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Folha, a queda da alta e a estratégia do caos

segunda-feira, agosto 11th, 2014

É sempre assim. Minha relação com a Folha de SPaulo é de quase simbiose, saca?

Eu começo a achar que o caldeirão tá muito parado e lá vem a Folha me dar motivo pra mexer de novo no caldeirão. Vejamos a teteia que o jornal dos Frias aprontou hoje.

O texto “Mercado reduz previsão para crescimento da economia pela 11ª vez” já prenuncia o caos, desgraça e infortúnios. Abre com a redução da projeção do crescimento da economia blablabla wiskas sachê blablabla. E eu só consigo pensar no Paulo Ricardo cantando “antecipando a estratégia do caos.. há no ar num ato qualquer um certo temor / num segundo passa por nós, talvez o amor / feito o pôr-de-sol em mim, feito a vida chegando ao fim / há um fim?” Aí eu penso que esperar que o Brasil tenha o PIB da China é comparar a bunda do Hulk com a bunda do William Bonner (eu já vi, é murcha que só, uma decepção!)

Tá. Deixa o Paulo Ricardo pra lá. Voltemos ao texto. Ele fica legal mesmo quando fala de IPCA, o índice de inflação, que deve ficar em até 6,5%. Previa-se que ele ficaria em 6,39%, e agora a previsão é de 6,26%. Olha o malabarismo da redação da Folha:

 

A projeção para a alta do IPCA (a inflação oficial do país) [Pronto. Projeção para a alta. Você fica esperando um número caótico] neste ano caiu [Aí vem a realidade dos números e joga a alta pra baixo. Agora me conta: há a necessidade desse “alta” antes de IPCA no início do parágrafo, ou eu devo voltar a cantar a “estratégia do caos” do Paulo Ricardo?] para 6,26%, contra 6,39% anteriormente [Mas gemt, a coisa já tava baixa antes, de onde saiu essa alta?] , afastando mais a possibilidade de o indicador estourar o teto da meta [… e zás. Acabamos de ver a Folha passar o recibo de ridículo. Véi, brinca com número, não…] de 6,5%.

Foi a quarta semana consecutiva em que a estimativa é revista para baixo [Ah, porra, faz quatro semanas que esse número está CAINDO?!?!?!?!]. No caso de 2015, o IPCA deve aumentar 6,25%, acima da taxa estimada anteriormente, de 6,24%.

(…)

[E se você pensa que o melhor do texto é a queda da previsão de alta, espera quem tem mais!]

Com o recuo da inflação [É, não tem como , a gente tem que reconhecer aqui que a inflação caiu], o governo saiu na defesa [mas a gente tem que dar a entender que o governo está se defendendo dos constanes ataques, e que o gverno está sob intenso bombardeio com relação à política econômica!]de sua política econômica e afirmou que a meta do ano será cumprida.

Márcio Holland, secretário de Polícia Econômica do Ministério da Fazenda, afirmou que a inflação está sob controle, vem caindo nos últimos quatro meses e deve continuar a trajetória no próximo semestre.

“O resultado só reforça a nossa avaliação de que a inflação está sob controle e teremos um índice dentro das metas anunciadas esse ano, dentro do intervalo de tolerância.”

“Trata-se de resultado da política econômica posta em prática pelo governo federal desde meados do ano passado para controlar a inflação”, afirmou Holland.[ou seja: tiramos desta notícia q a inflação está totalmente sob controle, e que o governo sabe muito bem do que está fazendo, e está fazendo tudo certinho – ainda que o certo seja errado, sob a perspectiva da Folha.]

Sobre desempenho da economia brasileira, a avaliação de Holland é de que de que o Brasil não é “exceção é regra” e está “em linha com o comportamento das economias mundiais”, com taxas de crescimento perdendo fôlego. [Algo me diz que holland não estava pensando na bunda do Bonner ao fazr tal avaliação, mas deixa pra lá]

(…)

Então, só pra eu não perder o hábito, lá vai:

PORRA, FOLHA! NUM TEM VERGONHA DE ESCREVER UMA MERDA DESSAS, NÃO?!?!?! JÁ ENFIOU A CREDIBILIDADE NA PRIVADA E DEU DESCARGA, É?

Mazó: deu saudade de Estratégia do Caos. A letra tem tudo a ver com os dias de hoje:

A Estratégia Do Caos

RPM

A superfície aparente do olhar

Esconde um mar de lágrimas e estórias

De onde sereias parecem chamar

Há no ar, num ato qualquer

Um certo temor

Num segundo passa por nós talvez o amor

No pensamento em cavernas sem luz

Morcegos vêm e voam entre gritos

Antecipando a estratégia do caos

Há no ar, um ato qualquer um certo te…mor

Num segundo passa por nós talvez, o amor

Feito um pôr de sol em mim
Feito a vida chegando ao fim

Há um fim?

Psicografando o Datafolha

segunda-feira, julho 21st, 2014

Como vocês sabem, eu sou dotada de superpoderes [pausa pra você rir]. Um deles é que eu consigo psicografar reuniões de pauta da Folha de SPaulo e do Datafolha [outra pausa pra você rir].

Pois então. Aconteceu assim:

Nego fechou os números do Datafolha e entrou em pânico.

– Assim não pode! Assim não dá! A vaca velha [eles se referem com muito carinho e deferência à presidenta Dilma Rousseff, sabe?] tá empatada com a SOMA de todo mundo, excluindo indecisos? A eleição periga fechar no primeiro turno! Chefe, o que que a gente faz?

– Ai, putaquepariu, esse Aécio tá foda, como é que o PSDB quer vencer com um zé ruela desses? Me dá esse papel aqui, deixa eu ver um troço… Aqui! Achei! Quanto é a margem de erro que a gente diz que pratica?

– Dois pontos percentuais para mais ou para menos, senhor…

– Então pronto! Taca 36% pro Aécio no segundo turno e já temos uma manchete! “Aécio empata com Dilma no segundo turno”

– Mas chefe! Periga não ter nem segundo turno porque a vaca velha empatou com a soma dos outros e…

– Esquece o primeiro turno! Vamos focar no segundo turno, Mané!

– Mas chefe, só tem segundo turno depois do primeiro e…

– DIZ QUE VAI TER SEGUNDO TURNO, PORRA!!! Daí todo mundo vai pro primeiro turno pensando no segundo!

E foi assim que o Brasil ficou sabendo dos resultados do Datafolha 24 horas depois do prazo combinado.

 

 

Hein? Você tá achando que essa história é mentira? Eu também.

Mas assim… certeza, certeza, eu não tenho, não…

#numpresto #valhonada

Aluno: Rolando Lero / Tema da Redação: Programa de Governo do PSDB

domingo, julho 6th, 2014

rolandoleroEu ameacei fazer isso em 2012 com os programas de governo dos candidatos à prefeitura de São Paulo, mas me enrolei e desisti.

Ontem eu abri o site do TSE e resolvi que não podia deixar de analisar o programa de governo dos PSDB. (clique no link  Aécio Neves da Cunha e na aba Propostas de Governo).

Antes que você prossiga: esta é uma análise de uma simpatizante do PT. Obviamente, a análise será parcial. Teje avisado e não me encha o saco, se continuar a ler estarás por tua conta e risco.

 

Enfim. Sabe quando você tem (tinha) que caprichar no trabalho final da escola pra passar de ano, mas você tá(va) pouco se lixando pra matéria, daí você faz(ia) um trabalho nas coxas, dando pouca atenção ao assunto?

Qualquer estudante conhece a receita: você copia(va) um monte de troço legal de tudo quanto é canto, mas não dá(va) a liga final no texto. O professor, óbvio, percebe(ia) suas intenções, mas ele tá(va) doido pra se ver livre de você, então te dá(va) uma nota qualquer pra você passar de ano?

Pois é. Cabei de descrever o plano de governo do PSDB, disponível no site do TSE. Sim, eu li tudo. De cabo a rabo. Não, não estou passando mal. O texto é bacana. Mal redigido, mas bacana. O problema é que o troço é um arrazoado de boas e teóricas intenções, que por vezes se tornam risíveis quando a gente pensa na prática dos governos do PSDB.

Como eu já disse, o texto é bem bacana. Tem um monte de propostas lindas e vagas. Mas metas, métodos, formas e maneiras de implementação de propostas? Virei, fucei, revirei, botei de cabeça pra baixo e sacudi. Encontrei nada.

Voltando pra metáfora do aluno ixperrto. Imagine que, além de querer se safar da matéria, o aluno em questão resolveu copiar o que o melhor aluno da sala está fazendo pra ver se consegue fazer que o professor lhe dê nota mais alta. Não entendeu a alusão? Traduzo:

– a expressão nos moldes aparece duas vezes, em alusão ao Minha Casa Minha Vida e ao Pronatec. No meio do texto, encontramos a sugestão de ampliação do programa Ciência sem Fronteiras
– A palavra aprimoramento surge em dois momentos, em ambos com complementos nominais diferentes: do modelo do Pronatec e do Enem.
– a expressão Manutenção e aprimoramento surge junto de Prouni e Fies.
– PSDB se garrô de amor pela expressão marco regulatório. Somando singular e plural, a bicha é citada sete vezes. No singular, são quatro vezes, para cuidar das regulações de Terceiro Setor, mineração, administração (no ponto de macroeconomia) e setor sucroalcoleiro. No plural, aparece em três momentos: regularização de imóveis ocupados por sem-teto, de maneira genérica no quesito empreendedorismo (Simplificação dos marcos regulatórios que impactam as atividades acadêmicas e empresariais de inovar e empreender.) e para regular o trânsito em pequenas cidades.

A receita da redação do texto é a seguinte:
1- um grande chavão que transmite uma verdade verdadeira e inquestionável
2- uma ou mais soluções vagas e inconsistentes para a questão.
Exemplo? Página 31, quando o texto fala de Ciência e Tecnologia:

A inovação é o grande agente que transforma conhecimento em riqueza. [1- chavão] Estabeleceremos programas que incentivem a pesquisa e a inovação nas empresas públicas e privadas, [2a- proposta vaga e inconsistente 1] e promoveremos a modernização e a celeridade no sistema de registro de patentes do País, via revitalização do INPI [2b- proposta vaga e inconsistente]. Apresentaremos proposta articulada no que virá a ser o Sistema Brasileiro de Inovação. [2c proposta vaga e inconsistente, que ainda cita a palavra-chave incluída no chavão que abre o parágrafo].

Então, faça o favor de estourar umas pipocas e pegar um guaranazinho, porque agora eu vou destacar alguns pontos das 76 páginas (é, eu li tudo isso. De nada.) do programa do PSDB.
A principal diferença entre o programa do PSDB e do PT está no seguinte trecho das respectivas redações:

(PT) – [o seguinte prograa de governo foi consolidado após um] processo de ampla consulta aos movimentos sociais e aos partidos aliados

Versus

(PSDB) – A elaboração deste documento decorreu do trabalho e da interlocução de inúmeros especialistas nas mais diversas áreas das políticas públicas

Eu tô até vendo a situação: a equipe do Aécio correndo atrás de especialista de tudo quanto é canto, pedindo propostas legais e bonitinhas para melhorar o Brasil na sua área de conhecimento. Conseguiram. É o tal do catadão de conteúdo maneiro em tudo quanto é canto que eu citei lá em cima.

Voltando ao nosso hipotético aluno ixperrto, ele está de posse de um conteúdo muito interessante, mas não sabe dar liga. Não sabe interconectar as informações. E isso fica bem claro no começo do texto, que não consegue se priorizar. Daí, o plano é dividido em diretrizes, e princípios, e políticas, e processos, e objetivos, e reformas…

E, como muitas sugestões se interligam, o aluno ixperto deixou bem claro que não conseguiu nem arrumar o texto de maneira complementar. Ficou tão perdido com tanta sugestão interconexa que organizou as diretrizes do governo em oito áreas, relacionadas em ordem alfabética.

ORDEM. ALFABÉTICA.

OK, houve um critério eleito. Mas é um critério que criou o seguinte mafuá:
1. Cidadania
2. Economia
3. Educação
4. Estado Eficiente [porque, né? Pra quê estado eficiente ficar dentro de economia?]
5. Relações Exteriores e Defesa Nacional
6. Saúde [depois de falar de exército e soberania nacional, vamos falar de dengue e genéricos…]
7. Segurança Pública [… pra logo a seguir voltar a falar de polícia. Superlógico! Só não percebe quem não quer!]
8. Sustentabilidade

Mais uma vez, o aluno não sabe dar liga, nem interconectar as ligações. Percebe a própria incompetência redacional. E aí, como proceder? Ah, a solução é facinha:

Estas áreas devem se integrar de forma holística, de maneira a se apresentar, ao final, um Plano de Governo que represente uma soma positiva de ações governamentais que se aliam na consecução do bem comum, e não um simples elenco de programas que não se conectam entre si [E antes de você se recuperar da gargalhada, o texto entabla a seguinte observação:] Deste modo, muitos dos temas tratados são repetidos em várias áreas, o que revela a sua prioridade e relevância. [Mas também revela ausência total de foco e capacidade de interconexão de trabalhos, né?]

Ah, deixa eu falar desse ponto da página 4! Propõe-se, especialmente, que haja ampla participação popular, através, inclusive, de mecanismos virtuais de participação, afirmou o candidato que quis censurar o Google.

 

Página 7 Assistência Social

neste tópico são aludidas as diretrizes relativas a diversas políticas públicas fundamentais para a
nação. Lindo, isso! O moço fez uma alusão! Corrida rápida no dicionário, para constatar que alusão = “referência vaga, de maneira indireta / avaliação indireta de uma pessoa ou um fato, pela citação de algo que possa lembrá-lo”.
Então, tá.

 

Página 9, Combate à pobreza e desigualdade social

A pobreza vai muito além da ausência de renda Véi, se pobreza = resultado de desigualdade social, ela será sempre ausência de renda. Pobreza que vai além da ausência de renda é pobreza de espírito, cultural ou mesmo a pobreza da redação de um texto medíocre. #ficadica

[a pobreza é] um problema que mata todos os dias os sonhos e as esperanças de uma imensa parcela da população no Brasil” Nesse trecho, o aluno ixperto perdeu ponto no trabalho. Agarrou-se dicumforça no chavão a pobreza atinge grande parcela da população no Brasil e esqueceu-se de apertar o F5, pra descobrir o percentual atualizado. E ó: precisa nem de pedir ajuda aos órgãos governamentais. O PDF disponível neste link do insttuto IPC Marketing, dá conta de que pouco mais de 7 milhões de lares brasileiros pertencem às classes D e E. Num universo de 200 milhões de habitantes, considerando em média 4 moradores por domicílio, temos pouco mais de 10% da população em situação de pobreza. Imenso é um adjetivo pouco recomendado numa situação dessas, né?

