Arquivo pela categoria 'Rolando o lero'

De mesóclises e cachecóis

sábado, maio 14th, 2016

Manja carioca no inverno? É, inverno carioca, aquela época do ano que dura aproximadamente cinco horas na cidade maravilhosa?

Então… nessas cinco horas, o carioca capricha: aproveita os 19 graus (temperatura que europeu acha até meio quente) e tira do armário a bota, o casacão e o cachecol, pra ficar chique que nem a lhama linguista.

vyqw0b.jpgMesóclise é que nem o cachecol no inverno carioca: raríssimo de se usar. Mas quando a gente usa, se sente elegante e importante, né?

Então vamos ao tutorial da bruxa, pra arender a combinar o cachecol com o casaco usar mesóclise.

Pra começo de conversa, mesóclise é colocação pronominal perto do verbo. Coisa de ordem dos tratores que altera o viaduto. É irmã da próclise e da ênclise. A próclise enfia o pronome antes do verbo; a ênclise, depois. E a mesóclise, como o nome já ajuda a suspeitar, se enfia lá no meião do verbo. Mas é no meião mesmo?

Olha só como não é:

Primeiro, vamos observar o verbo amar no futuro do presente do indicativo:

amar-ei

amar-ás

amar-á

amar-emos

amar-eis

amar-ão

 

Agora, vamos olhar o verbo haver, no presente do indicativo:

hei

hás

havemos

haveis

hão

Percebe, Ivair, que é só rapar fora o agá (e o resto da raiz do verbo, no caso da 1ª e 2ª pessoa do plural) que a gente encontra o finzinho da conjugação de amar no futuro! O_o

Agora, pensem: quantas vezes você já não ouviu a expressão “eu hei de  [enfie um verbo no infinitivo aqui] isso”?

Hei de te amar  –> amar-te hei  –> amar-te-ei

Perceberam que a mesóclise, de tão velha, sabe que a conjugação do futuro do presente é amante do presente do indicativo de haver há uns bons séculos, e se mete no meio do casalzinho?

Pronto! Você acabou de aprender a usar mesóclise. Proceda da mesma forma com o futuro do pretérito do indicativo e o pretérito imperfeito de haver (havia, havias, havia, havíamos, havíeis, haviam – mas aqui cês tudo cortem fora o “hav-“, sim?)

 

Beijo pra Talmy Givón, que adora dizer que a morfologia de hoje é a sintaxe de ontem! <3

Agora que você já sabe usar mesóclise, tente entender a frase pela qual Michel Temer foi tão elogiado (ain, ele sabe usar mesóclise, melhor que certas pessoas que são analfabetas, ain…):

Como menos fosse sê-lo-ia pela minha formação democrática

(Dica: não tente. Não há coerência.)

Cabô aula de mesóclise!

Agora, aprende aí a dar esses doze nós diferentes no cachecol. Dependendo de onde você morar, você ter-há (RÁ! 😛 ) poucas horas para isso! 😀

 

A beleza, o recato, o lar e um monte de framing mal trabalhado

quarta-feira, abril 20th, 2016

Agora que eu já fiz o necessário preâmbulo sobre Lakoff, vamos falar do texto cometido pela Veja.

Primeiro, permitam-me esculhambá-lo, como de praxe. Vamos lá:

  

  

Marcela Temer: bela, recatada e “do lar”

[nem vem. As considerações sobre esse título eu faço depois!]

Marcela Temer é uma mulher de sorte.[cejura? Por quê?] Michel Temer, seu marido há treze anos[migo, você disse que ela tem sorte. Logo depois você diz que ela é casada com o Temer. Decida-se! Essas duas afirmações são incompatíveis! Além do quê, eles são casados há TREZE anos? Migo, 13 é o número do PT do azar! Faça-me o favor…], continua a lhe dar provas de que a paixão não arrefeceu [paixão. arrefeceu. dar provas. Posos subentender que o Temer tem amante, ou eu é que tô viajando e tá parei] com o tempo nem com a convulsão política que vive o país – e em cujo epicentro ele mesmo se encontra[tá. Agora explica o que que a paixão tem a ver com vida política e profissional, que não ficou muito claro…]. Há cerca de oito meses, por exemplo, o vice-presidente, de 75 anos, levou Marcela, de 32 [O QUÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ?!?!?! QUARENTA E FUCKING TRÊS ANOS SEPARAM OS DOIS, E VOCÊS INDA VEM PRA CIMA DE MOAZINHA PRA DUIZER QUE MARCELA TEM SORTE?!?!?!?!?!?! CARACA, ESSE JABURU TEM IDADE PRA SER O PAI DELA!!!!!!], para jantar na sala especial do sofisticado, caro e badalado restaurante Antiquarius[ah, mas não tem problema! OLlha que lindo! O macho passado inda tem cacife pra levar sua amada a um rstô caro em São Paulo! De novo, migo: não tô vendo sorte, só compensação e e consolação… cadê a sorte de  Marcela?], em São Paulo. Blindada nas paredes, no teto e no chão para ser à prova de som e garantir os segredos dos muitos políticos que costumam reunir-se no local, a sala tem capacidade para acomodar trinta pessoas, mas foi esvaziada para receber apenas “Mar” e “Mi”[Mar e Mi. Que mer tá parei], como são chamados em família. Lá, protegido por quatro seguranças (um na cozinha, um no toalete, um na entrada da sala e outro no salão principal do restaurante)[alô Estado Islâmico! Cê taara querendo atacar oBrasil? Olha a dica!], o casal desfrutou algumas horas de jantar romântico sob um céu estrelado, graças ao teto retrátil do ambiente. Marcela se casou com Temer quando tinha 20 anos. O vice, então com 62, estava no quinto mandato como deputado federal e foi seu primeiro namorado.[De novo, migo, CADÊ A SORTE DE MARCELA TEMER?!?!?! Uma menina linda e jovem e a primeira coisa que lhe cai na frente em termos de homem é MICHEL TEMER?!?!?!  

Michelzinho, de 7 anos, cabelo tigelinha e uma bela janela no lugar que abrigará seus incisivos centrais, é o único filho do casal (Temer tem outros quatro de relacionamentos anteriores). No fim do ano passado, Marcela pensou que esperava o segundo filho, mas foi um alarme falso. “No final, eles acharam que não teria sido mesmo um bom momento para ela engravidar, dada a confusão no país”, conta tia Nina, irmã da mãe de Marcela[tia Nina. Quem a vê de coque, óculos e tricô nas mãos?]. Ela se refez do sobressalto, mas não se resignou – ainda quer ter uma menininha. No Carnaval, Marcela planejou uns dias de sol e praia só com o marido e o filho e foi para a Riviera de São Lourenço, no Litoral Norte de São Paulo. Temer iria depois, mas, nos dias seguintes, o plano foi a pique: o vice ligou, dizendo que estava receoso de expor a família, devido aos ânimos acirrados no país. Pegou Marcela, Michelzinho, e todo mundo voltou para casa.[Cadê a sorte de Marcela? Só tô vendo azar, consolação, compensação e um tédio de dar dó.]

Bacharel em direito sem nunca ter exercido a profissão[tá. Ela é formada, mas optou por não trabalhar. A vida é dela, o problema é dela, a decisão é dela. Mas miga, que marido horroroso q c foi arranjar, com todo o respeito…], Marcela comporta em seu curriculum vitae um curto período de trabalho como recepcionista e dois concursos de miss no interior de São Paulo (representando Campinas e Paulínia, esta sua cidade natal). Em ambos, ficou em segundo lugar. Marcela é uma vice-primeira-dama do lar[nem do Brasil é, Marcela é apenas do-lar. Veja, não tinha como fazer um perfil mais interessante, não?] . Seus dias consistem em levar e trazer Michelzinho da escola, cuidar da casa, em São Paulo, e um pouco dela mesma também (nas últimas três semanas, foi duas vezes à dermatologista tratar da pele).[teeeeeediooooo… dermatologiiiiiiiiistaaa… escoooola… téééééééééédiooooooo… Micheeeeeeeelllllll parece um conto de assombração]

Por algum tempo, frequentou o salão de beleza do cabeleireiro Marco Antonio de Biaggi, famoso pela clientela estrelada[… e pronto! Tava demorando falar do salão de beleza de estimação!]. Pedia luzes bem fininhas e era “educadíssima”, lembra o cabeleireiro. “Assim como faz a Athina Onassis quando vem ao meu salão, ela deixava os seguranças do lado de fora”, informa Biaggi[procedimentos para frequentar um salão de beleza. afff…]. Na opinião do cabeleireiro, Marcela “tem tudo para se tornar a nossa Grace Kelly”. Para isso, falta só “deixar o cabelo preso”[cabelereiro comentando sobre o estilo da perfilada. Senhores, podem marcar suas tabelas do bingo-clichê!]. Em todos esses anos de atuação política do marido, ela apareceu em público pouquíssimas vezes. “Marcela sempre chamou atenção pela beleza, mas sempre foi recatada”, diz sua irmã mais nova, Fernanda Tedeschi. “Ela gosta de vestidos até os joelhos e cores claras”, conta a estilista Martha Medeiros.[casou aos 20 com um trubufu baixinho com cara de consumidor de Viagra homem de 62, seu primeiro namorado; é recatada e usa saia na altura do joelho. Coitada! Assim ela morre de tédio antes dos 40!]

Marcela é o braço digital do vice. Está constantemente de olho nas redes sociais e mantém o marido informado sobre a temperatura ambiente[mulher, do lar, recatada e bewm comportada, por falta do que fazer fica navegando na Internet. Veja, pelamordedeus, reescreve esse texto, coitada da Marcela!]. Um fica longe do outro a maior parte da semana[opa! Um breve lampejo de sorte!], uma vez que Temer mora de segunda a quinta-feira no Palácio do Jaburu, em Brasília, e Marcela permanece em São Paulo, quase sempre na companhia da mãe[ex-miss, recatada, do lar, usa roupas na altura dos joelhos e vive na companhia da mãe. Mas quem é a mãe de MArcela?]. Sacudida, loiríssima e de olhos azuis, Norma Tedeschi acompanhou a filha adolescente em seu primeiro encontro com Temer[uma sogra coral. Obrigada pela explicação.]. Amigos do vice contam que, ao fim de um dia extenuante de trabalho, é comum vê-lo tomar um vinho, fumar um charuto e “mergulhar num outro mundo” – o que ocorre, por exemplo, quando telefona para Marcela ou assiste a vídeos de Michelzinho, que ela manda pelo celular. Três anos atrás, Temer lançou o livro de poemas intitulado Anônima Intimidade. Um deles, na página 135, diz: “De vermelho / Flamejante / Labaredas de fogo / Olhos brilhantes / Que sorriem / Com lábios rubros / Incêndios / Tomam conta de mim / Minha mente / Minha alma / Tudo meu / Em brasas / Meu corpo / Incendiado / Consumido / Dissolvido / Finalmente / Restam cinzas / Que espalho na cama / Para dormir”.[eca. deu nojinho.]

Michel Temer é um homem de sorte.[não, fio. Michel Temer é um macho alfa aproveitador de menininhas. Sorte é outra coisa.]

Pronto. Que texto de merda, misericórdia. Que me remeteu a duas tirinhas da Mafalda, tão cruéis quanto precisas para fazer o comentário imprescindível.

  

Aí a gente pega a ideia dos framings do Lakoff (que eu já expliquei aqui) e aplica nesse texto.

Temos que a Veja tentou positivamente associar Marcela, uma bela jovem que optou por ficar em casa e não exercer uma profissão pra começo de conversa porque não precisa – além de tudo o que eu já listei lá em cima – como:

  • bela – OK, ela é bonita dentro dos padrões clichetarianos de loura caucasiana bonita
  • jovem – ela tem 32 anos. Considerando que o marido tem 4567864345 anos, temos um parâmetro de juventude estabelecido com sucesso. Com sucesso, tédio, consolação, comiseração e tudo o mais. Mas deixa pra lá.
  • recatada – Ela pouco aparece, então é verdade. Mas daí a associar sua discrição como positiva, e associá-la a exemplo de mulher bem casada e feliz no casamento, tenho até medo de continuar a pensar sobre isso, porque periga a gente regredir tanto que o laptop noqual digito isso pode desaparecer, e dar lugar a um papiro. (posso lembrar que Marisa da Silva também é uma mulher discreta e recatada, e teve sua imagem associada à Hello Kitty, uma personagem sem boca? E que essa associação de Marisa à Hello Kitty foi feita de forma pejorativa? Melhor deixar pra lá, né?
  • sortuda – definitivamente, o texto foi infeliz bagarai ao tentar fazer essa associação.

O problema é que trabalhar esses framings femininos em pleno 2016 é pedir pra ser contestado. Há muito tempo que uma mulher com um mínimo de juízo despreza o recato e o confinamento doméstico. Há muito descobrimos as vantagens do mundo, a capacidade de se expressar aberta e livremente e, principalmente, as maravilhas do bar. 😛

Resultado? O texto foi questionado e desprezado – e o mais legal foi observar que geral respeitou o direito de Marcela ter um perfil comportamental fruto de sua própria opção, e não de imposição social. Já evoluímos suficientemente a ponto de saber diferir uma coisa da outra.

Agora pense com todo o carinha e responda a si mesmo quais framings seriam acionados se a história contada fosse ligeiramente diferentes, como sugere a Renata Corrêa no Facebook dela:

Imagina que loko se a Dilma tivesse casado com um moço 43 anos mais novo que ela. Imagina que loko se ela tivesse conhecido ele quando o moçoilo não tinha nem completado dezoito anos. Imagina que loko uma matéria de revista falando que ele era o Alain Delon brasileiro. Imagina essa matéria falando que ela foi a primeira mulher dele. Imagina se essa matéria dissesse que ele se veste de forma bem sóbria e gosta muito de ficar em casa mandando video de gatinho pra ela. Imagina se essa matéria mostrasse um poema bem soft porn que a Dilma fez pra ele. Imagina essa matéria escrita por um homem que encerraria dizendo que a Dilma é mesmo uma mulher de sorte. Que loko. Que loko, mano.

É. Pois é.

Mas voltando ao texto da Veja: o único sucesso dele foi pegar essas três palavras-chave (bela, recatada e do lar), trabalhá-las de forma absurdamente clichê e demodé (pra usar uma expressão que regula com elas em modernidade), juntar tudo e tacar no título.

Resultado: um texto de merda virou polhêmica. E mais uma vez, a revista de merda virou o assunto da semana.

Parabéns a todos os envolvidos.

 

 

Memórias de uma bruxinha estudante II – missão trabalho pra faculdade

segunda-feira, março 14th, 2016

Aí a professora Viviane Vieira pediu pros alunos de Estágio Supervisionado em Português fazerem um memorial da vida escolar: o que a gente se lembra de nossas aulas de português?

Eu comecei a escarafunchar meus alfarrábios, porque eu tava com a impressão de que já tinha feito algo parecido. Não só fiz como foi um dos posts mais visitados da história do blog. <3 Inclusive recomendo a leitura dele antes de continuar por aqui… pode ir lá que eu espero! 😀

Então, vamos à segunda parte daquele post que eu fiz em algum momento de 2011. Já pegou pipoca e guaraná? A viagem vai ser longa, e vai começar onde paramos, no Colégio Santo Amaro, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

Quem passa pelas mãos da tia Tereza não sai impune. Ficam as memórias das aulas com uma professora excelente, atenciosa e não menos exigente e rigorosa.

CSA

Fachada do Colégio Santo Amaro, à rua 19 de fevereiro, em Botafogo (RJ)

Aí você chega na 5ª série ginasial (século passado, milênio passado, abafa o caso), ainda no Colégio Santo Amaro (eu avisei que este post seria uma continuação do primeiro, não avisei? Se você não leu a primeira parte, vai ficar confuso mesmo…).

Curioso é que, se eu me lembro muito das aulas da minha infância, pouco me lembro das aulas da adolescência. Lembro-me dos professores, alguns marcantes, e outros que não fizeram a mínima diferença na minha vida.

No ginásio eu comecei a ter aulas também com com professores. Acabou a era das tias. E um dos primeiros professores que eu tive foi o tio Léo, de português. Careca, óculos, calvície a 50% (sim, fui politicamente correta, me deixem). Não me lembro do conteúdo das aulas (lembro que aprendi, obrigada! 😀 ), não me lembro dos livros adotados, não me lembro das leituras obrigatórias. Mas tenho boas recordações do tio Léo – e nenhum trauma. Também lembro que ele fazia uma coisa impensável hoje em dia: ele fumava em sala de aula.

Lembro que li muito nessa época, a coleção Vaga-Lume (que está voltando às livrarias mas você pode baixar aqui, YAY! \o/ ), os Karas e a Droga da Obediência, li até Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn por conta própria – e adorei. Também li Geografia de Dona Benta (livro apaixonante pra quem quiser se iniciar em questões de Geografia Política) umas vinte vezes. Impressionante como a gente consegue aprender com seu Zé Bento. E ó: quem souber como situar Monteiro Lobato no tempo e no espaço consegue dar uma aula alucinante sobre racismo e preconceito étnico. Ao fim dessa aula, alunos e professor saberão separar o racista do escritor genial #ficadica.

Mas por que eu me perdi nos meus recuerdos literários? Ah, deixa pra lá. Vamos passar de ano? Sexta série, professora nova. Consegui me lembrar vagamente de suas feições (uma senhorinha, cabelo louro tingido e olhos claros, passou um trabalho em grupo no qual os alunos deveriam “apresentar um telejornal” ao vivo, diante da turma. Até bem pouco tempo eu tinha o “logotipo” do jornal que o meu grupo apresentou, o “Papo Furado” (um balão de história em quadrinhos com um “furo” por onde saía ar). foi o Jorge Valente, desenhista e colega do meu pai quem fez pra mim. Não lembro dos livros que ela pediu pra ler, não lembro do livro adotado. Mas as recordações boas ficaram restritas a esse trabalho em grupo. Não tenho mais recordações dessa professora – diga-se de passagem, quem lembrou do nome dela foi meu colega Orlando, que foi categórico: Neuza, com zê! E o Orlando também contou que ela faleceu em 1988. 🙁

Chegou a sétima série e a professora era nova e fresca em todos os sentidos: tia Áurea era recém-formada (acho que pela UFRJ) e recém-contratada pelo colégio. De novo: não lembro do livro adotado, não lembro das leituras. Minhas recordações são confusas. Por oras uma boa professora, que sabia ministrar o conteúdo da matéria (gramática, gramática, gramática e gramática, sem se esquecer da gramática, que a gente aplicava na redação), oras uma profissional inexperiente que não conseguia controlar a turma (e minha turma era fogo!). Mas do nome dela eu nunca me esqueci! 😀 também não me esqueci que era uma época estranha, em que Lobão e Roger eram sujeitos palatáveis e contestatórios, e o Paulo Ricardo do RPM era lindo (me deixa)!

Lembro de uma vez em que a turma tacava o terror e a Áurea passou teste relâmpago, valendo nota, de uma matéria que ela não estava conseguindo explicar: prefixos e sufixos. Eu fiz o teste, assustada porém segura do que estava escrevendo. Tive a maior nota da turma – oito ou nove. Ela me entregou o teste corrigido e falou: “você leu o livro antes de todo mundo, né?” Não, eu não tinha lido. Mas, pô, vamos combinar que o prefixo “anti-” indica negação da palavra que ele introduz, né? É meio óbvio isso, não?.

Oitava série. Tempo sujeito a chuvas e baforadas de cigarro. O professor era Sérgio Regina, que não tinha o menor tato com a turma. Preferia dar aulas para o segundo grau, no Colégio Zaccaria. Em minhas memórias, ele lembra o sargento Tainha, do Recruta Zero: cabelo escovinha, grande e gordo, e acendia um cigarro no outro. Já morreu, consumido pelo cigarro.

O professor Sérgio Regina não tinha saco de lidar com uma turma imatura, mas foi o primeiro a me mostrar, por contraste com outras línguas, que o mim pode ser sujeito do infinitivo, sim. E ele ficava abismado como aquela aluna que não tinha caderno e conversava muito durante a aula (mas se calava na hora da explicação da matéria nova) se dava bem nas provas. #beijinhonoombro

CIC

Colégio Imaculada Conceição, na Praia de Botafogo

Segundo grau, escola nova. Colégio Imaculada Conceição entra burro e sai ladrão. Tenho as piores lembranças dessa escola, e as melhores lembranças dos professores – todos, menos os de português.

O apreço pela escola era tão grande que num ano tivemos aulas numa sala com janela que dava pro lado de fora da escola. Nos intervalos, eu e outras colegas íamos pra janela e ficávamos paquerando qualquer homem que passasse: “olha, nós somos alunas do Imaculada Conceição. Aqui não tem mulher que preste, viu? Mas a culpa é da escola que não nos ensina isso!” Adolescência, ainda bem que você ficou pra trás – e mais importante: inda bem que tudo isso se deu numa época sem smartphones e mídias sociais pra registrar o mico.

