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Moro, o agente da passiva

quarta-feira, setembro 21st, 2016

politica-3-moro-e-lula-1024x576Este post vai fazer mais sentido se você ler, antes, o post do Tijolaço que o provocou.

Vai lá que eu te espero.

Pronto?

Então, tá. Vou copiar do Brito as manchetes e a observação que ele fez. Vejamos as manchetes de capa dos principais jornais de hoje:

 

O Globo: Lula vira réu pela 2ª vez e será julgado por Moro

Estadão: Lula vira réu na Lava Jato e será julgado por Moro

Folha: Acusado de corrupção, Lula será julgado por Sérgio Moro

 

Agora, vamos fazer o que o Britto fez de “colocar em evidência”.

 Lula vira réu pela 2ª vez e será julgado por Moro

 Lula vira réu na Lava Jato e será julgado por Moro

Acusado de corrupção, Lula será julgado por Sérgio Moro

 

A análise tá certinha, Brito! A manchete de hoje dos principais jornais é:

Lula será julgado por Moro.

 

Temos uma voz passiva aqui. Usada de maneira canalha, safada e indigente.

Provo.

O objetivo principal da voz passiva é tirar o agente dos holofotes do início de uma frase (o que dona Pragmática chama de tópico)

A frase poderia acabar depois de julgado: Lula será julgado – ponto.

Ela já faria sentido. Uma oração em voz passiva é uma oração intransitiva. Não precisa de complementos.

Dona Maricota, em suas aulas de português, te ensinou que o “por Moro”, nessa frase, recebe a classificação de “agente da passiva”. Tá certinho. Só que essa classificação é Semântica, não sintática. Sintaticamente, “por Moro” tem o valor de um advérbio. Observe:

Lula será julgado amanhã

Lula será julgado no aeroporto

Lula será julgado irregularmente

E por aí vai. Tudo adjunto adverbial de tempo, lugar e modo. Por Moro também é adjunto adverbial (podemos chamá-lo de adjunto adverbial de, vá lá, agentividade). O fato é que adjunto adverbial é o resto da frase. Troço dispensável. Poderia ser omitido / ocultado da frase. Por que não foi?

ARRÁ!!

Porque a última palavra da frase é tão importante quanto a primeira. Temos uma frase que começa com Lula e TERMINA    EM    MORO. Entendeu? Termina em Moro. (sossega o facho que tem nada de teoria da conspiração aqui, é tudo Pragmática!)

Agora, vejamos o que o Manual de Redação do Globo (29ª edição, 2005, pág. 53) recomenda, com relação aos títulos:

Principalmente, em títulos, a força da frase depende da relação entre o sujeito e a ação (grifo meu). É por isso que “João terá seus bens leiloados” é inferior a “Bens de João vão a Leilão”.  A ação ocorre com os bens, não com João. (outro grifo meu).

Na verdade, o que Luis Garcia, o autor dessa coisa troço mequetrefa pitomba pacová manual, pronto, desse manual, diria se ele fosse um linguista competente (coisas que ele não é: linguista e competente), é que bens é o tópico da notícia, o tema  da notícia, e não João. (Ah, se um linguista fizesse uma revisãozinha básica nesses manuais de redação e estilo…) Sintaticamente falando, ele diria “Não use voz passiva. O agente tem que ter sempre destaque“.

E aí, querido leitor? Em Lula será julgado por Moro, A ação ocorre com Lula ou com Moro?

Pra mim, está claro e cristalino que Moro  é o agente prototípico da frase

Moro julgará Lula :

– Moro comanda o verbo

– O verbo comandado pelo sujeito Moro transita (por isso ele é transitivo direto) sua ação do sujeito até o objeto direto Lula, que tem seu estado final alterado pelo sujeito.

Colocar essa frase na caradura iria editorializar demais a manchete – mas galhéra entendeu DI REI TI NHO a mensagem. Duvida? Vai ver os comentários dessa notícia, e conte quantas vezes a frase Moro vai julgar Lula e suas variantes (é o moro quem vai julgar o Lula, é o Moro quem vai fazer justiça, etcetcetc) aparecem por lá.

Então, abiguinhos, hoje a gente entendeu como um jornalista manuipula uma informação e o raciocínio de seu leitor a partir de uma reles voz passiva – que você sempre achou que fosse embromação nas aulas de português.)

 

Pensa que acabou? Nãããããããooo…

Vamos ver a manchete da Folha:

Acusado de corrupção, Lula será julgado por Sérgio Moro.

Temos aparentemente duas vozes passivas, certo?

Aparentemente.

Esse acusado tem cheiro, gosto, forma e estilo de adjetivo.

Lula é um acusado. Se ele é acusado, conclui-se que alguma coisa existe contra ele (isso nas mentes mais suaves. Geral já raciocina: se ele é acusado, é porque ele é culpado e pronto!).

Quedizê: onde estava sua professora / seu professor quando você aprendeu particípio na escola?

Anexos amestrados falam à Veja

sábado, agosto 6th, 2016

Há muito tempo que o que a Veja faz deixou de ser considerado jornalismo. Nem dona manipulação gosta de ser usada pra explicar aquilo ali, porque até ela tem seus princípios, coitada.

Mas o texto deste finde dá um exemplo legal pra mostrar aqui pra vocês do que a imprensa faz, do ponto de vista sintático-semântico, pra manipular um texto.

A cagada O exemplo pode ser visto na reportagem desta semana, que eu só li porque o Brito do Tijolaço me mandou.

Mas antes de tripudiar com a revista Veja, parênteses rápido pra pedir a Bênção pra Thomas Payne, linguista dos bão da universidade do Oregon.

É Payne quem explica um paranauê conhecido como aumento/redução de valência verbal. O livro dele traz um monte de exemplo de línguas mundo afora que enfiam um sufixozinho no verbo, e mudam o significado dele e passam ele de intransitivo pra transitivo, ou incluem mais um participante numa frase transitiva,

As línguas europeias (Inglês, português e etecéteras) só conseguem fazer esstrem de aumentar valência verbal incluindo uma oração antes da oração principal.

Assim:

  • O bebê come papinha

Temos uma frase típica em voz ativa. O bebê é o agente da oração, Aciona o verbo comer, que altera o estado final da papinha. A papinha, coitada, começou a frase inteira, e terminou devorada pelo bebê-agente. Temos um verbo transitivo de valência 2 (alguém come alguma coisa. é um verbo que precisa ocupar um lugar no sujeito e outro no objeto). Como proceder pra aumentar a valência dessa frase? Assim:

  • A mamãe faz o bebê comer papinha

E enfiamos na história uma superagente (mamãe), que reduz os poderes do agente da frase principal (bebê), de alterar o estado final do objeto (papinha), que não importa quem seja o agente, vai terminar a frase fatalmente comida. Mas ganhamos mais um participante da começão da papinha.

Tá. Aí vocês perguntam: Bruxa, e daí que mãe fazer bebê comer papinha é relevante?

Migos, essa frase daí de cima é clássica na aula de valência. Ela ajuda a explicar teteias como a que a Folha de SPaulo publicou em 23/10/2014:

  • Ambição faz Dilma dizer coisas nas quais não crê

Se lá em cima temos um superagente que faz sentido que tenha poderes sobre o agente (bebê), aqui temos um candidato fraquíssimo a agente (não é humano, nem animal, muito menos animado. É um substantivo abstrato.), que ainda assim comanda o agente Dilma, que perde os poderes sobre dizer coisas. É a ambição quem comanda o falar de Dilma. Observem que eu não fiz nada além de analisar sintatica e semanticamente a frase!

Captaram a sordidez da coisa?

Intâo. Fechemos os parênteses e vamos à Veja desta semana. (Sem links porque ninguém vai dizer que foi no blog da Bruxa que vcs pegaram um link da Veja. Sou Bruxa mas sou limpinha!)

O lance da Veja não tem muito a ver com valência verbal, mas também consegue ficar à direita da escala de agentividade também criada pelo Payne, que mostra que tipo de gente/coisa é mais propenso a ser agente de uma frase (spoiler: coisas inanimadas e ideias são os menos agentes, ou os agentes mais fracos/forçados.)

A história: a delação premiada do Marcelo Odebrecht. Veja “teve acesso a um anexo da delação premiada de Marcelo Odebrecht”. (Logo, conclui-se que Veja teve acesso a um pedaço de papel/arquivo cujo conteúdo trazia as declarações de Odebrecht).

Aí, lá no meio do primeiro parágrafo, temos a pérola:

Segundo os termos do anexo, Temer pediu “apoio financeiro” ao empresário. Marcelo Odebrecht, um campeão em contratos com o governo federal e um financiador generoso de políticos e campanhas eleitorais, prometeu colaborar.”

Segundo os termos do anexo. Não tem delação nem Marcelo Odebrecht escrito aí. É um anexo que tá falando. E “apoio financeiro” entre aspas é uma das maiores picaretagens lexicais para se evitar a palavra DI NHEI RO.

Qual o problema de dizer:

  • Segundo os termos do anexo, MARCELO ODEBRECHT DECLAROU QUE TEMER PEDIU “APOIO FINANCEIRO”?

É pra não repetir “Marcelo Odebrecht” na frase seguinte? Não tem problema! É só completar:

  • O empreiteiro, um campeão de contratos com o governo federal, (…)“.

E FICA CLARÍSSIMO!

Ao não dizer em momento algum “segundo os termos do Anexo, Odebrechet teria declarado que…”, Veja conseguiu transformar o que seria um reforçador de credibilidade jornalística (a fonte da declaração: um documento anexo com parte da delação de Marcelo Odebrecht) em atenuador e disfarçador de agente da frase (Temer pediu – vá lá – “apoio financeiro”).

Mas não tem problema, gente! Segundo nossa tonitruante imprensa, temos “termos do anexo” amestrados, que fazem Temer pedir “apoio financeiro”, assim como ambições amestradas, que fazem Dilma dizer coisas nas quais não crê.

E eu só fico imaginando Thomas Payne com aquela cara de MASGEEEMT!

A beleza, o recato, o lar e um monte de framing mal trabalhado

quarta-feira, abril 20th, 2016

Agora que eu já fiz o necessário preâmbulo sobre Lakoff, vamos falar do texto cometido pela Veja.

Primeiro, permitam-me esculhambá-lo, como de praxe. Vamos lá:

  

  

Marcela Temer: bela, recatada e “do lar”

[nem vem. As considerações sobre esse título eu faço depois!]

Marcela Temer é uma mulher de sorte.[cejura? Por quê?] Michel Temer, seu marido há treze anos[migo, você disse que ela tem sorte. Logo depois você diz que ela é casada com o Temer. Decida-se! Essas duas afirmações são incompatíveis! Além do quê, eles são casados há TREZE anos? Migo, 13 é o número do PT do azar! Faça-me o favor…], continua a lhe dar provas de que a paixão não arrefeceu [paixão. arrefeceu. dar provas. Posos subentender que o Temer tem amante, ou eu é que tô viajando e tá parei] com o tempo nem com a convulsão política que vive o país – e em cujo epicentro ele mesmo se encontra[tá. Agora explica o que que a paixão tem a ver com vida política e profissional, que não ficou muito claro…]. Há cerca de oito meses, por exemplo, o vice-presidente, de 75 anos, levou Marcela, de 32 [O QUÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ?!?!?! QUARENTA E FUCKING TRÊS ANOS SEPARAM OS DOIS, E VOCÊS INDA VEM PRA CIMA DE MOAZINHA PRA DUIZER QUE MARCELA TEM SORTE?!?!?!?!?!?! CARACA, ESSE JABURU TEM IDADE PRA SER O PAI DELA!!!!!!], para jantar na sala especial do sofisticado, caro e badalado restaurante Antiquarius[ah, mas não tem problema! OLlha que lindo! O macho passado inda tem cacife pra levar sua amada a um rstô caro em São Paulo! De novo, migo: não tô vendo sorte, só compensação e e consolação… cadê a sorte de  Marcela?], em São Paulo. Blindada nas paredes, no teto e no chão para ser à prova de som e garantir os segredos dos muitos políticos que costumam reunir-se no local, a sala tem capacidade para acomodar trinta pessoas, mas foi esvaziada para receber apenas “Mar” e “Mi”[Mar e Mi. Que mer tá parei], como são chamados em família. Lá, protegido por quatro seguranças (um na cozinha, um no toalete, um na entrada da sala e outro no salão principal do restaurante)[alô Estado Islâmico! Cê taara querendo atacar oBrasil? Olha a dica!], o casal desfrutou algumas horas de jantar romântico sob um céu estrelado, graças ao teto retrátil do ambiente. Marcela se casou com Temer quando tinha 20 anos. O vice, então com 62, estava no quinto mandato como deputado federal e foi seu primeiro namorado.[De novo, migo, CADÊ A SORTE DE MARCELA TEMER?!?!?! Uma menina linda e jovem e a primeira coisa que lhe cai na frente em termos de homem é MICHEL TEMER?!?!?!  

Michelzinho, de 7 anos, cabelo tigelinha e uma bela janela no lugar que abrigará seus incisivos centrais, é o único filho do casal (Temer tem outros quatro de relacionamentos anteriores). No fim do ano passado, Marcela pensou que esperava o segundo filho, mas foi um alarme falso. “No final, eles acharam que não teria sido mesmo um bom momento para ela engravidar, dada a confusão no país”, conta tia Nina, irmã da mãe de Marcela[tia Nina. Quem a vê de coque, óculos e tricô nas mãos?]. Ela se refez do sobressalto, mas não se resignou – ainda quer ter uma menininha. No Carnaval, Marcela planejou uns dias de sol e praia só com o marido e o filho e foi para a Riviera de São Lourenço, no Litoral Norte de São Paulo. Temer iria depois, mas, nos dias seguintes, o plano foi a pique: o vice ligou, dizendo que estava receoso de expor a família, devido aos ânimos acirrados no país. Pegou Marcela, Michelzinho, e todo mundo voltou para casa.[Cadê a sorte de Marcela? Só tô vendo azar, consolação, compensação e um tédio de dar dó.]

Bacharel em direito sem nunca ter exercido a profissão[tá. Ela é formada, mas optou por não trabalhar. A vida é dela, o problema é dela, a decisão é dela. Mas miga, que marido horroroso q c foi arranjar, com todo o respeito…], Marcela comporta em seu curriculum vitae um curto período de trabalho como recepcionista e dois concursos de miss no interior de São Paulo (representando Campinas e Paulínia, esta sua cidade natal). Em ambos, ficou em segundo lugar. Marcela é uma vice-primeira-dama do lar[nem do Brasil é, Marcela é apenas do-lar. Veja, não tinha como fazer um perfil mais interessante, não?] . Seus dias consistem em levar e trazer Michelzinho da escola, cuidar da casa, em São Paulo, e um pouco dela mesma também (nas últimas três semanas, foi duas vezes à dermatologista tratar da pele).[teeeeeediooooo… dermatologiiiiiiiiistaaa… escoooola… téééééééééédiooooooo… Micheeeeeeeelllllll parece um conto de assombração]

Por algum tempo, frequentou o salão de beleza do cabeleireiro Marco Antonio de Biaggi, famoso pela clientela estrelada[… e pronto! Tava demorando falar do salão de beleza de estimação!]. Pedia luzes bem fininhas e era “educadíssima”, lembra o cabeleireiro. “Assim como faz a Athina Onassis quando vem ao meu salão, ela deixava os seguranças do lado de fora”, informa Biaggi[procedimentos para frequentar um salão de beleza. afff…]. Na opinião do cabeleireiro, Marcela “tem tudo para se tornar a nossa Grace Kelly”. Para isso, falta só “deixar o cabelo preso”[cabelereiro comentando sobre o estilo da perfilada. Senhores, podem marcar suas tabelas do bingo-clichê!]. Em todos esses anos de atuação política do marido, ela apareceu em público pouquíssimas vezes. “Marcela sempre chamou atenção pela beleza, mas sempre foi recatada”, diz sua irmã mais nova, Fernanda Tedeschi. “Ela gosta de vestidos até os joelhos e cores claras”, conta a estilista Martha Medeiros.[casou aos 20 com um trubufu baixinho com cara de consumidor de Viagra homem de 62, seu primeiro namorado; é recatada e usa saia na altura do joelho. Coitada! Assim ela morre de tédio antes dos 40!]

Marcela é o braço digital do vice. Está constantemente de olho nas redes sociais e mantém o marido informado sobre a temperatura ambiente[mulher, do lar, recatada e bewm comportada, por falta do que fazer fica navegando na Internet. Veja, pelamordedeus, reescreve esse texto, coitada da Marcela!]. Um fica longe do outro a maior parte da semana[opa! Um breve lampejo de sorte!], uma vez que Temer mora de segunda a quinta-feira no Palácio do Jaburu, em Brasília, e Marcela permanece em São Paulo, quase sempre na companhia da mãe[ex-miss, recatada, do lar, usa roupas na altura dos joelhos e vive na companhia da mãe. Mas quem é a mãe de MArcela?]. Sacudida, loiríssima e de olhos azuis, Norma Tedeschi acompanhou a filha adolescente em seu primeiro encontro com Temer[uma sogra coral. Obrigada pela explicação.]. Amigos do vice contam que, ao fim de um dia extenuante de trabalho, é comum vê-lo tomar um vinho, fumar um charuto e “mergulhar num outro mundo” – o que ocorre, por exemplo, quando telefona para Marcela ou assiste a vídeos de Michelzinho, que ela manda pelo celular. Três anos atrás, Temer lançou o livro de poemas intitulado Anônima Intimidade. Um deles, na página 135, diz: “De vermelho / Flamejante / Labaredas de fogo / Olhos brilhantes / Que sorriem / Com lábios rubros / Incêndios / Tomam conta de mim / Minha mente / Minha alma / Tudo meu / Em brasas / Meu corpo / Incendiado / Consumido / Dissolvido / Finalmente / Restam cinzas / Que espalho na cama / Para dormir”.[eca. deu nojinho.]

Michel Temer é um homem de sorte.[não, fio. Michel Temer é um macho alfa aproveitador de menininhas. Sorte é outra coisa.]