 

Cultura, págs 10 a 13
Trecho mais vidaloka do texto. É um festival de robustecimento de protagonismo e fortalecimento de diálogo com as raízes que eu fui trocar o guaraná por cerveja pra poder acompanhar. Só pra vocês terem uma ideia:

Adoção do conceito de policentrismo, por meio da valorização de manifestações culturais regionais, no plano interno e, no plano externo, com robustecimento do protagonismo do Brasil, divulgando nossa cultura em suas diversas formas, como produto simbólico caracterizador de nossa singularidade.

 

Pág. 18 – Esporte e Lazer
Apoio a que os Jogos Olímpicos Rio 2016 sejam realizados em condições ideais de organização, mobilidade, sustentabilidade, hospitalidade e segurança e incentivo às equipes olímpicas e paraolímpicas
Aí eu me lembrei do “não vai ter copa” e melhor deixar pra lá, né?

 

Pág. 22 – juventude
Prioridade na redução da vulnerabilidade juvenil, mediante critérios objetivos e políticas integradas Aqui o moço abusou do direito de ser genérico no texto. O que diabos é uma vulnerabilidade juvenil? Em relação a quê? Por quê, onde, quando e como? Véi, explica melhor!!!

 

Pág. 23 – Mulheres
A questão das mulheres não é das mulheres, é dos homens também
Vou lembrar só da polhêmica do Tucanafro. Cerejinha do bolo: saber que a frase entre aspas é de dona Ruth Cardoso. [suspiro]. Logo abaixo, o texto fala da Transformação em realidade do Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres [porque, né? Pra quê escrever aplicação, ou colocação em prática? Transformação em realidade é tão mais onírico, né?] garante a transversalidade de gênero entre ministérios. E mais uma vez a gente corre rapidinho ao dicionário pra descobrir que transversalidade = que cruza, atravessa, passa por determinado referente, não necessariamente na oblíqua em relação a ela. Ou seja: algo que não vai direto ao ponto, fica dando voltinhas.

 

Pág. 28 – Segurança alimentar e nutricional sustentável

Universalização do acesso à água de qualidade e em quantidade suficiente para o consumo da população e para a produção de alimentos da agricultura familiar, de povos e comunidades tradicionais e da pesca e aquicultura, com prioridade para as famílias em situação de insegurança hídrica Você quer mandar beijinho pra quem? Ah, um beijo pra Sabesp, outro pro Sistema Cantareira e outro pro Aécio!

 

Pág. 34: Desburocratização – Simplificação

O capítulo de Desburocratização e simplificação é de uma contradição inacreditável. O texto diz que as pessoas têm que ter a vida simplificada, sem burocracias. E diz isso de forma repetitiva e burocrática, fazendo as pessoas lerem frases inúteis para a compreensão do texto:

Transformação do conceito de simplificação num valor permanente, observando sempre a possibilidade de melhorias contínuas. [OK, entende-se que a proposta é ficar o tempo todo em alerta para novas alterações] Trata-se de um processo de mudança contínua e, como tal, terá princípio e não terá fim. [e na frase seguinte eles repetem a mensagem da primeira frase.] Descomplicar o dia a dia das pessoas e das organizações reduz o desperdício de tempo e, consequentemente, os custos. [prefiro creditar esta última frase à zoeira. Melhor, né?]

(…)

Aumentaremos a confiança nas pessoas e nas instituições, valorizando e reconhecendo que a maioria das pessoas age corretamente, e responsabilizando claramente a minoria que age fora da lei[Percebe-se que o moço se perdeu bonito nessa hora, né? O_o]

 

No capítulo economia (assim como em todos os outros capítulos, diga-se a verdade) prometo não contar pra ninguém que o PSDB propõe fazer tudo o que o PT já faz (e bem), mas a imprensa diz que não faz ou faz mal. Oops, contei! /o\

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Chegamos à pág. 51 – Educação
Fortalecimento da Capes e de seu importante papel no apoio à pós- graduação e à qualificação de nosso sistema de ensino como um todo. [Por quê, onde e como vai se dar esse fortalecimento? Com quais objetivos? Quais as metas? Essas respostas, você NÃO VÊ no programa do PSDB].

 

Pág. 54 – Estado eficiente
Administração governamental:

Transformação das administrações governamentais, tornando-as mais leves, simples, transparentes e operantes, com foco e prioridade nas ações finalísticas e com eficiente coordenação intergovernamental. [OK, imaginei a administração governamental vestida com sapatilhas e um saiote de tule, lépida e fagueira, dançando a coreografia do Lago dos Cisnes. Mas parei nas ações finalísticas. Entendi BULHUFAS do que isso significa, mas parece ser um troço bem legal, porque leva a uma eficiente coordenação intergovernamental, um troço tão cheio de sílaba que parece ser importante.]

 

Pág. 55 – Defesa Nacional
Ampliação da coordenação entre o Ministério da Defesa, o Itamaraty e os órgãos de planejamento e gestão do governo federal em todas as dimensões de segurança, na construção de mecanismos de alerta e prevenção de conflitos, construção de medidas de confiança mutua, de cooperação com as nações amigas, de atualização tecnológica, de participação em organizações internacionais e de apoio a missões de paz em cumprimento a resoluções e iniciativas da ONU. [Mas véi, eles fazem isso desde que eles existem, caramba! E se eles não fizerem o trabalho empaca! O moço perdeu outro pontinho na redação!]

 

Pág. 55, Política externa
A política externa será conduzida com base nos princípios da moderação e da independência, que sempre nos serviram bem [Ah, isso aqui tá de bom tamanho! Não conseguimos nos desapegar… Vamos continuar usando, vai….]

 

Pág. 57
Revalorização do Itamaraty na formulação de nossa política externa, subsidiando as decisões presidenciais. É algo como dizer: O Hulk é atacante da seleção, sua função é pegar a bola no meio-de-campo e levar, em ataque, para o gol adversário. Queremos uma revalorização do Hulk, na função de atacante, de maneira que sua função, reavaliada, seja pegar a bola no meio-de-campo e levar, em ataque, para o gol adversário. Ou: não escreve seis, escreve meia dúzia! O_o

 

Pág. 60, Saúde:
Redução das grandes reclamações da população usuária dos planos de saúde, que representa 25% da população brasileira, com elevado número de insatisfações e com uma grande desigualdade no acesso e qualidade dos planos. Legal, isso. Eles propõem “redução da reclamação”. Olha, das duas uma: ou você vai ser proibido de reclamar, ou sua reclamação vai ser nem registrada. Aposto na segunda opção.

 

E chegamos aos últimos pontos da análise da redação do programs de governo do PSDB.

Pág. 64, segurança pública
Trataremos da Impunidade, através da proposição de uma série de reformas legislativas Lindo, não? Como vai se resolver a impunidade? Ah, a gente vai lá no congreço e propõe umas lei lá, e tá tudo resolvido… ainda bem que eles se autodenominam competentões, né? Magina se não fossem… O_o

Estabelecimento de políticas eficazes de combate à violência e à impunidade, com especial ênfase aos crimes violentos. De novo: Que políticas? Por que elas serão eficazes? Quais as metas?

Estímulo ao policiamento em áreas de intensa criminalidade Como assim, estimular? O fato de a área ser de intensa criminalidade já não se constitui um estímulo pro policiamento?

Isto posto, só me resta dizer que: no caso do hipotético trabalho de escola, o hipotético aluno pode ser aprovado pelo professor que quer se ver livre dele. Mas, no caso da real escolha do eleitor, cabe a este escolher quem de fato não entrou em campo pra enrolar na análise da situação e das propostas de governo. Fica a dica pros tucanos.
E ó, próxima vez procurem levantar direitinho o que o PT vem fazendo e o que não vem fazendo, sim? A maioria das propostas do programa dee vocês já vem sendo praticada pelo PT há 12 anos.

Adversários e adversativos

sexta-feira, junho 6th, 2014

Depois de ler o texto da Folha de SPaulo sobre o índice de inflação de maio, eu me dei conta de mais uma coisinha para além da questão do vírgula-mas: as palavras adversativo e adversário têm a mesma origem: contrário, adverso. Com o sentido dessas duas palavrinhas em mente, vamos ver o texto que a Folha cometeu sobre a informação:

  • inflação de maio 0,46% X 0,67% inflação de abril.

Então vamos começar a pensar: qual seria a melhor manchete para essa reportagem? Vamos listar algumas possibilidades aqui:

– Inflação cai em maio

– Inflação tem queda em maio

– Inflação tem menor índice desde setembro de 2013?

Er… não. O que a Folha fez foi

Alta de alimentos desacelera, e inflação recua para 0,46% em maio

Percebeu a canalhice? Então eu mostro. Deixa eu copiar a frase aqui pra destrinchar: Alta [A PRIMEIRA palavra do título é ALTA. Seu cérebro começou a subir escada ao ler essa palavra.] de alimentos desacelera [houve uma desaceleração da alta, ou seja, o negócio tá indo lá pra cima. Mais devagar, mas tá subindo.], e inflação recua [Na nossa caminhada escada acima, agora você começou a descer. Mas nem percebeu, porque recuar não tem a mesma força de cair ou descer, né? Além do quê, recuar pode ser dar uns passinhos pra trás para a seguir continuar no caminho pra frente] para 0,46% em maio [e voilà! Temos uma manchete que diz que a inflação caiu sem dizer que a inflação caiu. Lindo isso, não? NÃO, NÃO É!]

PEDRO SOARES [resolvi deixar o nome do cabra culpado por cometer esse texto]

Uma menor pressão dos preços dos alimentos [Se os preços estão fazendo menos pressão, eles estão menos pesados. Se eles não pesaram, ELES FICARAM MAIS LEVES? ORA, ENTÃO HOUVE QUEDA DE PREÇOS? o_O] assegurou uma freada [continuamos a medir o índice de putaria manipulação do texto: frear não é parar, é reduzir velocidade]  da inflação em maio.

O IPCA, índice oficial do país, ficou em 0,46%, abaixo do 0,67% de abril [CAIU, BRAZEEEWWWWW, A INFLAÇÃO CAIIIIIIIIIIUUUUUUUUU!!!], segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (6) [tá. agora me veio uma dúvida em relação á informação: já vi que os preços caíram. Mas por que houve essa queda? Isso é bom ou ruim? E o que vai acontecer daqui pra frente?]

É a taxa mais baixa para um mês desde setembro de 2013, quando esteve em 0,35% [oba! Então isso é bom! A inflação caiu! Vamos comemorar?], mas acima do esperado pelo mercado [não, porque o vírgula-mas ferrou com a sua felicidade]. O índice já vinha em tendência de declínio desde março[Mas isso é uma belezura! Temos uma informação que foi adversativada no vírgula mas, para em seguida ser desadversativizada na frase SEGUINTE!], quando bateu na taxa recorde para o mês –a mais elevada desde 2003.[e readversativizou-se em seguida! Isso é praticamente uma virada de 360 graus!]

Passada a pior fase da estiagem que marcou o verão o começo do outubro [esqueceram de revisar esse trechinho aqui. vou relevar], os preços dos alimentos cederam[OK, temos aqui que começou a chover, a produção agrícola de alimentos aumentou e o preço deles caiu], ajudados ainda pelo enfraquecimento do consumo diante do custo elevado da alimentação [e o texto ainda nos diz que o brasileiro comeu menos] e de uma renda que já mostra sinais de desaceleração.[e que a renda está caindo e oh, dia, oh, via, oh, azar, Lippy, isto não vai dar certo….]

O IPCA acumulado em 12 meses, porém, [É tanta conjunção adversativa que daquia pouco Folha vai se gramaticalizar e virar conjunção adversativa! A construção “ele é bonito, FOLHA está velho” vai substituir a construção “ele é mobito, MAS está velho!”] persiste em patamar alto. Analistas não descartam o estouro do teto da meta do governo (6,5% neste ano).[estouro do teto da meta: nego quer que vc suba as escadas, abra a porta do terraço e pule do alto do prédio].

(…)

Em ascensão desde janeiro[…. e pronto! Você voltou a subir a escada!], a taxa em 12 meses é a mais alta desde junho de 2013, quando bateu os 6,7%, e tende a manter uma trajetória de aceleração[vamos, vamos! Trate de acelerar o passo! Tem que subir mais rápido!], já que em meados do ano passado a inflação foi muito baixa, o que não deve se repetir neste ano.[A inflação foi muito baixa = só eu senti um certo nojo/desprezo por essa informação?]

[Agora observe a magnitude de uma construção adversativa de raiz: até a vírgula, a informação é positiva. Depois da vírgula, ela fica bipolarmente negativa. Acompanhe:] Há uma declínio previsto, mas não na mesma intensidade.[Agora pense: a inflação caiu em maio, os preços dos alimentos caíram, ano passado a inflação ficou muito baixa (por isso geral na imprensa resolveu atacar o pibinho) e este ano ela não deve crescer tanto VÍRGULA MAS mesmo assim deve ficar acima da meta. Gente, isso é torcer contra. Isso é ser adversário. E trabalhar o texto só com adversatividade.]

Oi? Jornalismo? Não, a Folha não trabalha com isso há muito tempo.

E ó: o Muda Mais também atinou pras mesmas coisas que eu…

Sintagma nominal incompleto? Trabalhamos! O_o

quarta-feira, maio 14th, 2014

Tá, eu sei que você não faz a menor ideia do que seja um sintagma nominal – embora use o bichinho inúmeras vezes por dia. Mas calma que eu explico.

Sintagma é a mínima unidade de compreensão dentro de uma estrutura oracional. Tá bom, tá bom, eu sei que você continua boiando. Vem cá que eu te resgato:

Vou te jogar duas palavras:

Bolo             café

As duas fazem sentido? Quase, né? E se eu fizer assim:

Bolo DE café / bolo PARA O café

Brinquei com preposição e estabeleci uma conexão entre bolo e café. No primeiro caso, disse que um dos ingredientes que compõem o bolo em questão é café; no outro, disse que o bolo foi feito com a finalidade de ser comido com o café. E tudo isso eu fiz com duas palavrinhas xumbregas. Mas deixa isso prá lá. O fato é que eu apresentei a vocês dois sintagmas nominais (compostos por nomes, a quem você conhece como substantivos).

Mas, Bruxa, por que você tá falando de sintagma nominal? E quem deixou o sintagma nominal incompleto?
Para explicar isso, eu vou te dar duas frases:mantega

“A economia passa por recuperação lenta e dolorosa da crise”

E

“A economia INTERNACIONAL passa por recuperação lenta e dolorosa da crise”

Não creio, Bruxa! Quem fez um troço desses?

