e tá tudo bem, você tem tudo pra errar a brincadeira, zifio!

Vamos entender aqui:

Quando, numa frase, logo após a preposição a vem outro a, o acento grave lhe poupa de escrever o a duas vezes. Quem diz que crase é artigo mais preposição é um Zé Ruela preguiçoso que acha que esta é aformamaisdidáticaeadequadadeexplicarcorretamente blablabla whiskas sachê pereré pão duro os negózdi crase. E não é.

 

A preposição perseguida

Entenda: a crase é SEMPRE UMA PREPOSIÇÃO seguida de um a. Se você pensar em crase como uma preposição com umas coisinhas mais, é meio caminho andado pra entender a bagaça. (E, se você não sabe como usar o a como preposição, aprenda no primeiro post da saga da crase aqui ou, se você estiver lendo a página especial sobre a crase, lá em cima).

Aliás, se nego entende as coisas quando tem besteira no meio, vou criar um slogan  para a crase: A PREPOSIÇÃO PERSEGUIDA. Pronto! Agora você vai ficar com preposição na cabeça toda vez que pensar em crase! #numpresto #numvalhonada 😀

Mas eu falava de preposição perseguida. Em 99,9999% dos casos, a preposição é perseguida por um artigo a. Mas, como nos mostrou tio Antônio, esse a perseguidor de preposição pode ser o a inicial de um pronome demonstrativo aquele (esse é um dos 0,0001% dos casos)! Mas vamos aos poucos, vamos nos prender aos 99,9999% dos casos primeiro, e depois eu explico O OUTRO. (num é nem exceção, coitado…)

Ah, dona Bruxa, esse troço é muito complicado, dirá você.

É nada, direi eu! 😀

Por exemplo: nossa missão aqui é dizer que  fulano resolveu tomar banho de mar na praia. Como a gente diz?

É. Ficou MUUUUUITO fresco. Mas eu curti, dá licença? 😀

Fulano foi para a praia.

Certo? Certo!

Reparem aí nessa frase a preposição para junto do artigo a. Vamos, então, substituir a preposição para pela preposição a? Cuméquifica?

Fulano foi a a praia

Certo? Tá certo, mas… pode ficar marfácil, né?

Fulano foi à praia <– e esse à indica que tem um a em cima do outro, fazendo dupla jornada no texto como preposição e artigo. RÁ!

E digo mais: a crase não é dispensável, não! Se você diz:

Foi a polícia

você está acusando a polícia de ter aprontado alguma. Mas se você diz

Foi À polícia

você afirma que alguém tomou o rumo da delegacia. Tá vendo como a crase é importante?

Acredite, a crase foi criada para ajudar a outrem. Ela simplifica a vida do autor da frase pra que ele não tenha que escrever um a em cima do outro.  E simplifica a vida do leitor para que ele entenda a mensagem em firulas como essa daí de cima.

Já viu, então, que a crase não foi feita pra encher o seu saco, né?

E ó, fui ver o Manual do Estadão, espécie de oráculo a quem eu quase sempre corro pra pedir penico ajuda, e descobri que a explicação especial sobre crase tá uma bosta, cheidi contradição! Vou ter que me virar sozinha cocêis tudo aqui! Mas vamos lá!

Antes de prosseguir (é, eu ameaço seguir mas paro e volto! De vez em quando baixa um caboclo ficadô em mim, liguem não! 😀 ), vou ensinar a cêistudo o macete DE-FI-NI-TI-VO pra ver se a crase é enfiável ou não.

Seguinte: crase é um bicho facilmente comprovável por substituição. Ou você troca a preposição a por outra preposição, ou troca a palavra feminina depois da crase por uma palavra similar masculina, e vê se você fez tudo direitinho ou se fez bosta. Vamos aplicar esse macetinho aí nosembaixo:

Onde NÃO usar crase

Pois bem. Estávamos nós casando preposição a com outras palavras que começam com a. Ajuda a pensar que, devido à síndrome dos 99,9999%, a palavra depois da crase terá que ser feminina. Ajuda muito, mas essa prescrição é que nem remédio controlado: você pode ficar viciado nela e não saber a hora de parar de usar. Mas vamos nos ater a esse viciozinho legaus… 😀

E vamos combinar outra coisa: em quase todos os casos do uso errado de crase, se você pensar só mais dois segundos vai perceber que tentou enfiar um artigo onde ele não deve ser enfiado. Quer ver só?