Pronto. Que texto de merda, misericórdia. Que me remeteu a duas tirinhas da Mafalda, tão cruéis quanto precisas para fazer o comentário imprescindível.

  

Aí a gente pega a ideia dos framings do Lakoff (que eu já expliquei aqui) e aplica nesse texto.

Temos que a Veja tentou positivamente associar Marcela, uma bela jovem que optou por ficar em casa e não exercer uma profissão pra começo de conversa porque não precisa – além de tudo o que eu já listei lá em cima – como:

  • bela – OK, ela é bonita dentro dos padrões clichetarianos de loura caucasiana bonita
  • jovem – ela tem 32 anos. Considerando que o marido tem 4567864345 anos, temos um parâmetro de juventude estabelecido com sucesso. Com sucesso, tédio, consolação, comiseração e tudo o mais. Mas deixa pra lá.
  • recatada – Ela pouco aparece, então é verdade. Mas daí a associar sua discrição como positiva, e associá-la a exemplo de mulher bem casada e feliz no casamento, tenho até medo de continuar a pensar sobre isso, porque periga a gente regredir tanto que o laptop noqual digito isso pode desaparecer, e dar lugar a um papiro. (posso lembrar que Marisa da Silva também é uma mulher discreta e recatada, e teve sua imagem associada à Hello Kitty, uma personagem sem boca? E que essa associação de Marisa à Hello Kitty foi feita de forma pejorativa? Melhor deixar pra lá, né?
  • sortuda – definitivamente, o texto foi infeliz bagarai ao tentar fazer essa associação.

O problema é que trabalhar esses framings femininos em pleno 2016 é pedir pra ser contestado. Há muito tempo que uma mulher com um mínimo de juízo despreza o recato e o confinamento doméstico. Há muito descobrimos as vantagens do mundo, a capacidade de se expressar aberta e livremente e, principalmente, as maravilhas do bar. 😛

Resultado? O texto foi questionado e desprezado – e o mais legal foi observar que geral respeitou o direito de Marcela ter um perfil comportamental fruto de sua própria opção, e não de imposição social. Já evoluímos suficientemente a ponto de saber diferir uma coisa da outra.

Agora pense com todo o carinha e responda a si mesmo quais framings seriam acionados se a história contada fosse ligeiramente diferentes, como sugere a Renata Corrêa no Facebook dela:

Imagina que loko se a Dilma tivesse casado com um moço 43 anos mais novo que ela. Imagina que loko se ela tivesse conhecido ele quando o moçoilo não tinha nem completado dezoito anos. Imagina que loko uma matéria de revista falando que ele era o Alain Delon brasileiro. Imagina essa matéria falando que ela foi a primeira mulher dele. Imagina se essa matéria dissesse que ele se veste de forma bem sóbria e gosta muito de ficar em casa mandando video de gatinho pra ela. Imagina se essa matéria mostrasse um poema bem soft porn que a Dilma fez pra ele. Imagina essa matéria escrita por um homem que encerraria dizendo que a Dilma é mesmo uma mulher de sorte. Que loko. Que loko, mano.

É. Pois é.

Mas voltando ao texto da Veja: o único sucesso dele foi pegar essas três palavras-chave (bela, recatada e do lar), trabalhá-las de forma absurdamente clichê e demodé (pra usar uma expressão que regula com elas em modernidade), juntar tudo e tacar no título.

Resultado: um texto de merda virou polhêmica. E mais uma vez, a revista de merda virou o assunto da semana.

Parabéns a todos os envolvidos.

 

 

George Lakoff e a fila do pão francês

quarta-feira, abril 20th, 2016

E há quem diga que ele é irmão gêmeo do Fernando Morais!

George Lakoff – e há quem diga que ele é irmão gêmeo do Fernando Morais!

Vou fazer este texto aqui pro próximo texto não ficar quilométrico.

George Lakoff explica tudo e mais um pouco sobre o que tá com teseno  no Brasil de hoje. Então, faz-se míster (eu adoro essa expressão, então me deixa, o texto é meu, a vida é minha, o estilo é meu, a expressão cabe como uma luva aqui, então não torra) explicar um pouco do meu mais recente darling.

George Lakoff foi um dos pioneiros da linguística gerativa. Noam Chomsky dizia que a linguagem é inerente ao ser humano, e que estímulo é coisa behaviorista e não tem nada a ver e tals. Lakoff embarcou nessa, e começou a estudar, lá no meião dos anos 1960, como é que a parada da compreensão de um texto era resolvida nos neurônios.

Quinze anos depois, ele desistiu do gerativismo. Descobriu que estava trabalhando com conceitos movediços, e que se ele insistisse naquela história de que linguagem é coisa do cérebro e tals ele não iria muito longe na tarefa de ligar semântica com neurônio.metaphors

Essa guinada foi muito boa pro seu Jorge. Tanto que em 1980, ele publicou a primeira obra do que eu considero sua trilogia básica: Metaphors we live by (link pra você baixar o lindinho, ininglix), onde ele explica que o cérebro trabalha sempre um esquema de usar ideias de um campo pra explicar coisas em outro: tempo é dinheiro  (relação entre ganhar/perder dinheiro com ganhar/ perder tempo), a vida é um grande jogo (ambos com regras, jogadores, estilos e trapaças), a luta pelo poder (conquistas e perdas de uma guerra e relações interpessoais) e por aí vai. Tudo no nosos cérebro vira uma grande metáfora ou metonímia.

Estava fundada a Linguística Cognitiva.

Dez anos depois, Lakoff trouxe ao mundo a segunda obra de sua trilogia básica, Women, fire and dangerous things (Mulheres, fogo e coisas perigosas). O título é uma grande e brilhante provocação, que leva o papo das metáforas adiante e vai trabalhar a ideia de categorização, e como a gente passa o-di-a-in-tei-ro categorizando as coisas ao nosso redor: pessoas com óculos/sem óculos; folhas verdes/folhas de outra cor; homens com cabelo curto/mulheres com cabelos compridos etcetcetc. (A Linguística funcionalista pede a palavra e começa a explicar os protótipos nessa hora, mas deixemos meus amigos Funcionalistas de boas ali tomando a cervejinha deles).

WFDTO cabra ainda se vale de um cinismo delicioso pra alfinetar a sociedade americana e sua adoração por carros:

“Provavelmente a coisa mais chata que um professor de Linguística faz durante aulas pra calouros é ter de explicar as várias palavras que os Esquimós usam para se referir ao que nós chamamos simplesmente de neve. (…) Um esquiador também usa várias palavras diferentes pra se referir a neve. Qualquer um com um conhecimento especializado vai se valer de palavras específicas para se referir ao seu domínio de conhecimento. Marceneiros, jornalistas, advogados e até mesmo linguistas fazem isso. Quando uma cultura inteira torna-se especialista num domínio, eles adquirem um amplo vocabulário. Basta observar que os americanos têm mais de 200 palavras para se referirem a um carro.” (pág. 308)

Mas o livro que arremata lindamente o raciocínio iniciado em Metaphors e prosseguido em Women, fire é The Political Mind, de 2008. Eu já falei sobre esse livro e como ele se aplica ao Brasil no meu Facebook. Lourdes Nassif e Fernando Brito reproduziram esse texto no GGN e no Tijolaço, respectivamente.political mind

E o mais interessante: hoje eu reparei que oLakoff é AS-FU-ÇA do Fernando Morais! Que coisa…

 

Entenderam a quantas anda a fila do pão francês, quem É George Lakoff nessa fila, e como o cabra tarra coberto de razão quando falou que a gente usa metáfora e categorização o tempo inteiro? Taí a imagem da fila do pão francês na sua cabeça que não nos deixa mentir… 😀

Percebe, Ivair, a manipulância do cavalo

quinta-feira, abril 14th, 2016

Vamos situar a coisa:

No final dos anos 1990, quando rolou a atualização dos Parâmetros curriculares Nacionais, geral estrebuchou: “como assiiiiiiiimmmm???? Não vamos mais ensinar gramática nazescoooooooolas????????” e deu-se o furdunço geral, porque “assim as nossas crianças não aprendem a falar português direito, e o português é difícil, e os ignorantes que as escolas formam que nada aprendem” e etcetcetc blablabla whiskas sachê pereré pão duro.

O que ninguém se deu ao trabalho de fazer foi ler com cuidado os PCN tudo. A ideia não é mais ensinar gramática como está escrito nos livros do Bechara, por exemplo (ufa! Grazadeus!), mas pegar um uso claro de determinado detalhe sintático pra usar como mote pra dar uma aula.

Querem um bom exemplo disso? Manda na lata agora: O que é conjunção?

Tô vendo seus neurônios Tico e Teco jogando nozinha pra lá e pra cá pra tentarem se lembrar do que se trata. Aí, eles vão produzir algo como “ah, é aquele negócio de oração subordinada e oração coordenada, né?”

Tá. Aí, em vez de te dar meio certo e te chamar de burro, vou mostrar pra você como se dar uma aula de conjunção.

Peguemos como exemplo o seguinte texto da Folha (sempre ela, sempre ela!). Vou destacar umas palavras em negrito, e vocês me dizem o que que elas estão fazendo na cadência e nos dados semânticos do texto, OK?

 

Para ‘Financial Times’, impeachment pode jogar país ‘no caos’

O jornal britânico Financial Times diz acreditar que o impeachment da presidente Dilma Rousseff pode ser apenas o começo de mais problemas para o Brasil.

Em reportagem publicada nesta quinta-feira (14), o correspondente do jornal no país, Joe Leahy, explica o complexo cenário político que marcará a votação do processo na Câmara neste domingo (17).

Em formato de perguntas e repostas, o texto chama a atenção para o que chama de “julgamento político” de Dilma, embora ressalte as acusações relacionadas às pedaladas fiscais, que baseiam o pedido de afastamento.

“O impeachment é, essencialmente, um voto de desconfiança. Rousseff se tornou uma das mais impopulares líderes da história democrática do Brasil”, escreveu Leahy.

O FT afirma que há a possibilidade de o processo de impeachment trazer mais instabilidade ou mesmo “jogar o país no caos”.[garoto maroto travesso… não continuou a explicar o que o FT entende por “caos”!]

O jornal cita o fato de que o vice-presidente e possível substituto de Dilma, Michel Temer (PMDB), também corre o risco de perda de mandato por causa da investigação sobre o financiamento da campanha eleitoral que, em 2014, reelegeu ambos.

E, apesar de classificar um eventual governo Temer como mais “amigável” para o mercado, aponta o risco que ele enfrentaria ao ter o PT de volta à oposição, sobretudo por causa da tese defendida por Dilma e seus aliados de que o impeachment é um golpe.

“Se, assim como muitos acreditam, ela (Dilma) e o partido (PT) se recusarem a aceitar o resultado do processo de impeachment, o Brasil entrará em território desconhecido”, opinou Leahy.

A publicação britânica ressalta a crise econômica brasileira e vê culpabilidade de Dilma[e aqui o texto marotamente esqueceu-se do adjunto adnominal mais importante, que é a culpa de dilma SOBRE A CRISE ECONÔMICA, e não dos “crimes” de que ela é acusada], além de mencionar que, embora não seja alvo das investigações do escândalo de corrupção da Petrobras, ela foi presidente do Conselho de Administração da estatal entre 2003 e 2010, período em que o esquema operava.[porque o final do parágrafo vai justamente confundir a “culpa” da Dilma na cabeça do leitor, já que ele joga tudo junto ao mesmo tempo agora no mesmo molho. Percebe, Ivair, a manipulância do cavalo?]

O FT, porém, menciona as pesquisas de opinião que mostram um grande número de brasileiros (58%) como também favoráveis ao impeachment de Temer.

O texto inclui uma comparação com os eventos que levaram ao afastamento de Fernando Collor de Mello da Presidência da República em 1992, em que Leahy observa o fato de que tanto ele à época quanto Dilma terem uma popularidade baixíssima.

Mas o FT observa que, ao contrário de Collor, Dilma tem o apoio de um partido forte no Congresso.

 

 

com o texto acima, um bom professor de português demonstra:

a) o uso de palavras que conduzem a opinião e o raciocínio do leitor (nesse texto, destacam-se as expressões ressalta, observa – e nessa hora a gente sempre mostra o que está sendo observado – tese defendida em vez de alegação/acusação, etcetcetcetc)

b) a escolha precisa dos destaques do texto do Financial Times pra refutar a tese da Folha

c) o uso e o emprego prático de palavras invariáveis que efetuam a conexão sintática entre duas orações, e com essa conexão conferem algum sentido extra à ligação (taí a definição de conjunção que você não soube fazer lá em cima, mas se tivesse uma aula com um texto deste naipe, você saberia recitar a definição porque aprendeu direito, e não porque decorou)

(E eu ainda chamava o professor de inglês pra traduzir o texto original e conferir se o teor dele bate com o que a Folha publicou…)

Memórias de uma bruxinha estudante II – missão trabalho pra faculdade

segunda-feira, março 14th, 2016

Aí a professora Viviane Vieira pediu pros alunos de Estágio Supervisionado em Português fazerem um memorial da vida escolar: o que a gente se lembra de nossas aulas de português?

Eu comecei a escarafunchar meus alfarrábios, porque eu tava com a impressão de que já tinha feito algo parecido. Não só fiz como foi um dos posts mais visitados da história do blog. <3 Inclusive recomendo a leitura dele antes de continuar por aqui… pode ir lá que eu espero! 😀

Então, vamos à segunda parte daquele post que eu fiz em algum momento de 2011. Já pegou pipoca e guaraná? A viagem vai ser longa, e vai começar onde paramos, no Colégio Santo Amaro, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

Quem passa pelas mãos da tia Tereza não sai impune. Ficam as memórias das aulas com uma professora excelente, atenciosa e não menos exigente e rigorosa.

CSA

Fachada do Colégio Santo Amaro, à rua 19 de fevereiro, em Botafogo (RJ)

Aí você chega na 5ª série ginasial (século passado, milênio passado, abafa o caso), ainda no Colégio Santo Amaro (eu avisei que este post seria uma continuação do primeiro, não avisei? Se você não leu a primeira parte, vai ficar confuso mesmo…).

Curioso é que, se eu me lembro muito das aulas da minha infância, pouco me lembro das aulas da adolescência. Lembro-me dos professores, alguns marcantes, e outros que não fizeram a mínima diferença na minha vida.

No ginásio eu comecei a ter aulas também com com professores. Acabou a era das tias. E um dos primeiros professores que eu tive foi o tio Léo, de português. Careca, óculos, calvície a 50% (sim, fui politicamente correta, me deixem). Não me lembro do conteúdo das aulas (lembro que aprendi, obrigada! 😀 ), não me lembro dos livros adotados, não me lembro das leituras obrigatórias. Mas tenho boas recordações do tio Léo – e nenhum trauma. Também lembro que ele fazia uma coisa impensável hoje em dia: ele fumava em sala de aula.

Lembro que li muito nessa época, a coleção Vaga-Lume (que está voltando às livrarias mas você pode baixar aqui, YAY! \o/ ), os Karas e a Droga da Obediência, li até Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn por conta própria – e adorei. Também li Geografia de Dona Benta (livro apaixonante pra quem quiser se iniciar em questões de Geografia Política) umas vinte vezes. Impressionante como a gente consegue aprender com seu Zé Bento. E ó: quem souber como situar Monteiro Lobato no tempo e no espaço consegue dar uma aula alucinante sobre racismo e preconceito étnico. Ao fim dessa aula, alunos e professor saberão separar o racista do escritor genial #ficadica.

Mas por que eu me perdi nos meus recuerdos literários? Ah, deixa pra lá. Vamos passar de ano? Sexta série, professora nova. Consegui me lembrar vagamente de suas feições (uma senhorinha, cabelo louro tingido e olhos claros, passou um trabalho em grupo no qual os alunos deveriam “apresentar um telejornal” ao vivo, diante da turma. Até bem pouco tempo eu tinha o “logotipo” do jornal que o meu grupo apresentou, o “Papo Furado” (um balão de história em quadrinhos com um “furo” por onde saía ar). foi o Jorge Valente, desenhista e colega do meu pai quem fez pra mim. Não lembro dos livros que ela pediu pra ler, não lembro do livro adotado. Mas as recordações boas ficaram restritas a esse trabalho em grupo. Não tenho mais recordações dessa professora – diga-se de passagem, quem lembrou do nome dela foi meu colega Orlando, que foi categórico: Neuza, com zê! E o Orlando também contou que ela faleceu em 1988. 🙁

Chegou a sétima série e a professora era nova e fresca em todos os sentidos: tia Áurea era recém-formada (acho que pela UFRJ) e recém-contratada pelo colégio. De novo: não lembro do livro adotado, não lembro das leituras. Minhas recordações são confusas. Por oras uma boa professora, que sabia ministrar o conteúdo da matéria (gramática, gramática, gramática e gramática, sem se esquecer da gramática, que a gente aplicava na redação), oras uma profissional inexperiente que não conseguia controlar a turma (e minha turma era fogo!). Mas do nome dela eu nunca me esqueci! 😀 também não me esqueci que era uma época estranha, em que Lobão e Roger eram sujeitos palatáveis e contestatórios, e o Paulo Ricardo do RPM era lindo (me deixa)!

Lembro de uma vez em que a turma tacava o terror e a Áurea passou teste relâmpago, valendo nota, de uma matéria que ela não estava conseguindo explicar: prefixos e sufixos. Eu fiz o teste, assustada porém segura do que estava escrevendo. Tive a maior nota da turma – oito ou nove. Ela me entregou o teste corrigido e falou: “você leu o livro antes de todo mundo, né?” Não, eu não tinha lido. Mas, pô, vamos combinar que o prefixo “anti-” indica negação da palavra que ele introduz, né? É meio óbvio isso, não?.

Oitava série. Tempo sujeito a chuvas e baforadas de cigarro. O professor era Sérgio Regina, que não tinha o menor tato com a turma. Preferia dar aulas para o segundo grau, no Colégio Zaccaria. Em minhas memórias, ele lembra o sargento Tainha, do Recruta Zero: cabelo escovinha, grande e gordo, e acendia um cigarro no outro. Já morreu, consumido pelo cigarro.

