Arquivo pela categoria 'Assaltaram a gramática'

Didática do trauma nº 5: O spam de CD-ROM e por que não usar a palavra “necessidade” como se fosse bosta

sexta-feira, outubro 21st, 2011

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula traumatizante desta bruxa que vos fala.

Marido recebeu um spam e-mail marketing com um texto tão horroroso que eu não vou deixar passar. Não me digam que spam e-mail marketing é tudo igual, porque este é diferente: é pra vender um CD-ROM com aulas de… redação e gramática! Entenderam por que eu não posso deixar passar em branco?

Pois eu vou aproveitar esse spam tenebroso que baixou por aqui pra aplicar mais uma didática do trauma. Acompanhem mais este trauma proposital da Bruxa, amebas!!!

Enfim, como eu dizia, marido recebeu spam e-mail marketing para venda de um produto. Produto à venda: CD-Rom com aulas de gramática, novas regras ortográficas e redação. Fui ler, claro. Afinal de contas, meus instintos suínos me diziam que COM TODA A CERTEZA DO MUNDO a apresentação não seria das melhores.  E não é que eu tava certa? Ó o texto que acompanha a bagaça:

Nosso material foi desenvolvido a partir das necessidades [Pronto! Já descobri o erro crasso de produção: o material foi desenvolvido a partir de necessidades, e não a partir de fontes acadêmicas de ensino de Língua Portuguesa. Fora que eu já comentei isso por aqui, quando eu leio que um torço surgiu a partir das necessidades de alguém, imagino esse alguém sentado no troninho, com IPhone em mãos jogando Angry Birds ou tuitando (sou moderna, me deixa!) enquanto…er… satisfaz as necessidades. Papel higiênico acompanha, claro!] que eram encontradas [Agora que eu já deturpei sua imagem de a partir das necessidades, imagine só por um momento uma pessoa a caminhar tranquilamente pela rua e encontrando uma grande necessidade no meio do caminho! Pronto, de nada por acabar de vez com seus ímpetos de usar a palavra necessidades a esmo.] por aqueles que desejavam aprender a escrever de forma profissional [o que seria escrever de forma profissional? zifio quer se tornar escritor? Ou o zifio quer escrever corretamente os textos produzidos em seu ambiente profissional? Neste caso, melhor seria dizer aprender a produzir textos com finalidades profissionais, ou coisa do tipo, né?]   ou necessitavam [Se necessidades = cocô, então necessitar = (complete com a expressão adequada). Em outras palavras: nego decretou que o verbo PRECISAR deve ser abolido do dicionário, depois não sabe mais o que fazer quando se embanana pra dizer que geral PRECISA.] analisar adequadamente produções textuais diversas [uau, que troço pomposo! Acho que é isso o que eu faço aqui, né? OK, tirem o adequadamente da frase.], encontrando-se [BINGO!!!! OLHA O ENCOSTO GERUNDOL DANDO AS CARAS!!! Gerúndio desnecessário num texto é prenúncio de fez-se a bosta. Vamos acompanhar?] atualizado [E voilà! O sujeito desta frase é aqueles. Todos os verbos anteriores – desejavam e necessitavam – estavam no plural. O atualizado escapuliu! com as novas regras do acordo ortográfico da língua portuguesa”[Deu medo nocê também, né?]

Agora olhe para o parágrafo daí de cima e compare a quantidade de caracteres vermelhos (o texto original) e a de caracteres azuis (minhas esculhambadas). Seguinte, zifio: quando o texto estiver mais azul do que vermelho, é sinal de que ele ficou tenebroso!!!!

 

E ELES QUEREM ME CONVENCER A COMPRAR ISSO?!?!?!?!?!

Omenajem a Esteve Jobs

sexta-feira, outubro 7th, 2011

Texto originalmente postado no Te dou um dado?, mais precisamente aqui.

Seguinte: tô exausta demais pra exorcizar este texto. Mas como soltei boas gargalhadas, faço questão de compartilhar a tetéia aqui cocêis tudo.

Se tiver tempo/forças, prometo exorcizar depois.

Mulher maca faz uma dedicatoria a Esteve jobs presidente da apple falecido.

Gracy Kelly a mulher maca se sentiu tocada com a morte de Esteve Jobs. Ela acredita que boa parte de seu sucesso nacional e principalmente internacional tem haver com o simbolo da apple que vem a ser uma maca . No ano em que comecou a aparecer na midia como a mulher maca por coincidencia foi o mesmo da ascencao da empresa americana. Mesmo nunca tendo conhecido esse genio inventor de grandes modernidades ela se sente profundamente agradecida pelo maca vir a ser o simbolo da empresa que vem a ser seu apelido desde adolescente. Ela promete fazer uma nova tatuagem com o simbolo da apple para eternizar o seu agradecimento.

Pronto! depois eu volto!

Se um jornalista te pedir pra “conferir”, cuidado: ele quer que você faça o trabalho dele! (ô, raça!)

quarta-feira, agosto 24th, 2011

A coisa já vinha me incomodando há algum tempo. Pensei em fazer um post a respeito, mas preferia sempre enviar o link pra obra-prima do Hector Lima. Mas já que ele me autorizou, deixa eu kibar o texto dele. Kibada portuguesa: copio o texto, colo aqui, cito a fonte e dou o link pro site original, claro! 😀

Enfim, ponha só uma coisa na sua cabeça: se alguém te pedir pra conferir alguma coisa, tá pedindo pra você verificar por conta própria se a coisa tá certa. Se um jornalista te pede pra fazer isso num texto, o que ele diz em síntese é o seguinte: ó, listei esses troço tudo aqui mas não conferi nada. Confira o que abre e o que fecha nesse feriado, porque eu não fiz o meu trabalho direito!

Mas deixemos que zifio Hector aborde o assunto:

Campanha pelo fim do ‘Confira’

Por Hector Lima [27.11.2009]

Esses dias um de nossos colaboradores perguntou por que eu havia editado seu texto e mudado o “confira” pra “veja”. Essa é uma questão que estou pra abordar faz tempo aqui na Goma, e vivia adiando pra não parecer chato nem metido, mas é algo importante para a saúde e o bem estar da população – então vamos lá:

Pare de usar o verbo CONFERIR no imperativo.

“Tá maluco, Hector?” Sim, maluco de amor pelos meus olhos e ouvidos. Eles sangram toda vez que ouço ou leio o verbo “conferir” ser usado no sentido de “veja”, “leia” ou “olhe” e afins.

No Jornalismo em geral é muito comum ele ser usado assim. Na TV não tem um dia em que eu não ouça pelo menos uma vez. Nas mídias impressa e digital a mesma coisa, talvez mais ainda. Mas o verbo ‘conferir’ não tem esse sentido. Veja:

Conferir

v.t. Verificar, ver se está certo.

Comparar, confrontar.

Dar, conceder, outorgar (prêmios, honrarias).

V.i. Estar exato, conforme: a cópia e o original conferem.

Sinônimos de Conferir

certificar, confirmar, corrobar, reconhecer e verificar

Dizer confira o texto [as imagens, a matéria etc] é a mesma coisa que dizer verifique pra ver se está certo. E não é isso que você está querendo dizer, né? Você não quer que seu leitor \ telespectador \ ouvinte seja um conferidor de uma lista de itens. Quer que ele “veja” ou “leia” aquilo que você quer apresentar.

Se o seu mundo caiu, sua cabeça explodiu e o chão parece ter sumido abaixo de seus pés, mal aê. Mas é isso. ‘Confira’ não deve ser usado para dizer ‘veja’, mas infelizmente muita gente faz esse uso errado. Nossos irmãos d’além-mar concordam.

Momento Prof. Pasquale: tudo bem… o uso, mesmo errado, força informalmente que certos casos tornem-se aceitos porque a língua evolui conforme o uso, não conforme as regras formais. O uso sempre causa a transformação. Isso rolou com ‘suporte técnico’, ‘liga pro suporte’, que é uma tradução literal do ‘support’ inglês. O certo seria usar ‘apoio’, ‘assistência [técnica,em alguns casos]‘. Mas com o uso acabou virando o sentido comum e aceito.

No caso do ‘conferir’ isso também pode acontecer e eu sou a favor da informalidade sempre, do popular, isso você já sabia. Mas no caso do ‘conferir’ isso é tão feio que eu não resisto. Morre um animal em extinção a cada vez que algum jornalista fala isso na TV, ou escreve em algum texto. É frescura minha, sim, mas é mais forte que eu, me recuso a aceitar.

Assim como todo mundo parou de usar “risco de vida” e trocou pra “risco de morte” é muito fácil fazer essa mudança – só começar a usar do jeito certo. Então é isso: pare de usar “confira”, prefira usar “veja”, “leia” e afins. Até “óia” tá valendo. Seu público e a Goma agradecem.

Resultado do exame via web: texto turvo, cor amarelo-citrino

quarta-feira, julho 27th, 2011

Dileta ectoplasma suína me envia e-mail fofo:

Fui acessar o resultado de um exame clínico no site do laboratório e ao clicar no link da ajuda, pulou da tela um texto que mais confundiu do que esclareceu!

Pois vejam o que confundiu a zifia (aviso: o festival de caixas altas e baixas são originais do autor, tenho nada a ver com isso. E não me peçam explicações para o fenômeno, tampouco as tenho!):

Informo, [Essa vírgula aí faz o quê, zifio?] que todos resultados INDIVIDUALIZADOS por paciente, [Se os resultados são divulgados por paciente, então por definição eles são individualizados. Prá quê a explicação enfática de que eles são individualizados? Não entendi! Como também não entendi a função da vírgula depois de paciente] podem ser visualizados e impressos via WEB, onde na etiqueta de cod. de barras [vaiveno a gênese da confusão! O negócio é via web onde na etiqueta. Só eu que entendi que a tal da etiqueta de código de barras está na Web?], qual o PACIENTE RECEBE QUANDO EFETUA A COLETA [Não! Aqui vem a explicação: a etiqueta com código de barras é entregue ao paciente no momento em que ele colhe material para exame! Mas de onde, por que e para que surgiu esse qual eu não sei explicar, não senhores!], QUE ESTA ANEXADA NO CANTO DIREITO DO PROTOCOLO DE RETIRADA DE EXAMES [Aí ferrou de novo: é a coleta que está anexada no canto direito do protocolo? Que que tem a ver protoocolo com coleta com código de web? Quem disse eu?] , onde [Segunda vez que aparece um onde pra confundir azidéia da coisa! Reparem que ponto que é bom ainda não deu as caras!] o numero maior ali constante (que contem dez algarismos), e o USUÁRIO (logim)[logim eu não conheço, nunca ouvi falar. Conheço login. Mas deixa prá lá, não vou ficar procurando confusão num texto que já é auto suficiente no quesito!] e, o numero menor, no final da etiqueta, de 05 algarismos e a SENHA [Eu tenho cá pra mim que uma dessas conjunções e na verdade é o verbo ser: é. Sem acento! Mas qual é qual, não sei. só sei que o festival de vírgulas aí só se explica se o autor, no fundo no fundo, acreditar que assim ficou bonitinho!],  PODENDO [tava faltando um gerúndio sem necessidade pra dar a liga final nesse textinho de bosta! Agora não falta mais nada!] ATRAVÉS DO SITE:WWW.labclim.com.br, RETIRAR SEU RESULTADO [quem pode retirar o seu resultado? é seu de quem?]