A frase de baixo foi proferida por Guido Mantega. E a frase de cima foi o que a Folha disse que o Mantega disse.

Sintagma nominal incompleto é o nome sintático dessa coisa. Canalhice, falta de vergonha na cara e manipulação de dados é o nome político que ela recebe ainda que a melhor classificação seja putaria.

Espero que a aula de hoje tenha ficado clara.

Pela atenção, gracta.

O pseudossofrimento e a canalhice da imprensa

terça-feira, maio 6th, 2014

A regrinha é: geral só lê o título. Foda-se o resto. Como se aproveitar dessa máxima? Assim, ó:

Vamos começar com a definição do verbo sofrer. E, por favor, especial atenção à definição nº 6:

sofrer

1 ( t.d.,t.i.int. ) [prep.: de, por] sentir dores físicas ou morais; padecer

    ‹ s. a dor da dúvida › ‹ s. por orgulho › ‹ a ciática fazia-o s. ›

2 ( t.d. ) ser alvo de (golpe, pancada etc.); receber, levar

    ‹ s. uma pancada na perna › ‹ na cadeia, sofreu sevícias ›

(…)

6 ( t.d. ) passar por, experimentar

    ‹ desde que foi formado, o grupo sofreu várias alterações ›

7 ( int. ) ter danos ou prejuízos; decair, degradar, perder

    ‹ com a falta de chuva, a agricultura sofre ›

Agora, leia o discurso da Dilma num evento na manhã de hoje:

Eu tenho certeza que o Brasil daqui a 3 anos o país será melhor que o de hoje, porque hoje eu já tô sofrendo, ou melhor, me beneficiando das decisões tomadas no período Lula

OK? Entendeu? então, vamos ao chorume. Primeiro, blog do Josias de Souza:

josias

E o Uol Mais:

uolmais

 

E o UOL Mais ainda teve a PACHORRA de cometer este texto aqui:

No lançamento (…) a presidente Dilma Rousseff cometeu uma gafe ao dizer que estava “sofrendo” das decisões tomadas no período Lula. Dilma prontamente se corrigiu e afirmou que estava se “beneficiando”.

Nota-se que:

1- Josias nem se deu ao trabalho de escrever nada. Apenas mandou o título e apertou o “publicar”

2- O Uol Mais ainda enfiou uma legendinha descritiva safada.

3- Ambos sabem que quem vir esses posts vai apenas ler o título, e vai ficar o peso negativo da palavra sofrer, sem nem se darem conta de que em determinadas situações (como o discurso da presidenta), é possível usar essa palavra de forma positiva.

E outro dia mesmo meu professor tentava se lembrar de um exemplo de verbos com tipologia semântica benefactiva….

TV Folha e a Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, ou o facepalm na cara da sociedade inteligente

terça-feira, março 18th, 2014

(Pra quem não sabe, facepalm é o nome daquele tapa que você dá na sua cara com a parte de dentro da mão, quando pensa “Ai, meu Deus, que burrice!”

Véi, sei nem por onde começar. Apenas digo pra você estourar umas pipocas porque o papo vai ser longo (traz um guaraná pra acompanhar, também, por favor…)

 

(CLique por sua conta e risco. Não aceitamos reclamações.)

A TV Folha fez um vídeo sobre os líderes da Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, edição 2014 (que doravante chamarei MFDCC, tá? Quero colocar essa marcha em pé de igualdade com eventos tipo Fashion Week). Daí que tem muita gente que não consegue ver o vídeo até o final por sentir repugnância. Então, eu resolvi ser bem legalzinha com vocês e descrever o vídeo. Porque o conteúdo é tão ruim, mas tão ruim, que beira a tragicomédia. batman-facepalm

Mas ó: total apoio a quem não conseguiu ver o vídeo até o fim. Nunca minha vergonha alheia atingiu níveis tão altos. A primeira vez que eu vi o vídeo acabei horrorizada, embaixo da mesa, com um saco de papel na cara porque OLHA… vamos contar o número de facepalms que eu fiz em cinco minutos de vídeo?

#Facepalm nº 1: Aos dezoito SEGUNDOS, com o primeiro personagem do vídeo, o Historiador Equivocado. O moço diz que “o povo foi às ruas” no dia 19 de março de 1964.

Aí, fera, fala uma coisa dessas não que pega supermal pra você… pra começo de conversa, vamos definir “povo” na frase do tio aí de cima. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, as Marchas de 1964 foram “organizadas principalmente por setores do clero e por entidades femininas”. Então, pra ficarmos dentro dos parâmetros de honestidade, devemos dizer que a Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade foi organizada por setores da sociedade. Povo, não. Povo, povão, mesmo é a parte da sociedade que ou tá ocupada demais ralando o dia inteiro, ou tá enfrentando trânsito no transporte público a caminho de casa/trabalho ou tá fazendo faculdade à noite.

che-facepalm#Facepalm nº 2- Aos 32 segundos ele fala em contrarrevolução. Porque, né? Eles estavam se pelando de medo de um (favor ler com voz fantasmagórica) goooooolpe comuniiiiiiiistaaa…

Cara, em 1964, por mais insólita que a sugestão já parecesse (Jango Goulart, fazendeiro E comunista? Não rola, é contradição entre termos…), ainda fazia algum sentido no contexto do fla X flu da Guerra Fria, disputado a ferro e fogo entre Estados Unidos e União Soviética.

Mas em 2014?!?!?! Golpe comunista em andamento? Naonde que tem golpe comunista? Vivemos a mais capitalista das eras do Brasil, estamos a pleno consumo e a pleno emprego! Tá em dúvida? Pergunte a um banqueiro o que ele acha de golpe comunista em 2014…

#Facepalm nº 3: Entra em cena o segundo personagem do vídeo, o Esclarecido do Agronegócio. Fala em “setores esclarecidos da sociedade”. Tá. São esclarecidos. Mas me digam, por favor: que tipo de esclarecimento eles têm? A respeito de quê? O que eles sabem que a gente não sabe? Conta tudo pra gente, por favor…. (e até o fim do vídeo ele conta tudo, uma coisa….)

Aí, mais adiante, o Esclarecido do Agronegócio vai e diz que “A sociedade vem sendo imbecilizada há 50 anos, por todos os governos do crime repetidos” #facepalm nº 4: mas meu tio, pelo amor de Santa Genoveva, juntou tudo no mesmo balaio? Militar, não-militar, PT, PSDB… esclarecidão o senhor, hein?

Mas espere… se o governo militar há 40, 50 anos era um “governo do crime”, como o senhor mesmo disse, por que o senhor quer voltar com os militares? Então o senhor apoia o crime? Cejura? Mas cejura mesmo? É impressão minha ou o senhor, do alto do seu esclarecimento, caiu em contradição?dog_facepalm

E a Mãezona de Família, preocupada em educar a filha de 17 anos, é a nossa terceira personagem. Gente, alguém avisa que a filha dela não terá problemas com os estudos, pelo contrário? Ela pode se valer do Ciência sem Fronteiras para ir estudar no exterior, e ainda volta doutora! Fique à vontade pra confiar na Dilma, dona Mãezona! Tá, parei.

A Mãezona de Família nos traz o #facepalm nº 5: o Brasil vai virar uma Venezuela e uma Cuba, e teremos quilômetros de filas pra comprar papel higiênico ou frango. Mas minha tia, com tanto empresário de comércio varejista salivando porque as vendas estão em franca expansão, onde já se viu esperar desabastecimento, falta de comida?

Quarto personagem do vídeo, batizado por um amigo do Facebook de “o Politizado em Download”. Que diz que é politizado a 85%. (O download falhou, coitado, cês tão vendo como é importante votar logo o Marco Civil da Internet, gente?) Só essa do politizado a 85% já renderia o sexto facepalm, mas minha cara tá doendo de tanto tapa que eu tô me dando. Vou dar um desconto.

Voltamos ao Esclarecido do Agronegócio, que nos diz agora que “os anseios da presidenta das república não representam os anseios da maioria da sociedade”. OK, aqui não dá pra economizar. #facepalm nº 6.

dilma-rousseff-facepalm[suspiro] Tio, é assim: de-mo-cra-ci-a. Aquele lance que diz que todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Esse lance é corroborado por um troço chamado e-lei-ção. Um megaevento, com megacobertura da imprensa, onde as pessoas vão e contam pra um troço chamado urna quem elas querem que seja o representante delas. Daí, ao final do dia, a urna é aberta e descobre-se quem teve mais votos. Esse carinha mais votado é o eleito. No caso, Dilma Rousseff foi escolhida em 2010 como a pessoa que a maioria da sociedade quer que seja a representante máxima do país.

Em democracia não rola esse lance de “setor esclarecido o voto vale mais; setor menos esclarecido o voto vale menos”. É tudo um para um. E se ela não corresponde aos anseios da sociedade mais esclarecida, corresponde aos anseios de todo o restante da sociedade. “Ah, Dilma Rousseff não me representa!” Ótimo! Direito democrático seu achar isso! Vamos pras urnas, escolher um candidato que te represente? Daí , fale com os seus e peça que eles também votem nesse candidato. Quem tiver mais votos, leva. Combinado?

Voltamos à Mãezona que diz que morre de vergonha dos políticos. Tia, aceite umas pipoquinhas aqui do meu balde, e vamos conversar. O que tem de mané que não me representa não tá no gibi. Mas o que fazer se eles representam outros setores da sociedade? Pedir divórcio do resto da sociedade? Num rola, né?scully_facepalm

Eis que retorna à telinha o Historiador Equivocado, dizendo que “não votaria num candidato com menos preparo do que eu!”. Ele, por exemplo, não teria problemas em achar um candidato em quem votar, porque eu listo vários com mais preparo do que ele. A começar pelos professores de história que sabem o que realmente significou a marcha das famílias em 1964. Aí ele diz que não vota em quem fala português errado. Querido, se for assim, você vai limar todo mundo! Pode começar com os que se dizem os “melhor(es) preparados”, porque o superlativo de locuções adjetivas é feito com mais. Então, o superlativo de “bem preparado” é “o mais bem preparado”. Mas isso aqui não é aula de português, e sim exercício de masoquismo. Voltemos aos facepalms.

O #facepalm nº 7 é um oferecimento do Politizado a 85%, que nos fala em “intervenção militar provisória”. Bom, eu vou evitar o caminho mais fácil de mandar o tio acabar o download de politização dele. Também vou evitar chamar a atenção de vocês pro tanto que o sujeito gaguejou antes de falar esse troço. Vamos lá. [longo suspiro].

Zuckerberg_FacepalmExiste um calhamaço de texto chamado Constituição da República Federativa do Brasil. Troço mó legal, levou um bom tempo pra ser feito, e foi resultado de muito esforço e muito consenso de vários setores da sociedade, representados por Parlamentares Constituintes.

Daí que essa Constituição prevê intervenções militares. Em casos extremíssimos. Falha no download do seu app iPolitizado 2.0 não é um deles, OK? E por provisório, entende-se um troço com prazo final. Quem, como e por quê vai determinar o fim desse prazo? Da última vez, imaginava-se que seriam alguns meses, e foram 21 anos. Ou seja: não rola, esquece.

Voltamos ao Esclarecidão do Agronegócio que nos diz que o grupo dele almeja seis objetivos nacionais permanentes. Bora conferir?

1- Democracia – check

2- Progresso – check

3- paz social e ordem pública – ah, tem sempre uns doidos que querem a volta da ditadura, mas nada que seja a transubstanciação do caos, né? Oops!

4- Soberania – check

5- Integração nacional – check

6- Integridade nacional – check

Isto posto, qual é mesmo o motivo da sua manif?

E mais uma vez a Mãezona dizendo que acha um absurdo não poder andar armada. Olha, gente, mó alívio saber que as famílias de Deus adoram andar armadas. É uma forma doce e singela de espalhar a mensagem de amor de Deus, né? Certeza que Deus tá jesus-facepalmmorrendo de orgulho da tradicional família armada brasileira.

Mas espere! O #facepalm nº 8 traz o Historiador Equivocado com a grave denúncia de que estão tentando implantar um bloco socialista na América Latina! Gente, alguém aperta o F5 desse pessoal, pelamor? Avisem que quem nasceu quando acabou a Guerra Fria já completou meio quarto de século? E que a Agenda Mundial já virou um bocado de página?

Não existe mais isso de “implantar o socialismo” ou “implantar o bolchevismo”, fazfavor! O que todos temos, salvo esta ou aquela nação, são regimes 100% democráticos com políticas de governo mais à esquerda ou mais à direita. Noves fora, os direitos individuais das pessoas permanecem I-NAL-TE-RA-DOS!

E se você pensa que o #facepalm nº8 foi o auge do vídeo, você ainda não viu o #facepalm nº9: o Teorema das Ferraris. Foi o Equivocadão quem desenvolveu o conceito (pára de rir, coisa! Tô falando sério!): “Imagina eu tendo uma Ferrari, tu tendo (o Godzilla-FacepalmEquivocadão não vota em si mesmo, isso é fato!) uma Ferrari, todos aqui tendo uma Ferrari. Imagine todo mundo tendo condições de viver num mundo igualitário. Não existe isso!” Aí não agrega mais valor ao camarote, tem que ver issaê! Traz a bebida que pisca! No que a Mãezona completa: “Isso é uma coisa nítida! Só quem mora no Morumbi já sabe!”

Ou seja: se você ralou pra caramba pra fazer a sua faculdade, se trabalhou até não poder mais pra comprar um carro, ou a casa própria, isso não pode! Você é pobre e tem que saber do seu lugar e se contentar com seu reles papel de serviçal na sociedade! Tudo isso explicado com o Teorema da Igualdade das Ferraris.

Não foi à toa que esse moço recebeu a alcunha de Equivocadão…

(Ah, sim: só pra lembrar, o #facepalm nº 1 foi o Equivocadão falando em povo, tá? Volta lá em cima pra conferir que eu espero…)

Chegamos àquele que é o meu #facepalm preferido, o #facepalm nº10. O Esclarecidão e o Equivocadão chegaram nos Illuminatti! Gente, agora tudo faz sentido! “Quem manda no Brasil não mora no Brasil, quem governa o Brasil é o Dono do Mundo”, diz o Equivocadão. Não sei se penso em Antônio Fagundes como protagonista daquela novela de mesmo nome do Gilberto Braga, ou se me lembro daquela música infantil dos anos 1980: “Vê qual é o nome do dono da terra, inventor do céu e do mar”. Acho que fico com o Fagundes…

Mas o melhor mesmo é quando o Equivocadão diz que o nome do Dono do Mundo é o Barão de Rotixíude.