O professor Sérgio Regina não tinha saco de lidar com uma turma imatura, mas foi o primeiro a me mostrar, por contraste com outras línguas, que o mim pode ser sujeito do infinitivo, sim. E ele ficava abismado como aquela aluna que não tinha caderno e conversava muito durante a aula (mas se calava na hora da explicação da matéria nova) se dava bem nas provas. #beijinhonoombro

CIC

Colégio Imaculada Conceição, na Praia de Botafogo

Segundo grau, escola nova. Colégio Imaculada Conceição entra burro e sai ladrão. Tenho as piores lembranças dessa escola, e as melhores lembranças dos professores – todos, menos os de português.

O apreço pela escola era tão grande que num ano tivemos aulas numa sala com janela que dava pro lado de fora da escola. Nos intervalos, eu e outras colegas íamos pra janela e ficávamos paquerando qualquer homem que passasse: “olha, nós somos alunas do Imaculada Conceição. Aqui não tem mulher que preste, viu? Mas a culpa é da escola que não nos ensina isso!” Adolescência, ainda bem que você ficou pra trás – e mais importante: inda bem que tudo isso se deu numa época sem smartphones e mídias sociais pra registrar o mico.

Também lembro que Rachel de Queiroz, ex-aluna da escola, foi lá uma vez pra aparecer divar dar uma de gostosa dar uma palestra. Chegou e foi perguntando: “vocês vão me perguntar como é ser a primeira mulher membro da Academia Brasileira de Letras?” Um docinho, dona Rachel – só que não. Tomei birra e antipatia por ela e por tudo o que vinha dela desde então. Mas foi ridículo ver como as irmãs da escola puxavam o saco dela. (Já deu pra perceber que eu não vou com a cara daquela escola, né?)

Lembro que foi um professor de português diferente em cada um dos três anos do ensino médio. A professora do primeiro ano era muito esquisita. Não me recordo seu nome, mas jamais conseguirei esquecer o nome do autor do livro que ela adotou: Douglas Tufano. Por culpa dela: “o livro que nós vamos adotar é de Dúglas Tufano – e não estranhem essa pronúncia, pois quem fala francês sabe que ó e ú se juntam em som de ú”. Eu olhei pra ela com aquela cara de “Cejura, minha tia?” e cá cos meus alfarrábios eu tirei que alguma coisa tava errada naquilo (óbvio que era o fato de Douglas ser um nome brasileiro, então deve ser pronunciado Douglas e não Dúglas, dããããã!).

Outro trauma que ela me passou, esse dos bons: “o paradigma do éssemosizême na marcação número pessoal dos verbos” e eu só via os verbos conjugados na minha frente. que raios era aquele éssemozizême, deus do céu? Bom, nunca me fez falta saber durante o segundo grau. Só fui descobrir direitinho que raio era aquilo depois que entrei pra faculdade de Letras, e fui entender o que era um sintagma e um paradigma. (os paradigmas verbais são as partes dos verbos que indicam o número/pessoa e o tempo/modo/aspecto. São sufixos que se revezam na combinação com as raízes verbais. O “-s / -mos / -is / -m” é praga que marca, respectivamente, 2ª pessoa do singular / 1ª pessoa do plural / 2ª pessoa do plural e 3ª pessoa do plural. Dá em tudo quanto é tempo verbal no modo indicativo, à exceção do pretérito perfeito e do futuro do presente, no qual o -m vira -ão mas isso é papo pra outro post.)

Mas eu falava mal da professora do 1º ano do ensino médio. No segundo ano a coisa não ficou muito melhor. Acho que o nome dele era Armando. Cheio de ideais, de como o futuro da humanidade era legal e deveria ser bem semeado etcetcetc blablabla whiskas sachê. Passou um semestre inteiro analisando sintaticamente orações em textos corridos. (Dica pros pofexô que tão chegando agora: não tentem. Vira uma zona do caramba. Chega uma hora que você não sabe mais o que você está fazendo – ele, ao menos, não sabia).

No terceiro ano, pré-vestibular, não tenho a mais remota ideia de quem me deu aula de português. Talvez porque era alguém (sei nem se era homem ou mulher, avaliem) tão insípido que não me marcou em nada. Lembro apenas que tinha colegas terrivelmente medíocres que não queriam “matéria nova”, porque tinha muita coisa a estudar pro vestibular. Coitadas,devem ter virado donas de casa. Coitadas, mesmo. Lamento pela mediocridade delas.

Lembrei do que a turma da 3ª série quase fez com a irmã que ficava na portaria, a irmã Labourré. Mas eu já esqueci de novo e não vou contar porque a juventude tem que prezar pela criatividade. Ademais, se eu descobrir que alguém fez com aquela sujeita algo que eu não tive coragem de fazer sou capaz de processar por direitos autorais. Então, deixa prá lá.

Mas aí eu passei pra jornalismo na UFRJ e desse professor eu não vou me esquecer jamais!

Agostinho Dias Carneiro, quem começou a me dar ideias do que se chama Análise do Discurso. Professor de Letras da Federal do Rio de Janeiro, ele fez uma apostila especial pros alunos de comunicação (1º e 2º períodos do curso), praticamente sobre lexicologia. Nos apresentou os vários verbos para expressar, por exemplo, o suprimento da vida de um ser (matar/sacrificar/ assassinar). Essas aulas me fascinaram e me fizeram pensar mais sobre os vários significados de um verbete, de como e por que escolher palavras com cuidado na hora de compor um texto, e por aí vai.

Você chegou até aqui e não se chama Viviane Vieira? Puxa, parabéns e obrigada! A pipoca tava boa? 😉

(Em tempo: e aí, fessora? Gostou? Aceita pipoquinha? Se espirrar saúde tá parei.)

Tô aqui pensando em como um professor é importante na vida de um indivíduo – para o bem ou para o mal. Tô ainda mais intrigada em lembrar muito mais da minha professora de Jardim de Infância do que da pessoa que me deu aulas de português no pré-vestibular. Cara, quem foi esse ser tão insignificante que passou pela minha vida? E por que essa pessoa foi tão insignificante? Pior: como pode um professor ser insignificante na vida de um aluno? Jesus amado…

 

Em tempo: O COlégio Santo amaro foi palco de um vídeo promocional, lindo e emocionante, feito pelas canetas BIC. Não resisto, vou colar aqui. Eu chorei tanto pelo local das filmagens quanto pela mensagem do vídeo

Sou há rrogante, esse post TINHA que ser meu!

sábado, março 5th, 2016

Como foi o Brito quem fez o post no Tijolaço, não só vou roubá-lo como vou contar pra todo mundo que o brito chamou o arquivo que ilustra este post de “arrogante.jpg”.

Claro que Merval já consertou a cagada. Mas os deuses do print-screen não falham!

#prontofalei

 

Pausa para rir: o certo é arrogante ou “Harrogante”, Merval?
Merval, que mico!

A (ou será Há?) imagem de sua página de hoje em O Globo vai deixar você sem chá esta semana na Academia Brasileira de Letras.arrogante

Quer dizer que “não existe perseguição HA Lula” e, pior, “EXISTE FATOS a serem investigados”?

Uma vá lá, acontece nas melhores famílias e até na minha, que já errei muitas vezes e errarei muitas mais.

Mas duas, assim de carreirinha?

E logo você, Milorde?

O povo do Facebook, terrível, fotografou e colocou a imagem para rodar na internet.

Sabe, Merval, sei que já consertaram, mas você me lembrou o caso – pergunte aí na Academia, é possível que alguém conheça – do personagem Aldrovando Cantagalo, do conto O colocador de Pronomes, de Monteiro Lobato.

O camarada nasce por conta de um pronome mal colocado – seu futuro manda um bilhete para a filha bonitinha de um ferrabrás e, por conta de um “lhe” o velho diz que a declaração de amor não é para ela, mas para uma terceira pessoa, no caso a irmã mais velha, feiosa e “titia” e morre por conta de sua grande obra: um tratado de colocação de pronomes. Calhou de vir o impresso, seu único livro – empate com você – vir, logo na dedicatória, com uma deprimente ênclise no lugar da próclise: “a fulano de tal, que sabe-me as dores”.

Ah, Merval, o Aldrovando com essa sua dose dupla estaria, como no conto, gritando Lamma Sabachtani, Lamma Sabachtani?!

Não sabe o que é? Eu podia ser malvado e dizer para você perguntar ao Michel Temer ou ir ao Google (afinal, depois do Google qualquer um pode afetar erudição, não é?), mas não sou.

Quer dizer, chamando a Deus desesperadamente, “por que me abandonaste?”.

Talvez, quem sabe, nem Deus esteja aguentando tanta hipocrisia.

Ou será Ipocrizia?

Chame do que você quiser. Menos de jornalismo.

quarta-feira, março 2nd, 2016

afff! Quase três meses sem escrever aqui?!?!?! Ai, gente, desculpa!

Mas voltemos aos alfarrábios.

Jornalismo é assim: você recebe informações bem checadas, bem apuradas, de fontes confiáveis. Junta tudo num texto bem feito que, ao ser lido, fornece a quem leu informações relevantes e importantes, para que fatos sejam esclarecidos. Opinião tem espaço num veículo jornalístico, mas espaço próprio.

O que o Globo publicou aqui é um emaranhado de dados jogados a esmo, com palavras milimetricamente escolhidas para causar impactos especiais. O objetivo desse texto não é esclarecer e elucidar fatos, mas despertar no leitor aquilo que já foi chamado de “os instintos mais primitivos”.

Então, pra facilitar sua vida, eu fiz dois comentários neste texto. Os comentários que um defensor de Lula faria diante do texto, e os comentários que um antipetista ferrenho faria.

Repare que, nos dois casos, a informação não é relevante, mas sim o que aquele texto causa no leitor. Não importa quem defende o PT, o importante é reforçar o ódio ao PT.

Acompanhem as leituras abaixo. à esquerda, a leitura do petista; à direita,a leitura coxinha. (desçam, pfvr, pois a formatação desse post ficou meio doida)

Dois pedalinhos que ficam estacionados no lago do sítio de Atibaia (SP) trazem os nomes de dois netos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva [Masgemt, a obsessão chegou no nome dos pedalinhos?!?! Que coisa mais relevante, não? É, não…]. Os brinquedos, em forma de cisne branco, têm capas pretas com os nomes de Pedro e Arthur, e apareceram em uma imagem aérea exibida na edição desta segunda-feira do “Jornal Nacional”[Jornal Nacional, você já foi relevante, viu? Agora não sabe por que vive perdendo audiência…].

Pedro é filho de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e tem hoje cinco anos. Já Arthur tem quatro anos e é filho de Sandro Luís [Parabéns, Globo! Você sabe montar a árvore genealógica da família Lula da Silva! Se os jornalistas continuarem assim, têm chance de trabalhar em Caras!]. Ambos nasceram na Maternidade do Hospital São Luiz, em São Paulo. [Re-por-ta-gem de Ca-ras! Castelo e Ilha de Caras! Um looshoo só!]

Alvo da Lava-Jato por envolvimento em desvios na Petrobras, a construtora Odebrecht teria realizado [teria realizado = nóis num tem certeza, mas que se foda, a gente faz ilação e tá tudo certinho! Apuração pra quê? Ah, jornalismo? Carece fazer, não…] obras de reforma no local, usado pelo ex-presidente e seus parentes. Lula admitiu [admitiu / reconheceu = “nóis é ixperrrto, nóis aperta ele e ele intrega! O_o] que frequenta o sítio mas alega, porém, que o local pertence a “amigos da família”. [e “amigos da família” vai entre aspas, assim mesmo, que é pra gente desconfiar da veracidade das informações! E zás, como são expertos esses jornalistas! Quem convencer melhor vai ganhar um fim de semana na ilha de Parati na mansão tríplex do tá parei, parei, pareeeeeei…]

Amigo de Lula, o pecuarista preso na Lava-Jato José Carlos Bumlai teria pagado parte da reforma do sítio [mas espere! Foi a Odebrecht ou o Bumlai? Gente, se vai mentir, mente direito! Assim não pode!], segundo documentos apreendidos pela PF [documentos = troço sério, válido, que passa confiança e responsabilidade; apreendidos = num era pra tar nas mão da PF, massa Pf é ixperrrta, ela pegô tudo! E eu escrevo isso assistindo a um capítulo de A Regra do Jogo, daqueles policiais smartões…].  Desde 2012, Lula e a família viajaram 111 vezes ao local [porque a gente precisa ser psicopata de responsa, a gente conta direitinho quantas vezes Lizináco foi lá. A gente poderia dizer “mais de cem vezes”, mas “cento e onze” dá uma credibilidade que ó: parece que a gente inventô isso tudo!]. Logo após deixar a Presidência, Lula enviou seus pertences e de seus familiares ao sítio. Entre os itens transportados, havia 200 caixas – 37 delas com bebidas. [porque, né? Os pertences de Lizinácio se resumem a um monte de caixa com bebidas! Globo, migo, para que tá dando vergonha alheia em níveis profundíssimos!Assim não dá mesmo pra te defender, fera!]

Os advogados do ex-presidente Lula e de sua mulher, Marisa Letícia, apresentaram por escrito as explicações sobre o tríplex no Guarujá [que foi mencionado neste texto pela primeira vez] e o sítio de Atibaia, na investigação movida pelo Ministério Público de São Paulo. Segundo eles, o sítio foi prospectado pelo sindicalista Jacó Bittar em 2010, que tinha a intenção de oferecer a Lula um local para que pudesse guardar os objetos que ganhou durante o período em que permaneceu na Presidência da República. Como ficou doente, Bittar teria dado o dinheiro para que seu filho, Fernando Bittar, fechasse o negócio. O valor, no entanto, teria sido insuficiente, o que levou Fernando a chamar Jonas Suassuna para entrar como sócio na propriedade. [aí a gente pinta uma história doida e mal escrita, pra ficar difícil de engolir, porque a ideia é essa mesmo!]

Procurada pela reportagem do GLOBO, a assessoria do Instituto Lula afirmou que não vai se manifestar sobre os pedalinhos [e ó: magoou, viu? Por que o Instituto Lula não libera um release intitulado “sobre os pedalinhos do sítio de Atibaia? Hã? Ah, só porque é ridículo demais da conta? Ah, que pena…] e que “o ex-presidente e dona Marisa frequentam o sítio, que é de propriedade de amigos da família”.

Dois pedalinhos que ficam estacionados no lago do sítio de Atibaia [como assim aquele bêbado analfabeto tem pedalinho em sítio? Onde já se viu uma coisa dessas?] (SP) trazem os nomes de dois netos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva [ah, que putaria! Nomes dos netos, ainda por cima! Que pouca vergonha!]. Os brinquedos, em forma de cisne branco, têm capas pretas com os nomes de Pedro e Arthur, e apareceram em uma imagem aérea exibida na edição desta segunda-feira do “Jornal Nacional”.[se não é o Jornal Nacional pra nos revelar essas notícias importantes, não sei o que seria do Brasil legalista!]

Pedro é filho de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e tem hoje cinco anos [absurdo! Esses merdas se reproduzem! Como pode isso? Quem permitiu?]. Já Arthur tem quatro anos e é filho de Sandro Luís. Ambos nasceram na Maternidade do Hospital São Luiz, em São Paulo.[AAAAAAHHHH, TÁ VENDO? NESSAS HORAS NÃO VÃO PRO SUS, NÃO! ELES ROUBAM DINHEIRO DA GENTE PRA PAGAR HOSPITAL PARTICULAR, E DEIXAM O POBRE LARGADO NO SUS! VAI PRO SUS, LULINHA!!!]

Alvo da Lava-Jato por envolvimento em desvios na Petrobras, a construtora Odebrecht teria realizado obras de reforma no local, [Odebrecht fazendo obra no local! Depois vão dizer que não trocam favor de corrupção com o Lula?] usado pelo ex-presidente e seus parentes [Gente, como esses petralhas insistem em achar que esse troço não é do Lula? Tá escrito aqui: o sítio é U SA DO, claro que é do Lula!!!]. Lula admitiu que frequenta o sítio [viu só? O ladrão analfabeto admitiu que frequenta o local! Claro que é dele! FDP como pode? Rouba dinheiro do Brasil e fica se fazendo de santo achando que o brasileiro é trouxa! Rá! Eu não sou trouxa, eu me informo, tá? Tõ aqui lendo O Globo!] mas alega, porém, que o local pertence a “amigos da família”. [mimimi amigos da família! Covarde! Assume logo que é seu, seu bosta! Ai, que ódio, por que esse merda não morreu de câncer?!?!?!]

 

Amigo de Lula, o pecuarista preso na Lava-Jato José Carlos Bumlai [viu só? Tem construtora, tem pecuarista, todo mundo é “bonzinho” com o Lula, todo mundo paga pau pra ele – EM TROCA DE CORRUPÇÃO, CLARO!] teria pagado parte da reforma do sítio, segundo documentos apreendidos pela PF [DOCUMENTOS APREENDIDOS! E os petralhas achando que o Lula é santo! Ah, coitados….]. Desde 2012, Lula e a família viajaram 111 vezes ao local [cento e onze vezes, gente! Cento e onze vezes! E vão dizer que o sítio não é dele? Ah, vá…] . Logo após deixar a Presidência, Lula enviou seus pertences e de seus familiares ao sítio [o bêbado analfabeto fez MU DAN ÇA pra lá!!!]. Entre os itens transportados, havia 200 caixas – 37 delas com bebidas. [HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! BÊBADO DE MERDA, SÓ TEM CAIXA DE CERVEJA COMO PERTENCE! Morre de câncer, desgraça!]

Os advogados do ex-presidente Lula e de sua mulher, Marisa Letícia, apresentaram por escrito as explicações sobre o tríplex no Guarujá e o sítio de Atibaia, na investigação movida pelo Ministério Público de São Paulo. Segundo eles, o sítio foi prospectado pelo sindicalista Jacó Bittar em 2010, que tinha a intenção de oferecer a Lula um local para que pudesse guardar os objetos que ganhou durante o período em que permaneceu na Presidência da República. Como ficou doente, Bittar teria dado o dinheiro para que seu filho, Fernando Bittar, fechasse o negócio. O valor, no entanto, teria sido insuficiente, o que levou Fernando a chamar Jonas Suassuna para entrar como sócio na propriedade. [blablablabla desculpinha esfarrapada!!!]

