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TV Folha e a Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, ou o facepalm na cara da sociedade inteligente

terça-feira, março 18th, 2014

(Pra quem não sabe, facepalm é o nome daquele tapa que você dá na sua cara com a parte de dentro da mão, quando pensa “Ai, meu Deus, que burrice!”

Véi, sei nem por onde começar. Apenas digo pra você estourar umas pipocas porque o papo vai ser longo (traz um guaraná pra acompanhar, também, por favor…)

 

(CLique por sua conta e risco. Não aceitamos reclamações.)

A TV Folha fez um vídeo sobre os líderes da Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, edição 2014 (que doravante chamarei MFDCC, tá? Quero colocar essa marcha em pé de igualdade com eventos tipo Fashion Week). Daí que tem muita gente que não consegue ver o vídeo até o final por sentir repugnância. Então, eu resolvi ser bem legalzinha com vocês e descrever o vídeo. Porque o conteúdo é tão ruim, mas tão ruim, que beira a tragicomédia. batman-facepalm

Mas ó: total apoio a quem não conseguiu ver o vídeo até o fim. Nunca minha vergonha alheia atingiu níveis tão altos. A primeira vez que eu vi o vídeo acabei horrorizada, embaixo da mesa, com um saco de papel na cara porque OLHA… vamos contar o número de facepalms que eu fiz em cinco minutos de vídeo?

#Facepalm nº 1: Aos dezoito SEGUNDOS, com o primeiro personagem do vídeo, o Historiador Equivocado. O moço diz que “o povo foi às ruas” no dia 19 de março de 1964.

Aí, fera, fala uma coisa dessas não que pega supermal pra você… pra começo de conversa, vamos definir “povo” na frase do tio aí de cima. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, as Marchas de 1964 foram “organizadas principalmente por setores do clero e por entidades femininas”. Então, pra ficarmos dentro dos parâmetros de honestidade, devemos dizer que a Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade foi organizada por setores da sociedade. Povo, não. Povo, povão, mesmo é a parte da sociedade que ou tá ocupada demais ralando o dia inteiro, ou tá enfrentando trânsito no transporte público a caminho de casa/trabalho ou tá fazendo faculdade à noite.

che-facepalm#Facepalm nº 2- Aos 32 segundos ele fala em contrarrevolução. Porque, né? Eles estavam se pelando de medo de um (favor ler com voz fantasmagórica) goooooolpe comuniiiiiiiistaaa…

Cara, em 1964, por mais insólita que a sugestão já parecesse (Jango Goulart, fazendeiro E comunista? Não rola, é contradição entre termos…), ainda fazia algum sentido no contexto do fla X flu da Guerra Fria, disputado a ferro e fogo entre Estados Unidos e União Soviética.

Mas em 2014?!?!?! Golpe comunista em andamento? Naonde que tem golpe comunista? Vivemos a mais capitalista das eras do Brasil, estamos a pleno consumo e a pleno emprego! Tá em dúvida? Pergunte a um banqueiro o que ele acha de golpe comunista em 2014…

#Facepalm nº 3: Entra em cena o segundo personagem do vídeo, o Esclarecido do Agronegócio. Fala em “setores esclarecidos da sociedade”. Tá. São esclarecidos. Mas me digam, por favor: que tipo de esclarecimento eles têm? A respeito de quê? O que eles sabem que a gente não sabe? Conta tudo pra gente, por favor…. (e até o fim do vídeo ele conta tudo, uma coisa….)

Aí, mais adiante, o Esclarecido do Agronegócio vai e diz que “A sociedade vem sendo imbecilizada há 50 anos, por todos os governos do crime repetidos” #facepalm nº 4: mas meu tio, pelo amor de Santa Genoveva, juntou tudo no mesmo balaio? Militar, não-militar, PT, PSDB… esclarecidão o senhor, hein?

Mas espere… se o governo militar há 40, 50 anos era um “governo do crime”, como o senhor mesmo disse, por que o senhor quer voltar com os militares? Então o senhor apoia o crime? Cejura? Mas cejura mesmo? É impressão minha ou o senhor, do alto do seu esclarecimento, caiu em contradição?dog_facepalm

E a Mãezona de Família, preocupada em educar a filha de 17 anos, é a nossa terceira personagem. Gente, alguém avisa que a filha dela não terá problemas com os estudos, pelo contrário? Ela pode se valer do Ciência sem Fronteiras para ir estudar no exterior, e ainda volta doutora! Fique à vontade pra confiar na Dilma, dona Mãezona! Tá, parei.

A Mãezona de Família nos traz o #facepalm nº 5: o Brasil vai virar uma Venezuela e uma Cuba, e teremos quilômetros de filas pra comprar papel higiênico ou frango. Mas minha tia, com tanto empresário de comércio varejista salivando porque as vendas estão em franca expansão, onde já se viu esperar desabastecimento, falta de comida?

Quarto personagem do vídeo, batizado por um amigo do Facebook de “o Politizado em Download”. Que diz que é politizado a 85%. (O download falhou, coitado, cês tão vendo como é importante votar logo o Marco Civil da Internet, gente?) Só essa do politizado a 85% já renderia o sexto facepalm, mas minha cara tá doendo de tanto tapa que eu tô me dando. Vou dar um desconto.

Voltamos ao Esclarecido do Agronegócio, que nos diz agora que “os anseios da presidenta das república não representam os anseios da maioria da sociedade”. OK, aqui não dá pra economizar. #facepalm nº 6.

dilma-rousseff-facepalm[suspiro] Tio, é assim: de-mo-cra-ci-a. Aquele lance que diz que todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Esse lance é corroborado por um troço chamado e-lei-ção. Um megaevento, com megacobertura da imprensa, onde as pessoas vão e contam pra um troço chamado urna quem elas querem que seja o representante delas. Daí, ao final do dia, a urna é aberta e descobre-se quem teve mais votos. Esse carinha mais votado é o eleito. No caso, Dilma Rousseff foi escolhida em 2010 como a pessoa que a maioria da sociedade quer que seja a representante máxima do país.

Em democracia não rola esse lance de “setor esclarecido o voto vale mais; setor menos esclarecido o voto vale menos”. É tudo um para um. E se ela não corresponde aos anseios da sociedade mais esclarecida, corresponde aos anseios de todo o restante da sociedade. “Ah, Dilma Rousseff não me representa!” Ótimo! Direito democrático seu achar isso! Vamos pras urnas, escolher um candidato que te represente? Daí , fale com os seus e peça que eles também votem nesse candidato. Quem tiver mais votos, leva. Combinado?

Voltamos à Mãezona que diz que morre de vergonha dos políticos. Tia, aceite umas pipoquinhas aqui do meu balde, e vamos conversar. O que tem de mané que não me representa não tá no gibi. Mas o que fazer se eles representam outros setores da sociedade? Pedir divórcio do resto da sociedade? Num rola, né?scully_facepalm

Eis que retorna à telinha o Historiador Equivocado, dizendo que “não votaria num candidato com menos preparo do que eu!”. Ele, por exemplo, não teria problemas em achar um candidato em quem votar, porque eu listo vários com mais preparo do que ele. A começar pelos professores de história que sabem o que realmente significou a marcha das famílias em 1964. Aí ele diz que não vota em quem fala português errado. Querido, se for assim, você vai limar todo mundo! Pode começar com os que se dizem os “melhor(es) preparados”, porque o superlativo de locuções adjetivas é feito com mais. Então, o superlativo de “bem preparado” é “o mais bem preparado”. Mas isso aqui não é aula de português, e sim exercício de masoquismo. Voltemos aos facepalms.

O #facepalm nº 7 é um oferecimento do Politizado a 85%, que nos fala em “intervenção militar provisória”. Bom, eu vou evitar o caminho mais fácil de mandar o tio acabar o download de politização dele. Também vou evitar chamar a atenção de vocês pro tanto que o sujeito gaguejou antes de falar esse troço. Vamos lá. [longo suspiro].

Zuckerberg_FacepalmExiste um calhamaço de texto chamado Constituição da República Federativa do Brasil. Troço mó legal, levou um bom tempo pra ser feito, e foi resultado de muito esforço e muito consenso de vários setores da sociedade, representados por Parlamentares Constituintes.

Daí que essa Constituição prevê intervenções militares. Em casos extremíssimos. Falha no download do seu app iPolitizado 2.0 não é um deles, OK? E por provisório, entende-se um troço com prazo final. Quem, como e por quê vai determinar o fim desse prazo? Da última vez, imaginava-se que seriam alguns meses, e foram 21 anos. Ou seja: não rola, esquece.

Voltamos ao Esclarecidão do Agronegócio que nos diz que o grupo dele almeja seis objetivos nacionais permanentes. Bora conferir?

1- Democracia – check

2- Progresso – check

3- paz social e ordem pública – ah, tem sempre uns doidos que querem a volta da ditadura, mas nada que seja a transubstanciação do caos, né? Oops!

4- Soberania – check

5- Integração nacional – check

6- Integridade nacional – check

Isto posto, qual é mesmo o motivo da sua manif?

E mais uma vez a Mãezona dizendo que acha um absurdo não poder andar armada. Olha, gente, mó alívio saber que as famílias de Deus adoram andar armadas. É uma forma doce e singela de espalhar a mensagem de amor de Deus, né? Certeza que Deus tá jesus-facepalmmorrendo de orgulho da tradicional família armada brasileira.

Mas espere! O #facepalm nº 8 traz o Historiador Equivocado com a grave denúncia de que estão tentando implantar um bloco socialista na América Latina! Gente, alguém aperta o F5 desse pessoal, pelamor? Avisem que quem nasceu quando acabou a Guerra Fria já completou meio quarto de século? E que a Agenda Mundial já virou um bocado de página?

Não existe mais isso de “implantar o socialismo” ou “implantar o bolchevismo”, fazfavor! O que todos temos, salvo esta ou aquela nação, são regimes 100% democráticos com políticas de governo mais à esquerda ou mais à direita. Noves fora, os direitos individuais das pessoas permanecem I-NAL-TE-RA-DOS!

E se você pensa que o #facepalm nº8 foi o auge do vídeo, você ainda não viu o #facepalm nº9: o Teorema das Ferraris. Foi o Equivocadão quem desenvolveu o conceito (pára de rir, coisa! Tô falando sério!): “Imagina eu tendo uma Ferrari, tu tendo (o Godzilla-FacepalmEquivocadão não vota em si mesmo, isso é fato!) uma Ferrari, todos aqui tendo uma Ferrari. Imagine todo mundo tendo condições de viver num mundo igualitário. Não existe isso!” Aí não agrega mais valor ao camarote, tem que ver issaê! Traz a bebida que pisca! No que a Mãezona completa: “Isso é uma coisa nítida! Só quem mora no Morumbi já sabe!”