Vejamos, pois, a situação do verbo: não é nem feminino nem masculino. O coitado, de tão obrigado a lidar com suas desinências modo-verbal, e número pessoal, e tempos, e modos, e conjugações, e principalmente seus defeitos, não tem nem tempo nem saco pra escolher se quer ser masculino ou feminino. Às vezes, forçado por mais entendidos e/ou poetas, ele diz que é macho.  Mas deixemos a masculinidade do verbo prá lá. Isso não é da nossa conta. Então, como eu dizia, se verbo não é feminino nem masculino, ele não pede artigo antes dele, só preposição. Traduzindo: NUM ENFIA CRASE ANTES DE VERBO, AMEBA!

Vamos comprovar, então, pela substituição, por que não existe crase antes de verbo:

Exemplos:

Não temos nada à temer <– TÁ ERRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAADOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

Vamos enfiar outra preposição na frente do verbo temer

Não temos nada para temer <– cadê artigo depois da preposição para pra justificar a craseança?

Entenderam? Querem que eu desenhe de novo? Pois não:

Ainda temos salgadinhos à fritar <– paporra, que esse óleo deve estar todo saturado, os salgadinhos vão ficar uma bosta! Troca a preposição, ameba! Vê se tem artigo depois?

Ainda temos salgadinhos para fritar <– Viu? Viu? Viu? Viu? Num tem! Se ferrou! Rá!

 

Outra forma de NÃO se usar a crase: antes de pronome reto. Pronome reto é outra classezinha que nunca se deu bem com o artigo (dizem que foi caso de traição conjugal, mas isso já é fofoca da minha parte, deixa prá lá). Quer ver só? Na frase:

Joana é legal

vamos substituir Joana pelo pronome reto Ela:

Ela é legal.

Agora me diga: NAONDE que cê vai enfiar artigo antes de ela, zifio? Não seja malcriado, fazfavõ! Essa palavrinha que você pensou tem duas letras. O artigo a tem uma letra só e ela tem três letras. Num cabe, sô! 😀 (#numpresto #numvalhonada)

Pra você não ter dúvida nenhuma de que ANTES DE PRONOME RETO (eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas) NÃO VAI CRASE:

Fulano entregou um presente a ela – Se você usar aquele macetinho que eu ensinei de trocar o a preposição por outra preposição, teremos:

Fulano entregou um presente para ela <– cadê artigo? Tem não! Se num tem artigo, num tem companhia pra preposição; sem companhia pra preposição, num tem crase!

Fulano entregou um presente a ele – merma coisa se substituirmos a preposição: Fulano entregou um presente para ele. <- Cadê artigo? Tem não! Ele não pediu artigo, então não tem! E mesmo que pedisse, ele é macho, porra! 😀

 

É sempre legal fazer o teste da troca de preposição. Se a outra preposição pedir um artiguinho do lado pra acompanhá-la num chopinho, esta é a prova de que precisávamos para saber que, se usarmos a preposição a, temos que enfiar a crase na benedita.

Vamos ver o exemplo lá dosencima. Na frase

foi à polícia

se o caboclo quis dizer que o sujeito da frase rumou na direção da polícia, ele diria, com outra preposição,

foi para a polícia.

Viu a preposição para mais o artigo a tomando o chopinho juntinhos? Então, devolve o a preposição pra frase e craseia o benedito!

Quando a palavra depois do a em questão for masculina, quase sempre não se tem crase (é o caso do remédio controlado, mas vamos nos ater a esse viciozinho por ora!). Quer ver só? Vamos trocar polícia por barbeiro, na frase de exemplo.

Se o caboclo quer dizer que quem fez o cabelo dele foi o barbeiro, ele diz exatamente isso:

foi o barbeiro. <- artigo masculino. Puro e simples.

Mas se ele quiser dizer que ele dirigiu-se para o barbeiro, a frase fica assim:

foi ao barbeiro.

Reparou? Em palavras masculinas, o a preposição gruda-se bem grudadinho com o artigo masculino. É um caso típico de combinação. Lembre-se desse macetinho na hora de crasear um a. Substituição é o caminho para a resposta! (E crase não deixa de ser uma forma de combinação, né?)

