Luis Fernando, seu lindo! ♥

Faz tanto tempo que não compartilho um texto do Verissimo aqui, né?

Pois bem: o de hoje merece!

E não se avexem: o texto abaixo é um autêntico Verissimo! Estampa a Zero hora e o globo de hoje. Podem verificar!!!

 

Territórios livres

Imagine que você é o Galileu e está sendo processado pela Santa Inquisição por defender a ideia herética de que é a Terra que gira em torno do Sol e não o contrário. Ao mesmo tempo, você está tendo problemas de família, filhos ilegítimos que infernizam a sua vida, e dívidas, que acabam levando você a outro tribunal, ao qual você comparece até com uma certa alegria. No tribunal civil, será você contra credores ou filhos ingratos, não você contra a Igreja e seus dogmas pétreos. Você receberá uma multa ou uma reprimenda, ou talvez, com um bom advogado, até consiga derrotar seus acusadores, o que é impensável quando quem acusa é a Igreja. Se tiver que ser preso, será por pouco tempo, e a ameaça de ir para a fogueira nem será cogitada. No tribunal laico, pelo menos por um tempo, você estará livre do poder da Igreja. É com esta sensação de alívio, de estar num espaço neutro onde sua defesa será ouvida e talvez até prevaleça, que você entra no tribunal. E então você vê um enorme crucifixo na parede atrás do juiz. Não adianta, suspiraria você, desanimado, se fosse Galileu. O poder dela está por toda a parte. Por onde você andar, estará no território da Igreja. Por onde seu pensamento andar, estará sob escrutínio da Igreja. Não há espaços neutros.

Um crucifixo na parede não é um objeto de decoração, é uma declaração. Na parede de espaços públicos de um país em que a separação de Igreja e Estado está explícita na Constituição, é uma desobediência, mitigada pelo hábito. Na parede dos espaços jurídicos deste país, onde a neutralidade, mesmo que não exista, deve ao menos ser presumida, é um contrassenso – como seria qualquer outro símbolo religioso pendurado.

É inimaginável que um Galileu moderno se sinta acuado pela simples visão do símbolo cristão na parede atrás do juiz, mesmo porque a Igreja demorou mas aceitou a teoria heliocêntrica de Copérnico e ninguém mais é queimado por heresia. Mas a questão não é esta, a questão é o nosso hipotético e escaldado Galileu poder encontrar, de preferência no Poder Judiciário, um território livre de qualquer religião, ou lembrança de religião.

Fala-se que a discussão sobre crucifixos em lugares públicos ameaça a liberdade de religião. É o contrário, o que no fundo se discute é como ser religioso sem impor sua religião aos outros, ou como preservar a liberdade de quem não acredita na prepotência religiosa. Com o crescimento político das igrejas neopentecostais, esta preocupação com a capacidade de discordar de valores atrasados impostos pelos religiosos a toda a sociedade, como nas questões do aborto e dos preservativos, tornou-se primordial. A retirada dos crucifixos das paredes também é uma declaração. No caso, de liberdade.



23 comentários sobre “Luis Fernando, seu lindo! ♥”

  1. Marlena comentou:

    Valeu, Madrasta!

  2. Luiz Prata comentou:

    Excelente texto! Com o perdão do clichê, é de “lavar a alma”.

  3. Padrasto do Bom Texto comentou:

    Bom, já vi sua “pegada” por aqui e não leio mais seu site.

    Verissimo não sabe nada de história, direito e filosofia para meter o bedelho nesse assunto. É mais um que vai na onda, na modinha esquerdista e só expõe sua inépcia.

    Péssimo texto, péssimos argumentos, péssima citação da Madrasta…

    Ao leitores daqui, recomendo uma dose de antítese para uma síntese mais qualificada:

    http://lucianoayan.com/

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    er…. tchau?

  5. cristovam comentou:

    então: o texto do Veríssimo de hoje é realmente uma delícia. Como sempre bem escrito, bem humorado e leva à reflexão.
    Para contrabalançar, olha só o que está no G1:
    http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/03/pai-chora-e-chama-ex-amante-acusada-de-matar-lavinia-de-monstro.html
    Divirta-se na crítica: é um tal de ele pra ela, pra ele, pra ela… Uma confusão sem fim. Não sei quem foi à casa de quem, se a amante é travesti ou se é mulher mesmo.
    Abraços.