Ou seja: se você ralou pra caramba pra fazer a sua faculdade, se trabalhou até não poder mais pra comprar um carro, ou a casa própria, isso não pode! Você é pobre e tem que saber do seu lugar e se contentar com seu reles papel de serviçal na sociedade! Tudo isso explicado com o Teorema da Igualdade das Ferraris.

Não foi à toa que esse moço recebeu a alcunha de Equivocadão…

(Ah, sim: só pra lembrar, o #facepalm nº 1 foi o Equivocadão falando em povo, tá? Volta lá em cima pra conferir que eu espero…)

Chegamos àquele que é o meu #facepalm preferido, o #facepalm nº10. O Esclarecidão e o Equivocadão chegaram nos Illuminatti! Gente, agora tudo faz sentido! “Quem manda no Brasil não mora no Brasil, quem governa o Brasil é o Dono do Mundo”, diz o Equivocadão. Não sei se penso em Antônio Fagundes como protagonista daquela novela de mesmo nome do Gilberto Braga, ou se me lembro daquela música infantil dos anos 1980: “Vê qual é o nome do dono da terra, inventor do céu e do mar”. Acho que fico com o Fagundes…

Mas o melhor mesmo é quando o Equivocadão diz que o nome do Dono do Mundo é o Barão de Rotixíude.

Geeemt… Rothschild (lê-se róts-tcháudi) mudou pronúncia e ninguém me contou? Afff… (voltando lá no meio do vídeo, o mesmo cara que diz que não vota em quem não fala português direito tenta pagar de sabido e não sabe pronunciar Rothschild corretame… melhor eu parar, daqui a pouco vão dizer que eu tenho parte com os Iluminati!terceirizado_facepalm

Neste momento você vai dizer: “Ai, você é muito implicante! Ele não tem obrigação de falar inglês fluentemente!”, e eu serei obrigada a concordar contigo. Então, me empreste seu rosto para o #facepalm nº 11: Equivocadão dizendo que o Collor foi impitimado.

O Esclarecidão do Agronegócio convida a todos a entrarem no Google pra procurar se informar a respeito (Já dizia o ET Bilu: Busque conhecimento !). Olha, tio, devo confessar que eu joguei “Rothschild iluminati” e… ah, puxa! Acabaram-se as pipocas!

Deixemos de lado o Google só um pouquinho, e voltemos à Mãezona contando que o que tá acontecendo agora é o mesmo que aconteceu em 1964, e que, naquela época, “dentro do contexto, era o que melhor podia ter acontecido”. Nessa hora eu tive a impressão de que o Historiador Equivocado tinha ido ao banheiro e deixou a Mãezona dando entrevista, mas ele entrou em seguida pra fechar o vídeo de maneira brilhante: com um nariz de palhaço.

sextuplo_facepalmEscuta… Vai ter transmissão da Marcha na TV? Com narração de locutor de futebol? Ah, eu quero ver… Cadê meu balde de pipocas?

A clichetaria aeciana no Lugar Comum momesco dos substantivos abstratos

quarta-feira, março 5th, 2014

1450939_775317525827909_1244250478_nAi, gente, quanta emossaum!!!

Devo confessar a vocês que esta ectoplasma suína que vos fala toda segunda-feira de carnaval, desde 2012, faz questão de ler a coluna de Aecim na Folha de São Paulo. Virei fã quando o garboso senador mineiro-carioca cometeu este texto aqui, que eu tive que exorcizar (reza a lenda que, por causa do meu exorcismo, o sujeito que escreveu esse texto só não foi demitido das hordas de comunicação de Aecinho porque tem o rabo preso com o mensalão tucano. Mas essa história carece de confirmação, deixa prá lá…)

E não é que em 2014 eu fui brindada com mais uma clichetaria aeciana, minha gente? Esse texto está royalmente maravilhoso. Ele conseguiu misturar carnaval com Plano Real! Vamos acompanhar/exorcizar:

[Antes do início do exorcismo, deixa eu falar de uma coisa que eu acho que você deve ter aprendido. Você sabe me dizer o que é um substantivo abstrato? Explico: 

Substantivo é a classe de palavras que as pessoas usam para dar nomes às coisas. E essas coisas podem ser concretas, palpáveis (cadeira, mesa, caneta, computador, estojo, homem, mulher, criança), ou podem ser abstratas, e servem pra nomear ideias e conceitos (ordem, progresso, beleza, feiúra, comunismo, capitalismo, islamismo, etcetcetc.). Com isso, temos os substantivos concretos e os substantivos abstratos. Vou marcar em roxo todos os substantivos abstratos do texto de aecim pra vocês verem que se um dia essa subclasse de palavras for proibida, cabô discurso do PSDB!)

O país está em festa. Milhares de brasileiros estão nas ruas e passarelas do samba, [vocês tão vendo que nem a suposta ameaça de demissão evitou que o sujeito caísse novamente em tentação clichetária, né? Brasileiros estão nas ruas e passarelas do samba… cara, num dá pra ser menos escorreito, não?] protagonizando uma das maiores e mais bonitas celebrações populares do mundo e a nossa excepcional diversidade cultural [vou convidar cientistas britânicos para encontrarem alguma conexão entre o uso do verbo protagonizar e a capacidade de enrolação das pessoas. Mas antes eu grito BINGO! BINGO! BINGO! Cara, como tem lugar-comum isso aqui! E olha que estamos apenas no primeiro parágrafo!].

Neste momento, suspendemos as tensões e eventuais diferenças e idiossincrasias [Acho que o zifio que escreveu esse texto anotou um monte de palavras bonitas que ele poderia usar num texto sobre carnaval. Idiossincrasias ficou de fora da versão 2012, e ele tratou de enfiar uma idiossincrasia na versão 2014!] para ocupar as avenidas, sob o signo da alegria. Poucos fenômenos são capazes de construir uma convergência assim, tão ampla e verdadeira.[ai, que lindo! Esse desfile de clichês ao menos ficou mais positivo do que o de 2012!]

Pensando nela, lembrei-me de um outro momento da vida nacional que uniu os brasileiros, em um fevereiro como este, 20 anos atrás: depois de vários planos econômicos fracassados, o Plano Real acabou com a hiperinflação [BAZINGA! Lá vai o querido candidato falar da única coisa que presta do partido dele. Vamos acompanhar – atentem para o fato de que fevereiro é o elo entre carnaval e plano real!].

As novas gerações nem sequer podem imaginar o que significou uma era de descontrole inflacionário que dizimava a renda das famílias, aumentava a desigualdade social e impedia o país de crescer.

Sem pirotecnia, demagogia e quebra do ordenamento jurídico[ai, deixa eu me recuperar dessa metralhadora tucanamente abstrata para concluir que: puxa, acho que tem alguma mensagem cifrada aqui! O que será? hum? hum?] , instaurou-se uma agenda que contemplava os fundamentos da estabilização e do desenvolvimento, na mais importante reforma econômica do Brasil contemporâneo.

Outros avanços estruturais moldaram o país moderno e respeitado que somos hoje.

Mas a data de 27 de fevereiro é emblemática como ponto de ruptura com o passado de equívocos e o advento de uma nova ordem. Foi, acima de tudo, uma construção [E antes que você me diga que construção é uma coisa concreta, nessa frase foi usada com sentido metafórico, abstrato! Idem com a ruptura do início do parágrafo!] política, nascida na democracia e em diálogo aberto com a sociedade. Um exemplo de como a coragem e a responsabilidade podem ser instrumentos transformadores da nossa realidade[Agora imagine você, meu querido leitor, uma diretoria de uma empresa aguardando resultados em números, e o presidente vira pra todos e diz: “coragem e responsabilidade podem ser instrumentos transformadores de nossa realidade” A reunião vai acabar em pancadaria, porque os diretores vão concluir na hora: “FECHAMOS MAIS UMA VEZ NO VERMELHO, SEU BEÓCIO?” Tá, parei. Vamos voltar ao texto]

Mas nem o unânime reconhecimento que o Plano Real conquistou nesses anos foi suficiente para uma autocrítica daqueles [Daqueles, viu? Da-que-les… porque ele não é macho pra falar em PT e Dilma, né? Se falar, perde voto… então, vira aqueles…] que, apesar de terem se beneficiado dele, o combateram com ferocidade, pautados, como sempre, pelos seus interesses eleitorais.[Não há nada mais fascinante do que um partido político, inserido num sistema eleitoral, com claros interesses eleitorais, acusar OS OUTROS de terem interesses eleitorais. O PSDB não tem interesse eleitoral NENHUM, né? Bando de desprendidos….]

Todos sabemos que nenhum dos avanços obtidos nos últimos 20 anos teria sido possível se a inflação não tivesse sido derrotada. Esta é a verdadeira herança deixada pelo PSDB para os brasileiros, já incorporada ao patrimônio do país.[Muito bem! Bom menino! Mas e aí, depois que acabou a inflação, vamos todos ficar olhando uns pras caras dos outros comemorando o fim da inflação, ou temos mais o que fazer?]

Não podemos permitir que essa conquista se perca.[Novamente: pense na reunião do presidente com a diretoria…]

O país vive um momento delicado, de baixo crescimento [Baixo = terceiro maior PIB do mundo.] , inflação rediviva [nas páginas da Folha de SPaulo, né?] e credibilidade em risco [MA CHE CAZZO? Naonde que a credibilidade tá em risco? Quem faz pouco caso da nossa credibilidade, caramba? Gente, quem informa o PSDB, por Tutátis?!?!?! Nessas horas me dá uma vontade louca de me filiar aos tucanos só pra ver se eu ajudo com um pouquinho de workshop de oposição….] . A infraestrutura compromete nossa competitividade; a educação demanda uma gestão inovadora para cumprir o seu papel transformador; as instituições públicas, reféns de grave aparelhamento e pactos de conveniência, precisam ser resgatadas e devolvidas ao interesse público.[Eu adoro essa parte de sofrimento gerencial dos discursos do PSDB! eles falam tudo o que tem que ser feito. e nessa listagem do tudo tem que entrar mesmo esse rosário de substantivos abstratos. Mas pra explicar COMO tem que ser feito exige um cadim mais de neurônio, e de planejamento.  Algo que a nossa hipotética diretoria cobra desse suposto presidente de empresa e NUNCA consegue uma resposta….]

Crises graves, como a desassistência à saúde pública [Masgeeeemt… bando de cubano atendendo pobre ferrado nos cafundós do país é desassistência à saúde pública? afff…] e a violência endêmica [RÁ! Explicar, contextualizar e quantificar a ideia de violência endêmica é tarefa complexa pacas, né? Sair do mundo abstrato e ir pro mundo concreto das quantificações é difíiiiicil….] , merecem uma nova mobilização de todos os brasileiros, para fazer o país avançar mais.[De novo: cadê o macho pra dizer: “Não vote no PT, vote no PSDB, porque nós somos melhores!” Não, ele fica nesse reme-reme abstrato e conclamador de insurgências oníricas!]

