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Ig e o adubo étnico

sexta-feira, julho 15th, 2011

Agora me digam: ao ler um troço desses, oo que é que vocês pensam?

Tem gente desenvolvendo adubo étnico, é isso?

Aí, você lê o intertítulo (a linha de baixo) e descobre que trata-se de fertilização de óvulos humanos.

Mas como faz com pessoas como eu que, ao verem a foto do Roberto Carlos logo abaixo, voltaram a pensar em adubos étnicos?

Gente, essa dicotomia do discurso do Ig tá foda hoje, viu?

O dia em que a Folha resolveu analisar a velocidade dos imóveis

domingo, julho 10th, 2011

Bosta, viu?

Tava toda contente aqui de voltar aos braços do Álvaro e tals, e planejava deixar Álvaro aqui nosencima do blog por um bom tempo, aí vem a Folha e fode com os meus planos.

PORRA, FOLHA!

Porque, né? Esse jornalzinho pede pra vir parar aqui pra ser exorcizado!

Senão, me digam: qual outra publicação da língua portuguesa consegue juntar as palavras imóvel e velocidade numa mesma frase com tamanha idiotice imbecilidade babaquice imprecisão maestria ?

Aí, você se pergunta: O imóvel tá andando mais devagar? Mas ora raios, ele não é imóvel, como ele se move então?

Ou então: Poxa, o imóvel é novo mas já vem com defeito no motor?

Ou ainda: Será que o Detran baixou norma pra reduzir a velocidade dos imóveis?

e eu respondo: não, ameba! É a folha que não sabe fazer títulos!

PORRA FOLHA! PORRA, PORRA, PORRA!

AGORA VAI E PROCESSA O LINO BOCHINNI, VAI!

Taqueopa….

 

Muito bem lembrado por um encosto via Twitter: o subtítulo segue a linha antológica (=lógica da anta)  do título: As unidades (…) são vendidOs.

Fiquei tão passada com o título que nem vi a merda do sub…

Valeu pela dica, Francisco!

Eu digo basta! – blogagem coletiva

domingo, junho 5th, 2011

O Objetivando Disponibilizar é um blog sobre textos mal escritos e erros de português. A princípio, não teria motivos para participar de uma blogagem coletiva a favor da amamentação e contra estupidezes de machinhos pseudo-engraçados.

Mas eu encontrei uma ligação entre este tema e a blogagem. Tio Antônio, faz favor! O que é misoginia?

n substantivo feminino
1 ódio ou aversão às mulheres
2 aversão ao contato sexual com as mulheres

Pois Marcelo Tas e seus colegas do CQC estão sendo acusados de serem misóginos. Por quê? bom, por causa distodisto.

É ridículo ver como os homens não sabem se comportar diante das mulheres. Insistem em achar que, se elas não lhes servirem de colírio para os olhos, como objetos inanimados, sem opinião e sem ação própria, têm mais é que ficar em casa, e amamentar seus rebentos de forma privada. Afinal de contas, amamentar em público é muito chocante! (O_o).

Patético ver que eles não acompanharam a evolução da sociedade. Patético notar que esses seres não conseguem perceber a mulher de outra forma que não um objeto sexual, sem direito a opinião, raciocínio, inteligência, nada. Devemos nos limitar a satisfazer o prazer deles, e ai de nós se ousarmos pensar ou fazer algo diferente.

Seremos execradas. Seremos achincalhadas. Seremos vilipendiadas. Seremos ridicularizadas. Enfim, seremos excluídas.

Nossa independência, inteligência, atitude, capacidade de ter opinião própria lhes causam medo. Eles só conseguem conceber mulheres-objetos, lindas e prontas e lhes saciar os desejos sexuais (que eu não sei se devo classificar de primitivos ou de primatas. Temo faltar com o respeito aos macacos e gorilas). Isso lhes causa medo – daí a misoginia.

E vamos párar com esse textinho lindinho porque quem tá falando aqui é um bruxa, porra.

Quem Rafinha Bastos, Marcelo Tas e cia. pensam que são para determinarem que mulher não pode amamentar em público? Afinal de contas, quem decide isso somos nós, mulheres?

Ou é a fome de um bebê inocente, que nada tem a ver com a falta de noção de seja lá quem for? O bebê, aliás, é quem vai determinar se quer se alimentar em público ou num lugar mais calmo e reservado!  Se o bebê quiser no meio do vão do Masp, ótimo! Vai ser lá mesmo! Mas se ele preferir um local mais silencioso, calmo e escurinho – isso é decisão do bebê. Acreditem, bebês são capazes desse discernimento.

Seio só serve pra deixar paus duros? Qualquer outra aplicação é execrável e deve ser proibida e reprovada em público?

Eu poderia entrar naquela história de homens brancos cristãos heterossexuais e seus pontos de vista dominantes e machistas e etc e tal, mas a Lola sabe falar disso com muito mais precisão e maestria do que eu.

Na verdade, eu venho aqui mui humildemente (cof, cof, cof) oferecer aos machinhos do CQC um workshop de humor.

Porque, né? Eles acham engraçado comparar um mamilo a um rocambole! (Oi?)

Ou, então, dizem que mulher que gosta de pôr o peito pra fora pra amamentar é mulher feia que não tem seio, tem teta! (Que ano é hoje?)

Caros membros do CQC, é o seguinte: eu criei um personagem há alguns meses, a Doriana. Ela é a mãe perfeita, que vive num comercial de margarina. (Preciso explicar a piadinha pra vocês ou vocês conseguiram entender? Num tem sexo nem depreciação do outro, daí o meu receio de que vocês não tenham compreendido….)

Enfim, a Doriana vive num comercial de margarina e é a mãe perfeita. Por ser absolutamente perfeita, ela amamenta, porque mãe que é mãe amamenta. Sempre.

E seu discurso pró-amamentação faz rir quem realmente entende do assunto e pratica o ato de amamentar:

“Meu irmão foi amamentado antes de fazer a prova de direção, e foi aprovado de primeira! E tem gente que acha que amamentar não faz bem!”

“Na semana seguinte, meu irmão foi amamentado antes da entrevista de emprego, e foi contratado! E tem gente que acha que amamentar não faz bem!”

“Nossa, me estressei tanto com minha mãe agora! Ela queria levar minhas filhas na esquina pra tomar sorvete sem a minha presença! Fiquei tão nervosa e chorei tanto que ela me ofereceu o peito pra eu me acalmar um pouco! Ainda bem, viu?”

A Doriana quase não fala em sexo.  Não precisa. Já existem estereótipos suficientes no ato de amamentar e no discurso pró-amamentação e pró-mães perfeitas. É só exacerbar tudo e trabalhar o discurso.

Se vocês fossem menos tacanhos (ou, pelo menos, fizessem realmente parte desse momento tão importante da vida de uma mãe e um bebê) teriam se dado conta de detalhes curiosos e mesmo risíveis do dia a dia de uma lactante. E daí saberiam fazer piadas engraçadas a respeito. Fico aqui a imaginar (e lamentar) que tipo de pais vocês são.

Seu colega (em tacanhez) da Folha de SPaulo comparou amamentação com masturbação. Sério, eu ainda não consegui relacionar uma coisa à outra. Que que tem a ver alimentar um bebê em público com proporcionar-se prazer em público? Ah, é porque a visão do seio deixa os homens excitados, e masturbar-se em público também é excitante? Isso é engraçado? Cejura? Mas é curioso, porque eu sempre entendi que boas piadas não precisam ser explicadas e… eu realmente consegui estabelecer uma lógica nessa piada? É pra rir disso? quer dizer, então, que vocês homens héteros não conseguem desligar a paudurescência ao verem um peito de fora com a função de alimentar um filhote de gente?

Quer dizer, eu sou capaz de compreender a linha de raciocínio até de piadas racistas – não concordo, mas entendo o mote. Mas essa piada de vocês é pior que piada racista. Se é que isso é possível, viu?

Enfim, se alguém ainda não disse isso pra vocês, tá na hora de vocês entenderem que apelar à fórmula

sexo + padrões repressivos de beleza feminina + burrice feminina

é muito Balança mas não cai – e isso é tão século vinte que vocês deveriam se envergonhar de se acharem muderrrnos.

Enfim, apertem o F5*. Vocês estão mais de meio século ultrapassados.

 

(pra quem não usa PCs: a tecla F5 é o atalho do teclado em navegadores Internet para atualizar as páginas web exibidas.)

Os outros posts desta blogagem coletiva estão neste post do blog  Rede Mulher e Mãe

Parabéns a todos os envolvidos

quinta-feira, junho 2nd, 2011

Legendas, explicações e comentários fazem-se desnecessários diante de tão brilhantemente idiota manchete:

Mais desnecessário ainda citar qual jornal publicou essa tetéia, né?

#PORRAFOLHA!

(E só porque hoje eu tô boazinha, aviso: a crase tá certa! Ao menos isso, né?)

 

E obrigada a todos os que tuitaram esse troço aí hoje! 😀

Fundeu

terça-feira, maio 24th, 2011

Pra quem não entendeu e precisa de explicação, selecione o espaço em branco abaixo:

Existem dois verbos em questão. O verbo fundir = derreter metal e o verbo foder = praticar ato sexual.

A mesa ganhou o particípio passado do verbo errado. E o título deste post foi um trocadilho com a… er… troca de verbos.

#prontoexpliquei.

(Com agradecimentos à @Madycris, ao @jampa e ao @danielperrone por me enviarem esta tetéia via twitter)

Insensata redação

segunda-feira, maio 23rd, 2011

Não pude evitar o riso ao ler este textinho aqui. Movida pela curiosidade mórbida de saber como e por que uma atriz se machucou ao gravar as cenas da morte de sua personagem, cliquei neste link enviado pelo twitter.

Acompanhem comigo o desenrolar da história:

Fernanda Paes Leme dispensou dublê para as cenas da corrida em que Irene tenta fugir. A atriz gravou com o carro colado nela e assustou a equipe ao tropeçar e cair de joelhos. Como quem dirigia o veículo era um piloto profissional, ele conseguiu desviar a tempo.
Na queda, Fernanda rasgou a calça e teve ferimentos leves. Quarenta minutos depois, ela já voltou a gravar.
Já morta, deitada no chão, Irene leva um pisada de Léo, que se certifica da morte da moça.

Confiram (do verbo conferir, mesmo = ver se tá tudo nos conformes!) comigo a sequência dos acontecimentos:

  • Zifia cai e se machuca.
  • Motorista-dublê desvia da zifia.
  • Zifia rasga as calças e fica com ferimentos leves.
  • Zifia volta a gravar 40 minutos depois.
  • Zifia morre e ganha uma pisada do malvadão da novela.