 

Procurada pela reportagem do GLOBO, a assessoria do Instituto Lula afirmou que não vai se manifestar sobre os pedalinhos e que “o ex-presidente e dona Marisa frequentam o sítio, que é de propriedade de amigos da família”. [MENTIROSOS! LADRÕES! CORRUPTOS! MORRAM DE CÂNCER, DESGRAÇAS! ACABA, LULA! ACABA, PT!]

 

 

 

 

 

A carta de Temer a Dilma, ou como destruir sua carreira com um texto cafona

terça-feira, dezembro 8th, 2015

underwoodMimimichel Temer não deve ter o saudável hábito de ler Luis Fernando Verissimo. Se o lesse, saberia que, se você não sabe como começar um texto, deve apelar a um provérbio chinês, e não a um adágio em latim. Até porque fica mais fácil divagar em cima do provérbio chinês. Ademais, na Era do Google, saber citar adágios em latim não é mérito nem diferencial pra ninguém.

Enfim. Este post é apenas para atender a pedidos dozamygho e dosfã <3 <3 <3. Mas tudo o que poderia ser dito a respeito da patética vergonhosa ridícula véi, na boa, cejura que escreveu aquilo? carta que o Temer escreveu pra Dilma já foi dito. E tudo o que se poderia esculhambar já foi esculhambado.

Então, faço apenas algumas observações pontuais:

Senhora Presidente [não importa se você é do time a presidente ou a presidenta. Aqui fica bem claro que mimimichel chamou dilmavana pra briga. quem trabalha diretamente com ela só a chama de presidentA, caso contrário ela não responde.]

[já comentei lá em cima esse adágio latino] “Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem) (…) À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.[Esse monte de aquela e aquele deixou a frase confusa e sem sentido. Melhor: À minha natural discrição conectei aquela derivada do CITADO dispositivo constitucional – Temer citou o artigo da Constituição, então a referência tá mais do que clara no texto.]

(…)

Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança. E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice[OLHA LÁ! OLHA LÁ! OLHA LÁ! ELE ERROU A CRASEEEEEEE!!! Esse a dai´é só preposição, não tem artigo! (Teria artigo se fosse “à Vice-Presidência”, mas não teria artigo no caso de “A Vice(-presidente)”.]

 (…)

Noves fora, a impressão que fica é que mimimichel foi acometido por um irrazoável surto de soberba, ao achar que seria capaz de produzir uma carta cujo impacto teria a mesma magnitude da carta de suicídio de Vargas. E muito também já se disse sobre isso, que Vargas matou-se,enquanto o suicídio de Temer foi só político, etcetcetc.

De concreto, mesmo, o que temos é que:

1- começar uma carta ~pessoal~ com um adágio latino foi ridículo

2- o tom da carta foi pré-adolescente. não se espera isso de um vice-presidente com 34567445634 anos de vida política.

3- se ele esperava contar com o apoio da imprensa para dar legitimidade e pujança a um textinho de merda, lamento informar mas texto de merda quando nasce na merda da merda jamais sairá.

4- Sério, mimimichel, você anda passando muito tempo vendo série da Netflix. Essa carta é uma bela patética mistura da carta de Frank Underwood ao presidente Walker com a personalidade de Kilgrave, o vilão de Jessica Jones. você se faz de vítima quando, na verdade, tenta manipular e controlar as vontades de todos ao seu redor. Beesha, por favor! Você não é vilão da Marvel, só tem cara de!

Isto posto, vamos comparar o final da carta que Frank Underwood escreveu ao presidente Walker no último episódio da segunda temporada de House of Cards com o final da carta de Temer à Dilma (se você acha que isto pode ser um spoiler, problema seu. eu acho que não). Primeiro, o texto de Underwood:

Se Vossa Excelência realmente acredita que eu servi apenas a mim mesmo, então eu perdi para sempre a sua confiança. tudo o que eu posso fazer agora é lhe dar minha liberdade para salvar a sua. Eu disse que eu tombaria em seu lugar, e com esta carta eu lhe dou os meios para que isso aconteça. Eu mesmo estou puxando o gatilho.

todos devemos fazer sacrifícios para alcançar nossos sonhos, mas às vezes devemos sacrificar a nós mesmos para o bem maior. É minha honra fazer este sacrifício agora.

Seu amigo leal, ainda [do fundo do] meu coração, se não no seu.

Agora, o texto de Temer:

Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.

Olha, mimimichel, sobrou convicção e faltou sacrifício na sua versão. Digo só isso.

Voz Passiva: modo de (ab)usar

sexta-feira, outubro 16th, 2015

Devo, não nego, pago quando puder. Sei que prometi outro post destrinchando as manchetes da Derrota Collection Week, mas isso vai me tomar um tempo meio grande. Por ora, deixa eu falar aqui deste texto escancaradamente escandaloso.

Intâo… sabe quando uma criancinha diz “a jarra quebrou porque a bola bateu nela”, e esquece de dizer que a bola bateu porque ela, a criancinha, chutou a bola na direção da jarra.

Pois é.

Acompanhem esta manchete mirabolante do G1 – que eu posso quase jurar que não foi obra do G1 mas da France Presse:

Palestino disfarçado de fotógrafo morre depois de esfaquear soldado

aí você se pergunta se ele morreu por autocombustão, infarto, mal súbito ou o quê (mas seus botões meio que lhe contam que ele não morreu, mas foi morrido).

Então você, cheidi curiosidade, vai pro primeiro parágrafo da notícia:

Um palestino disfarçado de jornalista esfaqueou e deixou gravemente ferido nesta sexta-feira (16) um soldado perto da colônia de Kiryat Arba, na Cisjordânia ocupada, e foi morto pouco depois, informou o exército israelense.

Foi morto. Por quem? Ah, é, bem… quem mesmo? N Ã O   I M P O R T A.

é pra isso que serve a voz passiva. Pra sumir com o agente da ação. (Agente da ação: aquele que age, que comanda o verbo e altera completamente a situação final de quem está na posição de objeto direto). Porque, amos combinar: “soldado israelense mata palestino que havia esfaqueado outro soldado” é assaz direto. Palestino morre após esfaquear deixa bem claro que o palestino morreu porque esfaqueou o outro. E a culpa é todinha dele, palestino.

E um beijo bem grande pra você que acha que a imprensa é isentona.

Derrota Collection Week , a gênese do terceiro turno

domingo, setembro 20th, 2015

48 horas e sete (oito?) manchetes que desfilaram terror
e uma coleção de derrotas (na verdade, foi uma só)
para Dilma Rousseff

Já contei aqui que estou fazendo um trabalho no qual contabilizo mondi manchete de Globo e Folha durante o segundo turno das eleições. Nesse post lincado, eu falei do poder do verbo derrotar e do substantivo derrota usados contra Dilma.

Pois bem.

Joguei lupa em cima dessas informações específicas, e descobri aquela que deve ter sido a gênese do terceiro e quarto e quinto e sexto e centésimo octagésimo nono turno. Foi um grande desfile de derrotas novas, e outras, e mais, e persistentes, acompanhadas ou não de ameaças, no carão dos jornais impressos. Como vocês irão perceber, cada qual teve seu estilo, sua personalidade, sua marca pessoal nessa vergonhosa passarela. Como esse fenômeno começou na semana pós-segundo turno e permite uma série de metáforas comparativas com um desfile de moda, batizei o dito de Derrota Collection Week. Vocês vão entender o porquê já, já.

Acompanhem comigo o desfile a evolução da coisa, neste calendário que traz apenas a última semana de outubro de 2014:

DCW

Dia 26 de outubro, domingo – Dia de votação. Fomos todos sufragar e ficamos no aguardo do escrutínio. (foi de propósito pra você correr atrás do dicionário. Dou mó força! 😀 ) Graças ao Acre, não morremos. Dilma venceu no fotochart (outra chance de você buscar o dicionário). Repito: Dilma Venceu. Em segundo, Aécio e beijos pra Lourdes Nassif 😛

Dia 28 de outubro, terça-feira – 48 horas depois da vitória de Dilma (vou repetir mais uma vez: Dilma V E N C E U, vê, é, êne, cê, é, ú, vêêêiiin-ssssêêêêêuuuu), a Câmara dos Deputados põe em votação a regulamentação dos conselhos populares. Não vou contextualizar a coisa aqui. Fique à vonts pra dar aquela busquinha marota no Google. O que nos interessa aqui é apenas uma informação: A Câmara rejeitou a regulamentação dos Conselhos Populares, nos moldes do que pretendia o Palácio do Planalto.

Dias 29 e 30 de outubro, quarta e quinta-feiras – Eis que é chegada a hora de os jornais noticiarem o babado legislativo da noite anterior. No meu trabalho, separei as manchetes que traziam as palavras Dilma, Aécio ou Lula. Do total de manchetes separadas nessas 48 horas, 26% (mais de um quarto delas) mencionavam derrota ou seus derivados. Lembrem-se: o único fato concreto que se tem foi a não aprovação, pela Câmara dos Deputados, de um texto conforme pretendia o Planalto. Um único texto reprovado, um único assunto em questão.

Então, acompanhem o catwalk de Globo e Folha em suas respectivas passarelas:

29 de outubro:

Mercedes-Benz New York Fashion Week Spring/Summer 2013 - Dennis Basso - Runway Featuring: model Where: New York City , New York , United States When: 12 Feb 2013 Credit: Jeff Grossman/WENN.com

Câmara impõe 1ª derrota a Dilma após reeleição (Folha, 1ª página. Manchete repetida na parte interna do jornal, o que me permitiu somar esta teteia duas vezes)

Câmara derrota Dilma e veta Conselhos Populares (O Globo, 1ª página)

Câmara derruba decreto de Dilma que criava Conselhos Populares (O Globo, interna)

30 de outubro

Presidente do Senado promete impor nova derrota a Dilma (Folha, 1ª página)

Congresso ameaça impor novas derrotas a Dilma no plenário (Folha, interna)

Senado ameaça também derrotar Dilma (O Globo, 1ª página)

Renana avisa: próxima derrota de Dilma será no Senado (O Globo, interna)

Agora me digam quantas derrotas vocês acham que Dilma sofreu nessas 48 horas? Pois é.

Vou parar este post por aqui. Volto ainda esta semana com a análise de cada uma dessas manchetes lheandas. O que eu vou fazer, mal comparando, é a descrição físico-fisiológica do processo que faz com que um projétil seja atirado de um revólver dentro do corpo de um indivíduo, e o que acontece com o corpo deste indivíduo até que ele morra por causa do projétil.

(Enquanto isso, os jornalistas e editores de jornais ô raça! se comportam como um trafica qualquer de meia pataca que dispara sua metralhadora pra cima feito louco, sem pensar, e grita: TACÁTERRÔ! TACÁTERRÔ!)

O acidente crescido e a escala de agentividade da Folha de SPaulo

domingo, julho 26th, 2015

Vocês podem falar o que quiserem da Folha de SPaulo. Só sei que ela sempre vem em meu socorro quando o blog fica parado. Eis que após quase um mês sem ter o que falar, a princesinha da Barão de Limeira me traz esta teteia aqui.

A história é a seguinte: paulistano reclamando da redução da velocidade nas Marginais, imposta pela CET do Haddad. (A velocidade caiu pra 70 Km/h, uma grandeza jamais atingida entre 7 da manhã e nove da noite, quando tem muito carro rodando por lá, mas quem sou eu pra falar disso, né verdade? Deixa isso pra lá).

Dona CET fez um estudo nas vias com velocidade mantida e nas que tiveram a velocidade reduzida. O número de acidentes fatais cresceu pra tudo quanto é lado, mas foi proporcionalmente menor nas vias com velocidade reduzida. O que pode fazer as pessoas concluírem que a redução da velocidade conteve o aumento de acidentes fatais nas vias mensuradas.

Aí chega o adjunto adverbial de tempo, que pode ser trequinho acessório pra dona sintaxe, mas pra dona semântica e Nossoa Senhora do Contexto ele faz uma diferença brutal. Esse estudo foi feito entre 2010 e 2014, e analisou a redução de velocidade implementada [atenção para os adjuntos adverbiais de tempo:] entre 2010 e 2012, durante a gestão Kassab. Ou seja: Haddad tem PORRA NENHUMA a ver com isso.

Mas o melhor de tudo no texto cometido pela Folha é a manchete. Lá em cima eu falei que o aumento foi proporcionalmente menor, né? Pois é. A folha me taca esta manchete:

“Acidente cresce menos onde limite de velocidade foi reduzido”

Cresce menos. Acidente cresce menos.

Agora vem aqui e pensa comigo. O que é mais factível? “O caçador matou o leão” ou “uma laranja matou o leão”?

Qual o poder que uma laranja tem para matar um leão, comparado ao poder de um caçador?

Quem entendeu a minha pergunta entendeu a ideia da escala de agentividade, proposta por Thomas Payne no livro Describing Morphosyntax – livro foda, diga-se de passagem. A escala de Payne nos incentiva a estourar umas boas pipocas quando a gente pensa na frase “acidente cresce menos”. Pensem no poder agentivo que um acidente tem de crescer ou não crescer por si só.

Mas tudo isso, claro, é culpa do Haddad. Como ele mandou reduzir a velocidade das marginais HÁ UMA SEMANA, a culpa é dele, claro. Sempre. Aliás, se chover e esfriar hoje em São Paulo, a culpa é do Haddad.

Beaucoup de français pour rien contester, coitada…

terça-feira, junho 23rd, 2015

hkzdrgAviso: aqui tem treta pra 5 baldes de pipocas.

Daí que a apresentadora da TVeja (Cês me juram que ela é jornalista? Que coisa, não?) está sendo acusada pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná de plágio. Não de uma ou duas matérias, mas de exatas 65 matérias. Em menos de um mês. Movem a acusação contra ela exatos 23 jornalistas.

O que você faz numa hora dessas? Pega o pouco que lhe restou de dignidade, junta os cacos, enfia a viola no saco, pede desculpas e bola pra frente. Tentar terceirizar a culpa ajuda, mas não resolve.

Isso já aconteceu outras vezes. Lembro de um caso de um repórter da editoria Rio de O Globo (não lembro do nome dele, e não vou me esforçar pra isso, coitado, o cara ficou morrendo de vergonha), que (diz que) recebeu um texto legal de m amigo, pediu pra postar no blog dele no jornal, o amigo autorizou e, uma semana depois, o cara descobriu que o texto havia sido publicado em outro lugar. Foi demitido, e saiu pedindo desculpas pelo amor de Deus.

Mas não foi o que dona Joice Hasselmann fez. A mona botou a cara no sol e saiu disparando metralhadora giratória. Pelo que eu entendi, a culpa pelos plágios dela é da CUT. Como, eu não sei. Mas sei que a dona não é nem versada em português nem em francês. Allons-y pra conferir o que a tia fez?

Pipoca? Check! Guaraná? Check!

A escória do jornalismo só podia estar num sindicato ligado a CUT[Ok, não vou entrar no mérito. O artigo 5º da Constituição Federal permite que ela pense isso. Esse mesmo artigo também me permite considerar escória do jornalismo os integrantes da redação da Veja, né? Então, deixa prá lá]. Minha resposta aos vira-latas[ah, puxa… vira-lata é um bicho mó legaus!]: Retournez a la Merde! [ô minha tia, faltou um acento grave aqui nesse a. É “retournez à la merde”, por favor! Vai arrotar francês, arrota direito!]