Também lembro que Rachel de Queiroz, ex-aluna da escola, foi lá uma vez pra aparecer divar dar uma de gostosa dar uma palestra. Chegou e foi perguntando: “vocês vão me perguntar como é ser a primeira mulher membro da Academia Brasileira de Letras?” Um docinho, dona Rachel – só que não. Tomei birra e antipatia por ela e por tudo o que vinha dela desde então. Mas foi ridículo ver como as irmãs da escola puxavam o saco dela. (Já deu pra perceber que eu não vou com a cara daquela escola, né?)

Lembro que foi um professor de português diferente em cada um dos três anos do ensino médio. A professora do primeiro ano era muito esquisita. Não me recordo seu nome, mas jamais conseguirei esquecer o nome do autor do livro que ela adotou: Douglas Tufano. Por culpa dela: “o livro que nós vamos adotar é de Dúglas Tufano – e não estranhem essa pronúncia, pois quem fala francês sabe que ó e ú se juntam em som de ú”. Eu olhei pra ela com aquela cara de “Cejura, minha tia?” e cá cos meus alfarrábios eu tirei que alguma coisa tava errada naquilo (óbvio que era o fato de Douglas ser um nome brasileiro, então deve ser pronunciado Douglas e não Dúglas, dããããã!).

Outro trauma que ela me passou, esse dos bons: “o paradigma do éssemosizême na marcação número pessoal dos verbos” e eu só via os verbos conjugados na minha frente. que raios era aquele éssemozizême, deus do céu? Bom, nunca me fez falta saber durante o segundo grau. Só fui descobrir direitinho que raio era aquilo depois que entrei pra faculdade de Letras, e fui entender o que era um sintagma e um paradigma. (os paradigmas verbais são as partes dos verbos que indicam o número/pessoa e o tempo/modo/aspecto. São sufixos que se revezam na combinação com as raízes verbais. O “-s / -mos / -is / -m” é praga que marca, respectivamente, 2ª pessoa do singular / 1ª pessoa do plural / 2ª pessoa do plural e 3ª pessoa do plural. Dá em tudo quanto é tempo verbal no modo indicativo, à exceção do pretérito perfeito e do futuro do presente, no qual o -m vira -ão mas isso é papo pra outro post.)

Mas eu falava mal da professora do 1º ano do ensino médio. No segundo ano a coisa não ficou muito melhor. Acho que o nome dele era Armando. Cheio de ideais, de como o futuro da humanidade era legal e deveria ser bem semeado etcetcetc blablabla whiskas sachê. Passou um semestre inteiro analisando sintaticamente orações em textos corridos. (Dica pros pofexô que tão chegando agora: não tentem. Vira uma zona do caramba. Chega uma hora que você não sabe mais o que você está fazendo – ele, ao menos, não sabia).

No terceiro ano, pré-vestibular, não tenho a mais remota ideia de quem me deu aula de português. Talvez porque era alguém (sei nem se era homem ou mulher, avaliem) tão insípido que não me marcou em nada. Lembro apenas que tinha colegas terrivelmente medíocres que não queriam “matéria nova”, porque tinha muita coisa a estudar pro vestibular. Coitadas,devem ter virado donas de casa. Coitadas, mesmo. Lamento pela mediocridade delas.

Lembrei do que a turma da 3ª série quase fez com a irmã que ficava na portaria, a irmã Labourré. Mas eu já esqueci de novo e não vou contar porque a juventude tem que prezar pela criatividade. Ademais, se eu descobrir que alguém fez com aquela sujeita algo que eu não tive coragem de fazer sou capaz de processar por direitos autorais. Então, deixa prá lá.

Mas aí eu passei pra jornalismo na UFRJ e desse professor eu não vou me esquecer jamais!

Agostinho Dias Carneiro, quem começou a me dar ideias do que se chama Análise do Discurso. Professor de Letras da Federal do Rio de Janeiro, ele fez uma apostila especial pros alunos de comunicação (1º e 2º períodos do curso), praticamente sobre lexicologia. Nos apresentou os vários verbos para expressar, por exemplo, o suprimento da vida de um ser (matar/sacrificar/ assassinar). Essas aulas me fascinaram e me fizeram pensar mais sobre os vários significados de um verbete, de como e por que escolher palavras com cuidado na hora de compor um texto, e por aí vai.

Você chegou até aqui e não se chama Viviane Vieira? Puxa, parabéns e obrigada! A pipoca tava boa? 😉

(Em tempo: e aí, fessora? Gostou? Aceita pipoquinha? Se espirrar saúde tá parei.)

Tô aqui pensando em como um professor é importante na vida de um indivíduo – para o bem ou para o mal. Tô ainda mais intrigada em lembrar muito mais da minha professora de Jardim de Infância do que da pessoa que me deu aulas de português no pré-vestibular. Cara, quem foi esse ser tão insignificante que passou pela minha vida? E por que essa pessoa foi tão insignificante? Pior: como pode um professor ser insignificante na vida de um aluno? Jesus amado…

 

Em tempo: O COlégio Santo amaro foi palco de um vídeo promocional, lindo e emocionante, feito pelas canetas BIC. Não resisto, vou colar aqui. Eu chorei tanto pelo local das filmagens quanto pela mensagem do vídeo

A carta de Temer a Dilma, ou como destruir sua carreira com um texto cafona

terça-feira, dezembro 8th, 2015

underwoodMimimichel Temer não deve ter o saudável hábito de ler Luis Fernando Verissimo. Se o lesse, saberia que, se você não sabe como começar um texto, deve apelar a um provérbio chinês, e não a um adágio em latim. Até porque fica mais fácil divagar em cima do provérbio chinês. Ademais, na Era do Google, saber citar adágios em latim não é mérito nem diferencial pra ninguém.

Enfim. Este post é apenas para atender a pedidos dozamygho e dosfã <3 <3 <3. Mas tudo o que poderia ser dito a respeito da patética vergonhosa ridícula véi, na boa, cejura que escreveu aquilo? carta que o Temer escreveu pra Dilma já foi dito. E tudo o que se poderia esculhambar já foi esculhambado.

Então, faço apenas algumas observações pontuais:

Senhora Presidente [não importa se você é do time a presidente ou a presidenta. Aqui fica bem claro que mimimichel chamou dilmavana pra briga. quem trabalha diretamente com ela só a chama de presidentA, caso contrário ela não responde.]

[já comentei lá em cima esse adágio latino] “Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem) (…) À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.[Esse monte de aquela e aquele deixou a frase confusa e sem sentido. Melhor: À minha natural discrição conectei aquela derivada do CITADO dispositivo constitucional – Temer citou o artigo da Constituição, então a referência tá mais do que clara no texto.]

(…)

Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança. E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice[OLHA LÁ! OLHA LÁ! OLHA LÁ! ELE ERROU A CRASEEEEEEE!!! Esse a dai´é só preposição, não tem artigo! (Teria artigo se fosse “à Vice-Presidência”, mas não teria artigo no caso de “A Vice(-presidente)”.]

 (…)

Noves fora, a impressão que fica é que mimimichel foi acometido por um irrazoável surto de soberba, ao achar que seria capaz de produzir uma carta cujo impacto teria a mesma magnitude da carta de suicídio de Vargas. E muito também já se disse sobre isso, que Vargas matou-se,enquanto o suicídio de Temer foi só político, etcetcetc.

De concreto, mesmo, o que temos é que:

1- começar uma carta ~pessoal~ com um adágio latino foi ridículo

2- o tom da carta foi pré-adolescente. não se espera isso de um vice-presidente com 34567445634 anos de vida política.

3- se ele esperava contar com o apoio da imprensa para dar legitimidade e pujança a um textinho de merda, lamento informar mas texto de merda quando nasce na merda da merda jamais sairá.

4- Sério, mimimichel, você anda passando muito tempo vendo série da Netflix. Essa carta é uma bela patética mistura da carta de Frank Underwood ao presidente Walker com a personalidade de Kilgrave, o vilão de Jessica Jones. você se faz de vítima quando, na verdade, tenta manipular e controlar as vontades de todos ao seu redor. Beesha, por favor! Você não é vilão da Marvel, só tem cara de!

Isto posto, vamos comparar o final da carta que Frank Underwood escreveu ao presidente Walker no último episódio da segunda temporada de House of Cards com o final da carta de Temer à Dilma (se você acha que isto pode ser um spoiler, problema seu. eu acho que não). Primeiro, o texto de Underwood:

Se Vossa Excelência realmente acredita que eu servi apenas a mim mesmo, então eu perdi para sempre a sua confiança. tudo o que eu posso fazer agora é lhe dar minha liberdade para salvar a sua. Eu disse que eu tombaria em seu lugar, e com esta carta eu lhe dou os meios para que isso aconteça. Eu mesmo estou puxando o gatilho.

todos devemos fazer sacrifícios para alcançar nossos sonhos, mas às vezes devemos sacrificar a nós mesmos para o bem maior. É minha honra fazer este sacrifício agora.

Seu amigo leal, ainda [do fundo do] meu coração, se não no seu.

Agora, o texto de Temer:

Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.

Olha, mimimichel, sobrou convicção e faltou sacrifício na sua versão. Digo só isso.

O dia em que a maldição do sintagma zicado rendeu um paradigma errado

terça-feira, julho 28th, 2015

(Este post tem o patrocínio intelectual de Ferdinand de Saussure, o dicotômico.)

Eu já expliquei aqui o que é sintagma. Se você perdeu, o spoiler: é o nome técnico que se dá à mínima unidade de compreensão de um texto. Em linguagem vulgar, sintagma é chamado de expressão – ou, como preferiu o Britto, do Tijolaço, bordão. Ele pode ser composto só de nomes, e recebe o nome de sintagma nominal; pode ser composto de verbo(s), e chama-se (adivinha?) sintagma verbal (RÁ! Ixpertão! 😛 )

Pois bem. Voltei a falar do sintagma por causa do Pablo Villaça, que em seu Facebook provou que geral nazimprensa tá abusando do direito de escrever o sintagma “apesar da crise” (Não dá pra chamar de nominal, porque “apesar” é conjunção. Mas deixa pra lá isso não vem ao caso). Se você jogar no Google “apesar da crise”, vai entend… ah, clica no link aí de cima e lê o texto do Pablo porque é muito legal!

Então nossa história começa com geral nazimprensa se dando conta de que “apesar da crise” tava ficando meio ridículo. O sintagma zicou, por assim dizer. O que fazer? Ah, vamos brincar de paradigma!uol

Pausa número dois pra explicar o que é um paradigma linguístico. Vamos partir do sintagma, que nos dá uma linha de ação. Apesar da crise, por exemplo, é um sintagma composto da seguinte forma:

apesar    da    crise

[Conjunção + preposição + substantivo]

O paradigma é o lance que mostra ser possível você fazer combinações de outras palavras dentro dessa mesma fórmula, e obter outros sintagmas, como é o caso de:

Mesmo com crise

[conjunção + preposição + substantivo]

Então, voltando à história do sintagma zicado. Apesar da crise deu BO, geral brincou de paradigma: mesmo com crise, ainda que haja crise, etcetcetc. Percebam vocês que a estrutura e a ideia passada pelos novos sintagmas manteve-se a mesma, certo?

Pois é.

Até a hora em que o UOL pesou a mão na brincadeira do paradigma. Saiu da fórmula conjunção + preposição + substantivo e trocou essa fórmula por uma oração inteira (sujeito + verbo + objeto): GM ignora crise.

Seguinte, amiguinhos: cês conseguiram alterar o sentido do apesardacrise zicado. Esse GMignoracrise não tá ornando. Sugiro trocarem por em meio à crise – mas pelo amor de Nossa Senhora dos Contextos, me craseiem esse a! Ele pede conexão e especificação!!

(Ou isso ou vocês doem essa matéria pra sair na Folha de amanhã. Esse texto tá A CA RA da Folha!)

 

 

Beaucoup de français pour rien contester, coitada…

terça-feira, junho 23rd, 2015

hkzdrgAviso: aqui tem treta pra 5 baldes de pipocas.

Daí que a apresentadora da TVeja (Cês me juram que ela é jornalista? Que coisa, não?) está sendo acusada pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná de plágio. Não de uma ou duas matérias, mas de exatas 65 matérias. Em menos de um mês. Movem a acusação contra ela exatos 23 jornalistas.

O que você faz numa hora dessas? Pega o pouco que lhe restou de dignidade, junta os cacos, enfia a viola no saco, pede desculpas e bola pra frente. Tentar terceirizar a culpa ajuda, mas não resolve.

Isso já aconteceu outras vezes. Lembro de um caso de um repórter da editoria Rio de O Globo (não lembro do nome dele, e não vou me esforçar pra isso, coitado, o cara ficou morrendo de vergonha), que (diz que) recebeu um texto legal de m amigo, pediu pra postar no blog dele no jornal, o amigo autorizou e, uma semana depois, o cara descobriu que o texto havia sido publicado em outro lugar. Foi demitido, e saiu pedindo desculpas pelo amor de Deus.

Mas não foi o que dona Joice Hasselmann fez. A mona botou a cara no sol e saiu disparando metralhadora giratória. Pelo que eu entendi, a culpa pelos plágios dela é da CUT. Como, eu não sei. Mas sei que a dona não é nem versada em português nem em francês. Allons-y pra conferir o que a tia fez?

Pipoca? Check! Guaraná? Check!

A escória do jornalismo só podia estar num sindicato ligado a CUT[Ok, não vou entrar no mérito. O artigo 5º da Constituição Federal permite que ela pense isso. Esse mesmo artigo também me permite considerar escória do jornalismo os integrantes da redação da Veja, né? Então, deixa prá lá]. Minha resposta aos vira-latas[ah, puxa… vira-lata é um bicho mó legaus!]: Retournez a la Merde! [ô minha tia, faltou um acento grave aqui nesse a. É “retournez à la merde”, por favor! Vai arrotar francês, arrota direito!]

Caros amigos-vírgula [Depois da merde praticada em francês, a tia vem e pratica uma merda em português. Falou vírgula aqui pra separar o vocativo do resto da frase!] vamos pensar numa equação nefasta. Imagine o produto do ócio de gente frustrada aliado ao pseudo intelectualismo (ignorância, burrice, estupidez e sobretudo má-fé)[até aqui a tia seguiu a receita tucana de encheção de linguiça: “Aí, seu Camões! Desce uma tonelada de substantitvo abstrato pra eu rechear meu texto!”]. Imaginou? Ruim-vírgula né? Mas tudo pode piorar.
Junte à [ponto positivo! A tia sabe crasear!] mistura preguiça, inveja, uma boa dose de canalhice e-vírgula para finalizar-vírgula empacote tudo num sindicato sem vergonha ligado à CUT[outra crase certinha, e a CUT que tava quietinha no canto dela sem encher o saco de ninguém foi enfiada aqui do nada!]. Voilá[E, como castigo por enfiar a CUT onde não deve, a tia errou de novo o acento! É acento grave, tia! Voilà!] ! Temos aí o Sindicato dos Jornalistas do Paraná que consegue ser boi de piranha e ao mesmo tempo um ativista da imbecilidade[Tá. eu entendi que a tia precisa vomitar ofensa contra o sindicato dos jornalistas do Paraná. Mas como justificar à luz da coerência e da coesão as expressões “boi de piranha” e “ativista da imbecilidade”?]
Estou sendo dura? Será[Não, queisso… por enquanto você só foi prolixa e não disse a que veio. Lead é coisa de vira-lata, presumo eu…]? Bem, eu nunca acreditei nessa gente e nunca paguei um centavo para essa gente encostada ficar fingindo que luta pelos direitos dos trabalhadores jornalistas[De novo: artigo 5º e pans]. Por sorte, essa corja de hoje é menos inteligente. Sim, sorte, afinal um sindicalista inteligente e amoral pode destruir o Brasil. Veja o que aconteceu com Lula no poder[Depois da CUT, sobrou pro Lula, coitado! É impressionante a capacidade que um jornalista (sorry) da Veja tem de enfiar a culpa no Lula, credo… mas ao menos ela reconheceu que Lizinácio é inteligente. Pfvr, registrem e guardem para 2018. Vamos precisar! 😛 ]. Deus nos livre[A CUT, Lula e Deus já estão aqui comendo as pipocas dos nossos baldes, e a tia nem tchuns pra dizer a que veio!]
Hoje-vírgula esses sindicalistas de araque, travestidos de jornalistas, são do baixo clero-vírgula mas mesmo assim eu vou dar uma chance e uma moralzinha pra essa turma de desocupados[Mais duas linhas, gente! Nada!].
Mas qual é o motivo de tanta ira, Joice Hasselmann? 
Eu vou contar-vírgula amigos. Recebi um link de um post do Sindijor- PR ou melhor, sindijor com letra minúscula mesmo[Tia, cê num sabe pôr vírgula em texto, e pede desculpas porque deixou uma palavra em caixa alta? Ah, vá!!!] , (o inútil sindicato da “catigoria”[catigUria. Fazfavô!] do Paraná) dizendo que uma Comissão de Ética (ética????? Sim, eu sei é risível[mas pelo amor de nossa senhora dos 140 caracteres, da pra explicar o motivo da sua ira, minha tia?!?!?!?!] , mas é o nome) me condenou por plágio[ARRÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!! Filnalmente ela disse o porquê de tanto esperneio! Tá. Vc é acusada de plágio. E aí, o que tem a dizer em sua defesa?] Oi??!!! Toc-toc!!!! Beberam???? Fumaram alguma coisa esquisita???[Tá. Ela questiona a motivação da acusação. Eu faço isso direto.] Bem, até pode efeito de algo além da malandragem, mas a gênese da palhaçada-vírgula caríssimos, é a velha sacanagem mesmo[e aqui Deus castigou ela de novo: ela se esqueceu de um verbo – pode SER efeito- e, de novo, faltou a vírgula pra isolar o vocativo. Tia, se cê num sabe usar vocativo, por favor, num usa!] . Do tipo que essa gentinha gosta[Tá. Acho que ela disse que foi alvo de uma injustiça. Mas qual?]. Fizeram uma reunião na surdina [Aí você lê o texto do sindijor, cujo link está lá em cima, e descobre que ela foi chamada a se pronunciar a respeito, e não respondeu a nenhuma convocação. Considerando que em questões desse tipo existe todo um protocolo a ser seguido, como ouvir a acusação, a réplica e a tréplica, acho no mínimo questionável ela afirmar que não foi consultada. Até pra isso deve ter prova.] porque 23 profissionais tiveram um surto-vírgula e resolveram acordar um dia e ir ao sindicato-vírgula porque essa pessoa tão malvada como eu fez carreira em cima do belo trabalho de operários padrão do jornalismo paranaense[de novo, faltou mondi vírgula aqui, mas eu vou fazer de conta que não percebi. Vou considerar como figura de estilo, pra passar a ideia de exasperação e agitação. Eu também costumo fazer isso por aqui vez que outra. Mas ela diz que 23 profissionais surtaram? é isso mesmo, minha tia? Mas esses profissionais surtados, será que eles sabem usar vírgula? Tá parei]. Ohhhh, Jè suis désolèè[ai, porra! Eu tava pronta pra defender a sujeita e dizer que trocar acento grave por agudo é coisa pouca, porque pode ser apenas a tecla shift que não funcionou direito aí ela me vem e me taca não um nem dois, mas TRÊS acentos graves errados?!?!?!?!!? Ah, porra, onde cê fez esse curso de merda, hein?!?!!?! É “Je suis désolée”, porque vc é mulher! Se fosse homem, seria “Je suis desolé”, com um e só. E je não tem acento, coisa!]. Eles têm toda razão! Essa que vos escreve é mesmo uma despreparada. A história comprova[acho que ela vai ser irônica. Só acho.]. Enquanto boa parte dessa gente se reunia para fazer nada, para tomar umas e outras nos botecos pé sujos da vida, eu, vejam só, trabalhava[Mas, espere! ela tá dando a entender que os 23 que estão processando ela são sindicalistas? São da CUT?]. Não se ofendam. Eu sei que a palavra “trabalho” dói, mas eu tenho essa mania condenável por vocês. O que se pode fazer? [Segundo Joice Hassellman, a palavra trabalho dói. Pra membros de uma entidade cuja sigla significa Central  Única dos TRABALHADORES. Olha, minha tia, aqui cê tá começando a perder o fio da sua meada…]
O fato é que enquanto intelectuaizinhos de meia tigela[Agora fiquei curiosa pra saber o nome dos 23 que estão acusando ela de plágio.] fingiam fazer alguma coisa-vírgula eu já estava no ar e desde o primeiro ano de jornalismo. Sim, eu trabalhava e estudava. Que horror[Tá. Vc trabalha desde o 1º ano da faculdade. Grandes merdas. Eu também. E, como sabia trabalhar direito, eu tinha a hora de trabalhar, a hora de estudar e a hora de beber no boteco da esquina. Você, pelo visto, trabalhava mal, tinha que refazer o trabalho todo e ficava depois da hora, né?]! No terceiro ano de faculdade-vírgula cometi o pecado mortal de conseguir ser diretora de uma afiliada da principal rádio jornalística do Brasil[Agora deu pena de Curitiba. Sério que faltam profissionais de qualidade aí NESSE TANTO, gente? afff…]. Que erro o meu. Como eu fui capaz de tamanha traição? Eu devia mesmo é ter me juntado a um bando de vira latas e sair por aí fazendo piquete, greve na universidade ou qualquer coisa bem inútil para a sociedade[Greve é um troço inútil pacas. Olha, se eu te contar que Adam Smith discorda disso cê vai ficar chateada comigo? Jura? Foda-se!] 
Os dias se passaram, os anos se passaram e os grandes profissionais indignados continuam indignados, hoje ilustres desconhecidos, mas o trabalho genial dessa gente brilhante teria sido o motivo da minha carreira seguir em frente[tá. Deixa eu ver se eu entendi: geral ralando feito um corno pra ganhar meio mentex de piso salarial, aí la vem, dá CTRL+C/CTRL+V naquele texto suado e fudido, põe a assinatura de merda como se o texto fosse de autoria dela e ainda fica putinha porque geral tá reclamando que o que ela faz é errado? E esse teria sido no futuro do pretérito, hein? seu inconsciente tá te acusando, é?]. Ahhhh, vão se catar-vírgula bando de canalhas! Eu, diferente de vocês-vírgula seus parasitas, trabalho 15 horas por dia e não fico enganando em redação durante 5 horas ( para aquele poucos que tem emprego, né-ponto de interrogação). Tenho vergonha de gente assim[Tá. Me corrijam se eu estiver errada: pelo que eu percebo, até aqui ela não negou nenhuma das acusações, né?]. Fui diretora da CBN, diretora da Bandnews, a colunista de política mais influente do Paraná, comandei o colunismo político da Record, tenho mais de uma dúzia de prêmios-ponto. e vocês[Jogou medalhas na mesa – check!] ? Responde aí[Mas ela não consegue nem acertar um imperativo?!?!?! A sujeita é tão mandona e não sabe nem conjugar verbo de ordenamento?!?!!?! Mas minha tia, o certo é “respondam!”]! Poucas vezes vi uma atitude tão tão baixa. Bando de mentirosos[arráááááááááaaá! Finalmente ela diz que as acusações são mentirosas!!! Mas até que enfim, hein, minha tia?]. Para se ter uma idéia,[ideia não tem mais acento, mas eu tb gosto de uma idéia acentuada. Deixa pra lá, vai…] quando essa conversa fiada apareceu-vírgula [outra vírgula comida!] meu advogado tentou ter acesso ao processo e-vírgula claro-vírgula o nobre sindicato não entregou. Fez tudo na surdina, por debaixo do pano, sem ouvir o contraditório e-vírgula para ganhar uns minutinhos de atenção-vírgula fez uma nota e espalhou para os blogs sujos e afins[Mas meu São Crispiniano!!! tá lá no texto que ela foi procurada pra responder às acusações, e não se manifestou!!! Tia, se é pra mentir, ao menos faça isso sem ter como ser desmentida, né? Coisa mais feia…] . Os patrões gostaram, companheiros? Ah, também é mentira que tentaram contato comigo. Meus telefones continuam os mesmos. É uma atrás da outra.[Tá. Então deixa eu reescrever aqui tudo o que ela alega, de forma sucinta: 
eu, Joice Hasselmann, estou sendo injustamente acusada de plágio por 23 jornalistas. Todas as acusações são falsas e mentirosas. O sindicato alega que entrou em contato comigo, mas em momento algum eu ou meu advogado pudemos ter acesso ao conteúdo do processo <— e voilà (com acento grave, né?) Achei uma contradição! Como ela pode dizer que não foi contactada (“Meus telefones não mudaram”), se ela diz que o advogado dele tentou ter acesso ao processo e não obteve? Afinal de contas, ela sabia ou não sabia que estava sendo processada?]
Eu, Joice Hasselmann sou pessoa jurídica[Ah, tá. Então, posso concluir que terceirizados estão liberados de sair por aí copiando a torto e a direito o texto dozotro?], dona do meu nariz, não pago pedágio para essa corja e não me dobro a essa gentinha ligada à CUT. Eu NÃO sou filiada ao sindicato porque eu nunca quis[OK, OK e OK.]. Querer me punir me impedindo de integrar esse sindicato é elogio. Vocês são invejosos, arrogantes e incompetentes. Arregacem as mangas e trabalhem! [Mas quem tá querendo que ela se filie ao sindicato? pelo que eu entendi, os cabras querem que ela explique o plágio!]
O que eu tenho a dizer sobre isso: vão para o diabo[Fia, fazisso não… são VINTE E TRÊS contra uma. Explica direitinho, rebata ponto a ponto, acusação a acusação, jornalista a jornalista. Se você está tão certa do que fez, mostre isso pontuadamente!] !! Aos senhores, as batatas! E enfrentem meus advogados seus sanguessugas. Se ainda não entenderam vou ajudar: “Allez a la Merde[faltou acento grave: allez à la merde!] ! Ou se preferirem “Retournez a la Merde[de novo: faltou acento grave. Gente, naonde essa sujeita fez curso de francês,hein?]“.

