O neologismo malafaiense

Daí que Silas Malafaia, uma entidade cujas credenciais me recuso a propalar por aqui (joga no Google por sua conta e risco!), disse em entrevista à revista Época que ia funicar Toni Reis, líder da comunidade LGBT pereré pão duro whiskas sachê blablablá.

Claro, lógico, óbvio e evidente que o repórter entendeu o verbo como fornicar. É um verbo muito usado por salsinhas em cristo evangélicos para referir-se a práticas por eles consideradas tipicamente do público gay. Não vou entrar no mérito dessa questão.

Mas Silas resolveu soltar as plumas dizer que ele jamais disse fornicar:

geral eu e o repórter da revista Época fomos ver que diabos significa funicar. E não encontramos essa palavra no dicionário. E ainda temos que ler esta belezura no site do Malafaia (não, não vou lincar. Me recuso. Jogue a frase em vermelho no google que você encontra o texto completo. E se você quiser ler esse texto completo, problema seu. Pronto, avisei.):

“Ele não pode supor que o entendimento da palavra funicar signifique fornicar, se ele mesmo confessa ter pesquisado em quatro dicionários e não ter achado a palavra funicar. E não vai achar em dicionário algum, pois é uma gíria, um linguajar popular e não formal”, declarou Silas.

Portanto, temos que:

1- PAPORRA! Dicionários listam todas as palaras de um idioma, sejam elas regionalismos, palavrões e outras expressões chulas, gírias, paravras oficiais, palavras extraoficiais etcetcetc.

2- Se o repórter da Época não pode supor o que ele supôs, então o que ele pode supor? Oi? Quem disse?

3- Se essa palavra não se acha em dicionário nenhum, então o dileto pastor inventou esse verbete?

4- Se o pastor inventou esse verbete, coisa que a meu ver lhe é permitida (pensem no que ele faz com a Bíblia, e vocês perceberão que o que ele faz com a  Língua Portuguesa é pinto…), ele que explicasse o significado. Chamar o interlocutor de ignorante por desconhecer uma expressão usada no seu meio é forçar a barra.

Não me canso de dizer isso aqui: se você diz bolinhas vermelhas e seu interlocutor entende listras azuis, repita sua idéia de forma diferente até que o seu interlocutor entenda exatamente o que você quis dizer. Isso dá certo em 99% das vezes (o 1% restante dá conta de seres incapazes de raciocinar).

Isto posto, e como nenhum dicionário lista a palavra malafaiense, este blog-caldeirão só aceita uma possibilidade de uso da palavra funicar:

Pode passar a régua.

 

 



11 comentários sobre “O neologismo malafaiense”

  1. Rogeria Thompson comentou:

    hahahahaha… eu vi o burburinho no twitter,mas nem me dei ao trabalho de aprofundar no assunto dada a pessoa envolvida,sabia q ñ era lá essas coisas…mas tive q vir aqui,rsrsrsrs e adorei seu texto…tudo a ver,tudo isso mesmo…bjs…

  2. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Valeu, zifia! :o) \o/

  3. Marlena comentou:

    Talvez ele quisesse dizer – estou forçando a barra, Madrasta – “Eu vou ferrar/f.d.r o Toni Reis”. E aí, para falar bonito, resolveu trocar “f.d.r” por “fornicar”, mas se enganou e usou “funicar”, e agora não dá o braço a torcer por ter cometido o erro. Se bem que ele erraria mesmo se tivesse dito “fornicar”. Estou rachando de rir.

  4. Man_Tecapto comentou:

    que o que ele faz com a Língua Portuguesa é pinto…

    Trocadilho? Desculpa, mas não pude evitar.

  5. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Eu deixei quicando, né? 😉

  6. TS Bovaris comentou:

    Prezada Bruxa,

    Novamente venho aqui para apontar mais um erro seu, ou melhor, a falta de visão que não permitiu ver o todo ao se atentar nos detalhes. Tudo isso fez parte de uma grande manobra envolvendo muito dinheiro que foi repassado por uma funilaria ao Sr. Silas Malafaia para alavancar a quantidade de acessos ao site da não dita empresa. Infelizmente alguns oportunistas utilizam destas pseudo gafes para alcançar o estrelato e o minuto de fama, afortunadamente, no entanto o mundo possui pessoas com alta capacidade intuitiva (eu por exemplo) que conseguem desmascarar este tipo de artifício.

  7. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

  8. Manoel comentou:

    Bruxa… não será “fumigar” o que o cara quis dizer?
    Estou chutando… acho que o significado bate com a ideia… por mais que mesmo na correção ele tenha escrito errado.

  9. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Cejura que cê vai brigar com Malafaia? ele jurou de pés juntos que disse o que disse e não o que os outros pensam o que ele disse. Oi? quem disse? Eu disse! Quem disse eu? eu disse eu! (e por aí vai a coisa)

  10. Falo na cara comentou:

    Ótima iniciativa encontrar erros no uso da língua portuguesa e fazer os posts.

    Mas convenhamos que, erro gramatical não diz respeito à religião. Neste post pude observar “VIVA a língua português e o PRECONCEITO” ou “VIVA a língua portuguesa e desmereça a ÉTICA ou o RESPEITO”.

    Amigo(a), quando você tiver um foco de abordagem (neste caso a “língua portuguesa e erros gramaticais”) não saia dele para o bem dos olhos de seus leitores. Pense que seus leitores podem ser adépitos a qualquer religião e apreciarem o foco “erros gramaticais”.

  11. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Meu caro, no dia em que eu tiver adépitos abro uma escola de alfabetização.
    Bjomeliga

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