Pra variar, dá pra perceber o índice de ruindade do texto (ruindade = texto ruim, e não texto malvado) pela quantidade de azul da mancha do parágrafo daí de cima. Quanto mais azul, pior está o texto. Mas olha só como os cabra se amarra em complicar uma coisa tão fácil:

Acesse e imprima o resultado dos seus exames via web, em nosso site www.labclim.com.br.

Para isso, basta digitar no site os números que constam no canto direito do protocolo de retirada de exames: usuário (o número com dez algarismos) e senha (de cinco algarismos).

Viu só? Duas linhas e meia, duas frases.

Mas nego compliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiica….

O benfeito é bem-feito. Calma que eu explico!

quinta-feira, julho 21st, 2011

Adoro esses quiproquós do Twitter!

*** aqui começa um breve nariz de cera. Leia se tiver saco***

Agorinha há pouco a Rosana Hermann tava reclamando que bem-feito a partir de janeiro deverá ser escrito benfeito. Daí que várias pessooas reclamaram da nova ortografia pereré pão duro blablablá todas discute no Twitter (por favor, não corrija o português, sei que está errado, foi de propósito). Eis que a Marinilda (já disse que curto horrores a Marinilda? Gente, curto horrores a Marinilda, viu?) bateu o pé e disse que benfeito não existe nem jamais existirá. Daí que esta anta que vos fala foi ver o que Evanildo Bechara tem a dizer a respeito. E num é que a Marinilda tá certa, sô?

*** aqui termina o breve nariz de cera. Pode ler daqui pra baixo!***

Enfim, que eu fui ver qual é a desse negózdi bem-feito. Diz a 2ª Edição ampliada e atualizada pelo Novo Acordo Ortográfico da Gramática Escolar da Língua Portuguesa, de Evanildo Bechara (p. 611):

Em muitos compostos, o advérbio bem aparece aglutinado ao segundo elemento, quer este tenha ou não vida à parte quando o significado dos termos é alterado:

  • bendito (= abençoado),
  • benfazejo,
  • benfeitor,
  • benquerença e afins:
  • benfazer,
  • benfeitoria,
  • benquerer,
  • benquisto,
  • benquistar,
  • benfeito (substantivo; = benefício); cf. bem-feito (adjetivo = feito com capricho, harmonioso), e
    bem-feito! (interjeição)

Em língua de gente, é o seguinte:

Quando você quiser dizer “troço feito direito”, pode escrever bem-feito, assim, com hífen. Vai na fé de Bechara e seja feliz.

Mas se a sua intenção é dizer que o negócio é um benefício, aí você junta tudo, troca o eme pelo ene (porque aquele papinho de antes de p e b só se usa m não vai morrer tão cedo), escreve benfeito, entende que é substantivo e se agarra dicumforça em Evanildo Bechara pra se garantir na história toda.

Porque se você se agarrar a Tio Antônio Houaiss, ele vai te dizer que benfeito é como você deve escrever bem-feito de agora em diante.

(Prevejo confusão, brigas, balbúrdia e desentendimentos em janeiro de 2012 por causa desse (des)acordo ortográfico. Inda bem que em dezembro de 2012 o mundo acaba…)

Realeza remontada – ou a Real Vergonha Alheia

sexta-feira, abril 29th, 2011

Daí que neste dia de casório real lá pelas terras inglas (copyright Barão de Itararé) de dona Elizabeth, recebo via twitter do @ramiro_fc o link para o site da Família Real Brasileira. Se você começou a rir só de ler o título, você vai chorar ao clicar no link. Porque para um tema do qual só se espera pompa e circunstância, o nível do português é de xurraxcão na laje. Isso, claro, é preconceito meu, porque aposto que frequentadores de churrascos em lajes devem falar português muito mais castiço do que o dos Orleans e Bragança versão brasileira.

Só pra dar uma idéia do nível da bagaça, permitam-me esculhambar reescrever o texto sobre a Casa Imperial brasileira, que pode ser lido aqui (antes de ler, reparem na quantidade de texto vermelho, original, e na quantidade de texto azul, minhas observações. Isso da idéia da quantidade de bosta que eu enfrentei…):

A Família Imperial Brasileira

Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial, [Vossas Altezas vão me desculpar, mas essa vírgula foge ao protocolo. Ponto funcionaria melhor, sabe?] os poucos que conhecem conheceram [conhece ou conheceram? As Altezas, certas de sua superioridade dinástica, furtaram-se ao simples ato de releitura e correção de uma redação? afff!] a face desta família, que fora construida [Aê, Altezas: vamos coroar esse verbo com um acentinho básico? Acento esse que, claro, é muito inferior à imperial Coroa – mas obrigação protocolar, sabe? cons-tru-Í-das. Grata.] sobre o imaginário republicano[não entendi como pode uma família real construir-se sobre o imaginário republicano, mas né? Diz o protocolo que não se deve questionar reis e rainhas – tampouco dizer HEIN? ACUMA? IXPLICA? E como eu não estou aqui pra quebrar protocolos, calo-me]. Depois de 114 Anos de República, e tendo nossa Pátria resistido os mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. [com todo o respeito, mas eu acho que Vossas Altezas não entenderam direito como se pontuam frases em bom Português. O ponto é como se fosse uma tecla de enter, pra jogar a informação da frase pra dentro do cérebro. Já a vírgula é pra arrumar as idéias dentro de uma mesma frase. Portanto, oh, altezas, esse ponto ficaria melhor se fosse vírgula, OK?] A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação [Aham, Altezas. Mas deixa isso prá lá. Não quero entrar no mérito do conteúdo do texto. Tô aqui pra corrigir a gramática e a pontuação…] . Nossos príncipes remontam a […, caso da crase faltante desse a aí do lado] época da Indepêndencia do Brasil, e poucos sabem que na realidade remontam a Hugo Capeto (940-996) que fora Rei da França em 987 [tá, geral na Família Imperial é tudo remontado, isso deu pra entender. Mas se vossas Altezas aceitassem um reinado de precisão redacional em vossos altivos neurônios, teriam explicado que a Casa Real Brasileira inaugurou-se na época da independência com a coroação de D Pedro I, monarca oriundo de uma linhagem (esta sim) que remonta a Hugo Capeto. Vou nem questionar vossos altivos conhecimentos de história. Tô só colocando os pingos no  is, OK? e ó, vou creditar como esbarrão de dedo: indepenDÊNcia tá com o acento na sílaba errada. tem que ver isso aí – Obrigada pelo aviso, Ana! 😀 ] . Isto a precisamente a 1017 Anos [Olha, Vossas Altezas que me perdoem a expressão chula, mas preposição a pra indicar tempo passado É O CARALHO vosso altivo membro peniano!! E ainda dizem “precisamente”!!! Atenção, portanto, monarcas e plebeus luso-parlantes: tempo passado é indicado com o verbo haver; tempo futuro é indicado com a preposição a. Juro por Deus que vou fazer um post especial só sobre isso! Mas o lance do Hugo Capeto foi HÁ precisamente 1017 anos!!!! Vou nem entrar no mérito de Anos grafado com maiúscula, nem que números maiores que 1.000 precisam desse pontinho pra separar as ordens de grandeza] !!
Tendo [eu TENHO uma implicância especial com frases iniciadas por gerúndio] na sua árvore genealogica, [Façam o favor de rapar fora essa vírgula daí que ela não serve pra nada?: Gradicida! E genealÓgica tem acento, ô coisa! (deu pra reparar que eu tô perdendo paciência, pompa e circunstância com esse povinho, né?)] obviamente a Princesa Isabel, Dom Pedro II, Dom Pedro I e Dom João VI [contradição detectada: como pode a família real brasileira “remontar-se” à época da independência, e o parágrafo seguinte listar na família real Brasileira D. João VI, que nunca foi imperador do Brasil, mas do REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVE? Coerência histórica, a gente não vê por aqui!]. Os príncipes do Brasil tem em linha varonil direta, [Não sei se me irrito mais com essa vírgula mal colocada ou com a linha varonil direta… tô aqui imaginando uma vara de quase 800 anos de comprimento, mas deixa isso prá lá. E eu fiquei tão impressionada com a vara de 800 anos 😮 que nem reparei que os príncipes do Brasil tÊm. Não fosse uma leitora pra avisar, passaria em branco! ] São Luiz (Luiz IX) Rei Cruzado da França (1214-1270) pela parte Orleans. Pela parte Bragança remonta a Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança, que se casou com a filha de Dom Nun’Alvares Pereira, Condestável de Portugal [Condestável? Pedi socorro pra tio Antônio Houaiss, que me contou que condestável é um posto militar que só perde em importância pro rei. Mas isso não aplacou minha sana por trocadilhos infames, ah, não aplacou!] .
[MA CHEEEE! Quebrou parágrafo por quê? O assunto continua o mesmo…. Outra coisa: começar frase com conjunção aditiva E não é pra qualquer um, não! Eu faço isso direto, mas releio meu texto e vou trocando sempre que possível! Esse e daí ficou HOR-RO-RO-SO!] E também pela parte Wittelsbach remontando [ô fixação por montaria, viu? Ticontá…] a Oto de Wittelsbach (Conde Palatino da Baviera em 1156). [De novo! Esse ponto daí não tem nada a ver com o andamento do texto! Taca vírgula, ô coisa! <– é, meu protocolo foi-se todo] Vemos bem que a nossa família imperial remonta a muito mais tempo do que imaginamos [eparrê-iansã! Essa frase tá tão mal construída, mas tão mal construída (culpa da fixação por montaria), que esse a daí tá mais pra verbo haver. Ou não? Na dúvida, melhor reescrever!] !
É sendo assim que com orgulho [<– É sendo assim que com orgulho? Esse texto deu foi Vergonha Alheia, isso sim!] divulgamos a nossa Causa [Ok, este trocadilho eu não perco: é pra divulgar a casa ou a caUsa? QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA prontopassou] , que é pela Restauração da Monarquia no Brasil [mentira, não passou, não! vou rir de novo aqui: QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA], interrompida por uma quartelada que não chegava a representar 1% do Exército na aquela época [na aquela época? G-zuz! Mas enfim, aham, altezas. Acho só que vossas imperialezas já se esqueceram do plebiscito de 1993… tsk, tsk, tsk, memória seletiva, que coisa mais feia…] . Erram, e erram feio [e ó: aqui caberia uma vírgula, sabe? Cadência, elegância…] aqueles que pensam que a República fora [ai, que mais-que-perfeito feioso!] um regime que trouxe a democracia ! Vejam quantas vezes esta “democracia” fora[Pros que não entenderam a ironia, a palavra certa pra definir o mais-que-perfeito aqui e na outra frase não é “feioso”. É “errado’, mesmo!] interrompida por golpes, mandos e desmandos ! E lembrai-vos que aqueles que quiseram a República eram aqueles que queriam a continuação do Regime Escravocrata. Sendo assim vamos libertar o Brasil de um jugo que ha 114 Anos [tá. Agora Vossas altezas podem explicar POR QUE AQUI VOCÊS USARAM O VERBO HAVER INDICANDO PASSADO CORRETAMENTE (ainda que sem o acento), E LÁ EM CIMA USARAM ERRADO? E por quê Anos foi grafado com letra maiúscula? Consistência, a gente não vê na Família Imperial!] o entorpece em seu crescimento e sua soberania como nação.