Caros amigos-vírgula [Depois da merde praticada em francês, a tia vem e pratica uma merda em português. Falou vírgula aqui pra separar o vocativo do resto da frase!] vamos pensar numa equação nefasta. Imagine o produto do ócio de gente frustrada aliado ao pseudo intelectualismo (ignorância, burrice, estupidez e sobretudo má-fé)[até aqui a tia seguiu a receita tucana de encheção de linguiça: “Aí, seu Camões! Desce uma tonelada de substantitvo abstrato pra eu rechear meu texto!”]. Imaginou? Ruim-vírgula né? Mas tudo pode piorar.
Junte à [ponto positivo! A tia sabe crasear!] mistura preguiça, inveja, uma boa dose de canalhice e-vírgula para finalizar-vírgula empacote tudo num sindicato sem vergonha ligado à CUT[outra crase certinha, e a CUT que tava quietinha no canto dela sem encher o saco de ninguém foi enfiada aqui do nada!]. Voilá[E, como castigo por enfiar a CUT onde não deve, a tia errou de novo o acento! É acento grave, tia! Voilà!] ! Temos aí o Sindicato dos Jornalistas do Paraná que consegue ser boi de piranha e ao mesmo tempo um ativista da imbecilidade[Tá. eu entendi que a tia precisa vomitar ofensa contra o sindicato dos jornalistas do Paraná. Mas como justificar à luz da coerência e da coesão as expressões “boi de piranha” e “ativista da imbecilidade”?]
Estou sendo dura? Será[Não, queisso… por enquanto você só foi prolixa e não disse a que veio. Lead é coisa de vira-lata, presumo eu…]? Bem, eu nunca acreditei nessa gente e nunca paguei um centavo para essa gente encostada ficar fingindo que luta pelos direitos dos trabalhadores jornalistas[De novo: artigo 5º e pans]. Por sorte, essa corja de hoje é menos inteligente. Sim, sorte, afinal um sindicalista inteligente e amoral pode destruir o Brasil. Veja o que aconteceu com Lula no poder[Depois da CUT, sobrou pro Lula, coitado! É impressionante a capacidade que um jornalista (sorry) da Veja tem de enfiar a culpa no Lula, credo… mas ao menos ela reconheceu que Lizinácio é inteligente. Pfvr, registrem e guardem para 2018. Vamos precisar! 😛 ]. Deus nos livre[A CUT, Lula e Deus já estão aqui comendo as pipocas dos nossos baldes, e a tia nem tchuns pra dizer a que veio!]
Hoje-vírgula esses sindicalistas de araque, travestidos de jornalistas, são do baixo clero-vírgula mas mesmo assim eu vou dar uma chance e uma moralzinha pra essa turma de desocupados[Mais duas linhas, gente! Nada!].
Mas qual é o motivo de tanta ira, Joice Hasselmann? 
Eu vou contar-vírgula amigos. Recebi um link de um post do Sindijor- PR ou melhor, sindijor com letra minúscula mesmo[Tia, cê num sabe pôr vírgula em texto, e pede desculpas porque deixou uma palavra em caixa alta? Ah, vá!!!] , (o inútil sindicato da “catigoria”[catigUria. Fazfavô!] do Paraná) dizendo que uma Comissão de Ética (ética????? Sim, eu sei é risível[mas pelo amor de nossa senhora dos 140 caracteres, da pra explicar o motivo da sua ira, minha tia?!?!?!?!] , mas é o nome) me condenou por plágio[ARRÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!! Filnalmente ela disse o porquê de tanto esperneio! Tá. Vc é acusada de plágio. E aí, o que tem a dizer em sua defesa?] Oi??!!! Toc-toc!!!! Beberam???? Fumaram alguma coisa esquisita???[Tá. Ela questiona a motivação da acusação. Eu faço isso direto.] Bem, até pode efeito de algo além da malandragem, mas a gênese da palhaçada-vírgula caríssimos, é a velha sacanagem mesmo[e aqui Deus castigou ela de novo: ela se esqueceu de um verbo – pode SER efeito- e, de novo, faltou a vírgula pra isolar o vocativo. Tia, se cê num sabe usar vocativo, por favor, num usa!] . Do tipo que essa gentinha gosta[Tá. Acho que ela disse que foi alvo de uma injustiça. Mas qual?]. Fizeram uma reunião na surdina [Aí você lê o texto do sindijor, cujo link está lá em cima, e descobre que ela foi chamada a se pronunciar a respeito, e não respondeu a nenhuma convocação. Considerando que em questões desse tipo existe todo um protocolo a ser seguido, como ouvir a acusação, a réplica e a tréplica, acho no mínimo questionável ela afirmar que não foi consultada. Até pra isso deve ter prova.] porque 23 profissionais tiveram um surto-vírgula e resolveram acordar um dia e ir ao sindicato-vírgula porque essa pessoa tão malvada como eu fez carreira em cima do belo trabalho de operários padrão do jornalismo paranaense[de novo, faltou mondi vírgula aqui, mas eu vou fazer de conta que não percebi. Vou considerar como figura de estilo, pra passar a ideia de exasperação e agitação. Eu também costumo fazer isso por aqui vez que outra. Mas ela diz que 23 profissionais surtaram? é isso mesmo, minha tia? Mas esses profissionais surtados, será que eles sabem usar vírgula? Tá parei]. Ohhhh, Jè suis désolèè[ai, porra! Eu tava pronta pra defender a sujeita e dizer que trocar acento grave por agudo é coisa pouca, porque pode ser apenas a tecla shift que não funcionou direito aí ela me vem e me taca não um nem dois, mas TRÊS acentos graves errados?!?!?!?!!? Ah, porra, onde cê fez esse curso de merda, hein?!?!!?! É “Je suis désolée”, porque vc é mulher! Se fosse homem, seria “Je suis desolé”, com um e só. E je não tem acento, coisa!]. Eles têm toda razão! Essa que vos escreve é mesmo uma despreparada. A história comprova[acho que ela vai ser irônica. Só acho.]. Enquanto boa parte dessa gente se reunia para fazer nada, para tomar umas e outras nos botecos pé sujos da vida, eu, vejam só, trabalhava[Mas, espere! ela tá dando a entender que os 23 que estão processando ela são sindicalistas? São da CUT?]. Não se ofendam. Eu sei que a palavra “trabalho” dói, mas eu tenho essa mania condenável por vocês. O que se pode fazer? [Segundo Joice Hassellman, a palavra trabalho dói. Pra membros de uma entidade cuja sigla significa Central  Única dos TRABALHADORES. Olha, minha tia, aqui cê tá começando a perder o fio da sua meada…]
O fato é que enquanto intelectuaizinhos de meia tigela[Agora fiquei curiosa pra saber o nome dos 23 que estão acusando ela de plágio.] fingiam fazer alguma coisa-vírgula eu já estava no ar e desde o primeiro ano de jornalismo. Sim, eu trabalhava e estudava. Que horror[Tá. Vc trabalha desde o 1º ano da faculdade. Grandes merdas. Eu também. E, como sabia trabalhar direito, eu tinha a hora de trabalhar, a hora de estudar e a hora de beber no boteco da esquina. Você, pelo visto, trabalhava mal, tinha que refazer o trabalho todo e ficava depois da hora, né?]! No terceiro ano de faculdade-vírgula cometi o pecado mortal de conseguir ser diretora de uma afiliada da principal rádio jornalística do Brasil[Agora deu pena de Curitiba. Sério que faltam profissionais de qualidade aí NESSE TANTO, gente? afff…]. Que erro o meu. Como eu fui capaz de tamanha traição? Eu devia mesmo é ter me juntado a um bando de vira latas e sair por aí fazendo piquete, greve na universidade ou qualquer coisa bem inútil para a sociedade[Greve é um troço inútil pacas. Olha, se eu te contar que Adam Smith discorda disso cê vai ficar chateada comigo? Jura? Foda-se!] 
Os dias se passaram, os anos se passaram e os grandes profissionais indignados continuam indignados, hoje ilustres desconhecidos, mas o trabalho genial dessa gente brilhante teria sido o motivo da minha carreira seguir em frente[tá. Deixa eu ver se eu entendi: geral ralando feito um corno pra ganhar meio mentex de piso salarial, aí la vem, dá CTRL+C/CTRL+V naquele texto suado e fudido, põe a assinatura de merda como se o texto fosse de autoria dela e ainda fica putinha porque geral tá reclamando que o que ela faz é errado? E esse teria sido no futuro do pretérito, hein? seu inconsciente tá te acusando, é?]. Ahhhh, vão se catar-vírgula bando de canalhas! Eu, diferente de vocês-vírgula seus parasitas, trabalho 15 horas por dia e não fico enganando em redação durante 5 horas ( para aquele poucos que tem emprego, né-ponto de interrogação). Tenho vergonha de gente assim[Tá. Me corrijam se eu estiver errada: pelo que eu percebo, até aqui ela não negou nenhuma das acusações, né?]. Fui diretora da CBN, diretora da Bandnews, a colunista de política mais influente do Paraná, comandei o colunismo político da Record, tenho mais de uma dúzia de prêmios-ponto. e vocês[Jogou medalhas na mesa – check!] ? Responde aí[Mas ela não consegue nem acertar um imperativo?!?!?! A sujeita é tão mandona e não sabe nem conjugar verbo de ordenamento?!?!!?! Mas minha tia, o certo é “respondam!”]! Poucas vezes vi uma atitude tão tão baixa. Bando de mentirosos[arráááááááááaaá! Finalmente ela diz que as acusações são mentirosas!!! Mas até que enfim, hein, minha tia?]. Para se ter uma idéia,[ideia não tem mais acento, mas eu tb gosto de uma idéia acentuada. Deixa pra lá, vai…] quando essa conversa fiada apareceu-vírgula [outra vírgula comida!] meu advogado tentou ter acesso ao processo e-vírgula claro-vírgula o nobre sindicato não entregou. Fez tudo na surdina, por debaixo do pano, sem ouvir o contraditório e-vírgula para ganhar uns minutinhos de atenção-vírgula fez uma nota e espalhou para os blogs sujos e afins[Mas meu São Crispiniano!!! tá lá no texto que ela foi procurada pra responder às acusações, e não se manifestou!!! Tia, se é pra mentir, ao menos faça isso sem ter como ser desmentida, né? Coisa mais feia…] . Os patrões gostaram, companheiros? Ah, também é mentira que tentaram contato comigo. Meus telefones continuam os mesmos. É uma atrás da outra.[Tá. Então deixa eu reescrever aqui tudo o que ela alega, de forma sucinta: 
eu, Joice Hasselmann, estou sendo injustamente acusada de plágio por 23 jornalistas. Todas as acusações são falsas e mentirosas. O sindicato alega que entrou em contato comigo, mas em momento algum eu ou meu advogado pudemos ter acesso ao conteúdo do processo <— e voilà (com acento grave, né?) Achei uma contradição! Como ela pode dizer que não foi contactada (“Meus telefones não mudaram”), se ela diz que o advogado dele tentou ter acesso ao processo e não obteve? Afinal de contas, ela sabia ou não sabia que estava sendo processada?]
Eu, Joice Hasselmann sou pessoa jurídica[Ah, tá. Então, posso concluir que terceirizados estão liberados de sair por aí copiando a torto e a direito o texto dozotro?], dona do meu nariz, não pago pedágio para essa corja e não me dobro a essa gentinha ligada à CUT. Eu NÃO sou filiada ao sindicato porque eu nunca quis[OK, OK e OK.]. Querer me punir me impedindo de integrar esse sindicato é elogio. Vocês são invejosos, arrogantes e incompetentes. Arregacem as mangas e trabalhem! [Mas quem tá querendo que ela se filie ao sindicato? pelo que eu entendi, os cabras querem que ela explique o plágio!]
O que eu tenho a dizer sobre isso: vão para o diabo[Fia, fazisso não… são VINTE E TRÊS contra uma. Explica direitinho, rebata ponto a ponto, acusação a acusação, jornalista a jornalista. Se você está tão certa do que fez, mostre isso pontuadamente!] !! Aos senhores, as batatas! E enfrentem meus advogados seus sanguessugas. Se ainda não entenderam vou ajudar: “Allez a la Merde[faltou acento grave: allez à la merde!] ! Ou se preferirem “Retournez a la Merde[de novo: faltou acento grave. Gente, naonde essa sujeita fez curso de francês,hein?]“.

Meu veredicto, que já publiquei no Facebook: C’est beaucoup de français pour rien contester ( = é muito francês pra não responder nada), kiridinha…
São acusações pontuais e específicas. Et vous avez seulement aboyé aux “petralhas”.( = E você só fez latir para os petralhas)
E aí? Allez-vous contester les accusations ou non ( = vai responder às acusações ou não)?!?!

E se quiser continuar a discussão em francês, inglês, espanhol ou latim, tamosaí…. mas da próxima vez, eu vou exigir que você ou escreva corretamente em outra língua, ou saiba pontuar textos na sua língua.

(E você acha que eu acreditei nessa prosódia toda? Aham… asseilez-vous là (senta lá) kiridinha…)

Et je ne vais pas à la merde, parce que je dois faire mon travail de français. Au revoir!

(E eu não vou à merda porque preciso fazer meu trabalho de francês. Tchau!)

(E ela não explicou por que o Sindijor é boi de piranha. #magoei)

 

 

É cada um que me aparece….

quarta-feira, junho 17th, 2015

Gente. geente. GEEEENTEEEEE…

Olhem este post aqui, sobre como o sufixo [-enta] é morfologica e diacronicamente compatível com regras gramaqticais. Gastei algum tempo falando de morfologia do latim, de morfologia do português, de classes de palavras, de tudo.

Aí me vem este sujeito autointitulado Paquiderme (CQD, como vocês verão abaixo, e os elefantes que me perdoem) com esta seguinte argumentação. Que eu faço questão de responder ponto a ponto, porque eu não aguento burrice.Bora lá:

Tem gente que adora criar exceção a regras de Português [não existem exceções. Existe toda uma evolução de uma língua viva. Ou você aceita isso ou você volte a falar latim, por favor.]. Não é porque está no dicionário que está certo[Dicionário não traz o certo. Dicionário traz o usual. O dicionário oficial da língua inglesa vem incorporando, nas últimas décadas, novas expressões referentes ao mundo da informática e das telecomunicações. Você vai dizer que ele está errado porque introduziu um novo verbete corriqueiramente usado por seus falantes?]. Dicionários são feitos por seres humanos – que erram[Assim como normas gramaticais. Taí a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa que não me deixa mentir!] E se existe também a previsão da palavra em Lei, isso não quer dizer nada. Trabalho no Poder Legislativo, e você ficaria horrorizado se visse a capacidade que os legisladores têm de aprovar leis absurdas – fazendo com que textos imorais e lesivos ao interesse público se tornem LEGAIS com uma simples canetada… [E o quico?] Foi assim, com canetada de legisladores irresponsáveis e imbecis, que aqui em Itaúna / MG foi legalizada e está em pleno vigor a vitaliciedade para cargos de confiança na Prefeitura (disfarçada com o nome de apostilamento), e foi assim que a palavra presidenta foi “oficializada”, por lei, em 1956 através da Lei Federal 2759/56, que na época tinha uma boa intenção, que era somar contra o machismo. Então, o argumento de que “está no dicionário” ou “está na lei”, pra mim, não vale ABSOLUTAMENTE NADA.[e o Quico ²?]
O uso de presidenta é ridículo[Ache o que você quiser. Mas ele é morfologicamente correto]. Por que não existe o termo presidento, então[se você tivesse lido meu post inteiro, teria visto a explicação MOR-FO-LÓ-GI-CA para a não existência do sufixo [-ento]. Mas já saquei que você morre de preguia de ler, né?] ????? Afff…
E, para a Madrasta do texto ruim: você não tem um texto ruim. Você tem é a índole ruim[HAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA puxa, que coisa… você está julgando UM PERSONAGEM DE BLOG?!?!?!?!?!?! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHA Me cuenta: Capitu traiu Bentinho? Porque se você consegue julgar um personagem de blog, você também é plenamente capaz de fazer o julgamente final de Capitu, né?] . Usar palavrão mostra bem seu perfil: aparentemente inteligente, razoavelmente bem informada, provavelmente boa estudante, que decora regras de português e quetais… mas uma professora que eu não queria para a minha filha[uuuuuiiii, ele é moralistão! mimimimocinha não pode falar palavrão porque é feio!] . Você denota ser uma esquerdista revoltada como todos os que conheço (e são muitos)[HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAH EU SOU REVOLTADAAAAAAAAAAAAAA] , tem pouco argumento [POUCO? CARACA, EU DEI AULA DE LATIM, ISSO É POUCO ARGUMENTO?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?] e nenhuma compostura[HELOOOOOOOO! Naonde que tá escrito que eu devo ter compostura? Manual de boa conduta de blogueira que criou um personagem que é uma bruxa! Ai, fui catar no google e não encontrei! Acho que ão existe!] . Você não só desrespeita a língua[hahahahahaha], como desrespeita os estudantes que acabam chegando até seu texto[HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA], por meio do Google ou outros mecanismos de busca. Você dá vergonha aos bons professores[QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA]. Pense nisso antes de falar palavrão [sério que você se incomoda com mulher que fala palavrão? Mas é nesse tanto? cara, mulher capaz de pensar e que tá pouco se lixando pro seu julgamentinho deve te fazer muito mal, né?] e tentar impor regras – mesmo que elas estejam ali, na letra BURRA da lei e do dicionário[NA ON DE QUE EU TÔ TENTANDO IMPOR REGRA?!?!?!?!?!!?!?!? Se voc~e tivesse lido o texto até o fim, veria que o uso de presidentE para mulheres não é proibido. Apenas a forma presidenta é permitida. Fato morfologica e diacronicamente comprovado!] Uma vez, no curso de Direito, logo na primeira aula, aprendi que “Se um dia você tiver que escolher entre a Lei e a Justiça, que tenha a coragem e a sabedoria de escolher pela Justiça”.
Agora, vendo suas argumentações, adaptei o ensinamento: “Se um dia você tiver que escolher entre A) o que o dicionário e a professora petista dizem ou B) o que o bom senso e os BONS ESCRITORES USAM, que tenha o bom senso de seguir os bons escritores. [cara, que vergonha desse cosplay de texto épico que você tá fazendo…. sério que você acha que tá abafando com isso?!?!?!?! sério que “professor petista’ é uma categoria pra você? sério que é uma “categoria de segunda classe”, pelo que se infere do seu texto? E sério que vocˆacredita nisso tudo que você tá escrevendo? Cara, que vergonha megablaster desse texto que você cometeu….]

 

ATUALIZAÇÃO: o comentário da Marlena aqui embaixo tem que subir. Em tempo: MARLENA, EU TE AMO!! 😀

Vamos lá:

1) Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas): “Meu espírito deu um salto para trás, como se descobrisse uma serpente diante de si. Encarei o Lobo Neves, fixamente, imperiosamente, a ver se lhe apanhava algum pensamento oculto… Nem sombra disso; o olhar vinha direito e franco, a placidez do rosto era natural, não violenta, uma placidez salpicada de alegria. Respirei, e não tive ânimo de olhar para Virgília; senti por cima da página o olhar dela, que me pedia também a mesma coisa, e disse que sim, que iria. Na verdade, um presidente, uma presidenta, um secretário, era resolver as coisas de um modo administrativo.”

2) Érico Veríssimo escreveu: “A senhora é uma mulher que me agrada. Realista, positiva, hein? hein? De gente assim é que vamos precisar quando vier a república, não é mesmo? Cargo? Pois sua avó vai ser a primeira presidenta do Estado do Rio Grande do Sul, hein?”

Case closed!

E que Deus tenha pena de nossos filhos![Deus cabou de me contar que ele já pediu que o Nome Dele fosse retirado dessa baboseira daí, porque ele não coaduna com burrice não!]

 

Enfim, resumindo, só tenho mais uma coisinha a lhe dizer:

Ô, raça!

quinta-feira, maio 14th, 2015

Daí que eu tô fazendo um trabalho no qual contabilizo mais de 300 manchetes de Globo e Folha de SPaulo, durante o 2º turno das eleições.

Uma rápida passad’olhos, só por cima, vendo os verbos e substantivos usados, mostram alguns dados interessantes/curiosos/intrigantes. Vamos a eles:

1- uso do verbo derrotar / substantivo derrota
(Lembrem-se que os fatos finais foram: Dilma venceu, aécio perdeu)

Foram 10 ocorrências, entre verbo derrotar + derrota. 6 no globo e 4 na Folha. 3 ocorrências foram em verbo, 7 de substantivo.
Nas 4 derrotas substantivos (derrota DE FULANO, onde de fulano = adjunto adnominal) os adjuntos adnominais que apareceram foram: Aécio 2; Lula 1; e Dilma 4.