Outra coisa: não custa lembrar que o artigo que tem que vir depois da preposição pra justificar uma crase tem que ser, obrigatoriamente, DEFINIDO E FEMININO, né? A e AS, fazfavô. Portanto, DESISTA DE ENFIAR CRASE ANTES DE ARTIGO INDEFINIDO, POR MAIS FEMININO QUE ELE SEJA! Uma coisa é você dizer

Beltrano foi à festa de Narcisa (ao se substituir a preposição, temos: Fulano foi para a festa de Narcisa. Tem preposição, tem artigo definido, então tem crase!)

e outra coisa é você dizer

Beltrano foi a uma festa qualquer. (ao se substituir a preposição, temos: Fulano foi para uma festa qualquer. Tem preposição seguida de artigo indefinido. A crase entra NAONDE? Olha a educação! 😀 )

Existe apenas um caso em que é possível crase antes da palavra uma. Mas aí esse uma não é mais artigo, virou horário:

Fulano saiu do escritório à uma hora da tarde.

e por falar em crases e horários e dias, vamos falar de…

Crase para indicar dia e horário – use com cuidado, raciocínio e parcimônia

Então, o professor Zé Ruela te ensinou a regrinha: antes de horas tem sempre crase. MANÉ! ZÉ RUELA! CARA DE CHUCHU! ORNITORRINCO! (#prontoxinguei). Não é bem assim…

Se você quer indicar com precisão o horário ( = momento do dia ou da semana) de um troço, é bom usar crase:

O show de Paul McCartney será às 22 h.

Suas aulas de inglês são às terças e quintas-feiras.

Marquei com meu namorado às sete.

Perfeito. A crase vai em tudissaí de cima. (quer substituição? Troque pela preposição em! Fica feio, mas cabe: O show será nas 22 h; As aulas são nas terças e quintas etc.)

Daí você chega e quer dizer, por exemplo, que a festa deve durar 22 horas e então acabar definitivamente, ou que determinado medicamento perde efeito deois de dez horas de tomada a primeira dose, ou que as aulas ocorrem em dias não específicos. E aí, comofas?

Reparem a diferença entre:

A festa acaba após 22 horas <– Isto significa que, se a festa começou às (olha a crase! Tá indicando precisão no horário) sete da noite de hoje, ela deve durar até cinco da tarde de amanhã.

A festa acaba às 22 horas <– quer dizer: não importa a que horas começou a festa. Deu dez da noite, cabô: A festa acaba após as 22 horas.

Também é evidente a diferença entre:

Se você tomar remédio contra febre, sua ação é eficaz de seis a oito horas. <– Contagem do tempo. Tomou o remédio ao meio dia? O efeito pode passar às seis ou às oito horas da noite.  Mas, se você tomar às duas da tarde, o efeito pode passar às oito ou às dez horas da noite. Quer dizer: o efeito dura de seis a oito horas, ou de 360 a 480 minutos.

Você deve tomar remédios às seis e às oito horas. <– você tá tomando um bandi remédio, e tem doses a tomar nesses horários aí ao lado.

Mas aí, quando você diz

Tenho aulas de segunda a sexta-feira. <– Repare que suas aulas vão DE – A. Mas você também pode dizer

Tenho aulas da segunda à sexta-feira <– Nesse caso, repare que suas aulas vão DA – À (ou até + a), e você está especificando A segunda e A sexta-feira.

 

São firulas, mas é importante entender como e por que se deve usar crase assim e não assado.

Por falar em firulas, eu já expliquei aqui a história de filé à Luis XIV e saída à francesa. E, pelamordedeus, preste atenção pra não repetir o erro vergonhoso cometido pelo fritador de fígados, sim?

Crase com os verbos ir e vir

Daí a fidumaégua da crase começa a exigir um cadim mais de raciocínio. Desistir, nunca; render-se jamais! Se você costuma ir até o fim nos videogames, por que desistir no meio da crase?

Seguinte: alguns nomes geográficos ou de lugares pedem preposição mais artigo; outros pedem só preposição (lembre-se: você vai pra Europa com um passaportezinho básico, e vai pros Estados Unidos com passaporte, visto, foto, autorização, carta de recomendação e duas trancinhas da Alcione. Há lugares que pedem o básico, outrs pedem um pouco mais. Mas isso é besteira. Ignorem esses parênteses.)

Por isso, temos:

Vou à Bahia

Vou a Brasília

Vou à França

Vou a Paris

Ah, bruxa! como eu sei quando tem e quando não tem crase?

É fássio! Vamos trocar de verbo! Sai o verbo ir, entra o verbo vir:

Venho DA Bahia <– Olha outra combinação aí, gente! Preposição de + artigo a. Se tem preposição MAIS artigo, vai ter sempre crase!