Tipos: “ela não morreu na hora, então a gente teve que forçar a barra a matá-la de qualquer jeito”.

Depois do riso, claro que deu pra entender que, ao mudar o sujeito (de Fernanda para Irene), a primeira sequência aconteceu com a atriz, e o último parágrafo em destaque é parte da descrição da cena da morte da personagem. Mas essa confusão seria evitada facilmente com a adição de uma expressãozinha de nada:

Fernanda Paes Leme dispensou dublê para as cenas da corrida em que Irene tenta fugir. A atriz gravou com o carro colado nela e assustou a equipe ao tropeçar e cair de joelhos. Como quem dirigia o veículo era um piloto profissional, ele conseguiu desviar a tempo.
Com a queda, Fernanda rasgou a calça e teve ferimentos leves. Quarenta minutos depois, ela já voltou a gravar.
Nas cenas gravadas, Irene, já morta e deitada no chão, Irene leva um pisada de Léo, que se certifica da morte da moça.

Quer dizer… um cadim de nada que deixou o texto mais claro, né?

Mas devo agradecer pelas risadas do dia. \o/

Didática do Trauma. Aula nº3: como (não) usar corretamente a expressão “diferencial competitivo”

quarta-feira, maio 11th, 2011

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula traumatizante da Madrasta do Texto Ruim.

Hoje eu vou explicar pra vocês, de uma vez por todas, por que diferencial competitivo é uma expressão vaga e imprecisa, incapaz de passar uma mensagem direta, ela apenas insinua não sei bem o quê.

“Ah, dona Bruxa, eu acho que as funcionalidades de uma solução são um diferencial competitivo de minha empresa”, dirá você, ameba escrevente.

“Ah, dona Bruxa, eu acho que diferencial competitivo é uma coisa que agrega valor”, completará sua coleguinha.

Daí eu mostro pra vocês, oh amebas, pra que serve a expressão diferencial competitivo. O ÚNICO CASO em que a coisa foi bem empregada.

Do Portal Correio:

Pastor troca esposa pelo cunhado e pede guarda dos filhos
Um caso no mínimo inusitado chamou a atenção dos 78 mil habitantes de Cacoal-RO. Um homem de 36 anos separou-se de sua esposa de 23 anos para ‘casar-se’ com o cunhado de 38.Flávio Serapião Birschiner estava casado há dois anos com Ana Paula Rochinha Birschiner.(…)
Ana Paula acredita que seu casamento se desfez pela constante recusa em praticar sexo anal com o marido. Ela revela que “ele era obcecado por sexo anal”. Ela ainda afirma que confidenciou isso ao irmão, que a apoiou. Ana Paula acha que seu irmão se valeu desta informação para oferecer ao marido um diferencial competitivo.

Entenderam, amebas?

Então, a menos que você queira referir-se à prática de sexo anal, não saia por aí falando em diferencial competitivo.

E aqui eu deixo meus cumprimentos à Adriana Bezerra, autora desse texto di-vi-no, e à Nalu Nogueira, que me avisou da existência dele via Twitter.

P.S.: Parece que essa notícia deve ser falsa (traduzindo: não tenho a mais vaga idéia se essa notícia é verdadeira ou  não). Verdadeira ou falsa, ela não invalida a didática do trauma. Grata. 😀

O texto do querido Virundu

quinta-feira, maio 5th, 2011

Descobri a necessidade deste post graças a uma consulta que o Wagner Fraga me fez via Twitter. Joguei a frase “ouviram do Ipiranga às margens plácidas”, assim mesmo, com essa crase errada, no Google. Descobri que em vários sites a letra do Hino Nacional Brasileiro está errada!

Oras bolas, não tem mais aula de interpretação do texto do Hino Nacional Brasileiro nas escolas, não? Antes que me respondam de forma negativa, faço outra pergunta: desde quando as escolas brasileiras deixaram de ensinar os símbolos e os valores de nossa pátria, hein?

Pra quem não conhece a história do Hino Nacional Brasileiro (ou O Virundu, pra quem curte um apelido carinhoso), melhor ir direto pra essa página da Wikipédia em português – e deleitem-se com a letra do Hino em língua tupi. Um arraso! \o/

Mas não tô aqui pra falar de Duque Estrada nem de Francisco Manuel. Vamos reler a letra do nosso Virundu, na tabela abaixo, à esquerda. Como vocês podem reparar, a coisa tá com ares de que tá fora de ordem (mais especificamente, em ordem indireta). Trata-se da figura da inversão:

Também é considerada como figura de construção a “Inversão”, aonde ocorre a mudança da ordem direta dos termos na frase (sujeito + predicado + complementos).
Exs.:”Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante” (Hino Nacional Brasileiro) (ordem direta: As margens do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.)

Então, vamos colocar o texto em ordem direta pra entender a bagaça.

Letra oficial Texto em ordem direta
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

 

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,

De amor e de esperança à terra desce,

Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

A imagem do Cruzeiro resplandece.

 

Gigante pela própria natureza,

És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

As margens plácidas do Ipiranga ouviramo brado retumbante de um povo heroico,

e, nesse instante o sol da Liberdade brilhou,

em raios fúlgidos, no céu da Pátria.

 

Se conseguimos conquistar com braço forte

o penhor desta igualdade,

em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito

desafia a própria morte!

 

Ó Pátria amada ,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil , se a imagem do Cruzeiro resplandece

em teu céu formoso, risonho e límpido,

um sonho intenso, um raio vívido

de amor e de esperança desce à terra.

 

És belo, és forte, impávido colosso,

gigante pela própria natureza,

e o teu futuro espelha essa grandeza

 

Ó pátria amada,

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

 

Deitado eternamente em berço esplêndido,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

Fulguras, ó Brasil, florão da América,

Iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Do que a terra mais garrida

Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,

“Nossos bosques têm mais vida”,

“Nossa vida” no teu seio “mais amores”. (*)

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, de amor eterno seja símbolo

O lábaro que ostentas estrelado,

E diga o verde-louro dessa flâmula

– Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

Ó Brasil, florão da América,deitado eternamente em berço esplendido,

ao som do mar e à luz do céu profundo,

fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Teus campos lindos, risonhos, têm mais flores

do que a terra mais garrida; [e assim como]

nossos bosques têm mais vida,” [também]

“nossa vida” no teu seio [tem] “mais amores”

 

Ó Pátria amada,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, [que] o lábaro estrelado que ostentas

seja símbolo de amor eterno,

e o verde-louro dessa fâmula diga:

– Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues a clava forte da justiça,

verás que um filho teu não foge à luta,

[e] quem te adora não teme nem a própria morte.

 

Ó pátria amada!

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

 

O asterisco (*) indica as citações do Hino à Canção do Exílio, de Gonçalves Dias e que, por isso, devem ser grafadas com aspas.

E antes de eu seguir adiante, faz-se mister ah, eu acho essa expressão linda! O problema é como usá-la sem ficar ridículo. explicar essa história de arrumar a ordem das frases do Hino. Eu sabia que isso já tinha sido feito antes, e descobri a tarefa pronta neste site aqui. Mesmo sem a licença da digníssima autora, copiei o conteúdo. Mas faço questão de avisar que a autoria da ordem direta do Hino não é minha.

Isto posto, voltemos à letra. Ficou bem mais fácil de entender a mensagem, né? Espero que também tenha ficado claro por que não existe crase na frase ouviram do Ipiranga às margens plácidas. (É porque, em ordem direta, a frase vira as margens plácidas do Ipiranga ouviram (…) . Há quem interprete a frase como sujeito oculto: [eles] ouviram às margens plácidas do Ipiranga, mas essa interpretação está simples e solenemente errada. Foram as margens plácidas do Ipiranga que tiveram o trabalho de ouvir o brado retumbante de um povo heroico etc. e tal.)

Aliás, fico passada como tem gente que não sabe o que é um brado retumbante! Gente, brado retumbante é libertador, viu? Brado = grito; retumbante = que retumba, que ecoa. Não é um grito qualquer, é um belo de um grito. E com équio! 😀

Se nego ainda não percebeu que o tema da primeira estrofe é o grito de Independência, melhor tomar um cafezinho e voltar com neurônios renovados.  Mas a segunda estrofe já traz um certo complexo de vira-latas: “conseguimos conquistar na marra o penhor da igualdade” <– quer dizer, a igualdade é nossa, mas a gente pagou por ela um preço que a gente inda num sabe  se vai conseguir pagar. Penduramos as joias pra termos um cadim de igualdade. Medo, muito medo. (ou será que o braço forte da história indica que o penhor da igualdade acabou por ganhar um belo dum calote? enfim, quero só ver você, aluno copião e colão, se livrar dessa minha análise sozinho, por conta própria, sem perder o sentido e sem sue professor perceber sua kibada. RÁ!)

No mais, o Novo Mundo ou Novo Continente são as Américas (do Norte, Central e do Sul), em contraponto ao Velho Mundo ou Velho continente (a Europa). E o Cruzeiro que resplandece não é referência à antiga moeda brasileira, não. Trata-se da constelação do Cruzeiro do Sul, facilmente vista no céu brasileiro.

Quanto à coleção de palavrinhas que você deve estar se perguntando que raios significa (lábaro? florão? garrida?) prometo fazer um post só com os significados dessas palavras, porque este daqui já abusou do direito de ficar enorme!

E se você chegou até o fim deste texto perdidaço por não saber que negózdi O Virundu é esse, eu explico: O Virundu é o som criado no embalo do cantar das duas primeiras palavras do hino: “Ouviram do”. RÁ!

Mas espere! Você sabia que a primeira parte do Hino Nacional, que não é cantada, tem letra?

Vamos ouvir essa historinha deliciosa:

Realeza remontada – ou a Real Vergonha Alheia

sexta-feira, abril 29th, 2011

Daí que neste dia de casório real lá pelas terras inglas (copyright Barão de Itararé) de dona Elizabeth, recebo via twitter do @ramiro_fc o link para o site da Família Real Brasileira. Se você começou a rir só de ler o título, você vai chorar ao clicar no link. Porque para um tema do qual só se espera pompa e circunstância, o nível do português é de xurraxcão na laje. Isso, claro, é preconceito meu, porque aposto que frequentadores de churrascos em lajes devem falar português muito mais castiço do que o dos Orleans e Bragança versão brasileira.