Convergência. Coragem. Responsabilidade.[AAAAAAAAAAHHHHH, OUTRA  METRALHADORA TUCANA ABSTRATAAAAAAAAAA. Adoro! Isso não quer dizer absolutamente nada, mas eles falam mesmo assim!]  No país que é também do Carnaval [E zás! Nosso herói voltou ao carnaval! Ai, que lindo!], todo dia é dia de construir o Brasil que podemos ser [… e encerra no melhor estilo Humberto Gessinger! (“somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter…”)

E vocês têm medo dissaí? Véi, na boa, bora esoturar pipocas?

(Mas eu não posso encerrar esse post sem antes agradecer ao dileto ectoplasma suíno – mineiro Luis Carlos, que me enviou o link pro evento momesco de Aecinho. Valeu, zifio! \o/)

Oi? Quem disse? Eu disse! Quem disse eu? Eu disse eu!

segunda-feira, fevereiro 10th, 2014

vanzo

Quando uma manchete precisa de cinco bonequinhos Playmobil (Vanzo, você é um lindo! Roubei seu infográfico! Muack!) para ser compreendida é porque:

1- cabô menino jornalismo

2- cabô menina compreensão de texto

3- cabô vergonha na cara

4- cabô bom senso

5- cabô noção de mundo

 

No mais, acho que o Pica-pau também ajuda a explicar esse título do G1:

 

(E como faz pra controlar a vontade de gritar #PORRAFOLHA? A pobrezinha é inocente desta vez….)

De matemáticas, probabilidades e de PORRA, FOLHA!

segunda-feira, fevereiro 3rd, 2014

Mais um post em que eu sou obrigada a falar de matemática. Vamos lá, amebas. Vamos fazer uma continha pequenininha aqui.

Joãozinho tem 100 laranjas. Desse total 25 estão podres. Quantas laranjas boas Joãozinho tem?

A tia Maricota do primário te ensinou que a conta a se fazer é: 100-25 = 75. Portanto, Joãozinho tem em seu poder 75 laranjas de qualidade.

Essa mesma conta pode ser transformada em fração, né?

4/4 – 1/4 = 3/4

O que nos leva aos percentuais de 100%, 25% e 75%.

Isto posto, imagine que {insira aqui o nome daquela pessoa com quem vc vive sonhando em transar] ligue pra você agora e diga: “Oi, delícia! Hoje há 25% de chance de eu não trepar com você.” (agradeço ao @cardoso pela analogia concedida 😉 )

Me diga, por favor: você vai pensar no 1/4 de possibilidade de não trepar ou nos 3/4 de probabilidade de trepada?

 

O que nos leva à manchete da Folha. POOTAQUEPAREEO, ALGUEM CONSEGUE EXPLICAR ESSA MERDA?!?!?!?!

Porque, pelas NOSSAS contas daí de cima, um programa com 25% de fracasso é também um programa com 75% DE EXITO, CARALHO!!! PORRA, FOLHA!!! UMA MANCHETE DO CARALHO QUE VOCE PERDEU PRA FAZER PICUINHA, FOLHA?!?!?! PORRA, PORRA, PORRA!!!

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Mortos amestrados urgente

quarta-feira, janeiro 29th, 2014

Os mortos amestrados voltaram a trabalhar. Pra Folha, claro! <3

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O primo do vírgula-mas, a Folha e o desemprego no Brasil

quinta-feira, dezembro 19th, 2013

Hoje não vou apenas exorcizar o texto da (adivinha?) Folha (RÀ!). Começo a treinar pro meu mestrado, então vou me concentrar na análise semântica da coisa.

Vamos começar com a frase João é bonito, mas tá velho. Se João ouve isso, certamente vai começar a pensar em botox. E essa frase é tão canalha que eu ainda posso, cinicamente, dizer: “Mas eu disse que ele é bonito!” O problema é que a última mensagem, que contradisse a primeira, foi a que ficou retumbando nos neurônios dos ouvintes. Pois o vírgula-mas tem um primo tão canalha quanto ele, o apesar. Olha só o que tio Antônio diz dele:
Apesar

advérbio ( sXIII)indica, na oração ou sintagma a que dá entrada, uma ideia oposta àquela expressa na outra parte do enunciado, contrariando uma provável expectativa

Locuções

a. de
não obstante, a despeito de, pesar de

‹ a. da idade avançada, trabalhava diariamente › ‹ a. de ser jovem, era bastante responsável ›

Isto posto, acho que já dá pra gente começar a ler o texto épico (pra não dizer outra coisa) da Folha de São Paulo de hoje.

A notícia é simples: desemprego foi medido hoje. O índice é o menor desde que a medição começou a ser feita.

Aí a Folha me apronta isso:

19/12/2013 – 09h10

Taxa de desemprego cai para 4,6% e retoma mínima histórica [ou seja: a maioria dos brasileiros está empregada]

PEDRO SOARES

DO RIO

Apesar [olha quem abriu o texto! O primo canalha do vírgula-mas! Vamos acompanhar o raciocínio do repórter pedro:] do menor ritmo da economia no terceiro trimestre, da freada do consumo e do crédito restrito [uau,a economia vai mal, hein?], as empresas não lançaram mão ainda de demissões [Ainda, gente! Ainda! Quer dizer, não houve demissões, mas nós tamos aqui tudo na torcida pra que haja! O_o] e a taxa de desemprego segue em níveis baixos.[O desemprego tá baixo, mas a sensação dessa frase é que repórter pedro quer que isso seja negativo!]

[Agora vamos pensar aqui nesse primeiro parágrafo como um todo: ele abre com um apesar, que enumera uma série de supostos fatos negativos (permito-me esse supostos daí. Ao chegar ao fim da leitura deste post, vocês terão entendido o motivo) e termina com uma mísera oração (nem frase é, coitada) positiva e que, no frigir dos ovos, traz a notícia em si. Outra coisa: como muito bem lembrou o Pedro Alexandre no Twitter, esse parágrafo tá com todo o jeitão de ter sido “feito” pelo bípede (viram como eu sou boazinha? Parto do princípio que esse texto não foi editado de quatro!) que editou a matéria, e não pelo repórter.

Então, um lead (primeiro parágrafo de uma notícia, que resume a informação respondendo às perguntas Quem? O quê? Onde? quando? como? Por quê?)  que tecnicamente deveria ser “O IBGE divulgou nesta quinta-feira o índice de desemprego nacional, de 4,6%, igual ao registrado em dezembro de 2012, o menor índice da série desde que o IBGE iniciou a medição, em 2001.” , virou esse mafuá de mau humor e de mau agouro daí de cima, que de notícia, mesmo, só teve a última oração (“e a taxa de desemprego segue a níveis baixos”). voltando à tese de que o 1º parágrafo foi “montado” pelo editor, digo mais: o texto original do repórter começava com o que terminou sendo a última oração do primeiro parágrafo. E foi a única coisa do lead do repórter que o editor manteve. Isto posto, vamos ver o que mais nos aguarda. Mas, antes, deixa eu postar aqui uma imagem pra combinar com o tom do texto, pera.] 

1463720_608587872510287_1907597210_nEm novembro, o índice ficou em 4,6%, abaixo dos 5,2% de outubro, segundo dados divulgados pelo IBGE na manhã desta quinta-feira(19). O resultado é o mais baixo para o mês e iguala a taxa de dezembro de 2012, a menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2001[ou seja, o que tecnicamente deveria ter sido escrito lá em cima, no primeiro parágrafo, veio pra cá. Quer dizer: esse segundo parágrafo tem tudo pra ser o resto do primeiro parágrafo original do repórter, que o bípede da edição preferiu jogar pra baixo. Vai entender….]

Tradicionalmente, a taxa de desemprego declina nos últimos meses do ano, com a injeção de recursos na economia –vindos, por exemplo, do 13º terceiro salário–e a contratação de trabalhadores temporários no comércio e em alguns ramos de serviços e da indústria [Isso aqui é de fato uma informação relevante. Com a proximidade das festas de fim de ano, o comércio se aquece e começa a catar trabalhadores temporários. Por esse motivo, o mês de dezembro é o que registra os menores índices de desemprego].

O emprego, porém, [terceiro primo da raça adversativa, o porém. Irmão do mas. O último parágrafo disse que dezembro registra índices baixos de desemprego. Isso é uma informação positiva. O porém nos introduz uma ponderação negativa. Vamos acompanhar.]  já não mostra o mesmo vigor de meses e anos anteriores [puxa, que coisa! Isto significa que ele começa a declinar, é isso?] e cresce [não, ele cresce! Licença, eu tenho que rir aqui QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA pronto, voltemos à análise semântica] numa intensidade mais moderada. De outubro para novembro, houve alta de apenas 0,1% no total de pessoas ocupadas nas seis maiores regiões metropolitanas do país, número que atingiu 23,293 milhões. Já em relação a novembro de 2012, o IBGE registrou recuo de 0,7%.[aqui eu saio da análise semântica e entro na análise jornalística da coisa. Não vou me dar ao trabalho de abrir sáites e googlar informações para desmentir o que está dito aqui, porque não precisa. Digo apenas que:

1- Para se ter o real espectro do crescimento de outubro para novembro, o texto deveria ter falado da evolução do índice de janeiro até novembro de 2013. Isso ambientaria melhor o comportamento e as oscilações da economia brasileira num intervalo razoável de tempo.

2- O texto ficou tão mal redigido que esse 23 e quebrados milhões ficou solto e perdido. Refere-se ao número de pessoas desempregadas nas seis principais regiões metropolitanas do país [atualização das 20:00: reli o texto mal escrito bagarai e me dei conta de que esses 23 milhões são os EMPREGADOS, ao passo que o milhão lá de baixo são os DESEMPREGADOS. Texto mal-escrito tem dessas coisas: engana até editor-revisor! O_o #PORRAFOLHA!]. Ficou faltando informar quais são essas regiões metropolitanas, e qual o número total de pessoas economicamente ativas (portanto, aptas a trabalhar).