Venho DE Brasília <– cadê artigo pra justificar a crase? A preposição de ficou sozinha, coitada! Abstêmia, num vai tomar chopinho!

Venho DA França

Venho DE Paris.

 

Pra você não esquecer mais isso, vale aprender a seguinte trovinha:

Se quando eu venho, eu venho da,

quando eu vou craseio o a,

Se quando eu venho, venho de,

Crase no a pra quê?

 

Isso me lembra de um diálogo que eu travei com minha prima. Tadinha, ela provavelmente queria fazer alguma pegadinha comigo, esperando que eu estivesse desprevenida, mas não deu. Virou-se para mim e disse:

Qual o correto, vai à merda ou vai para a merda?

Eu respondi inocentemente, sem nem pensar no que dizia, crente que ela estava apenas a tirar uma dúvida comigo:

Se você crasear o a, tanto faz querida. Vai nas duas!

Tadinha, ela ficou de queixo caído, sem ter nem o que responder…

 

Crase antes de palavra masculina? Explica….

E finalmente chegamos aos 0,0001% dos casos. Crase antes de palavra masculina. Naonde que isso acontece?

Vamos acompanhar a evolução do meu raciocínio:

1- Fulano foi à confeitaria <- certim. Troca-se a preposição, Fulano foi para a confeitaria, temos preposição + artigo a, então temos crase. Próxima, por favor!

2- Fulano foi àquela confeitaria que sua namorada lhe recomendou. <- Epa! Pode isso, Arnaldo?

Pode, sim! A regra é clara: Temos uma preposição seguida não de um artigo, mas de um pronome demonstrativo! (Ah, mas você disse lá em cima que não pode crase antes de pronome! (ô, ameba! Eu disse que era pronome RETO, e citei eles! Lê direito e não me estressa, saco!) Vamos substituir a preposição?

Fulano foi para aquela confeitaria que sua namorada lhe recomendou.

O que eu quero mostrar aqui é que os pronomes demonstrativos são uma classe que admite combinação:

Encontrei beltrano naquela situação (em+aquela = preposição + pronome demonstrativo). E, se admite combinação, admite crase, oras! então,

Fulano foi àquela confeitaria

pódji, simssinhô!

3- Fulano foi para aquele lugar. <- Epa de novo! Temos uma preposição, mas a palavra seguinte é masculina! Ah, eu não vou botar crase antes de palavra masculina porque eu aprendi que não pódji!

E eis que é chegado o momento de você largar seus remedinhos tarja preta e abandonar aquele vício que eu mesma incentivei lá em cima. Aqui é possível crase antes de uma palavra masculina, ameba! Você está diante de uma das raras situações em que isso é permitido! Vamos, pode escrever! Confie nesta Bruxa!

Fulano foi àquele lugar.

Viu? Não doeu nada! A crase atendeu a todas as exigências do mercado e necessidades do cliente! \o/

 

Espero de coração que você tenha entendido TUDO de crase. Se não, faça o favor de clicar aí nos comentários e encher esta Bruxa de dúvidas, perguntas e sugestões.

Eu juro que atualizo este post!

Fundeu

terça-feira, maio 24th, 2011

Pra quem não entendeu e precisa de explicação, selecione o espaço em branco abaixo:

Existem dois verbos em questão. O verbo fundir = derreter metal e o verbo foder = praticar ato sexual.

A mesa ganhou o particípio passado do verbo errado. E o título deste post foi um trocadilho com a… er… troca de verbos.

#prontoexpliquei.

(Com agradecimentos à @Madycris, ao @jampa e ao @danielperrone por me enviarem esta tetéia via twitter)

O quiproquó do livro do Mec – uma opinião terceirizada

sábado, maio 14th, 2011

Antes de começar o post propriamente dito, informo que este blog está em greve de polêmica.

Vão discutir com o pai dele?

Aqui tem quiproquó, debate, discussão, peleja, contenda, argumentação e controvérsia. Basta de polêmica! Vou dar férias a essa palavrinha que tá me torrano os pacová.

E vou aproveitar essas três últimas palavras da frase acima (torrano os pacová) pra dizer que língua é um troço vivo! putaquepariu, bruxa, é nisso que dá deixar de trepar sexta à noite pra ficar blogando! Fala merda de duplo sentido! Reescreve esse troço aí, bosta! enfim, toda e qualquer língua está em constante evolução.