Com o verbo derrotar, duas ocorrências tiveram Dilma como… OBJETO DA FRASE! “Câmara derrota Dilma”; “Senado ameaça derrotar Dilma”

E se você tá pensando que Aécio é o objeto da frase que tá faltando, você está rotundamente enganado!
A manchete que falta é:
“DERROTADO, Padilha vira coordenador de campanha de Dilma em São Paulo” – não é nem voz passiva, é particípio passado, fechado e sacramentado. E se você quiser, ainda pode achar que esse derrotado é adjetivo ou substantivo, afinal de contas, a ideia é essa: “O Padilha é um derrotado, mesmo”… O_o

2) A expressão “Na frente” também traz dados curiosos. Está associada a aécio em 3 ocorrências, 2 delas relativas às pesquisas eleitorais.

A expressão “na frente” associada a Dilma não apresentou nenhuma ocorrência. Mas houve 2 casos de Dilma com a expressão “à frente”:
– Dilma à frente de Aécio;
– Bolsa cai com Dilma à frente.

3) Verbo atacar e substantivo ataque. Adivinhem quantas vezes houve ocorrências de “ataque de aécio” ou “aécio ataca”? ACERTOU QUEM DISSE ZERO!

“Ataque de Dilma” aparece 4 vezes; “Dilma ataca” (dilma sujeito da frase), outras 4 vezes. Lula ataca = 1vez

Isso porque nossa imprensa é totalmente imparcial, né? MAGINA SE NÃO FOSSE!

“Chupa, petralhas!”

domingo, maio 10th, 2015

(Aqui nóis é tudo contra a terceirização, mas terceirizamos comentários sobre os assuntos mais quentes da semana…)

Enfim.

Quem resumiu de maneira primordial o quiproquó foi a Suzana Dornelles, no Facebook: “A Globo disse que o Mujica disse que o Lula disse e o Mujica disse que não disse o que a Globo disse que o Mujidca disse que o Lula disse.”

 

Mas quem contou a história lindamente foi o Pablo Villaça.

 

CHUPA PETRALHAS!”

Algo havia acontecido. De repente, dezenas de tweets, comentários no Facebook e mesmo mensagens inbox chegavam trazendo o grito de guerra da neo-direita. Havia algo errado. Além, claro, do erro na concordância verbal e da falta de vírgula e de argumentos.

Curioso, fui diretamente ao UOL – pois se há um lugar que é repositório constante de retórica reacionária, é este portal (eu poderia ter ido ao site da Veja, mas a Vigilância Sanitária barrou o acesso a este título aqui no meu escritório).

Em dez segundos, a causa da gritaria: “Lula confessou a Mujica que sabia do mensalão”.

Uau. “Realmente, esta era uma informação bombástica.”, pensei. “Claro, não fazia o menor sentido: MESMO que soubesse, por que Lula confessaria algo assim a Mujica? E MESMO que Lula tivesse confessado, por que Mujica revelaria isso? Mas certamente o UOL não publicaria uma mentir…” HHAHAHAHAHAAHHA.

Respirei fundo, parei de rir e cliquei na notícia. Ou “notícia”.

Vi que a informação havia sido gerada no Globo e extraída da biografia de Mujica escrita por dois autores uruguaios. Li o trecho que os jornalistas de O Globo usavam como prova de que Lula sabia do mensalão.

De imediato, notei que as frases pareciam tiradas do contexto original. Notei também que a manchete trazia a palavra “confissão” sem aspas, mas que a matéria em si usava as aspas, o que era revelador. Finalmente, percebi que os “jornalistas” (com aspas) haviam inserido um “(o mensalão)” antes de uma frase na qual Lula confessaria ter sido obrigado a lidar com algo. Também revelador. Se eu quisesse colocar um “(o dildo gigante)” na mesma frase, poderia, claro – e a notícia ficaria ainda mais chamativa. Mas isto não a transformaria em realidade.

Pensei em escrever algo sobre o assunto, mas fiquei com preguiça. É CLARO que se tratava de uma matéria mentirosa. Sim, havia sido reproduzida por veículos que supostamente deveriam ser referência de bom jornalismo, mas há muito desisti de ver isso no Brasil, um país onde todas as principais emissoras de tevê, publicações impressas e portais na Internet reproduzem o modo “Fox News” de operar.

As mensagens de “CHUPA PETRALHAS” continuaram. Eu poderia apontar que o fato de ser de esquerda não faz de mim um “petista”, mas a vontade de corrigir a concordância era ainda maior e eu havia resistido. Deixei pra lá.

Tuitei (ei, me “SEGUE LEITORES”: http://www.twitter.com/pablovillaca) que o Globo estava claramente manipulando a informação e imediatamente fui chamada de “canalha” por alguns integrantes desta neo-direita que ama insultar e teme argumentar. Um deles chegou a dizer que estava com o livro à sua frente e que confirmava a informação. Eu e outros leitores pedimos fotos do livro, mas ele disse apenas que “petista era tudo preguiçoso”. Pensei em novamente apontar a diferença entre ser de esquerda e ser petista, mas a construção da frase me incomodava mais e ainda assim ignorei o impulso.

E, então, um dos AUTORES do livro se manifestou oficialmente. Desmentindo a informação de O Globo, é claro, e afirmando categoricamente que Lula nada falou sobre o “mensalão”. (Para aqueles que ainda se interessam por um conceito chamado “fato”, um dos links para o desmentido é http://g1.globo.com/…/lula-diz-que-teve-de-lidar-com-coisas…).

Por alguns segundos, considerei que todos aqueles que reproduziram a “confissão” de Lula deveriam estar embaraçados: Noblat, colunistas da Veja, “jornalistas” de UOL, Globo, etc. Certamente ficariam envergonhados por terem espalhado uma informação calunios…. HAHAHAHAHAAHAHA.

Ai, ai. Eu me divirto sozinho.

Pensei no estado da imprensa brasileira:

O Globo divulgou que Lula havia confessado saber sobre o mensalão. Um dos AUTORES do livro no qual a “confissão” estaria DESMENTIU.

Época divulgou que o Ministério Público estava investigando Lula. O Ministério Público DESMENTIU.

Sherazade disse que black blocs haviam sido presos entre os professores no Paraná. A Defensoria Pública do estado DESMENTIU.

E, ainda assim, esta neo-direita brasileira abraça esta mídia e espalha as informações mentirosas em páginas e perfis no Facebook e no Twitter – sempre acompanhadas de insultos a qualquer um que aponte os erros factuais. E ainda assim esta neo-direita não hesita em afirmar sempre “agir em nome da ética e contra a corrupção”.

Certamente devem sentir vergonha diante da hipocris…

HAHAhaaaaa… Interrompi a gargalhada.

A situação era triste demais para despertar o riso.

“Podemos tirar se achar melhor”

terça-feira, março 24th, 2015

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Daí que o prestativo repórter ofereceu tirar trechinho da matéria que implicava o PSDB em corrupção (setinhas vermelhas na imagem ao lado). Editor achou melhor não. E mandou publicar o dito. Sem deletar o avisinho do repórter. Resultado?

Geral tá se refastelando com esse texto da Reuters, que é prova de muita coisa – inclusive do assassinato do menino jornalismo.

E eu, ectoplasma suína nata, estou aqui me lembrando deste episódio de Tom e Jerry. Na versão em português, a robô diz ao Jerry venha me ver de vez em quando, e eu tô imaginando a guria falando podemos tirar se achar melhor (GIF na minha mesa em 15 minutos, pfvr!)

E também me lembrei que não é de hoje que editores esquecem e publicam textos com recadinhos. Mas o do exemplo daqui de baixo, que já circulou neste caldeirão em 2012, virou só motivo de constrangimento profundo devido às boas práticas de convivência civilizada em sociedade, e não manipulação política, né?

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Mazó: as duas matérias poderiam dialogar lindamente:

– Podemos tirar se achar melhor!

– Colocar só a véia!

Tá parei.

 

 

 

 

De créus e incréus

sexta-feira, fevereiro 13th, 2015

O artigo 5º da Constituição é mó legaus. Ele lhe garante o direito de:11002371_10205041154281094_1003065190_o

– não gostar da Dilma

– não gostar do Aécio

– achar que Dilma não presta

– achar que Aécio não presta

– não votar em Dilma

– não votar em Aécio

e por aí vai.

Mas, fio, se você lê um texto truncado e mal escrito, citando federações que não existem e assinado pela “Caixa Econômica DO BRASIL”, e ainda passa por um “aqueleS que tiver dúvidas” sem se incomodar, e mesmo assim acredita na veracidade do texto,

De boa, mas de boinha mesmo,

Você é muito burro e merece tomar nazideia.

 

E se você propaga um troço desses como se fosse verdade, aí você pode responder por falsidade ideológica. #ficadica.

(E façam o favor de não compararem esse erro MEDÍOCRE com o erro do min. da Justiça, que é muito mais elaborado, e fruto de aulas equivocadas de português. Conjugar verbo direito é obrigação até mesmo de fake idiota!)

Jornalismo Fox Mulder

sexta-feira, janeiro 23rd, 2015

O Nassif vive publicando posts meus (o que eu autorizo com gáudio e festejar 😀 ), então acho que ele não vai ficar chateado de eu publicar o post dele.

Só me permito fazer uma única observação, Nassif: o sintagma “E se” era o ponto de virada de investigação e, portanto, de todos os episódios do Arquivo X. Fox Mulder virava opra Dana Scully e mandava um “what if…?” nesse momento entravam os homenzinhos verdes no episódio… 😀

As pegadinhas da mídia com o “se”
SEX, 23/01/2015 – 13:35
Luis Nassif

Os jornais querem arrancar do Ministro das Minas e Energia que haverá racionamento de energia. O Ministro nega. Os reservatórios do pais estão com 17% de nível de água. Aí o repórter pergunta: “E se baixar para 10%?” E o Ministro responde: “Então haverá racionamento”.

Manchete: Ministro admite que poderá haver racionamento.

O repórter poderia avançar mais: “E se acabasse a água em todo o país?”. O Ministro responderia: “Ninguém mais conseguiria acender a luz!”.

O “se” é a jogada mais manjada e mais utilizada pela mídia e deveria constar em todo treinamento de autoridades.

O mais famoso “se” da história moderna do jornalismo foi o caso Boimate – perpetrado por Eurípedes Alcântara na revista Veja. O jornalista cai em um trote de uma revista científica, falando do cruzamento de boi com tomate na Universidade de Hambuerger pelo dr. MacDonalds. Pauta um repórter para ouvir um cientista brasileiro:

– O que o senhor achou desse feito?

– Impossível!

– E “se” fosse possível?

– Seria a maior revolução da história da genética.

Veja tirou o “se” da pergunta e publicou a afirmação.

Aliás, dupla barriga: se fosse, de fato, a maior revolução da história da genética, mereceria matéria de capa.

O “se” comporta tudo.

“Se” o Serra matou sua mãe, será considerado um matricida.

“Se” o Lulinha comprou a Friboi, não faltará carne em sua mesa.

“Se” o Aloyzio Nunes apoiar a Dilma será considerado traidor.

Ou seja, se algum repórter fizer alguma pergunta com o “se”, recorra à 5a Emenda e diga algo como: “Não respondo sobre hipóteses”, porque vem sacanagem na certa

Coerência mandou um beijo

sábado, janeiro 17th, 2015

Sabe aquele xurraxcão da galhéra, com piscina?
Sabe quando galhéra cisma de pegar todo mundo de surpresa e jogar na piscina?
Sabe aquele cara que foge da galhéra, sai correndo pra não ser jogado na piscina pela galhéra, e se joga na piscina?

Intâo….

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A presidenta e os particípios

sábado, outubro 4th, 2014

Esse post é muito 2010. Aquela discussãozinha ridícula mimimi presidenta tá errado mimimi não é assim que se fala mimimi presidanta e essa porra me dá uma gastura tão grande que eu vou fazer o ÚLTIMO POST a respeito da palavra presidenta. Daqueles pra imprimir, esfregar na cara dos ignorantes e fazer eles comerem o papel. Até porque geral teve QUATRO ANOS PRA ESTUDAR, CARALHO! Então vamos lá.

Pra começo de conversa, o particípio é uma forma verbal que não recebe esse nome à toa. Ele participa de outras classes de palavras, mais especificamente substantivos e adjetivos. E provo:

– Quando cheguei em casa, o marido já havia feito  comida – particípio passado em locução verbal com o verbo haver que equivale ao pretérito mais que perfeito.

– João está cansado – o particípio de cansar brincando de adjetivo pra qualificar João.

– A ida de minha mãe a Las Vegas – O particípio do verbo ir virou substantivo.

Observe pelos exemplos acima que, quando não é verbo, o particípio varia em gênero, e vai pro feminino: João está cansadO / Maria está  cansadA. (E antes que vocês perguntem: estruturas passivas têm um quê de adjetivo: quando a gente diz Maria foi estupradA, esse estuprada tem um caldinho de adjetivo)

Aí você vai perguntar: mas o que que tem o particípio a ver com a presidenta, bruxa?

No latim, havia o particípio passado, o particípio presente e o particípio futuro. E os três chegaram ao português, mas só o particípio passado veio como forma verbal; os particípios presente e futuro vieram como forma nominal.

(Agora volte dois parágrafos e releia o trecho em que eu falo que quando não é verbo, o particípio varia em gênero, e volte logo.)

O particípio futuro é o mais fofo de todos. Tem que passar a ideia de atos que estão na iminência de ocorrer: vindouro (que está prestes a vir), nascedouro (que está prestes a nascer), casadouro (que está prestes a casar). Essas palavras também variam em gênero: mês vindouro / semana vindoura; moços casadoiros / moças casadoiras etcetcetc.

Deixei o particípio presente por último de propósito. o particípio presente derivou-se no português, em nomes de pessoas que devem ser reconhecidas / destacadas pelo ato que ora desemprenham.bart simpson

Então, se precisamos nos referir a um rapaz que deve ser destacado por exercer o ato de estudar no presente momento, falamos de um estudante (arrá! você começou agora a entender o espírito da coisa, né? Também queria saber por que não me deram essa aula no segundo grau…); se precisamos falar de um homem cuja característica que se destaca é o fato de crer, temos um crente. E se temos de falar de um cara cuja característica é pedir, temos um pedinte.

Se formos arrumar nazideia a fórmula morfológica para a criação de substantivos embebidos  de particípio presente, ela fica assim:

[raiz do verbo] + [vogal temática do verbo] + [-nte]

Mas espere! Reparem que ali em cima eu falei de propósito em homens a executar este ou aquele ato: um estudante, um crente e um pedinte.

E reparem mais em cima que eu falei que o particípio, quando vira forma nominal, varia em gênero.

Quem abrir a boca pra dizer “porque o dicionário não aceita presidenta”, além de ganhar um pescotapa e uma dicionariada na cara com o livro aberto na página do verbete presidenta, vai ficar de castigo e vai escrever mil vezes no quadro negro a frase da ilustração!

E aí, a gente chega no lado social – e perverso – de uma língua:

Você já parou pra pensar que não se usa estudanta porque estudar é, por tradição, coisa de homem, pra se formar doutor e ser chefe de família?

Se você não concorda com o argumento de estudanta, então por favor explique: qual a diferença entre uma governanta e um governante, se, morfologicamente, eu acabei de te comprovar que as palavras são equivalentes?

Governanta é uma palavra que começou a ser largamente utilizada para designar mulheres que governavam a casa. Nada além da casa.  Governanta é uma palavra que começou a ser largamente utilizada num tempo em que às mulheres era vedado o mundo. Era vedado o direito de viver e explorar o mundo para além de um casamento.

Ou seja: ainda que morfologicamente  governante e governanta sejam similares, LEXICAL e SOCIALMENTE as duas expressões acabaram por adquirir significados e sentidos diferentes.

E hoje em dia, em que à mulher é permitido presidir um país, mondigente – muitos, sem perceber a carga de machismo por trás dessa atitude – vêm dizer que presidenta não pode?

Eu já provei morfologicamente que presidenta pode, sim, senhor! Seja ela a Dilma do Planalto ou a Dilma da Sabesp!

E se você insistir em dizer que mimimi estudanta é uma anta que estuda, depois do pescotapa eu te dou este link aqui pra você ver o monte de idiota que foi corrigir o UOL, dizendo que “cão da pradaria” está errado, e o certo é “cão da padaria”.

Ah, você vai continuar insistindo?

Diminutivo da palavra: temos o presidentinhO e a presidentinhA

Aumentativo da palavra: emos presidentÃO e presidentONA.

Poi zé. Quando o grau varia, o gênero acompanha sem problemas, né?

Ou seja: vai estudar e larga de ser machista! É presidenta e não enche o saco!

Dilma, mercado, especulação e o duplo twist carpado do Infomoney pra ser coerente e não perder dinheiro

quinta-feira, outubro 2nd, 2014

Antes de começar este post, vou agradecer e mandar milhões de beijinhos pro Felipe Spencer, que fez rapidex pra mim essa imagem que eu vou usar pra desenhar a história por trás do post que originou este post:

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Queisso, bruxa?

Isso é um resumo da reta final do primeiro turno, o que está acontecendo entre Marina Silva e Aécio Neves na disputa pelo segundo lugar. Marina está em franca queda, e Aécio em franca ascensão. Aécio pode ultrapassar Marina a qualquer momento.

E eu não pus de propósito a seta-resumo de Dilma Rousseff, porque essa tá bem acima, e divando pra cima (late mais alto que daqui eu não te escuto, diria Valesca Popozuda…)

Enfim. Com essa imagem na cabeça, e pensando que Dilma pode passar a régua ainda no primeiro turno (se não fechar, vai ser por muito pouco mesmo), vamos analisar o texto cometido de maneira tonitruantemente gloriosa pelo Infomoney.

Esse texto me chamou a atenção porque o supracitado site (considerado um verdadeiro pai-de-santo pelos comunistas do bunker clandestino  do Muda Mais) passou o ano INTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEIROOOOOO falando que se Dilma vencesse seria um desastre para o mercado, porque o mercado iria implodir, daí viria o apocalipse zumbi, Marte nos invadiria, os santos nos abandonariam e seria o fim dos tempos pereré pão duro. Aí eles resolvem dizer, a esta altura do campeonato (e das pesquisas), que Dilma talvez não seja tão ruim assim.