1450845_601867599848981_498426824_n3- Tradicionalmente, a comparação de índices é feita entre o período imediatamente anterior e igual período do ano anterior. Portanto, o índice de desemprego de dezembro de 2013 deve ser comparado com novembro de 2013 e dezembro de 2012. Comparações outras são permitidas, claro – desde que explicado o motivo. Se o único motivo que a Folha tinha para fazer essa comparação era mostrar um recuo de 0,7%, eu começo mentira, já comecei lá na primeira linha a me perguntar sobre a boa-fé das informações contidas nesse texto. Mas voltemos à nutiça:]

O total de pessoas em situação de desemprego (a procura [prometi análise semântica, então vou abstrair esse erro de crase. O certo é à procura de] de um trabalho) recuou 10,9% ante outubro e caiu 6,4% na comparação com novembro, atingindo um contingente de 1,131 milhão de pessoas. [ó só a informação que eu cobrei no item 3 da minha 

observação! Esse parágrafo diz que nas regiões analisadas, há um total de 1,131 milhão de pessoas desempregadas. Mas não informa o total de economicamente ativas. O que o texto diz – de maneira péssima – é que o número de desempregados é menor quando comparado com outubro e novembro deste ano! Mas meu Deus, isso é quase um cenário de pleno emprego! Cadê entrevista com economista pra falar sobre esses índices? Cadê entrevista com geral no IBGE pra falar sobre isso? Ah, peraí que eu vou pôr outra foteenha pra ilustrar esse texto] 

O mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor de antes [masgemt! Como pode? O desemprego lá embaixo do pé, reduzindo-se mês a mês, mas o mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor de antes? E que antes é esse? Qual o período a que o texto se refere?] diante de um cenário de juros mais altos[minha preguiça homérica de googlar Selic me impede de comentar isso aqui. Aumentou a Selic, gemt? Por que eu desconfio de que não aumentou? Ah, já sei: É PORQUE ESSE TEXTO TÁ UMA MERDA!] , confiança de empresários combalida e menor disposição de consumidores em gastar [Aposto um doce como em janeiro teremos o maior consumo evar em épocas natalinas, e empresários felizes da vida com tudo isso que está].

 

 

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Agora tentem me convencer de que acabamos de ler um texto jornalístico de qualidade. Não está fáceo, viu?

PORRA, FOLHA!

Já que a ordem é fazer merda, vamos fazer bem feita? PORRA, FOLHA!

sexta-feira, novembro 8th, 2013

Tanto já foi dito por tantos a respeito desta manchete vergonhosa

folha

que eu só vou falar mais uma coisinha que ninguém falou, de tão escandalizado:

PORRA, FOLHA!!! A VONTADE DE FAZER MERDA ERA TÃO GRANDE QUE VOCÊ ENFIOU VÍRGULA ONDE NÃO EXISTE, É?

EXPLICA DIREITINHO ESSA VÍRGULA DEPOIS DE PRESO, EXPLICA?

(OK, eu explico: sem a vírgula, a manchete diria que o fiscal ficou preso em uma gravação. E, COMO DEVE TER SIDO PROIBIDO MEXER NA MERDA DO TEXTO ANTES DESSA PARTE, nego achou melhor botar uma vírgula pra ao menos tentar deixar a coisa menos pior.)

MAS PUTAQUEPARIU, QUE MERDA DE MANCHETE, CACETE!!!

QUER FAZER MERDA, AO MENOS FAZ BEM FEITO, PORRA!

Bom, então vamos fazer uma manchete pra Folha.

Permitam-me manter a indecência e a falta de vergonha do texto original:

Primeiro, vamos contar os caracteres das duas linhas da manchete:

Prefeito sabia de tudo, diz = 27 caracteres

fiscal preso, em gravação = 26 caracteres (mais um espacinho sobrando depois do o de gravação, vamos contar 27 caracteres.

Que tal se trocarmos para

Fiscal acusa em gravação:

prefeito estava a par de tudo

Fiscal acusa em gravação: – (25 caracteres, com uma letra m fica mais recheadinho)

Prefeito estava a par de tudo – (29 caracteres, mas como não tem a letra m, dá pra espremer

PRONTO, FOLHA! QUER FAZER MERDA, FAZ BEM FEITO, PORRA!

Aliás,

PORRA, FOLHA!

PORRA, PORRA, PORRA!

(Eu até diria que o subtítulo termina com “Kassab diz que não sabia de nada” é a cerejinha do bolo da putaria, mas acho que já disseram isso. Não vou gastar teoria de análise do discurso com uma manchete tão torpe, tão vil, tão vergonhosa).

 

Atualização do domingo, com  o texto ÉPICO da Ombudsman (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsman/138267-sujeito-oculto.shtml) a respeito da manchete. Claro, vou comentar:

A manchete de sexta-feira passada da Folha –“Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação”– induzia o leitor a erro[AH, CEJURA? Mas por que você afirma isso? Manchete tão honesta….]. O prefeito de São Paulo é Fernando Haddad, mas a referência no grampo era a seu antecessor, Gilberto Kassab. [ah, puxa, que bom que cê sabe disso, né? Fico feliz mesmo! O_o]

O título partiu da transcrição de um telefonema em que o auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues dizia que deveriam ser convocados para depor “o secretário e o prefeito com quem trabalhei” [AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH então O PREFEITO COM QUEM ELE TRABALHOU é específico? Tem nome, partido?] , porque “eles tinham ciência de tudo”.

Ronilson foi subsecretário da Receita no governo Kassab e, na atual gestão, foi diretor na SPTrans de fevereiro até junho.[aaaaaaaaaaahhhhhhhhh, então a Folha de SPaulo SABE com quem ele trabalhou?]

O fiscal não cita nominalmente o ex-prefeito, mas é fácil deduzir de quem ele está falando[Cejura? Então, se é fácil deduzir, por que a manchete não “deduziu”?]. Foi na gestão anterior que Ronilson ocupou o cargo de zelar pela arrecadação de impostos, o que lhe teria possibilitado atuar na “máfia do ISS” –esquema de cobrança de propina que pode ter causado um prejuízo de R$ 500 milhões aos cofres da cidade.

“A Folha optou por transcrever a declaração do fiscal de forma literal, já que ele não citou nenhum nome e exerceu funções de confiança tanto na gestão atual como na anterior”[então deixa eu ver se eu entendi: a gestão atual instalou uma corregedoria e tá catando focos de corrupção; demitiu o sujeito assim que descobriu que ele tava mais sujo que pau de galinheiro; a gestão anterior… pera… vamos voltar ao que você, ombudsman, falou lá em cima: é fácil deduzir de quem ele está falando”] , diz a Secretaria de Redação.

O excesso de zelo [Kirida, excesso de zelo é passar protetor solar no rabo. O que a Folha de SPaulo fez não é excesso de zelo, é canalhice, é abrir mão do jornalismo objetivo e preciso e direto para investir em subentendidos, e duplos entendidos. TOME TENTO!] ficou só na manchete, já que a hipótese de que a frase do fiscal pudesse ser uma referência a Haddad não foi explorada na reportagem [OU SEJA: o duplo entendido – que é bem diferente de duplo sentido – ficou restrito à parte do texto que é lida pelos transeuntes, no meio da rua, ou pros leitores de home page, que não clicam no resto da notícia pra ler, né?]]. O “outro lado” foi apenas com Kassab, que classificou as declarações de falsas, mas não cogitou que o fiscal estivesse falando de outra pessoa.[ou seja: NEM O KASSAB TEM CULHÃO DE INSINUAR QUE O FISCAL PODE ESTAR FALANDO DO HADDAD.]

(…)

Lindo, SÓ QUE NÃO!

 

Sempre ela, sempre ela… ♥ ♥ ♥

sábado, novembro 2nd, 2013

Parece ciúme, viu?

Eu falo da minha tese de mestrado, falo do CNMP, aí ela percebe que eu estou há muito tempo sem falar dela, e ZÁS! Ela vem e apronta das suas (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/136731-teste-evita-biopsia-de-prostata-desnecessaria.shtml)!

folha

Ai, gente, é impossível não amar a Folha de São Paulo!

Aí o movimento radical machista vai dizer que trata-se de uma feminazi extremista que quer exterminar de vez as próstatas masculinas (porque, né? Vai que existe próstata feminina e eu não tô sabendo?) e etc. e tal e…

A alternativa seria simplesmente inferir que a autora do texto deveria ter escrito biópsia desnecessária de próstata, e trocou a ordem dos tratores das palavras.

Eu tenho medo de perguntar o que é uma próstata desnecessária. Mas vou um pouco na tese dos hipotéticos mascus: a autora do texto é mulher, então para ela próstata são todas desnecessárias.

Mas, ó, Folha: já tava morrendo de saudades de você por estas bandas. quero nem saber da Cynara Menezes que já deixou de te ler porque você contratou o Reinaldo Azevedo e você vai ficar reacionária e isso e aquilo. Você, Folha, tem um lugar especial no meu ♥.  Porque seus erros só você sabe cometer, né?

#PORRA, FOLHA!

(E um beijo bem estalado pra Karla Lima e pra Pia Pêra que me enviaram esse teteia deliciosa daí de cima)

 

 

Nós, naõ percisamos de reivsoers revisores capacitados

segunda-feira, outubro 28th, 2013

Imagine-se na seguinte situação: você é o Ministério Público do Estado de Minas Gerais. Seus escritos passam longe do português informal. Você deve seguir a norma culta de forma estrita e indiscutível.

E aí? Como proceder? A prudência recomenda contratar um bom revisor de português (melhor:  mais de um!), né? Afinal de contas, é uma questão de obrigação da formalidade do cargo etc e tal pereré pão duro.

Tá. Aí o Conselho Nacional do Ministério Público se reúne EM PLENÁRIA  para deliberar sobre a contratação ou não de revisores no MP de Minas. E acha por bem não contratar revisores. O argumento poderia até proceder (“nossos funcionários contratados passam por seleção que inclui prova de português, portanto eles têm obrigação de dominar fluentemente o idioma”). Mas ele foi argumentado num texto que deu até dó mentira, soltei boas gargalhadas de ler:

(Vou inserir ao final deste post as imagens do PDF referente ao texto cometido, que é pra vocês não pensarem que isso é invenção minha. Mas aqui embaixo vou copiar na base do CTRL+C/CTRL+V o texto tal qual foi escrito, e vamos às canetadas:)

– A competência para o trato linguístico não constitui atribuição exclusiva dos servidores graduados em letras, [data vênia, meritíssimos, mas eu discordo. A competência para o trato linguístico constitui, sim, atribuição de profissional graduado em Letras, cuja honra venho defender neste tribunal. Tal profissional terá especial atenção para detalhes que passam depercebidos de boa parte dos usuários da norma culta e padrão do português. E provo isso! Querem ver?] nem tampouco [<— PROVA Nº1: as conjunções nem e tampouco são sinônimas. Isto posto, dispensa-se o uso de ambas numa mesma frase. Seguidinhas, assim, então, melhor nem comentar… detalhes desse nível se destacam aos olhos de um bom revisor formado em Letras (cuja honra venho defender neste tribunal). Mas prossigamos com o textoAnalistas. A própria aplicação da língua portuguesa, [APRESENTO-LHES A PROVA Nº2: sujeito e predicado não devem ser separados por vírgula. Embora seja regra apresentada à exaustão no ensino básico, é o tipo de detalhe que qualquer pessoa pode cometer ao redigir um texto – até mesmo revisores. Mas a leitura atenta de um bom revisor, formado em letras, cuja honra venho defender neste tribunal, reconhecerá esse errinho, bobo porém grave segundo as regras da norma padrão.]  mostra-se fundida [<— PROVA N 3: Senhores meritíssimos, pelo amor da Data vênia, mas mostra-se fundida é uma expressão muito feia, por remeter a uma terrível expressão de baixo calão que deve ser sumamente evitada em textos compostos em norma padrão (ai, deu até vergonha)! Mas detalhes desse tipo não passam despercebidos de um bom revisor formado em Letras, cuja honra tá parei] … em toda e qualquer [<— PROVA Nº4A] atividade exercida nas dependências do Ministério Público.