Existe aquela infeliz daquela Norma Culta, que sempre impõe suas regras (quando falo em Normal Culta impondo regra imagino uma normalista de sobrenome Culta naqueles dias do mês, mas deixa isso prá lá).

Devemos seguir, sim, dona Norma Culta em situações oficiais (provas, concursos, vestibulares, redações oficiais e institucionais em geral). Mas a língua dita no dia a dia, nas ruas, no interior, os sotaques, expressões… não é lá muito amiga da dona Norma, não…

Vamos combinar que não se deve começar um texto oficial com a expressão vamos combinar, por exemplo. E também não se deve encerrar essa redação com palavras como me torrano os pacová.

Mas é gostoso escrever assim. É gostoso se comunicar de forma livre, leve e solta. Curto muito chamar meus leitores e interlocutores de zifios. Esse vocativo não existe em nenhum dicionário, mas e daí? Claro que não vou me referir oficialmente a um juiz ou a um presidente de banca como mizifio, mas eu conheço as regras, e sei como, onde, quando, com quem  e por que quebrá-las <– isso é o mais importante!

E o que dizer, então, das expressões do twitter todos chora, todos reclama, ou corrão, vejão, leião? O mais curioso é perceber quequem usa essas expressões são pessoas que têm plena consciência de que estão escrevendo errado – e mesmo assim o fazem, pelo prazer do escárnio ou de quebrar as regras. E aí, comofas?

É por isso que essa discussão do livro adotado pelo MEC tá me dando uma gastura tão grande que eu vou kibar opinião alheia. Kibada portuguesa, claro.

Li essa carta oficial do Maurício de Sousa na revista Chico Bento de abril de 2010. Na época, cheguei a pensar em postá-la aqui no caldeirão, mas não havia versão dela na Web, eu teria que digitar tudo, baixou preguiça e eu deixei prá lá.

Treze meses depois, veio esse quiproquó do MEC, eu resolvi jogar a carta no Google e achei o texto inteirinho no blog do Ricardo Marques, a quem acendo uma vela pelo trabalho de digitação que eu troquei pela preguiça. A cigarra aqui agradece à formiga, zifio! \o/ 😀

Enfim, depois desse narigão de cera e da kibada portuguesa, digo que minha opinião sobre esse tema foi dissertada em 2010 por Maurício de Sousa (que, ora vejam vocês, tomou posse como membro da Academia Paulistana de Letras esta semana! PARABÉNS, MAURÍCIOOOOOOOOOOOO!!). Na ocasião (não na posse da APL, em abril de 2010! Se situa, rapá!), Maurício defendia a linguagem usada por Chico Bento, e explicava por que ela não faz mal ao aprendizado dos petizes.

Mas eu sou fã mesmo é do Zé Lelé! Curto muito esse caipirão bobão! \o/

Viva o caipirês!
O Chico Bento foi criado em 1961. Desde então, virou um ícone do caipira brasileiro. E com muito orgulho. Mas ainda tem gente que acha que o jeito dele falar é prejudicial aos pequenos leitores.
Não concordo! Uma criança forma o seu vocabulário de acordo com o que ouve ao seu redor: na família, na escola ou na sociedade. Ela não modifica seu jeito de se expressar por ler histórias do Chico Bento. Se fosse assim, já imaginou quanta gente bem crescida falaria “caipirês” até hoje?
É preciso lembrar que Chico Bento vive a realidade da zona rural. E com sua personalidade doce e pura, além de muito humor, fala da preservação do meio ambiente, da vida no campo e do nosso folclore. Ele pode até não estar entre os melhores alunos da escola, mas dá aula quando o assunto é a sabedoria de como viver.
O Chico nos mostra um Brasil gostoso, saudável, onde a criança tem espaço e elementos para experimentar, interagir e viver a infância em toda sua plenitude. E mostra isso falando no mais puro e gostoso “caipirês”. Quer coisa mais fofa?
Extraído de “Chico Bento” edição n.° 40 Abril de 2010

E depois dessa, eu deixo que os doutos comentaristas da CBN (ah, eu nem me dei ao trabalho de ouvir o que eles disseram, mas imagino. Vocês podem me crucificar por isso, mas agora não que eu tô com gastura… 😛 ) argumentem seus saberes com a prática e a experiência do Maurício. (Tô começando a curtir essa coisa de terceirizar briga… vou aprimorar a técnica, depois eu ensino procês)

Didática do Trauma. Aula nº3: como (não) usar corretamente a expressão “diferencial competitivo”

quarta-feira, maio 11th, 2011

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula traumatizante da Madrasta do Texto Ruim.