Meu veredicto, que já publiquei no Facebook: C’est beaucoup de français pour rien contester ( = é muito francês pra não responder nada), kiridinha…
São acusações pontuais e específicas. Et vous avez seulement aboyé aux “petralhas”.( = E você só fez latir para os petralhas)
E aí? Allez-vous contester les accusations ou non ( = vai responder às acusações ou não)?!?!

E se quiser continuar a discussão em francês, inglês, espanhol ou latim, tamosaí…. mas da próxima vez, eu vou exigir que você ou escreva corretamente em outra língua, ou saiba pontuar textos na sua língua.

(E você acha que eu acreditei nessa prosódia toda? Aham… asseilez-vous là (senta lá) kiridinha…)

Et je ne vais pas à la merde, parce que je dois faire mon travail de français. Au revoir!

(E eu não vou à merda porque preciso fazer meu trabalho de francês. Tchau!)

(E ela não explicou por que o Sindijor é boi de piranha. #magoei)

 

 

Quase um bom editor de capa

domingo, maio 17th, 2015

11295557_750847851679135_1021479729498986201_nO pior é que eu entendi.
A ideia de pauta é a seguinte: pô, o cara disputou voto a voto a última eleição presidencial e perdeu por pouco.

Credenciou-se, portanto, como o líder da oposição etc etc etc piriri pereré pororó. Vamos fazer uma entrevista com ele na qual ele avalie os 100 primeiros dias de governo daquela que o derrotou?

Ou seja: a ideia é boa, e seria uma matéria perfeita se vivêssemos num país onde oposição fizesse, de fato, oposição.

Mas a oposião faz mimimi, né? e quem apoia a oposição também faz mimimi, né?

Então como resultado desse mimimi todo temos essa chamada de capa…

Myghos, parem que tá feio…

E querido editor de capa: próxima vez, tente uma chamada mais atrativa e menos apelativa, sim?

 

(em tempo: dei uma passad’olhos no pedaço da entrevista que está disponível no site. Tá uma merda.)

“Chupa, petralhas!”

domingo, maio 10th, 2015

(Aqui nóis é tudo contra a terceirização, mas terceirizamos comentários sobre os assuntos mais quentes da semana…)

Enfim.

Quem resumiu de maneira primordial o quiproquó foi a Suzana Dornelles, no Facebook: “A Globo disse que o Mujica disse que o Lula disse e o Mujica disse que não disse o que a Globo disse que o Mujidca disse que o Lula disse.”

 

Mas quem contou a história lindamente foi o Pablo Villaça.

 

CHUPA PETRALHAS!”

Algo havia acontecido. De repente, dezenas de tweets, comentários no Facebook e mesmo mensagens inbox chegavam trazendo o grito de guerra da neo-direita. Havia algo errado. Além, claro, do erro na concordância verbal e da falta de vírgula e de argumentos.

Curioso, fui diretamente ao UOL – pois se há um lugar que é repositório constante de retórica reacionária, é este portal (eu poderia ter ido ao site da Veja, mas a Vigilância Sanitária barrou o acesso a este título aqui no meu escritório).

Em dez segundos, a causa da gritaria: “Lula confessou a Mujica que sabia do mensalão”.

Uau. “Realmente, esta era uma informação bombástica.”, pensei. “Claro, não fazia o menor sentido: MESMO que soubesse, por que Lula confessaria algo assim a Mujica? E MESMO que Lula tivesse confessado, por que Mujica revelaria isso? Mas certamente o UOL não publicaria uma mentir…” HHAHAHAHAHAAHHA.

Respirei fundo, parei de rir e cliquei na notícia. Ou “notícia”.

Vi que a informação havia sido gerada no Globo e extraída da biografia de Mujica escrita por dois autores uruguaios. Li o trecho que os jornalistas de O Globo usavam como prova de que Lula sabia do mensalão.

De imediato, notei que as frases pareciam tiradas do contexto original. Notei também que a manchete trazia a palavra “confissão” sem aspas, mas que a matéria em si usava as aspas, o que era revelador. Finalmente, percebi que os “jornalistas” (com aspas) haviam inserido um “(o mensalão)” antes de uma frase na qual Lula confessaria ter sido obrigado a lidar com algo. Também revelador. Se eu quisesse colocar um “(o dildo gigante)” na mesma frase, poderia, claro – e a notícia ficaria ainda mais chamativa. Mas isto não a transformaria em realidade.

Pensei em escrever algo sobre o assunto, mas fiquei com preguiça. É CLARO que se tratava de uma matéria mentirosa. Sim, havia sido reproduzida por veículos que supostamente deveriam ser referência de bom jornalismo, mas há muito desisti de ver isso no Brasil, um país onde todas as principais emissoras de tevê, publicações impressas e portais na Internet reproduzem o modo “Fox News” de operar.

As mensagens de “CHUPA PETRALHAS” continuaram. Eu poderia apontar que o fato de ser de esquerda não faz de mim um “petista”, mas a vontade de corrigir a concordância era ainda maior e eu havia resistido. Deixei pra lá.

Tuitei (ei, me “SEGUE LEITORES”: http://www.twitter.com/pablovillaca) que o Globo estava claramente manipulando a informação e imediatamente fui chamada de “canalha” por alguns integrantes desta neo-direita que ama insultar e teme argumentar. Um deles chegou a dizer que estava com o livro à sua frente e que confirmava a informação. Eu e outros leitores pedimos fotos do livro, mas ele disse apenas que “petista era tudo preguiçoso”. Pensei em novamente apontar a diferença entre ser de esquerda e ser petista, mas a construção da frase me incomodava mais e ainda assim ignorei o impulso.

E, então, um dos AUTORES do livro se manifestou oficialmente. Desmentindo a informação de O Globo, é claro, e afirmando categoricamente que Lula nada falou sobre o “mensalão”. (Para aqueles que ainda se interessam por um conceito chamado “fato”, um dos links para o desmentido é http://g1.globo.com/…/lula-diz-que-teve-de-lidar-com-coisas…).

Por alguns segundos, considerei que todos aqueles que reproduziram a “confissão” de Lula deveriam estar embaraçados: Noblat, colunistas da Veja, “jornalistas” de UOL, Globo, etc. Certamente ficariam envergonhados por terem espalhado uma informação calunios…. HAHAHAHAHAAHAHA.

Ai, ai. Eu me divirto sozinho.

Pensei no estado da imprensa brasileira:

O Globo divulgou que Lula havia confessado saber sobre o mensalão. Um dos AUTORES do livro no qual a “confissão” estaria DESMENTIU.

Época divulgou que o Ministério Público estava investigando Lula. O Ministério Público DESMENTIU.

Sherazade disse que black blocs haviam sido presos entre os professores no Paraná. A Defensoria Pública do estado DESMENTIU.

E, ainda assim, esta neo-direita brasileira abraça esta mídia e espalha as informações mentirosas em páginas e perfis no Facebook e no Twitter – sempre acompanhadas de insultos a qualquer um que aponte os erros factuais. E ainda assim esta neo-direita não hesita em afirmar sempre “agir em nome da ética e contra a corrupção”.

Certamente devem sentir vergonha diante da hipocris…

HAHAhaaaaa… Interrompi a gargalhada.

A situação era triste demais para despertar o riso.

Jornalismo Fox Mulder

sexta-feira, janeiro 23rd, 2015

O Nassif vive publicando posts meus (o que eu autorizo com gáudio e festejar 😀 ), então acho que ele não vai ficar chateado de eu publicar o post dele.

Só me permito fazer uma única observação, Nassif: o sintagma “E se” era o ponto de virada de investigação e, portanto, de todos os episódios do Arquivo X. Fox Mulder virava opra Dana Scully e mandava um “what if…?” nesse momento entravam os homenzinhos verdes no episódio… 😀

As pegadinhas da mídia com o “se”
SEX, 23/01/2015 – 13:35
Luis Nassif

Os jornais querem arrancar do Ministro das Minas e Energia que haverá racionamento de energia. O Ministro nega. Os reservatórios do pais estão com 17% de nível de água. Aí o repórter pergunta: “E se baixar para 10%?” E o Ministro responde: “Então haverá racionamento”.

Manchete: Ministro admite que poderá haver racionamento.

O repórter poderia avançar mais: “E se acabasse a água em todo o país?”. O Ministro responderia: “Ninguém mais conseguiria acender a luz!”.

O “se” é a jogada mais manjada e mais utilizada pela mídia e deveria constar em todo treinamento de autoridades.

O mais famoso “se” da história moderna do jornalismo foi o caso Boimate – perpetrado por Eurípedes Alcântara na revista Veja. O jornalista cai em um trote de uma revista científica, falando do cruzamento de boi com tomate na Universidade de Hambuerger pelo dr. MacDonalds. Pauta um repórter para ouvir um cientista brasileiro:

– O que o senhor achou desse feito?

– Impossível!

– E “se” fosse possível?

– Seria a maior revolução da história da genética.

Veja tirou o “se” da pergunta e publicou a afirmação.

Aliás, dupla barriga: se fosse, de fato, a maior revolução da história da genética, mereceria matéria de capa.

O “se” comporta tudo.

“Se” o Serra matou sua mãe, será considerado um matricida.

“Se” o Lulinha comprou a Friboi, não faltará carne em sua mesa.

“Se” o Aloyzio Nunes apoiar a Dilma será considerado traidor.

Ou seja, se algum repórter fizer alguma pergunta com o “se”, recorra à 5a Emenda e diga algo como: “Não respondo sobre hipóteses”, porque vem sacanagem na certa

Coerência mandou um beijo

sábado, janeiro 17th, 2015

Sabe aquele xurraxcão da galhéra, com piscina?
Sabe quando galhéra cisma de pegar todo mundo de surpresa e jogar na piscina?
Sabe aquele cara que foge da galhéra, sai correndo pra não ser jogado na piscina pela galhéra, e se joga na piscina?

Intâo….

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Dilma, mercado, especulação e o duplo twist carpado do Infomoney pra ser coerente e não perder dinheiro

quinta-feira, outubro 2nd, 2014

Antes de começar este post, vou agradecer e mandar milhões de beijinhos pro Felipe Spencer, que fez rapidex pra mim essa imagem que eu vou usar pra desenhar a história por trás do post que originou este post:

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Queisso, bruxa?

Isso é um resumo da reta final do primeiro turno, o que está acontecendo entre Marina Silva e Aécio Neves na disputa pelo segundo lugar. Marina está em franca queda, e Aécio em franca ascensão. Aécio pode ultrapassar Marina a qualquer momento.

E eu não pus de propósito a seta-resumo de Dilma Rousseff, porque essa tá bem acima, e divando pra cima (late mais alto que daqui eu não te escuto, diria Valesca Popozuda…)

Enfim. Com essa imagem na cabeça, e pensando que Dilma pode passar a régua ainda no primeiro turno (se não fechar, vai ser por muito pouco mesmo), vamos analisar o texto cometido de maneira tonitruantemente gloriosa pelo Infomoney.

Esse texto me chamou a atenção porque o supracitado site (considerado um verdadeiro pai-de-santo pelos comunistas do bunker clandestino  do Muda Mais) passou o ano INTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEIROOOOOO falando que se Dilma vencesse seria um desastre para o mercado, porque o mercado iria implodir, daí viria o apocalipse zumbi, Marte nos invadiria, os santos nos abandonariam e seria o fim dos tempos pereré pão duro. Aí eles resolvem dizer, a esta altura do campeonato (e das pesquisas), que Dilma talvez não seja tão ruim assim.

Claro que eu me interessei pelo twist carpado redacional. Pipocas e guaraná acompanham, senhores!

2015 vem aí: Dilma reeleita vai ser tão ruim para os mercados assim? 

corrida continua acirrada e tudo pode mudar, mas [Chegou o vírgula-mas! vamos ver a adeversatividade qual é!] alerta com reeleição de Dilma se acendeu mais uma vez para investidores[ela é presidenta, e comanda o Brasil há quatro anos. Mas representa risco pros investidores. Não, eu não consigo entender essa lógica]: há motivo para tanta preocupação?[eis a introdução do imbroglio. Agora vamos ver como se dá a concatenação dazidéia do Pai Infomoney]

SÃO PAULO – Após a divulgação da pesquisa Datafolha na última sexta-feira onde a candidata Dilma Rousseff aparece 13 pontos na frente de Marina Silva e também numericamente na frente no segundo turno, apesar de tecnicamente empatada com a margem de erro, a bolsa desabou e o dólar disparou. E a percepção foi corroborada pelas pesquisas Datafolha e Ibope de ontem.

mercado

Ay, señores! Ustedes me matan de verguenza!

[lá em cima foi só a introdução. Aqui é que começa a diversão e as loucas aventuras. Acompanhem:] Conforme aponta Raphael Juan, gestor da BBT Asset, o que o investidor pode esperar até o fim das eleições é muita volatilidade [se eu tivesse ações na Bolsa, ficaria quietinha encolhidinha sem me mexer, porque a montanha russa vai ser braba!], já que a candidata do PSB ainda tem um bom potencial de crescimento [agora olhe pras setinhas lá de cima, entenda a seta verde como da Marina, solte uma gargalhada e vlte logo!] e no segundo-turno o tempo de televisão é igual para ambos os candidatos. “Além disso, o PSB tende a receber o apoio de Aécio Neves, algo que é impossível de ser contabilizado nas atuais pesquisas. Portanto, cenário totalmente indefinido”.[O texto se propõe a dizer que Dilma reeleita não vai ser tão ruim assim, mas esse parágrafo reza por Marina. Lógica? Compreensão? Racionalismo? Não, somos especuladores, trabalhamos com nada disso, minha senhora!]

Por outro lado[esse “por outro lado” pode ser praticamente considerado um alomorfe do vírgula-mas. Mas deixem essa observação pra lá, pq isso não é uma poção de morfologia], a forte queda na Bolsa e alta do dólar acontece porque o mercado já dava como certa a eleição de Marina Silva[aí veio a Dilma, subiu, e embaralhou ascoisatudo de novo!]. Agora, o investidor precisa começar a se preparar para uma eventual permanência de Dilma no Planalto. 

“O investidor já sabe como o mercado deverá reagir com Marina[tá. deixa eu entender, então. Marina nunca antes na história deste país foi leita presidenta, mas o mercado já sabe como reagir a um governo dela? Ah, é verdade! “Lógica? Compreensão? Racionalismo? Não, somos especuladores, trabalhamos com nada disso, minha senhora!”], porém, [é tanto vírgula-mas que o redator teve que lançar mão de um “vírgula-porém] ainda é uma incógnita como se comportará com Dilma[vou repetir o raciocínio da observação lá de cima: Dilma é presidenta há quatro anos, e o mercado sabe o que esperar dela e como ela se comporta. Mas o comportamento do mercado será uma incognita com Dilma?Ah, é verdade! “Lógica? Compreensão? Racionalismo? Não, somos especuladores, trabalhamos com nada disso, minha senhora!”] . (…)

De acordo com o diretor de mercados emergentes da corretora japonesa Nomura, Tony Volpon, o Datafolha de sexta acabou sendo um divisor de águas para os mercados, que parecem ter abandonado a esperança de que esta eleição representaria o fim do ciclo do PT. [abandonado a esperança. Fim do ciclo do PT. Imparcialidade? Não, senhora! somos especuladores! Quer imparcialidade vá ler a previsão do tempo – e mesmo assim procure um site de informes meteorológicos!]

“A reação do mercado, em nossa opinião, não é atribuível tanto à diferença entre os dois principais candidatos, mas a tendência dos dados eleitorais. Projetando esta tendência para a frente, poderia-se imaginar uma reeleição de Dilma já no primeiro turno”, afirma. 