Bom, vou só lembrar a Família Real que o Capítulo III, Artigo 13 da Constituição Federal determina que A Língua Portuguesa é o idioma da República Federativa do Brasil. Entendo que as altezas não reconheçam o país como uma República, mas CACETE, DÁ PRA ENTENDER QUE É NECESSÁRIO FALAR PORTUGUÊS FLUENTEMENTE PRA REINAR POR AQUI, DÁ?

E, como estou boazinha, vou reescrever essa coisorrorosa daí de cima, pra ver se vai ornar com um mínimo de classe e elegância típicos de um português bem escrito.

A Família Imperial Brasileira

Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial. Os poucos que conhecem a face desta família percebem-na a partir de uma imagem constituída em épocas republicanas, ao longo de 114 anos nos quais nossa pátria vem resistindo aos mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação. A fundação da Família Real brasileira ocorreu ainda na época da Independência do Brasil, com a coroação de D Pedro I Imperador do Brasil. Nosso primeiro monarca vem de uma linhagem real que começa em Hugo Capeto (940-996), Rei da França em 987 – uma linhagem de 1.017 anos!

A árvore genealógica da família brasileira divide-se em três ramos. Os atuais herdeiros descendem diretamente da Princesa Isabel, Dom Pedro II, Dom Pedro I e Dom João VI. Pelo lado Orleans, os príncipes do Brasil têm em linha varonil direta São Luiz (Luiz IX) Rei Cruzado da França (1214-1270) e, pela parte Bragança, seu primeiro membro foi Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança, que casou-se com a filha de Dom Nun’Alvares Pereira, Condestável de Portugal. O terceiro ramo da família real brasileira liga-se aos Wittelsbach, até Oto de Wittelsbach (Conde Palatino da Baviera em 1156). Percebe-se que nossa família imperial é muito mais tradicional do que se imagina!

Portanto, é com orgulho que divulgamos a nossa causa da Restauração da Monarquia no Brasil, interrompida por uma quartelada que não chegava a representar 1% do exército àquela época.

Erram, e erram feio, aqueles que pensam que a República foi o regime que trouxe a democracia ! Vejam quantas vezes essa “democracia” foi interrompida por golpes, mandos e desmandos!

E lembrai-vos que aqueles que quiseram a República eram os que queriam a continuação do Regime Escravocrata.

Portanto, vamos libertar o Brasil de um jugo que há 114 anos o entorpece em seu crescimento e sua soberania como nação.

Ainda assim, vamos combinar que esse estilo de redação é sofrível.

Tá “quereno pegá”…

terça-feira, abril 12th, 2011

Depois de ser devidamente avisada via Twitter por Vange calada noite preeeeta, noi-te-pre-taaaaa Leonel , fui conferir parte (pq pra conferir na íntegra só se eu estiver com insônia) da entrevista de Fernandenrique ao Blog Poder Online.

Lá penas tantas, éfe agá afirma o seguinte sobre a presidente presidenta líder e não enche, bosta! Dilmavana:

Poder Online – E como o senhor classificaria o estilo Dilma?
Fernando Henrique Cardoso – Vê-se que a presidente entendeu que no mundo contemporâneo a imagem conta muito: apresenta-se elegante e sorridente, não se poupando de pousar para os fotógrafos. E no lugar da carrancuda e autoritária Dilma aparece uma senhora quase bonachona, embora cortante quando necessário

Isto posto, só posso concluir duas coisas:

Ou éfe agá foi vítima de hortografia pobremática por parte do blog em questã, ou ele tá a fim de pegar traçar faturar comer namorar flertar ah, você sabe o que ele tá a fim de fazer, pô!, enfim, com Dilmavana.

Só isso explica ele comparar nossa líder a um avião.

Porque, né? Pessoas costumam posar pra fotos. quem pousa pra foto é avião, passarinho, disco voador…

Pasto ruim

terça-feira, março 1st, 2011

A culpa é de Dilmavana, nossa presidente presidenta líder (chame Dilmavana do jeito que você quiser).

Soube que ela deu uma entrevista para a edição de hoje do programa da Ana Maria Braga (OK, eu espero você procurar o seu Dramin…. continuo esperando? Ah, cansei! Vamos voltar ao texto, vai!) e, como sei que esse programa reprisa à tarde no canal Viva,  convoquei o doutor Google pra me fornecer alguma grade de programação do tal canal.

… e foi assim que eu me deparei com esta tetéia, com acento e tudo:

 

 

Eu sempre sofro junto com o zê do verbo trazer, sabe? Sei lá, acho que sinto pulsar em meu peito a rejeição que ele sofre, sabe? É uma letra que já aparece num verbo todo irregular, quer dizer, não é sempre que ela é convocada pra conjugar (pense no pretérito perfeito do verbo trazer – mas pense mesmo, bota o neurônio pra funcionar – que você vai entender o drama do zê do verbo trazer), então já se sente inferiorizada. Daí, quando ela tem que aparecer, nego vem e troca ela por um ésse, e transforma o verbo em preposição. Dói isso, viu? Esse desprezo, esse desdém, esse pouco caso…

Aí, eu nem me refaço do desgosto compartilhado com a letra zê e encontro esse neologismo Padre Quevedo (isso non ecziste!) do devolta

Portanto, amebas, aprendam de uma vez por todas: pensou em verbo trazer, tacou um zê. ESQUEÇAM DO ÉSSE NO VERBO TRAZER, PELAMORDEDEUS!!!!

Minhas tese sobre o título daí de cima: foi uma vaca ansiosa por um pasto quem escreveu esse troço. Daí foi falar de Rei do Gado, acabou por se empolgar e… fez-se a bosta!

Xixi sem objeto

quarta-feira, fevereiro 23rd, 2011

Tô pra postar esta foto aqui há milênios, mas ela foi esquecida no meio das fotos tiradas no meu celular. É, não tem desculpa, não, sou uma relapsa, mesmo! Mas vamos reparar o erro agora…

Tirei esta foto ao ser avisada da tetéia (com acento) por uma dileta ectoplasma suína colega do meu marido. O aviso aqui retratado pode ser encontrado no banheiro de um banco bem brasileiro, por assim dizer, cuja sede fica em Brasília (pelamordedeus, diz que entendeu, vai?).

Só tenho uma explicação pra esse texto:  ao escrevê-lo, a moça (vou partir do princípio de que ele foi escrito por uma moça, posto que está no banheiro feminino) estava tão apertada pra fazer xixi que esqueceu de usar objetos diretos e indiretos, e deixou o benedito repleto de dúvidas existenciais. Mas vamos ao texto em questão:

 

Vou reescrever o benedito aqui embaixo, pra poder repensar e discutir a relação junto com vocês…

Seguindo algumas regras nos sentiremos mais à vontade! [Tenho medo de avisos como este em banheiros. Sei lá, podem enunciar regras para usos outros que não o defecar, o urinar e o lavar as mãos. Vocês me desculpem, mas eu frequento banheiros bem familiares…]

Após o uso do papel higiênico jogar na LIXEIRA [Tá bom, eu jogo na lixeira. Se você me avisar O QUE EU TENHO QUE JOGAR NA LIXEIRA, eu jogo! Jupurdeus!]

Enrole o absorvente no papel higiênico antes de colocar na lixeira [colocar o quê ou quem na lixeira, zifia? ssuncê pode ser um cadim mais específica e direta, por favor?

Dê descarga COMPLETA SEMPRE que usar o sanitário, deixando o banheiro como você gostaria de encontrar na sua casa [Rapá! Vejam vocês o que uma bexiga cheia demais é capaz de fazer com os neurônios de uma ameba escrevente! Ela quer que o banheiro do trabalho se materialize na minha casa, é isso? E como se dará tal feito? Teletransporte? E-mail? (eu pensei na piadinha de passar um fax, mas não vou fazê-la, não senhores…]

Jogue as toalhas de papel que você enxugou sua mão na lixeira [a mão da lixeira vai ter a toalha de papel jogada fora? Ou a lixeira de papel vai se jogar na mão? E quem vai enxugar o quê? É soorooba, como diria a Katylene?], e lembre-se: duas folhas são suficientes! [Cejura que cê acredita nessa lenda urbana, zifia? “duas folhas são suficientes”?]

SEJA EDUCADA, ASSIM COMO VOCÊ É EM SUA CASA!

Eu descubro o nível de ruindade de um texto depois de implicar com ele. Se eu olho pro texto vermelho com o qual eu impliquei em azul e vejo mais azul do que vermelho, é sinal de que a redação em questão me deu margem pra falar demais. Em suma: uma bosta!

O mapa astral-gramatical desse texto indica que sua lua fugiu do quadrante dos objetos diretos, o que deixou-o nebuloso, sujeito a chuvas e trovoadas. É um erro grave, que não deve ser cometido por texto nenhum!

Seja específico, indique com clareza o que você está falando no seu texto, prá não dar motivos nem margens a interpretações dúbias de suas palavras. Não me canso de dizer: se você acha que escreve bolinhas amarelas e a pessoa que te lê entende listas azuis, parta do princípio de que você não escreveu direito. Reescreva a bagaça, até que o seu leitor não entenda outra coisa que não bolinhas amarelas.

Bastam alguns tapas no texto acima pra que ele fique claro, objetivo e direto. Deixa eu exorcizar o benedito, vai:

Seguindo algumas regras nos sentiremos mais à vontade!

Após usar o papel higiênico-vírgula, jogue-o na LIXEIRA

Enrole o absorvente no papel higiênico antes de colocá-lo na lixeira

Dê descarga COMPLETA SEMPRE que usar o sanitário, deixando este banheiro da forma como você gosta de encontrar o banheiro de sua casa 

Jogue na lixeira as toalhas de papel com as quais você enxugou sua mão na lixeira, e lembre-se: duas folhas são suficientes!

SEJA EDUCADA, ASSIM COMO VOCÊ É EM SUA CASA!

E pronto! Com esse texto, o xixi fica menos existencial….

Pelo menos o texto em questão está no banheiro! 😀 (Ah, desculpem, mas essa piadinha era imperdível! 😀 )

A crase correta que faz mal ao fígado

quarta-feira, fevereiro 23rd, 2011

(com agradecimento ao dileto @knownees pea foto enviada via Twitter)

Eu já falei sobre crase aqui, há priscas eras. Vou republicar e melhorar esse post, porque explicar essa bichinha tão mal interpretada nunca é demais.