Geeemt… Rothschild (lê-se róts-tcháudi) mudou pronúncia e ninguém me contou? Afff… (voltando lá no meio do vídeo, o mesmo cara que diz que não vota em quem não fala português direito tenta pagar de sabido e não sabe pronunciar Rothschild corretame… melhor eu parar, daqui a pouco vão dizer que eu tenho parte com os Iluminati!terceirizado_facepalm

Neste momento você vai dizer: “Ai, você é muito implicante! Ele não tem obrigação de falar inglês fluentemente!”, e eu serei obrigada a concordar contigo. Então, me empreste seu rosto para o #facepalm nº 11: Equivocadão dizendo que o Collor foi impitimado.

O Esclarecidão do Agronegócio convida a todos a entrarem no Google pra procurar se informar a respeito (Já dizia o ET Bilu: Busque conhecimento !). Olha, tio, devo confessar que eu joguei “Rothschild iluminati” e… ah, puxa! Acabaram-se as pipocas!

Deixemos de lado o Google só um pouquinho, e voltemos à Mãezona contando que o que tá acontecendo agora é o mesmo que aconteceu em 1964, e que, naquela época, “dentro do contexto, era o que melhor podia ter acontecido”. Nessa hora eu tive a impressão de que o Historiador Equivocado tinha ido ao banheiro e deixou a Mãezona dando entrevista, mas ele entrou em seguida pra fechar o vídeo de maneira brilhante: com um nariz de palhaço.

sextuplo_facepalmEscuta… Vai ter transmissão da Marcha na TV? Com narração de locutor de futebol? Ah, eu quero ver… Cadê meu balde de pipocas?

A clichetaria aeciana no Lugar Comum momesco dos substantivos abstratos

quarta-feira, março 5th, 2014

1450939_775317525827909_1244250478_nAi, gente, quanta emossaum!!!

Devo confessar a vocês que esta ectoplasma suína que vos fala toda segunda-feira de carnaval, desde 2012, faz questão de ler a coluna de Aecim na Folha de São Paulo. Virei fã quando o garboso senador mineiro-carioca cometeu este texto aqui, que eu tive que exorcizar (reza a lenda que, por causa do meu exorcismo, o sujeito que escreveu esse texto só não foi demitido das hordas de comunicação de Aecinho porque tem o rabo preso com o mensalão tucano. Mas essa história carece de confirmação, deixa prá lá…)

E não é que em 2014 eu fui brindada com mais uma clichetaria aeciana, minha gente? Esse texto está royalmente maravilhoso. Ele conseguiu misturar carnaval com Plano Real! Vamos acompanhar/exorcizar:

[Antes do início do exorcismo, deixa eu falar de uma coisa que eu acho que você deve ter aprendido. Você sabe me dizer o que é um substantivo abstrato? Explico: 

Substantivo é a classe de palavras que as pessoas usam para dar nomes às coisas. E essas coisas podem ser concretas, palpáveis (cadeira, mesa, caneta, computador, estojo, homem, mulher, criança), ou podem ser abstratas, e servem pra nomear ideias e conceitos (ordem, progresso, beleza, feiúra, comunismo, capitalismo, islamismo, etcetcetc.). Com isso, temos os substantivos concretos e os substantivos abstratos. Vou marcar em roxo todos os substantivos abstratos do texto de aecim pra vocês verem que se um dia essa subclasse de palavras for proibida, cabô discurso do PSDB!)

O país está em festa. Milhares de brasileiros estão nas ruas e passarelas do samba, [vocês tão vendo que nem a suposta ameaça de demissão evitou que o sujeito caísse novamente em tentação clichetária, né? Brasileiros estão nas ruas e passarelas do samba… cara, num dá pra ser menos escorreito, não?] protagonizando uma das maiores e mais bonitas celebrações populares do mundo e a nossa excepcional diversidade cultural [vou convidar cientistas britânicos para encontrarem alguma conexão entre o uso do verbo protagonizar e a capacidade de enrolação das pessoas. Mas antes eu grito BINGO! BINGO! BINGO! Cara, como tem lugar-comum isso aqui! E olha que estamos apenas no primeiro parágrafo!].

Neste momento, suspendemos as tensões e eventuais diferenças e idiossincrasias [Acho que o zifio que escreveu esse texto anotou um monte de palavras bonitas que ele poderia usar num texto sobre carnaval. Idiossincrasias ficou de fora da versão 2012, e ele tratou de enfiar uma idiossincrasia na versão 2014!] para ocupar as avenidas, sob o signo da alegria. Poucos fenômenos são capazes de construir uma convergência assim, tão ampla e verdadeira.[ai, que lindo! Esse desfile de clichês ao menos ficou mais positivo do que o de 2012!]

Pensando nela, lembrei-me de um outro momento da vida nacional que uniu os brasileiros, em um fevereiro como este, 20 anos atrás: depois de vários planos econômicos fracassados, o Plano Real acabou com a hiperinflação [BAZINGA! Lá vai o querido candidato falar da única coisa que presta do partido dele. Vamos acompanhar – atentem para o fato de que fevereiro é o elo entre carnaval e plano real!].

As novas gerações nem sequer podem imaginar o que significou uma era de descontrole inflacionário que dizimava a renda das famílias, aumentava a desigualdade social e impedia o país de crescer.

Sem pirotecnia, demagogia e quebra do ordenamento jurídico[ai, deixa eu me recuperar dessa metralhadora tucanamente abstrata para concluir que: puxa, acho que tem alguma mensagem cifrada aqui! O que será? hum? hum?] , instaurou-se uma agenda que contemplava os fundamentos da estabilização e do desenvolvimento, na mais importante reforma econômica do Brasil contemporâneo.

Outros avanços estruturais moldaram o país moderno e respeitado que somos hoje.

Mas a data de 27 de fevereiro é emblemática como ponto de ruptura com o passado de equívocos e o advento de uma nova ordem. Foi, acima de tudo, uma construção [E antes que você me diga que construção é uma coisa concreta, nessa frase foi usada com sentido metafórico, abstrato! Idem com a ruptura do início do parágrafo!] política, nascida na democracia e em diálogo aberto com a sociedade. Um exemplo de como a coragem e a responsabilidade podem ser instrumentos transformadores da nossa realidade[Agora imagine você, meu querido leitor, uma diretoria de uma empresa aguardando resultados em números, e o presidente vira pra todos e diz: “coragem e responsabilidade podem ser instrumentos transformadores de nossa realidade” A reunião vai acabar em pancadaria, porque os diretores vão concluir na hora: “FECHAMOS MAIS UMA VEZ NO VERMELHO, SEU BEÓCIO?” Tá, parei. Vamos voltar ao texto]

Mas nem o unânime reconhecimento que o Plano Real conquistou nesses anos foi suficiente para uma autocrítica daqueles [Daqueles, viu? Da-que-les… porque ele não é macho pra falar em PT e Dilma, né? Se falar, perde voto… então, vira aqueles…] que, apesar de terem se beneficiado dele, o combateram com ferocidade, pautados, como sempre, pelos seus interesses eleitorais.[Não há nada mais fascinante do que um partido político, inserido num sistema eleitoral, com claros interesses eleitorais, acusar OS OUTROS de terem interesses eleitorais. O PSDB não tem interesse eleitoral NENHUM, né? Bando de desprendidos….]

Todos sabemos que nenhum dos avanços obtidos nos últimos 20 anos teria sido possível se a inflação não tivesse sido derrotada. Esta é a verdadeira herança deixada pelo PSDB para os brasileiros, já incorporada ao patrimônio do país.[Muito bem! Bom menino! Mas e aí, depois que acabou a inflação, vamos todos ficar olhando uns pras caras dos outros comemorando o fim da inflação, ou temos mais o que fazer?]

Não podemos permitir que essa conquista se perca.[Novamente: pense na reunião do presidente com a diretoria…]

O país vive um momento delicado, de baixo crescimento [Baixo = terceiro maior PIB do mundo.] , inflação rediviva [nas páginas da Folha de SPaulo, né?] e credibilidade em risco [MA CHE CAZZO? Naonde que a credibilidade tá em risco? Quem faz pouco caso da nossa credibilidade, caramba? Gente, quem informa o PSDB, por Tutátis?!?!?! Nessas horas me dá uma vontade louca de me filiar aos tucanos só pra ver se eu ajudo com um pouquinho de workshop de oposição….] . A infraestrutura compromete nossa competitividade; a educação demanda uma gestão inovadora para cumprir o seu papel transformador; as instituições públicas, reféns de grave aparelhamento e pactos de conveniência, precisam ser resgatadas e devolvidas ao interesse público.[Eu adoro essa parte de sofrimento gerencial dos discursos do PSDB! eles falam tudo o que tem que ser feito. e nessa listagem do tudo tem que entrar mesmo esse rosário de substantivos abstratos. Mas pra explicar COMO tem que ser feito exige um cadim mais de neurônio, e de planejamento.  Algo que a nossa hipotética diretoria cobra desse suposto presidente de empresa e NUNCA consegue uma resposta….]

Crises graves, como a desassistência à saúde pública [Masgeeeemt… bando de cubano atendendo pobre ferrado nos cafundós do país é desassistência à saúde pública? afff…] e a violência endêmica [RÁ! Explicar, contextualizar e quantificar a ideia de violência endêmica é tarefa complexa pacas, né? Sair do mundo abstrato e ir pro mundo concreto das quantificações é difíiiiicil….] , merecem uma nova mobilização de todos os brasileiros, para fazer o país avançar mais.[De novo: cadê o macho pra dizer: “Não vote no PT, vote no PSDB, porque nós somos melhores!” Não, ele fica nesse reme-reme abstrato e conclamador de insurgências oníricas!]

Convergência. Coragem. Responsabilidade.[AAAAAAAAAAHHHHH, OUTRA  METRALHADORA TUCANA ABSTRATAAAAAAAAAA. Adoro! Isso não quer dizer absolutamente nada, mas eles falam mesmo assim!]  No país que é também do Carnaval [E zás! Nosso herói voltou ao carnaval! Ai, que lindo!], todo dia é dia de construir o Brasil que podemos ser [… e encerra no melhor estilo Humberto Gessinger! (“somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter…”)

E vocês têm medo dissaí? Véi, na boa, bora esoturar pipocas?

(Mas eu não posso encerrar esse post sem antes agradecer ao dileto ectoplasma suíno – mineiro Luis Carlos, que me enviou o link pro evento momesco de Aecinho. Valeu, zifio! \o/)

De matemáticas, probabilidades e de PORRA, FOLHA!

segunda-feira, fevereiro 3rd, 2014

Mais um post em que eu sou obrigada a falar de matemática. Vamos lá, amebas. Vamos fazer uma continha pequenininha aqui.

Joãozinho tem 100 laranjas. Desse total 25 estão podres. Quantas laranjas boas Joãozinho tem?

A tia Maricota do primário te ensinou que a conta a se fazer é: 100-25 = 75. Portanto, Joãozinho tem em seu poder 75 laranjas de qualidade.

Essa mesma conta pode ser transformada em fração, né?

4/4 – 1/4 = 3/4

O que nos leva aos percentuais de 100%, 25% e 75%.

Isto posto, imagine que {insira aqui o nome daquela pessoa com quem vc vive sonhando em transar] ligue pra você agora e diga: “Oi, delícia! Hoje há 25% de chance de eu não trepar com você.” (agradeço ao @cardoso pela analogia concedida 😉 )

Me diga, por favor: você vai pensar no 1/4 de possibilidade de não trepar ou nos 3/4 de probabilidade de trepada?

 

O que nos leva à manchete da Folha. POOTAQUEPAREEO, ALGUEM CONSEGUE EXPLICAR ESSA MERDA?!?!?!?!

Porque, pelas NOSSAS contas daí de cima, um programa com 25% de fracasso é também um programa com 75% DE EXITO, CARALHO!!! PORRA, FOLHA!!! UMA MANCHETE DO CARALHO QUE VOCE PERDEU PRA FAZER PICUINHA, FOLHA?!?!?! PORRA, PORRA, PORRA!!!

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Mortos amestrados urgente

quarta-feira, janeiro 29th, 2014

Os mortos amestrados voltaram a trabalhar. Pra Folha, claro! <3

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O primo do vírgula-mas, a Folha e o desemprego no Brasil

quinta-feira, dezembro 19th, 2013

Hoje não vou apenas exorcizar o texto da (adivinha?) Folha (RÀ!). Começo a treinar pro meu mestrado, então vou me concentrar na análise semântica da coisa.

Vamos começar com a frase João é bonito, mas tá velho. Se João ouve isso, certamente vai começar a pensar em botox. E essa frase é tão canalha que eu ainda posso, cinicamente, dizer: “Mas eu disse que ele é bonito!” O problema é que a última mensagem, que contradisse a primeira, foi a que ficou retumbando nos neurônios dos ouvintes. Pois o vírgula-mas tem um primo tão canalha quanto ele, o apesar. Olha só o que tio Antônio diz dele:
Apesar

advérbio ( sXIII)indica, na oração ou sintagma a que dá entrada, uma ideia oposta àquela expressa na outra parte do enunciado, contrariando uma provável expectativa

Locuções

a. de
não obstante, a despeito de, pesar de

‹ a. da idade avançada, trabalhava diariamente › ‹ a. de ser jovem, era bastante responsável ›

Isto posto, acho que já dá pra gente começar a ler o texto épico (pra não dizer outra coisa) da Folha de São Paulo de hoje.

A notícia é simples: desemprego foi medido hoje. O índice é o menor desde que a medição começou a ser feita.

Aí a Folha me apronta isso:

19/12/2013 – 09h10

Taxa de desemprego cai para 4,6% e retoma mínima histórica [ou seja: a maioria dos brasileiros está empregada]

PEDRO SOARES

DO RIO

Apesar [olha quem abriu o texto! O primo canalha do vírgula-mas! Vamos acompanhar o raciocínio do repórter pedro:] do menor ritmo da economia no terceiro trimestre, da freada do consumo e do crédito restrito [uau,a economia vai mal, hein?], as empresas não lançaram mão ainda de demissões [Ainda, gente! Ainda! Quer dizer, não houve demissões, mas nós tamos aqui tudo na torcida pra que haja! O_o] e a taxa de desemprego segue em níveis baixos.[O desemprego tá baixo, mas a sensação dessa frase é que repórter pedro quer que isso seja negativo!]

[Agora vamos pensar aqui nesse primeiro parágrafo como um todo: ele abre com um apesar, que enumera uma série de supostos fatos negativos (permito-me esse supostos daí. Ao chegar ao fim da leitura deste post, vocês terão entendido o motivo) e termina com uma mísera oração (nem frase é, coitada) positiva e que, no frigir dos ovos, traz a notícia em si. Outra coisa: como muito bem lembrou o Pedro Alexandre no Twitter, esse parágrafo tá com todo o jeitão de ter sido “feito” pelo bípede (viram como eu sou boazinha? Parto do princípio que esse texto não foi editado de quatro!) que editou a matéria, e não pelo repórter.