– Concentrar toda e qualquer [<— PROVA Nº4B: a expressão toda e qualquer foi repetida no intervalo de apenas uma linha. Um bom revisor, formado em letras, cuja honra venho defender etcetcetc, presta atenção a firulas como a destacada, e substitui uma das expressões, de forma a manter os mínimos padrões de estilo de um texto que por obrigação segue os preceitos da norma culta] análise de correção de linguagem no universo da produção documental do Ministério Público de Minas Gerais em um número limitado de servidores com formação em letras inviabilizaria por completo [rufar de tambores….] a prestação a prestação [<— PROVA Nº5: queridos e excelsos magistrados. Vou concordar com Vossas Excelências na argumentação (ainda que discorde), só para poder lhes perguntar o seguinte: CARAMBA, ATÉ REVISOR DO WORD DETECTA REPETIÇÃO DE PALAVRAS!!!! COMO VOCÊS PUDERAM DEIXAR PASSAR UM ERRO DESSES?!?!?!?!?!?!?!] dos serviços aos quais se destina.

– No caso vertente não há desvio de função caracterizado, nem cargos de Analista vago[PROVA Nº6: os cargoS de Analistaø (isso aqui é um morfema zero, que indica o singular na língua portuguesa, mas isso Vossas Excelências não precisam saber. Basta um bom revisor…. daqueles, sabe? Isso! Formado em Letras! etcetcetc cuja honra e tudo o mais) mas onde eu tava mesmo? Ah, sim! Segundo a norma culta, a concordância do sintagma destacado deveria ser oS cargoS de analistaø vagoS, pois vagoS concorda em número com cargoS, e não com analistaø, pelo que todos os cargos criados foram devidamente preenchidos.
– Em cumprimento a [<– PROVA Nº7: Ah, Meritíssimos…. ninguém passa incólume a um errinho de crase, né? Basta aplicar a regrinha básica aprendida na escola, e substituir em cumprimento a resolução por em cumprimento ao que foi decidido, e veremos a presença da combinação de artigo mais preposição, motivo pelo qual o a destacado de vosso excelso texto deveria ter sido craseado. Mas, ó: um bom profissional de revisão (daqueles, sabe? Formados em Letras…) entende direitinho a regra da crase, e há muito deixou de usar macetinhos que o cidadão comum usa para fazer prova de vestibular. eles entendem a regra e sua aplicação de acordo com a norma culta. Entenderiam, neste caso, que o a faz uma conexão e uma especificação (especificação das mais especificantes, daquelas que recebem número e tudo o mais!), e essa dupla função lhe garante o acento grave indicador da crase. Mas isso um bom profissional de revisão etcetcetc cuja honra etc saberia etcetcetc]  Resolução CNMP nº 60, já existe PCA específico com vistas a analisar os planos de cargos, carreira e salários com regras claras para cada cargo.

 

MPMG

MPMG2

 

E vou parar por aqui. O documento tem mais 20 páginas, mais ou menos, mas esses paragrafinhos que precisaram de POUQUINHA revisão (olha a quantidade de texto original, em vermelho, e a quantidade de texto em azul, com meus comentários exorcizantes, e vocês perceberão que a revisão foi POUCA. E em CINCO – eu disse CINCO – parágrafos).

Data venia, juro por Deus que eu sou inocente. Não jurei nem rezei esse texto pra ser mal escrito. Ele já chegou ao meu e-mail assim, prontinho.

Mazó: se o MP de MG ai, ficou bonitinho escrito assim, não? Parece cosme e Damião! ♥ precisa de revisor nesse tanto eu não sei (os excelsos meritíssimos mineiros ao menos têm a humildade de aceitar o fato de que dominar as firulas da norma culta não é pra qualquer um). Mas o Conselho Nacional do Ministério Público, esse sim, coitado, tá precisando de um bom revisor profissional com formação em Letras, cuja honra cabei de defender neste tribunal…

(Mais posts desse nível e eu serei obrigada a criar uma nova categoria no blog: Vergonha Alheia)

Vamos todos morrer mesmo versão estilos artísticos

terça-feira, setembro 24th, 2013

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Depois do Grande Gatsby sombril da Folha, é a vez de o Destak (aquele jornalzinho – foco no inho- distribuído nos sinais das grandes cidades brasileiras) dar sua derrapada na revisão:

Barroco, barraco, qual é a vogal que vai duas vezes, mesmo, hein?

Beijo pra Hillé do Manual Prático de Bons Modos em Livrarias, de quem eu adquiri a fotenha.

O advento do último dia de abril

sexta-feira, março 1st, 2013

Queridos encostos,

Vou ensinar um feitiço pra ninguém nunca mais errar a quantidade de dias de cada mês.

 

Façam assim:

1- Fechem a mão direita como se fossem dar um soco em alguém.

2- Agora reparem o “nó” de osso que liga os dedos à mão. e repare que entre dois “nós” de osso tem um “vale”.

3- Comece a contar janeiro a partir do nó do dedo fura-bolo, e fevereiro será contado no “vale” à direita.

4- O “nó” do mindinho é o mês de julho.

5- E agora, Madrasta, cabô a mão, o que eu faço? – volte pro nó do fura-bolo e conte de agosto até dezembro.

6- Todos os meses contados nos nós dos dedos têm 31 dias. Os meses dos vales têm menos de 31 dias (30 ou, no caso de fevereiro, 28 ou 29).

 

Agora, vamos todos fazer esse feitiço juntos pra exorcizarmos o 31 de abril do Correio Braziliense!

(Mas antes eu agradeço ao Constâncio Viana Coutinho, que compartilhou a teteia (sem acento) no Facebook)

abrilCB

Vambora, conta com a ajuda de todos! /o\

Querido Fantástico….

segunda-feira, fevereiro 4th, 2013

Você está fazendo isso MUITO errado…

(Via Maristela Alves, no Facebook)

fantastico

Anônima só que não

quinta-feira, novembro 22nd, 2012

Antes de mais nada, peço milhões de desculpas à pessoa que me enviou esta teteia. Eu fiquei empolgadíssima pra postar, mas estava enrolada, copiei a imagem no meu desktop e simplesmente me esqueci… E me esqueci de tudo: não só de fazer o post como quem foi o dileto ectoplasma suíno que me enviou a imagem!

Então, meu caro / minha cara: se foi você, manifeste-se, por favor! Autorizo-lhe, inclusive, a me dar algumas chibatadas… 😀

Mas vamos ao que interessa:

Impossível não amar a imprensa brasileira, gente!

Essa coisa maravilhosa (por favor, refiro-me ao texto! A notícia é tenebrosa, credo-cruz!) que eu vou mostrar pra vocês veio da cidade de Viana, no Espírito Santo.

Acompanhem o drama:

A tia, Luciana Batista Moreira, de 32 anos, teve a identidade preservada. Só que não…

Parabéns aos envolvidos! \o/

A Essência do preconceito 2 – a missão

domingo, novembro 11th, 2012

A Veja desta semana superou-se no quesito vamos escrever bosta

O artigo de JR Guzzo tá… OK, vou me abster de comentar a qualidade desse troço. Vou PROVAR.

A Lele do Te dou um dado? atinou para um detalhe do texto:

 

Eu já havia feito isso com um discurso da Miriam Rios, há mais de ano, lembram?

Então, faço novamente. Vou substituir homossexual por negro; homofobia por racismo, e por aí vai. Todas as substituições estarão destacadas em negrito e vermelho.

Vou colar o texto original e o “adaptado” pra você poder comparar. E vou marcar como cortado partes do texto que citam casos factuais, nas quais a mera substituição não faz muito sentido, ainda que não perca de todo o valor (por exemplo: o texto fala do kit gay, e cita Oscar Wilde como homossexual, na substituição ele virou negro. A coisa não faz sentido, mas ainda assim ajuda a ilustrar. Nesses casos, cortei sem eliminar o texto. E olha que eu cortei pouco, viu?

Mas se você quiser desmerecer o texto pelo caminho mais fácil, faça como o Cardoso, e jogue a história da panela Tefal no Google.

Vamos lá?

Primeiro, o texto original, com os devidos destaques:

*****************

Parada gay, cabra e espinafre

Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser homossexual era um problema. Não é mais o problema que era, com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o homossexualismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao homossexualismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit gay” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que a atração afetiva por pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa gay” no país) fez insinuações agressivas quanto à masculinidade do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é gay, ou apenas pró-gay, ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o homossexualismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas gay é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do homossexualismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas, como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida gay, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade; divide, quando deveria unir. O kit gay, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao homossexualismo, e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os homossexuais devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa gay tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade gay” é que a “comunidade gay” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento gay” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os homossexuais, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Tem opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são suas preferências sexuais – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade heterossexual” para agrupar os indivíduos que preferem se unir a pessoas do sexo oposto. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.

Outra tentativa de considerar os gays como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50.000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos. Os homossexuais são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os heterossexuais; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra gays? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Não há proveito algum para os homossexuais, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra “homofobia”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do homossexualismo, como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa gay”. Ainda no mês de junho, na última Parada Gay de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270.000 manifestantes, e que apenas 65.000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de “homofóbica”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito” – mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o homossexualismo é considerado “homofóbico”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas do mesmo sexo podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os gays, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento gay serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Homossexuais podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Têm de respeitar a “legítima”, que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar a “homofobia” em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos gays, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização da homofobia” é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com a homofobia? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o homossexualismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Os gays já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser homossexual; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1.000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, homossexuais iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas gays ou projetos de lei contra a homofobia, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os homossexuais não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tornou possível aos gays, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de sexo.

Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.

*******

Agora, o texto “adaptado”:

 

Parada negra , cabra e espinafre

Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser negro era um problema. Não é mais o problema que era, com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o racismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao racismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit racial” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que gente de cor negra  é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa negra” no país) fez insinuações agressivas quanto à raça do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é negro, ou apenas pró-negro, ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 [Obs.: Esse é o crime citado no texto original, referente à injúria. O crime de racismo é a  lei 7.716/1989, também conhecida como lei Caó, que tornou o racismo crime inafiançável]  do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o racismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas negros é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do racismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas, como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida negro, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade; divide, quando deveria unir. O kit racial, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao racismo , e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os negros devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa negra tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade negra” é que a “comunidade negra” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento negro” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os negros, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Têm opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são sua raça – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade branca” para agrupar os indivíduos que não são negros. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.