Uma das regrinhas de crase que ficou faltando naquele post, e vai ter que entrar, é a seguinte:

Quando as palavras forma, moda ou maneira estiverem implícitas na frase, o a recebe o acento grave da crase.

Entendeu nada, né? Calma que eu desenho!

A crase deve ser usada nesses casos daí de baixo:

Fulano cortou o cabelo à (moda/maneira/forma) francesa.

Fiz um arroz à (moda/maneira/forma) grega

Provamos a lagosta à (moda/maneira/forma) Themidor
(ainda que alguns escrevam “Lagosta AO Themidor”, mas deixa isso prá lá, não vou entrar nesta polêmica senão não explico o meu caso).

Então, vamos todos combinar que, seguindo esse raciocínio daí de cima, a tetéia daí de baixo (com acento) estaria correta.

Isso se não fosse por um único porém….

Não existe uma maneira/forma/moda “cebolado”.  O que existe é um alimento que, em alguma fase de seu preparo, foi temperado/decorado/whatever com cebolas, ou seja, foi acebolado

Entenderam por que a crase é tão mal interpretada, coitada? Essas terríveis livres interpretações da crase só perdem em desespero para as terríveis livres interpretações da palavra de Jesus Cristo…

Se me disserem que a crase já foi crucificada, não vou me espantar nem um pouquinho, não vou não….

Mais uma expressão moonwalking: seguir no aguardo

terça-feira, fevereiro 1st, 2011

Daí o dileto amigo Caipira Zé do Mer, do blog Imprença (que eu, por falta de vergonha na cara, inda num linquei aqui do lado, coisa que devo resolver assim que acabar este post), me mandou essa tchutchuca via Twitter:

Lindo isso, não? Você segue… mas fica no aguardo. Segue… e fica no aguardo. Um passinho…  e para! Um passinho… e para!

O que me remeteu à lembrança de duas expressões igualmente idiotas que, dado o grau de idiotice, são irmãs de pai e mãe dessa coisa aí: a volta do retrocesso e a guinada de 360 graus. Se fossem um passo de dança, seriam o Moonwalking, do saudoso Michael Jackson.

E para que ninguém me acuse de proteger o Noblat, oferecendo só a ele um vídeo do Michael Jackson, permitam-me oferecer este vídeo ao coleguinha desconhecido do UOL (por que não me espanto da origem da amebice?) Esporte, como todo meu amor e carinho:

R7 invade o reino do UOL

domingo, janeiro 2nd, 2011

Brasil acentuado. Legal, né?

Que que eu fiz a Deus, vocês podem me dizer?

Tava lá eu quieta no meu canto, sem fazer nada de mais. Só tava aqui na casa da tia do marido, esperando o almoço da família sair… (Enquanto isso, eu pego a pirralhada pelas canelas e viro de cabeça pra baixo pra oxigenar o cérebro. Pra deleite das crianças e alívio geral dos adultos, já que elas sossegaram um pouco…)

Aí o marido me chama e diz que o César Cardoso me mandou um pio avisando desta obra prima do R7. Gente, o R7. O portla que vivia nas minhas graças, issonão pode!!!

Daí eu pensei : ora, acento, em português de Portugal, é o equivalente ao brasileiro sotaque, então vai ser legal, Portugal quer imprimir um quê de Brasil à ONU e….

Nada disso! É hortografia pobremática, mesmo!!!!

Guardem bem esta data: 2 de janeiro de 2011. O dia em que o R7 invadiu o reino do UOL.

R7, aprenda:

Acento, com cê, ou é o equivalente português de sotaque ou são os símbolos ^ ´e `.

Assento, com dois ésses, é cadeira, lugar para se (as)sentar.

(E pensar que a autora dessa tetéia não quis me contratar pra trabalhar com ela…. Olha só Deus castigando, olha só!)

[suspiro]

quarta-feira, dezembro 22nd, 2010

Querem que eu diga o quê?

Tá bom, eu digo:

PORRA, UOL!

Madrasta do Texto Ruim exorciza hortografias pobremáticas para que elas não cheguem a 2011

quarta-feira, dezembro 22nd, 2010

(Agradeço a @bicmuller pela inspiração e a todos os que colaboraram com sugestões para este post! \o/ )

Adivinhem quais as duas palavrinhas erradas do título? (Dica: estão logo no começo porra, bruxa! Altera o título e não altera a piadinha escrota?! bem no meio! 😀 )

Enfim, o ano chega ao… (enfim o ano chega ao fim? Putaquepariu, dona bruxa, que merda de texto é essa?) er…  ah, o ano acaba! Pronto! E você, romântico como sempre, começa com as resoluções de ano novo. Aquelas que você nunca executa ao longo dos 12 meses vindouros: vou emagrecer, vou gastar menos, vou ser mais organizado(a), vou beber menos (primeiríssima resolução a ser quebrada!) etc, etc, etc…

Mas eis que esta bruxa que vos fala vem neste post propor um novo conceito (cortem os meus pulsos, por favor) em resoluções de ano novo: que tal escrever corretamente? Que tal abandonar a hortografia pobremática em 2011?

Porque, como muito bem lembrou @bicmuller, assim como papai noel, há uma lista de palavrinhas que não existem. Se você escreve as beneditas dessa forma, zifio, você sofre de hortografia pobremática.

Muitos casos de hortografia pobremática são de falsos parônimos (palavras que têm  som parecido mas que se escrevem de forma diferente, como em frente e enfrente, por exemplo). Mas isso eu vou explicar abaixo.

Então, vamos à listinha básica de palavras com hortografia pobremática:

  • Concerteza – trata-se de um caso de verbete Padre Quevedo (isso non ecziste!). Escreva com certeza. Separado e com eme, pelamordedeus.
  • Derrepente – mais um caso pro Padre Quevedo. O certo, faz favor, é de repente. Separado e com um érre (quando escrevo érre quero me referir à letra do alfabeto. Conjugação do verbo errar não tem acento, antes que você pergunte!) só. Ou, se você preferir um 2011 com ainda mais classe, troque-o por repentinamente.
  • Encomodar – eparrê-iansã! Se você disser pra Iemanjá que não a quer encomodar em 2011, cuidado: você pode ser vítima de encostos mal-intencionados enviados pela entidade! Acredite, se em 2011 você incomodar, com i, vai incomodar bem menos os outros. Porque incomodar já é, por si só, er…. um incômodo (é, bruxa, incomodar é um incômodo! E não enche o saco, vai ficar assim mesmo!) . Se seus interlocutores ainda forem obrigados a ler a malfadada palavrinha escrita com e, aí é que você vai ficar mal-visto… Faz isso, não, zifio…
  • Admnistração – zifio, fonemas mudos têm limites! A palavra administração é formada pelo prefixo Ad + ministração. E tio Antônio explica que o prefixo ad- vem da preposição em latim ad (‘em direção a, aproximação: adjungir, advogado, administrar). Então, faça o favor de aplicar um i entre o eme e o ene, sim? Seja um bom administrador ortográfico em 2011! (reparem que eu estou meio auto-ajudante, liguem não…)
  • Se admnistração não existe, que dirá adevogado. Faz isso com o profissional, não, zifio! Chame o dito cujo de advogado. Esse, sim, com direito a sonzinho mudo! 😀
  • Outra palavrinha que, se você escrever devagarinho no início de 2011, vai chegar a dezembro nos trinques: esqueça o iorgute, porque ele faz mal, tá estragado. Prefira o ioGURte. Joga o érre pra segunda síliaba e corra pro abraço de todos os lactobacilos vivos! 😀
  • Tudo haver: num enfie o verbo haver onde ele não é chamado, zifio, porque ele não gosta dessa falta de cerimônias. A expressão certa é tudo a ver, ou seja: uma visão em comum. Lembre-se sempre dessa coisa de visão em comum, que você acerta o verbo e não enche os pacovás do haver!
  • Anciedade / anciozo: aprenda, de uma vez por todas. É an-si-e-da-de. Quando o ésse vem depois de uma consoante não precisa virar dígrafo, porque tem som de cobrinha (sssss).  Diga-se de passagem, quem me ensinou isso foi a tia Maria Augusta, quando eu era alfabetizada. Sua professora de alfabetização não te contou isso, não? Deveria, viu? Naquela época, meus neurônios eram uma esponja de informações, guardavam tudo o que contavam a eles. E guardam até hoje! Lembre-se: ansiedade.

Atualização sugerida pela Ana Pettres:

  • Simplis / simplismente: Sério que você escreve isso? E não se envergonha da barbaridade, zifio? Vossuncê num  tem pena da pobre professorinha que te alfabetizou, não? Isso dá desgosto, zifio! Escreva simplEs. E simplEsmente. As duas palavras com é (sou carioca, falo é. Se você fala ê, problema seu.). Não, não pergunte por que se escreve assim. Apenas aceite o fato de que É (verbo, não vogal) assim. E (conjunção, não a vogal paulistana) que você está errado.
  • Seje: Xuxa, minha filha, sei que você é rica, linda e tals, mas vamos inovar em 2011? Que tal falar português fluentemente? Tomemos como exemplo o verbo SER. Sabia você, Xuxa, que não existe seje? Eu juro! Olha só:

Verbo Ser – presente do subjuntivo:

eu seja
tu sejas
ele seja
nós sejamos
vós sejais
eles sejam

Verbo ser – imperativo afirmativo:


seja
sejamos
sede
sejam

Palavras de tio Antônio Houaiss. Então, Xuxa e todos os outros, aceitem de uma vez por todas o fato de que SEJE NÃO EXISTE ,PORRA! O CERTO É SEJA!

  • Aliás, tudo o que você ouvir que termina em oso ou osa, entenda: escreve-se com ésse. É o caso de gostoso (gostosa), belicoso, monstruoso, formoso, etc, etc, etc. Se você escreve gostozo, saiba que tem gente reparando que você faz coisa feia.

Outras coisinhas a serem lembradas:

  • Mal é o contrário de bem, e mau é o contrário de bom. Saiba onde enfiar o éle e o u, pelos deuses!!! É bem-humorado e mal-humorado, e bom humor e mau humor! Não vá me enfiar o éle no lugar errado, hein?
  • O verbo trazer escreve-se com zê. Reprima, portanto, todos os ímpetos de escrever com ésse conjugações desse verbo. Aproveite para se lembrar que o particípio passado de trazer é trazido, por  favor. Trago é presente do indicativo! Eu trago boas notícias!  O particípio passado é eu havia TRAZIDO boas notícias.
  • E, se você ainda não descobriu qual a diferença existencial entre um verbo e uma preposição, guarde apenas o seguinte: atrás, detrás por trás é tudo com ésse. E, por mais que você queira, aceite o fato de que elas nada têm a ver (Viu? Ter a ver!) com o verbo trazer.

Além disso, é bom lembrar que, se conjugações verbais soem (ah, vá no dicionário direto pro verbo soer. Não vou ficar aqui de babá de analfabeto, não! Pronto! Fiquei malcriada!) ser escritas na terminação AM, e o certo é escrever vejam, corram, leiam etc, etc, etc, por outro lado é bom lembrar que isso todo mundo já sabe. E, quando escreve errado, é de propósito! Então, antes de corrigir quem escreve vejão, corrão, leião, verifique se a hortografia pobremática foi cometida de propósito ou se foi, de fato, um lapso (iiiihhhh… vai me dizer que você não sabe o que é lapso?).