Então, um lead (primeiro parágrafo de uma notícia, que resume a informação respondendo às perguntas Quem? O quê? Onde? quando? como? Por quê?)  que tecnicamente deveria ser “O IBGE divulgou nesta quinta-feira o índice de desemprego nacional, de 4,6%, igual ao registrado em dezembro de 2012, o menor índice da série desde que o IBGE iniciou a medição, em 2001.” , virou esse mafuá de mau humor e de mau agouro daí de cima, que de notícia, mesmo, só teve a última oração (“e a taxa de desemprego segue a níveis baixos”). voltando à tese de que o 1º parágrafo foi “montado” pelo editor, digo mais: o texto original do repórter começava com o que terminou sendo a última oração do primeiro parágrafo. E foi a única coisa do lead do repórter que o editor manteve. Isto posto, vamos ver o que mais nos aguarda. Mas, antes, deixa eu postar aqui uma imagem pra combinar com o tom do texto, pera.] 

1463720_608587872510287_1907597210_nEm novembro, o índice ficou em 4,6%, abaixo dos 5,2% de outubro, segundo dados divulgados pelo IBGE na manhã desta quinta-feira(19). O resultado é o mais baixo para o mês e iguala a taxa de dezembro de 2012, a menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2001[ou seja, o que tecnicamente deveria ter sido escrito lá em cima, no primeiro parágrafo, veio pra cá. Quer dizer: esse segundo parágrafo tem tudo pra ser o resto do primeiro parágrafo original do repórter, que o bípede da edição preferiu jogar pra baixo. Vai entender….]

Tradicionalmente, a taxa de desemprego declina nos últimos meses do ano, com a injeção de recursos na economia –vindos, por exemplo, do 13º terceiro salário–e a contratação de trabalhadores temporários no comércio e em alguns ramos de serviços e da indústria [Isso aqui é de fato uma informação relevante. Com a proximidade das festas de fim de ano, o comércio se aquece e começa a catar trabalhadores temporários. Por esse motivo, o mês de dezembro é o que registra os menores índices de desemprego].

O emprego, porém, [terceiro primo da raça adversativa, o porém. Irmão do mas. O último parágrafo disse que dezembro registra índices baixos de desemprego. Isso é uma informação positiva. O porém nos introduz uma ponderação negativa. Vamos acompanhar.]  já não mostra o mesmo vigor de meses e anos anteriores [puxa, que coisa! Isto significa que ele começa a declinar, é isso?] e cresce [não, ele cresce! Licença, eu tenho que rir aqui QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA pronto, voltemos à análise semântica] numa intensidade mais moderada. De outubro para novembro, houve alta de apenas 0,1% no total de pessoas ocupadas nas seis maiores regiões metropolitanas do país, número que atingiu 23,293 milhões. Já em relação a novembro de 2012, o IBGE registrou recuo de 0,7%.[aqui eu saio da análise semântica e entro na análise jornalística da coisa. Não vou me dar ao trabalho de abrir sáites e googlar informações para desmentir o que está dito aqui, porque não precisa. Digo apenas que:

1- Para se ter o real espectro do crescimento de outubro para novembro, o texto deveria ter falado da evolução do índice de janeiro até novembro de 2013. Isso ambientaria melhor o comportamento e as oscilações da economia brasileira num intervalo razoável de tempo.

2- O texto ficou tão mal redigido que esse 23 e quebrados milhões ficou solto e perdido. Refere-se ao número de pessoas desempregadas nas seis principais regiões metropolitanas do país [atualização das 20:00: reli o texto mal escrito bagarai e me dei conta de que esses 23 milhões são os EMPREGADOS, ao passo que o milhão lá de baixo são os DESEMPREGADOS. Texto mal-escrito tem dessas coisas: engana até editor-revisor! O_o #PORRAFOLHA!]. Ficou faltando informar quais são essas regiões metropolitanas, e qual o número total de pessoas economicamente ativas (portanto, aptas a trabalhar).

1450845_601867599848981_498426824_n3- Tradicionalmente, a comparação de índices é feita entre o período imediatamente anterior e igual período do ano anterior. Portanto, o índice de desemprego de dezembro de 2013 deve ser comparado com novembro de 2013 e dezembro de 2012. Comparações outras são permitidas, claro – desde que explicado o motivo. Se o único motivo que a Folha tinha para fazer essa comparação era mostrar um recuo de 0,7%, eu começo mentira, já comecei lá na primeira linha a me perguntar sobre a boa-fé das informações contidas nesse texto. Mas voltemos à nutiça:]

O total de pessoas em situação de desemprego (a procura [prometi análise semântica, então vou abstrair esse erro de crase. O certo é à procura de] de um trabalho) recuou 10,9% ante outubro e caiu 6,4% na comparação com novembro, atingindo um contingente de 1,131 milhão de pessoas. [ó só a informação que eu cobrei no item 3 da minha 

observação! Esse parágrafo diz que nas regiões analisadas, há um total de 1,131 milhão de pessoas desempregadas. Mas não informa o total de economicamente ativas. O que o texto diz – de maneira péssima – é que o número de desempregados é menor quando comparado com outubro e novembro deste ano! Mas meu Deus, isso é quase um cenário de pleno emprego! Cadê entrevista com economista pra falar sobre esses índices? Cadê entrevista com geral no IBGE pra falar sobre isso? Ah, peraí que eu vou pôr outra foteenha pra ilustrar esse texto] 

O mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor de antes [masgemt! Como pode? O desemprego lá embaixo do pé, reduzindo-se mês a mês, mas o mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor de antes? E que antes é esse? Qual o período a que o texto se refere?] diante de um cenário de juros mais altos[minha preguiça homérica de googlar Selic me impede de comentar isso aqui. Aumentou a Selic, gemt? Por que eu desconfio de que não aumentou? Ah, já sei: É PORQUE ESSE TEXTO TÁ UMA MERDA!] , confiança de empresários combalida e menor disposição de consumidores em gastar [Aposto um doce como em janeiro teremos o maior consumo evar em épocas natalinas, e empresários felizes da vida com tudo isso que está].

 

 

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Agora tentem me convencer de que acabamos de ler um texto jornalístico de qualidade. Não está fáceo, viu?

PORRA, FOLHA!

Já que a ordem é fazer merda, vamos fazer bem feita? PORRA, FOLHA!

sexta-feira, novembro 8th, 2013

Tanto já foi dito por tantos a respeito desta manchete vergonhosa

folha

que eu só vou falar mais uma coisinha que ninguém falou, de tão escandalizado:

PORRA, FOLHA!!! A VONTADE DE FAZER MERDA ERA TÃO GRANDE QUE VOCÊ ENFIOU VÍRGULA ONDE NÃO EXISTE, É?

EXPLICA DIREITINHO ESSA VÍRGULA DEPOIS DE PRESO, EXPLICA?

(OK, eu explico: sem a vírgula, a manchete diria que o fiscal ficou preso em uma gravação. E, COMO DEVE TER SIDO PROIBIDO MEXER NA MERDA DO TEXTO ANTES DESSA PARTE, nego achou melhor botar uma vírgula pra ao menos tentar deixar a coisa menos pior.)

MAS PUTAQUEPARIU, QUE MERDA DE MANCHETE, CACETE!!!

QUER FAZER MERDA, AO MENOS FAZ BEM FEITO, PORRA!

Bom, então vamos fazer uma manchete pra Folha.

Permitam-me manter a indecência e a falta de vergonha do texto original:

Primeiro, vamos contar os caracteres das duas linhas da manchete:

Prefeito sabia de tudo, diz = 27 caracteres

fiscal preso, em gravação = 26 caracteres (mais um espacinho sobrando depois do o de gravação, vamos contar 27 caracteres.

Que tal se trocarmos para

Fiscal acusa em gravação:

prefeito estava a par de tudo

Fiscal acusa em gravação: – (25 caracteres, com uma letra m fica mais recheadinho)

Prefeito estava a par de tudo – (29 caracteres, mas como não tem a letra m, dá pra espremer

PRONTO, FOLHA! QUER FAZER MERDA, FAZ BEM FEITO, PORRA!

Aliás,

PORRA, FOLHA!

PORRA, PORRA, PORRA!

(Eu até diria que o subtítulo termina com “Kassab diz que não sabia de nada” é a cerejinha do bolo da putaria, mas acho que já disseram isso. Não vou gastar teoria de análise do discurso com uma manchete tão torpe, tão vil, tão vergonhosa).

 

Atualização do domingo, com  o texto ÉPICO da Ombudsman (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsman/138267-sujeito-oculto.shtml) a respeito da manchete. Claro, vou comentar:

A manchete de sexta-feira passada da Folha –“Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação”– induzia o leitor a erro[AH, CEJURA? Mas por que você afirma isso? Manchete tão honesta….]. O prefeito de São Paulo é Fernando Haddad, mas a referência no grampo era a seu antecessor, Gilberto Kassab. [ah, puxa, que bom que cê sabe disso, né? Fico feliz mesmo! O_o]

O título partiu da transcrição de um telefonema em que o auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues dizia que deveriam ser convocados para depor “o secretário e o prefeito com quem trabalhei” [AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH então O PREFEITO COM QUEM ELE TRABALHOU é específico? Tem nome, partido?] , porque “eles tinham ciência de tudo”.

Ronilson foi subsecretário da Receita no governo Kassab e, na atual gestão, foi diretor na SPTrans de fevereiro até junho.[aaaaaaaaaaahhhhhhhhh, então a Folha de SPaulo SABE com quem ele trabalhou?]

O fiscal não cita nominalmente o ex-prefeito, mas é fácil deduzir de quem ele está falando[Cejura? Então, se é fácil deduzir, por que a manchete não “deduziu”?]. Foi na gestão anterior que Ronilson ocupou o cargo de zelar pela arrecadação de impostos, o que lhe teria possibilitado atuar na “máfia do ISS” –esquema de cobrança de propina que pode ter causado um prejuízo de R$ 500 milhões aos cofres da cidade.

“A Folha optou por transcrever a declaração do fiscal de forma literal, já que ele não citou nenhum nome e exerceu funções de confiança tanto na gestão atual como na anterior”[então deixa eu ver se eu entendi: a gestão atual instalou uma corregedoria e tá catando focos de corrupção; demitiu o sujeito assim que descobriu que ele tava mais sujo que pau de galinheiro; a gestão anterior… pera… vamos voltar ao que você, ombudsman, falou lá em cima: é fácil deduzir de quem ele está falando”] , diz a Secretaria de Redação.

O excesso de zelo [Kirida, excesso de zelo é passar protetor solar no rabo. O que a Folha de SPaulo fez não é excesso de zelo, é canalhice, é abrir mão do jornalismo objetivo e preciso e direto para investir em subentendidos, e duplos entendidos. TOME TENTO!] ficou só na manchete, já que a hipótese de que a frase do fiscal pudesse ser uma referência a Haddad não foi explorada na reportagem [OU SEJA: o duplo entendido – que é bem diferente de duplo sentido – ficou restrito à parte do texto que é lida pelos transeuntes, no meio da rua, ou pros leitores de home page, que não clicam no resto da notícia pra ler, né?]]. O “outro lado” foi apenas com Kassab, que classificou as declarações de falsas, mas não cogitou que o fiscal estivesse falando de outra pessoa.[ou seja: NEM O KASSAB TEM CULHÃO DE INSINUAR QUE O FISCAL PODE ESTAR FALANDO DO HADDAD.]

(…)

Lindo, SÓ QUE NÃO!

 

Nós, naõ percisamos de reivsoers revisores capacitados

segunda-feira, outubro 28th, 2013

Imagine-se na seguinte situação: você é o Ministério Público do Estado de Minas Gerais. Seus escritos passam longe do português informal. Você deve seguir a norma culta de forma estrita e indiscutível.

E aí? Como proceder? A prudência recomenda contratar um bom revisor de português (melhor:  mais de um!), né? Afinal de contas, é uma questão de obrigação da formalidade do cargo etc e tal pereré pão duro.

Tá. Aí o Conselho Nacional do Ministério Público se reúne EM PLENÁRIA  para deliberar sobre a contratação ou não de revisores no MP de Minas. E acha por bem não contratar revisores. O argumento poderia até proceder (“nossos funcionários contratados passam por seleção que inclui prova de português, portanto eles têm obrigação de dominar fluentemente o idioma”). Mas ele foi argumentado num texto que deu até dó mentira, soltei boas gargalhadas de ler:

(Vou inserir ao final deste post as imagens do PDF referente ao texto cometido, que é pra vocês não pensarem que isso é invenção minha. Mas aqui embaixo vou copiar na base do CTRL+C/CTRL+V o texto tal qual foi escrito, e vamos às canetadas:)

– A competência para o trato linguístico não constitui atribuição exclusiva dos servidores graduados em letras, [data vênia, meritíssimos, mas eu discordo. A competência para o trato linguístico constitui, sim, atribuição de profissional graduado em Letras, cuja honra venho defender neste tribunal. Tal profissional terá especial atenção para detalhes que passam depercebidos de boa parte dos usuários da norma culta e padrão do português. E provo isso! Querem ver?] nem tampouco [<— PROVA Nº1: as conjunções nem e tampouco são sinônimas. Isto posto, dispensa-se o uso de ambas numa mesma frase. Seguidinhas, assim, então, melhor nem comentar… detalhes desse nível se destacam aos olhos de um bom revisor formado em Letras (cuja honra venho defender neste tribunal). Mas prossigamos com o textoAnalistas. A própria aplicação da língua portuguesa, [APRESENTO-LHES A PROVA Nº2: sujeito e predicado não devem ser separados por vírgula. Embora seja regra apresentada à exaustão no ensino básico, é o tipo de detalhe que qualquer pessoa pode cometer ao redigir um texto – até mesmo revisores. Mas a leitura atenta de um bom revisor, formado em letras, cuja honra venho defender neste tribunal, reconhecerá esse errinho, bobo porém grave segundo as regras da norma padrão.]  mostra-se fundida [<— PROVA N 3: Senhores meritíssimos, pelo amor da Data vênia, mas mostra-se fundida é uma expressão muito feia, por remeter a uma terrível expressão de baixo calão que deve ser sumamente evitada em textos compostos em norma padrão (ai, deu até vergonha)! Mas detalhes desse tipo não passam despercebidos de um bom revisor formado em Letras, cuja honra tá parei] … em toda e qualquer [<— PROVA Nº4A] atividade exercida nas dependências do Ministério Público.