Outra tentativa de considerar os negros como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 negros foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50.000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os negros; é a violência contra todos. Os negros são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os brancos; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra negros? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Não há proveito algum para os negros, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra racismo”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do racismo , como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa negra”.Ainda no mês de junho, na última Parada Negra de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270.000 manifestantes, e que apenas 65.000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de racista”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito” – mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o racismo é considerado preconceituoso”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de negros, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de negros, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Negros se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas de duas raças diferentes podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os negros, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento inter-racial serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Negros podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Têm de respeitar a “legítima”, que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar o racismo em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra negros que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos negros, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização do racismo é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com o racismo? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o racismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Os negros já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser negro ; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1.000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, negros iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas negras ou projetos de lei contra o racismo, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os negros não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tornou possível aos negros, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de raça.

Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.

 

Enfim. AVALIEM.

(Começo a sentir falta de uma categoria “Cejura?” aqui no blog. Da última vez que isso aconteceu, nasceu a “PORRA, FOLHA!” que, coitada, desta vez tem nada a ver c’a parada…)

E o ânus sempre acaba (mal) usado, coitado…

terça-feira, outubro 30th, 2012

Vergonha alheia. Mau gosto alheio. Falta de noção alheia. Tudo alheio. Inclusive a boa imagem do queridocliente. [suspiro]

Vou republicar este post de 2009. Só pra atualização.

Primeiro, fiquemos com o texto original de 2009:

 

Isto chegou-me no Twitter via Flávia Durante.

Não me canso de dizer aqui que amebice publicitária é sempre obra coletiva. O primeiro jênio tem a ideia, daí vem outro pra executar, outro pra apresentar ao queridocliente e duas ou três amebas-cliente para aprovarem a bagaça. Formação de quadrilha, portanto.

Não sei se  é o caso de compadecimento ou de vergonha alheia das amebas que inventaram essa coisa em forma de publicidade. Aliás, me digam se o queridocliente pagou para ter uma imagem positiva ou negativa nesse reclame(/expressãovelha), porque nem isso ficou claro. O que ficou claro, aliás, claríssimo, nessa obra, foi o palavrão. Que não seria de bom tom nem se a peça em questão tivesse como público-alvo a parada gay. Como se homossexual gostasse de agressão gratuita e de palavras de baixo calão só por ser homossexual…

[suspiro…]

E agora, a atualização tonitruante, com igual probleminha de separação inadequada de palavras, via João Márcio no Faceboook:

 

Conclusão:

Berra a cabra, berra o bode, sempre acaba sobrando para a região retrofuricular, como diriam os cassetas…

Títulos perigosos

terça-feira, outubro 23rd, 2012

Queridos jornalistas e políticos de cidades com nomes que sugerem um duplo sentido (Ponta Grossa, Curralinho, Pau Grande, Rolândia etcetcetc):

Muito cuidado com os títulos de redações que envolvam a cidade.

Porque uma hora ou outra vocês fazem um troço desses

E nem se dão conta do que aprontaram…

(Com agradecimentos ao dileto ectoplasma suíno Fábio Mantovani, que enviou a diliça daí de cima via Twitter…)

Acuma?

segunda-feira, outubro 22nd, 2012

Nessas horas só repetindo Didi Mocó, viu?

Olha aqui o que encontrei Facebook afora. Descrição de uma empresa:

 

Empresa oferece soluções inteligentes para a tomada de decisões na gestão de negócios e disponibiliza informações relevantes com dados atualizados que auxiliem na otimização dos resultados de negócios.

Não é vegetal, não é mineral, não é animal. É informática. Mas não sei se isso faz bem ou mal.

Também não sei se com essa descrição estapafúrdia consegue vender o borogodó dela.

Alguém tem ideia do que seja isso? (Eu chuto Data Warehouse. Um trem que poucos conseguem dizer pra que serve. Pior que o mineirinho da piada – quemcossô? oncotô? Proncovô?)

Aleluia!!!! \o/

quarta-feira, outubro 17th, 2012

Mais um milagre das redações! Conseguiu deixar viva uma sobrevivente!!!

E ó: ainda bem, viu?

Grávidas sobreviventes mortas, quando existem, costumam ser insuportáveis….

 

Um beijo pro jornal de Teófilo Otoni que nos brindou com tão maravilhosa pérola!

Subjuntivo, esse modo ignorado no prédio da Barão de Limeira

segunda-feira, agosto 27th, 2012

Enviado pelo dileto ectoplasma Luis Alacarini via Fêicebúque.

Mais um daqueles posts no qual eu sei nem por onde começar. Vou tentar começar explicando alguns modos verbais.

Porque, né? Quando você quer contar uma ação que não avente dúvidas ou questionamentos, seu modo é o indicativo.

Como o próprio nome dá a dica, ele indica a coisa que rola/vai rolar/já rolou:

Eu sou

Fulano nasceu

Beltrana morrerá de curiosidade.

Mas se a sua praia for a dúvida, ou o exercício da probabilidade/adivinhação, o modo que se adequa às suas necessidades é o subjuntivo. Ele não denota certeza nem indica coisa nenhuma, apenas fala de possibilidades e devaneios:

Que ele nasça bonito (ele ainda não nasceu, nem se sabe se ele vai nascer. Mas, quando isso acontecer, que seja assim)

Se eu estivesse em Paris agora (não estou em Paris, mas bem que essa possibilidade podia rolar, né?)

Quando eu tiver uma Ferrari (no remoto ou improvável dia em que isso acontecer -feat. senta lá Cláudia)

 

Isto posto,

ALGUÉM EXPLICA ESTA MANCHETE DA FOLHA DE SÃO PAULO, CACETE?!?!?

 

Não é certeza que o servidor vá manter a greve. Ele pode manter ou não.

Quedizê: o servidor que MANTIVER a porra da greve vai ficar sem a bosta do reajuste.

 

NÉ, FOLHA?!?!?!

PORRA, FOLHA!!!

 

Vou mandar o subjuntivo invadir o prédio da Barão de Limeira pra detonar uma bomba gramatical lá dentro.

Ele vai entrar de sussa, pois ninguém dentro daquele prédio é capaz de reconhecê-lo, mesmo…

 

Da importância do acento agudo na leitura da Bíblia, ou: Senhor, não permitais que energúmenos leiam a Vossa Palavra!

segunda-feira, agosto 27th, 2012

 

E eis que o Pastor não sabe a diferença entre adultera e adúltera.

E se acha o fodão pra interpretar texto da Bíblia…

 

Por que ninguém me falou deste vídeo antes?

Só mesmo a Cíntia Nunes pra me enviar esta pérola…

 

O_o

Mombaça, uma cidade do… oi?

segunda-feira, agosto 27th, 2012

Queridas Folha de São Paulo e France Presse,

 

A cidade do Quênia em questão é MombaSa, com um ésse mesmo.

MombaÇa, com cedilha, fica no Ceará:

 

 

E, pelo que Tio Google me contou, Mombasa (A) fica um cadim longe de Mombaça (B)

#Bjomeliga

 

 

 

Dorinha de mal com o verbo haver

quinta-feira, julho 12th, 2012

[suspiro]

Nada como uma bela escorregadela no Manoel (português) pra me fazer reabrir o caldeirão em grande estilo, néam?

Então, vamos analisar a tetéia (com acento, porque eu me apego muito aos acentos) recém-produzida pela Dora Kramer no twitter:

[outro longo suspiro]

Acho que vou fazer um postão que vai virar página especial, só com o verbo haver! Mas enquanto isso não acontece, vou contar um segredinho aqui:

Titicamente, quando o português ainda era um jovem e garboso mancebo e ainda tinha altas relações com o Latim, não tinha evoluído a ponto de criar um futuro do presente para seus verbos. (sabe como é, ele tentava passar de fase do game, mas morria antes, tinha que começar do zero, um saco….)

Daí que as pessoas usavam meique uma ameaça pra se referirem a um tempo que ainda estava por chegar. Mas pra isso, o verbo haver no presente do indicativo (antes que você pergunte: eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles hão. Agradeça a  Tio Antônio!) frequentava geral as altas e baixas rodas da sociedade.

Então, como eu dizia, lá em priscas eras, nego dizia

Eu hei de chegar em sua casa amanhã / ele há de chegar em sua casa amanhã

Essa locução “haver + preposição de + [enfie aqui o verbo principal de sua preferência]  acabou trocando de ordem, e ficou assim:

eu [enfie aqui o verbo de sua preferência] +verbo haver, ou seja:  

eu chegar hei / ele chegar há  

daí pro

chegarei  / chegará

foi um pulo e um beijinho, beijinho, tchau, tchau pro agá.

O resto é história. E futuro do presente do modo indicativo.

Isto posto, a expressão a ser combinada com  [verbo enfiado de sua preferência] que terá valor similar ao da locução verbal ir+verbo no infinitivo (vou falar / vou fazer / vou acontecer) é a expressão haver de.

Isso, é claro, se você quiser deixar seu texto metido a besta – no que contarás com meu total apoio! Atoron! \o/

Então, Dorinha, sua linda, ou você cria rapidão um trocadilho com o verbo haver e esse verbo dar mal enfiado no seu tuíte ou você deleta seu post.

Mas eu já orei pros deuses do print-screen!

*******************

 ATUALIZAÇÃO ÉPICA:

Observação tão maravilhosa do Flávio aí embaixo nos comentários que eu tive que subir o que ele escreveu:

Pode ter sido erro de pontuação:
1. Reclamar de Kassab? Quem? A Dê? (pode ser alguma conhecida da Dorinha que gosta de reclamar)
2. Reclamar de Kassab, quem? A Dê.
3. coloque aqui a “aversão” de sua escolha…

*************

#Bjomeliga

Ah, Folha… ♥♥♥

terça-feira, junho 12th, 2012

É sempre assim, gente!

eu começo a me condoer que estou há muito tempo sem atualizar o caldeirão, e vem a Folha me brindar com suas folhices…

 

Desta vez, ela apresentou sem mais delongas seu verdadeiro eleito para o Banco Central.

Reparem:

♥♥♥ Fernando Henrique Cardoso, presidente do BC segundo a Folha. ♥♥♥

Tem coisas que só a Folha consegue fazer

quarta-feira, abril 11th, 2012

Sei nem por onde começar. Bom, deixa eu começar agradecendo ao Loyola que, além de produzir esse avatar fófis de Cudi Ampola que eu uso, ainda me manda coisas como a que estampará este post.

Gente, verdade seja dita: a capacidade da Folha de gerar posts para este blog tende ao infinito. E tenho que dar o braço a torcer: o jornal da Barão de Limeira tem todo um estilo próprio, intransferível e inconfundível pra fazer merda. E uma folhice é eterna, não prescreve.

Esta daqui, por exemplo, tem praticamente dois anos. Vamos acompanhar:

Homem que esfaqueou três em mercado de SP foi contido meia hora após ataque

AFONSO BENITES [faço questão de manter o nome do autor da teteia.]
DE SÃO PAULO

“Quem quer morrer?”, dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo.[Tá. O texto até que começou legal. Eu distribuiria uns pontinhos no lugar das vírgulas que é pra dar pra respirar direito, mas isso realmente não vem ao caso. Próxima frase, por favor!]