Claro que eu me interessei pelo twist carpado redacional. Pipocas e guaraná acompanham, senhores!

2015 vem aí: Dilma reeleita vai ser tão ruim para os mercados assim? 

corrida continua acirrada e tudo pode mudar, mas [Chegou o vírgula-mas! vamos ver a adeversatividade qual é!] alerta com reeleição de Dilma se acendeu mais uma vez para investidores[ela é presidenta, e comanda o Brasil há quatro anos. Mas representa risco pros investidores. Não, eu não consigo entender essa lógica]: há motivo para tanta preocupação?[eis a introdução do imbroglio. Agora vamos ver como se dá a concatenação dazidéia do Pai Infomoney]

SÃO PAULO – Após a divulgação da pesquisa Datafolha na última sexta-feira onde a candidata Dilma Rousseff aparece 13 pontos na frente de Marina Silva e também numericamente na frente no segundo turno, apesar de tecnicamente empatada com a margem de erro, a bolsa desabou e o dólar disparou. E a percepção foi corroborada pelas pesquisas Datafolha e Ibope de ontem.

mercado

Ay, señores! Ustedes me matan de verguenza!

[lá em cima foi só a introdução. Aqui é que começa a diversão e as loucas aventuras. Acompanhem:] Conforme aponta Raphael Juan, gestor da BBT Asset, o que o investidor pode esperar até o fim das eleições é muita volatilidade [se eu tivesse ações na Bolsa, ficaria quietinha encolhidinha sem me mexer, porque a montanha russa vai ser braba!], já que a candidata do PSB ainda tem um bom potencial de crescimento [agora olhe pras setinhas lá de cima, entenda a seta verde como da Marina, solte uma gargalhada e vlte logo!] e no segundo-turno o tempo de televisão é igual para ambos os candidatos. “Além disso, o PSB tende a receber o apoio de Aécio Neves, algo que é impossível de ser contabilizado nas atuais pesquisas. Portanto, cenário totalmente indefinido”.[O texto se propõe a dizer que Dilma reeleita não vai ser tão ruim assim, mas esse parágrafo reza por Marina. Lógica? Compreensão? Racionalismo? Não, somos especuladores, trabalhamos com nada disso, minha senhora!]

Por outro lado[esse “por outro lado” pode ser praticamente considerado um alomorfe do vírgula-mas. Mas deixem essa observação pra lá, pq isso não é uma poção de morfologia], a forte queda na Bolsa e alta do dólar acontece porque o mercado já dava como certa a eleição de Marina Silva[aí veio a Dilma, subiu, e embaralhou ascoisatudo de novo!]. Agora, o investidor precisa começar a se preparar para uma eventual permanência de Dilma no Planalto. 

“O investidor já sabe como o mercado deverá reagir com Marina[tá. deixa eu entender, então. Marina nunca antes na história deste país foi leita presidenta, mas o mercado já sabe como reagir a um governo dela? Ah, é verdade! “Lógica? Compreensão? Racionalismo? Não, somos especuladores, trabalhamos com nada disso, minha senhora!”], porém, [é tanto vírgula-mas que o redator teve que lançar mão de um “vírgula-porém] ainda é uma incógnita como se comportará com Dilma[vou repetir o raciocínio da observação lá de cima: Dilma é presidenta há quatro anos, e o mercado sabe o que esperar dela e como ela se comporta. Mas o comportamento do mercado será uma incognita com Dilma?Ah, é verdade! “Lógica? Compreensão? Racionalismo? Não, somos especuladores, trabalhamos com nada disso, minha senhora!”] . (…)

De acordo com o diretor de mercados emergentes da corretora japonesa Nomura, Tony Volpon, o Datafolha de sexta acabou sendo um divisor de águas para os mercados, que parecem ter abandonado a esperança de que esta eleição representaria o fim do ciclo do PT. [abandonado a esperança. Fim do ciclo do PT. Imparcialidade? Não, senhora! somos especuladores! Quer imparcialidade vá ler a previsão do tempo – e mesmo assim procure um site de informes meteorológicos!]

“A reação do mercado, em nossa opinião, não é atribuível tanto à diferença entre os dois principais candidatos, mas a tendência dos dados eleitorais. Projetando esta tendência para a frente, poderia-se imaginar uma reeleição de Dilma já no primeiro turno”, afirma. 

Para Volpon, todos os resultados são possíveis e a corrida continua muito acirrada, com Marina podendo compensar o terreno perdido em um segundo turno. Porém, tendo como base um cenário de maior possibilidade de Dilma vencer, o especialista também destacou o que pode mudar no próximo ano

[Mas espere! Você acha que o melhor do texto á apareceu aí? Pare de comer pipocas pra não se engasgar!]

E depois de 1 de janeiro de 2015?
O que aconteceria depois do dia 01 de janeiro de 2015? Para Juan, com a mudança do Ministro da Fazenda, um grande passo já será dado, principalmente se for um nome que inspire confiança do mercado, como Henrique Meirelles. [QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA O INFOMONEY QUER EMPLACAR MEIRELLES NA FAZENDA! QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA Devemos avisar que eles estão fazendo isso muito, muito errado? Melhor, não, né?]

“Principalmente os investidores internacionais, que movimentam a nossa economia, enxergam Guido Mantega como uma fórmula esgotada para retomar o crescimento[puxa, que coisa, não? Isto significa que eles estão tudo indo embora do Brasil? Não, não significa!] . A troca do ministro, dependendo do nome, será bem vista pelo mercado”[Ah, cejura? Puxa, que coisa, não?]. [Aí você pensa que o texto vai navegar pelos mares do pessimismo e…] Além disso, o cenário de modo geral não deverá ser tão catastrófico como muitos pregam.[e ele vem e concorda com o título do post!] “A bolsa deverá voltar aos 60 mil pontos, dólar ficará entre R$ 2,40 e R$ 2,45 e taxa de juros convergindo para 11%. Não acredito em desastre, como muitos pregam”, acredita o gestor da BBT.[Tá. Aí eu lhe convido a voltar cinco parágrafos pra reler o trecho em que o texto diz que com Dilma mercado será incógnita: olha a cognição aparecendo aqui! O_o] 

Já para Volpon, é difícil saber se Dilma tirará lições de seus anos de mandato e de quando esteve perto de perder a reeleição [Porque, né? O mercado quer ensinar lições a Dilma. E eles devem estar todos lá, sentadinhos, ao lado da Cláudia…] Ele destaca dois cenários opostos: [aqui você para de novo de comer pipoca pra não se engasgar]  há quem acredite que Dilma reeleita vai manter a retórica política esquerdista da campanha e construir pontes com o setor privado e os mercados financeiros[calma que não é isso, é agora que começa!]. Os pessimistas acreditam que ela vai ver a sua reeleição como mais quatro anos “para lutar pelo povo contra o mercado e os interesses financeiros que quase a derrotou”. [QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA aviso: não tenho forças pra destacar o erro de concordância dos interesses financeiros que a derrotOU. Vamos ignorar, vamos?]

Para Volpon, a verdade está em “algum lugar do meio” [Fox Mulder curtiu isso]. “Nós acreditamos fortemente que ela dará sinalizações iniciais mais pró-mercado e a nomeação de um novo ministro da Fazenda será um sinal muito importante para saber se há substância em um discurso mais pró-mercado”.

A Nomura acredita que, devido às suas visões ideológicas, haverá ajustes pequenos nas políticas atuais. “Em declarações recentes, Dilma defendeu seu ponto de vista que o que prejudica a economia brasileira é a crise global; que suas políticas têm sido bem sucedidos em proteger o trabalhador brasileiro da crise; e que suas políticas serão revertidas quando a economia global se recuperar”. [MAZAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! Eles são capazes de entender o que a Dilma fala!!! Não precisa desenhar!!!! Que boooooooooom!!!!]

“Esta ‘visão de mundo’ levanta a questão óbvia: se a economia global não vem para o resgate, Dilma continuará ‘protegendo o trabalhador brasileiro’, mesmo à custa da contínua deterioração fiscal?”

A Nomura avalia que sim, não havendo nenhuma decisão autônoma para ajustar a economia. Por outro lado, haverá restrições: uma é política e outra é sobre os índices voláteis de aprovação do governo. A popularidade do governo aumentou “por causa do bombardeio constante da campanha eleitoral” mas, para a Nomura, estes índices mais altos não devem se manter, funcionando assim como uma restrição poderosa contra as políticas impopulares de ajuste. 

“Um governo se recusar a ajustar as políticas não significa que a economia não se ajusta. Significa apenas que os mercados têm de fazer o trabalho que governos se recusam a fazer.[masmeufiiiiiiiiiiilho…. Adam Smith, já ouviu falar nele? Laissez-faire, laisez-passer, manja? Intâo…] Como é típico em um ambiente de mercado emergente, o principal mecanismo de ajuste será a taxa de câmbio”, ressalta Volpon.

(…) [eu poderia aqui falar de uma tentativa de previsão mercadológica do tipo bola de cristal, mas deu gastura]

Olha, como já disseram no Twitter, esta eleição tá tão enlouquecida que até domingo pode rolar apocalipse zumbi e invasão alien. E muito, muito texto mal escrito e mal concatenado.

Folha e a hortografia pobremática Eleições 2014

domingo, setembro 28th, 2014

É fato: a Folha de SPaulo não sabe se trajetória se escreve com G ou com J. Tá numa crise existencial do cão.

Na edição online publica ora assim

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ora assado.

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Mas eu tenho pra mim que essa dúvida corrói o âmago dozeditortudo da Folha. E provo minhas suspeitas:

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E, antes que você pergunte, é assim que se escreve…

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porque

tragetoriahouaiss

 

(Hoje tô ilustrativa. Me deixa.)

Mas não posso perder o hábito:

 

PORRA, FOLHA! É TRAJETÓRIA, CARALHO! ESCREVE DIREITO!!!

 

Aécio e a hortografia pobremática da incompetência

domingo, setembro 28th, 2014

Então, tá.

Você acabaram de ler sobre os pedacinhos que compõem uma palavra, e não são as sílabas. São os morfemas. (post logo abaixo)

Peguemos, por exemplo, a palavra incompetência. Se pensarmos um pouquinho, vamos perceber que ela é a palavra competência seguida do prefino {in-}, que significa

prefixo

Negação.

 

E competência, se você observar a etimologia da bicha palavra, vai descobrir que

competenci

 

Tudo isso daí de cima pra dizer que o candidato Aécio Neves não sabe escrever incompetência. Duvida? Aqui:

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Se você continua duvidando, clique aqui e veja você mesmo o vídeo.  Aos 57 segundos.

Cerejinha do bolo: ele cometeu essa incoMpetência pouco depois de dizer que o PT está deseducando o Brasil.

Castigo de Deus, a gente vê por aqui.

Aê, aê, aê, aê, Aécio! Aproveita que você chegou ao fim deste post e continua a rolar no blog, pra aprender sobre morfemas!

E de nada por essa educação que você recebeu desta petista que vos fala!

 

Pra entender o nível da imprensa brasileira nos atualmentes

quarta-feira, setembro 24th, 2014

Amanhã este post completa um ano de publicado. Mas ele está atualíssimo, aliás, ele conseguiu a proeza de estar mais atual agora do que há um ano.

Eu aproveitei as manchetes de vários jornais mundo afora versus manchete do site da Veja para dar uma amostra do comportamento vil e asqueroso da imprensa nacional.

Como Dilma Vana tá voltando hoje a Nova Iorque pra abrir o boteco da ONU, republico-o.

(E querem apostar como a imagem que ilustra este post também vai ser atualizada? Valendo!)

***************************************

Eu venho desenvolvendo essa tese há algum tempo aqui nos meus miolos. Hoje acabei de vê-la desenhada. Então, já que tenho ilustração, vou discorrer sobre. Não sem antes agradecer à dileta amiga Lucianna Carvalho, por me dar o lindo passe que resultou nesse gol.

Para que todos entendam de linhas editorias deste ou daquele veículo jornalístico, vamos fazer um exerciciozinho técnico de “encontre a notícia”.

Para isso, vamos usar como exemplo uma passagem bíblica:  Jesus caminha por sobre as águas do lago. Copio a citada aqui http://www.bibliaon.com/joao_6/ (Jo 6, 16-24 ou Evangelho Segundo São João, capítulo 6, versículos 16 a 24):

16 Ao anoitecer seus discípulos desceram para o mar,
17 entraram num barco e começaram a travessia para Cafarnaum. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha ido até onde eles estavam.
18 Soprava um vento forte, e as águas estavam agitadas.
19 Depois de terem remado cerca de cinco ou seis quilômetros, viram Jesus aproximando-se do barco, andando sobre o mar, e ficaram aterrorizados.
20 Mas ele lhes disse: “Sou eu! Não tenham medo!”
21 Então resolveram recebê-lo no barco, e logo chegaram à praia para a qual se dirigiam.
22 No dia seguinte, a multidão que tinha ficado no outro lado do mar percebeu que apenas um barco estivera ali, e que Jesus não havia entrado nele com os seus discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos.
23 Então alguns barcos de Tiberíades aproximaram-se do lugar onde o povo tinha comido o pão após o Senhor ter dado graças.
24 Quando a multidão percebeu que nem Jesus nem os discípulos estavam ali, entrou nos barcos e foi para Cafarnaum em busca de Jesus

 

Agora me ajudem. Vamos fazer de conta que:

– Jesus existiu (pra você que não acredita nele)

– Há fotos de Jesus caminhando por sobre as águas. Portanto, devemos todos partir do princípio de que esstrem aconteceu de fato – e você acredita nisso.

– A imprensa inteira noticiou o feito

– Jesus é do PT (calma, calma, calma! Deixa eu defender minha tese!)

Então, com essas premissas aí todas pacificadas, vamos analisar a coisa: qual é a notícia, o grande fato que transforma essa travessia de barco da história diferente de todas as outras? Ou, como gostam de dizer os editores (ô, raça!), qual o inusitado  da história?

Acertou quem respondeu Jesus andou por sobre as águas do mar de Tiberíades (sim, o texto fala em mar. Mas dá um desconto. A Wikipedia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar_da_Galileia  – chama esstrem de Mar de Tiberíades ou Lago de Genesaré  – além de ele ser também o mar da Galileia. Considerando o nível de confusão praquelas bandas, não saber se um monte d’água é mar ou lago é o menor dos problemas deles. E isso nem vem ao caso!)

Mas enfim. Deixamos Jesus andando por sobre as águas. Então, como deveria ser a manchete neutra, que traz a informação livre deste ou daquele viés político?

Jesus caminha por sobre as águas do mar de Tiberíades

É a notícia, ele fez isso mesmo (você me prometeu lá em cima que iria acreditar na história! Num estressa!) e lembrem-se: a manchete é uma frase única, de preferência com uma única oração, que traz uma unica ideia. Tem que ser uma linha sintética, simples, pá-pum.

Mas não é bem assim que a banda toca por estas bandas de cá, né? Vamos ver como os vários veículos de comunicação que pululam por este Brasil dariam a notícia.

Primeiro, aqueles que ficaram conhecidos como os blogprog. Há quem diga que esse povo recebe do governo pra fazer o que fazem. Eu duvido – não porque o governo não seja capaz de uma coisa dessas, mas porque eu me recuso a acreditar que o governo, qualquer que seja ele, consiga remunerar um troço tão mal feito! Porque, se eles tivessem que dar essa notícia, sairia marromeno assim:

Jesus Inácio Lula da Silva realiza feito histórico e caminha por sobre as águas do mar da Galileia
“Nunca antes na história deste país alguém ousou caminhar por sobre essas águas revoltas, mas nosso país está mudando”, Declarou Jesus Inácio

Vou evitar discorrer sobre o ridículo da frase acima pois creio que ele seja autoexplicativo. E eu não estou aqui para redundâncias. Então, vamos ver como a imensa maioria da imprensa brasileira daria a manchete:

Jesus caminha por sobre as águas, mas expõe apóstolos a possíveis afogamentos

Reparem na construção da frase acima. Observem que há duas orações coordenativas adversativas. Traduzindo pra quem não se lembra mais das aulas de sintaxe: são duas orações coordenadas, ou seja, duas orações que são independentes uma da outra – cada uma, sozinha, faz sentido, se  basta. Mas elas se ligaram por coordenação. E essa ligação se deu com uma conjunção que imprime uma adversidade  aos dois enunciados:

Jesus caminha por sobre as águas = legal, positivo, maneiro;
Jesus expõe os apóstolos a possíveis afogamentos = mau, negativo, feio, isso não se faz.

Daí que a regra básica da manchete (uma frase, uma ideia, uma oração) foi quebrada. Entraram em campo duas orações – a primeira positiva; a segunda (que vai permanecer mais tempo nazideia), negativa. Pode reparar que esse é o tipo de manchete usada por Folha, Globo e Estadão. <– observe o ponto, por favor. Citei apenas esses três, fazfavô!

Agora pensem na quantidade incomum de manchetes compostas de “vírgula-mas” (http://www.meionorte.com/noticias/geral/brasileiro-vive-mais-mas-em-condicoes-precarias-58595.html) que vocês leram nos últimos dez anos (http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/privatizacao/o-brasileiro-esta-vivendo-mais-e-isso-e-otimo-mas-e-a-previdencia-social/) – principalmente as referentes às melhorias de qualidade de vida dos brasileiros.)

Eu poderia (e pretendo) discorrer sobre esse tema com mais ponderações e orientações. O fato é que é possível analisar esse tipo de manchete tanto pelo lado negativo, como eu acabei de fazer, como pelo lado positivo: apesar de imprimir um viés editorial à notícia, que abandonou menina isenção e deixou Jesus Cristo meio antipático, a manchete informou o fato em si. quem leu esse título ficou sabendo que Jesus caminhou por sobre as águas – ponto. (mas o gostinho do fel ficou na boca.)

