Objetivando Disponibilizar





Morfema zero – o silêncio que grita (#poção de morfologia Nº 5)

Daí que a Elaine Farias, minha colhéga nas aulas de Morfologia, tá juntando o caldeirão dela por aqui pra gente preparar juntas as últimas poções de morfologia. E temos que ter muito cuidado que é agora que nosso angu pode dar caroço.  Mas vamos lá. Recebo um e-mail daquela tratante (tinhamo, Elaine! ♥):

Bruxa! Como é que a gente faz a poção do morfema zero?

Num faz, Elaine! Ela é uma poção invisível, com cheiro e gosto fortes pacaramba! Mas tem receita pra não fazer essa poção! Calma que eu explico!

morfemazero

Mazó, curti aos montes esse patinho perdido, e vou usá-lo pra ilustrar esse post! (Hoje estou infantilóide, me deixem!)

Então, vamos ajudar o patinho a encontrar o pinto morfema perdido?

Porque, né? Como estávamos vendo (oi?) porraqui, a morfologia é uma das poucas áreas do conhecimento humano que gera silêncios escandalosos e significativos.

– Cuméquié, bruxa? Perguntará você. E eu explico:

Vamos comparar as palavras menina e meninas. qual delas está no plural?

– Meninas! – responderá você, lépido e fagueiro.

E eu te pergunto de novo: e como você chegou a essa brilhante conclusão?

– Ah, é por causa do ésse no final! Muito bem!

Então, a morfologia explica que o morfema indicador de plural é o {-s}.

Outra perguntinha: como você sabe que menina  está no singular?

– Ih, ah, é… pô, num tem ésse!

Isso mesmo! Então, qual é o morfema que indica o singular em uma palavra na língua portuguesa?

– [ouve-se o cantar de grilos ao longe, graças ao seu silêncio…]

Mas é facim, facim! A brincadeira é assim: se você tem um morfema que passa uma informação, e comparativamente não encontra outro morfema pra marcar uma informação similar (como feminino X masculino; singular X plural; aspectos numeropessoais e/ou  modotemporais comparados entre duas conjugações verbais diferentes – presente X pretérito, por exemplo – etc.), então essa ausência de morfema é chamada de morfema zero.

Ou, como diria Henry Alan Gleason Jr (armaria, como foi difícil encontrar o nome desse cabra, sô!), de forma bem mais pomposa, no livro Introdução à Linguística Descritiva, de 1961:

“pode-se dizer que há morfema zero somente quando não houver nenhum morfe evidente para o morfema, isto é, quando a ausência de uma expressão numa unidade léxica se opõe à presença de morfema em outra.”

Portanto, na língua portuguesa, uma das marcações do morfema zero é o singular. Não tem nada lá na palavra pra te dizer que ela tá no singular, e esse nada significa (Beijo, Ronnie Von)!



2 comentários sobre “Morfema zero – o silêncio que grita (#poção de morfologia Nº 5)”

  1. Luiz Prata comentou:

    Eu chamaria de: O Morfema Fantasma.

  2. Roberta Ribeiro comentou:

    Ótimo 🙂 Mas só para lembrarmos: o masculino, no português, é não marcado.

Deixe o seu comentário aqui!

Publicado com o WordPress