Esses são os meus votos de feliz (e ortograficamente correto) 2011 para você e todos os seus!

Vá em paz e que todos os deuses te acompanhem, zifio! 😀

Marcelo Tas ensina português errado pras criancinhas e ganha uma piaba nas idéias

segunda-feira, outubro 11th, 2010

Ele tá é te dando uma piaba nas idéias por ensinar português errado pras criancinhas, isso sim!!!

Porra, Tas! É isso que você ensina pras criancinhas, é?

O correto é vamos NOS divertir!!!

vou contar pro Professor Tibúrcio, viu?

Blog Poder Online e o salto triplo carpado verbo-temporal

quinta-feira, setembro 23rd, 2010

E claro que isso tinha que acontecer.

Tudo começou quando o ministro do Superior Tribunal Federal, Dias Toffoli, resolveu pedir vistas do processo pra dar seu parecer sobre a Lei Ficha Limpa. Traduzindo: num li direito, vou levar pra casa e ver se consigo ler direito e entender esse negózdilei. Ou quero ir pra casa mais cedo, bora ler o texto de novo, coleguinhas?

Mas falando sério, o ministro encrencou com o tempo verbal da lei Ficha Limpa, cuja íntegra vocês encontram aqui. O meritíssimo abespinhou-se com o fato de a expressão tenham sido ter sido substituída pela expressão que forem sem que o Congresso tenha sido consultado sobre isso.

(Imagine agora o Tiririca dizendo qual expressão cabe melhor no texto de lei, e por quê. Imaginou? Pronto, de nada por estragar o seu sono.)

Até aí tudo bem, isso faz parte das funções do STF.

O Correio Braziliense contou a história certinha, como vocês podem conferir.

Mas o Blog Poder Online, hospedado no Ig, se embananou-se todo com a explicação, e confundiu o que o ministro acabou por definir como salto triplo carpado hermenêutico (post logo aqui abaixo, ou numa nova janela, se você clicar no link que eu dei). E, por sua vez, criou o salto triplo carpado verbo-temporal. Ó só o que o texto diz do questionamento do ministro:

(…) uma emenda de redação aceita na tramitação pelo Senado Federal, que alterou o tempo do verbo no texto do projeto – do particípio passado [tenham sido é particípio passado, OK] para o pretérito futuro [Oi? Pretérito futuro? Passado futuro? como é que rola o passado de uma coisa que inda num aconteceu? Alguém desenha, por favor?].

Particípio passado, tudo bem. a expressão está de fato nesse tempo verbal.

Mas o pretérito futuro é, por si só, uma contradição entre termos. Pretérito é passado, que é antônimo de futuro.  O moço estaria, por acaso, a referir-se ao futuro do pretérito? (eu seria, tu serias, ele seria…) Mas o texto alterado na lei em questão adotou a expressão que forem… e agora, comofas?

Tio Antônio, ajuda a desvendar essa conjugação?

Verbo ser, futuro do subjuntivo, terceira pessoa do plural

Valeu, tio Antônio!

Agora vejam vocês que eu tava aqui me preparando pra encerrar este texto com um PORRA, FOLHA!, e me dou conta de que desta vez a Folha é inocente!

PORRA, IG! COMETE UM ERRO DESSES E AINDA ME IMPEDE DE XINGAR A FOLHA?!?!?! PORRA, PORRA, PORRA!!!

Pronto, passou.

A puta falta de sacanagem e a safadeza oculta são filhas do salto triplo carpado hermenêutico?

quinta-feira, setembro 23rd, 2010

Gente, estou totalmente inlóvi com essas expressões que pululam Internet afora…

A primeira foi a puta falta de sacanagem. Surgiu num vídeo no qual um grupo de adolescentes aguardava um show de rock que acabou não acontecendo. No vídeo daí de cima, aos 1:35 aparece a menina proferindo a pérola. Puta falta de sacanagem é uma sacanagem exacerbada, né? O fato é que a expressão, por assim dizer, agregou valor (Ok, me crucifiquem) à já combalida sacanagem pura e simples.

Aí chegamos na safadeza oculta.

Tadinha, gente! Um protótipo de Madrasta do Texto Ruim, com hormônios à flor da pele! A menina num aprendeu a relevar os errinhos de dedo que esta que vos fala já ignora. Quer dizer, uma pessoa que escreve esotu em vez de estou não pode falar mal de quem escreve RDB no lugar de RBD, né? Pô, tava querendo ganhar dinheiro em vez de ir a show de banda adolescente, uai…

O fato é que a mocinha daí de cima cunhou uma nova e deliciosa expressão: safadeza oculta (aos 20 segundos). Mais uma vez, agregou valor (meus pulsos, podem cortá-los) à safadeza pura e simples, já tão banalizada neste país e aqui eu interrompo meu raciocínio pra não cair na esparrela do lugar-comum.

Pois então nós saímos do universo adolescente, repleto de hormônios e exageros e exacerbações e coisas do tipo, e após breve planagem sonífera, caímos estatelados por sobre o Supremo Tribunal Federal deste país, cujas paredes ouviram coisa muito mais complexa.

Porque quando você ouve puta falta de sacanagem, ou safadeza oculta, você pode até levar um tempinho pra entender como usar, mas basta dizer em voz alta duas ou três vezes que você já fica íntimo das expressões, e começa a usá-las sem pestanejar.

Mas quando o presidente do Supremo Tribunal Federal, durante sessão plenária pra dizer se, no frigir dos ovos, a lei da Ficha Limpa tá valendo ou não tá, questiona a constitucionalidade por causa de um tempo verbal e ouve do colega Ayres Britto que o argumento dele é um salto triplo carpado hermenêutico, geral se arrepia e fica com medo da coisa, né?

Mas calma que esta bruxa que vos fala vai pedir ajuda ao tio Antônio. Vamos partir do princípio que o togadíssimo magistrado valeu-se de imagens de ginástica artística para construir seu neologismo. Então, todos sabemos que salto triplo é um salto dificílimo de dar.

Daí, vamos pedir ajuda pro tio Antônio explicar o que que acontece se o salto triplo fica carpado:

Carpado

executado com o corpo dobrado nos quadris, pernas esticadas sem flexão dos joelhos e pés distendidos (diz-se, p.ex., de salto ornamental)

Quer dizer, eu já me estrebuchei no chão e quebrei o pescoço. A manobra que já era difícil contraiu ares impossíveis.

E o hermenêutico? É pra travar a língua? Bom, tio Antônio avisa que hermenêutico é tudo o que for relativo à hermenêutica, que, por sua vez, é…

Hermenêutica

ciência, técnica que tem por objeto a interpretação de textos religiosos ou filosóficos, esp. das Sagradas Escrituras

2 interpretação dos textos, do sentido das palavras

3 Rubrica: semiologia.

teoria, ciência voltada à interpretação dos signos e de seu valor simbólico

4 Rubrica: termo jurídico.

conjunto de regras e princípios us. na interpretação do texto legal

Ou seja: é tudo interpretação de textos… (ufa!)

Quer dizer, então, que o salto triplo carpado hermenêutico é um texto cuja interpretação difícil ficou mais difícil ainda?!?!?!  Ou é uma tentativa de complicar o que seria simples?

Ou seria um melangê de jenessequá? (do francês melangé de je ne sais quoi, ou mistura de não-sei-quê – copyright Madrasta do Texto Ruim. Autorizada a reprodução dessa expressão! 😀 )

Ah, desisto de entender. Mas nasceu hoje nesta terra de Cabral mais uma expressão recauchutada, o salto triplo carpado hermenêutico. Que, por sua pompa e circunstância, é pai (talvez avô, bisavô ou trisavô) das irmãs quase gêmeas puta falta de sacanagem e safadeza oculta. Os três adoráveis – ainda que o vôzinho seja meio estranho e de difícil… er… hermenêutica? 😉 Ainda assim, a-moooooooooo!

Mas aprecie com moderação.

/o\ Brasil, daqui há pouco, será cede da Copa do Mundo /o\

terça-feira, setembro 7th, 2010

Gente, absurdo essa minha falta de tempo, viu?

Tô aqui com um mondi e-mail de ectoplasma amigo e não consigo postar!

Este aqui é do Megale, âncora das manhãs da BandNewsFM são Paulo (e rede) e personal galo de estimação 😉

O pobrezinho me passou este e-mail em junho, e fica parecendo que eu esnobei! claro que não, zifio! Esnobei, nada!

Daí que o galo de estimação dos ouvintes paulistanos da Band News FM recebeu por e-mail um daqueles releases maravilhosos que reproduzem opiniões [bocejo] de formadores [boceeeeeejo] de opinião. Este, em questão, trazia azidéia de uma especialista em tributos sobre a organização da copa do mundo de 2014 blablabla whiskas sachê blablabla.

O problema da tchutchuca é opinião de mais e ortografia e gramática de menos.

Será possível que ninguém avisou pra moça que o verbo haver só se usa pra falar de tempos passados, e pra se referir ao futuro a gente usa a preposição a? Ou seja: daqui a um mês ou mais, né, minha tia?!?!?!

E que diabos significa cediar? alguém por favor manda a dona economista de volta pra escola, pq ela tá pensando demais em tributos e de menos em ortografia?

Alguém, por exemplo, O ASSESSOR DE IMPRENSA QUE ENVIOU ESSE TEXTO SEM LER DIREITO E VER A BOSTA QUE APRONTOU?!?!!?

Porque dona tia não marcou touca sozinha, não marcou, não…

Taqueopa…

Cuidado, Deus é petista

terça-feira, agosto 31st, 2010

Não, não me acusem de ser petista. Não me digam que estou defendendo o PT. Não tenho poderes para isso (felizmente ou infelizmente, o advérbio de modo fica a seu critério). Já tem um tempo que eu defendo a tese de que não só Deus é brasileiro como ele carrega uma estrelinha vermelha na lapela.

Porque, né? Eu, na qualidade de Madrasta do Texto Ruim, tenho alguns parcos poderes para exorcizar textos mal escritos. Mas só Ele, que tudo vê e a tudo assiste, tem poderes de castigar os outros.

Deus já defendeu PT e Lizinácio de poucas e boas, viu? Já deixou nego escapar daquela história do mensalão (malcontado bagarai, né? Confesso que eu não entendi lhufas do que aconteceu, em parte por que a primeira pergunta que eu fiz quando começou o quiproquó – “Como assim Roberto Jefferson?!?!?!” – nunca me foi respondida. Fiquei sem entender a novela…), daí quando começou a ameaça de apagão Deus fez chover nas cabeceiras dos rios e acabou a ameaça de apagão, daí veio a crisona internacional braba que, no frigir dos ovos, foi-nos uma marolinha mesmo, e…

… e finalmente chegamos ao texto do Ig.

