Objetivando Disponibilizar





FonFon – ou noções básicas de fonética para leigos / iniciantes / amadores

A vibe é essa :D

A vibe é essa 😀

Este post surgiu por três motivos:

1- para eu estudar pra prova de FonFon (Fonética & Fonologia)

2- Pro Luiz Prata matar a curiosidade dele

3- Me divirto só de imaginar você mexendo língua pra cá, e tocando dente assim, e futucando o véu palatino com a língua (EEEEEPPPPAAAAAA!!!), só pra produzir os sons que eu vou descrever. Bem-vindo ao mundo da fonética! \o/ Receba as mais sinceras saudações da lhama linguista! 😀

Então vamos lá!

Fonética é o estudo dos sons da fala humana. E a fonologia estuda os segmentos e unidades de sons de uma determinada língua. Em outras palavras, pra mexer com fonologia, você tem que sacar um cadim de fonética. E é um troço delicioso pra se brincar – depois que você pega o ponto da embreagem e entende o fio da meada.

Pra começar, qual a diferença entre vogais e consoantes, foneticamente falando? Enquanto as consoantes são sons produzidos a partir de alguma forma de impedimento da saída do ar da boca (OK, da região supraglotal do aparelho fonador, mas boca também serve pra entender a bagaça), as vogais são seres livres e desimpedidos, saem da boca (leia o abre parênteses daí de cima, por favor) sem nenhum tipo de obstrução de saída do ar.

 

Isto posto, temos que as consoantes podem ser divididas em (ah, acompanhe com essa imagem aqui pra você entender melhor):

apfonador

Oclusivas (em inglês, plosives): o impedimento da saída do ar é momentâneo, e total. São as consoantes mais consoantes da face da terra. Abaixo segue a lista das consoantes oclusivas, e suas representações de acordo com o padrão da International Phonetics Association, a IPA (aipiêi, é quase um aipim! :D) , nos conformes, dentro de colchetes, e embaixo um exemplo de onde esse som é aplicado. Os sons se dividem em surdos (ou desvozeados), quer dizer, os sons que são produzidos sem muitas ou grandes vibrações das cordas vocais; e sonoros (ou vozeados), que é isso mesmo que você entendeu: produzidos com a vibração das cordas vocais (que, se a legenda da foteenha acima aparecesse, você saberia que estão localizadas mais pra baixo na laringe).

Surdo [p]
pato
[t]
tatu
[k]
casa
(PeTeKa)
sonoro [b]
bola
[d]
dado
[g]
gato
(BoDeGa)

Repare que se o [p] é um som surdo, o [b] é sua versão sonora. E repare também que à medida que você caminha pra direita no quadrinho que eu listei acima, mais dentro da boca o seu som é produzido. [p] e [b] são bilabiais, [t] e [d] são dentais, e [k] e [g] são velares (na foteenha lá em cima, o palato mole também é conhecido como véu palatal. Sons produzidos nessa área, são, portanto, velares!).

Outro tipo de consoantes são as

Nasais (ou oclusivas nasais): há impedimento total na boca, mas o véu palatino está abaixado e o ar sai pelo nariz. Todos são sonoros, por natureza.

[m]
mato
[n]
navio
[ ɲ ]
nhá
[η]
belong

Repare novamente que os sons vão entrando pela boca à medida que você avança para a direita no quadrinho acima.

Bora passar rapidinho pelas consoantes laterais (todas sonoras), porque elas não têm muita graça. São elas:

[l]lata [λ]lhama

A seguir, temos as consoantes

Fricativas: há impedimento parcial da saída do ar. Ou, comparativamente, o ar sofre algum tipo de atrito ao sair da boca. As fricativas são primas do assobio. E são umas fofas. Ponha bastante reparo na tabelinha abaixo:

Surdo [f]
foto
[s]
sapo
[ ʃ ]
chá
[θ]
thanks
  [x]
rato
[h]
hat
Sonoro [v]
voto
[z]
zebra
[ ʒ ]
já
[ ð ]
this
[ ɤ ]
mermo
(r carioca)

[f] e [v] são labiodentais; [s] e [z] são alveolares; [ʃ] e [ʒ] são alveopalatais; [θ] e [ð] são interdentais; [x] e [ɣ] são velares, e [h] é glotal.

Aí chegamos ao calcanhar de Aquiles do preconceito linguístico brasileiro, as consoantes Vibrantes. São elas:

Simples [ ɾ ]
pero
Múltiplo [r ]
perro

(ou, se você preferir, o érre normal fraquinho e o érre Galvão Bueno)

Mas temos também o famoso érre caipira, chamado pela IPA de érre retroflexo. O bichinho é falado com a língua dobrada toda pra trás. Ponha reparo: fale um tarrde, como um bom caipira. E note que, entre o a e o érre retroflexo, sua língua se dobrou (ou flexionou) todinha para trás (movimento retro). O símbolo IPA pro érre retroflexo é um érre de cabeça pra baixo: [taɹde]! E trata-se de um som alveopalatal, né? 😀

Neste vídeo aqui dá pra ver as cordas vocais se mexendo (mas não assista se você estiver comendo, senão dá nojinho. E esqueça o lance de ponte mucosa, que isso só interessa a otorrinolaringologistas e quetais). E se você achar que as cordas vocais se parecem com outra coisa, saiba que você não está só! Mas deixemos nossas mentes imundas de lado, néam?

Só mais uma coisinha: em grande parte do território nacional, as consoantes t e d antes de letra i sofrem uma africada básica. Trocando em miúdos: o aparelho fonador é preguiçoso, e já querendo se preparar pra falar o i, faz com que a língua comece a voltar pra trás antes de acabar de falar o t e o d. Por isso, você mão fala [diɐ] (aviso: esse a de cabeça pra baixo é o a de fim de palavra, um a mais átono), e sim [d͡ʒiɐ]; e também não fala [tiɐ], mas [t͡ʃiɐ]. Quem fala [tiɐ] e [diɐ] é nordestino e curitibano (e isso não é bom nem mau, apenas é!) 😀

Enfim, fiquem ruminando ssascoisatudo aí que depois eu volto com as idiossincrasias da fonologia da língua portuguesa.



4 comentários sobre “FonFon – ou noções básicas de fonética para leigos / iniciantes / amadores”

  1. Luiz Prata comentou:

    Obrigado pela dedicatória, Madrasta!

  2. Roberta Ribeiro comentou:

    AVM de Fonfon, hein Madrasta?! AMEI!!!! Bjs 🙂

  3. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    😀 e não é que o trem me ajudou na prova? 😉

  4. Lucas comentou:

    Esse negócio do [tiɐ] e [diɐ] é interessante. Na verdade nem é coisa de nordestino em geral, mas duma região muito específica que engloba Pernambuco e alguns arredores (por exemplo, no extremo sul do Ceará também se fala assim, mas se você subir um pouquinho mais no estado – que nem é tão grande – já se fala [d͡ʒiɐ] e [t͡ʃiɐ]. E o curioso é que tem outras “ilhas” onde se fala o [tiɐ] e [diɐ], como em algumas cidades do interior de São Paulo (já vi isso em Sorocaba e São Carlos).

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