Só pra dar uma idéia do nível da bagaça, permitam-me esculhambar reescrever o texto sobre a Casa Imperial brasileira, que pode ser lido aqui (antes de ler, reparem na quantidade de texto vermelho, original, e na quantidade de texto azul, minhas observações. Isso da idéia da quantidade de bosta que eu enfrentei…):

A Família Imperial Brasileira

Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial, [Vossas Altezas vão me desculpar, mas essa vírgula foge ao protocolo. Ponto funcionaria melhor, sabe?] os poucos que conhecem conheceram [conhece ou conheceram? As Altezas, certas de sua superioridade dinástica, furtaram-se ao simples ato de releitura e correção de uma redação? afff!] a face desta família, que fora construida [Aê, Altezas: vamos coroar esse verbo com um acentinho básico? Acento esse que, claro, é muito inferior à imperial Coroa – mas obrigação protocolar, sabe? cons-tru-Í-das. Grata.] sobre o imaginário republicano[não entendi como pode uma família real construir-se sobre o imaginário republicano, mas né? Diz o protocolo que não se deve questionar reis e rainhas – tampouco dizer HEIN? ACUMA? IXPLICA? E como eu não estou aqui pra quebrar protocolos, calo-me]. Depois de 114 Anos de República, e tendo nossa Pátria resistido os mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. [com todo o respeito, mas eu acho que Vossas Altezas não entenderam direito como se pontuam frases em bom Português. O ponto é como se fosse uma tecla de enter, pra jogar a informação da frase pra dentro do cérebro. Já a vírgula é pra arrumar as idéias dentro de uma mesma frase. Portanto, oh, altezas, esse ponto ficaria melhor se fosse vírgula, OK?] A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação [Aham, Altezas. Mas deixa isso prá lá. Não quero entrar no mérito do conteúdo do texto. Tô aqui pra corrigir a gramática e a pontuação…] . Nossos príncipes remontam a […, caso da crase faltante desse a aí do lado] época da Indepêndencia do Brasil, e poucos sabem que na realidade remontam a Hugo Capeto (940-996) que fora Rei da França em 987 [tá, geral na Família Imperial é tudo remontado, isso deu pra entender. Mas se vossas Altezas aceitassem um reinado de precisão redacional em vossos altivos neurônios, teriam explicado que a Casa Real Brasileira inaugurou-se na época da independência com a coroação de D Pedro I, monarca oriundo de uma linhagem (esta sim) que remonta a Hugo Capeto. Vou nem questionar vossos altivos conhecimentos de história. Tô só colocando os pingos no  is, OK? e ó, vou creditar como esbarrão de dedo: indepenDÊNcia tá com o acento na sílaba errada. tem que ver isso aí – Obrigada pelo aviso, Ana! 😀 ] . Isto a precisamente a 1017 Anos [Olha, Vossas Altezas que me perdoem a expressão chula, mas preposição a pra indicar tempo passado É O CARALHO vosso altivo membro peniano!! E ainda dizem “precisamente”!!! Atenção, portanto, monarcas e plebeus luso-parlantes: tempo passado é indicado com o verbo haver; tempo futuro é indicado com a preposição a. Juro por Deus que vou fazer um post especial só sobre isso! Mas o lance do Hugo Capeto foi HÁ precisamente 1017 anos!!!! Vou nem entrar no mérito de Anos grafado com maiúscula, nem que números maiores que 1.000 precisam desse pontinho pra separar as ordens de grandeza] !!
Tendo [eu TENHO uma implicância especial com frases iniciadas por gerúndio] na sua árvore genealogica, [Façam o favor de rapar fora essa vírgula daí que ela não serve pra nada?: Gradicida! E genealÓgica tem acento, ô coisa! (deu pra reparar que eu tô perdendo paciência, pompa e circunstância com esse povinho, né?)] obviamente a Princesa Isabel, Dom Pedro II, Dom Pedro I e Dom João VI [contradição detectada: como pode a família real brasileira “remontar-se” à época da independência, e o parágrafo seguinte listar na família real Brasileira D. João VI, que nunca foi imperador do Brasil, mas do REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVE? Coerência histórica, a gente não vê por aqui!]. Os príncipes do Brasil tem em linha varonil direta, [Não sei se me irrito mais com essa vírgula mal colocada ou com a linha varonil direta… tô aqui imaginando uma vara de quase 800 anos de comprimento, mas deixa isso prá lá. E eu fiquei tão impressionada com a vara de 800 anos 😮 que nem reparei que os príncipes do Brasil tÊm. Não fosse uma leitora pra avisar, passaria em branco! ] São Luiz (Luiz IX) Rei Cruzado da França (1214-1270) pela parte Orleans. Pela parte Bragança remonta a Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança, que se casou com a filha de Dom Nun’Alvares Pereira, Condestável de Portugal [Condestável? Pedi socorro pra tio Antônio Houaiss, que me contou que condestável é um posto militar que só perde em importância pro rei. Mas isso não aplacou minha sana por trocadilhos infames, ah, não aplacou!] .
[MA CHEEEE! Quebrou parágrafo por quê? O assunto continua o mesmo…. Outra coisa: começar frase com conjunção aditiva E não é pra qualquer um, não! Eu faço isso direto, mas releio meu texto e vou trocando sempre que possível! Esse e daí ficou HOR-RO-RO-SO!] E também pela parte Wittelsbach remontando [ô fixação por montaria, viu? Ticontá…] a Oto de Wittelsbach (Conde Palatino da Baviera em 1156). [De novo! Esse ponto daí não tem nada a ver com o andamento do texto! Taca vírgula, ô coisa! <– é, meu protocolo foi-se todo] Vemos bem que a nossa família imperial remonta a muito mais tempo do que imaginamos [eparrê-iansã! Essa frase tá tão mal construída, mas tão mal construída (culpa da fixação por montaria), que esse a daí tá mais pra verbo haver. Ou não? Na dúvida, melhor reescrever!] !
É sendo assim que com orgulho [<– É sendo assim que com orgulho? Esse texto deu foi Vergonha Alheia, isso sim!] divulgamos a nossa Causa [Ok, este trocadilho eu não perco: é pra divulgar a casa ou a caUsa? QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA prontopassou] , que é pela Restauração da Monarquia no Brasil [mentira, não passou, não! vou rir de novo aqui: QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA], interrompida por uma quartelada que não chegava a representar 1% do Exército na aquela época [na aquela época? G-zuz! Mas enfim, aham, altezas. Acho só que vossas imperialezas já se esqueceram do plebiscito de 1993… tsk, tsk, tsk, memória seletiva, que coisa mais feia…] . Erram, e erram feio [e ó: aqui caberia uma vírgula, sabe? Cadência, elegância…] aqueles que pensam que a República fora [ai, que mais-que-perfeito feioso!] um regime que trouxe a democracia ! Vejam quantas vezes esta “democracia” fora[Pros que não entenderam a ironia, a palavra certa pra definir o mais-que-perfeito aqui e na outra frase não é “feioso”. É “errado’, mesmo!] interrompida por golpes, mandos e desmandos ! E lembrai-vos que aqueles que quiseram a República eram aqueles que queriam a continuação do Regime Escravocrata. Sendo assim vamos libertar o Brasil de um jugo que ha 114 Anos [tá. Agora Vossas altezas podem explicar POR QUE AQUI VOCÊS USARAM O VERBO HAVER INDICANDO PASSADO CORRETAMENTE (ainda que sem o acento), E LÁ EM CIMA USARAM ERRADO? E por quê Anos foi grafado com letra maiúscula? Consistência, a gente não vê na Família Imperial!] o entorpece em seu crescimento e sua soberania como nação.

Bom, vou só lembrar a Família Real que o Capítulo III, Artigo 13 da Constituição Federal determina que A Língua Portuguesa é o idioma da República Federativa do Brasil. Entendo que as altezas não reconheçam o país como uma República, mas CACETE, DÁ PRA ENTENDER QUE É NECESSÁRIO FALAR PORTUGUÊS FLUENTEMENTE PRA REINAR POR AQUI, DÁ?

E, como estou boazinha, vou reescrever essa coisorrorosa daí de cima, pra ver se vai ornar com um mínimo de classe e elegância típicos de um português bem escrito.

A Família Imperial Brasileira

Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial. Os poucos que conhecem a face desta família percebem-na a partir de uma imagem constituída em épocas republicanas, ao longo de 114 anos nos quais nossa pátria vem resistindo aos mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação. A fundação da Família Real brasileira ocorreu ainda na época da Independência do Brasil, com a coroação de D Pedro I Imperador do Brasil. Nosso primeiro monarca vem de uma linhagem real que começa em Hugo Capeto (940-996), Rei da França em 987 – uma linhagem de 1.017 anos!

A árvore genealógica da família brasileira divide-se em três ramos. Os atuais herdeiros descendem diretamente da Princesa Isabel, Dom Pedro II, Dom Pedro I e Dom João VI. Pelo lado Orleans, os príncipes do Brasil têm em linha varonil direta São Luiz (Luiz IX) Rei Cruzado da França (1214-1270) e, pela parte Bragança, seu primeiro membro foi Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança, que casou-se com a filha de Dom Nun’Alvares Pereira, Condestável de Portugal. O terceiro ramo da família real brasileira liga-se aos Wittelsbach, até Oto de Wittelsbach (Conde Palatino da Baviera em 1156). Percebe-se que nossa família imperial é muito mais tradicional do que se imagina!

Portanto, é com orgulho que divulgamos a nossa causa da Restauração da Monarquia no Brasil, interrompida por uma quartelada que não chegava a representar 1% do exército àquela época.

Erram, e erram feio, aqueles que pensam que a República foi o regime que trouxe a democracia ! Vejam quantas vezes essa “democracia” foi interrompida por golpes, mandos e desmandos!

E lembrai-vos que aqueles que quiseram a República eram os que queriam a continuação do Regime Escravocrata.

Portanto, vamos libertar o Brasil de um jugo que há 114 anos o entorpece em seu crescimento e sua soberania como nação.

Ainda assim, vamos combinar que esse estilo de redação é sofrível.

Tá “quereno pegá”…

terça-feira, abril 12th, 2011

Depois de ser devidamente avisada via Twitter por Vange calada noite preeeeta, noi-te-pre-taaaaa Leonel , fui conferir parte (pq pra conferir na íntegra só se eu estiver com insônia) da entrevista de Fernandenrique ao Blog Poder Online.

Lá penas tantas, éfe agá afirma o seguinte sobre a presidente presidenta líder e não enche, bosta! Dilmavana:

Poder Online – E como o senhor classificaria o estilo Dilma?
Fernando Henrique Cardoso – Vê-se que a presidente entendeu que no mundo contemporâneo a imagem conta muito: apresenta-se elegante e sorridente, não se poupando de pousar para os fotógrafos. E no lugar da carrancuda e autoritária Dilma aparece uma senhora quase bonachona, embora cortante quando necessário

Isto posto, só posso concluir duas coisas:

Ou éfe agá foi vítima de hortografia pobremática por parte do blog em questã, ou ele tá a fim de pegar traçar faturar comer namorar flertar ah, você sabe o que ele tá a fim de fazer, pô!, enfim, com Dilmavana.