Quem manda sacanear sindicalista protegido por Deus? Pois o Altíssimo castigou, e castigou feio…

Confiram o que aconteceu na sequência dos parágrafos:

Segundo Roberto Santiago, coordenador sindical da campanha de Marina, deputado federal e consultor da UGT, a candidata do PT diz que é “amiga do movimento sindical, mas não é”. Santiago também atacou Serra e disse que o tucano tem “aljeriza” [Ooops! coisa feia, zifio! O certo é ojeriza, companheiro!] (sic) [daí vem o texto da reportagem do Ig e, corretamente, indica que trata-se de reprodução das palavras de terceiros, e que a expressão não é do redator do texto em questão. OK. Correto. Identificou um erro de português e destacou. Poonto positivo!] pelo movimento sindical.

O sindicalista Temístocles Marcellus, dirigente do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), também não polpou [aí vem o parágrafo seguinte e a zifia redatora marca uma touca dest’amanho, e decide que o verbo poupar e todas as suas conjugações se escrevem com a letra éle. Aham, sei… viu que castigo, zifia? Isso é coisa de Deus, cuidado…] críticas à candidatura de Dilma Rousseff.(…)

Ojeriza é uma palavrinha sacana e safada, que em espanhol é escrita com agá e em português não é (tem outra que é assim também, mas não me lembro agora qual é)

[plim, plim!]

Mensagem do Luiz Zampollo clareia os neurônios desta que vos fala e lembra qual a outra palavra que em português não tem agá mas ganha a referida letrinha na língua espanhola: “ Umidade – Humedad.”).

Voltemos ao texto do post, pois…

[plim, plim!]

E não é lá tão usada assim, nego tem o direito de, vez que outra, escorregar (é, tô tomando partido, sim, tá pensando o quê? Cês querem que eu brigue com DEUS?!?!?! TÁLOKA, SANTA?!?!!?!).

Mas o verbo poupar é pouquinha coisa mais usado que ojeriza, né?

Enfim, quem sou eu para brigar com Deus, né? só servi aqui de canal de fofoca, mesmo….

Quer dizer, eu não. Quem me mandou esse e-mail foi o Jefferson Alves… eu só servi de…. de quê, mesmo? 😉

[OD 1 ano] O futuro do gerúndio e o novo conceito em modo verbal (2)

terça-feira, abril 27th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente Publicado em: 24 de abril de 2009 às 21:08

*********

Nos áureos tempos de escola, ensinou-nos tia Maricota sobre os modos verbais. Refresco-vos os neurônios, desta vez com o auxílio da Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, de José de Nicola e Ulisses Infante:

Modo Verbal
As flexões de modo, tempo e voz são características do verbo. A flexão de modo indica as diversas atitudes do falante com relação ao fato que enuncia.
Quando a atitude é de certeza (eu amo/eu amei), o fato é ou foi uma realidade. Essa atitude caracteriza o modo indicativo.
Quando a atitude é de incerteza, dúvida (se eu amasse/quando eu amar), exprime uma condição, uma realidade. Essa atitude caracteriza o modo subjuntivo.
Nos casos em que se exprimem ordens (ame você/não amem), ou desejos, ou vontades, temos o modo imperativo.
Além desses três modos, os verbos apresentam as formas nominais: infinitivo (amar); gerúndio (amando) e particípio (amado).

<começa a ironia>

Este é o velho conceito. No novo conceito de modo verbal, o gerúndio rebelou-se. Deixou de ser forma nominal e revelou-se um novo modo verbal: o modo telemarketing. Esse novo conceito em modo verbal expressa atitudes de enrolação misturada com dúvida, desinformação, falta de noção, desculpas esfarrapadas e falta de compromisso total do falante com seu interlocutor (que pode ser um consumidor, uma pizza ou uma pedra, tanto faz).

O legal neste novo conceito em modo verbal é que você pode juntar quantos verbos auxiliares quiser para formar sua locução (capenga) verbal:

“Eu posso vir a estar tentando disponibilizar o serviço, senhor!” (cinco verbos!)

Senhora, a senhora poderia estar objetivando anotar o número de protocolo, por favor? (quatro verbos!)

Certa feita eu consegui juntar seis verbos numa locução só. Mas não me lembro mais como fiz tal aberração. Se você quiser, tente nos comentários produzir uma locução verbal com mais de quatro verbos juntos…

<acaba a ironia>

Sim, isso é errado. E não, crianças, não repitam isso na escola nem na vida real, porque é muito feio! E isso vale pros adultos também!

Mas há casos em que o futuro do gerúndio é possível, sim, na Língua portuguesa. Sabe a historinha da concomitância? É só jogar no futuro:

“No próximo domingo, enquanto o Corinthians estiver jogando contra o Santos, o Botafogo vai estar jogando contra o Flamengo”

Viu? Duas ações ocorrendo ao mesmo tempo, no futuro!

[OD 1 ano] O futuro do gerúndio e o novo conceito em modo verbal (1)

terça-feira, abril 27th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente Publicado em: 24 de abril de 2009 às 20:41

*******

Nada contra o gerúndio. É um tempo verbal muito útil. Denota concomitância. OK, sei que denotar e concomitância são duas palavras que não constam dos dicionários das amebas escreventes, mas insisto na expressão. E explico: indica duas ações acontecendo ao mesmo tempo, ou ainda uma ação que ocorre neste exato momento: eu estou escrevendo. Das línguas latinas, o francês é o mais radical com relação ao gerúndio: só aceita no caso de concomitância, e ainda assim torce o nariz.

O problema é que, em inglês, o present progressive é usado pra lavar, passar, cozinhar, chuletar, serve o cafezinho no final e ainda pergunta se foi bom pra você também. Vai com tudo – e com todos, esse permissivo. O inglês é uma língua que junta trocentos auxiliar verbs, ou verbos auxiliares, pra modificarem o tempo e o modo de um único verbo principal. Coisa de língua bárbara. Mas tem lá (e não aqui) suas regras. É um tal de I would be going, I shall be released, I’d rather be going to Florida prá tudo quanto é lado. Um verdadeiro desfile verbal.

Daí, o caboclo escrevente que fala ingrêis resolve replicar em português todos esses casos em que o present progressive é usado na língua de seu William </Shakespeare> at the foot of the letter
(Desvio de prosa número 1: literalmente, ao pé da letra. Só que a expressão em português  ao pé da letra, traduzida corretamente para o inglês, é literally. At the foot of the letter é uma tradução típica de Falcão, mas quem cunhou essa expressão deliciosa foi meu amigo João Bonassis, o Boninha. Mas voltemos à minha defesa de tese.)

Pronto. Está feito o melangê de jenessequá*.
(Desvio de prosa número 2: sei que classifico isso de macaquice, mas é que essa é bonitinha… criei essa expressão de minha própria alcunha, a partir do francês melangé de je-ne-sais-quoi. Melangé é mistura; je ne sais quoi, “não-sei-o-quê”. Ficou bonitinho, né? Ah, vá… é melhor que “chiclete com banana” – com duplo sentido, por favor! )

Daí, um desses caboclos tradutores pegou manuais de telemarketing em inglês, salpicados de progressives pra tudo quanto é lado, e traduziu como gerúndio tudico de tudo. Fez-se a bosta. Foi um festival de vamos estar resolvendo, ou vamos estar falando, e danou-se o caldo. A coisa evoluiu pra esculhambação a ponto de muita gente achar chique falar no futuro do gerúndio.

Isso sem contar com as locuções verbais que mais parecem aqueles castelinhos de benjamin montados sobre uma tomada para aumentar o número de plugues da dita. O que me fez desenvolver uma teoria </ironia>. Explico-a. A seguir, porque este post tá muito longo!

[OD 1 ano] O ectoplasma mesmítico

segunda-feira, abril 26th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi oiriginalmente Publicado em: 23 de abril de 2009 às 22:41

*******

O problema da raça dos que não sabem escrever bem é que todos eles são cheeeios de boas intenções </inferno tá cheio>. Começam a elaborar o texto com a ideia de que não podem repetir uma só palavra porque repetir palavras em demasia fica feio. Vocês repararam no adendo? Repetir palavras EM DEMASIA fica feio. Se repetir só um pouquinho, não tem problema – muito pelo contrário, ajuda o texto a ficar mais claro. Já trabalhei com uma entidade que, para não repetir a preposição sobre, substituía a palavra por acerca. Que cerca, minha fia? Olha o cacófato!!!

Mas eles não param por aí. Esquecem-se das aulas de português que tiveram lááááááááá no primário, com a tia Maricota. Ela ensinou que, quando você não quer repetir o nome de alguém, mas quer referir-se a esse alguém, tem uma classe de palavras feita sob medida para as suas necessidades básicas: o pronome pessoal do caso reto! Lembra não? Ah, deixa eu ligar o nome à pessoa:  Eu, Tu, Ele; Nós, Vós, Eles.

Lembrou, né? Poi zé. Daí, no parágrafo:

João não foi à feira. João preferiu ir ao supermercado.

Fica feia a repetição, né? Este é o caso típico em que os pronomes pessoais do caso reto se aplicam como uma luva. Ó só:

João não foi à feira. Ele preferiu ir ao supermercado.

Você já tá imaginando como as amebas escreventes compõem essa frase, né? Isso mesmo:

João não foi à feira. O mesmo preferiu ir ao supermercado.

Agora, me digam: como classificar o mesmo? Pronome pessoal? É só conferir na listinha acima. Não, não é.
Pronome relativo? Também não. Eis a escalação desse time: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja, cujas, quanto, quantos, quantas, que, quem, onde.

Isto posto, para não ser obrigada a classificar o mesmo como “porra nenhuma“, porque não é bonito, sugiro uma nova classificação de palavras: o ectoplasma mesmítico!

Sua função é assombrar textos, expressões, pessoas e coisas com a ameaça de sua presença.

[OD 1 ano] Ah, esses estagiários infrequentes….

sábado, abril 24th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente publicado em 24 de abril de 2009 às 15:32

*******

Os ectoplasmas suínos estabeleceram contato imediato com esta que vos fala. Desta vez, caiu em minha caixa de correio eletrônico esta belezura contra os estagiários de uma empresa qualquer. (Isso realmente não vem ao caso). Volto a me valer dos comentários entre colchetes, em azul:

Solicitamos informar a infrequência  [Cristorreimesalva…] dos estagiários .  [ã-rrã, sei… mas o que que é isso mesmo, hein?] , ou seja, ausências que impliquem em desconto da Bolsa-Auxílio [aaaaahhhh, tá!].

– Em caso de rescisão [ponto positivo! Escreve rescisão direitinho! Só por isso vou pegar leve…] informar imediatamente através de [ah, os atraveses…] e-mail informando [informar informando? Tá, sei.. mas por que você resolveu informar desinformando, meu fio?] qual o último dia estagiado [G-zuz! Os períodos de 24 horas ganharam estágio, é? Quando forem efetivados, viram o quê? Semanas ou meses?].