Para Volpon, todos os resultados são possíveis e a corrida continua muito acirrada, com Marina podendo compensar o terreno perdido em um segundo turno. Porém, tendo como base um cenário de maior possibilidade de Dilma vencer, o especialista também destacou o que pode mudar no próximo ano

[Mas espere! Você acha que o melhor do texto á apareceu aí? Pare de comer pipocas pra não se engasgar!]

E depois de 1 de janeiro de 2015?
O que aconteceria depois do dia 01 de janeiro de 2015? Para Juan, com a mudança do Ministro da Fazenda, um grande passo já será dado, principalmente se for um nome que inspire confiança do mercado, como Henrique Meirelles. [QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA O INFOMONEY QUER EMPLACAR MEIRELLES NA FAZENDA! QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA Devemos avisar que eles estão fazendo isso muito, muito errado? Melhor, não, né?]

“Principalmente os investidores internacionais, que movimentam a nossa economia, enxergam Guido Mantega como uma fórmula esgotada para retomar o crescimento[puxa, que coisa, não? Isto significa que eles estão tudo indo embora do Brasil? Não, não significa!] . A troca do ministro, dependendo do nome, será bem vista pelo mercado”[Ah, cejura? Puxa, que coisa, não?]. [Aí você pensa que o texto vai navegar pelos mares do pessimismo e…] Além disso, o cenário de modo geral não deverá ser tão catastrófico como muitos pregam.[e ele vem e concorda com o título do post!] “A bolsa deverá voltar aos 60 mil pontos, dólar ficará entre R$ 2,40 e R$ 2,45 e taxa de juros convergindo para 11%. Não acredito em desastre, como muitos pregam”, acredita o gestor da BBT.[Tá. Aí eu lhe convido a voltar cinco parágrafos pra reler o trecho em que o texto diz que com Dilma mercado será incógnita: olha a cognição aparecendo aqui! O_o] 

Já para Volpon, é difícil saber se Dilma tirará lições de seus anos de mandato e de quando esteve perto de perder a reeleição [Porque, né? O mercado quer ensinar lições a Dilma. E eles devem estar todos lá, sentadinhos, ao lado da Cláudia…] Ele destaca dois cenários opostos: [aqui você para de novo de comer pipoca pra não se engasgar]  há quem acredite que Dilma reeleita vai manter a retórica política esquerdista da campanha e construir pontes com o setor privado e os mercados financeiros[calma que não é isso, é agora que começa!]. Os pessimistas acreditam que ela vai ver a sua reeleição como mais quatro anos “para lutar pelo povo contra o mercado e os interesses financeiros que quase a derrotou”. [QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA aviso: não tenho forças pra destacar o erro de concordância dos interesses financeiros que a derrotOU. Vamos ignorar, vamos?]

Para Volpon, a verdade está em “algum lugar do meio” [Fox Mulder curtiu isso]. “Nós acreditamos fortemente que ela dará sinalizações iniciais mais pró-mercado e a nomeação de um novo ministro da Fazenda será um sinal muito importante para saber se há substância em um discurso mais pró-mercado”.

A Nomura acredita que, devido às suas visões ideológicas, haverá ajustes pequenos nas políticas atuais. “Em declarações recentes, Dilma defendeu seu ponto de vista que o que prejudica a economia brasileira é a crise global; que suas políticas têm sido bem sucedidos em proteger o trabalhador brasileiro da crise; e que suas políticas serão revertidas quando a economia global se recuperar”. [MAZAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! Eles são capazes de entender o que a Dilma fala!!! Não precisa desenhar!!!! Que boooooooooom!!!!]

“Esta ‘visão de mundo’ levanta a questão óbvia: se a economia global não vem para o resgate, Dilma continuará ‘protegendo o trabalhador brasileiro’, mesmo à custa da contínua deterioração fiscal?”

A Nomura avalia que sim, não havendo nenhuma decisão autônoma para ajustar a economia. Por outro lado, haverá restrições: uma é política e outra é sobre os índices voláteis de aprovação do governo. A popularidade do governo aumentou “por causa do bombardeio constante da campanha eleitoral” mas, para a Nomura, estes índices mais altos não devem se manter, funcionando assim como uma restrição poderosa contra as políticas impopulares de ajuste. 

“Um governo se recusar a ajustar as políticas não significa que a economia não se ajusta. Significa apenas que os mercados têm de fazer o trabalho que governos se recusam a fazer.[masmeufiiiiiiiiiiilho…. Adam Smith, já ouviu falar nele? Laissez-faire, laisez-passer, manja? Intâo…] Como é típico em um ambiente de mercado emergente, o principal mecanismo de ajuste será a taxa de câmbio”, ressalta Volpon.

(…) [eu poderia aqui falar de uma tentativa de previsão mercadológica do tipo bola de cristal, mas deu gastura]

Olha, como já disseram no Twitter, esta eleição tá tão enlouquecida que até domingo pode rolar apocalipse zumbi e invasão alien. E muito, muito texto mal escrito e mal concatenado.

Aécio e a hortografia pobremática da incompetência

domingo, setembro 28th, 2014

Então, tá.

Você acabaram de ler sobre os pedacinhos que compõem uma palavra, e não são as sílabas. São os morfemas. (post logo abaixo)

Peguemos, por exemplo, a palavra incompetência. Se pensarmos um pouquinho, vamos perceber que ela é a palavra competência seguida do prefino {in-}, que significa

prefixo

Negação.

 

E competência, se você observar a etimologia da bicha palavra, vai descobrir que

competenci

 

Tudo isso daí de cima pra dizer que o candidato Aécio Neves não sabe escrever incompetência. Duvida? Aqui:

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Se você continua duvidando, clique aqui e veja você mesmo o vídeo.  Aos 57 segundos.

Cerejinha do bolo: ele cometeu essa incoMpetência pouco depois de dizer que o PT está deseducando o Brasil.

Castigo de Deus, a gente vê por aqui.

Aê, aê, aê, aê, Aécio! Aproveita que você chegou ao fim deste post e continua a rolar no blog, pra aprender sobre morfemas!

E de nada por essa educação que você recebeu desta petista que vos fala!

 

Marina e a guinada de 360 graus na política brasileira

sábado, agosto 30th, 2014

Adoro essa expressão: guinada de 360 graus. Você dá uma volta inteira e volta pro lugar de onde começou. Ou seja, melhor ter ficado parada, quieta, sem fazer nada.

Pois a candidata-viúva Marina Silva conseguiu a proeza de dar uma guinada de 360 graus em apenas 24 horas. Ontem a comunidádji LGBTSPFCdesculpem, mas eu adoro essa piadinha! 😛  estava toda feliz e serelepe com as propostas da candidata para esse segmento da sociedade – uma galera sofrida, fudida, que tem direitos civis básicos negados por motivos escrotos, baixos, vis. Mas não vou entrar nessa questão.

Vim aqui só pra mostrar a teteia que é a carta-360-desmentido dizendo que não era bem aquilo que a gente tava dizendo etc e tal. Vamos acompanhar. Já estouraram as pipocas?

(Aviso: vai ter muita caixa alta de minha parte. PORQUE EU ESTOU POSSESSA DA VIDAAAAAAAAAAA)

 

[respire fundo porque o trecho a seguir contém cinco linhas e NE-NHUM ponto. Vmaos lá]O texto do capítulo “LGBT”, do eixo “Cidadania e Identidades”, do Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil, que chegou ao conhecimento do público até o momento, infelizmente, não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão sobre o tema durante as etapas de formulação do plano de governo (comentários pela internet sobre as diretrizes do programa, encontros regionais e as dinâmicas de escuta da sociedade civil promovidas pela Coordenação de Programa de Governo e pelos candidatos à Presidência pela Coligação).[não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão. Maneira tucana de escrever: TEM PORRA NENHUMA A VER COM O QUE A GENTE QUER FAZER]

Em razão de falha processual na editoração[FALHA. PROCESSUAL. NA EDITORAÇÃO. enfiarama culpa no pobre infeliz do tio webmaster que tava quieto lá no canto dele!], a versão do Programa de Governo divulgada pela internet até então e a que consta em alguns exemplares impressos distribuídos aos veículos de comunicação incorporou uma redação do referido capítulo que não contempla a mediação entre os diversos pensamentos que se dispuseram a contribuir para sua formulação e os posicionamentos [outra maneira ainda mais tucana de escrever: TEM PORRA NENHUMA A VER COM O QUE A GENTE QUER FAZER!] de Eduardo Campos e Marina Silva a respeito da definição de políticas para a população LGBT.

Convém ressaltar que, apesar desse contratempo indesejável[CONTRATEMPO INDESEJÁVEL. Defender a causa LGBT é um CONTRATEMPO INDESEJÁVEL!] , tanto no texto com alguns equívocos [TEXTO COM ALGUNS EQUÍVOCOS! ALGUNS EQUÍVOCOS!] como no correto, permanece irretocável o compromisso irrestrito com a defesa dos direitos civis dos grupos LGBT e com a promoção de ações que eduquem a população para o convívio respeitoso com a diferença e a capacidade de reconhecer os direitos civis de todos.[Traduzindo: Aê, galhéra, tô pisando pra caralho em ovos pra dizer que vocês que ontem tavam morrendo de amores por mim hoje têm motivos de sobra pra comer o meu fígado, mas eu preciso do voto de vocês trouxas, então por favor continuem comigo, sim?]

Os brasileiros e as brasileiras interessados em conhecer as verdadeiras ideias defendidas pelos candidatos da Coligação Unidos pelo Brasil para a Presidência da República, Marina Silva e Beto Albuquerque, já o podem fazer por meio do site marinasilva.org.br ou pelos exemplares impressos que serão distribuídos a partir de hoje.[a gente fez um livrinho bonitinho! Aceita um exemplar?]

(…)

E vcs que se virem, porque eu não vu dar palanque pra essa sonserina.

Cuba, o aplicativo lançado e o cacófato anunciado

sexta-feira, agosto 22nd, 2014

Guardem esta data. 21 de agosto de 2014.

Esse cacófato estava mais que anunciado e avisado. Na verdade, ele é tão velho quanto a Cuba Libre. Mar de meio século balança (uy!) as partes desse cacófato.

Daí que, mesmo com todo o aviso do mundo, mesmo com toda a Guerra Fria, o cacófato foi cometido. Pela agência Efe, que fique registrado. Que arrastou um bando de distraído web afora.

Aí geral orou aos deuses do print-screen só ao ver a manchete do G1. Gente parcial…

Eu fui ao Google. E encontrei mais. Vamos contar?

cubalanca1

Um

 

cubalanca2

Dois

 

cubalanca3

Três

 

cubalanca4

Quatro

 

cubalanca5

Cinco

 

cubalanca6

Seis

 

cubalanca7

Sete E VAI MELHORAR!

 

 

cubalanca8

oitoooo! U-OL! \o/ \o/ \o/

 

Mas aí geral se deu conta do ridículo e correu pra mexer no verbo lançar. Que pena…

 

Primeiro foi o

cubalanca9

 

E, finalmente, aquele sacaneado por todos, o G1:

cubalanca10

 

De resto, ninguém sabe exatamente qual é a desse lançamento, porque tá todo mundo cantando

 

Folha, a queda da alta e a estratégia do caos

segunda-feira, agosto 11th, 2014

É sempre assim. Minha relação com a Folha de SPaulo é de quase simbiose, saca?

Eu começo a achar que o caldeirão tá muito parado e lá vem a Folha me dar motivo pra mexer de novo no caldeirão. Vejamos a teteia que o jornal dos Frias aprontou hoje.

O texto “Mercado reduz previsão para crescimento da economia pela 11ª vez” já prenuncia o caos, desgraça e infortúnios. Abre com a redução da projeção do crescimento da economia blablabla wiskas sachê blablabla. E eu só consigo pensar no Paulo Ricardo cantando “antecipando a estratégia do caos.. há no ar num ato qualquer um certo temor / num segundo passa por nós, talvez o amor / feito o pôr-de-sol em mim, feito a vida chegando ao fim / há um fim?” Aí eu penso que esperar que o Brasil tenha o PIB da China é comparar a bunda do Hulk com a bunda do William Bonner (eu já vi, é murcha que só, uma decepção!)

Tá. Deixa o Paulo Ricardo pra lá. Voltemos ao texto. Ele fica legal mesmo quando fala de IPCA, o índice de inflação, que deve ficar em até 6,5%. Previa-se que ele ficaria em 6,39%, e agora a previsão é de 6,26%. Olha o malabarismo da redação da Folha:

 

A projeção para a alta do IPCA (a inflação oficial do país) [Pronto. Projeção para a alta. Você fica esperando um número caótico] neste ano caiu [Aí vem a realidade dos números e joga a alta pra baixo. Agora me conta: há a necessidade desse “alta” antes de IPCA no início do parágrafo, ou eu devo voltar a cantar a “estratégia do caos” do Paulo Ricardo?] para 6,26%, contra 6,39% anteriormente [Mas gemt, a coisa já tava baixa antes, de onde saiu essa alta?] , afastando mais a possibilidade de o indicador estourar o teto da meta [… e zás. Acabamos de ver a Folha passar o recibo de ridículo. Véi, brinca com número, não…] de 6,5%.

Foi a quarta semana consecutiva em que a estimativa é revista para baixo [Ah, porra, faz quatro semanas que esse número está CAINDO?!?!?!?!]. No caso de 2015, o IPCA deve aumentar 6,25%, acima da taxa estimada anteriormente, de 6,24%.

(…)

[E se você pensa que o melhor do texto é a queda da previsão de alta, espera quem tem mais!]

Com o recuo da inflação [É, não tem como , a gente tem que reconhecer aqui que a inflação caiu], o governo saiu na defesa [mas a gente tem que dar a entender que o governo está se defendendo dos constanes ataques, e que o gverno está sob intenso bombardeio com relação à política econômica!]de sua política econômica e afirmou que a meta do ano será cumprida.

Márcio Holland, secretário de Polícia Econômica do Ministério da Fazenda, afirmou que a inflação está sob controle, vem caindo nos últimos quatro meses e deve continuar a trajetória no próximo semestre.

“O resultado só reforça a nossa avaliação de que a inflação está sob controle e teremos um índice dentro das metas anunciadas esse ano, dentro do intervalo de tolerância.”

“Trata-se de resultado da política econômica posta em prática pelo governo federal desde meados do ano passado para controlar a inflação”, afirmou Holland.[ou seja: tiramos desta notícia q a inflação está totalmente sob controle, e que o governo sabe muito bem do que está fazendo, e está fazendo tudo certinho – ainda que o certo seja errado, sob a perspectiva da Folha.]

Sobre desempenho da economia brasileira, a avaliação de Holland é de que de que o Brasil não é “exceção é regra” e está “em linha com o comportamento das economias mundiais”, com taxas de crescimento perdendo fôlego. [Algo me diz que holland não estava pensando na bunda do Bonner ao fazr tal avaliação, mas deixa pra lá]

(…)

Então, só pra eu não perder o hábito, lá vai:

PORRA, FOLHA! NUM TEM VERGONHA DE ESCREVER UMA MERDA DESSAS, NÃO?!?!?! JÁ ENFIOU A CREDIBILIDADE NA PRIVADA E DEU DESCARGA, É?

Mazó: deu saudade de Estratégia do Caos. A letra tem tudo a ver com os dias de hoje:

A Estratégia Do Caos

RPM

A superfície aparente do olhar

Esconde um mar de lágrimas e estórias

De onde sereias parecem chamar

Há no ar, num ato qualquer

Um certo temor

Num segundo passa por nós talvez o amor

No pensamento em cavernas sem luz

Morcegos vêm e voam entre gritos

Antecipando a estratégia do caos

Há no ar, um ato qualquer um certo te…mor

Num segundo passa por nós talvez, o amor

Feito um pôr de sol em mim
Feito a vida chegando ao fim

Há um fim?

Aluno: Rolando Lero / Tema da Redação: Programa de Governo do PSDB

domingo, julho 6th, 2014

rolandoleroEu ameacei fazer isso em 2012 com os programas de governo dos candidatos à prefeitura de São Paulo, mas me enrolei e desisti.

Ontem eu abri o site do TSE e resolvi que não podia deixar de analisar o programa de governo dos PSDB. (clique no link  Aécio Neves da Cunha e na aba Propostas de Governo).

Antes que você prossiga: esta é uma análise de uma simpatizante do PT. Obviamente, a análise será parcial. Teje avisado e não me encha o saco, se continuar a ler estarás por tua conta e risco.

 

Enfim. Sabe quando você tem (tinha) que caprichar no trabalho final da escola pra passar de ano, mas você tá(va) pouco se lixando pra matéria, daí você faz(ia) um trabalho nas coxas, dando pouca atenção ao assunto?

Qualquer estudante conhece a receita: você copia(va) um monte de troço legal de tudo quanto é canto, mas não dá(va) a liga final no texto. O professor, óbvio, percebe(ia) suas intenções, mas ele tá(va) doido pra se ver livre de você, então te dá(va) uma nota qualquer pra você passar de ano?

Pois é. Cabei de descrever o plano de governo do PSDB, disponível no site do TSE. Sim, eu li tudo. De cabo a rabo. Não, não estou passando mal. O texto é bacana. Mal redigido, mas bacana. O problema é que o troço é um arrazoado de boas e teóricas intenções, que por vezes se tornam risíveis quando a gente pensa na prática dos governos do PSDB.

Como eu já disse, o texto é bem bacana. Tem um monte de propostas lindas e vagas. Mas metas, métodos, formas e maneiras de implementação de propostas? Virei, fucei, revirei, botei de cabeça pra baixo e sacudi. Encontrei nada.

Voltando pra metáfora do aluno ixperrto. Imagine que, além de querer se safar da matéria, o aluno em questão resolveu copiar o que o melhor aluno da sala está fazendo pra ver se consegue fazer que o professor lhe dê nota mais alta. Não entendeu a alusão? Traduzo:

– a expressão nos moldes aparece duas vezes, em alusão ao Minha Casa Minha Vida e ao Pronatec. No meio do texto, encontramos a sugestão de ampliação do programa Ciência sem Fronteiras
– A palavra aprimoramento surge em dois momentos, em ambos com complementos nominais diferentes: do modelo do Pronatec e do Enem.
– a expressão Manutenção e aprimoramento surge junto de Prouni e Fies.
– PSDB se garrô de amor pela expressão marco regulatório. Somando singular e plural, a bicha é citada sete vezes. No singular, são quatro vezes, para cuidar das regulações de Terceiro Setor, mineração, administração (no ponto de macroeconomia) e setor sucroalcoleiro. No plural, aparece em três momentos: regularização de imóveis ocupados por sem-teto, de maneira genérica no quesito empreendedorismo (Simplificação dos marcos regulatórios que impactam as atividades acadêmicas e empresariais de inovar e empreender.) e para regular o trânsito em pequenas cidades.

A receita da redação do texto é a seguinte:
1- um grande chavão que transmite uma verdade verdadeira e inquestionável
2- uma ou mais soluções vagas e inconsistentes para a questão.
Exemplo? Página 31, quando o texto fala de Ciência e Tecnologia:

A inovação é o grande agente que transforma conhecimento em riqueza. [1- chavão] Estabeleceremos programas que incentivem a pesquisa e a inovação nas empresas públicas e privadas, [2a- proposta vaga e inconsistente 1] e promoveremos a modernização e a celeridade no sistema de registro de patentes do País, via revitalização do INPI [2b- proposta vaga e inconsistente]. Apresentaremos proposta articulada no que virá a ser o Sistema Brasileiro de Inovação. [2c proposta vaga e inconsistente, que ainda cita a palavra-chave incluída no chavão que abre o parágrafo].

Então, faça o favor de estourar umas pipocas e pegar um guaranazinho, porque agora eu vou destacar alguns pontos das 76 páginas (é, eu li tudo isso. De nada.) do programa do PSDB.
A principal diferença entre o programa do PSDB e do PT está no seguinte trecho das respectivas redações:

(PT) – [o seguinte prograa de governo foi consolidado após um] processo de ampla consulta aos movimentos sociais e aos partidos aliados

Versus

(PSDB) – A elaboração deste documento decorreu do trabalho e da interlocução de inúmeros especialistas nas mais diversas áreas das políticas públicas

Eu tô até vendo a situação: a equipe do Aécio correndo atrás de especialista de tudo quanto é canto, pedindo propostas legais e bonitinhas para melhorar o Brasil na sua área de conhecimento. Conseguiram. É o tal do catadão de conteúdo maneiro em tudo quanto é canto que eu citei lá em cima.

Voltando ao nosso hipotético aluno ixperrto, ele está de posse de um conteúdo muito interessante, mas não sabe dar liga. Não sabe interconectar as informações. E isso fica bem claro no começo do texto, que não consegue se priorizar. Daí, o plano é dividido em diretrizes, e princípios, e políticas, e processos, e objetivos, e reformas…

E, como muitas sugestões se interligam, o aluno ixperto deixou bem claro que não conseguiu nem arrumar o texto de maneira complementar. Ficou tão perdido com tanta sugestão interconexa que organizou as diretrizes do governo em oito áreas, relacionadas em ordem alfabética.