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro[Epa! Citou o nome do estabelecimento! Na boa, não havia necessidade. E, se o autor realmente fizesse questão de citar o local, que o fizesse de maneira mais formal, tipos: “o hipermercado Extra da avenida tal, no centro de Guarulhos], ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90) […. e zás! Chegamos à nossa folhice em questão! Só tenho uma dúvida: isso aqui foi excesso de apuração ou jabá?].

Era dia de promoção –a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes)[RE-PI-TO: ISSO É EXCESSO DE APURAÇÃO OU JABÁ?!?!?!?!?!] . A loja estava cheia.

A primeira vítima foi o comerciante chinês Ding Yu Chi, 60, esfaqueado próximo à banca de tomates, ao lado da mulher. Sem motivo aparente, Araújo deu-lhe duas facadas na barriga. Afastou-se e voltou a esfaqueá-lo. Ao todo, desferiu oito golpes.

Ding andou por 30 metros e pediu ajuda. Seguranças disseram para ele se deitar no chão e esperar o socorro. Gemendo, no colo da mulher, dizia: “Não aguento mais”.

Uma poça de sangue se formou debaixo de seu corpo. Clientes começaram a gritar que um “maluco” tinha esfaqueado um homem. Seis mulheres desmaiaram.

A segunda vítima foi outro comerciante. Ele se deparou com Araújo, tentou fugir, mas foi ferido nas costas. Antes de fazer a terceira vítima (um fiscal do Extra atingido no abdômen), Araújo tentou esfaquear outro cliente, que jogou um carrinho de compras contra ele.

Pânico e correria duraram quase meia hora. “Quando começou a confusão, eu tinha acabado de passar minha primeira compra no caixa, às 20h41 [E ao chegar aqui nós percebemos que o zifio repórti peca por excesso, mesmo! O texto está muito bem escrito, com excesso de riqueza de detalhes!]. Quando acabou, eu terminei [Cejura que você terminou quando acabou? Que maravilha, isso, não? A conclusão que coincide com o término! Que grande revolução! Nego num pode elogiar muito um texto da Folha que eles vêm e pimba de novo, cacete!]. Eram 21h13″, disse a dona de casa Karina Marques, 31, exibindo o cupom fiscal com horários.

Um policial disparou dois tiros no meio da loja –mais gritos, mais pânico. Não o atingiram o agressor, que acabou detido pela PM.

A família de Ding estuda processar o Extra por omissão de socorro. Testemunhas dizem que ele sangrou sem parar na loja e só foi removido ao fim da confusão. Morreu ao entrar no hospital.

O Extra não divulgou cenas de câmeras internas. Em nota, informou ter “tomado todas as medidas cabíveis”. Também disse que acionou a PM, “lamenta profundamente o ocorrido” e se mantém “à disposição das autoridades”.

Preso, Araújo afirmou que era perseguido desde sua casa, em Guararema, a 40 km de Guarulhos, mas não disse quem o seguia. Segundo a polícia, ele não conhecia as vítimas. Na delegacia, disse não se lembrar de nada. Não parecia estar sob efeito de drogas nem alcoolizado.

A polícia ainda tem poucos dados dele. Só sabe que nasceu em São Bento do Una (PE) e nunca foi condenado. As outras duas vítimas passaram por cirurgias e não correm risco de morte.

 

O texto está realmente muito bem escrito. Tão bem escrito que eu aposto que o zifio era novo na Folha. Deve ter aprendido as manhas da redação e perdido toda a capacidade de escrever direito que Nossa Senhora da Boa ortografia lhe deu.

Mas aí eu fico pensando se esse jabá (Proposital? Inocente?) já não era um prenúncio ou, sem querer, uma compensação para o que aconteceria pouco mais de um mês depois

Enfim: PORRA, FOLHA!!!! SEU ESTILO DE FAZER MERDA É INIMITÁVEL, CACETE!!!!

UOL: criança não é humano

terça-feira, março 13th, 2012

Basta ver este título aqui:

A manchete

Crianças começam a testar remédio para combate à aids desenvolvido pela Fiocruz

foi dispensada porque, obviamente, criança é uma coisa, e humano, outra.

Sem mais.

Ecad, beijo na alma! ♥

sábado, março 10th, 2012

Depois desse quiproquó todo do Ecad de querer mas não poder e não entender o porquê de não poder cobrar direitos autorais de blog que enfia iutúbio em seus posts, eu só posso me manifestar com um post contendo um vídeo do iutúbio, néam? #numpresto #valhonada

Mas qual a música que melhor ilustraria esse quiproquó todo?

do lado dos blogueiros, acho que eu encontrei uma teteia que cai direitinho!

Vê se vocês concordam comigo: 😀

Vou deitar e rolar

(composição: Baden Powell e Paulo César Pinheiro)

Não venha querer se consolar
Que agora não dá mais pé
Nem nunca mais vai dar
Também, quem mandou se levantar?
Quem levantou pra sair
Perde o lugar

E agora, cadê teu novo amor?
Cadê, que ele nunca funcionou?
Cadê, que ele nada resolveu?

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

Ainda sou mais eu

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua
Que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me aturar
Quem cai na chuva
Só tem que se molhar

E agora cadê, cadê você?
Cadê que eu não vejo mais, cadê?
Pois é, quem te viu e quem te vê

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

Todo mundo se admira da mancada que a Terezinha deu
Que deu no pira
E ficou sem nada ter de seu
Ela não quis levar fé
Na virada da maré

Breque

Mas que malandro sou eu
Pra ficar dando colher de chá
Se eu não tiver colher?
Vou deitar e rolar

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua
Que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me aturar
Quem cai na chuva
Só tem que se molhar

E agora cadê, cadê você?
Cadê que eu não vejo mais, cadê?
Pois é, quem te viu e quem te vê

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

O vento que venta aqui
É o mesmo que venta lá
E volta pro mandingueiro
A mandinga de quem mandingar

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

Tragédia, homofobia ou redação de merda mesmo?

sexta-feira, fevereiro 24th, 2012

Aí você lê um troço desses e começa a elucubrar o que realmente aconteceu:

1- Quem morreu no Hopi Hari foi um travesti

2- Quem causou a morte no Hopi Hari foi um travesti

3- @ culpad@ pela morte no Hopi Hari foi um@ travesti

4- A morte do Hopi Hari foi encomendada a um travesti, que falhou na missão

5- A morte se fantasiou de travesti e foi passearno Hopi Hari

6- Um travesti tentou acertar a Morte no Hopi Hari

7- Uol refere-se a travestis de forma politicamente incorreta

8- O redator das chamadas do Uol falhou vergonhosamente na redação desse texto

 

Nessas horas eu sempre me lembro desse trechinho do Pica-Pau:

Oi? quem disse?

Abram alas para a clichetaria aeciana!

segunda-feira, fevereiro 20th, 2012

Primeiro eu me deparei com um tuíte que comparava Aécio Neves a Odorico Paraguassu.

Bocejei.

Que saco, nego num segura as pontas mas nem no carnaval?

Aí eu achei este texto. Li até o quarto parágrafo e comecei a bradar a plenos pulmões: EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOOOOOOO! EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOO!

E achei. O zifio minêro escreve às segundas-feiras para a (adivinha? Adivinha?) Folha de SPaulo (aêêêêêêêêê!!! Acertooooouuuu!!!!) e hoje, excepcionalmente, não escreveu sobre política, mas sobre carnaval. Ainda bem. Vou poder sacanear sem que nego me acuse de ser petista.

Antes de começar a exorcizar o texto aeciano, vou aqui celebrar o fato de Aécio tentar fugir da mesmice e aproveitar a coluna da segunda-feira de carnaval para escrever sobre… ah, tá. Carnaval. Vamos lá:

Carnaval

Segunda-feira de Carnaval. Escrevo na sexta anterior [Cejura? E nóis aqui tudo pensando que o texto é escrito assim, na hora em que a gente lê! Nossa, estou espantada em saber que textos impressos em jornais são escritos assim, com tanta antecedência!]  , antevendo [oração que começa com antever não se prenuncia boa coisa. Vamos acompanhar?] que o manto democrático da festa já terá descido sobre as ruas [GAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! CRISTORREIMEGUARDEEPROTEJAAAAAA!!! QUANTA CLICHETARIA!!!! E vamos combinar que manto democrático é de uma breguice sem par, né? Nada contra a democracia, mas imagens de mau gosto a ela atreladas deveriam ser proibiddas, por mais paradoxal que isto possa soar!].

[Agora vamos acompanhar a gênese de uma frase repleta de clichês que não traz nada de novo, nem informação, nem imagem, nada nada. Ó só:] Em uma mágica que nós, brasileiros, conhecemos bem, as asperezas do cotidiano [As asperezas do cotidiano! Cotidiano virou Bombril, Gemt!] terão sido colocadas em suspenso [terão sido colocadas! Subiu até o futuro e estagnou no particípio passado! (Ficou uma merda, mas não vamos chocar o douto senadô, né?] , ao ritmo contagiante [ritmo contagiante. Prá quê um texto sobre carnaval fala sobre Ritmo contagiante? é pra gente gritar BINGO!!! ?] da irreverência [irreverência é uma palavra useira e vezeira na mídia tradicional que quer dizer o seguinte: você se acha engraçadão, mas nego te acha um babaca e ridículo. Aí ele te chama de irreverente. Cuidado!].

Toda a alegria é bem-vinda [Cejura? Ah, olha que eu acho que não, viu? Alegria não é bem-vinda, não! Eu quero mais é saber de tristeza! Tudo a ver com carnaval! Num tô dizendo que esta coisa aqui é um desfile de clichês e lugares-comuns? Mas o que eu ainda não consegui entender foi por que o zifio gastou o espaço dele na Folha pra discorrer acerca do lugar-comum? Alguém me explica?], embora devam ser respeitados os que preferem utilizar esse momento para os ritos de recolhimento ou introspecção [<– típica frasezinha de político que não pode ficar mal com ninguém, aí joga beijinhos pro bloco da alegria contagiante e pro abre-alas do recolhimento ou introspecção! Mas ele ainda não disse a que veio, por Momo!!!].

A verdade é que, por uma razão ou por outra, esses são dias que se descolam da realidade [Meu Deus! O que é isso?!?!?!?!!?] . Por isso, não serei eu hoje a insistir em falar dela, com seus abismos e contradições [O_O].

