Objetivando Disponibilizar





Mim não faz isso, mas isso pode ser para mim fazer. Calma que eu explico!

Feliz ano novo, amebas! Tô aqui devendo um post há mais de mês, né? Mas não fiquem tristes, a bruxa voltou! ♥♥♥

E eu volto com propensão a barraco! Vou criar polhêmica (porque eu não sei atacar de DJ).

(E um beijo pro professor Dioney Moreira Gomes, que me deu esta aula! \o/ )

 

E aí? Você é mais um daqueles que sai acorrejeiando os outros por aí dizendo que mim não faz porque mim não é índio?

Então este post será um duplo puxão na sua orelha!

Vamos começar nomeando os bois, digo, os pronomes.

Há dois tipos de pronomes pessoais: os retos e os oblíquos. Vamos escalar os times:

Pronomes retos: eu, tu, ele (ela), nós, vós, eles (elas)

Pronomes oblíquos: me, mim, comigo, te, ti, contigo, o, a, lhe, se, si, consigo, nos, conosco, vos, convosco, os, as, lhes, se, si, consigo.

Agora desarregale esse olhos assustados e abestados, e acompanhe o que eu vou te contar.

– Os pronomes retos acabam por ter uma função bem característica de sujeito da frase: eles mandam no predicado, no verbo, no objeto e se bobear estão aí te mandando sentar direito na cadeira pra não ficar com dor nas costas!

– Os pronomes oblíquos são relegados à função de (e por isso são também conhecidos como) pronomes objetos. Não se metem com o sujeito.

Isto posto, todos concordamos que, segundo as normas do português culto, devemos dizer:

Eu faço isso (eu = sujeito da frase, pronome pessoal reto, tá mandando nas outras duas palavras da frase que, reprimidas, obedecem caladas)

Este presente não se destina a mim (Este presente = sujeito da frase; não se destina a mim = predicado; a mim = objeto indireto, já que temos uma preposição antes do pronome. Portanto, conclui-se que o mim não só deve ser usado como objeto, mas é altamente recomendável que esse objeto seja do tipo indireto, e tenha uma bela de uma preposição para recebê-lo!)

Aí você está dizendo agora: Mas então, Madrasta! Pelo que você está dizendo, “mim não faz” nada! Pois receba um pescotapa e assossegue o facho que eu ainda não acabei de explicar, ô coisa!

Vamos pensar agora nesta frase:

Este trabalho não é para mim

Está correta? Mas é claro que está! O sujeito da frase é este trabalho. Portanto, para mim é o objeto indireto da frase.

 

Agora começa a bruxaria: e se eu enfiar um verbo no final desta frase? Como fica?

Este trabalho não é para ____ fazer

 

Antes que você responda é pra EU fazer, bruxa besta! Mim não faz nada, mim não é índio! e eu te enfie outro pescotapa, vamos consultar as outras línguas. Vamos traduzir a frase para:

Inglês: This work is not for ME to do

Francês: ce n’est pas à MOI de faire ce travail

Espanhol: Este trabajo no es para MÍ hacer

TODOS os pronomes acima são objetos. NENHUM é pronome reto! Repare que, pelo seu raciocínio, os índios franceses, ingleses e espanhóis fazem coisa bagarai,  né? E agora, onde está sua certeza?

Calma que eu não vim aqui para confundir, mas para esclarecer!

O que você ouviu do seu professor na escola foi que mim não faz, porque mim não é índio! Isso aqui é para EU fazer! E pronto. Você não pediu maiores explicações, e seu professor não lh’as deu.

Ocorre que o português é uma das poucas línguas do mundo (se não me engano, outra seria o catalão) que admite TANTO O PRONOME RETO QUANDO O PRONOME OBJETO nesses casos.

Portanto, estão corretas tanto

Este trabalho não é para MIM fazer

Como

Este trabalho não é para EU fazer

Admite-se o uso do pronome objeto, uma vez que a oração para mim fazer é uma oração subordinativa objetiva indireta: ela é uma oração, com verbo e tudo, que age como objeto indireto da oração principal (este trabalho não é) . Mas também admite-se o uso do pronome reto, posto que o verbo fazer pede um pronome de respeito, e não um objeto qualquer…

Claro que convencionou-se que a norma culta só admite a forma para eu fazer pelos motivos já explicados (e derrubados) acima (Mas essa mesma norma culta admite o uso da construção o professor não lh’as deu, que eu usei agora há pouco, de propósito, e você deve ter torcido o nariz.). Portanto, se o mim fazer ainda doer nos seus ouvidos,  use o eu fazer.

Eu, pessoalmente, devo confessar que, de tanto ouvir a correção e usá-la, as duas formas me incomodam, porque eu sempre achei que um pronominho objeto ficaria mais em casa lá ao lado do fazer. Na dúvida, altere a frase pra não usar nem uma forma nem outra.

É isso. Estrebuchem à vontade nos comentários!

Mas cadê o outro puxão de orelha, Madrasta?

Fico devendo pra depois. É sobre você tratar língua indígena com preconceito. Mas pra isso vou precisar de uma cópia do livro do professor Aryon, que não está comigo neste momento. Deixo pra amanhã!

(P.S.: se eu chamei de objeto indireto um predicativo, e você souber apontar esse erro, por favor me avise! 😀 )



9 comentários sobre “Mim não faz isso, mas isso pode ser para mim fazer. Calma que eu explico!”

  1. Pentelhinho comentou:

    Falaí, BruxaOD!

    Te Mandei um e-mail. Você não viu?

  2. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    quando?

  3. Pentelhinho comentou:

    1/1.

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    aaaaaaaahhhhhhhh, foi você quem mandou aquele e-mail phopho?!?!?!?!?!?!!?!?!?!?!?
    ♥♥♥ Adorei, superobrigada, esotu pra responder desde então, mas sou uma esquecedora esclerosada… 🙁

    C me perdoa?!?!?!!?

    Olha, adorei mesmo o seu e-mail, foi uma forma lheeeaaannnnda de começar o ano!

    (E é muito bom saber que ao menos alguém me apoia no projeto “arrume o cabelo, Yoani!” 😀 )

    Abração! \o/

  5. Pentelhinho comentou:

    https://twitter.com/bruxaOD/status/302939035972816896

    HA!HA! HA! HA! HA! HA! HA! HA! HA! HA! HA!

  6. J.J.A.A comentou:

    A forma francesa esta errada. A tradução mais pertinente seria “ce n’est pas à moi de faire ce travail”. No entanto entendo que não muda a finalidade do exemplo que é mostrar o uso do “moi” e não do “je”. Post esclarecedor, sempre achei que “mim” não fazia p**** nenhuma mesmo e ponto final hahah! Obrigada 🙂

  7. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Obrigada pelo aviso, vou lá corrigir!

  8. vagner comentou:

    Em “Este trabalho não é para mim”, “para mim” não é predicativo do sujeito?

  9. Leonardo comentou:

    Já tinha visto isso na aula de portugues para concurso.
    Mas ninguém acredita.
    Finalmente um texto na internet sobre isso.

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