Só isso explica ele comparar nossa líder a um avião.

Porque, né? Pessoas costumam posar pra fotos. quem pousa pra foto é avião, passarinho, disco voador…

A caminho da crase III – regência errada faz Reuters acusar Angelina Jolie de explorar os refugiados líbios

terça-feira, abril 5th, 2011

Daí que essa escorregada feia da tradução da Reuters (reproduzida por T-O-D-O-S os jornais do Brasil) vai servir de abre-alas pro próximo post, esse sim sobre crase.

Bom, antes que me perguntem o original táqui.

O título diz uma coisa e o primeiro parágrafo desmente o título e diz outra. Legal, né?

Ó só:

Angelina Jolie pede ajuda a refugiados da violência na Líbia [como é que é, zifia? Os refugiados vão dar ou vão receber a ajuda?]

A atriz e embaixadora da boa vontade da ONU Angelina Jolie fez um apelo nesta terça-feira  à comunidade internacional pedindo por ajuda às pessoas [arrá! Então é a comunidade intgernacional que recebeu o pedido de ajuda da Angelina Jolie! E os refugiados é que vão receber a ajuda! Ah, então tá bom!) que estão fugindo do conflito na Líbia e por maior assistência a quem permanece no país.

Diagnóstico da Bruxa: O título é que ficou com duplo sentido. Deixar o a como preposição ali foi de uma infelicidade tremenda, pois ele acabou dizendo que os refugiados vão receber ou oferecer a ajuda. Precisão no texto?  Não trabalhamos.

Eu faria assim pra consertar o título:

Angelina Jolie pede POR ajuda a refugiados da violência na Líbia

Ainda assim, curti muito esse título, não…

E aí? ficou feio?

Alguém tem sugestão melhor?

Mas ponham bastante reparo nas duas crases do primeiro parágrafo. Elas estão liiindas! Fresquinhas, certinhas, cheirosinhas e gostosas! 😀

E, antes que eu me esqueça, deixa eu colar aqui a prova de tio gúgou de que TODOS foram atrás desse título horroroso. ó só:

(E meus agradecimentos à @verbofeminino que enviou o link do Estadão pelo Twitter!)

A caminho da crase II – Exercícios

terça-feira, abril 5th, 2011

Desculpem. Tô devendo este post aqui há mó tempão. Espero que ajude, viu?

As respostas estão aí embaixo, no final do post. Pintadas de branco que é pra você não ver nadica. Se você clicar em “selecionar tudo”, copiar e colar no seu aplicativo de texto, vai ver as ditas normalmente.

1- Identifique quais são as classes gramaticais dos a nas frases abaixo
(é pra dizer naonde ele é preposição e naonde ele é artigo!)

a) Maria é a moça que mamãe pediu pra nora

b) A idiota não viu que o motor é movido a gasolina, e completou com álcool

c) A menina é movida a esporro! Depois que a mãe brigou, ela arrumou a sala que deixou bagunçada.

d) A merda não é apenas um estado de espírito.

e) fogão a Lenha? Grandes bostas! Quero um fogão movido a peido, bem mais prático!

f) Hermengarda pede ajuda a ricos para que a plantação de orégano fique viçosa

g) O encontro foi regado a vinho no momento em que a cerveja acabou

 

 

 

Aqui começam as respostas:

a) a moça = artigo

b) A idiota = artigo; a gasolina = preposição

c) A menina = artigo; a esporro = preposição; a mãe e a sala = artigo

d) A merda = artigo

e) a lenha = preposição; a peido = preposição

f) a ricos = preposição; a plantação = artigo

g) a vinho = preposição; a cerveja = artigo

Aqui terminam as respostas

A caminho da crase I – as várias facetas gramaticais do A

sábado, março 26th, 2011

Iiiiiiiiiiiiiihhhhh, bruxa! Que título mais intelectual! entendi lhufas! Dirá você, dileto leitor ectoplasma suíno – barra – ameba escrevente. Mas calma. Eu estou aqui pra mastigar tudo procêis.

Tô aqui desconfiando que quem não entende ou desiste de entender a crase é porque, na verdade, não entendeu as funções gramaticais do a. Gente, não é à toa que o a designa o gênero feminino! Tal qual uma mulher das boas, ele superacumula funções em sua existência.

Se nós somos mulheres, mães, esposas, filhas, profissionais etcetcetc, o a é substantivo, artigo, preposição e, glórias das glórias, culmina por fazer jornada dupla numa frase como artigo e preposição – é a crase.

Mas vamos beeeem devagarzinho que é pra gente ir deglutindo a informação aos pouquinhos, como se fosse um bom drink cheio de gelo que vem naqueles copões…

Comecemos, pois, pelo artigo. Crianças, pra que serve um artigo? (Como eu sei que vocês não sabem e eu não vou ter uma resposta clara assim, de chofre, recorro à Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, de José de Nicola e Ulisses Infante:)

“Artigo é a palavra que precede o substantivo, indicando-lhe o gênero e o número, ao mesmo tempo em que generaliza ou especifica [o substantivo].”

Portanto, o artigo a indica e determina um substantivo:

A menina; A árvore; A bicicleta; A bola; A mulher; A [já deu, né?]

 

Ih, bruxa, isso é fácil, eu entendi!

GLÓRIA AO SENHOR NO REINO DOS CÉÉÉÉUS!!! \o/ 😀

Então, vamos pruma classe de palavras pouquinha coisa mais complicada (mas que a gente usa a rodo)

Crianças, pra que serve uma preposição? (Direto pra tios Nicola e Infante:)

Preposição é a palavra invariável que une termos de uma oração, estabelecendo entre eles várias relações. [Opa! Como diria a Katylene, é soorooba? \o/] (…) A preposição tomada isoladamente nada significa; ela só tem valor gramatical dentro de um contexto. Não exerce propriamente uma função sintática, é considerada um mero conectivo.

Lischeenha básica de preposições que vocês vão usar muito pra entender a crase:

ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás, e o a, que eu deixei por último de propósito.

O que os tios Nicola e Infante esqueceram de dizer sobre as preposições é que elas são, quase sempre, classe mó unida. Quando uma falta, outra corre e fica no lugar da primeira. O a preposição é useiro e vezeiro dessa união, já que faz tanta hora extra. Isso eu mostro mais tarde, no capítulo de crases!

Mas deixemos de lado as preposições outras. Vamos nos ater aqui apenas ao a. Segue outra lischeenha, em que o a atua única e exclusivamente como preposição:

Motor a explosão

Fogão a lenha

Movido a corda

Dia a dia

Vou a Brasília

Marcha a ré


Viram como ele ficou diferente, tá com um compromisso diferenciado (OK, podem me matar! Eu escrevi diferenciado!) na frase?

Então, fiquem por aí remoendo essas coisas todas que eu volto noutro post com uma lista de exercícios pra ajudar vocês a fixar bem esse negózdi a preposição.

Aí a gente entra noutro post só pra crase…

Xuxa, Cláudia e um bordão especial pro desdém

quarta-feira, março 23rd, 2011
Este post só saiu graças à ajuda de dois carinhas superbatutas 😀 que ajudaram esta bruxa pouco nerd a enfiar direito um vídeo do youtube (ainda que o canalha do wordpress tenha rapado fora o botãozinho verde dos filmes em flash). Por isso, agradeço horrores ao @jeffmart e ao @hordones. Valeu mesmo, meninos!!! \o/

Sério que eu ainda não fiz este post aqui? G-zuz! Tava crente que tinha feito logo depois do intransitivo viado do Ronnie Von! Bom, bora consertar o erro, né?

Era uma vez uma apresentadora loura de um programa infantil na TV Manchete. O ano era mil novecentos e oitenta e deixapralá. A produção era meio tosca, e cabia à loura apresentar, falar, cantar e gerenciar brincadeiras, roteiros, desenhos, intervalos comerciais e, principalmente, crianças tresloucadas e aleatoriamente soltas num estúdio de TV. Paciência e comiseração para com Maria das Graças Meneghel. Depois de ver esse vídeo, eu entendi a função das Paquitas…

Daí que durante um belo programa a Xuxa tinha a árdua missão de arrumar o estúdio pra fazer uma brincadeira. E todas as crianças teriam que sentar num canto lá enquanto rolasse a tal brincadeira.  E lá foi a Xuxa pedir, uma a uma, que as crianças fossem se sentar.

É quando entra em cena a coadjuvante menos famosa deste país, a Cláudia. Mostrou um papelzinho pra nossa atordoada apresentadora que, de tão preocupada em fazer geral se sentar, não deu a menor bola pra Cláudia ou pro que a menina lhe mostrava. E disse a frase banal:  Aham, Cláudia, senta lá! Acompanhem:

Ponto parágrafo. E passagem do tempo. (façam um barulhinho de vento soprando, por favor. Obrigada! 😀 )

Um belo dia, um desocupado resolveu subir pro Youtube uns troços que ele tinha gravado em fitas VHS, muito envelhecidas pelo tempo (putaquepariu, bruxa idiota, sério que você escreveu que as fitas foram envelhecidas pelo tempo? Me apresente alguma coisa envelhecida pelo espaço que eu preciso conhecer essa aberração das leis da física!). Dentre os vídeos escolhidos, o registro da Xuxa mandando a Cláudia sentar. As imagens já estão esverdeadas.

Outro desocupado assistiu ao vídeo e apaixonou-se pela frase inocente. Caiu na rede, virou peixe (me perdoem pelo clichê horroroooooooooooso!) e, graças a Maria das Graças Meneghel e dois desocupados, a expressão Aham, Cláudia, senta lá! virou sinônimo de desdém.

O mais curioso disso tudo é perceber que o youtube está fazendo o papel que há duas, três décadas, era exercido pelos programas de humor, que lançavam bordões repetidos à exaustão pela galera.

Mas isso é assunto pra ooooutro post! 😀

Pérolas de relatórios rurais

terça-feira, março 22nd, 2011

Tenho horror daqueles e-mails do tipo “pérolas dos vestibulandos” por um motivo muito simples: não tenho como confirmar a veracidade do conteúdo.

Além do quê, chega uma hora em que as pérolas dos vestibulandos passam a ter uma linha de raciocínio de escárnio muito similar (traduzindo: fica parecendo que algum humorista “deu um tapa” de estilo ali).

E sei que nada será capaz de superar o relato de Stanislaw Ponte Preta de um relatório de um delegado do Mato Grosso sobre um crime político (Febeapá, pág. 17):

“A vítima foi encontrada às margens do rio Sucuriu, retalhada em quatro pedaços, com os membros separados do tronco, dentro de um saco de aniagem, amarrado e atado a uma pesada pedra. Ao que tudo indica, parece afastada a hipótese de suicídio.”