Muitos já se dedicaram a estudar o caráter simbólico do Carnaval[Olha, até agora só consegui perceber neste texto uma perfeita fonte para se brincar de bingo-clichê com o tema carnaval. A gente escreve num papel uma série de palavras tipicamente usadas em textos mal-escritos sobre o tema, e quem riscar toda a lista primeiro enquanto lê o texto tem que gritar BINGO!]. Lembro aqui o mineiro de Montes Claros, Darcy Ribeiro[Santos partidarismos, Batman! como fazemos para mencionar o pedetista e brizolista histórico Darcy ribeiro! Ora, Robin, não se desespere! Darcy ribeiro era mineiro que nem Aécio!], antropólogo e educador, militante incondicional da vida e do humor[e de bons intelectos também, não se esqueça]. Não por acaso um visionário [visionário = genérico pra elogiar alguém]  que, com a ajuda do traço do gênio Niemeyer, implantou no coração do Rio o palco do Carnaval que encanta o mundo -o Sambódromo, também pensado como um “escolódromo” para os demais dias do ano[Só eu que imaginei a cena de Aecinho no Sambódromo olhando pros derrière tudo das zifia sambadeira?].

Pois é, Darcy tinha o senso agudo da brasilidade[Senso agudo da brasilidade, é? Darcy tinha isso, é? E isso é bom ou mau? ] e perscrutou [pootaquepareeoo!!! Prá quê esse perscrutar, cacete?!?!?!, no Carnaval [Perscrutar no carnaval! Se tem uma coisa que nego não faz no carnaval é perscrutar! Que tudo seja bem superficial e acabe na quarta-feira de cinzas!], a ambiguidade dos desiguais provisoriamente iguais[E neste momento concretiza-se em palav ras e ideias o motivo do texto de Aécio Neves: jogar na vala do lugar-comum todo e qualquer estudo sociológico sobre o carnaval!], hiato ecumênico, porém insuficiente para todos os que lutam pelo sonho de um país justo [E neste segundo momento Aécio se torna um pungente exemplar do político lugar-comum que se vale dos clichês do carnaval para lembrar,  de forma ainda mais clichê, das mazelas do país pereré pão duro blablabla].

Ao toque do tamborim [queridos leitores: “ao toque do tamborim” é motivo para eu me retirar do local e de parar de ler qualquer texto. Mas como gosto muito de vocês, vou continuar por aqui!], acredito que ele [ele? Ele quem? Ah! O darcy? Coitado, cê continua a falar dele? Ah, então vamos ver…] era um dos que tratavam de trocar a reflexão pela festa. Mas, lá no fundo da alma de folião[O parágrafo começa com “ao toque do tamborim” e lá pelas tantas traz um “no fundo da alma de folião”. De novo, leitores: só tô lendo por causa de vocês, hein?!?!!?] , devia permanecer doendo-lhe a clamorosa consciência [doendo-lhe a clamorosa consciência! Clamorosa consciência, gente!!!! O que é isso?!?!?!?!e esse troço ainda dói!!! paporra!!!!] acerca de [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Aécio é daqueles que acreditam com todas as forças que um texto elegante é aquele no qual todos os “sobre” são substituídos por “acerca de”? Ó, alguém avisa pro Aécio que “acerca de” cria um terrível cacófato que, no caso dele, beira a piada pronta?] uma sociedade partida ao meio[é com a alma lavada e enxaguada no mais limpo sabão em pó…], da desassistida solidão dos mais pobres [Desassistida solidão dos mais pobres! Mas é claro! Odorico Paraguassu feelings! , dos resquícios de uma exclusão herdada da escravatura.

Como já disse, não é hora de ficar resmungando sobre a realidade [Cejura? Ah, mas tava tão bom! só que ao contrário!] , nesses dias e noites em que o exercício de racionalidade [Exercício da racionalidade!!!!] abre alas para os adereços [Bingo! bingo! Bingo!!] da paixão e da euforia.

Rompida a alvorada da quarta-feira de cinzas[ Rompida a alvorada!!! Quedizê, ele não só usa e abusa dos clichês como ainda aplica os de mais mau gosto, é isso?], os nobres fictícios de tantas passarelas, sobre as quais escoam hoje país afora[Sério que ele escreveu isso? Sério que ele acha que isso é bonito? Sério que ele se acha sério?] , os cordões do Carnaval, irão, com justiça e razão, continuar reivindicando a construção de avenidas mais amplas e generosas, por onde passará um país mais digno e mais próximo daquele que os brasileiros merecem.[2012: antes do fim do mundo – mais que bem-vindo, diga-se de passagem- temos eleições municipais! Aê, candidatos, vamos alargar as avenida tudo, hein?]

Concordo com os que pensam que o Carnaval é um evento mais complexo do que parece. Acredito que sua diversidade e sua irreverência tantas vezes crítica não entorpecem, não iludem -pelo contrário, iluminam, revelam e expõem fantasias que não amortecem, mas desafiam a realidade[agora quem pergunta osu eu: o que pensa Aécio Neves sobre o carnaval? Ele já se decidiu?].

Esteja você onde estiver, bom Carnaval! E que depois dele possamos nos reencontrar com a nossa realidade mais alegres, mais solidários, mais dispostos a ousar e a sonhar [Tipos:ele tá deprê, mas respeita o seu direito de curtir o feriado. e avisa que, quando acabar o seu feriado, ele vai continuar a te despejar depressões. Vamos fugir, vamos?] . Porque disso também é feito um país: de solidariedade, de ousadia e de sonho[Cejura? Cejura? Cejura?]

A Aécio Neves, tenho um duplo recado multimídia.

O primeiro, uma aula de como fugir dos clichês e falar de carnaval e de mazelas históricas dos brasileiros. De um tal de Chico Buarque, não sei se você já ouviu falar. Presidente de honra do clube dos pegadores de mulé…

 

E a segunda, a ressurreição de Odorico Paraguassu, o exú que baixou nocê e te ajudou a parir esse texto.

Enfim, zifio, feliz carnaval procê também!

(E, como esse texto foi publicado na Folha, vai entrar na categoria PORRA, FOLHA! – por honra ao mérito!)

(P.S.: Num espalha, mas meu maior medo é descobrir que o Haddad também escreve assim)

 

Globo ponto com e a piada do… (pode falar judeu?)

sexta-feira, fevereiro 17th, 2012

A Cecília me mandou por e-mail um exemplo que me fez lembrar uma piadinha velha.

Diz que o judeu uia! Pode falar judeu? Sionista – não. Hierosolimita – não, isso é gente que nasce em Jerusalém enfim, o marciano Jacob liga pro jornal pra pôr um anúncio fúnebre:

– Gostaria de colocar um nota fúnebre do morte de meu esposa, diz ao atendente.

– Pois não, quais são os dizeres?

– Sara morreu!

– Só isso? espanta-se o rapaz.

– Sim, Jacob não quer gastar muito.

– Mas o preço mínimo permite até 5 palavras.

– Então coloca: “Sara morreu. Vendo Monza 94.”

 

Por esse mesmo raciocínio, a Globo ponto com (lá embaixo, sob entretenimento) resolveu aproveitar ao máximo o espaço na chamada de capa pra uma reportagem do Ego (vocês sabem que eu amo o Ego, né? Esse site é um exemplo pra mim – só que ao contrário!) falar da Ana Furtado (quem? Sei lá! Só sei que usa botox, então deve ser subcelebridade!) mas onde eu tava mesmo? Ah, sim! Tava falando desta chamadinha da home da globo ponto com:

Imagino o diálogo entre os autores da obra:

– Taca uma chamada da Ana Furtado na home! – diz o editor.

– Pô, e diz o quê? – retruca o estagiário Ih! Acho que é a primeira vez que eu consigo usar retrucar num texto meu, me deixa!

– Ah, diz que ela não comprou a vaga de rainha de bateria e diz mais alguma coisa qualquer aê! – Editores, esses seres amados ao contrário…

Ai lá vai o estagiário, dá uma passad’olhos no texto do Ego (porque nem estagiário consegue ler aquele troço inteiro) e taca:

– Pô, sobrou espaço pra mais de 10 caracteres, que que eu faço? – pensa (é, o MEU estagiário pensa. Só de vez em quando, mas pensa!) o estagiário.

Aí lá vai o infeliz, lê mais um pouquinho aquele texto sobre as “Operárias do Carnaval” (conjunto da obra é pouco pra definir a falta de tudo dessa…. SÉRIE?!?!?!?! É UMA SÉRIE?!?!?!?!!? GAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH) e encontra a palavra “preconceito” logo na segunda pergunta. E pensa:

– Putz, perfeito! Preconceito tem 11 caracteres! E eu ainda aproveito o verbo! (é, o MEU estagiário sabe o que é verbo….)

E manda ver:

Rainha magrinha, Furtado afasta boato de que ‘comprou posto’ e preconceito

Aí, ele não sabe dizer se ela afasta o preconceito e os boatos, ou se os boatos SÃO fruto de preconceito (o “e” antes do preconceito pode ser um é sem acento, vai saber….), ou, ainda, que o posto e o preconceito foram adquiridos mediante pagamento. E o coitadinho do estagiário nem conseguiu vender seu Monza 84!

Se o estagiário apostasse no genérico infalível

E se diz feliz 

Teria completado a lacuna sem dar ao leitor a chance de múltiplas interpretações…

Enfim, evoé pra todo mundo!

 

Contradição entre termos

quarta-feira, fevereiro 15th, 2012

Tá puxado, viu?

Abro minhas redes sociais e dou de cara com uma aberração em forma de twitter que vai ser difícil ser superada (muito embora em ano de eleição eu não duvide de nada).

Antes de mais nada, deixem eu trazer aqui alguns exemplos de contradição entre termos:

  • Descida ascendente – ou a coisa desce ou a coisa sobe. Os dois juntos não dá – a não ser que você esteja subindo numa escada rolante que vai pra baixo, mas isso não vem ao caso…
  • Naso-judaico – ou você é nazista ou você é judeu. Os dois juntos ao mesmo tempo não dá pra ser. Por quê? Bom, porque se você for nazista você vai querer matar judeu, e se você for judeu você vai querer dizimar as ideias do nazismo da face da Terra. Só por isso.

 

Enfim, foram só alguns exemplos de expressões que não podem andar juntas porque se anulam.

Mas calma que eu ainda não cheguei ao ponto que eu queria chegar, peraí.

Então, vamos a mais uma definição de expressões da língua portuguesa. com a palavra, Tio antônio. O que é laico?

Laico

1 que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo

Exs.: um membro l. da congregação

 um l. no meio do clero

2 que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos

Exs.: é próprio de um espírito l. reverenciar o conhecimento científico

 os l. se opõem ao ensino religioso nas escolas públicas

 n adjetivo

3 que é independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa

Ex.: educação l.  

 

Agora sim, podemos começar o post propriamente dito:

Alguém explica?

Ah, não, Bruxa! É mentira! Ele não disse isso! Disse sim, ó….

Tudo isso pra dizer que laico-cristão é uma contradição entre termos. Assim como são contradições entre termos laico-islâmico, laico-judaico (essa ao menos rima!), laico-umbandístico, laico-Sagrada Igreja do Pônei Rosa de Santa Cher ou laico-[insira aqui a religião de sua preferência].

Acho que por enquanto a melhor explicação foi a do Ednaldo Macedo: “É o famoso duplo twist carpado hermenêutico

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