ORDEM. ALFABÉTICA.

OK, houve um critério eleito. Mas é um critério que criou o seguinte mafuá:
1. Cidadania
2. Economia
3. Educação
4. Estado Eficiente [porque, né? Pra quê estado eficiente ficar dentro de economia?]
5. Relações Exteriores e Defesa Nacional
6. Saúde [depois de falar de exército e soberania nacional, vamos falar de dengue e genéricos…]
7. Segurança Pública [… pra logo a seguir voltar a falar de polícia. Superlógico! Só não percebe quem não quer!]
8. Sustentabilidade

Mais uma vez, o aluno não sabe dar liga, nem interconectar as ligações. Percebe a própria incompetência redacional. E aí, como proceder? Ah, a solução é facinha:

Estas áreas devem se integrar de forma holística, de maneira a se apresentar, ao final, um Plano de Governo que represente uma soma positiva de ações governamentais que se aliam na consecução do bem comum, e não um simples elenco de programas que não se conectam entre si [E antes de você se recuperar da gargalhada, o texto entabla a seguinte observação:] Deste modo, muitos dos temas tratados são repetidos em várias áreas, o que revela a sua prioridade e relevância. [Mas também revela ausência total de foco e capacidade de interconexão de trabalhos, né?]

Ah, deixa eu falar desse ponto da página 4! Propõe-se, especialmente, que haja ampla participação popular, através, inclusive, de mecanismos virtuais de participação, afirmou o candidato que quis censurar o Google.

 

Página 7 Assistência Social

neste tópico são aludidas as diretrizes relativas a diversas políticas públicas fundamentais para a
nação. Lindo, isso! O moço fez uma alusão! Corrida rápida no dicionário, para constatar que alusão = “referência vaga, de maneira indireta / avaliação indireta de uma pessoa ou um fato, pela citação de algo que possa lembrá-lo”.
Então, tá.

 

Página 9, Combate à pobreza e desigualdade social

A pobreza vai muito além da ausência de renda Véi, se pobreza = resultado de desigualdade social, ela será sempre ausência de renda. Pobreza que vai além da ausência de renda é pobreza de espírito, cultural ou mesmo a pobreza da redação de um texto medíocre. #ficadica

[a pobreza é] um problema que mata todos os dias os sonhos e as esperanças de uma imensa parcela da população no Brasil” Nesse trecho, o aluno ixperto perdeu ponto no trabalho. Agarrou-se dicumforça no chavão a pobreza atinge grande parcela da população no Brasil e esqueceu-se de apertar o F5, pra descobrir o percentual atualizado. E ó: precisa nem de pedir ajuda aos órgãos governamentais. O PDF disponível neste link do insttuto IPC Marketing, dá conta de que pouco mais de 7 milhões de lares brasileiros pertencem às classes D e E. Num universo de 200 milhões de habitantes, considerando em média 4 moradores por domicílio, temos pouco mais de 10% da população em situação de pobreza. Imenso é um adjetivo pouco recomendado numa situação dessas, né?

 

Cultura, págs 10 a 13
Trecho mais vidaloka do texto. É um festival de robustecimento de protagonismo e fortalecimento de diálogo com as raízes que eu fui trocar o guaraná por cerveja pra poder acompanhar. Só pra vocês terem uma ideia:

Adoção do conceito de policentrismo, por meio da valorização de manifestações culturais regionais, no plano interno e, no plano externo, com robustecimento do protagonismo do Brasil, divulgando nossa cultura em suas diversas formas, como produto simbólico caracterizador de nossa singularidade.

 

Pág. 18 – Esporte e Lazer
Apoio a que os Jogos Olímpicos Rio 2016 sejam realizados em condições ideais de organização, mobilidade, sustentabilidade, hospitalidade e segurança e incentivo às equipes olímpicas e paraolímpicas
Aí eu me lembrei do “não vai ter copa” e melhor deixar pra lá, né?

 

Pág. 22 – juventude
Prioridade na redução da vulnerabilidade juvenil, mediante critérios objetivos e políticas integradas Aqui o moço abusou do direito de ser genérico no texto. O que diabos é uma vulnerabilidade juvenil? Em relação a quê? Por quê, onde, quando e como? Véi, explica melhor!!!

 

Pág. 23 – Mulheres
A questão das mulheres não é das mulheres, é dos homens também
Vou lembrar só da polhêmica do Tucanafro. Cerejinha do bolo: saber que a frase entre aspas é de dona Ruth Cardoso. [suspiro]. Logo abaixo, o texto fala da Transformação em realidade do Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres [porque, né? Pra quê escrever aplicação, ou colocação em prática? Transformação em realidade é tão mais onírico, né?] garante a transversalidade de gênero entre ministérios. E mais uma vez a gente corre rapidinho ao dicionário pra descobrir que transversalidade = que cruza, atravessa, passa por determinado referente, não necessariamente na oblíqua em relação a ela. Ou seja: algo que não vai direto ao ponto, fica dando voltinhas.

 

Pág. 28 – Segurança alimentar e nutricional sustentável

Universalização do acesso à água de qualidade e em quantidade suficiente para o consumo da população e para a produção de alimentos da agricultura familiar, de povos e comunidades tradicionais e da pesca e aquicultura, com prioridade para as famílias em situação de insegurança hídrica Você quer mandar beijinho pra quem? Ah, um beijo pra Sabesp, outro pro Sistema Cantareira e outro pro Aécio!

 

Pág. 34: Desburocratização – Simplificação

O capítulo de Desburocratização e simplificação é de uma contradição inacreditável. O texto diz que as pessoas têm que ter a vida simplificada, sem burocracias. E diz isso de forma repetitiva e burocrática, fazendo as pessoas lerem frases inúteis para a compreensão do texto:

Transformação do conceito de simplificação num valor permanente, observando sempre a possibilidade de melhorias contínuas. [OK, entende-se que a proposta é ficar o tempo todo em alerta para novas alterações] Trata-se de um processo de mudança contínua e, como tal, terá princípio e não terá fim. [e na frase seguinte eles repetem a mensagem da primeira frase.] Descomplicar o dia a dia das pessoas e das organizações reduz o desperdício de tempo e, consequentemente, os custos. [prefiro creditar esta última frase à zoeira. Melhor, né?]

(…)

Aumentaremos a confiança nas pessoas e nas instituições, valorizando e reconhecendo que a maioria das pessoas age corretamente, e responsabilizando claramente a minoria que age fora da lei[Percebe-se que o moço se perdeu bonito nessa hora, né? O_o]

 

No capítulo economia (assim como em todos os outros capítulos, diga-se a verdade) prometo não contar pra ninguém que o PSDB propõe fazer tudo o que o PT já faz (e bem), mas a imprensa diz que não faz ou faz mal. Oops, contei! /o\

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Chegamos à pág. 51 – Educação
Fortalecimento da Capes e de seu importante papel no apoio à pós- graduação e à qualificação de nosso sistema de ensino como um todo. [Por quê, onde e como vai se dar esse fortalecimento? Com quais objetivos? Quais as metas? Essas respostas, você NÃO VÊ no programa do PSDB].

 

Pág. 54 – Estado eficiente
Administração governamental:

Transformação das administrações governamentais, tornando-as mais leves, simples, transparentes e operantes, com foco e prioridade nas ações finalísticas e com eficiente coordenação intergovernamental. [OK, imaginei a administração governamental vestida com sapatilhas e um saiote de tule, lépida e fagueira, dançando a coreografia do Lago dos Cisnes. Mas parei nas ações finalísticas. Entendi BULHUFAS do que isso significa, mas parece ser um troço bem legal, porque leva a uma eficiente coordenação intergovernamental, um troço tão cheio de sílaba que parece ser importante.]

 

Pág. 55 – Defesa Nacional
Ampliação da coordenação entre o Ministério da Defesa, o Itamaraty e os órgãos de planejamento e gestão do governo federal em todas as dimensões de segurança, na construção de mecanismos de alerta e prevenção de conflitos, construção de medidas de confiança mutua, de cooperação com as nações amigas, de atualização tecnológica, de participação em organizações internacionais e de apoio a missões de paz em cumprimento a resoluções e iniciativas da ONU. [Mas véi, eles fazem isso desde que eles existem, caramba! E se eles não fizerem o trabalho empaca! O moço perdeu outro pontinho na redação!]

 

Pág. 55, Política externa
A política externa será conduzida com base nos princípios da moderação e da independência, que sempre nos serviram bem [Ah, isso aqui tá de bom tamanho! Não conseguimos nos desapegar… Vamos continuar usando, vai….]

 

Pág. 57
Revalorização do Itamaraty na formulação de nossa política externa, subsidiando as decisões presidenciais. É algo como dizer: O Hulk é atacante da seleção, sua função é pegar a bola no meio-de-campo e levar, em ataque, para o gol adversário. Queremos uma revalorização do Hulk, na função de atacante, de maneira que sua função, reavaliada, seja pegar a bola no meio-de-campo e levar, em ataque, para o gol adversário. Ou: não escreve seis, escreve meia dúzia! O_o

 

Pág. 60, Saúde:
Redução das grandes reclamações da população usuária dos planos de saúde, que representa 25% da população brasileira, com elevado número de insatisfações e com uma grande desigualdade no acesso e qualidade dos planos. Legal, isso. Eles propõem “redução da reclamação”. Olha, das duas uma: ou você vai ser proibido de reclamar, ou sua reclamação vai ser nem registrada. Aposto na segunda opção.

 

E chegamos aos últimos pontos da análise da redação do programs de governo do PSDB.

Pág. 64, segurança pública
Trataremos da Impunidade, através da proposição de uma série de reformas legislativas Lindo, não? Como vai se resolver a impunidade? Ah, a gente vai lá no congreço e propõe umas lei lá, e tá tudo resolvido… ainda bem que eles se autodenominam competentões, né? Magina se não fossem… O_o

Estabelecimento de políticas eficazes de combate à violência e à impunidade, com especial ênfase aos crimes violentos. De novo: Que políticas? Por que elas serão eficazes? Quais as metas?

Estímulo ao policiamento em áreas de intensa criminalidade Como assim, estimular? O fato de a área ser de intensa criminalidade já não se constitui um estímulo pro policiamento?

Isto posto, só me resta dizer que: no caso do hipotético trabalho de escola, o hipotético aluno pode ser aprovado pelo professor que quer se ver livre dele. Mas, no caso da real escolha do eleitor, cabe a este escolher quem de fato não entrou em campo pra enrolar na análise da situação e das propostas de governo. Fica a dica pros tucanos.
E ó, próxima vez procurem levantar direitinho o que o PT vem fazendo e o que não vem fazendo, sim? A maioria das propostas do programa dee vocês já vem sendo praticada pelo PT há 12 anos.

TV Folha e a Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, ou o facepalm na cara da sociedade inteligente

terça-feira, março 18th, 2014

(Pra quem não sabe, facepalm é o nome daquele tapa que você dá na sua cara com a parte de dentro da mão, quando pensa “Ai, meu Deus, que burrice!”

Véi, sei nem por onde começar. Apenas digo pra você estourar umas pipocas porque o papo vai ser longo (traz um guaraná pra acompanhar, também, por favor…)

 

(CLique por sua conta e risco. Não aceitamos reclamações.)

A TV Folha fez um vídeo sobre os líderes da Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, edição 2014 (que doravante chamarei MFDCC, tá? Quero colocar essa marcha em pé de igualdade com eventos tipo Fashion Week). Daí que tem muita gente que não consegue ver o vídeo até o final por sentir repugnância. Então, eu resolvi ser bem legalzinha com vocês e descrever o vídeo. Porque o conteúdo é tão ruim, mas tão ruim, que beira a tragicomédia. batman-facepalm

Mas ó: total apoio a quem não conseguiu ver o vídeo até o fim. Nunca minha vergonha alheia atingiu níveis tão altos. A primeira vez que eu vi o vídeo acabei horrorizada, embaixo da mesa, com um saco de papel na cara porque OLHA… vamos contar o número de facepalms que eu fiz em cinco minutos de vídeo?

#Facepalm nº 1: Aos dezoito SEGUNDOS, com o primeiro personagem do vídeo, o Historiador Equivocado. O moço diz que “o povo foi às ruas” no dia 19 de março de 1964.

Aí, fera, fala uma coisa dessas não que pega supermal pra você… pra começo de conversa, vamos definir “povo” na frase do tio aí de cima. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, as Marchas de 1964 foram “organizadas principalmente por setores do clero e por entidades femininas”. Então, pra ficarmos dentro dos parâmetros de honestidade, devemos dizer que a Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade foi organizada por setores da sociedade. Povo, não. Povo, povão, mesmo é a parte da sociedade que ou tá ocupada demais ralando o dia inteiro, ou tá enfrentando trânsito no transporte público a caminho de casa/trabalho ou tá fazendo faculdade à noite.

che-facepalm#Facepalm nº 2- Aos 32 segundos ele fala em contrarrevolução. Porque, né? Eles estavam se pelando de medo de um (favor ler com voz fantasmagórica) goooooolpe comuniiiiiiiistaaa…

Cara, em 1964, por mais insólita que a sugestão já parecesse (Jango Goulart, fazendeiro E comunista? Não rola, é contradição entre termos…), ainda fazia algum sentido no contexto do fla X flu da Guerra Fria, disputado a ferro e fogo entre Estados Unidos e União Soviética.

Mas em 2014?!?!?! Golpe comunista em andamento? Naonde que tem golpe comunista? Vivemos a mais capitalista das eras do Brasil, estamos a pleno consumo e a pleno emprego! Tá em dúvida? Pergunte a um banqueiro o que ele acha de golpe comunista em 2014…

#Facepalm nº 3: Entra em cena o segundo personagem do vídeo, o Esclarecido do Agronegócio. Fala em “setores esclarecidos da sociedade”. Tá. São esclarecidos. Mas me digam, por favor: que tipo de esclarecimento eles têm? A respeito de quê? O que eles sabem que a gente não sabe? Conta tudo pra gente, por favor…. (e até o fim do vídeo ele conta tudo, uma coisa….)

Aí, mais adiante, o Esclarecido do Agronegócio vai e diz que “A sociedade vem sendo imbecilizada há 50 anos, por todos os governos do crime repetidos” #facepalm nº 4: mas meu tio, pelo amor de Santa Genoveva, juntou tudo no mesmo balaio? Militar, não-militar, PT, PSDB… esclarecidão o senhor, hein?

Mas espere… se o governo militar há 40, 50 anos era um “governo do crime”, como o senhor mesmo disse, por que o senhor quer voltar com os militares? Então o senhor apoia o crime? Cejura? Mas cejura mesmo? É impressão minha ou o senhor, do alto do seu esclarecimento, caiu em contradição?dog_facepalm

E a Mãezona de Família, preocupada em educar a filha de 17 anos, é a nossa terceira personagem. Gente, alguém avisa que a filha dela não terá problemas com os estudos, pelo contrário? Ela pode se valer do Ciência sem Fronteiras para ir estudar no exterior, e ainda volta doutora! Fique à vontade pra confiar na Dilma, dona Mãezona! Tá, parei.

A Mãezona de Família nos traz o #facepalm nº 5: o Brasil vai virar uma Venezuela e uma Cuba, e teremos quilômetros de filas pra comprar papel higiênico ou frango. Mas minha tia, com tanto empresário de comércio varejista salivando porque as vendas estão em franca expansão, onde já se viu esperar desabastecimento, falta de comida?

Quarto personagem do vídeo, batizado por um amigo do Facebook de “o Politizado em Download”. Que diz que é politizado a 85%. (O download falhou, coitado, cês tão vendo como é importante votar logo o Marco Civil da Internet, gente?) Só essa do politizado a 85% já renderia o sexto facepalm, mas minha cara tá doendo de tanto tapa que eu tô me dando. Vou dar um desconto.

Voltamos ao Esclarecido do Agronegócio, que nos diz agora que “os anseios da presidenta das república não representam os anseios da maioria da sociedade”. OK, aqui não dá pra economizar. #facepalm nº 6.

dilma-rousseff-facepalm[suspiro] Tio, é assim: de-mo-cra-ci-a. Aquele lance que diz que todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Esse lance é corroborado por um troço chamado e-lei-ção. Um megaevento, com megacobertura da imprensa, onde as pessoas vão e contam pra um troço chamado urna quem elas querem que seja o representante delas. Daí, ao final do dia, a urna é aberta e descobre-se quem teve mais votos. Esse carinha mais votado é o eleito. No caso, Dilma Rousseff foi escolhida em 2010 como a pessoa que a maioria da sociedade quer que seja a representante máxima do país.

Em democracia não rola esse lance de “setor esclarecido o voto vale mais; setor menos esclarecido o voto vale menos”. É tudo um para um. E se ela não corresponde aos anseios da sociedade mais esclarecida, corresponde aos anseios de todo o restante da sociedade. “Ah, Dilma Rousseff não me representa!” Ótimo! Direito democrático seu achar isso! Vamos pras urnas, escolher um candidato que te represente? Daí , fale com os seus e peça que eles também votem nesse candidato. Quem tiver mais votos, leva. Combinado?

Voltamos à Mãezona que diz que morre de vergonha dos políticos. Tia, aceite umas pipoquinhas aqui do meu balde, e vamos conversar. O que tem de mané que não me representa não tá no gibi. Mas o que fazer se eles representam outros setores da sociedade? Pedir divórcio do resto da sociedade? Num rola, né?scully_facepalm

Eis que retorna à telinha o Historiador Equivocado, dizendo que “não votaria num candidato com menos preparo do que eu!”. Ele, por exemplo, não teria problemas em achar um candidato em quem votar, porque eu listo vários com mais preparo do que ele. A começar pelos professores de história que sabem o que realmente significou a marcha das famílias em 1964. Aí ele diz que não vota em quem fala português errado. Querido, se for assim, você vai limar todo mundo! Pode começar com os que se dizem os “melhor(es) preparados”, porque o superlativo de locuções adjetivas é feito com mais. Então, o superlativo de “bem preparado” é “o mais bem preparado”. Mas isso aqui não é aula de português, e sim exercício de masoquismo. Voltemos aos facepalms.

O #facepalm nº 7 é um oferecimento do Politizado a 85%, que nos fala em “intervenção militar provisória”. Bom, eu vou evitar o caminho mais fácil de mandar o tio acabar o download de politização dele. Também vou evitar chamar a atenção de vocês pro tanto que o sujeito gaguejou antes de falar esse troço. Vamos lá. [longo suspiro].

Zuckerberg_FacepalmExiste um calhamaço de texto chamado Constituição da República Federativa do Brasil. Troço mó legal, levou um bom tempo pra ser feito, e foi resultado de muito esforço e muito consenso de vários setores da sociedade, representados por Parlamentares Constituintes.

Daí que essa Constituição prevê intervenções militares. Em casos extremíssimos. Falha no download do seu app iPolitizado 2.0 não é um deles, OK? E por provisório, entende-se um troço com prazo final. Quem, como e por quê vai determinar o fim desse prazo? Da última vez, imaginava-se que seriam alguns meses, e foram 21 anos. Ou seja: não rola, esquece.

Voltamos ao Esclarecidão do Agronegócio que nos diz que o grupo dele almeja seis objetivos nacionais permanentes. Bora conferir?

1- Democracia – check

2- Progresso – check

3- paz social e ordem pública – ah, tem sempre uns doidos que querem a volta da ditadura, mas nada que seja a transubstanciação do caos, né? Oops!

4- Soberania – check

5- Integração nacional – check

6- Integridade nacional – check

Isto posto, qual é mesmo o motivo da sua manif?

E mais uma vez a Mãezona dizendo que acha um absurdo não poder andar armada. Olha, gente, mó alívio saber que as famílias de Deus adoram andar armadas. É uma forma doce e singela de espalhar a mensagem de amor de Deus, né? Certeza que Deus tá jesus-facepalmmorrendo de orgulho da tradicional família armada brasileira.

Mas espere! O #facepalm nº 8 traz o Historiador Equivocado com a grave denúncia de que estão tentando implantar um bloco socialista na América Latina! Gente, alguém aperta o F5 desse pessoal, pelamor? Avisem que quem nasceu quando acabou a Guerra Fria já completou meio quarto de século? E que a Agenda Mundial já virou um bocado de página?

Não existe mais isso de “implantar o socialismo” ou “implantar o bolchevismo”, fazfavor! O que todos temos, salvo esta ou aquela nação, são regimes 100% democráticos com políticas de governo mais à esquerda ou mais à direita. Noves fora, os direitos individuais das pessoas permanecem I-NAL-TE-RA-DOS!