  6. Jairo T. M. Abrahão comentou:

    Querida Madrasta.
    Sei que o assunto não é pertinente, mas não sei onde será!
    O jornal Record em Notícias de hoje tratou, entre outras coisas, da morte do Chico Anisio(realmente o melhor humorista de nossa história,o melhor humorista!). O casal de apresentadores deitou e rolou sobre a “causa mortis” : “Falência múltipla DOS órgãos”! Não seria DE órgãos??? Alguns órgãos , ou muitos, podem falir, mas um órgão não fale(está certo?) múltiplas vezeas!

    Grande abraço

    Jairo

  7. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Olá, Jairo!
    Não vejo tanto problema em cima disso, não… falência DE órgãos ou DOS órgãos… com ou sem artigo, o zifio vai morrê mesmo, coitado… 😀 #numpresto

    Abraços da
    Bruxa

  8. Jorge Oliveira de Almeida comentou:

    É lamentável o papel aceitar qualquer coisa! Em virtude dessa característica, vemo-nos na contingência de ler comentários abjetos como esse do sr. Luciano. Vem-me à memória aqueloutro comentário do Romário, quando, ao fazer referência a um seu contendor naquele momento, disse que “com a boca fechada é um poeta”, ou, poderíamos também considerar que é preferível ler tais barbaridades a ser cego. O que o sr. Veríssimo escreveu condiz dignamente com o seu nome! Só falou verdades, e isso dói aos ouvidos de quem não quer ou não pode ouvi-las!

  9. Jorge Oliveira de Almeida comentou:

    Estou escrevendo novamente para esclarecer que o meu comentário começa com “É lamentável o papel aceitar qualquer coisa!”, e não como registrado acima.

  10. Lia comentou:

    Perfeito!

    Sou religiosa, não sou Cristã, e sou 100% a favor de um Estado verdadeiramente laico. Onde nem religião, nem Medicina sejam tratados como princípios dogmáticos nos quais devemos nos embasar. Medicina está virando religião (e nem é exagero meu). Se você toma uma decisão, dentro do que te garante a constituição, do ponto de vista religioso, você está errado. Se você toma uma decisão do ponto de vista da Medicina, está errado. Esqueceram os fatos e botaram os dogmas na frente de tudo!

  11. Tales comentou:

    Uau, fazia tempo que não lia nada do Veríssimo. Pelo menos nada que fosse garantidamente dele. Pedindo também perdão pelo clichê, lavou a alma.

  12. Dioney comentou:

    Até o Veríssimo se dignou a falar desse contransenso… Estado laico, neutro ao menos na sua forma de apresentação é o mínimo em um estado democrático de direito. Símbolo em tribunal de justiça? Só se for a moça cega segurando a espada e a balança!

  13. Padrasto do Bom Texto comentou:

    Jorge Oliveira de Almeida,

    Primeiro de tudo, não deduza banana de macaco. Não sou Luciano algum, apenas linkei o blog do sujeito para demonstrar a existência daqueles que não aceitam, como o papel (embora seja meio anacrônica sua citação em tempos de letrinhas digitais), quaisquer coisas.

    Dizer que um comentário é abjeto não o torna abjeto; dizer que Verissimo só falou verdades também não decreta quem está certo na contenda. Sua ânsia por estar ao lado da razão mais o afasta dela do que qualquer coisa.

    Prove as “verdades” ditas por Verissimo e “quão poeta sou com a boca fechada” e fará um bem a inteligência alheia. Caso contrário só está jogando pra torcida, eriçando suas madeixas para parecer maior do que é.

    E digo mais uma coisa quanto ao tema geral: a ausência dos símbolos religiosos cristãos nos prédios públicos (ou em qualquer lugar) é reflexo desse humanismo desvairado que se sente intimidado ante olhares divinos, preferindo “varrê-los do mapa” a bancar estar simbolicamente sendo observado em todas as suas ações. É a ode ao “tudo pode”.

    Abraços.

  14. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Aham, tá.

  15. Luiz Prata comentou:

    Madrasta, quem cometeu gafes sobre ao noticiar a morte de Chico Anysio foi o jornal português “O Público”, que confundiu Chico com outros humoristas: primeiro, Renato Aragão, depois Agildo Ribeiro.

    Fonte: blog Page not Found (esse é o nome do blog, a página existe).
    http://oglobo.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2012/03/23/dia-de-chacina-de-humoristas-brasileiros-em-portugal-437379.asp

  16. Padrasto do Bom Texto comentou:

    Em toda sua sagacidade, Madrasta, elucubrará ser eu Olavo de Carvalho agora?

    http://www.olavodecarvalho.org/textos/verissimo.htm

    Diria o Olavão para o “lindo”: Aprenda, estúpido!

    Fique com o troco. Até nunca mais.