(…)

– licença saúde / auxílio doença [faltou o hífen aqui, mas como eu não tenho mais certeza depois de dona reforma ortográfica, deixa prá lá. Até dezembro passado o tracinho era obrigatório]:

(…)
– Informar somente infrequências

(…): não fazem jus a essas infrequências [ah, que lindo isso! Pense bem: você já pensou em acordar um dia e pedir a Deus algo do tipo: “Querido Papai do céu, hoje eu gostaria de não fazer jus a uma infrequência.” Ah, isso beira o romantismo!] e os dias informados [dia informado é aquele que lê jornal todos os… er… dias?] com tais ocorrências serão considerados infrequências [ai,confundiu agora… o dia informado ser uma infrequência é bom ou ruim?] e consequentemente descontados no pagamento da Bolsa [é, acho que é ruim].
(…): fazem jus às ausências médicas e os dias de ausência com atestado não precisam ser informados
[que falta faz uma vírgula, meu padimciço! Eles fazem jus às ausências médicas e também aos dias de ausência com atestado, ou eles só fazem jus às ausências médicas -vírgula- e os dias de ausência com atestado (pobrezinhos, nasceram nublados, sujeitos a chuvas e trovoadas, foram parar no médico) não precisam ser informados (Ou seja: dias nublados não precisam ler jornal!)?] .

Obs: Nos casos em que o estagiário esteve frequente todo período
[vou parafrasear Stanislaw Ponte Preta: queremos crer que um estagiário frequente todo o período é uma revolução nos modernos códigos de conduta corporativos], a frequência não deve ser encaminhada, e estaremos providenciando o pagamento integral da Bolsa [mais uma vez o futuro do gerúndio… tadinho do estagiário que não é infrequente… já pensou quanto tempo ele vai levar pra receber a bolsa dele?].

[suspiro. suspiro profundo.]

Vamos lá que os estagiários de hoje sofreram mais que a geladeira de ontem. Tudo bem que o tio Antônio </Houaiss> diz que infrequência é falta de frequência ou baixa frequência, mas… o que que o autor do texto tem contra a ausência?!?!?! A ausência é tão clara, específica e direta…

O através é um caso sério, mas não é lá muito grave. Ocorre que essa preposição transmite a ideia de atravessar, mesmo. Adequada e correta de se usar é em casos como: Olhou através da janela. Há quem diga que a transmissão através da rede está errada, mas se um arquivo tem que atravessar a rede pra chegar do outro lado, acho que está certa, sim. Por isso, vou relevar. Isso é papo entre pasquales becharas. Mas, nesses casos, se não for pra dar ideia de atravessar, prefira a preposição por, que foi feita para atender às necessidades específicas do cliente.

Outra questão polêmica (pros outros, não pra mim) é a vírgula precedendo uma conjunção aditiva (o e). Há quem diga e defenda com unhas, dentes, canhões e baionetas que a vírgula nesse caso é errada, feia, boba, chata – pior que heresia. Mas o professor Pasquale provou, com Vinícius de Moraes, que a vírgula combina muito bem com o e. Eu nunca entendi o porquê de não poder vírgula depois do e: são duas frases distintas, dois sujeitos distintos, dois verbos distintos, a vírgula fica direitinho onde tem que ficar. E há casos em que ela é mais do que necessária, ou então pode dar margem a duplas interpretações – como no texto daí de cima, que, sinceramente, ficaria muito mais bem resolvido com um ponto e outra frase do que com uma vírgula e um e. Mas em geral, a vírgula é a solução customizada perfeita para separar ideias.

Observações quanto aos outros colchetes, que destacam casos específicos de falta de estilo do autor da peça, eu não vou nem falar nada. É dar murro em ponta de faca. Limito-me a (tentar) melhorar o texto, para deixá-lo mais claro. Vamos lá?:

Solicitamos informar as ausências dos estagiários.

(…)
– Informar somente as ausências que impliquem desconto da Bolsa.

– Em caso de rescisão, informar imediatamente por e-mail o último dia de trabalho do estagiário.

(…)

(…): não fazem jus a essas ausências. Os dias de estágio assim informados serão consequentemente descontados no pagamento da Bolsa.
(…): fazem jus às ausências médicas. Os dias em que o estagiário ausentou-se com apresentação de atestado não precisam ser informados .

Obs: em casos de frequência integral do estagiário não é necessário encaminhar informações sobre frequência. Será providenciado o pagamento integral da Bolsa.

Tudo bem que estagiário tem mais é que sofrer. Mas aí também já é esculhambação, né?

O dia em que o revisor do R7 ficou com sono

quarta-feira, abril 7th, 2010

Vocês sabem muito bem que eu forço a barra pra incluir alguma coisa do R7 aqui no caldeirão. Vou fazer de novo. Não sem antes agradecer ao Cardoso por mais uma cantada de bola.

Pô, foi só um errinho de dedo, coitado! Nada de grave, como erro de concordância ou erros ortográficos berrantes. Mas é que coisas desse tipo são raras de acontecer no R7, e têm que ser sorvidas como se fossem caviar.

Enfim, o erro tá aqui. Se, quando você clicar nesse link, não encontrar mais nada, eis aqui o presente dos deuses do printscreen:

Twem nem o que corrigir...

Tem nem o que corrigir...

Foi só um sobriviveu de nada, mais um notócias. Errinho bobo de digitação. Provavelmente obra de quem tá com sono, doido pra ir pra casa, e ainda tem que ficar falando de Glória Perez às onze da noite de uma terça-feira (coisa que ninguéééééééééééééééém merece!)

Pois vá em paz, zifio, cê tá perdoado! Nem sei se você vai gostar de meus votos, mas que Nossa Senhora da Boa Ortografia lhe ilumine os caminhos, inclusive na hora de muito sono, sim?

E, se quiser figurar neste caldeirão com toda a pompa e circunstância, sugiro um cursinho básico c’os povo daqui

A politização da vírgula (ou a teoria do Fagundes)

sábado, abril 3rd, 2010
As imagens acima também foram "adquiridas" no blog do Nassif. O link pro post tá aí embaixo no texto

As imagens acima também foram "adquiridas" (/cara de pau) no blog do Nassif. O link pro post original tá aí embaixo no texto

Daí que um dileto ectoplasma suíno passou por estas bandas e me avisou deste post no blog do Nassif. Tô com pressinha agora, depois eu baixo as imagens e copio aqui.

Mas, pra quem tá com preguiça de clicar no link, segue o resumo da ópera (bufona). Resumão bem tatibitati, porque, né, trata-se da Folha de São Paulo, o Eliéser dos jornais brasileiros. A história é a seguinte:

1- Folha de São Paulo faz manchete política para edição impressa.

2- Folha de São Paulo faz manchete sobre mesmo assunto para edição online.

3- Folha de São Paulo mexe mal nas vírgulas e faz lambança.

4- Folha de são Paulo remenda a lambança na edição online.

As manchetes das edições impressa e online ficaram, respectivamente, assim:

Serra critica roubalheira e Dilma, viúvas da estagnação (edição impressa)

Serra critica roubalheira, e Dilma, viúvos da estagnação (edição online)

Se eu fosse preguiçosa, me limitaria a lincar aqui a explicação que o professor Pasquale já deu sobre a vírgula e a conjução e. Mas não vou me furtar a tecer minha própria teoria da conspiração. Vamlá.

Pra começo de conversa, vamos falar com base em dona Gramática. Essa manchete da Folha é a prova final, definitiva e indiscutível de que conjunção aditiva pede, sim, vírgula, pra não embananar a compreensão da frase. Então, galera, vamos cortar aquele papinho furado de que conjunção aditiva liga frase e por isso não pode jamais ser precedida por uma vírgula blablabla whiskas sachê blablabla. Como já disse, o Professor Pasquale concorda comigo.

A frase da edição impressa, sem a vírgula antes da conjunção aditiva, tem apenas um sujeito (Serra) e dois objetos diretos (Dilma e a roubalheira). Do jeito que ficou, a frase afirma que Serra criticou tanto a roubalheira quanto a Dilma,  e afirmou que ambas (Dilma e roubalheira) são viúvas da estagnação. Reparem no viúvAs, no feminino.

Já a frase da edição online conta com dois sujeitos, Serra e Dilma, que cometeram a mesma ação (criticar) contra objetos diretos diferentes (o de Serra é a roubalheira; o de Dilma, os viúvOs da estagnação. Viúvos, no masculino, reparou?).

Isto posto, minha teoria é de que esse texto foi feito às pressas, no meio da madrugada, no fechar de uma edição. O caboclo tava com sono, e tava mais preocupado com dona Gramática do que com dona Tendência Política. Aprendeu na escola que antes de conjunção aditiva não tem vírgula nunca, jamais, em tempo algum, e tirou a dita de lá. Apertou o print das rotativas, virou as costas e foi-se embora dormir, pra dar margem a toda sorte de interpretações escabrosas e maledicências por parte dos blogs petralhas (huahuahuahua, como é divertido zoar com todas as tendências políticas!), que começaram a imaginar até mesmo que, dadas suas ligações escusas com o prédio da Barão de Limeira, (aqui começa a viagem legal) foi o próprio Serra foi o autor dessa frase. Não seria de espantar. José Serra tem mesmo habilidade pra fazer cagadas desse tipo com a Língua Portuguesa. Daí os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

Mas eu tenho outra teoria: essa manchete foi feita de propósito, e pra sacanear a direção da Folha. Algo bem Fagundes, o Puxa-Saco: E aí chefinho, ficou boa a manchete? Viva o Serra, e abaixo a Dilma, né, chefinho? Daí, o cabra chutou o pau da barraca e fez essa lambança na edição impressa. Então, os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

A terceira teoria é a menos plausível de todas: o autor da manchete é um jornalista sem conhecimentos básicos de Português. Mas nessa teoria eu não aposto, não. Naonde que a Folha de São Paulo se prestaria a publicar textos mal-escritos, né, gente? Pô, se tem um jornal que preza pela clareza dos textos e da concordância com as regras gramaticais da Língua Portuguesa é a Folha de São Paulo!!! (*) Ainda assim, ao lerem a magnífica manchete da edição impressa, os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

(*) Pros desavisados de plantão: Esse parágrafo foi irônico, tá?

Sem as bênçãos de Nossa Senhora da Concordância Verbal…

quinta-feira, abril 1st, 2010
É cultivam, Serra! Cultivam!!!

É cultivam, Serra! Cultivam!!!

Alguém avisa lá em cima pra algum santo abençoar e proteger a candidatura de José Serra à Presidência da República?

Nossa Senhora da Concordância Verbal já refugou, coitada…

Pô, primeiro dia de campanha, o ex-governador de São Paulo solta esta magavilha:

Aqui não se cultiva escândalos, mal-feitos, roubalheira…

Ô, Zé! O certo é cultivam, zifio! Vê se melhora seu entrosamento com os santos gramaticais, senão a coisa vai ficar feia pro seu lado!

Até porque as más línguas dizem que quem fala errado neste país é Lizinácio, e ele nem candidato mais é…

(Também, quem mandou o Paulo Henrique Amorim ficar reparando nas suas concordanças, né?)