– Concentrar toda e qualquer [<— PROVA Nº4B: a expressão toda e qualquer foi repetida no intervalo de apenas uma linha. Um bom revisor, formado em letras, cuja honra venho defender etcetcetc, presta atenção a firulas como a destacada, e substitui uma das expressões, de forma a manter os mínimos padrões de estilo de um texto que por obrigação segue os preceitos da norma culta] análise de correção de linguagem no universo da produção documental do Ministério Público de Minas Gerais em um número limitado de servidores com formação em letras inviabilizaria por completo [rufar de tambores….] a prestação a prestação [<— PROVA Nº5: queridos e excelsos magistrados. Vou concordar com Vossas Excelências na argumentação (ainda que discorde), só para poder lhes perguntar o seguinte: CARAMBA, ATÉ REVISOR DO WORD DETECTA REPETIÇÃO DE PALAVRAS!!!! COMO VOCÊS PUDERAM DEIXAR PASSAR UM ERRO DESSES?!?!?!?!?!?!?!] dos serviços aos quais se destina.

– No caso vertente não há desvio de função caracterizado, nem cargos de Analista vago[PROVA Nº6: os cargoS de Analistaø (isso aqui é um morfema zero, que indica o singular na língua portuguesa, mas isso Vossas Excelências não precisam saber. Basta um bom revisor…. daqueles, sabe? Isso! Formado em Letras! etcetcetc cuja honra e tudo o mais) mas onde eu tava mesmo? Ah, sim! Segundo a norma culta, a concordância do sintagma destacado deveria ser oS cargoS de analistaø vagoS, pois vagoS concorda em número com cargoS, e não com analistaø, pelo que todos os cargos criados foram devidamente preenchidos.
– Em cumprimento a [<– PROVA Nº7: Ah, Meritíssimos…. ninguém passa incólume a um errinho de crase, né? Basta aplicar a regrinha básica aprendida na escola, e substituir em cumprimento a resolução por em cumprimento ao que foi decidido, e veremos a presença da combinação de artigo mais preposição, motivo pelo qual o a destacado de vosso excelso texto deveria ter sido craseado. Mas, ó: um bom profissional de revisão (daqueles, sabe? Formados em Letras…) entende direitinho a regra da crase, e há muito deixou de usar macetinhos que o cidadão comum usa para fazer prova de vestibular. eles entendem a regra e sua aplicação de acordo com a norma culta. Entenderiam, neste caso, que o a faz uma conexão e uma especificação (especificação das mais especificantes, daquelas que recebem número e tudo o mais!), e essa dupla função lhe garante o acento grave indicador da crase. Mas isso um bom profissional de revisão etcetcetc cuja honra etc saberia etcetcetc]  Resolução CNMP nº 60, já existe PCA específico com vistas a analisar os planos de cargos, carreira e salários com regras claras para cada cargo.

 

MPMG

MPMG2

 

E vou parar por aqui. O documento tem mais 20 páginas, mais ou menos, mas esses paragrafinhos que precisaram de POUQUINHA revisão (olha a quantidade de texto original, em vermelho, e a quantidade de texto em azul, com meus comentários exorcizantes, e vocês perceberão que a revisão foi POUCA. E em CINCO – eu disse CINCO – parágrafos).

Data venia, juro por Deus que eu sou inocente. Não jurei nem rezei esse texto pra ser mal escrito. Ele já chegou ao meu e-mail assim, prontinho.

Mazó: se o MP de MG ai, ficou bonitinho escrito assim, não? Parece cosme e Damião! ♥ precisa de revisor nesse tanto eu não sei (os excelsos meritíssimos mineiros ao menos têm a humildade de aceitar o fato de que dominar as firulas da norma culta não é pra qualquer um). Mas o Conselho Nacional do Ministério Público, esse sim, coitado, tá precisando de um bom revisor profissional com formação em Letras, cuja honra cabei de defender neste tribunal…

(Mais posts desse nível e eu serei obrigada a criar uma nova categoria no blog: Vergonha Alheia)

Vamos todos morrer mesmo versão estilos artísticos

terça-feira, setembro 24th, 2013

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Depois do Grande Gatsby sombril da Folha, é a vez de o Destak (aquele jornalzinho – foco no inho- distribuído nos sinais das grandes cidades brasileiras) dar sua derrapada na revisão:

Barroco, barraco, qual é a vogal que vai duas vezes, mesmo, hein?

Beijo pra Hillé do Manual Prático de Bons Modos em Livrarias, de quem eu adquiri a fotenha.

Didática do Trauma nº6: Marconi Perillo ensina por que você não deve confundir este com esse

domingo, maio 19th, 2013

É assim:

Este, esta e isto são pronomes demonstrativos referentes à própria pessoa que está falando, ou a coisas de propriedade da pessoa que enuncia a frase. Exemplo:

Você aponta para o seu filho e diz: “Este é o meu filho”. 

Esse, essa e isso são pronomes demonstrativos referentes à pessoa a quem o enunciador da frase está falando. Exemplo:

Você aponta para o filho do seu amigo e diz: “Esse é o seu filho”.

(Tá, eu sei que existem várias outras hipóteses corretas a serem empregadas na frase acima com esse e este, mas atenhamo-nos por enquanto a essa observação genérica daí de cima.)

Ainda tá difícil? Complicado? OK, concordo contigo. Vamos pegar um exemplo mais prático.

Imagine que você é um advogado. E recebeu uma acusação contra a empresa que você defende. O texto, redigido pelo advogado de outra empresa, diz:

Esta empresa não cumpre com seus contratos! Esta empresa é corrupta! Esta empresa está inadimplente! etcetcetc.

Você redige sua defesa pura e simplesmente:

Sr. Juiz, nada temos a fazer se o  digníssimo advogado da outra empresa resolveu acusar a própria empresa para a qual ele trabalha.  Não tenho nem como encerrar minha defesa, posto que não foi necessário iniciá-la.

O que é mais ou menos o que aconteceu ontem com o digníssimo (cof, cof) governador goiano (que me perdoem os goianos se esse adjetivo soou pejorativo) Marconi Perillo.

perillo

Prezado governador Perillo: devemos convocar CPI pra apurar a sua denúncia contra seu próprio governo?

Por que o senhor se considera um canalha? Sua mãe concorda com o senhor?

Por que o senhor fala de si na terceira pessoa? O Sr. também vive a dicotomia Edson/Pelé? 

Enfim, não vou me dar ao trabalho de ofendê-lo. O senhor sabe fazer isso sozinho.

E você, ameba: traumatizou? Ah, vá! Mais um trauma didático! 😀 \o/

Então, lembre-se da cara do Perillo na hora de usar S ou T e falar/escrever este/esse de forma adequada.

De nada. (mas agradeço ao Luis Carlos pela imagem oferecida no fêice! 😀 )

Depois de ler a legenda dessa foto…

sexta-feira, maio 3rd, 2013

… você vai poder dizer: “já li de tudo nessa vida”.

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… que por onde passou chamou a atenção de todos.  Tô achando que o repórti da Veja São Paulo anda frilando pros jornais de Viçosa…

De nada. (ou “Queira me desculpar pelo inconveniente”, o que você achar mais apropriado)

O processo de LadiDianificação de Fernando Haddad

segunda-feira, abril 15th, 2013

Zifio, vá estourar muitas pipocas, porque esse texto vai ser longo. Mas eu prometo que você vai saborear cada palavra dele! 😛

Vejinha São Paulo causou muito ontem. E se você pensava que o must do domingo foi Sophia Alckmin com a declaração

sophia

você se enganou rotundamente! Isso daí é pinto perto da reportagem cometida por Maurício Xavier (que eu já suspeito ser Lucas Celebridade disfarçado!)

Com o título “O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad” e o subtítulo “Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre”, a coisa (permitam-me o uso desse substantivo genérico. Grata.) abre com essa montagem medonha, que prenuncia algo entre o brega e o inacreditável. O texto se concretiza ora como um post de Lucas Celebridade, ora como pauta de tabloide britânico que vai escarafunchar todos os microdetalhes da vida de um anônimo recém-alçado à fama. Mais ou menos como fizeram com Lady Diana Spencer.

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De fato, esse texto me consumiu muito ontem. A princípio, achei q foi obra de hacker petralha pra acabar de vez com a reputação da Veja. Sua leitura foi quase sadomasoquista. eu me revezava entre a gargalhada histérica e inúmeros facepalms de profunda vergonha alheia do texto cometido. Mas depois de superar o sofrimento e os julgamentos morais, descobri um grande prazer proibido nessa reportagem. É que o texto tá que nem a novela Salve Jorge: tá tão ruim, mas tão ruim, que ficou ótimo! E o lance é multimídia, porque as foteenhas também são de um primor que nos leva quase ao Nirvana.

Daí que eu decidi não mais sofrer de vergonha alheia com esse texto, me entreguei à sua alma e venho aqui partilhar com todos vocês os prazeres proibidos de um texto ruim. E Não, não sofram com manipulação política! Isso é coisa tão pequena diante da grandeza desse texto, que não vale a pena mesmo! Venham comigo que eu lhes guio por esse mundo novo de prazer pelos caminhos de satanás ah, deixa prá lá.

Então, pegue um guaraná pra acompanhar sua pipoca e vamos lá:

O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad

Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre [esse subtítulo foi uma tentativa de transformar o prefeito de São Paulo numa espécie de Grande Síndico da Afonso de Freitas. Vamos acompanhar, porque o texto não consegue provar sua tese]

12.abr.2013 por Mauricio Xavier [é você, Lucas Celebridade? Beijo na alma, seu lindo!]

Na noite de 27 de janeiro, uma bomba movida a óleo diesel instalada pela Sabesp trabalhava em velocidade máxima para drenar um vazamento na Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, na altura do número 687. Sem conseguir dormir por causa do barulho ensurdecedor, um grupo de vizinhos apelou para as autoridades: tocou o interfone de um apartamento no 11º andar do Edifício Panorama, que fica ali nas redondezas.[Nossa, que primeiro parágrafo cheio de loucas aventuras e emoção! Mas quem será o morador do 11º andar do Edifício Panorama? Super-homem? Batman? Homem Aranha?]

O endereço não abriga o escritório da companhia de água e esgoto do estado, mas a residência do prefeito Fernando Haddad. [aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, meu herooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii desculpem, esse texto é puro êxtase.] Alertado, ele deixou o prédio por volta das 6 da manhã e desceu um quarteirão para constatar a balbúrdia provocada pela máquina [Primeira falha do texto: não descreveu os trajes do prefeito nesse momento. Ele trocou de roupa? Foi de pijama mesmo, ou ao menos pôs um roupão por cima? Ou às seis da matina ele já estava acordado, lépido, fagueiro e sempre alerta a zelar pela cidade de Metrópolis Gotham City Nova Iorque São Paulo?] . “Em poucas horas apareceu uma tropa de funcionários e, no fim do dia, tudo estava resolvido”[…e todos viveram felizes para sempre!], lembra o autônomo Ricardo Rosales, que teve sua casa alagada.[… menos o zifio em questão, que teve a casa toda alagada. Ah, Haddad, que coisa feia, seu culpado!]

O episódio mostra como mudou a rotina da pacata via da Zona Sul [A frase definiu uma rua de são Paulo como pacata. Daí dá pra tirar o que nos aguarda…] desde 1º de janeiro, quando um de seus moradores assumiu o comando da cidade. O vizinho ilustre é assunto recorrente nos bate-papos de padarias, salões de beleza e pontos de táxi[Mas é claro! Se a rua é pacata, funciona como uma pequena cidade do interior, onde todos se conhecem e tomam conta da vida uns dos outros. Mas será que eles serão bem-sucedidos na tarefa de tomar conta da vida do prefeito? Vamos acompanhar!] . Durante a campanha eleitoral, a presença constante de fotógrafos e jornalistas por ali já indicava que a vida naquele lugar não seria mais a mesma. E foi o que aconteceu.

Pouco mais de dois meses depois da posse do prefeito, dezenas de ciclistas se reuniram na frente do seu prédio para um ruidoso protesto por mais segurança. Na ocasião, Haddad não estava presente. Seu filho, Frederico, de 20 anos, acalmou a multidão com a promessa de que o pai os ouviria em breve[EXTRA! EXTRA! Temos uma notícia (oi?) aqui: o filho de Haddad, o Sucessor do pai, também tem vocação em liderar multidões! E isso é tudo o que ele faz na rua onde mora…] “Se querem reclamar, por que não vão até a prefeitura?”, diz Lígia Chedid, do apartamento 32 do Panorama. [Guarde esse nome: Lígia Chedid. Vai ser necessário mais adiante…]

O edifício transformou-se no epicentro desse frisson [o epicentro do frisson. Uau, que tudo!] . Os moradores ainda ficam impressionados ao cruzar com algumas figuras conhecidas no corredor[Gemt, o edifício Panorama está a-con-te-cen-do socialmente!] . “Há poucos dias vi a ex-prefeita Luiza Erundina entrando pelo saguão”, conta a síndica Roseli Rodrigues. O próprio Haddad é abordado com sugestões para a gestão — a maioria de envergadura similar a “arrumar a calçada da frente”.[a envergadura de arrumar a calçada da frente. SIm, eles escreveram isso…]

[Agora concentre-se, pois vou exigir muito de sua imaginação. Pare de comer suas pipocas e leia o próximo parágrafo com muita atenção] Não raro, há quem exagere nos pedidos. No mês passado, por exemplo, uma reunião de condomínio debatia animadamente a possibilidade de solicitar ao prefeito a antecipação do horário de recolhimento do lixo no bairro, mudando a regra que vale para toda a cidade. Motivo? Otimizar a escala de trabalho de um funcionário. [Agora respire fundo, bem lentamente. Depois, expire fundo mais lentamente ainda. Repita esse processo mais duas vezes, e bem calmamente tente imaginar a cena descrita acima: dez ou quinze pessoas discutindo o que fazer com os cestos de lixo do prédio, e o tamanho da responsabilidade do prefeito acerca do assunto. Imaginemos que a aposentada do terceiro andar, aquela dos gatos, foi quem sugeriu a troca de horários, e a ideia foi acatada por todos os desocupados do prédio. Agora imagine o gerente de vendas que mora no sétimo andar (e que age como se fosse CEO da empresa) afirmando categoricamente que não tem nada a ver esse lance de regra, já que o prefeito é vizinho, e ele tem poderes especiais. Vou assumir que nenhum dos moradores do 11º andar estava presente, caso contrário já teriam feito a sugestão diretamente pra mulher do Haddad]

“Eu expliquei que era inviável e, mesmo assim, sugeriram que ele poderia abonar a multa”, diz Roseli Rodrigues. Nada disso aconteceu.[aí chega a síndica e chama todos de volta à razão, e o seu transe acabou. Essa síndica tem noção de mundo, muito racional. quase um peixe fora d’água nessa história. Num curti ela, não!]