Mas a coisa pode ficar pior. O viés ideológico e a opinião rasteira, daquela que destrói todos os princípios do bom jornalismo, podem se fazer presentes de forma ainda mais grotesca. Imagine se, após o feito do trecho bíblico, alguns veículos estampassem em suas manchetes:

“Jesus não sabe nadar”        ?

Antes de tachá-lo de ridículo, cabe avisar aqui que o título acima não satisfaz o pré-requisito de informar sobre o fato em si. (Pronto, agora podemos chamar de ridículo. Ou, ainda, de recalque. Mas essa análise recalque é muito 2013, quero deixá-la atemporal).

Ah, Bruxa, ninguém faz isso, não! Fica muito ridículo!

Pois eu digo que o grupo Cisneros, na Venezuela, fazia isso direto com o ex-presidente Hugo Chávez; o grupo Clarín faz isso direto com a presidenta Cristina Kirchner; e aqui no Brasil, que é useira e vezeira nesse tipo de construção é a Veja.

Querem ver?

porraveja

Infográfico roubartilhado do Facebook do Laerte Gurgel

Vamos analisar o fato em si:

Dilma foi à ONU fazer o discurso de abertura da Sessão deste ano da entidade internacional. O trem que tá pegando: a espionagem escancarada dos Estados Unidos em cima do pré-sal e das comunicações do altíssimo escalão do governo federal.

O que que Dilma fez no discurso? Condenou o ato.

Como a imprensa internacional noticiou?

– The Guardian: [espionagem é] uma brecha ao Direito Internacional

– Le Monde: espionagem é afronta

– El País: Rousseff condena práticas de espionagem

– Veja: Dilma critica EUA

E eu paro por aqui. Não vou falar das fotos, não vou falar de 2014, não vou falar de mais nada.

Só peço que vocês reparem que a manchete da Veja é composta por duas orações coordenadas. Observem também que essas orações são ADITIVAS. Ou seja: uma é negativa, a outra também.

Em resumo: você assina Veja? Troque por Chico Bento. Leitura de altíssima qualidade, leve e estimulante. e, se bobear, tem mais informação que o hebdomadário abriliano.

(E este post foi incluído na categoria “PORRA, FOLHA!” por osmose.)

A figura de linguagem não compreendida pelo estagiário do EGO frilando pro Globo Política

segunda-feira, setembro 8th, 2014

[Suspiro]

Este post foi produzido após uma cerveja, porque tá puxado, viu?

Situation: Dilma Vana, em entrevista ao Estadão, diz que a Petrobrás possui 200 milhões de acionistas.

Considerando que 200 milhões é o número total da população brasileira (pelas últimas contas), temos uma figura de linguagem (metáfora? Metonímia? Não sei, tenho que checar) que passa a seguinte informação: “A Petrobrás pertence ao povo brasileiro”.

Aparentemente não é difícil entender que Dilma usou uma figura de linguagem. Mas não foi isso o que aconteceu com o responsável pelo blog preto no branco que, ironia das ironias, é responsável por atestar a veracidade das informações ditas pelos candidatos à presidência da república. Ó o que o estagiário do Ego cedido à editoria de Política do Globo aprontou:

pretonobranco1

Ainda incrédula com o acontecido, mandei um tweet para eles EX-PLI-CAN-DO o que Dilma quis dizer:

bruxaexplica

E o estagiário do EGO… ME. A. GRA. DE. CEU.

globoresponde

O resultado final foi:

pretonobrancofinal

POSSÍVEL.

METÁFORA.

POR MEIO DA UNIÃO.

Lição do dia: você é burro? Ah, então você consegue facinho um emprego no Globo! O_o

Exame #xatiadíssima com a ONU

domingo, setembro 7th, 2014

Antes de tergiversar, deixem eu explicar o que é Análise do Discurso. Em linguagem de game, é algo como uma interpretação de texto na última fase do jogo.

Peguemos como exemplo a singela frase Ivo viu a uva. A interpretação de texto apenas pede que você saiba o que é uma uva, no que consiste o ato de ver e entender que Ivo é uma pessoa do sexo masculino. Você associa essas informações e ainda se dá ao luxo de fazer substituições: o garoto observou o fruto.

Na Análise do discurso, você começa a reparar informações que estão tão escondidas que você recebe sem questionar, até porque não percebe que tal informação lhe foi enfiada goela abaixo. Na frase em questão, o chato analista do discurso vai dizer: “que garantias eu tenho de que Ivo não é cego?”

Isto posto, tava eu outro dia na cantina da UnB trocando ideias com o professor Dioney, que vai orientar meu mestrado e doutorado. Tava encafifada sobre como um texto nasce na cabeça de um jornalista. E ele batendo sempre na tecla: “não tenha dúvidas de que cada palavra é milimetricamente projetada na cabeça de quem compõe um texto! Quando a Bruxa diz “é um sintagma nominal incompleto, mas poderia se chamar putaria“, ela tem a exata noção do impacto que essa fraese vai causar na cabeça do leitor!

Mas, pôxa, eu tava só fazendo uma brincadeirinha lúdica porém didática…

E eu fui pra casa não muito bem convencida do que o Dioney me falou, e estava matutando esstrem até hoje.

Sim, até hoje. Porque hoje a Exame chegou me enfiando uma chapuletada na cara que diz: “para de babaquice que o Dioney tá coberto de razão! A gente faz isso o tempo todo!”

Enfim. A história, bem tatibitati, pode ser resumida de forma bem simples: Bolsa-família, inclusão social, transferência de renda: ÊÊÊÊÊÊÊÊ! Brasil tá de parabéns – diz a ONU.

Mas o duplo twist carpado que o texto dá pra falar mal tendo que falar bem do governo brasileiro é tão ridículo que me fez soltar umas boas gargalhadas. Vamos lá:

Esse relatório da ONU tá ótimo!

Esse relatório da ONU tá ótimo!

 

ONU é só elogios ao Brasil em relatório internacional; veja

Sobram elogios ao país no relatório da ONU sobre desenvolvimento humano. Brasil virou sinônimo de combate bem sucedido à pobreza[Aí aqui você dá aquela paradinha clássica: mas como assim, a Exame tá elogiando o governo?], mostram trechos selecionados[Aí o texto corre pra te dizer que é só em trechos selecionados, e não no texto todo. Claro que ele não diz que o texto todo não fala o tempo todo do Brasil, mas quando ele fala do Brasil só fala elogiando. Mas isso você só percebe depois que lê o relatório todo.]

[O que você está fazendo parado aí que ainda não trouxe pipocas? Ah, você já pegou? Então para de comer pra não se engasgar! Ó só por quê:] São Paulo – Não é de hoje que a Organização das Nações Unidas tem a mania [MANIA!!! A ONU TEM A MANIA!!! Caso você não tenha entendido: mania é uma palavra de carga pejorativa, negativa. Se o texto quisesse ser mais neutro, teria escrito “A ONU tem por costume / tem por háito. Mas não: pra Exame, a ONU tem manias….] de enfocar o lado positivo e os bons exemplos [e que mania negativa é essa? Ah, é de enfocar bons exemplos e o lado positivo! Pera que eu tenho que ilustrar essa texto] dos países que aparecem em seus relatórios de análises globais, principalmente quando se trata do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado hoje (veja na íntegra ao final).

Desta vez, porém[esse porém deve indicar algo que se oponha à informação anterior, certo?], fica explícito que o Brasil virou, aos olhos dos organismos internacionais[mas é só aos olhos dos organismos internaiconais, viu, gente? Não fiquem aí pensando que a gente concorda com isso, não…], sinônimo de país que combate a pobreza e mira as desigualdades sociais[… e o porém não indicou nada contrário. Mas o autor deste texto está, como se diz no Twitter, #xatiadíssimo…].

O destaque é mesmo [é mesmo = por falta de coisa melhor] o programa Bolsa Família, citado sete vezes ao longo do relatório como exemplo bem sucedido de transferência de renda. Mas[UEPAAAAA! Desta vez não foi vírgula-mas! Foi ponto-mas! É pra mostrar que a coisa é mais pesada! Vamos ver do que se trata?] há um debate interno na ONU sobre suas qualidades.[aí você clica no link fornecido no texto original, e cai em outro post em que o escritório nacional da ONU discute com o internacional critérios e metodologias de cálculo. Ou seja: põe mais guaraná aqui pra acompanhar as pipocas, por favor!]

Não só isso[Pensa que é pouco???!!? Nããããããããoooo, tem mais!]: também a política de cotas nas universidades e a evolução do acesso à educação ganham linhas elogiosas [Se eu fosse dos ministérios sociais do governo Dilma eu estaria a dar beijinhos no meu ombro pra evitar o mau-olhado, porque OLHA…] – e por vezes pouco críticas, vale destacar.[HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Eles só elogiam, não criticam nada! O que o texto não fala é que os programas e os números foram criteriosamente analisados e ponderados para que o relatório fosse escrito. Mas, né? Deixa isso pra lá, quem precisa saber desse detalhe?]

Tendo como fonte principal estudos e trabalhos acadêmicos[ou seja: textos POUCO CRÍTICOS – só que não] , o relatório produzido pelos analistas da ONU pode parecer, aos olhos nacionais[olhos nacionais = olhos da redação da editora Abril], pouco realista em alguns momentos.[ = não condiz com a realidade que A GENTE quer destacar]

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), por exemplo, aparece como uma associação civil autônoma de partidos políticos [aquela gentalha que há anos a gente se esforça pra mostrar como bolchevique, comunista, cubana, asquersa, fedorenta e comedora de criancinhas é mostrada como uma Ong social, imaginem vocês!] com peso educacional na luta do Brasil para ensinar crianças a ler e escrever (conferir 9º item desta lista).[aqui eles estão passando o recibo de que não correram atrás pra apurar se o troço é verdade. Ou seja: a Exame passa o recibo de que escreve o que lhe vem à telha, sem se dar ao trabalho de ouvir o outro lado. o MST tem que ser traçado como grupo terrorista, e não grupo capaz de educar e alfabetizar seus membros!]

A finalidade do “Human Development Report 2014”, segundo a ONU, é mostrar como países podem se fortalecer para estarem prontos diante de crises inesperadas, principalmente do ponto de vista social.[Segundo a ONU a finalidade é essa; mas pra gente a finalidade é fazer propaganda bolchevique…]

Neste ano, o Índice de Desenvolvimento Humano trouxe uma leve melhora do Brasil, que subiu uma posição e ficou em 79º lugar dentre 187 nações.[Aqui eles aproveitam pra dar uma cotovelada, porque o IDH subiu só um ponto.]

O texto continua, citando trechos do panfleto comunista Relatório da ONU que corroboram a ideia de que o Brasil é um exemplo pra combater a pobreza.

Mas, ô textinho contrariado esse, hein?

E Professor Dioney, por favor, me perdoe por duvidar de suas palavras. Eu tava erradíssima….

 

Marina e a guinada de 360 graus na política brasileira

sábado, agosto 30th, 2014

Adoro essa expressão: guinada de 360 graus. Você dá uma volta inteira e volta pro lugar de onde começou. Ou seja, melhor ter ficado parada, quieta, sem fazer nada.

Pois a candidata-viúva Marina Silva conseguiu a proeza de dar uma guinada de 360 graus em apenas 24 horas. Ontem a comunidádji LGBTSPFCdesculpem, mas eu adoro essa piadinha! 😛  estava toda feliz e serelepe com as propostas da candidata para esse segmento da sociedade – uma galera sofrida, fudida, que tem direitos civis básicos negados por motivos escrotos, baixos, vis. Mas não vou entrar nessa questão.

Vim aqui só pra mostrar a teteia que é a carta-360-desmentido dizendo que não era bem aquilo que a gente tava dizendo etc e tal. Vamos acompanhar. Já estouraram as pipocas?

(Aviso: vai ter muita caixa alta de minha parte. PORQUE EU ESTOU POSSESSA DA VIDAAAAAAAAAAA)

 

[respire fundo porque o trecho a seguir contém cinco linhas e NE-NHUM ponto. Vmaos lá]O texto do capítulo “LGBT”, do eixo “Cidadania e Identidades”, do Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil, que chegou ao conhecimento do público até o momento, infelizmente, não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão sobre o tema durante as etapas de formulação do plano de governo (comentários pela internet sobre as diretrizes do programa, encontros regionais e as dinâmicas de escuta da sociedade civil promovidas pela Coordenação de Programa de Governo e pelos candidatos à Presidência pela Coligação).[não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão. Maneira tucana de escrever: TEM PORRA NENHUMA A VER COM O QUE A GENTE QUER FAZER]

Em razão de falha processual na editoração[FALHA. PROCESSUAL. NA EDITORAÇÃO. enfiarama culpa no pobre infeliz do tio webmaster que tava quieto lá no canto dele!], a versão do Programa de Governo divulgada pela internet até então e a que consta em alguns exemplares impressos distribuídos aos veículos de comunicação incorporou uma redação do referido capítulo que não contempla a mediação entre os diversos pensamentos que se dispuseram a contribuir para sua formulação e os posicionamentos [outra maneira ainda mais tucana de escrever: TEM PORRA NENHUMA A VER COM O QUE A GENTE QUER FAZER!] de Eduardo Campos e Marina Silva a respeito da definição de políticas para a população LGBT.

Convém ressaltar que, apesar desse contratempo indesejável[CONTRATEMPO INDESEJÁVEL. Defender a causa LGBT é um CONTRATEMPO INDESEJÁVEL!] , tanto no texto com alguns equívocos [TEXTO COM ALGUNS EQUÍVOCOS! ALGUNS EQUÍVOCOS!] como no correto, permanece irretocável o compromisso irrestrito com a defesa dos direitos civis dos grupos LGBT e com a promoção de ações que eduquem a população para o convívio respeitoso com a diferença e a capacidade de reconhecer os direitos civis de todos.[Traduzindo: Aê, galhéra, tô pisando pra caralho em ovos pra dizer que vocês que ontem tavam morrendo de amores por mim hoje têm motivos de sobra pra comer o meu fígado, mas eu preciso do voto de vocês trouxas, então por favor continuem comigo, sim?]

Os brasileiros e as brasileiras interessados em conhecer as verdadeiras ideias defendidas pelos candidatos da Coligação Unidos pelo Brasil para a Presidência da República, Marina Silva e Beto Albuquerque, já o podem fazer por meio do site marinasilva.org.br ou pelos exemplares impressos que serão distribuídos a partir de hoje.[a gente fez um livrinho bonitinho! Aceita um exemplar?]

(…)

E vcs que se virem, porque eu não vu dar palanque pra essa sonserina.

Cuba, o aplicativo lançado e o cacófato anunciado

sexta-feira, agosto 22nd, 2014

Guardem esta data. 21 de agosto de 2014.

Esse cacófato estava mais que anunciado e avisado. Na verdade, ele é tão velho quanto a Cuba Libre. Mar de meio século balança (uy!) as partes desse cacófato.

Daí que, mesmo com todo o aviso do mundo, mesmo com toda a Guerra Fria, o cacófato foi cometido. Pela agência Efe, que fique registrado. Que arrastou um bando de distraído web afora.

Aí geral orou aos deuses do print-screen só ao ver a manchete do G1. Gente parcial…

Eu fui ao Google. E encontrei mais. Vamos contar?

cubalanca1

Um

 

cubalanca2

Dois

 

cubalanca3

Três

 

cubalanca4

Quatro

 

cubalanca5

Cinco

 

cubalanca6

Seis

 

cubalanca7

Sete E VAI MELHORAR!

 

 

cubalanca8

oitoooo! U-OL! \o/ \o/ \o/

 

Mas aí geral se deu conta do ridículo e correu pra mexer no verbo lançar. Que pena…

 

Primeiro foi o

cubalanca9

 

E, finalmente, aquele sacaneado por todos, o G1:

cubalanca10

 

De resto, ninguém sabe exatamente qual é a desse lançamento, porque tá todo mundo cantando

 

Realinhamento é beijinho; aumento é tijolada :P

terça-feira, agosto 12th, 2014

O dileto Fernando Brito, do blog Tijolaço, pediu. Isso pra mim é uma ordem!

Pois bem. Ontem no Jornal Nacional, William Bonner perguntou a Aécio Neves se o candidato iria promover um realinhamento de preços. Mas a Guido Mantega, geral pergunta se vai haver aumento, mesmo, né?

Qual a diferença entre o realinhamento e o aumento? E quais os critérios de uso/emprego?

Calma que a Bruxa responde!

Vamos começar perguntando a Tio Antônio (Houaiss) que porra diabos merda é realinhamento?

Eis a resposta:

( t.d. e pron. ) alinhar novamente ou de modo diferente

    ‹ r. as rodas do automóvel › ‹ r. a turma para cantar o hino nacional › ‹ realinhou-se e, em seguida, foi à festa ›

2 ( pron. ) pol rever posição; formar novo arranjo, ordenamento ou agrupamento

    ‹ eleição é época de os partidos se realinharem ›

Então, temos que o uso do realinhamento já tá todo cagado errado quando a bagaça se refere a alteração de preços (qual a dificuldade em se usar alteração? Alguém explica, pfvr?). Algo comparável apenas ao emprego da palavra inverdade. (Véi, eu tenho uma síncope cada vez que eu ouço isso! Qual a diferença entre uma inverdade e uma mentira? Seria a gravidade da coisa? Então, porque nós temos a inverdade mas não temos, por exemplo, a desmentira? Essas dúvidas me consomem há anos!!!)

Mas voltemos à nossa querida mentira imprensa que adora falar em realinhamento de preços.

Pergunto: é pra se alinhar a quê? À realidade do mercado? Aos desejos da oposição? À bunda do Hulk?

Portanto, acredito que, assim como uma inverdade é uma mentira mais fraquinha, um realinhamento deve ser tipo assim um aumento, só que mais fraquinho. Critérios para a escolha de um ou de outro? Podemos pensar em critérios políticos, critérios de amizades, ou mesmo a diferença entre um beijinho e um tijolaço, ou o efeito de uma pílula azul-diamante. (Fulano? Dá no couro, não, só realinha…)

Tá parei.

Enfim. Espero ter atendido aos seus anseios, oh dileto Fernando!

Sem mais para o momento, subscrevo-me.

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