E se você pensa que o #facepalm nº8 foi o auge do vídeo, você ainda não viu o #facepalm nº9: o Teorema das Ferraris. Foi o Equivocadão quem desenvolveu o conceito (pára de rir, coisa! Tô falando sério!): “Imagina eu tendo uma Ferrari, tu tendo (o Godzilla-FacepalmEquivocadão não vota em si mesmo, isso é fato!) uma Ferrari, todos aqui tendo uma Ferrari. Imagine todo mundo tendo condições de viver num mundo igualitário. Não existe isso!” Aí não agrega mais valor ao camarote, tem que ver issaê! Traz a bebida que pisca! No que a Mãezona completa: “Isso é uma coisa nítida! Só quem mora no Morumbi já sabe!”

Ou seja: se você ralou pra caramba pra fazer a sua faculdade, se trabalhou até não poder mais pra comprar um carro, ou a casa própria, isso não pode! Você é pobre e tem que saber do seu lugar e se contentar com seu reles papel de serviçal na sociedade! Tudo isso explicado com o Teorema da Igualdade das Ferraris.

Não foi à toa que esse moço recebeu a alcunha de Equivocadão…

(Ah, sim: só pra lembrar, o #facepalm nº 1 foi o Equivocadão falando em povo, tá? Volta lá em cima pra conferir que eu espero…)

Chegamos àquele que é o meu #facepalm preferido, o #facepalm nº10. O Esclarecidão e o Equivocadão chegaram nos Illuminatti! Gente, agora tudo faz sentido! “Quem manda no Brasil não mora no Brasil, quem governa o Brasil é o Dono do Mundo”, diz o Equivocadão. Não sei se penso em Antônio Fagundes como protagonista daquela novela de mesmo nome do Gilberto Braga, ou se me lembro daquela música infantil dos anos 1980: “Vê qual é o nome do dono da terra, inventor do céu e do mar”. Acho que fico com o Fagundes…

Mas o melhor mesmo é quando o Equivocadão diz que o nome do Dono do Mundo é o Barão de Rotixíude.

Geeemt… Rothschild (lê-se róts-tcháudi) mudou pronúncia e ninguém me contou? Afff… (voltando lá no meio do vídeo, o mesmo cara que diz que não vota em quem não fala português direito tenta pagar de sabido e não sabe pronunciar Rothschild corretame… melhor eu parar, daqui a pouco vão dizer que eu tenho parte com os Iluminati!terceirizado_facepalm

Neste momento você vai dizer: “Ai, você é muito implicante! Ele não tem obrigação de falar inglês fluentemente!”, e eu serei obrigada a concordar contigo. Então, me empreste seu rosto para o #facepalm nº 11: Equivocadão dizendo que o Collor foi impitimado.

O Esclarecidão do Agronegócio convida a todos a entrarem no Google pra procurar se informar a respeito (Já dizia o ET Bilu: Busque conhecimento !). Olha, tio, devo confessar que eu joguei “Rothschild iluminati” e… ah, puxa! Acabaram-se as pipocas!

Deixemos de lado o Google só um pouquinho, e voltemos à Mãezona contando que o que tá acontecendo agora é o mesmo que aconteceu em 1964, e que, naquela época, “dentro do contexto, era o que melhor podia ter acontecido”. Nessa hora eu tive a impressão de que o Historiador Equivocado tinha ido ao banheiro e deixou a Mãezona dando entrevista, mas ele entrou em seguida pra fechar o vídeo de maneira brilhante: com um nariz de palhaço.

sextuplo_facepalmEscuta… Vai ter transmissão da Marcha na TV? Com narração de locutor de futebol? Ah, eu quero ver… Cadê meu balde de pipocas?

A clichetaria aeciana no Lugar Comum momesco dos substantivos abstratos

quarta-feira, março 5th, 2014

1450939_775317525827909_1244250478_nAi, gente, quanta emossaum!!!

Devo confessar a vocês que esta ectoplasma suína que vos fala toda segunda-feira de carnaval, desde 2012, faz questão de ler a coluna de Aecim na Folha de São Paulo. Virei fã quando o garboso senador mineiro-carioca cometeu este texto aqui, que eu tive que exorcizar (reza a lenda que, por causa do meu exorcismo, o sujeito que escreveu esse texto só não foi demitido das hordas de comunicação de Aecinho porque tem o rabo preso com o mensalão tucano. Mas essa história carece de confirmação, deixa prá lá…)

E não é que em 2014 eu fui brindada com mais uma clichetaria aeciana, minha gente? Esse texto está royalmente maravilhoso. Ele conseguiu misturar carnaval com Plano Real! Vamos acompanhar/exorcizar:

[Antes do início do exorcismo, deixa eu falar de uma coisa que eu acho que você deve ter aprendido. Você sabe me dizer o que é um substantivo abstrato? Explico: 

Substantivo é a classe de palavras que as pessoas usam para dar nomes às coisas. E essas coisas podem ser concretas, palpáveis (cadeira, mesa, caneta, computador, estojo, homem, mulher, criança), ou podem ser abstratas, e servem pra nomear ideias e conceitos (ordem, progresso, beleza, feiúra, comunismo, capitalismo, islamismo, etcetcetc.). Com isso, temos os substantivos concretos e os substantivos abstratos. Vou marcar em roxo todos os substantivos abstratos do texto de aecim pra vocês verem que se um dia essa subclasse de palavras for proibida, cabô discurso do PSDB!)

O país está em festa. Milhares de brasileiros estão nas ruas e passarelas do samba, [vocês tão vendo que nem a suposta ameaça de demissão evitou que o sujeito caísse novamente em tentação clichetária, né? Brasileiros estão nas ruas e passarelas do samba… cara, num dá pra ser menos escorreito, não?] protagonizando uma das maiores e mais bonitas celebrações populares do mundo e a nossa excepcional diversidade cultural [vou convidar cientistas britânicos para encontrarem alguma conexão entre o uso do verbo protagonizar e a capacidade de enrolação das pessoas. Mas antes eu grito BINGO! BINGO! BINGO! Cara, como tem lugar-comum isso aqui! E olha que estamos apenas no primeiro parágrafo!].

Neste momento, suspendemos as tensões e eventuais diferenças e idiossincrasias [Acho que o zifio que escreveu esse texto anotou um monte de palavras bonitas que ele poderia usar num texto sobre carnaval. Idiossincrasias ficou de fora da versão 2012, e ele tratou de enfiar uma idiossincrasia na versão 2014!] para ocupar as avenidas, sob o signo da alegria. Poucos fenômenos são capazes de construir uma convergência assim, tão ampla e verdadeira.[ai, que lindo! Esse desfile de clichês ao menos ficou mais positivo do que o de 2012!]

Pensando nela, lembrei-me de um outro momento da vida nacional que uniu os brasileiros, em um fevereiro como este, 20 anos atrás: depois de vários planos econômicos fracassados, o Plano Real acabou com a hiperinflação [BAZINGA! Lá vai o querido candidato falar da única coisa que presta do partido dele. Vamos acompanhar – atentem para o fato de que fevereiro é o elo entre carnaval e plano real!].

As novas gerações nem sequer podem imaginar o que significou uma era de descontrole inflacionário que dizimava a renda das famílias, aumentava a desigualdade social e impedia o país de crescer.

Sem pirotecnia, demagogia e quebra do ordenamento jurídico[ai, deixa eu me recuperar dessa metralhadora tucanamente abstrata para concluir que: puxa, acho que tem alguma mensagem cifrada aqui! O que será? hum? hum?] , instaurou-se uma agenda que contemplava os fundamentos da estabilização e do desenvolvimento, na mais importante reforma econômica do Brasil contemporâneo.

Outros avanços estruturais moldaram o país moderno e respeitado que somos hoje.

Mas a data de 27 de fevereiro é emblemática como ponto de ruptura com o passado de equívocos e o advento de uma nova ordem. Foi, acima de tudo, uma construção [E antes que você me diga que construção é uma coisa concreta, nessa frase foi usada com sentido metafórico, abstrato! Idem com a ruptura do início do parágrafo!] política, nascida na democracia e em diálogo aberto com a sociedade. Um exemplo de como a coragem e a responsabilidade podem ser instrumentos transformadores da nossa realidade[Agora imagine você, meu querido leitor, uma diretoria de uma empresa aguardando resultados em números, e o presidente vira pra todos e diz: “coragem e responsabilidade podem ser instrumentos transformadores de nossa realidade” A reunião vai acabar em pancadaria, porque os diretores vão concluir na hora: “FECHAMOS MAIS UMA VEZ NO VERMELHO, SEU BEÓCIO?” Tá, parei. Vamos voltar ao texto]

Mas nem o unânime reconhecimento que o Plano Real conquistou nesses anos foi suficiente para uma autocrítica daqueles [Daqueles, viu? Da-que-les… porque ele não é macho pra falar em PT e Dilma, né? Se falar, perde voto… então, vira aqueles…] que, apesar de terem se beneficiado dele, o combateram com ferocidade, pautados, como sempre, pelos seus interesses eleitorais.[Não há nada mais fascinante do que um partido político, inserido num sistema eleitoral, com claros interesses eleitorais, acusar OS OUTROS de terem interesses eleitorais. O PSDB não tem interesse eleitoral NENHUM, né? Bando de desprendidos….]

Todos sabemos que nenhum dos avanços obtidos nos últimos 20 anos teria sido possível se a inflação não tivesse sido derrotada. Esta é a verdadeira herança deixada pelo PSDB para os brasileiros, já incorporada ao patrimônio do país.[Muito bem! Bom menino! Mas e aí, depois que acabou a inflação, vamos todos ficar olhando uns pras caras dos outros comemorando o fim da inflação, ou temos mais o que fazer?]

Não podemos permitir que essa conquista se perca.[Novamente: pense na reunião do presidente com a diretoria…]

O país vive um momento delicado, de baixo crescimento [Baixo = terceiro maior PIB do mundo.] , inflação rediviva [nas páginas da Folha de SPaulo, né?] e credibilidade em risco [MA CHE CAZZO? Naonde que a credibilidade tá em risco? Quem faz pouco caso da nossa credibilidade, caramba? Gente, quem informa o PSDB, por Tutátis?!?!?! Nessas horas me dá uma vontade louca de me filiar aos tucanos só pra ver se eu ajudo com um pouquinho de workshop de oposição….] . A infraestrutura compromete nossa competitividade; a educação demanda uma gestão inovadora para cumprir o seu papel transformador; as instituições públicas, reféns de grave aparelhamento e pactos de conveniência, precisam ser resgatadas e devolvidas ao interesse público.[Eu adoro essa parte de sofrimento gerencial dos discursos do PSDB! eles falam tudo o que tem que ser feito. e nessa listagem do tudo tem que entrar mesmo esse rosário de substantivos abstratos. Mas pra explicar COMO tem que ser feito exige um cadim mais de neurônio, e de planejamento.  Algo que a nossa hipotética diretoria cobra desse suposto presidente de empresa e NUNCA consegue uma resposta….]

Crises graves, como a desassistência à saúde pública [Masgeeeemt… bando de cubano atendendo pobre ferrado nos cafundós do país é desassistência à saúde pública? afff…] e a violência endêmica [RÁ! Explicar, contextualizar e quantificar a ideia de violência endêmica é tarefa complexa pacas, né? Sair do mundo abstrato e ir pro mundo concreto das quantificações é difíiiiicil….] , merecem uma nova mobilização de todos os brasileiros, para fazer o país avançar mais.[De novo: cadê o macho pra dizer: “Não vote no PT, vote no PSDB, porque nós somos melhores!” Não, ele fica nesse reme-reme abstrato e conclamador de insurgências oníricas!]

Convergência. Coragem. Responsabilidade.[AAAAAAAAAAHHHHH, OUTRA  METRALHADORA TUCANA ABSTRATAAAAAAAAAA. Adoro! Isso não quer dizer absolutamente nada, mas eles falam mesmo assim!]  No país que é também do Carnaval [E zás! Nosso herói voltou ao carnaval! Ai, que lindo!], todo dia é dia de construir o Brasil que podemos ser [… e encerra no melhor estilo Humberto Gessinger! (“somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter…”)

E vocês têm medo dissaí? Véi, na boa, bora esoturar pipocas?

(Mas eu não posso encerrar esse post sem antes agradecer ao dileto ectoplasma suíno – mineiro Luis Carlos, que me enviou o link pro evento momesco de Aecinho. Valeu, zifio! \o/)

Oi? Quem disse? Eu disse! Quem disse eu? Eu disse eu!

segunda-feira, fevereiro 10th, 2014

vanzo

Quando uma manchete precisa de cinco bonequinhos Playmobil (Vanzo, você é um lindo! Roubei seu infográfico! Muack!) para ser compreendida é porque:

1- cabô menino jornalismo

2- cabô menina compreensão de texto

3- cabô vergonha na cara

4- cabô bom senso

5- cabô noção de mundo

 

No mais, acho que o Pica-pau também ajuda a explicar esse título do G1:

 

(E como faz pra controlar a vontade de gritar #PORRAFOLHA? A pobrezinha é inocente desta vez….)

Nós, naõ percisamos de reivsoers revisores capacitados

segunda-feira, outubro 28th, 2013

Imagine-se na seguinte situação: você é o Ministério Público do Estado de Minas Gerais. Seus escritos passam longe do português informal. Você deve seguir a norma culta de forma estrita e indiscutível.

E aí? Como proceder? A prudência recomenda contratar um bom revisor de português (melhor:  mais de um!), né? Afinal de contas, é uma questão de obrigação da formalidade do cargo etc e tal pereré pão duro.

Tá. Aí o Conselho Nacional do Ministério Público se reúne EM PLENÁRIA  para deliberar sobre a contratação ou não de revisores no MP de Minas. E acha por bem não contratar revisores. O argumento poderia até proceder (“nossos funcionários contratados passam por seleção que inclui prova de português, portanto eles têm obrigação de dominar fluentemente o idioma”). Mas ele foi argumentado num texto que deu até dó mentira, soltei boas gargalhadas de ler:

(Vou inserir ao final deste post as imagens do PDF referente ao texto cometido, que é pra vocês não pensarem que isso é invenção minha. Mas aqui embaixo vou copiar na base do CTRL+C/CTRL+V o texto tal qual foi escrito, e vamos às canetadas:)

– A competência para o trato linguístico não constitui atribuição exclusiva dos servidores graduados em letras, [data vênia, meritíssimos, mas eu discordo. A competência para o trato linguístico constitui, sim, atribuição de profissional graduado em Letras, cuja honra venho defender neste tribunal. Tal profissional terá especial atenção para detalhes que passam depercebidos de boa parte dos usuários da norma culta e padrão do português. E provo isso! Querem ver?] nem tampouco [<— PROVA Nº1: as conjunções nem e tampouco são sinônimas. Isto posto, dispensa-se o uso de ambas numa mesma frase. Seguidinhas, assim, então, melhor nem comentar… detalhes desse nível se destacam aos olhos de um bom revisor formado em Letras (cuja honra venho defender neste tribunal). Mas prossigamos com o textoAnalistas. A própria aplicação da língua portuguesa, [APRESENTO-LHES A PROVA Nº2: sujeito e predicado não devem ser separados por vírgula. Embora seja regra apresentada à exaustão no ensino básico, é o tipo de detalhe que qualquer pessoa pode cometer ao redigir um texto – até mesmo revisores. Mas a leitura atenta de um bom revisor, formado em letras, cuja honra venho defender neste tribunal, reconhecerá esse errinho, bobo porém grave segundo as regras da norma padrão.]  mostra-se fundida [<— PROVA N 3: Senhores meritíssimos, pelo amor da Data vênia, mas mostra-se fundida é uma expressão muito feia, por remeter a uma terrível expressão de baixo calão que deve ser sumamente evitada em textos compostos em norma padrão (ai, deu até vergonha)! Mas detalhes desse tipo não passam despercebidos de um bom revisor formado em Letras, cuja honra tá parei] … em toda e qualquer [<— PROVA Nº4A] atividade exercida nas dependências do Ministério Público.

– Concentrar toda e qualquer [<— PROVA Nº4B: a expressão toda e qualquer foi repetida no intervalo de apenas uma linha. Um bom revisor, formado em letras, cuja honra venho defender etcetcetc, presta atenção a firulas como a destacada, e substitui uma das expressões, de forma a manter os mínimos padrões de estilo de um texto que por obrigação segue os preceitos da norma culta] análise de correção de linguagem no universo da produção documental do Ministério Público de Minas Gerais em um número limitado de servidores com formação em letras inviabilizaria por completo [rufar de tambores….] a prestação a prestação [<— PROVA Nº5: queridos e excelsos magistrados. Vou concordar com Vossas Excelências na argumentação (ainda que discorde), só para poder lhes perguntar o seguinte: CARAMBA, ATÉ REVISOR DO WORD DETECTA REPETIÇÃO DE PALAVRAS!!!! COMO VOCÊS PUDERAM DEIXAR PASSAR UM ERRO DESSES?!?!?!?!?!?!?!] dos serviços aos quais se destina.

– No caso vertente não há desvio de função caracterizado, nem cargos de Analista vago[PROVA Nº6: os cargoS de Analistaø (isso aqui é um morfema zero, que indica o singular na língua portuguesa, mas isso Vossas Excelências não precisam saber. Basta um bom revisor…. daqueles, sabe? Isso! Formado em Letras! etcetcetc cuja honra e tudo o mais) mas onde eu tava mesmo? Ah, sim! Segundo a norma culta, a concordância do sintagma destacado deveria ser oS cargoS de analistaø vagoS, pois vagoS concorda em número com cargoS, e não com analistaø, pelo que todos os cargos criados foram devidamente preenchidos.
– Em cumprimento a [<– PROVA Nº7: Ah, Meritíssimos…. ninguém passa incólume a um errinho de crase, né? Basta aplicar a regrinha básica aprendida na escola, e substituir em cumprimento a resolução por em cumprimento ao que foi decidido, e veremos a presença da combinação de artigo mais preposição, motivo pelo qual o a destacado de vosso excelso texto deveria ter sido craseado. Mas, ó: um bom profissional de revisão (daqueles, sabe? Formados em Letras…) entende direitinho a regra da crase, e há muito deixou de usar macetinhos que o cidadão comum usa para fazer prova de vestibular. eles entendem a regra e sua aplicação de acordo com a norma culta. Entenderiam, neste caso, que o a faz uma conexão e uma especificação (especificação das mais especificantes, daquelas que recebem número e tudo o mais!), e essa dupla função lhe garante o acento grave indicador da crase. Mas isso um bom profissional de revisão etcetcetc cuja honra etc saberia etcetcetc]  Resolução CNMP nº 60, já existe PCA específico com vistas a analisar os planos de cargos, carreira e salários com regras claras para cada cargo.

 

MPMG

MPMG2

 

E vou parar por aqui. O documento tem mais 20 páginas, mais ou menos, mas esses paragrafinhos que precisaram de POUQUINHA revisão (olha a quantidade de texto original, em vermelho, e a quantidade de texto em azul, com meus comentários exorcizantes, e vocês perceberão que a revisão foi POUCA. E em CINCO – eu disse CINCO – parágrafos).

Data venia, juro por Deus que eu sou inocente. Não jurei nem rezei esse texto pra ser mal escrito. Ele já chegou ao meu e-mail assim, prontinho.

Mazó: se o MP de MG ai, ficou bonitinho escrito assim, não? Parece cosme e Damião! ♥ precisa de revisor nesse tanto eu não sei (os excelsos meritíssimos mineiros ao menos têm a humildade de aceitar o fato de que dominar as firulas da norma culta não é pra qualquer um). Mas o Conselho Nacional do Ministério Público, esse sim, coitado, tá precisando de um bom revisor profissional com formação em Letras, cuja honra cabei de defender neste tribunal…

(Mais posts desse nível e eu serei obrigada a criar uma nova categoria no blog: Vergonha Alheia)

O processo de LadiDianificação de Fernando Haddad

segunda-feira, abril 15th, 2013

Zifio, vá estourar muitas pipocas, porque esse texto vai ser longo. Mas eu prometo que você vai saborear cada palavra dele! 😛

Vejinha São Paulo causou muito ontem. E se você pensava que o must do domingo foi Sophia Alckmin com a declaração

sophia

você se enganou rotundamente! Isso daí é pinto perto da reportagem cometida por Maurício Xavier (que eu já suspeito ser Lucas Celebridade disfarçado!)

Com o título “O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad” e o subtítulo “Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre”, a coisa (permitam-me o uso desse substantivo genérico. Grata.) abre com essa montagem medonha, que prenuncia algo entre o brega e o inacreditável. O texto se concretiza ora como um post de Lucas Celebridade, ora como pauta de tabloide britânico que vai escarafunchar todos os microdetalhes da vida de um anônimo recém-alçado à fama. Mais ou menos como fizeram com Lady Diana Spencer.

abrehaddad

De fato, esse texto me consumiu muito ontem. A princípio, achei q foi obra de hacker petralha pra acabar de vez com a reputação da Veja. Sua leitura foi quase sadomasoquista. eu me revezava entre a gargalhada histérica e inúmeros facepalms de profunda vergonha alheia do texto cometido. Mas depois de superar o sofrimento e os julgamentos morais, descobri um grande prazer proibido nessa reportagem. É que o texto tá que nem a novela Salve Jorge: tá tão ruim, mas tão ruim, que ficou ótimo! E o lance é multimídia, porque as foteenhas também são de um primor que nos leva quase ao Nirvana.