 Morador do prédio há vinte anos, Haddad era síndico em 2002, quando tentou, sem sucesso, comprar o terreno ao lado para ampliar as vagas da garagem[PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARA O MUNDOOOOOO!!! HADDAD FOI SÍNDICO! E o repórter não arranjou UMA VIV’ALMA SEQUER pra acusá-lo de ser ladrão! (porque, né? Reunião de condomínio é um evento cármico-cósmico cuja conexão holística com o universo se dá no momento em que um dos condôminos chama o síndico de ladrão!)] . Sua “obra de vulto” à época envolveu a implantação de uma academia de ginástica [OK, dou um tempo pra você gargalhar com o “obra de vulto”. Não, não se irrite com isso, não vale o fígado. Ria, mas ria muito. E guarde essa informação da acadimia assim como você guardou a informação de dona Lígia.] . A proximidade com o paulistano famoso também serviu para criar uma fervorosa base eleitoral. No segundo turno da disputa para a prefeitura, Haddad teve apenas 28% dos votos no distrito da Vila Mariana, que engloba o bairro do Paraíso, tradicional reduto do PSDB.[Agora vocês tentam me explicar essas duas últimas frases. ele conquistou eleitorado ou obteve pífios 28% dos votos na Vila Mariana?]

Agora, vamos reunir as informações Dona Lígia + Acadimia do sindicão e deixo com vocês a foteenha abaixo pra vocês se deliciarem. Não se apressem em passar por ela.

Dona Lígia causando na acadimia

Dona Lígia causando na acadimia

CALMA, DEVAGAR! Não se apresse em definir o melhor dessa foto. Faz assim: eleja um detalhe de cada vez como seu preferido, e siga em frente. E, se você mora em são Paulo, vá logo rezar um padre nosso e uma ave-maria pela alma da vice-prefeita Nádia Campeão, porque dona Lígia era uma espécie de Nádia Campeão do Edifício Panorama. A legenda original da foto diz que:

Síndico em 2002, o hoje prefeito deixou seu legado para o prédio onde mora:  [Atenção para o legado de Fernando Haddad no edifício Panorama:] uma academia de ginástica, o principal orgulho de seus vizinhos [O point onde dona Lígia acontece socialmente. Oi, cabô suas pipocas? Vai estourar mais, porque não cheguei nem à metade!] . “Ele ainda planejava construir um jardim na entrada, mas aqui só mora idoso, ninguém quer aprovar nada”[A oposição do Edifício Panorama é muito passivona! ninguém aqui aprova nada! Nem minha roupitcha de ginástica!, reclama Lígia Chedid, que ocupa o apartamento 32 desde 1979 e atuou como conselheira (são três, segundo o estatuto) durante a “gestão Haddad” no Edifício Panorama. (Foto: Lucas Lima) [aí Lucas, tá de parabéns essa foto! Não sei se você sugeriu à Dona Lígia a pose e ela aceitou fazê-la prontamente, ou se foi dona Lígia que lhe sugeriu a pose e você aceitou a ideia prontamente. Imaginei ambas as situações e senti o mesmo medo.]

[Mas voltemos ao texto! Temos mais fotos, mas vamos beeem devagar! Prá quê pressa?] O cenário [de medo, pavor, classemédiasofrismo e um vizinho querendo aparecer mais que outrono Panorama, onde vive com sua mulher, Ana Estela, e os dois filhos, foi diferente.[detalhe: o texto volta a falar da votação de Haddad no microcosmo Panorama] “Achava que nunca apoiaria o PT, mas mudei de ideia com o Fernando”, afirma a aposentada Maria Aparecida Sallum. “Votei no partido pela primeira vez na vida”, diz Lígia Chedid[Mas cejuuuuuuuuuura, dona Lígia? Olha, num tem quem diga, viu?] . No comércio local, o prefeito é figura carimbada[Opa! A vizinharada já se exibiu até não poder mais à Veja, hora de estender a Vergonha Alheia à rua! E nada melhor pra mudar de ares do que usar um clichezão básico, né?]. Na Padaria Cecilia, costuma sentar-se ao balcão para traçar um sanduíche de queijo com mortadela e uma xícara de café. “Ele é simpático, conversa, mas o acho um pouco tímido”, conta o gerente Gerenaldo Lima. [Momento nhóim: Haddad é simpático, mas tímido. Uma verdadeira Lady Diana da Vila Mariana, gente! E pelamordedeus, ignorem o nome do gerente.] 

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA O must da foto é a cara de orgulho com que os dois exibem a noiva digo o sanduíche. De novo, Lucas Lima: tá de parabéns a foteenha! (O Gerenaldo é o da esquerda, antes que perguntem. O da direita é o dono da padaria)

A poucos metros dali, a Sapataria Veneza ostenta calçados da família pelas prateleiras[esse é um dos meus trechos preferidos! Acompanhemos] . No último dia 2, uma das botas da primeira-dama estava na fila do serviço [E ZÁS! TEMOS OUTRA INFORMAÇÃO RELEVANTE! O Filho contém multidões e a mulher leva botas para serem consertadas na esquina! Gente, como a família Haddad é um manancial de notícias relevantes, não?]. “Os sapatos dele são engraxados a cada três semanas”[num disse? num disse? Já imagino as manchetes: “Haddad engraxa os sapatos a cada três semanas e come de forma tímida um sanduíche de mortadela” <– ó a perfeição da manchete!!!], diz o sapateiro Edson Silva. Outro ponto já requisitado foi a Oficina Mecatron. “No ano passado, eles deixaram um Toyota Fielder para trocar a bateria, por 200 reais”, lembra o dono Cesar Parra.[TERCEIRA INFORMAÇÃO RELEVANTE DO TEXTO! O prefeito teve que trocar a bateria do carro! E aqui o repórter falha fragorosamente na comparação de preços! Quanto custaria a troca de uma bateria na Zona Leste, reduto petista? Essa bateria do carro do Haddad equivale a quantos quilos de tomate? Tá, parei].

Momento foteenha: o sapateiro e a bota de Dona Estela.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

[Aí você deve estar pensando assim: como é que esse texto vai acabar? Eu também pensei nisso. Sofri com isso, até. Tá faltando algum ingrediente nesse troço, né? Senão, vejamos: temos tomação de conta da vida alheia, vizinho babando ovo, vizinho querendo aparecer mais que outro… tá faltando intriga e fofoca, né?

Pois então eu te conto que esse texto concluiu-se de forma tão épica que só me resta chorar de emoção:]

Mas nenhum estabelecimento da área tem mais recordações que o Salão Primus, onde o prefeito cortou o cabelo por dezenove anos. Na campanha eleitoral, entretanto, o então candidato passou a frequentar o badalado Celso Kamura, na Rua da Consolação. A decepção pela perda do cliente é grande. Tanto que a data da última visita está na ponta da língua: 3 de janeiro de 2012. “Espero que ele volte um dia”, suspira o dono André Ribeiro. “Notei pela televisão que Haddad perdeu cabelo nos últimos tempos, está com entradas. É bom ficar atento.”

[barbeiro recalcado por perder o cliente para Celso Kamura denuncia: Haddad tá ficando careca! É-PI-CO! SIMPLESMENTE É-PI-CO! Mal posso esperar pelo comentário de Celso Kamura a respeito. E olha que desde o blazer rosa chiclete Ping Pong que o Kamura tá calado, vem bomba por aí…]

 

Moral da história: o prefeito, que começou a ser apresentado como um síndico da rua Afonso de Freitas, acabou traçado como uma pobre e indefesa criatura, tímida às vezes, mas que é o herói dos vizinhos (à exceção de seu André da Barbearia, mas deixa pra lá, né?).

O texto não foi bem sucedido em outras duas frentes: falar sobre a Carolina e Sticky, respectivamente filha e cachorro de Haddad. E olha, faltou um cachorrinho cuticuti nesse texto! O Lucas Lima bem que podia ficar à espreita pra ver se os donos do Sticky catam o cocô da rua ou deixam na calçada pros outros pisarem! Uma pauta e tanto, lamentavelmente perdida!

E lembrem-se, moradores da rua Afonso de Freitas:

Com Veja [pausa dramática de cinco segundos] VOCÊ ACONTECE EM SÃO PAULO!

 

O advento do último dia de abril

sexta-feira, março 1st, 2013

Queridos encostos,

Vou ensinar um feitiço pra ninguém nunca mais errar a quantidade de dias de cada mês.

 

Façam assim:

1- Fechem a mão direita como se fossem dar um soco em alguém.

2- Agora reparem o “nó” de osso que liga os dedos à mão. e repare que entre dois “nós” de osso tem um “vale”.

3- Comece a contar janeiro a partir do nó do dedo fura-bolo, e fevereiro será contado no “vale” à direita.

4- O “nó” do mindinho é o mês de julho.

5- E agora, Madrasta, cabô a mão, o que eu faço? – volte pro nó do fura-bolo e conte de agosto até dezembro.

6- Todos os meses contados nos nós dos dedos têm 31 dias. Os meses dos vales têm menos de 31 dias (30 ou, no caso de fevereiro, 28 ou 29).

 

Agora, vamos todos fazer esse feitiço juntos pra exorcizarmos o 31 de abril do Correio Braziliense!

(Mas antes eu agradeço ao Constâncio Viana Coutinho, que compartilhou a teteia (sem acento) no Facebook)

abrilCB

Vambora, conta com a ajuda de todos! /o\

Querido Fantástico….

segunda-feira, fevereiro 4th, 2013

Você está fazendo isso MUITO errado…

(Via Maristela Alves, no Facebook)

fantastico

Anônima só que não

quinta-feira, novembro 22nd, 2012

Antes de mais nada, peço milhões de desculpas à pessoa que me enviou esta teteia. Eu fiquei empolgadíssima pra postar, mas estava enrolada, copiei a imagem no meu desktop e simplesmente me esqueci… E me esqueci de tudo: não só de fazer o post como quem foi o dileto ectoplasma suíno que me enviou a imagem!

Então, meu caro / minha cara: se foi você, manifeste-se, por favor! Autorizo-lhe, inclusive, a me dar algumas chibatadas… 😀

Mas vamos ao que interessa:

Impossível não amar a imprensa brasileira, gente!

Essa coisa maravilhosa (por favor, refiro-me ao texto! A notícia é tenebrosa, credo-cruz!) que eu vou mostrar pra vocês veio da cidade de Viana, no Espírito Santo.

Acompanhem o drama:

A tia, Luciana Batista Moreira, de 32 anos, teve a identidade preservada. Só que não…

Parabéns aos envolvidos! \o/

A Essência do preconceito 2 – a missão

domingo, novembro 11th, 2012

A Veja desta semana superou-se no quesito vamos escrever bosta

O artigo de JR Guzzo tá… OK, vou me abster de comentar a qualidade desse troço. Vou PROVAR.

A Lele do Te dou um dado? atinou para um detalhe do texto:

 

Eu já havia feito isso com um discurso da Miriam Rios, há mais de ano, lembram?

Então, faço novamente. Vou substituir homossexual por negro; homofobia por racismo, e por aí vai. Todas as substituições estarão destacadas em negrito e vermelho.

Vou colar o texto original e o “adaptado” pra você poder comparar. E vou marcar como cortado partes do texto que citam casos factuais, nas quais a mera substituição não faz muito sentido, ainda que não perca de todo o valor (por exemplo: o texto fala do kit gay, e cita Oscar Wilde como homossexual, na substituição ele virou negro. A coisa não faz sentido, mas ainda assim ajuda a ilustrar. Nesses casos, cortei sem eliminar o texto. E olha que eu cortei pouco, viu?

Mas se você quiser desmerecer o texto pelo caminho mais fácil, faça como o Cardoso, e jogue a história da panela Tefal no Google.

Vamos lá?

Primeiro, o texto original, com os devidos destaques:

*****************

Parada gay, cabra e espinafre

Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser homossexual era um problema. Não é mais o problema que era, com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o homossexualismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao homossexualismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit gay” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que a atração afetiva por pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa gay” no país) fez insinuações agressivas quanto à masculinidade do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é gay, ou apenas pró-gay, ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o homossexualismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas gay é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do homossexualismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas, como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida gay, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade; divide, quando deveria unir. O kit gay, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao homossexualismo, e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os homossexuais devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa gay tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade gay” é que a “comunidade gay” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento gay” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os homossexuais, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Tem opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são suas preferências sexuais – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade heterossexual” para agrupar os indivíduos que preferem se unir a pessoas do sexo oposto. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.

Outra tentativa de considerar os gays como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50.000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos. Os homossexuais são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os heterossexuais; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra gays? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Não há proveito algum para os homossexuais, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra “homofobia”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do homossexualismo, como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa gay”. Ainda no mês de junho, na última Parada Gay de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270.000 manifestantes, e que apenas 65.000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de “homofóbica”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito” – mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o homossexualismo é considerado “homofóbico”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas do mesmo sexo podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os gays, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento gay serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Homossexuais podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Têm de respeitar a “legítima”, que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar a “homofobia” em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos gays, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização da homofobia” é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com a homofobia? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o homossexualismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Os gays já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser homossexual; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1.000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, homossexuais iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas gays ou projetos de lei contra a homofobia, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os homossexuais não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tornou possível aos gays, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de sexo.

Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.

*******

Agora, o texto “adaptado”:

 

Parada negra , cabra e espinafre

Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser negro era um problema. Não é mais o problema que era, com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o racismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao racismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit racial” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que gente de cor negra  é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa negra” no país) fez insinuações agressivas quanto à raça do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é negro, ou apenas pró-negro, ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 [Obs.: Esse é o crime citado no texto original, referente à injúria. O crime de racismo é a  lei 7.716/1989, também conhecida como lei Caó, que tornou o racismo crime inafiançável]  do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o racismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas negros é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do racismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas, como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida negro, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade; divide, quando deveria unir. O kit racial, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao racismo , e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os negros devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa negra tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade negra” é que a “comunidade negra” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento negro” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os negros, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Têm opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são sua raça – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade branca” para agrupar os indivíduos que não são negros. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.