Mas isso tudo daí de cima é pra introduzir uma série de pérolas que eu consegui. Ah, dona Bruxa, olha a incoerência! Vai postar coisa que você não acredita, é? Vou não, zifios! É que neste caso daqui a veracidade do conteúdo tá confirmadésima.

Seguinte: um banco (cujo nome não fornecerei) er… por assim dizer brasileiro, e com sede em Brasília (hum? hum?) possui um departamento de crédito agrícola. Uma das funções desse setor é fiscalizar o uso e o benefício ou não dos empréstimos feitos para os setores agrícola e pecuário. Essa fiscalização é feita por funcionários do próprio banco,  que fazem visitas às propriedades rurais em questão e fazem relatórios técnicos (temo muito quando alguém me diz que qualquer coisa tem linguagem técnica) da situação.

Daí o que fica arquivado nos anais (ui!) do banco são coisas desse nível (aviso: textos transcritos exatamente conforme os originais).

Visitamos o açude nos fundos da fazenda e depois de longos e demorados estudos constatamos que o mesmo estava vazio. Pessoa esforçada, com intenções claras de valorizar o salário que ganha.

Era uma ribanceira tão ribanceada que se estivesse chovendo e eu andasse a cavalo e o cavalo escorregasse, adeus fiscal. pelo visto, a coisa é mesmo íngreme, né?

Na minha opinião, acho bom o banco suspender o negócio do cliente para não ter aborrecimentos futuros. Sei. Viagra e fritas acompanham?

Sol castigou o mandiocal. Se não fosse esse gigante astro, as safras seriam de acordo com as chuvas que não vieram. Uma conclusão conclusiva, néam?

‘Cobra’ – comunico que faltei ao expediente do dia 14 em virtude de ter sido mordido pela peçonhenta epigrafada. um dia esse dái via aprender a diferença entre veneno e peçonha. Mas deixa prá lá, né?

Os anexos seguem em separado. anexou mas separou! Legal, zifio! Eu sigo no aguardo, então, tá bom?

Se não fosse o sol, tudo indica que a chuva aumentasse a safra. outra conclusão bem conclusiva.

Cliente aguarda a capilaridade pluviométrica da zona para plantar a mandioca em local macio e úmido. er… medo de perguntar que tipo de especialista mandou plantar essa mandioca, viu?

A casa de farinha nunca foi para frente porque o mutuário que fez o empréstimo deu para tráz trás, bosta! é trás!] e nunca mais se levantou. O zifio morreu, é isso?

Fui atendido na fazenda pela mulher do mutuário. Segundo fiquei sabendo, ninguém quer comprá-la e sim explorá-la. Diz que você tá falando da fazenda, diz!

Imóvel de difícil acesso. O mato tomou conta de tudo, deixando passagem só para animal rasteiro. Próxima vistoria deve ser feita por fiscal baixinho. <– exemplo de escárnio

A máquina elétrica financiada é toda manual e velha. Fazendeiro financiou a máquina elétrica mas fez todo o trabalho braçalmente e animalmente. Imediatamente a gentemente pensamente que o sujeitamente não entendemente como utilizarmente advérbiosmente de modomente, némente?

Gado está gordo e forte, mas não é financiado e sim emprestado somente para fins de vistoria. O filho do fazendeiro está passando férias na Disney. #euri

Trajeto feito a pé porque não havia animal por perto, só o burro do fazendeiro. Despesa de locomoção grátis. patrocínio: lombo do fazendeiro

Contrato permanece na mesma situação da vistoria anterior, isto é, faltando fazer as cercas que não ficaram prontas. aham…

Mutuário adquiriu aparelhagem para inseminação artificial mas um dos touros holandeses morreu. Sugerimos treinamento de uma pessoa para tal função. não sei se imagino a dor do touro morrendo por causa disso, ou se imagino qaue o próximo inseminado será da espécie humana… Ai!

Tempo castigou a região. O sol acabou com a farinha e chuva com feijão. Que lindo! Esse conseguiu inté rimar!

As garantias permanecem em perfeito estado de abandono. Cliente vive devidamente bêbado e devendo aos bares e a Deus e ao mundo. tem como não amar essa sinceridade quase naïf?

A erradicação da plurieuforbiácea carece das condições pluviométricas. Só quero saber se o zifio em questão entendeu o que escreveu. Fazer-se entender  prá quê, né?

A euforbiácea foi substituída pela musácea sem o consentimento e autorização de nosso querido banco. Deve ter sido o memso autor da frase de cima. Inda puxou o saco da chefia…

 

Curti muito isso. quando tiver mais, eu publico! \o/

“Quem não sabe brincar não desce pro play”

quarta-feira, março 16th, 2011

Inacreditável o fato de que este post faz-se necessário.

Gente, olhem lá pro título do blog. Viram o personagem que ilustra este blog? É uma bruxa. Uma pessoa mal-encarada, mal-humorada e com cara de poucos amigos. Não é uma linda e pululante fadinha. Acho que esse DESENHO já define o estilo do blog, né?

A Madrasta do Texto Ruim é um personagem que desconta toda sua irritação em textos mal-escritos e em idéias de jerico. Ela é malcriada, xinga, fala palavrão. Fosse uma pessoa meiga, dócil e adorável, não seria a Madrasta do Texto Ruim, mas a Fada do Texto Ruim.

Se você tem preguiça de clicar nos links à direita “sobre o blog” e sobre minha pessoa”, deixa eu dar copy-paste aqui:

A ideia deste blog é publicar textos mal-escritos, expô-los ao ridículo, numa tentativa de exorcizar os encostos  (/bruxa malvada) e tentar consertá-los.

Não é um blog de auto-ajuda, não é um blog de português, não, não, não é nada disso. Trata-se de um blog de resistência. E de bruxarias do bem.

Não estou aqui para apontar (muitos) erros de digitação, ou mesmo errinhos de concordância, que ocorrem e passam despercebidos. A ideia é apontar textos com erros crassos de coerência, ou ainda, os casos em que a falta de estilo é motivo de polícia.

O público-alvo deste blog são pessoas que têm idade suficiente pra saber conjugar verbos, redigir textos adultos e, principalmente, indignar-se e irritar-se com textos mal-escritos ou atentados contra a gramática vigente. Gente que precisa ter, no mínimo, uns 15, 16 anos pra entender de que se trata o site. E gente de 15, 16 anos fala palavrão (e como fala).

Não consigo acreditar que tem gente que ficou ofendidinha porque eu usei palavrão no título de meu último post. Pior ainda: entra aqui neste blog pra questionar a forma como me expresso – em nome da liberdade de expressão. Questionar por que uma bruxa é malcriada? Por acaso o sujeito entra no site do Vaticano pra questionar por que o Papa reza? Tem coisa melhor pra questionar, não? Tem idéia melhor pra debater, não?

São pessoas incapazes de entender que, se eu falo na cara coisas desagradáveis, deve haver outras tantas pessoas que falam coisa bem pior – e pelas costas. Gente que não entende que minhas malcriações apontando o ridículo ou o non-sense de um texto são a expressão do que muita gente pensa sobre aquele texto, e só fala por trás (<– observem direitinho, é assim que se escreve!)

Oras, eu me expresso DA FORMA QUE EU BEM ENTENDER. Se você é capaz de entender o que eu digo e como eu digo, ótimo pra você. Se você não entende e acha feio, minha primeira vontade é de rir da sua cara, sinto muito. Eu costumo rir de pessoas que tiveram toda a oportunidade do mundo (boas escolas/boa formação em geral) e mesmo assim não conseguem aproveitar isso de forma racionalmente produtiva.

Sou malcriada? Sou.

Sou mal-educada? Sou.

S0u grossa? Sou.

E, com todo meu mau-humor e grosseria, ainda faço os outros rirem. Ainda bem que a grande e colossal maioria dos que vêm a este blog entendem o espírito da coisa. E eu curto muito isso. Quem me conhece pessoalmente sabe que eu sou uma palhaça – e isso é legal, tá? Palhaços curtem fazer os outros rirem de situações diversas…

Ah, o blog não é recomendável pra criancinhas! Cejura? Mas cejura mesmo?  Ah, então eu vou repensar aqui a situação, sabe? O que eu mais quero é que criancinhas de sete anos, que não devem falar palavrão, entendam de crase, concordância nominal, conjugação verbal e coerência redacional! Aliás, toda criança de sete anos sabe conjugar verbo com maestria, né?

Ah você tem que ser gentil e ter bons modos! Cejuuuuuuuuura? Mas cejuuuuuuuuura mesmo? Ah, então tá bom! Pode deixar, eu vou ser uma pessoa linda, fina, educada, gentil e prestativa. Mudo meu nome pra Fada do Texto Ruim e ninguém mais vem ler meus textos porque eles serão por demais melosos e bonzinhos.

Não gostou da proposta do meu personagem e do blog? Olha, você sempre pode recorrer ao xis. Não, não é o caractere X. É aquele xizinho que fica ali, no canto superior direito do navegador. Faça bom uso dele e seja muito feliz!

Em suma: “Quem não sabe brincar não desce pro play” <– isso foi dito no Twitter à Xuxa quando ela resolveu ir embora porque “vocês não merecem ficar comigo nem com o meu anjo”.

(Não chamei de palhaço, chamei de paunocu.)

Xixi sem objeto

quarta-feira, fevereiro 23rd, 2011

Tô pra postar esta foto aqui há milênios, mas ela foi esquecida no meio das fotos tiradas no meu celular. É, não tem desculpa, não, sou uma relapsa, mesmo! Mas vamos reparar o erro agora…

Tirei esta foto ao ser avisada da tetéia (com acento) por uma dileta ectoplasma suína colega do meu marido. O aviso aqui retratado pode ser encontrado no banheiro de um banco bem brasileiro, por assim dizer, cuja sede fica em Brasília (pelamordedeus, diz que entendeu, vai?).

Só tenho uma explicação pra esse texto:  ao escrevê-lo, a moça (vou partir do princípio de que ele foi escrito por uma moça, posto que está no banheiro feminino) estava tão apertada pra fazer xixi que esqueceu de usar objetos diretos e indiretos, e deixou o benedito repleto de dúvidas existenciais. Mas vamos ao texto em questão:

 

Vou reescrever o benedito aqui embaixo, pra poder repensar e discutir a relação junto com vocês…

Seguindo algumas regras nos sentiremos mais à vontade! [Tenho medo de avisos como este em banheiros. Sei lá, podem enunciar regras para usos outros que não o defecar, o urinar e o lavar as mãos. Vocês me desculpem, mas eu frequento banheiros bem familiares…]

Após o uso do papel higiênico jogar na LIXEIRA [Tá bom, eu jogo na lixeira. Se você me avisar O QUE EU TENHO QUE JOGAR NA LIXEIRA, eu jogo! Jupurdeus!]