O incrível caso do balde ninja que atravessou goteiras globais

quarta-feira, março 31st, 2010

Agora vejam vocês como é poderosa essa Rede Globo! Palavras do Ricardo Feltrin, não minhas…

Eis que durante uma bela edição noturna do SP TV as câmeras da Globo flagraram um glorioso e retumbante baldimdiprástico a invadir a cena por elas captada (aparece ao lado do monitor que mostra a Flávia Freire). E o pobrezinho estava lá a trabalho: recolhia água que pingava duma goteira. Ou pelo menos deve ser isso, porque o texto da coluna Ooops, do Ricardo Feltrin (do UOL, claro! 😀 ), se embananou todim todim na hora de mostrar que sabe a diferença entre o através e o por meio de. Ó só a bananança:

Na última terça-feira à noite, enquanto Carlos Tramontina, 53, ancorava o “SPTV 2ª Edição”, um balde providencial, semioculto no estúdio, coletava a água por meio de uma goteira.

Quer dizer, o balde vai lá, sobe até a goteira, se espreme feito um condenado, passa pela goteira e coleta a água que cai. Mó heróizão esse balde, né? Mas se o Feltrin tivesse escrito:

Na última terça-feira à noite, enquanto Carlos Tramontina, 53, ancorava o “SPTV 2ª Edição”, um balde providencial, semioculto no estúdio, coletava a água que caía por uma goteira.

o balde não precisaria se espremer tanto pra passar pela goteira. E ainda executaria sua função de forma digna e honrada – e em rede estadual de televisão, olha que chique! 😀 Inda mais se levarmos em conta que ele (o baldinho) apareceu glorioso durante a matéria sobre a chuva que se precipitou sobre a cidade…

Ou isso ou eu contrato esse balde ninja pra trabalhar lá em casa. tô com uma goteirinha indigesta no quarto do feiticeirinho, viu? Se ele conseguir passar por ela e coletar a água antes que ela passe pela goteira, vai ser show!

Pneus recauchutados, português careca (ou com a cara enfiada na terra feito avestruz por causa da vergonha alheia que o texto causou, vai saber…)

quinta-feira, março 18th, 2010
GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Já vou avisando: esse post é forte demais para pobres corações desavisados.

Resolvido a me chocar, marido me mostra este site aqui [aviso da bruxa: ao clicar no link fornecido, certifique-se de que você não tem canivetes ou facas por perto, porque a vontade de cortar os pulsos será incontrolável], de uma empresa que faz recauchutagem de pneus para veículos pesados.

Vou nem entrar no mérito do uso do Flash, nem dos desenhos, nem de nada do que ainda está te chocando (e por favor, pare de pensar em facas nos pulsos!). Vou direto pro texto em destaque aí em cima (que, justiça seja feita, está à altura do site):

Fundada em 1.973, a Centro Sul pneus surgi, no mercado, atuando no seguimento de Recondicionamento Pneumático ( Recapagem e Recauchutagme de Pneus, nos Sistemas á quente e a frio) utilizando tecnologia totalmente automatizada de última geração.
A Vulcanização á Frio, também conhecido como, Pré moldados, é controlado pôr sistema informatizado ( 3ª pressão), um grande diferencial em nossa atividade

Fundada em 1.973 [De acordo com o Manual do Estadão:  “Escreva os algarismos, de 1.000 em diante, com ponto: 1.237, 14.562, 124.985, 1.507.432, 12.345.678.543, etc. Exceção. Na indicação de anos não há ponto: 1957,1996, ano 2000“. Como se esse fosse o maior dos erros desse texto!], a Centro Sul pneus surgi [Ai. É surgEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE, com EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE], [e essa vírgula aqui?!?!?!!?!? É pra separar o quê de quem, Deusdocéu? Entre sujeito e predicado LÍNGUA NENHUMA DO MUNDO ACEITA VÍRGULA!!!!] no mercado, atuando no seguimento [é nisso que dá confiar cegamente em corretor automático de texto! Seguimento inté inzeste, como diriam os matutos, mas não serve pra falar o que o seu moço quis dizer não! Aqui, o correto seria segmento, mesmo!] de Recondicionamento Pneumático ( Recapagem e Recauchutagem de Pneus, nos Sistemas á [aê, meu tio! Sabe aquele botãozinho no teclado que tem uma setinha apontando pra cima? ele é conhecido como botão de shift! (lê-se xífite). é parecido com o botão de maiúscula da máquina de escrever. Então, se o senhor apertar o xífite e o botãozinho dos acentos ao mesmo tempo, o senhor consegue o acento da crase. Mas não se avexe em corrigir o acento, porque esse a não tem nem acento pra esquerda nem pra direita, num visse?] quente e a [se o cabra acentuou o “á quente”, por que este daqui não foi acentuado? pô, se é pra errar que mantenha ao menos um padrão, oras…] frio) utilizando tecnologia totalmente automatizada de última geração.

A Vulcanização á [Já contei lá em cima a historinha do botão do xífite. Mas aqui também não tem acento, viu, meu tio?] Frio, também conhecido [Cristorrei… A vulcanização é conhecidAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!] como, [e essa vírgula daqui também foi excesso, tá?] Pré moldados, é controlado pôr [ô, meu tio! Na ortografia da língua portuguesa que em vigor estará até 2012, pôr com acento é verbo! Nesse caso daqui, você usou uma preposição! Num carece de acentuar, não! E, pelo que me indica tio Antônio, a Nova Ortografia mantém essa regrinha, num visse?] sistema informatizado ( 3ª pressão), um grande diferencial [Certo, certo… grande diferencial, né? Três mamilos acompanham?] em nossa atividade.

Será que tem jeito? Vamos recauchutar esse texto: (Aiomeucagalho! o @#$%$%¨$%¨$% do WordPress não tá mais marcando palavras cortadas! ‘Bora refazer a correção, porque eu dei “publicar” e nem fui no site ver como ficou depois… malzaê, galera! Ofereço minhas costas para açoite por três segundos! 😀 )

Fundada em 1973, a Centro Sul pneus atua no segmento de Recondicionamento de pneumáticos (Recapagem e Recauchutagem de Pneus, nos sistemas a quente e a frio), nos quais emprega tecnologia totalmente automatizada e de última geração.

A vulcanização a frio, também conhecida como pré-moldados, é um processo controlado por sistema informatizado (3ª pressão), um grande diferencial em nossa atividade.

Pronto! Agora, o veículo pesado pode rodar quantos quilômetros quiser, que não derrapa mais nas curvas da ortografia nem da gramática! Vá em paz, e que São Cristóvão e nossa Senhora do Bom Texto lhes iluminem os caminhos!

E que Nossa Senhora dos Erros de Revisão ilumine meu aplicativo WordPress, porque o troço tá batendo pino aqui!!!!

De parônimos e enfrentamentos

domingo, fevereiro 28th, 2010

Ectoplasma suíno fresco por estas bandas me contou algumas deliciosas porém indigestas histórias de amebas escreventes. Como a de um cidadão que concedeu, via e-mail, autorização a seu subordinado para executar determinada tarefa:

Fulano,
Enfrente
!

Lindo, não?
A ameba quis dizer em frente, mas escreveu enfrente. Tentei imaginar o que se passou pela cabeça da ameba na hora em que ela escreveu enfrente, mas desisti. É, eu sei que eu insisto em sempre partir do princípio de que coisas desse tipo não só têm cérebro como sabem ler fluentemente.

Daí que eu desconfiava que esse fenômeno de palavras com som igual mas escrita e significados completamente diferentes tinha um nome específico. Tio Antônio me contou:

Parônimos

adj.s.m. (1858) gram ling 1 diz-se de ou cada um dos dois ou mais vocábulos que são quase homônimos, diferenciando-se ligeiramente na grafia e na pronúncia 1.1 diz-se de ou palavra cujos fonemas podem se confundir com os de outra(s), por razões etimológicas ou simplesmente tônicas (p.ex.: deferir: diferir, descrição: discrição, emigrar: imigrar etc.)

Quer dizer, domingo à tarde, e a ameba me faz ir ao dicionário pra ver o que é um parônimo!

Se eu recebesse o supracitado e-mail, eu obederia cegamente à ordem!

Iria à sala do meu chefe, chamá-lo-ia (a mesóclise é minha e eu a enfio onde dona Gramática me autorizar!) pra briga durante dez segundos (E aí, mermão? Vai encarar? Tu num é de nada, não! Vem cá pra tomar uns tabefes pra tu ver o quanto é bom) e, logo em seguida, com a maior cara de Fagundes, o puxa-saco, diria: e aí, chefinho, enfrentei de acordo com suas expectativas?

Porque eu sou cínica! E me lembrei deste causo, que não tem nada a ver com parônimos – só com enfrentamentos… 😀

No último lugar onde eu trabalhei, o chefe da redação me mandou, certa feita, o seguinte e-mail:

Dê um pulinho aqui!

Eu não conversei nem questionei: fui até a sala dele, pedi licença, dei um pequeno salto na frente dele, depois fiz cara de Fagundes e disse com sua licença, chefinho!, virei as costas e fui embora.

Ele riu da situação e me chamou pra tomar um cafezinho…

(Não, eu não fui demitida! O chefe que viu que me deu margem pra piadinha sem graça, e aceitou a brincadeira numa boa!)

Dona Gramática se vingou do ladrão de textos

sexta-feira, fevereiro 26th, 2010

(Ufa! Foi difícil arranjar tempo pra escrever hoje! mas vamos lá!)

Enviei este link aqui pelo Twitter ontem antes de ir dormir. Devo confessar que não li com cuidado, foi só uma passad’olhos, mesmo.

Hoje abro meu Twitter e vejo que um dos oráculos do rock notou um erro muito feio de português, e avisou a esta bruxa que vos fala:
roger

Daí que eu fui conferir de novo o texto em questão:

Conhecido na web como Roberto Chalita, o internauta, que se identifica como contador, é acusado de plagiar textos de oito blogueiros, usar em sua página na internet e no blog hospedado pelo Jornal de Vinhedo, veículo em que foi afastado como colaborador. A acusação é feita por Eduardo Goldenberg, Arthur Tirone, Bruno Ribeiro, Fernando Szegeri, Luiz Antonio Simas, Leonor Macedo, Paulo Thiago e Felipe Quintans.

Quer dizer, a história em si já é surreal (não vou copiar o texto integral aqui pra não criar uma piada pronta, façam o favor de clicar no link fornecido lá em cima pra verem do que se trata), daí vem o comuniquese e dança o rebosteio?

OK, comuniquese, bem-vindo ao Caldeirão!

Lembre-se da regrinha: quem é afastado, é afastado DE alguém ou DE alguma coisa. portanto, a frase lá em cima ficaria correta se fosse

(…) veículo de que foi afastado como colaborador.

Mas legal mesmo ela ficaria se fosse

(…) veículo do qual foi afastado como colaborador.

Ainda assim, tenho cá pra mim que isso foi vingança de dona Gramática pela coisa feia que o moço Chalita andou fazendo…

E mais uma vez, superobrigada, ó oráculo do rock, por me amostrar o erro do texto! 😀

Publicado com o WordPress