Outra tentativa de considerar os negros como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 negros foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50.000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os negros; é a violência contra todos. Os negros são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os brancos; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra negros? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Não há proveito algum para os negros, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra racismo”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do racismo , como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa negra”.Ainda no mês de junho, na última Parada Negra de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270.000 manifestantes, e que apenas 65.000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de racista”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito” – mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o racismo é considerado preconceituoso”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de negros, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de negros, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Negros se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas de duas raças diferentes podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os negros, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento inter-racial serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Negros podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Têm de respeitar a “legítima”, que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar o racismo em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra negros que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos negros, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização do racismo é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com o racismo? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o racismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Os negros já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser negro ; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1.000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, negros iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas negras ou projetos de lei contra o racismo, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os negros não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tornou possível aos negros, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de raça.

Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.

 

Enfim. AVALIEM.

(Começo a sentir falta de uma categoria “Cejura?” aqui no blog. Da última vez que isso aconteceu, nasceu a “PORRA, FOLHA!” que, coitada, desta vez tem nada a ver c’a parada…)

E viva Carlão!!!

quarta-feira, outubro 31st, 2012

Se vivo fosse, Carlos Drummond de Andrade completaria 110 anos hoje.

Já publiquei aqui no caldeirão os votos sinceros de ano novo que ele outrora desejou. Mas não posso deixar a data passar em branco. Então, hoje publico minha preferida dele (e destaco o trecho que mais me arrupia!)

Divirtam-se! 😀

PROCURA DA POESIA

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Títulos perigosos

terça-feira, outubro 23rd, 2012

Queridos jornalistas e políticos de cidades com nomes que sugerem um duplo sentido (Ponta Grossa, Curralinho, Pau Grande, Rolândia etcetcetc):

Muito cuidado com os títulos de redações que envolvam a cidade.

Porque uma hora ou outra vocês fazem um troço desses

E nem se dão conta do que aprontaram…

(Com agradecimentos ao dileto ectoplasma suíno Fábio Mantovani, que enviou a diliça daí de cima via Twitter…)

Por que me ufano de Merval Pereira

segunda-feira, outubro 22nd, 2012

Aqui neste blog ninguém fala mal de Merval Pereira!!! Eu não deixo!!!

Um cara que me garante média máxima em Introdução à Linguística não deve ser blasfemado!

Tudo começou no ano passado, com o quiproquó do livro do Mec, lembram?

Resumo da ópera, em uma frase e uma imagem: Oposição (mais Merval e Sardenberg) chiaram com a publicação do conteúdo da imagem abaixo porque nos microneurônios deles isso aqui é ensinar o aluno a falar errado:
(só mais uma informaçãozinha: esse livro é destinado ao ensino de Jovens Adultos)

Daí que Carlos Alberto Sardenberg resolveu pedir a Merval que tecesse seu sábio comentário a respeito desse livro.

E foi esse comentário que eu e minhas colhégas apresentamos como trabalho final do curso de Linguística. Tiramos dez.

Mas o que que você fez, Bruxa?

Eeeeeeuuu? Ah, fiz nada de mais, não!  Só editei um videozinho… 😀

 

Ou seja: NÃO FALE MAL DE MERVAL PEREIRA AQUI NESTE CALDEIRÃO!!!

Cada blog tem a Nicole Bahls que merece, néam? 😉

(Se você quiser saber um cadim mais a respeito de língua padrão e língua não-padrão, dê uma passad’olhos neste texto aqui.)

Acuma?

segunda-feira, outubro 22nd, 2012

Nessas horas só repetindo Didi Mocó, viu?

Olha aqui o que encontrei Facebook afora. Descrição de uma empresa:

 

Empresa oferece soluções inteligentes para a tomada de decisões na gestão de negócios e disponibiliza informações relevantes com dados atualizados que auxiliem na otimização dos resultados de negócios.

Não é vegetal, não é mineral, não é animal. É informática. Mas não sei se isso faz bem ou mal.

Também não sei se com essa descrição estapafúrdia consegue vender o borogodó dela.

Alguém tem ideia do que seja isso? (Eu chuto Data Warehouse. Um trem que poucos conseguem dizer pra que serve. Pior que o mineirinho da piada – quemcossô? oncotô? Proncovô?)

Inimiga da HP

quinta-feira, outubro 18th, 2012

Daí o estagiário da HP foi mexer na página que recompensa quem compra cartuchos originais da empresa pra suas impressoras.

O chefe disse “troca recompensa por prêmio, que fica mais claro”.

… e fez-se a bosta:

 

Resultado: eis aqui mais uma inimiga da HP – E PAGODEIRA É A MÃE!!!

Aleluia!!!! \o/

quarta-feira, outubro 17th, 2012

Mais um milagre das redações! Conseguiu deixar viva uma sobrevivente!!!

E ó: ainda bem, viu?

Grávidas sobreviventes mortas, quando existem, costumam ser insuportáveis….

 

Um beijo pro jornal de Teófilo Otoni que nos brindou com tão maravilhosa pérola!

PUTA. QUE. PARIU.

terça-feira, outubro 2nd, 2012

Imagine a situação:

Você é professor de português. Toca o seu celular. É um repórter de um jornal querendo dicas para os vestibulandos estudarem pereré pão duro blablablá whiskas sachê aquela história toda.

Você para tudo o que está fazendo e, solícito, atende o repórti e diz a ele tudo o que ele quer ouvir.

No dia seguinte, você abre o jornal e encontra issaqui:

 

Comcorda? O_o

Qual a sua reação?

esta!

(A minha foi a exclamação que intitula o post).

 

PORRA, TRIBUNA!!!

A Língua de Eulália – o livro é chato, mas o tema é muito importante!

quinta-feira, setembro 13th, 2012

Fiz essa resenha como trabalho de Linguística. Mas comecei a discutir o assunto no Twitter, e resolvi trazer esse texto à tona.

Desafio você, aluno ixperrrto, a copiar este texto e entregar ao seu professor. Vais ver porque eu sou uma bruxa…

Enfim. A ideia (que falta que faz esse acento…) é a seguinte: mostrar ao público leigo que frases como os livro é bonito ou pronúncias como trabaio não são português errado, mas variação de uma língua cuja evolução do Latim não se estagnou, ainda prossegue – e é consequência de um país de dimensões e culturas continentais.

O assunto é sério, e rende pano pra manga, discussão, polêmica, quiproquós e tudo quanto é expressão clichê pra designar arranca-rabos de grande magnitude. Que o digam o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e o livro didático Viver Aprender, lançado por seu Ministério no ano passado.

O sentido de falar certo e falar errado está mais do que arraigado no subconsciente dos brasileiros e, sem que as pessoas percebam, é uma forma de expressar preconceitos outros: de classe, de raça, geográficos…

Há quem tenha calafrios ao ouvir a frase já citada: os livro é bonito. “A regra é clara”, diriam os arnaldos césares coelhos da Língua Portuguesa: todas as palavras flexionáveis da frase devem concordar em número entre si. Portanto, artigo, substantivo, verbo e complemento nominal devem obrigatoriamente estar todos ou no singular ou no plural. Caso contrário, é errado. O corretor gramatical do Word é minha prova de que até softwares são adestrados a identificar os livro como errado, pois todas as ocorrências da citada expressão neste texto foram sublinhadas em verde pelo programa.

Mas com um pouquinho de metodologia percebe-se na frase errada um critério, uma norma: só a primeira palavra do sintagma ganhou um ésse, e isso já basta para transmitir a informação de plural. Regra diferente, e que é seguida, ainda que instintivamente, de norte a sul deste país, por quem fala português errado. É o que os linguistas chamam de variação linguística. Não caracteriza erro ou ignorância, apenas o emprego de regras outras. A mensagem é transmitida com perfeição do emissor ao receptor, sem ruídos.

Da mesma forma, pronúncias como trabaio, abeia, cuié ou fia estão longe de serem erros ou ignorâncias. Com iguais critérios científicos de análise linguística empregados no raciocínio anterior, é possível perceber que tais pronúncias são explicáveis com palatos, línguas e todas as partes do sistema do corpo humano usado na produção de fonemas e sons de letras e de onomatopeias. E, com um molhinho extra de comparação com outras línguas que, assim como o português,(atenção, professor! se você está lendo estes parênteses, é porque seu aluno copiou um texto da Internet de terceiros e apresentou como se fosse dele, sem nem se dar ao trabalho de ler a bagaça toda! Zero no meliante!)  tiveram seu ponto de partida no Latim, nota-se que essas pronúncias erradas são, na verdade, uma pronúncia quase igual à francesa para essas mesmas palavras: travaille, abeille, cuiller, fille.

Que coisa mais fascinante! – deve pensar o leigo que porventura vier a ler este texto. Mas como fica o ensino da Língua Portuguesa a partir dessa tese? – retrucará em seguida esse mesmo leigo hipotético que me permitiu o uso do verbo retrucar.

Simples: o professor usa em aula as duas variações do português (padrão e não-padrão), evidencia suas diferenças e avisa aos alunos o tempo todo: o português não-padrão não é bem visto por todo mundo. Por fim, fará seus alunos entenderem que é importante usar o português padrão em textos escritos, provas oficiais, tribunais e locais onde se exige mais formalidade por parte dos frequentadores.

Ah, então tá bom! Então, vamos disseminar essa tese, certo? – concluirá o leigo hipotético.

Aí a coisa começa a pegar. Para divulgar essa tese importante, Marcos Bagno – que não é um cara qualquer, trata-se de Linguista e professor do Instituto de Letras da UnB – resolveu fazer “uma novela sociolinguística”. E escreveu o livro A Língua de Eulália, em 1997.

Todo brasileiro que se preza, ao ler a palavra novela logo pensa em enredos e tramas típicas de telenovelas. Mas há quem se lembre de alguma coisa de gêneros literários (assunto de aulas do segundo grau), e que o gênero telenovela está mais para folhetim do que para novela.

Na era do Google, o sacrossanto site de buscas resolve a dúvida, e nos leva a dona Wikipedia: “Uma novela em português é uma narração em prosa de menor extensão do que o romance. Em comparação ao romance, pode-se dizer que a novela apresenta uma maior economia de recursos narrativos; em comparação ao conto, um maior desenvolvimento de enredo e personagens.”

Se dona Wikipedia está certa, então A Língua de Eulália pode ser tudo menos uma novela. Porque de uma coisa enredo e personagens da história de Bagno definitivamente não foram vítimas: de desenvolvimento.

O livro conta uma história chata, arrastada, modorrenta, por vezes pedante. E utiliza-se, para isso, de personagens chatos, insossos, que chegam do nada e levam a história a lugar nenhum, e aparecem no livro para se reunirem em “interessantes” (boceeeeeeeeejo) aulas de português.

E o que dizer da personagem principal, Eulália? Nada, absolutamente nada. Contei menos de cinco falas de Eulália em toda a trama, todas dispensáveis para a condução do enredo.

Na verdade, estou em dúvidas. Eulália é personagem principal ou desculpa do livro? A história desenvolve-se sem que sua participação seja decisiva para o enredo (talvez isso faça de Eulália a personagem com mais empatia em toda a trama).

Em suma: a história prende pelo conteúdo e não pelo formato. O leitor só chega às últimas páginas do livro caso se atenha às ideias de variação não-padrão do português, defendidas pela doutora em Linguística Irene a sua sobrinha e amigas.

Creio que A Língua de Eulália seria muito mais interessante se fosse um folhetim sociolinguístico, e contasse, por exemplo, as agruras e sofrimentos da heroína Eulália, uma trabaiadora no ramo de curtura di abeias que é vítima dos ricos e poderosos que caçoam da forma como ela fala. Se Bagno explorasse a noção de português padrão e português não-padrão por meio de conflitos de classes e geográficos, a história talvez fosse menos modorrenta.

Mas o mais gritante foi ler, na edição de 2011 do livro, as observações do autor a respeito de sua obra, passados 14 anos da primeira edição. Na página 212, Bagno afirma:

Todos os aprendizes devem ter acesso às normas linguísticas urbanas de prestígio, não porque sejam as únicas formas “certas” de falar e de escrever, mas porque constituem, junto com outros bens sociais, um direito do cidadão, de modo que possa se inserir plenamente na vida urbana contemporânea (…)

E, na página 213, completa:

(…) constitui um atentado aos direitos do cidadão continuar a prescrever, como únicas corretas, regras gramaticais que entram em flagrante conflito com a intuição linguística do falante e que não correspondem ao estado atual da língua, nem sequer em seus usos escritos mais formais.

O leitor leigo (público-alvo do livro) pode entender uma contradição nesses dois trechos. E o leitor mal-intencionado (aqueles que defendem que dizer os livro é bonito é coisa do Lula pra impor seu falar errado aos brasileiros estudantes) vai encontrar contradições e vai trabalhar esses dois trechos com o lado negro da força.

É necessário um semestre inteiro de um curso de Linguística para entender que os dois textos não são contraditórios, mas complementares.

A meu ver, Bagno deve urgentemente reescrever essas duas páginas de forma a deixar suas ideias mais à prova de contradições. Pensando bem, se der pra refazer tudo para dar mais vida aos personagens, a história vai ficar melhor…

Subjuntivo, esse modo ignorado no prédio da Barão de Limeira

segunda-feira, agosto 27th, 2012

Enviado pelo dileto ectoplasma Luis Alacarini via Fêicebúque.

Mais um daqueles posts no qual eu sei nem por onde começar. Vou tentar começar explicando alguns modos verbais.

Porque, né? Quando você quer contar uma ação que não avente dúvidas ou questionamentos, seu modo é o indicativo.

Como o próprio nome dá a dica, ele indica a coisa que rola/vai rolar/já rolou:

Eu sou

Fulano nasceu

Beltrana morrerá de curiosidade.

Mas se a sua praia for a dúvida, ou o exercício da probabilidade/adivinhação, o modo que se adequa às suas necessidades é o subjuntivo. Ele não denota certeza nem indica coisa nenhuma, apenas fala de possibilidades e devaneios:

Que ele nasça bonito (ele ainda não nasceu, nem se sabe se ele vai nascer. Mas, quando isso acontecer, que seja assim)

Se eu estivesse em Paris agora (não estou em Paris, mas bem que essa possibilidade podia rolar, né?)

Quando eu tiver uma Ferrari (no remoto ou improvável dia em que isso acontecer -feat. senta lá Cláudia)

 

Isto posto,

ALGUÉM EXPLICA ESTA MANCHETE DA FOLHA DE SÃO PAULO, CACETE?!?!?

 

Não é certeza que o servidor vá manter a greve. Ele pode manter ou não.

Quedizê: o servidor que MANTIVER a porra da greve vai ficar sem a bosta do reajuste.

 

NÉ, FOLHA?!?!?!

PORRA, FOLHA!!!

 

Vou mandar o subjuntivo invadir o prédio da Barão de Limeira pra detonar uma bomba gramatical lá dentro.

Ele vai entrar de sussa, pois ninguém dentro daquele prédio é capaz de reconhecê-lo, mesmo…

 

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