Daí que eu decidi não mais sofrer de vergonha alheia com esse texto, me entreguei à sua alma e venho aqui partilhar com todos vocês os prazeres proibidos de um texto ruim. E Não, não sofram com manipulação política! Isso é coisa tão pequena diante da grandeza desse texto, que não vale a pena mesmo! Venham comigo que eu lhes guio por esse mundo novo de prazer pelos caminhos de satanás ah, deixa prá lá.

Então, pegue um guaraná pra acompanhar sua pipoca e vamos lá:

O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad

Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre [esse subtítulo foi uma tentativa de transformar o prefeito de São Paulo numa espécie de Grande Síndico da Afonso de Freitas. Vamos acompanhar, porque o texto não consegue provar sua tese]

12.abr.2013 por Mauricio Xavier [é você, Lucas Celebridade? Beijo na alma, seu lindo!]

Na noite de 27 de janeiro, uma bomba movida a óleo diesel instalada pela Sabesp trabalhava em velocidade máxima para drenar um vazamento na Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, na altura do número 687. Sem conseguir dormir por causa do barulho ensurdecedor, um grupo de vizinhos apelou para as autoridades: tocou o interfone de um apartamento no 11º andar do Edifício Panorama, que fica ali nas redondezas.[Nossa, que primeiro parágrafo cheio de loucas aventuras e emoção! Mas quem será o morador do 11º andar do Edifício Panorama? Super-homem? Batman? Homem Aranha?]

O endereço não abriga o escritório da companhia de água e esgoto do estado, mas a residência do prefeito Fernando Haddad. [aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, meu herooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii desculpem, esse texto é puro êxtase.] Alertado, ele deixou o prédio por volta das 6 da manhã e desceu um quarteirão para constatar a balbúrdia provocada pela máquina [Primeira falha do texto: não descreveu os trajes do prefeito nesse momento. Ele trocou de roupa? Foi de pijama mesmo, ou ao menos pôs um roupão por cima? Ou às seis da matina ele já estava acordado, lépido, fagueiro e sempre alerta a zelar pela cidade de Metrópolis Gotham City Nova Iorque São Paulo?] . “Em poucas horas apareceu uma tropa de funcionários e, no fim do dia, tudo estava resolvido”[…e todos viveram felizes para sempre!], lembra o autônomo Ricardo Rosales, que teve sua casa alagada.[… menos o zifio em questão, que teve a casa toda alagada. Ah, Haddad, que coisa feia, seu culpado!]

O episódio mostra como mudou a rotina da pacata via da Zona Sul [A frase definiu uma rua de são Paulo como pacata. Daí dá pra tirar o que nos aguarda…] desde 1º de janeiro, quando um de seus moradores assumiu o comando da cidade. O vizinho ilustre é assunto recorrente nos bate-papos de padarias, salões de beleza e pontos de táxi[Mas é claro! Se a rua é pacata, funciona como uma pequena cidade do interior, onde todos se conhecem e tomam conta da vida uns dos outros. Mas será que eles serão bem-sucedidos na tarefa de tomar conta da vida do prefeito? Vamos acompanhar!] . Durante a campanha eleitoral, a presença constante de fotógrafos e jornalistas por ali já indicava que a vida naquele lugar não seria mais a mesma. E foi o que aconteceu.

Pouco mais de dois meses depois da posse do prefeito, dezenas de ciclistas se reuniram na frente do seu prédio para um ruidoso protesto por mais segurança. Na ocasião, Haddad não estava presente. Seu filho, Frederico, de 20 anos, acalmou a multidão com a promessa de que o pai os ouviria em breve[EXTRA! EXTRA! Temos uma notícia (oi?) aqui: o filho de Haddad, o Sucessor do pai, também tem vocação em liderar multidões! E isso é tudo o que ele faz na rua onde mora…] “Se querem reclamar, por que não vão até a prefeitura?”, diz Lígia Chedid, do apartamento 32 do Panorama. [Guarde esse nome: Lígia Chedid. Vai ser necessário mais adiante…]

O edifício transformou-se no epicentro desse frisson [o epicentro do frisson. Uau, que tudo!] . Os moradores ainda ficam impressionados ao cruzar com algumas figuras conhecidas no corredor[Gemt, o edifício Panorama está a-con-te-cen-do socialmente!] . “Há poucos dias vi a ex-prefeita Luiza Erundina entrando pelo saguão”, conta a síndica Roseli Rodrigues. O próprio Haddad é abordado com sugestões para a gestão — a maioria de envergadura similar a “arrumar a calçada da frente”.[a envergadura de arrumar a calçada da frente. SIm, eles escreveram isso…]

[Agora concentre-se, pois vou exigir muito de sua imaginação. Pare de comer suas pipocas e leia o próximo parágrafo com muita atenção] Não raro, há quem exagere nos pedidos. No mês passado, por exemplo, uma reunião de condomínio debatia animadamente a possibilidade de solicitar ao prefeito a antecipação do horário de recolhimento do lixo no bairro, mudando a regra que vale para toda a cidade. Motivo? Otimizar a escala de trabalho de um funcionário. [Agora respire fundo, bem lentamente. Depois, expire fundo mais lentamente ainda. Repita esse processo mais duas vezes, e bem calmamente tente imaginar a cena descrita acima: dez ou quinze pessoas discutindo o que fazer com os cestos de lixo do prédio, e o tamanho da responsabilidade do prefeito acerca do assunto. Imaginemos que a aposentada do terceiro andar, aquela dos gatos, foi quem sugeriu a troca de horários, e a ideia foi acatada por todos os desocupados do prédio. Agora imagine o gerente de vendas que mora no sétimo andar (e que age como se fosse CEO da empresa) afirmando categoricamente que não tem nada a ver esse lance de regra, já que o prefeito é vizinho, e ele tem poderes especiais. Vou assumir que nenhum dos moradores do 11º andar estava presente, caso contrário já teriam feito a sugestão diretamente pra mulher do Haddad]

“Eu expliquei que era inviável e, mesmo assim, sugeriram que ele poderia abonar a multa”, diz Roseli Rodrigues. Nada disso aconteceu.[aí chega a síndica e chama todos de volta à razão, e o seu transe acabou. Essa síndica tem noção de mundo, muito racional. quase um peixe fora d’água nessa história. Num curti ela, não!]

 Morador do prédio há vinte anos, Haddad era síndico em 2002, quando tentou, sem sucesso, comprar o terreno ao lado para ampliar as vagas da garagem[PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARA O MUNDOOOOOO!!! HADDAD FOI SÍNDICO! E o repórter não arranjou UMA VIV’ALMA SEQUER pra acusá-lo de ser ladrão! (porque, né? Reunião de condomínio é um evento cármico-cósmico cuja conexão holística com o universo se dá no momento em que um dos condôminos chama o síndico de ladrão!)] . Sua “obra de vulto” à época envolveu a implantação de uma academia de ginástica [OK, dou um tempo pra você gargalhar com o “obra de vulto”. Não, não se irrite com isso, não vale o fígado. Ria, mas ria muito. E guarde essa informação da acadimia assim como você guardou a informação de dona Lígia.] . A proximidade com o paulistano famoso também serviu para criar uma fervorosa base eleitoral. No segundo turno da disputa para a prefeitura, Haddad teve apenas 28% dos votos no distrito da Vila Mariana, que engloba o bairro do Paraíso, tradicional reduto do PSDB.[Agora vocês tentam me explicar essas duas últimas frases. ele conquistou eleitorado ou obteve pífios 28% dos votos na Vila Mariana?]

Agora, vamos reunir as informações Dona Lígia + Acadimia do sindicão e deixo com vocês a foteenha abaixo pra vocês se deliciarem. Não se apressem em passar por ela.

Dona Lígia causando na acadimia

Dona Lígia causando na acadimia

CALMA, DEVAGAR! Não se apresse em definir o melhor dessa foto. Faz assim: eleja um detalhe de cada vez como seu preferido, e siga em frente. E, se você mora em são Paulo, vá logo rezar um padre nosso e uma ave-maria pela alma da vice-prefeita Nádia Campeão, porque dona Lígia era uma espécie de Nádia Campeão do Edifício Panorama. A legenda original da foto diz que:

Síndico em 2002, o hoje prefeito deixou seu legado para o prédio onde mora:  [Atenção para o legado de Fernando Haddad no edifício Panorama:] uma academia de ginástica, o principal orgulho de seus vizinhos [O point onde dona Lígia acontece socialmente. Oi, cabô suas pipocas? Vai estourar mais, porque não cheguei nem à metade!] . “Ele ainda planejava construir um jardim na entrada, mas aqui só mora idoso, ninguém quer aprovar nada”[A oposição do Edifício Panorama é muito passivona! ninguém aqui aprova nada! Nem minha roupitcha de ginástica!, reclama Lígia Chedid, que ocupa o apartamento 32 desde 1979 e atuou como conselheira (são três, segundo o estatuto) durante a “gestão Haddad” no Edifício Panorama. (Foto: Lucas Lima) [aí Lucas, tá de parabéns essa foto! Não sei se você sugeriu à Dona Lígia a pose e ela aceitou fazê-la prontamente, ou se foi dona Lígia que lhe sugeriu a pose e você aceitou a ideia prontamente. Imaginei ambas as situações e senti o mesmo medo.]

[Mas voltemos ao texto! Temos mais fotos, mas vamos beeem devagar! Prá quê pressa?] O cenário [de medo, pavor, classemédiasofrismo e um vizinho querendo aparecer mais que outrono Panorama, onde vive com sua mulher, Ana Estela, e os dois filhos, foi diferente.[detalhe: o texto volta a falar da votação de Haddad no microcosmo Panorama] “Achava que nunca apoiaria o PT, mas mudei de ideia com o Fernando”, afirma a aposentada Maria Aparecida Sallum. “Votei no partido pela primeira vez na vida”, diz Lígia Chedid[Mas cejuuuuuuuuuura, dona Lígia? Olha, num tem quem diga, viu?] . No comércio local, o prefeito é figura carimbada[Opa! A vizinharada já se exibiu até não poder mais à Veja, hora de estender a Vergonha Alheia à rua! E nada melhor pra mudar de ares do que usar um clichezão básico, né?]. Na Padaria Cecilia, costuma sentar-se ao balcão para traçar um sanduíche de queijo com mortadela e uma xícara de café. “Ele é simpático, conversa, mas o acho um pouco tímido”, conta o gerente Gerenaldo Lima. [Momento nhóim: Haddad é simpático, mas tímido. Uma verdadeira Lady Diana da Vila Mariana, gente! E pelamordedeus, ignorem o nome do gerente.] 

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA O must da foto é a cara de orgulho com que os dois exibem a noiva digo o sanduíche. De novo, Lucas Lima: tá de parabéns a foteenha! (O Gerenaldo é o da esquerda, antes que perguntem. O da direita é o dono da padaria)

A poucos metros dali, a Sapataria Veneza ostenta calçados da família pelas prateleiras[esse é um dos meus trechos preferidos! Acompanhemos] . No último dia 2, uma das botas da primeira-dama estava na fila do serviço [E ZÁS! TEMOS OUTRA INFORMAÇÃO RELEVANTE! O Filho contém multidões e a mulher leva botas para serem consertadas na esquina! Gente, como a família Haddad é um manancial de notícias relevantes, não?]. “Os sapatos dele são engraxados a cada três semanas”[num disse? num disse? Já imagino as manchetes: “Haddad engraxa os sapatos a cada três semanas e come de forma tímida um sanduíche de mortadela” <– ó a perfeição da manchete!!!], diz o sapateiro Edson Silva. Outro ponto já requisitado foi a Oficina Mecatron. “No ano passado, eles deixaram um Toyota Fielder para trocar a bateria, por 200 reais”, lembra o dono Cesar Parra.[TERCEIRA INFORMAÇÃO RELEVANTE DO TEXTO! O prefeito teve que trocar a bateria do carro! E aqui o repórter falha fragorosamente na comparação de preços! Quanto custaria a troca de uma bateria na Zona Leste, reduto petista? Essa bateria do carro do Haddad equivale a quantos quilos de tomate? Tá, parei].

Momento foteenha: o sapateiro e a bota de Dona Estela.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

[Aí você deve estar pensando assim: como é que esse texto vai acabar? Eu também pensei nisso. Sofri com isso, até. Tá faltando algum ingrediente nesse troço, né? Senão, vejamos: temos tomação de conta da vida alheia, vizinho babando ovo, vizinho querendo aparecer mais que outro… tá faltando intriga e fofoca, né?

Pois então eu te conto que esse texto concluiu-se de forma tão épica que só me resta chorar de emoção:]

Mas nenhum estabelecimento da área tem mais recordações que o Salão Primus, onde o prefeito cortou o cabelo por dezenove anos. Na campanha eleitoral, entretanto, o então candidato passou a frequentar o badalado Celso Kamura, na Rua da Consolação. A decepção pela perda do cliente é grande. Tanto que a data da última visita está na ponta da língua: 3 de janeiro de 2012. “Espero que ele volte um dia”, suspira o dono André Ribeiro. “Notei pela televisão que Haddad perdeu cabelo nos últimos tempos, está com entradas. É bom ficar atento.”

[barbeiro recalcado por perder o cliente para Celso Kamura denuncia: Haddad tá ficando careca! É-PI-CO! SIMPLESMENTE É-PI-CO! Mal posso esperar pelo comentário de Celso Kamura a respeito. E olha que desde o blazer rosa chiclete Ping Pong que o Kamura tá calado, vem bomba por aí…]

 

Moral da história: o prefeito, que começou a ser apresentado como um síndico da rua Afonso de Freitas, acabou traçado como uma pobre e indefesa criatura, tímida às vezes, mas que é o herói dos vizinhos (à exceção de seu André da Barbearia, mas deixa pra lá, né?).

O texto não foi bem sucedido em outras duas frentes: falar sobre a Carolina e Sticky, respectivamente filha e cachorro de Haddad. E olha, faltou um cachorrinho cuticuti nesse texto! O Lucas Lima bem que podia ficar à espreita pra ver se os donos do Sticky catam o cocô da rua ou deixam na calçada pros outros pisarem! Uma pauta e tanto, lamentavelmente perdida!

E lembrem-se, moradores da rua Afonso de Freitas:

Com Veja [pausa dramática de cinco segundos] VOCÊ ACONTECE EM SÃO PAULO!

 

Jogo dos erros – agora com os erros destacados

quinta-feira, abril 11th, 2013

A ordem do dia é reciclar! A ideia é pegar o lixo, o chorume, e transformá-lo em algo útil e proveitoso.

Então, vamos usar essa excrescência (<– atentem para a grafia CORRETA da palavra) desse pastor para ensinar ortografia.

Atualização: desculpem pela demora, mas me enrolei purdimais da conta, vamos lá apontar os erros que o Feliciano cometeu 

Encontrem abaixo os erros de português cometidos pelo sujeito que ousa usar o nome dum cara tão genial quanto Jesus Cristo para… (ah, vocês sabem pra quê!)

 

Mais tarde eu comento aqui os absurdos desse texto – E OLHA QUE EU VOU ME ATER TÃO SOMENTE À GRAMÁTICA E À ORTOGRAFIA, HEIN?!?!

PastorFelicianoBatalha

1- Não existe verbo ensinuar. O que existe são os verbos:

Insinuar

verbo bitransitivo e pronominal
 introduzir(-se) devagar e com cautela
Exs.: insinuou-lhe um sonífero no chá;  insinuava-se entre as árvores para vê-la banhar-se

transitivo direto, bitransitivo e pronominal
fazer penetrar ou penetrar de forma gradual e sutil (no espírito, na mente)
Exs.: i. uma doutrina satânica (na mente das crianças); a dúvida começava a i.-se em sua mente

transitivo direto
deixar que se perceba sem expressar claramente; dar a entender, sugerir Ex.: i. uma acusação

(ui! Tio Antônio só pensa *na-qui-lo*! 😀 )

E

Ensinar

verbo
transitivo direto e bitransitivo
repassar ensinamentos sobre (algo) a; doutrinar, lecionar
Ex.: e. português (a estrangeiros)

transitivo direto e bitransitivo
Derivação: por extensão de sentido.
transmitir (experiência prática) a; instruir (alguém) sobre
Ex.: o trapezista deve e. sua arte (ao filho)

bitransitivo
mostrar com precisão; indicar
Ex.: ensinou-lhes o rumo a tomar

transitivo direto
reinar (animal); adestrar
Ex.: e. um cão

intransitivo
dar aulas
Ex.: nasceu para e.

 

2- Palavras proparoxítonas, ou seja, que têm como tônica a terceira sílaba contando de trás pra frente (também conhecida como antepenúltima), são todas acentuadas, sem exceção. Como a palavra lésbicas. Que não foi acentuada pelo sujeito que cometeu esse texto.

 

3- Vamos aproveitar o chorume daí de cima para algo útil? então, vamos apresentar aqui as regras para hífen definidas no Novo Acordo Ortográfico da Língua portuguesa. O segredo a guardar é: letra igual e agá. Só nesses casos a palavra leva hífen. Mais detalhes neste post aqui.

No caso da palavra composta pelo prefixo bi (dois) + sexual (referente a sexo; praticante de sexo) , o prefixo termina com uma letra diferente da que inicia a palavra à qual ele vai se ligar. Portanto, não há hífen, o prefixo se liga automaticamente à palavra formando um novo vocábulo. Mas note: todos os ajustes necessários, como dobrar érres e ésses quando necessário (CASO DE BISSEXUAL) devem ser aplicados ao novo vocábulo. Ou isso ou você deve ler bisexual como bizequissual). enfim, não.

 

4- A palavra política, proparoxítona, é obrigatoriamente acentuada; família, paroxítona terminada em ditongo decrescente (duas vogais: a primeira muito bem falada, a outra quase sumida na pronúncia) também é acentuada.

 

5- afim escrito assim, junto, significa semelhante, parente, ou qualquer coisa que tenha afinidade (lembra do Big Brother que você nunca mais esquece!); a fim, escrito separado, significa “com o objetivo de“, “com a finalidade de” ou simplesmente “para“.

 

6- O trecho (…) o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate, não deixe de participar, traga sua opinião se escrito fosse por alguém com um mínimo de intimidade com os sinais de pontuação, ficaria assim:

(…) o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate -PONTO. Não deixe de participar-PONTO DE EXCLAMAÇÃO! Traga sua opinião -PONTO DE EXCLAMAÇÃO!

 

7- ele não deveria ter nascido. <– questão desclassificada, posto que eu prometi me ater apenas às questões ortográficas dessa excrescência em forma de texto.

Conclusão:

foto (7)

 

Acuma?

segunda-feira, outubro 22nd, 2012

Nessas horas só repetindo Didi Mocó, viu?

Olha aqui o que encontrei Facebook afora. Descrição de uma empresa:

 

Empresa oferece soluções inteligentes para a tomada de decisões na gestão de negócios e disponibiliza informações relevantes com dados atualizados que auxiliem na otimização dos resultados de negócios.

Não é vegetal, não é mineral, não é animal. É informática. Mas não sei se isso faz bem ou mal.

Também não sei se com essa descrição estapafúrdia consegue vender o borogodó dela.

Alguém tem ideia do que seja isso? (Eu chuto Data Warehouse. Um trem que poucos conseguem dizer pra que serve. Pior que o mineirinho da piada – quemcossô? oncotô? Proncovô?)

Da importância do acento agudo na leitura da Bíblia, ou: Senhor, não permitais que energúmenos leiam a Vossa Palavra!

segunda-feira, agosto 27th, 2012

 

E eis que o Pastor não sabe a diferença entre adultera e adúltera.

E se acha o fodão pra interpretar texto da Bíblia…

 

Por que ninguém me falou deste vídeo antes?

Só mesmo a Cíntia Nunes pra me enviar esta pérola…

 

O_o

Dorinha de mal com o verbo haver

quinta-feira, julho 12th, 2012

[suspiro]

Nada como uma bela escorregadela no Manoel (português) pra me fazer reabrir o caldeirão em grande estilo, néam?

Então, vamos analisar a tetéia (com acento, porque eu me apego muito aos acentos) recém-produzida pela Dora Kramer no twitter:

[outro longo suspiro]

Acho que vou fazer um postão que vai virar página especial, só com o verbo haver! Mas enquanto isso não acontece, vou contar um segredinho aqui:

Titicamente, quando o português ainda era um jovem e garboso mancebo e ainda tinha altas relações com o Latim, não tinha evoluído a ponto de criar um futuro do presente para seus verbos. (sabe como é, ele tentava passar de fase do game, mas morria antes, tinha que começar do zero, um saco….)