Hoje eu vou explicar pra vocês, de uma vez por todas, por que diferencial competitivo é uma expressão vaga e imprecisa, incapaz de passar uma mensagem direta, ela apenas insinua não sei bem o quê.

“Ah, dona Bruxa, eu acho que as funcionalidades de uma solução são um diferencial competitivo de minha empresa”, dirá você, ameba escrevente.

“Ah, dona Bruxa, eu acho que diferencial competitivo é uma coisa que agrega valor”, completará sua coleguinha.

Daí eu mostro pra vocês, oh amebas, pra que serve a expressão diferencial competitivo. O ÚNICO CASO em que a coisa foi bem empregada.

Do Portal Correio:

Pastor troca esposa pelo cunhado e pede guarda dos filhos
Um caso no mínimo inusitado chamou a atenção dos 78 mil habitantes de Cacoal-RO. Um homem de 36 anos separou-se de sua esposa de 23 anos para ‘casar-se’ com o cunhado de 38.Flávio Serapião Birschiner estava casado há dois anos com Ana Paula Rochinha Birschiner.(…)
Ana Paula acredita que seu casamento se desfez pela constante recusa em praticar sexo anal com o marido. Ela revela que “ele era obcecado por sexo anal”. Ela ainda afirma que confidenciou isso ao irmão, que a apoiou. Ana Paula acha que seu irmão se valeu desta informação para oferecer ao marido um diferencial competitivo.

Entenderam, amebas?

Então, a menos que você queira referir-se à prática de sexo anal, não saia por aí falando em diferencial competitivo.

E aqui eu deixo meus cumprimentos à Adriana Bezerra, autora desse texto di-vi-no, e à Nalu Nogueira, que me avisou da existência dele via Twitter.

P.S.: Parece que essa notícia deve ser falsa (traduzindo: não tenho a mais vaga idéia se essa notícia é verdadeira ou  não). Verdadeira ou falsa, ela não invalida a didática do trauma. Grata. 😀

O texto do querido Virundu

quinta-feira, maio 5th, 2011

Descobri a necessidade deste post graças a uma consulta que o Wagner Fraga me fez via Twitter. Joguei a frase “ouviram do Ipiranga às margens plácidas”, assim mesmo, com essa crase errada, no Google. Descobri que em vários sites a letra do Hino Nacional Brasileiro está errada!

Oras bolas, não tem mais aula de interpretação do texto do Hino Nacional Brasileiro nas escolas, não? Antes que me respondam de forma negativa, faço outra pergunta: desde quando as escolas brasileiras deixaram de ensinar os símbolos e os valores de nossa pátria, hein?

Pra quem não conhece a história do Hino Nacional Brasileiro (ou O Virundu, pra quem curte um apelido carinhoso), melhor ir direto pra essa página da Wikipédia em português – e deleitem-se com a letra do Hino em língua tupi. Um arraso! \o/

Mas não tô aqui pra falar de Duque Estrada nem de Francisco Manuel. Vamos reler a letra do nosso Virundu, na tabela abaixo, à esquerda. Como vocês podem reparar, a coisa tá com ares de que tá fora de ordem (mais especificamente, em ordem indireta). Trata-se da figura da inversão:

Também é considerada como figura de construção a “Inversão”, aonde ocorre a mudança da ordem direta dos termos na frase (sujeito + predicado + complementos).
Exs.:”Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante” (Hino Nacional Brasileiro) (ordem direta: As margens do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.)

Então, vamos colocar o texto em ordem direta pra entender a bagaça.

Letra oficial Texto em ordem direta
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

 

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,

De amor e de esperança à terra desce,

Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

A imagem do Cruzeiro resplandece.

 

Gigante pela própria natureza,

És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

As margens plácidas do Ipiranga ouviramo brado retumbante de um povo heroico,

e, nesse instante o sol da Liberdade brilhou,

em raios fúlgidos, no céu da Pátria.

 

Se conseguimos conquistar com braço forte

o penhor desta igualdade,

em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito

desafia a própria morte!

 

Ó Pátria amada ,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil , se a imagem do Cruzeiro resplandece

em teu céu formoso, risonho e límpido,

um sonho intenso, um raio vívido

de amor e de esperança desce à terra.