  17. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Padrasto,

    Cejura que cê vai ficar ao lado de Olavo de Carvalho?
    afff… cê que sabe das companhias que arranja….

    Mas, ó, cuidado quando ele te falar do perigo dos filistinos!
    Não diga a ele que filistino é a tradução mal-feita de philistine que, em bom português, deve ser filisTEU.

    Vai que ele se magoa, néam?

  18. Padrasto do Bom Texto comentou:

    Cejura que vai fazer caricatura do Olavo de Carvalho sem refutá-lo com fundamentos, como ele faz com o Verissimo LINHA A LINHA?

    Afff… Nem vou comparar com suas companhias porque seria covardia!

    Mas ó, cuidado quando o Verissimo falar que “Um crucifixo na parede não é um objeto de decoração, é uma declaração.”. Daqui a pouco um relógio na parede de um fórum é uma ameaça de que o tempo esta contra o réu.

    E só para constar, você conhece a obra do Olavo de Carvalho ou, como todos os “letrados” da era google, você o conhece pela Desciclopédia???

    E ele não magoa não, ele faz é massacrar a “inteligenzia” tupiniquim, néam?

  19. Ciro J C L comentou:

    Jorge,

    como pretendes contra-argumentar alguém que seja, agrupando as seguintes frases num só parágrafo:

    “Dizer que um comentário é abjeto não o torna abjeto; dizer que Verissimo só falou verdades também não decreta quem está certo na contenda.” e “Sua ânsia por estar ao lado da razão mais o afasta dela do que qualquer coisa.”

    Perdoe-me, mas o resultado desta soma não me parece nada diferente que zero… De dentro ou de fora da torcida, não encontrei a sua lógica.

    Ademais, essa história de texto ‘bom’ e texto ‘ruim’, dual que é, não me apetece.

  20. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    (Inicia-se agora o momento Vera Verão:)

    EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

    AQUI TODO MUNDO PODE PENSAR E FALAR O QUE QUISER DE QUEM QUISER (contanto que o faça com elegância e coerência – mais elegância que coerência) MAS CRITICAR QUEM USA TEXTO BOM/TEXTO RUIM NO NOME NÃO PODEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

    Se “essa história dual de texto bom/texto ruim” não te apetece, o xizinho (aquele lá no alto, à direita, que fecha a janela do navegador) é a serventia da casa!

  21. Padrasto do Bom Texto comentou:

    Ciro,

    Como pretendes contra-argumentar alguém que seja se não consegue sequer referir-se ao interlocutor correto?
    Eu não sou Jorge (pô, já me chamaram de Luciano, capaz que de Olavo e agora de Jorge – um doce pra quem acertar quem realmente sou!).

    Ademais, sua pujança e tergiversação confundem tanto quanto uma camisa-de-força em um maluco sem braços.

    Madrasta, você já notou que quando uma pessoa quer falar bonito ela transforma a mais simples das construções frasais em um quebra-cabeças semântico? Por que raios alguém diz: “…o resultado desta soma não me parece nada diferente que (sic) zero…”???
    Será tão difícil dizer: “o resultado desta soma me parece zero”?
    É o mesmo vício daqueles que dizem “eu estaria mentindo se dissesse que gosto de pastel” em vez de dizer “eu não gosto de pastel”.

    E só para constar, Ciro, o resultado da soma não é zero porque eu não estava argumentando nada. Quando alguém diz que algo não é um argumento isso não é um argumento, é uma refutação calcada em pressupostos. Se você me diz que algo é verdade o ônus da prova é seu, você que tem que argumentar para que eu aceite isso. Minha mera negativa não é um argumento, mas a própria concretização, em forma de linguagem, da ausência dos argumentos necessários ao início de um debate de ideias. Estude filosofia, linguagem, lógica ou similares antes de soltar pataquadas tão pueris.

  22. Padrasto do Nem-Tão-Bom Texto comentou:

    *patacoada (deus me livre e guarde da reprodução fonética automática, mesmo que uma “pata coada” soe pior!)

  23. Mauro Correa comentou:

    Penso que o comentário que atingiu melhor o ponto foi o da Lia, sobre até mesmo a medicina ter se tornado dogmática. Política e religião não tem nada a ver uma coisa com a outra, até porque, se for levar a cabo o que Jesus disse na bíblia, o reino dele nao faz parte desse mundo e ele nem o pai dele, gostam que usem imagens dele pregado nas paredes por aí…
    Excelente comentário Lia 🙂
    E gostei do texto do Veríssimo e claro, a religião não deve se misturar com instituições secularistas.

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