Enrole o absorvente no papel higiênico antes de colocar na lixeira [colocar o quê ou quem na lixeira, zifia? ssuncê pode ser um cadim mais específica e direta, por favor?

Dê descarga COMPLETA SEMPRE que usar o sanitário, deixando o banheiro como você gostaria de encontrar na sua casa [Rapá! Vejam vocês o que uma bexiga cheia demais é capaz de fazer com os neurônios de uma ameba escrevente! Ela quer que o banheiro do trabalho se materialize na minha casa, é isso? E como se dará tal feito? Teletransporte? E-mail? (eu pensei na piadinha de passar um fax, mas não vou fazê-la, não senhores…]

Jogue as toalhas de papel que você enxugou sua mão na lixeira [a mão da lixeira vai ter a toalha de papel jogada fora? Ou a lixeira de papel vai se jogar na mão? E quem vai enxugar o quê? É soorooba, como diria a Katylene?], e lembre-se: duas folhas são suficientes! [Cejura que cê acredita nessa lenda urbana, zifia? “duas folhas são suficientes”?]

SEJA EDUCADA, ASSIM COMO VOCÊ É EM SUA CASA!

Eu descubro o nível de ruindade de um texto depois de implicar com ele. Se eu olho pro texto vermelho com o qual eu impliquei em azul e vejo mais azul do que vermelho, é sinal de que a redação em questão me deu margem pra falar demais. Em suma: uma bosta!

O mapa astral-gramatical desse texto indica que sua lua fugiu do quadrante dos objetos diretos, o que deixou-o nebuloso, sujeito a chuvas e trovoadas. É um erro grave, que não deve ser cometido por texto nenhum!

Seja específico, indique com clareza o que você está falando no seu texto, prá não dar motivos nem margens a interpretações dúbias de suas palavras. Não me canso de dizer: se você acha que escreve bolinhas amarelas e a pessoa que te lê entende listas azuis, parta do princípio de que você não escreveu direito. Reescreva a bagaça, até que o seu leitor não entenda outra coisa que não bolinhas amarelas.

Bastam alguns tapas no texto acima pra que ele fique claro, objetivo e direto. Deixa eu exorcizar o benedito, vai:

Seguindo algumas regras nos sentiremos mais à vontade!

Após usar o papel higiênico-vírgula, jogue-o na LIXEIRA

Enrole o absorvente no papel higiênico antes de colocá-lo na lixeira

Dê descarga COMPLETA SEMPRE que usar o sanitário, deixando este banheiro da forma como você gosta de encontrar o banheiro de sua casa 

Jogue na lixeira as toalhas de papel com as quais você enxugou sua mão na lixeira, e lembre-se: duas folhas são suficientes!

SEJA EDUCADA, ASSIM COMO VOCÊ É EM SUA CASA!

E pronto! Com esse texto, o xixi fica menos existencial….

Pelo menos o texto em questão está no banheiro! 😀 (Ah, desculpem, mas essa piadinha era imperdível! 😀 )

Verbinho irrelevante, texto nem tanto

terça-feira, fevereiro 1st, 2011

Bruxa, repita: Não devo negligenciar minha caixa postal. Não devo negligenciar minha caixa postal. Pronto! Agora pára de perder tempo repetindo idiotice e bora gerar conteúdo com os troço que geral te manda por e-mail! E larga de ser preguiçosa!

Enfim, recebi esta tetéia por e-mail. Como o querido ectoplasma suíno não se manifestou a respeito, vou seguir o procedimento padrão e não identificá-lo.

O negócio é que ameba se amarra num neologismo idiota e sem sentido para tirar o dar sentido a seu texto dela. Dessa lavra de criatividade duvidosa e mau gosto inconteste surgiram expressões assombrosas como o verbo objetivar (com um gerúndio passível de substituição por uma singela preposição) e o disponibilizar. Eu ao menos arranjei alguma utilidade pra essas aberrações, e batizei o meu caldeirão com elas.

O dileto ectoplasma suíno do e-mail identificou outro rococó-empolêixon de ameba escrevente neste site aqui. Olha só a tchutchuca:

Daí eu fui ter com tio Antônio, pra saber se esse negócio inzeste (não se dê ao trabalho de me avisar, eu sei! Tanto que pintei de vermelho!) mesmo ou se é invenção da ameba. Tio Antônio foi, pra variar, um gentleman ao identificar a ameba:

Fosse eu, diria: Verbete irrelevante. Quem foi o imbecil que escreveu isso? Mas tio Antônio é classudo. Eu é que sou uma bruxa.

Mas eu fui ver de que se tratava o texto em questão, e se a ameba criadora do neologismo imbecil era da espécie acadêmica (essas adouram um neologismo sem sentido, dá até medo ler os textos delas!). E olha que o acadêmico não é ameba, não! Ele fala em português claríssimo. Sai o

Acadêmico irreleva termo controle social (…)

e entra o

Não interessa que termo ou conceito seja empregado (a íntegra do texto táqui)

Quer dizer: é ameba pretensamente jornalística o autor dessa aberração.

Zifio, te digo só uma coisinha: esse verbo é irrelevante para a vida e saúde da Língua Portuguesa. Esqueça-o. Grata.

Mais uma expressão moonwalking: seguir no aguardo

terça-feira, fevereiro 1st, 2011

Daí o dileto amigo Caipira Zé do Mer, do blog Imprença (que eu, por falta de vergonha na cara, inda num linquei aqui do lado, coisa que devo resolver assim que acabar este post), me mandou essa tchutchuca via Twitter:

Lindo isso, não? Você segue… mas fica no aguardo. Segue… e fica no aguardo. Um passinho…  e para! Um passinho… e para!

O que me remeteu à lembrança de duas expressões igualmente idiotas que, dado o grau de idiotice, são irmãs de pai e mãe dessa coisa aí: a volta do retrocesso e a guinada de 360 graus. Se fossem um passo de dança, seriam o Moonwalking, do saudoso Michael Jackson.

E para que ninguém me acuse de proteger o Noblat, oferecendo só a ele um vídeo do Michael Jackson, permitam-me oferecer este vídeo ao coleguinha desconhecido do UOL (por que não me espanto da origem da amebice?) Esporte, como todo meu amor e carinho:

De conversas e tempos perdidos

quarta-feira, janeiro 19th, 2011

Cabei de ver esta tetéia aqui, enviada pelo @Aluizcosta e pelo @altinomachado no Twitter.

O texto retumba por entre os neurônios dos leitores com o seguinte abre-alas:

Quem gosta de um papo inteligente não perde tempo conversando com Sibá Machado (PT/AC).

Aí você fica na dúvida se o cabra curtiu conversar com Sua Excelência ou saiu da conversa crente que  o tempo dele foi investido  num papo meique idiota.

Minha dúvida agora é o motivo deste duplo sentido no texto. Seria o autor em questão um autêntico ectoplasma suíno (espírito de porco) que não curte petistas e resolveu tirar uma da cara de Senhor Sibá, ou será que ele realmente saiu satisfeito da conversa que teve com o deputado eleito, e não viu que a construção de sua frase dava motivos a interpretações outras?

Ai, meu Deus! Como é que eu vou dormir hoje com tanta dúvida?

Ah, as distrações…

domingo, dezembro 12th, 2010

Cabei de me lembrar de um causo de minha saudosa avó.

Ela contava que uma amiga havia morrido de distração. Estava mal do estômago e foi na farmácia (primeira metade do século XX) comprar um remédio. Distraiu-se e, em vez de pedir sal amargo, pediu sal azedo. Pra quem não entendeu, a zifia trocou um singelo sal de frutas por soda cáustica. Tomou tudo e morreu, coitada…

Me lembrei desse causo no momentto em que o dileto Mário Abramo me enviou o link para esta tetéia (com acento) da Agência Estado. Mas não se avexe: eu também levei um tempinho pra identificar qual o errinho (colossal, depois de identificado) cometido pelo zifio-redatô:

São Paulo – Seis casas foram interditadas ontem à noite, em Jandira, no interior de São Paulo, após o trecho de uma rua desmoronar. O trecho da Rua José Bonifácio, no bairro Ouro Verde, é uma curva junto a um barranco. Pelo menos 25 pessoas desalojadas foram para a casa de parentes e vizinhos. Hoje, peritos da Polícia Civil e do Instituto Geológico farão uma inspeção na área para verificar quais serão as procedências, segundo informações da Defesa Civil.

Descobriu qual o erro, não? Ah, tio Antônio conta pra ssuncê:

Procedência
n substantivo feminino
1 ato ou efeito de proceder; processão
2 característica do que é procedente
3 lugar de onde provém (algo ou alguém); proveniência, origem, fonte, processão
Ex.: produtos de boa p.
4 característica daquilo que procede, que tem base; fundamento
Ex.: acusação sem p.
5 Rubrica: termo jurídico.
base sólida que legitima ou autoriza alguma coisa; fundamento

Procedimento
substantivo masculino
ato ou efeito de proceder
1 maneira de agir, modo de proceder, de portar(-se); conduta, comportamento
2 modo de fazer (algo); técnica, processo, método
Ex.: p. de análise química
3 Rubrica: termo jurídico.
forma estabelecida por lei para se tratarem as causas em juízo e para o cumprimento dos atos e trâmites do processo
Ficamos combinadíssimos, portanto, de jamais discutir propriedades dos sais com o redator da tchutchuca daí de cima. O erramos póstumo pode ser indigesto…
(E reconheçamos, também, que esse tipo de erro é de outra classe, sofisticado purdimais pra se enquadrar num porra, folha!, por exemplo… 😉 )

O misterioso caso do tucano da Vila Cruzeiro

sexta-feira, novembro 26th, 2010

Ao que a reportagem indica, a ave em questã tem nome composto

Táqui a historinha acima. Né invenção minha, não.

Fui alertada por um pio do Rodrigo Vianna no Twitter, e corri pra ver do que se tratava. Logo imaginei que a brasileira ave da história fosse aparentada de dona suçuarana, que teve sua Grande São Paulo operada, lembram dela?

Mas a história desse tucano tá tão malcontada, mas tão malcontada, que é realmente impossível saber qual é a desse tucano e como ele foi parar literalmete no meio do fogo cruzado. Pelo que explica o primeiro parágrafo, aparentemente ele se chama Fabiano Atanásio, é chefe do tráfico local e foi quem, pessoalmente, derrubou um helicóptero da polícia no morro dos Macacos.