Daí que as pessoas usavam meique uma ameaça pra se referirem a um tempo que ainda estava por chegar. Mas pra isso, o verbo haver no presente do indicativo (antes que você pergunte: eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles hão. Agradeça a  Tio Antônio!) frequentava geral as altas e baixas rodas da sociedade.

Então, como eu dizia, lá em priscas eras, nego dizia

Eu hei de chegar em sua casa amanhã / ele há de chegar em sua casa amanhã

Essa locução “haver + preposição de + [enfie aqui o verbo principal de sua preferência]  acabou trocando de ordem, e ficou assim:

eu [enfie aqui o verbo de sua preferência] +verbo haver, ou seja:  

eu chegar hei / ele chegar há  

daí pro

chegarei  / chegará

foi um pulo e um beijinho, beijinho, tchau, tchau pro agá.

O resto é história. E futuro do presente do modo indicativo.

Isto posto, a expressão a ser combinada com  [verbo enfiado de sua preferência] que terá valor similar ao da locução verbal ir+verbo no infinitivo (vou falar / vou fazer / vou acontecer) é a expressão haver de.

Isso, é claro, se você quiser deixar seu texto metido a besta – no que contarás com meu total apoio! Atoron! \o/

Então, Dorinha, sua linda, ou você cria rapidão um trocadilho com o verbo haver e esse verbo dar mal enfiado no seu tuíte ou você deleta seu post.

Mas eu já orei pros deuses do print-screen!

*******************

 ATUALIZAÇÃO ÉPICA:

Observação tão maravilhosa do Flávio aí embaixo nos comentários que eu tive que subir o que ele escreveu:

Pode ter sido erro de pontuação:
1. Reclamar de Kassab? Quem? A Dê? (pode ser alguma conhecida da Dorinha que gosta de reclamar)
2. Reclamar de Kassab, quem? A Dê.
3. coloque aqui a “aversão” de sua escolha…

*************

#Bjomeliga

Abram alas para a clichetaria aeciana!

segunda-feira, fevereiro 20th, 2012

Primeiro eu me deparei com um tuíte que comparava Aécio Neves a Odorico Paraguassu.

Bocejei.

Que saco, nego num segura as pontas mas nem no carnaval?

Aí eu achei este texto. Li até o quarto parágrafo e comecei a bradar a plenos pulmões: EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOOOOOOO! EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOO!

E achei. O zifio minêro escreve às segundas-feiras para a (adivinha? Adivinha?) Folha de SPaulo (aêêêêêêêêê!!! Acertooooouuuu!!!!) e hoje, excepcionalmente, não escreveu sobre política, mas sobre carnaval. Ainda bem. Vou poder sacanear sem que nego me acuse de ser petista.

Antes de começar a exorcizar o texto aeciano, vou aqui celebrar o fato de Aécio tentar fugir da mesmice e aproveitar a coluna da segunda-feira de carnaval para escrever sobre… ah, tá. Carnaval. Vamos lá:

Carnaval

Segunda-feira de Carnaval. Escrevo na sexta anterior [Cejura? E nóis aqui tudo pensando que o texto é escrito assim, na hora em que a gente lê! Nossa, estou espantada em saber que textos impressos em jornais são escritos assim, com tanta antecedência!]  , antevendo [oração que começa com antever não se prenuncia boa coisa. Vamos acompanhar?] que o manto democrático da festa já terá descido sobre as ruas [GAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! CRISTORREIMEGUARDEEPROTEJAAAAAA!!! QUANTA CLICHETARIA!!!! E vamos combinar que manto democrático é de uma breguice sem par, né? Nada contra a democracia, mas imagens de mau gosto a ela atreladas deveriam ser proibiddas, por mais paradoxal que isto possa soar!].

[Agora vamos acompanhar a gênese de uma frase repleta de clichês que não traz nada de novo, nem informação, nem imagem, nada nada. Ó só:] Em uma mágica que nós, brasileiros, conhecemos bem, as asperezas do cotidiano [As asperezas do cotidiano! Cotidiano virou Bombril, Gemt!] terão sido colocadas em suspenso [terão sido colocadas! Subiu até o futuro e estagnou no particípio passado! (Ficou uma merda, mas não vamos chocar o douto senadô, né?] , ao ritmo contagiante [ritmo contagiante. Prá quê um texto sobre carnaval fala sobre Ritmo contagiante? é pra gente gritar BINGO!!! ?] da irreverência [irreverência é uma palavra useira e vezeira na mídia tradicional que quer dizer o seguinte: você se acha engraçadão, mas nego te acha um babaca e ridículo. Aí ele te chama de irreverente. Cuidado!].

Toda a alegria é bem-vinda [Cejura? Ah, olha que eu acho que não, viu? Alegria não é bem-vinda, não! Eu quero mais é saber de tristeza! Tudo a ver com carnaval! Num tô dizendo que esta coisa aqui é um desfile de clichês e lugares-comuns? Mas o que eu ainda não consegui entender foi por que o zifio gastou o espaço dele na Folha pra discorrer acerca do lugar-comum? Alguém me explica?], embora devam ser respeitados os que preferem utilizar esse momento para os ritos de recolhimento ou introspecção [<– típica frasezinha de político que não pode ficar mal com ninguém, aí joga beijinhos pro bloco da alegria contagiante e pro abre-alas do recolhimento ou introspecção! Mas ele ainda não disse a que veio, por Momo!!!].

A verdade é que, por uma razão ou por outra, esses são dias que se descolam da realidade [Meu Deus! O que é isso?!?!?!?!!?] . Por isso, não serei eu hoje a insistir em falar dela, com seus abismos e contradições [O_O].

Muitos já se dedicaram a estudar o caráter simbólico do Carnaval[Olha, até agora só consegui perceber neste texto uma perfeita fonte para se brincar de bingo-clichê com o tema carnaval. A gente escreve num papel uma série de palavras tipicamente usadas em textos mal-escritos sobre o tema, e quem riscar toda a lista primeiro enquanto lê o texto tem que gritar BINGO!]. Lembro aqui o mineiro de Montes Claros, Darcy Ribeiro[Santos partidarismos, Batman! como fazemos para mencionar o pedetista e brizolista histórico Darcy ribeiro! Ora, Robin, não se desespere! Darcy ribeiro era mineiro que nem Aécio!], antropólogo e educador, militante incondicional da vida e do humor[e de bons intelectos também, não se esqueça]. Não por acaso um visionário [visionário = genérico pra elogiar alguém]  que, com a ajuda do traço do gênio Niemeyer, implantou no coração do Rio o palco do Carnaval que encanta o mundo -o Sambódromo, também pensado como um “escolódromo” para os demais dias do ano[Só eu que imaginei a cena de Aecinho no Sambódromo olhando pros derrière tudo das zifia sambadeira?].

Pois é, Darcy tinha o senso agudo da brasilidade[Senso agudo da brasilidade, é? Darcy tinha isso, é? E isso é bom ou mau? ] e perscrutou [pootaquepareeoo!!! Prá quê esse perscrutar, cacete?!?!?!, no Carnaval [Perscrutar no carnaval! Se tem uma coisa que nego não faz no carnaval é perscrutar! Que tudo seja bem superficial e acabe na quarta-feira de cinzas!], a ambiguidade dos desiguais provisoriamente iguais[E neste momento concretiza-se em palav ras e ideias o motivo do texto de Aécio Neves: jogar na vala do lugar-comum todo e qualquer estudo sociológico sobre o carnaval!], hiato ecumênico, porém insuficiente para todos os que lutam pelo sonho de um país justo [E neste segundo momento Aécio se torna um pungente exemplar do político lugar-comum que se vale dos clichês do carnaval para lembrar,  de forma ainda mais clichê, das mazelas do país pereré pão duro blablabla].

Ao toque do tamborim [queridos leitores: “ao toque do tamborim” é motivo para eu me retirar do local e de parar de ler qualquer texto. Mas como gosto muito de vocês, vou continuar por aqui!], acredito que ele [ele? Ele quem? Ah! O darcy? Coitado, cê continua a falar dele? Ah, então vamos ver…] era um dos que tratavam de trocar a reflexão pela festa. Mas, lá no fundo da alma de folião[O parágrafo começa com “ao toque do tamborim” e lá pelas tantas traz um “no fundo da alma de folião”. De novo, leitores: só tô lendo por causa de vocês, hein?!?!!?] , devia permanecer doendo-lhe a clamorosa consciência [doendo-lhe a clamorosa consciência! Clamorosa consciência, gente!!!! O que é isso?!?!?!?!e esse troço ainda dói!!! paporra!!!!] acerca de [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Aécio é daqueles que acreditam com todas as forças que um texto elegante é aquele no qual todos os “sobre” são substituídos por “acerca de”? Ó, alguém avisa pro Aécio que “acerca de” cria um terrível cacófato que, no caso dele, beira a piada pronta?] uma sociedade partida ao meio[é com a alma lavada e enxaguada no mais limpo sabão em pó…], da desassistida solidão dos mais pobres [Desassistida solidão dos mais pobres! Mas é claro! Odorico Paraguassu feelings! , dos resquícios de uma exclusão herdada da escravatura.

Como já disse, não é hora de ficar resmungando sobre a realidade [Cejura? Ah, mas tava tão bom! só que ao contrário!] , nesses dias e noites em que o exercício de racionalidade [Exercício da racionalidade!!!!] abre alas para os adereços [Bingo! bingo! Bingo!!] da paixão e da euforia.

Rompida a alvorada da quarta-feira de cinzas[ Rompida a alvorada!!! Quedizê, ele não só usa e abusa dos clichês como ainda aplica os de mais mau gosto, é isso?], os nobres fictícios de tantas passarelas, sobre as quais escoam hoje país afora[Sério que ele escreveu isso? Sério que ele acha que isso é bonito? Sério que ele se acha sério?] , os cordões do Carnaval, irão, com justiça e razão, continuar reivindicando a construção de avenidas mais amplas e generosas, por onde passará um país mais digno e mais próximo daquele que os brasileiros merecem.[2012: antes do fim do mundo – mais que bem-vindo, diga-se de passagem- temos eleições municipais! Aê, candidatos, vamos alargar as avenida tudo, hein?]

Concordo com os que pensam que o Carnaval é um evento mais complexo do que parece. Acredito que sua diversidade e sua irreverência tantas vezes crítica não entorpecem, não iludem -pelo contrário, iluminam, revelam e expõem fantasias que não amortecem, mas desafiam a realidade[agora quem pergunta osu eu: o que pensa Aécio Neves sobre o carnaval? Ele já se decidiu?].

Esteja você onde estiver, bom Carnaval! E que depois dele possamos nos reencontrar com a nossa realidade mais alegres, mais solidários, mais dispostos a ousar e a sonhar [Tipos:ele tá deprê, mas respeita o seu direito de curtir o feriado. e avisa que, quando acabar o seu feriado, ele vai continuar a te despejar depressões. Vamos fugir, vamos?] . Porque disso também é feito um país: de solidariedade, de ousadia e de sonho[Cejura? Cejura? Cejura?]

A Aécio Neves, tenho um duplo recado multimídia.

O primeiro, uma aula de como fugir dos clichês e falar de carnaval e de mazelas históricas dos brasileiros. De um tal de Chico Buarque, não sei se você já ouviu falar. Presidente de honra do clube dos pegadores de mulé…

 

E a segunda, a ressurreição de Odorico Paraguassu, o exú que baixou nocê e te ajudou a parir esse texto.

Enfim, zifio, feliz carnaval procê também!

(E, como esse texto foi publicado na Folha, vai entrar na categoria PORRA, FOLHA! – por honra ao mérito!)

(P.S.: Num espalha, mas meu maior medo é descobrir que o Haddad também escreve assim)

 

Contradição entre termos

quarta-feira, fevereiro 15th, 2012

Tá puxado, viu?

Abro minhas redes sociais e dou de cara com uma aberração em forma de twitter que vai ser difícil ser superada (muito embora em ano de eleição eu não duvide de nada).

Antes de mais nada, deixem eu trazer aqui alguns exemplos de contradição entre termos:

  • Descida ascendente – ou a coisa desce ou a coisa sobe. Os dois juntos não dá – a não ser que você esteja subindo numa escada rolante que vai pra baixo, mas isso não vem ao caso…
  • Naso-judaico – ou você é nazista ou você é judeu. Os dois juntos ao mesmo tempo não dá pra ser. Por quê? Bom, porque se você for nazista você vai querer matar judeu, e se você for judeu você vai querer dizimar as ideias do nazismo da face da Terra. Só por isso.

 

Enfim, foram só alguns exemplos de expressões que não podem andar juntas porque se anulam.

Mas calma que eu ainda não cheguei ao ponto que eu queria chegar, peraí.

Então, vamos a mais uma definição de expressões da língua portuguesa. com a palavra, Tio antônio. O que é laico?

Laico

1 que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo

Exs.: um membro l. da congregação

 um l. no meio do clero

2 que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos

Exs.: é próprio de um espírito l. reverenciar o conhecimento científico

 os l. se opõem ao ensino religioso nas escolas públicas

 n adjetivo

3 que é independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa

Ex.: educação l.  

 

Agora sim, podemos começar o post propriamente dito:

Alguém explica?

Ah, não, Bruxa! É mentira! Ele não disse isso! Disse sim, ó….

Tudo isso pra dizer que laico-cristão é uma contradição entre termos. Assim como são contradições entre termos laico-islâmico, laico-judaico (essa ao menos rima!), laico-umbandístico, laico-Sagrada Igreja do Pônei Rosa de Santa Cher ou laico-[insira aqui a religião de sua preferência].

Acho que por enquanto a melhor explicação foi a do Ednaldo Macedo: “É o famoso duplo twist carpado hermenêutico

Da série “calo-me”

quarta-feira, fevereiro 8th, 2012

Preciso dizer marnada.

OK, digo sim: peguei essa tetéia no Facebook do Fernando Andreazi Neto. Kibada portuguesa: copio, colo cito a fonte e dou o link pro original!

O lugar-comum da solidariedade de uma típica socialite (ou: numpresto!)

quarta-feira, dezembro 21st, 2011

Vocês sabem que eu não presto e não valho nada. Por isso mesmo tava lendo a nota de pesar do PC do B pelo falecimento do camarada King Jong pai e não pude me furtar a imaginar como seria uma carta de solidariedade escrita por uma socialite, por exemplo.

Vou brincar com os chavões clássicos de cada universo (o dos comunistas e das socialites) pra tentar provar a vocês de uma vez por todas que o uso excessivo do lugar-comum cai no ridículo. À esquerda, por questão de coerência, o texto comunista; à direita, a versão socialite pesarosa. Divirtam-se! 😀

Estimado camarada Kim Jong Un 
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia  Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. 

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana, inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. 

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano.

Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011

 

Querido Kim jong Un
Queridos e Exclusivos integrantes de família da Alta Sociedade da CoréiaFiquei passada com a notícia de que seu querido pai, o tradicional membro da sociedade Kim Jong Il, orgulhoso pai de importante família da alta sociedade da Coréia, faleceu há alguns dias. Espero que sua alma esteja bem entregue nos braços de Deus.


Durante toda a sua vida de destacado membro da sociedade, o querido Kim Jong Il manteve bem altos os padrões de classe, sofisticação e elegância da alta sociedade coreana, assim como o discernimento e valores morais e éticos típicos de um membro da alta sociedade, incapaz de se misturar com quem não é do nosso meio.

 

Seu adorável pai, que na juventude foi um grand vivant, namorou as moças das famílias exclusivas da alta sociedade coreana, mas se casou anos mais tarde com sua mãe, uma discreta e sofisticada jovem oriunda da mais tradicional sociedade coreana, foi um perfeito exemplo de homem de valor e de princípios morais.


Em nome de nossa igualmente tradicional família, venho expressar minhas mais sentidas condolências à memória de Kim Jong Il, e aproveito para perguntar onde será rezada a missa de Sétimo Dia.

Tenho a confiança de que sua família saberá, pelos caminhos de Deus, superar esse momento de dor e conseguirá se manter unida para defender os valores da tradicional família coreana. Sei que você saberá conduzir sua família de forma a não se misturar com gente que não faz parte do nosso meio.

 

Com meu cordial abraço à sua mãe e a todos os seus parentes,

[insira aqui o sobrenome de uma tradicional família coreana]

19 de dezembro de 2011

 

Dá vontade de continuar com a brincadeira, mas vou parar por aqui… 😀

 

O lugar-comum da solidariedade comunista

quarta-feira, dezembro 21st, 2011

Xô, poeira!

Desculpem, mas tava viajando arrumando mala e corre pra dirigir e volta e paga aluguel e arruma mala mas a roupa não secou leva na lavanderia pra secar e arruma mala e pega avião e tudo sem vírgula porque não dá tempo nem de pontuar a frase e ufa! Cheguei!

Vamos voltar a postar, né?

Enfim, tava aqui crente que o melhor da semana seriam as imagens dos norte-coreanos chorando pela morte do líder deles lá, o King-Jong pai. Aquela falsidade que você não sabe dizer se é mentira patológica oficial do governo ou se geral na Coreia do norte tá mesmo curtindo fazer de conta que tá triste.

Mas aí tem sempre como piorar – ou melhorar, dependendo do seu ponto de vista. E o responsável por destronar o choro trash dos coreanos foi justo o nosso querido e phopho PC do B. Os companhêro camarada resolveram mandar uma nota oficial de solidariedade ao povo coreano pela morte de King Jong pai. A prova da coisa tá aqui.

A diversão começa porque você acha que uma nota de solidariedade ao povo pela morte do carinha vai dizer algo na linha  Até que enfim o mala do King Jong bateu as botas! Vamos abrir o champagne e comemorar a vida nova, galera?

Mas aí você começa a ler a teteia (se Coreia ficou sem acento, por questão de coerência teteia também vai ficar desacentuada. Malzaê…) e se pergunta que ano é hoje. A quantidade de chavões é tamanha que me deu vontade de montar cartela de bingo com as palavras tipicamente comunistas. Acompanhem que delícia de texto (não convidei ninguém a ficar julgando o texto, apenas a curtir as palavras delicadamente escolhidas pra ocasião):

Estimado camarada [Desnecessário dizer que foi um comunistão das boas que escreveu a coisa, né? Que ano é hoje? Mil novecentos e sessenta e quanto?] Kim Jong Un 
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia [Seja lá que ano for, ainda não estamos com a nova ortografia em vigor no PC do B. Mas quem sou eu pra falar de nova ortografia? Avante, companheiros! Próximo parágrafo, por favor!]

Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada [não é presidente, não é líder, não é ditador, não é rei, não é dono. Ele é apenas camarada. Ah, os comunistas tradicionais…. tô me garrando numa paixonite por esse texto que cês num calculam!] Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia [o que é isso, companheiros camaradas? Dona Ortografia Nova é bem-vinda no PC do B  ou não? Coerência, cadê? Cala a boca, bruxa! Vai pedir coerência pra comunista que se solidariza com norte-coreano? Que mais você quer? Que a mulher maçã saiba crasear? Senta lá, Cláudia!], presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. [Tá certo, ele era só camarada. Mas é um camarada purdimais de atarefado, né não?]

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário [Demorou pra aparecer um revolucionário no texto, hein?], o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista [Aviso da bruxa: esse anti-imperialista está de acordo com a Nova Ortografia, sim?] , da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.[Deixei você falar mal dessas observações? Deixei? Eles podem pensar o que eles quiserem do governo King Jong pai, oras! Só convidei você a curtir o estilo único e incomparável! Avante, camaradas! Próximo parágrafo, fazfavô!]

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana[Karl Marx não poderia se orgulhar mais desse trechinho, gente! Continuidade ao desenvolvimento da revolução é tuuuuuuuuuuuuuuudo de comunista, né não?] , inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung [e eu começo a desconfiar que camarada é uma espécie de monarca diferenciado… OK, passou!], defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria [continuidade do desenvolvimento da revolução defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria é a versão comunista para o corporativíssimo Objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa Tal, sempre inovando, (…)]. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.[Outra que demorou a aparecer foi a fórmula de texto de marketing direto que funciona mais que Bombril, e pode se aplicar tanto ao Papa como a Hitler. Essa última frase serve pra qualificar qualquer um, repara só…]

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências [condolência? Mas não era solidariedade?] e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. 

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano [De novo! Para de rir, que coisa! Deixa eles pensarem o que eles quiserem, oras!!! Eu só te convidei a se deliciar com o estilo do texto….]
Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011 [2011? Cejura que esse texto foi escrito ANTEONTEM?!?!?!?! Alguém avisou aos comunas que o mundo apertou legal o F5 nas últimas décadas?]

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