 

És belo, és forte, impávido colosso,

gigante pela própria natureza,

e o teu futuro espelha essa grandeza

 

Ó pátria amada,

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

 

Deitado eternamente em berço esplêndido,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

Fulguras, ó Brasil, florão da América,

Iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Do que a terra mais garrida

Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,

“Nossos bosques têm mais vida”,

“Nossa vida” no teu seio “mais amores”. (*)

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, de amor eterno seja símbolo

O lábaro que ostentas estrelado,

E diga o verde-louro dessa flâmula

– Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

Ó Brasil, florão da América,deitado eternamente em berço esplendido,

ao som do mar e à luz do céu profundo,

fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Teus campos lindos, risonhos, têm mais flores

do que a terra mais garrida; [e assim como]

nossos bosques têm mais vida,” [também]

“nossa vida” no teu seio [tem] “mais amores”

 

Ó Pátria amada,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, [que] o lábaro estrelado que ostentas

seja símbolo de amor eterno,

e o verde-louro dessa fâmula diga:

– Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues a clava forte da justiça,

verás que um filho teu não foge à luta,

[e] quem te adora não teme nem a própria morte.

 

Ó pátria amada!

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

 

O asterisco (*) indica as citações do Hino à Canção do Exílio, de Gonçalves Dias e que, por isso, devem ser grafadas com aspas.

E antes de eu seguir adiante, faz-se mister ah, eu acho essa expressão linda! O problema é como usá-la sem ficar ridículo. explicar essa história de arrumar a ordem das frases do Hino. Eu sabia que isso já tinha sido feito antes, e descobri a tarefa pronta neste site aqui. Mesmo sem a licença da digníssima autora, copiei o conteúdo. Mas faço questão de avisar que a autoria da ordem direta do Hino não é minha.

Isto posto, voltemos à letra. Ficou bem mais fácil de entender a mensagem, né? Espero que também tenha ficado claro por que não existe crase na frase ouviram do Ipiranga às margens plácidas. (É porque, em ordem direta, a frase vira as margens plácidas do Ipiranga ouviram (…) . Há quem interprete a frase como sujeito oculto: [eles] ouviram às margens plácidas do Ipiranga, mas essa interpretação está simples e solenemente errada. Foram as margens plácidas do Ipiranga que tiveram o trabalho de ouvir o brado retumbante de um povo heroico etc. e tal.)

Aliás, fico passada como tem gente que não sabe o que é um brado retumbante! Gente, brado retumbante é libertador, viu? Brado = grito; retumbante = que retumba, que ecoa. Não é um grito qualquer, é um belo de um grito. E com équio! 😀

Se nego ainda não percebeu que o tema da primeira estrofe é o grito de Independência, melhor tomar um cafezinho e voltar com neurônios renovados.  Mas a segunda estrofe já traz um certo complexo de vira-latas: “conseguimos conquistar na marra o penhor da igualdade” <– quer dizer, a igualdade é nossa, mas a gente pagou por ela um preço que a gente inda num sabe  se vai conseguir pagar. Penduramos as joias pra termos um cadim de igualdade. Medo, muito medo. (ou será que o braço forte da história indica que o penhor da igualdade acabou por ganhar um belo dum calote? enfim, quero só ver você, aluno copião e colão, se livrar dessa minha análise sozinho, por conta própria, sem perder o sentido e sem sue professor perceber sua kibada. RÁ!)

No mais, o Novo Mundo ou Novo Continente são as Américas (do Norte, Central e do Sul), em contraponto ao Velho Mundo ou Velho continente (a Europa). E o Cruzeiro que resplandece não é referência à antiga moeda brasileira, não. Trata-se da constelação do Cruzeiro do Sul, facilmente vista no céu brasileiro.

Quanto à coleção de palavrinhas que você deve estar se perguntando que raios significa (lábaro? florão? garrida?) prometo fazer um post só com os significados dessas palavras, porque este daqui já abusou do direito de ficar enorme!

E se você chegou até o fim deste texto perdidaço por não saber que negózdi O Virundu é esse, eu explico: O Virundu é o som criado no embalo do cantar das duas primeiras palavras do hino: “Ouviram do”. RÁ!

Mas espere! Você sabia que a primeira parte do Hino Nacional, que não é cantada, tem letra?

Vamos ouvir essa historinha deliciosa:

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