Um duplo sentido duzinferno.

Se foi de propósito, pegaram pesado. Muito pesado.

Se foi sem querer, PORRA G1! QUE MERDA!

Daí, é só trocar de

A ave estava na casa do chefe do tráfico na comunidade, acusado de ser o responsável pela queda de um helicóptero da polícia ano passado no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte.

Para

A ave estava na casa de Fabiano Atanásio -vírgula, chefe do tráfico na comunidade, acusado de ser o responsável pela queda de um helicóptero da polícia ano passado no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte.

que aí fica claro que o bichinho pertence ao Fabiano, e não é um político do PSDB.

Duplo sentido, R7?

domingo, outubro 17th, 2010

Aí, você lê essa notinha na home do R7

E se pergunta se ele estava falando dos colegas de A Fazenda mesmo ou se já estava se referindo à profissão que…

deixa prá lá…

Coisa feia, hein, R7?

Blog Poder Online e o salto triplo carpado verbo-temporal

quinta-feira, setembro 23rd, 2010

E claro que isso tinha que acontecer.

Tudo começou quando o ministro do Superior Tribunal Federal, Dias Toffoli, resolveu pedir vistas do processo pra dar seu parecer sobre a Lei Ficha Limpa. Traduzindo: num li direito, vou levar pra casa e ver se consigo ler direito e entender esse negózdilei. Ou quero ir pra casa mais cedo, bora ler o texto de novo, coleguinhas?

Mas falando sério, o ministro encrencou com o tempo verbal da lei Ficha Limpa, cuja íntegra vocês encontram aqui. O meritíssimo abespinhou-se com o fato de a expressão tenham sido ter sido substituída pela expressão que forem sem que o Congresso tenha sido consultado sobre isso.

(Imagine agora o Tiririca dizendo qual expressão cabe melhor no texto de lei, e por quê. Imaginou? Pronto, de nada por estragar o seu sono.)

Até aí tudo bem, isso faz parte das funções do STF.

O Correio Braziliense contou a história certinha, como vocês podem conferir.

Mas o Blog Poder Online, hospedado no Ig, se embananou-se todo com a explicação, e confundiu o que o ministro acabou por definir como salto triplo carpado hermenêutico (post logo aqui abaixo, ou numa nova janela, se você clicar no link que eu dei). E, por sua vez, criou o salto triplo carpado verbo-temporal. Ó só o que o texto diz do questionamento do ministro:

(…) uma emenda de redação aceita na tramitação pelo Senado Federal, que alterou o tempo do verbo no texto do projeto – do particípio passado [tenham sido é particípio passado, OK] para o pretérito futuro [Oi? Pretérito futuro? Passado futuro? como é que rola o passado de uma coisa que inda num aconteceu? Alguém desenha, por favor?].

Particípio passado, tudo bem. a expressão está de fato nesse tempo verbal.

Mas o pretérito futuro é, por si só, uma contradição entre termos. Pretérito é passado, que é antônimo de futuro.  O moço estaria, por acaso, a referir-se ao futuro do pretérito? (eu seria, tu serias, ele seria…) Mas o texto alterado na lei em questão adotou a expressão que forem… e agora, comofas?

Tio Antônio, ajuda a desvendar essa conjugação?

Verbo ser, futuro do subjuntivo, terceira pessoa do plural

Valeu, tio Antônio!

Agora vejam vocês que eu tava aqui me preparando pra encerrar este texto com um PORRA, FOLHA!, e me dou conta de que desta vez a Folha é inocente!

PORRA, IG! COMETE UM ERRO DESSES E AINDA ME IMPEDE DE XINGAR A FOLHA?!?!?! PORRA, PORRA, PORRA!!!

Pronto, passou.

A puta falta de sacanagem e a safadeza oculta são filhas do salto triplo carpado hermenêutico?

quinta-feira, setembro 23rd, 2010

Gente, estou totalmente inlóvi com essas expressões que pululam Internet afora…

A primeira foi a puta falta de sacanagem. Surgiu num vídeo no qual um grupo de adolescentes aguardava um show de rock que acabou não acontecendo. No vídeo daí de cima, aos 1:35 aparece a menina proferindo a pérola. Puta falta de sacanagem é uma sacanagem exacerbada, né? O fato é que a expressão, por assim dizer, agregou valor (Ok, me crucifiquem) à já combalida sacanagem pura e simples.

Aí chegamos na safadeza oculta.

Tadinha, gente! Um protótipo de Madrasta do Texto Ruim, com hormônios à flor da pele! A menina num aprendeu a relevar os errinhos de dedo que esta que vos fala já ignora. Quer dizer, uma pessoa que escreve esotu em vez de estou não pode falar mal de quem escreve RDB no lugar de RBD, né? Pô, tava querendo ganhar dinheiro em vez de ir a show de banda adolescente, uai…

O fato é que a mocinha daí de cima cunhou uma nova e deliciosa expressão: safadeza oculta (aos 20 segundos). Mais uma vez, agregou valor (meus pulsos, podem cortá-los) à safadeza pura e simples, já tão banalizada neste país e aqui eu interrompo meu raciocínio pra não cair na esparrela do lugar-comum.

Pois então nós saímos do universo adolescente, repleto de hormônios e exageros e exacerbações e coisas do tipo, e após breve planagem sonífera, caímos estatelados por sobre o Supremo Tribunal Federal deste país, cujas paredes ouviram coisa muito mais complexa.

Porque quando você ouve puta falta de sacanagem, ou safadeza oculta, você pode até levar um tempinho pra entender como usar, mas basta dizer em voz alta duas ou três vezes que você já fica íntimo das expressões, e começa a usá-las sem pestanejar.

Mas quando o presidente do Supremo Tribunal Federal, durante sessão plenária pra dizer se, no frigir dos ovos, a lei da Ficha Limpa tá valendo ou não tá, questiona a constitucionalidade por causa de um tempo verbal e ouve do colega Ayres Britto que o argumento dele é um salto triplo carpado hermenêutico, geral se arrepia e fica com medo da coisa, né?

Mas calma que esta bruxa que vos fala vai pedir ajuda ao tio Antônio. Vamos partir do princípio que o togadíssimo magistrado valeu-se de imagens de ginástica artística para construir seu neologismo. Então, todos sabemos que salto triplo é um salto dificílimo de dar.

Daí, vamos pedir ajuda pro tio Antônio explicar o que que acontece se o salto triplo fica carpado:

Carpado

executado com o corpo dobrado nos quadris, pernas esticadas sem flexão dos joelhos e pés distendidos (diz-se, p.ex., de salto ornamental)

Quer dizer, eu já me estrebuchei no chão e quebrei o pescoço. A manobra que já era difícil contraiu ares impossíveis.

E o hermenêutico? É pra travar a língua? Bom, tio Antônio avisa que hermenêutico é tudo o que for relativo à hermenêutica, que, por sua vez, é…

Hermenêutica

ciência, técnica que tem por objeto a interpretação de textos religiosos ou filosóficos, esp. das Sagradas Escrituras

2 interpretação dos textos, do sentido das palavras

3 Rubrica: semiologia.

teoria, ciência voltada à interpretação dos signos e de seu valor simbólico

4 Rubrica: termo jurídico.

conjunto de regras e princípios us. na interpretação do texto legal

Ou seja: é tudo interpretação de textos… (ufa!)

Quer dizer, então, que o salto triplo carpado hermenêutico é um texto cuja interpretação difícil ficou mais difícil ainda?!?!?!  Ou é uma tentativa de complicar o que seria simples?

Ou seria um melangê de jenessequá? (do francês melangé de je ne sais quoi, ou mistura de não-sei-quê – copyright Madrasta do Texto Ruim. Autorizada a reprodução dessa expressão! 😀 )

Ah, desisto de entender. Mas nasceu hoje nesta terra de Cabral mais uma expressão recauchutada, o salto triplo carpado hermenêutico. Que, por sua pompa e circunstância, é pai (talvez avô, bisavô ou trisavô) das irmãs quase gêmeas puta falta de sacanagem e safadeza oculta. Os três adoráveis – ainda que o vôzinho seja meio estranho e de difícil… er… hermenêutica? 😉 Ainda assim, a-moooooooooo!

Mas aprecie com moderação.

Expressões temerosas

sexta-feira, agosto 6th, 2010

Saquei tudo, gente.

O negócio é prestar atenção ao tipo de expressão que o seu interlocutor usa. Porque tem gente que diz uma coisa e quer dizer muito mais, né? Repara só:

Tomemos como exemplo a frase: Você tem dois quilos de banana?

Faça essa pergunta a um paulistano. Se a resposta que você receber começar com auqele tipico entâo (assim mesmo, com acento circunflexo. O ã dos paulistanos tem som de â. e isso não é preconceito, isso é uma constatação. Assim como os éssex finaix dox cariocaix tem som de xix).

Mas você estava perguntando pelas bananas do paulistano. Daí, você ouve o típico entâo. Zifio, fuja.

Entâo é prenúncio de desgraça. Fatalmente a resposta do paulistano para a sua pergunta de banana culminará com um não. Mas até chegar a esse não, você v ai ouvir algum entrevero: entâo, o dono do caminhão que carrega as bananas ficou de pôr diesel no carro, mas se confundiu e botou álcool, daí o motor fundiu, e ele perdeu o caminhão, e…

Aqui em Brasília o entâo dá lugar ao no caso. E o no caso dos brasilienses é muito mais grave. é mais ou menos assim:

Você tem dois quilos de banana? – você foi claro, específico e preciso em sua questão

No caso você estaria querendo aquela coisa vermelha ali do canto? – Seu interlocutor aponta para as maçãs. Ou seja: ele não tem a menor idéia do que faz perambulando pelo planeta Terra, não sabe o valor de dois, não entende o que é quilo e tem a menor noção do que pode vir a ser uma banana. Em duas sílabas, zifio: fu-deu.

Mas você tenta. Afinal de contas, o diálogo se dá em Lingua Portuguesa (aquela coisa que, de acordo com uma comentarista que graçadeus nunca mais deu as caras por aqui, é “um monte de questionamento sem sentido”):

Nâo, moço, eu quero banana, sabe? Aquela fruta amarela e comprida?

Pois não. No caso (iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiihhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh), amarelo é essa cor aqui, né? E aponta pro abacate.

Você perde a paciência, encontra as bananas no meio da banquinha do cidadão e diz: Não, banana! Isso aqui!

Aaaaahhh, é isso aí que você quer? Perfeitamente!

Portanto, zifio, aceite o conselho desta bruxa. Se você estiver em Brasília, fizer alguma pergunta e ouvir um no caso no começo da resposta, disfarça, aponta pro céu e grita:

OLHA O ZEPELIN!

Aí, você aproveita e foge.

UOL e a imigrantofagia

terça-feira, julho 27th, 2010

Gente, na boa… existe um limite entre duplo sentido e mau gosto na hora de se fazer uma manchete.

Dizer que limitação a imigrantes ameaça culinária britânica e ilustrar essa frase com carnes cruas penduradas dá a entender que a função dos imigrantes é alimentar com sua carne os britânicos…

Ou isso ou eu estou muito abalada com as manchetes policiais dos últimos dias….

Mas não posso perder o hábito: PORRA, UOL!!!

Interpretando textos com a Madrasta do texto Ruim – aula nº 2: objetivando analisar observações acadêmicas

quarta-feira, julho 14th, 2010
Este post é um serviço público especialmente dedicado à Aninha Arantes.
Ela acaba de pedir auxílio para uma breve interpretação de texto. Que, como vocês poderão ver, deve ser analisado a partir de suas entrelinhas – até porque as linhas estão meio nebulosas.
Enfim, eis o que o diletíssimo orientador de nossa amiga lh’a escreveu:
(…) De qualquer modo, fica uma banca muito redundante. Já sabemos o que todas essas pessoas pensam e já dá até pra prever o que vão dizer [tradução: veja lá o que você vai escrever, hein? tu já sabe que tipo de bosta se passa pelos neurônios desses caras, é uma raça que pensa tudo ingoal, num vai provocar!] (…) mas imagino que os candidatos ficam mais tranquilos com bancas previsíveis do que com uma possível banca imprevisível [E tu ainda reclama? Jogue suas mãos para os céus e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que… (oops, né isso não, é outra coisa). jogue as mãos para os céus e agradeça a dádiva de ter lhe concedido uma banquinha de meia tigela! Agora vai ser facim, facim aprovar!]. E, além disso, não há muitas pessoas imprevisíveis que estejam disponíveis pra uma banca como essa. [só deu pra arranjar professor medíocre. Professor inteligente num quer saber de você, não! E não reclame! Também, com uma banca dessas cê queria o quê?]
Em outras palavras, zifia: os professores bons, que fazem você ralar até o tacho e te obrigam a pensar e fazer um bom trabalho ou não estão disponíveis ou fizeram pouco caso do seu trabalho. durma com um barulho desses.
Mas aproveite que com essa banquinha de meia pataca você será aprovada facim, facim! E não reclame, não! Levante as mãos aos céus e dê Graças a Deus porque, pelo visto, essa banca que ssuncê descolou foi o melhor que pôde lhe acontecer!
Mas seria o caso de perguntar ao prófi o que que ele pensa que se passa pelos seus neurônios…
Certa de ter colaborado para tão importante esclarecimento, subscrevo-me.

Somatório diferenciado traz novo conceito em pesquisa e inaugura um novo olhar matemático sobre as eleições presidenciais (Ah, eu não resisto) ou PORRA, IBOPE!

sábado, julho 3rd, 2010

NAONDE QUE 39+39+10+6+7 = 100 ?!?!!?!?!?!

Taqueopa… vou ter que dar aula de matemática de novo, é?

OK, crianças. Esta é mais uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa. Se você ainda não sabe o que é uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa, clique aqui. Último item. Mas volte logo, por favor.

Pra começo de conversa, jornalista deve ser isento. Se, por algum acaso, ele resolve não ser mais isento, deve pelo menos disfarçar a cara-de-pau de forma eficiente, eficaz e matematicamente confiável, ou a casa cai.

Ou isso ou ele deve ter competência o suficiente pra apontar possíveis erros de apuração, e descobrir onde está o erro, por que o erro foi cometido, e como corrigir.

Porque, né? Instituto de pesquisa é uma coisa (não achei palavra melhor pra definir. Se você achar, os comentários aí embaixo são a serventia da casa!) que se respalda por números. E número é outra coisa que não suscita muita dúvida (Se você pensou em dizer “Os números não mentem jamais”, faça-se o favor de parar de pensar em clichês!). Pra manipular números, é bom pelo menos saber o que e como fazer.

Daí eu digo que se o erro não foi do Ibope, os cabras do G1 precisam trabalhar com uma calculadorazinha dando um rélpi, sabe? (diquinha da bruxa: clique em “iniciar” no windows, e digite “calc” na linha “executar. Tcha-ram! uma calculadora con-fi-á-vel!!)

Senão, vejamos o que diz esta pesquisa aqui:

Pesquisa Ibope mostra empate entre Serra e Dilma, ambos com 39%
Tucano tinha 35% no levantamento anterior. Dilma estava com 40%.[tá. o legal aqui é mostrar o crescimento do Serra e a queda da Dilma. Um cresceu três pontos percentuais, e a outra caiu um. Então, tá. Mas com isso outro monte de número cai no meio deste melangê de jenessequá matemático. Há quem diga que esses números ajudam o leitor a entender (sic) e comparar o crescimento / queda dos candidatos blablabla whiskas sache blablabla. Eu acho que confunde. Se for pra esclarecer, faz um gráfico e não enche o saco, pô!]
Marina Silva (PV) aparece com 10%. Margem de erro é de dois pontos.
(…)
Pesquisa Ibope sobre a intenção de voto para presidente da República, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo[Tem sempre um mané pra endossar a esparrela…], aponta empate em 39% entre os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.[começaram a calcular? Seguinte: a soma de todos os percentuais aqui tem que dar 100, a despeito da margem de erro para mais ou para menos, OK?]
(…)
Marina Silva (PV) se manteve em 9% nas três pesquisas desde abril e agora tem 10%. Com a margem de erro, estaria entre 8% e 12% [quatro valores distintos aqui pra confundir inda mais nossas cabecinhas. Mas o número a ser anotado lá embaixo é 10. É quanto a Marina conseguiu nesta pesquisa. próximos números, por favor!]. Brancos e nulos somaram 6% e indecisos, 7%.[Ou seja, temos 39+39+10+6+7.]

Daí, a gente soma (pegue você também sua calculadora, pra ver se a soma sai diferente aí. Se sair, me avisa, por favor!!!!)

39+39+10+6+7 = 101 CENTO E UUUUUUUUUUUUUMMMMMMM

E se você ouvir o Ibope dizer que “esse resultado é perfeitamente factível (querem apostar quanto que a expressão factível estará no comunicado do Ibope?) dada a margem de erro de dois pontos percentuais”, esqueça. Essa margem de erro é a diferença entre o valor apurado pela pesquisa do Ibope e o suposto resultado de uma ainda mais suposta eleição que fosse realizada no período de apuração da pesquisa. Com margem de erro de dois pontos percentuais ou de cinquenta e nove pontos percentuais, os valores apurados no resultado de uma pesquisa eleitoral têm que somar 100 pontos percentuais. Porque os  números não mentem jamais (Pronto! Enfiei seu clichê aqui!).

Ou isso ou a álgebra foi comprada pelo mensalão do governo. Quer dizer, tá tudo dominado…

[Ai, que vergonha dos coleguinhas…]

As datas aprazadas e a efetuação da cópula

terça-feira, junho 29th, 2010

Daí que eu me lembrei desta historinha que aconteceu há algumas eras com um certo marido, e tenho que compartilhá-la por aqui…

Estava o tal do marido a atualizar o site da empresa onde ele trabalhava. Ele precisava incluir informações sobre pagamentos de dívidas blablabla whiskas sache blablabla. O público-alvo da e-missiva (adooooro essa e-xpressão! 😀 ) eram autoridades que, embora autoridades fossem, não eram lá muito amigas do vernáculo. Amebas, portanto.

E o que me abespinha nessas horas é perceber que ameba é uma raça que não sabe se inter-comunicar. Elas têm uma dificuldade de conversarem entre si que é uma coisa. Pensando bem, não fosse assim não seriam amebas, né?

Maseutavafalandode… ah, sim! O texto que o tal do marido recebeu! Foi sofrivelmente escrito por uma ameba escrevente, cheio de gerúndios e clichês e, lá pelas tantas, falava em pagamento dos títulos nas “datas aprazadas”.

Tá certo que aprazar é verbo registrado por tio Antônio, que diz que:

Aprazar
n verbo
transitivo direto
1 marcar (tempo ou prazo) para realização de alguma coisa
Ex.: resolveram a. imediatamente o encontro
transitivo direto e bitransitivo
2 restringir, delimitar (o prazo, a duração) de
Exs.: era preciso a. o fim da obra
aprazou um ano para o término da dissertação
Mas se você pensar direitinho, e com a cabeça do público-alvo do texto (/amebas), chegará à conclusão que esse verbim daí não é de muita felicidade, não. Inda mais se o leitor em questão tiver inteligência suficiente para  entender que a palavra em questão foi fruto de um erro de digitação: em vez de aprazadas, deveria ser atrazadas. Porque, claro, atrazado se escreve com zê, né? (NÃO! É COM ÉSSE!!)

Então, o marido em questão resolveu trocar a expressão “datas aprazadas” por “datas combinadas”. E o autor do texto, ao refazer a releitura da redação antes de a bendita ser carregada para a página da empresa, voltou para a expressão original: “datas aprazadas”. E justificou:

– Isso é uma expressão técnica. Quem lê tem a obrigação de entender isso.

Argumento falho, fraco e errado, por alguns poucos mas excelentes motivos:

1- A obrigação maior e principal para a compreensão do texto é a do autor da redação. É ele quem tem que se fazer entender, sem dar margens a duplos sentidos ou duplas interpretações. Se você disser “bolinhas amarelas” e o seu leitor entender “listras azuis”, o erro foi principalmente seu por não saber como fazer o seu leitor entender “bolinhas amarelas”.

2- Aprazar não é expressão técnica. É apenas um verbo metido a besta, que pode – e deve – ser substituído por outro de maior clareza sempre que possível.

Mas o marido em questão não tinha autonomia pra alterar o texto. E a missiva em questão foi levada à página web da empresa com a expressão rococó empolêixon “datas aprazadas”.

Cansado, triste e frustrado, o marido em questão desabafa com a mulher, que costuma exorcizar textos mal-escritos (disse que fui eu? Então, não conclua coisas que eu não disse, detetivões! 😛 ), e conta a história de “datas aprazadas” ter virado “linguagem técnica”.

A esposa do marido, então, ensinou-lhe o seguinte:

– Meu amor, da próxima vez que alguém insistir em enfiar linguagem técnica onde não deve, diga a essa pessoa: “Fulano, efetue cópula”. Daí, quando o Fulano perguntar o que é “efetuar cópula”, você explica que é “vá se foder” em linguagem técnica…

Infelizmente, o marido nunca disse isso pro autor das “datas aprazadas”. Ah, o excesso de educação….

😉

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