Quando o som fede a suor – ou quando o suor fica barulhento: a história da namorada mala

Não consigo entender como as pessoas conseguem fazer confusão com esses dois pobres verbinhos.

Suar, com u, significa produzir suor, gerar CC nas axilas.

Soar, com o, significa produzir som, tocar – no sentido de fazer barulho.

Portanto, amiguinhos, por favor, todas as vezes que vocês forem citar a ação de produzir suor, não temam em fazê-lo sempre com ésse-u (su), porque este é o certo: Eu SUO; Ela SUA; Nós SUAMOS; Eles SUAM.

E os sinos, então? Os sinos e campainhas deste lindo planeta que Deus nos deu são das poucas peças que têm o direito de SOAR. E não, sino não tem glândula sudorípara, então não sabe como fazer pra suar. Portanto, sempre que você for falar de um objeto que faz barulho, conjugue o verbo com ésse-ó (so): o sino SOA, os sinos SOAM, os sinos SOARAM, os sinos SOARÃO; os sinos SOARIAM.

Essa é a regra. Ah, Bruxa, toda regra tem exceção, certo? Certo! Mas eu também conheço a exceção. E é aqui que começa a historinha (Rá!) 😀

A personagem principal desta historinha é a (graçadeus ex-) namorada do meu primo.

A coisa falava pelos cotovelos. Sobre o que devia e sobre o que não devia. Na hora certa e na hora errada. Bem e mal. E muito. Sempre muito. Nunca pouco.

Daí que a coisa voltou de uma corrida, com muito suor pelo corpo. Virou-se para mim e disse: Ah, eu sôo muito.

Minha prima, pobre cunhada da coisa, olhou pra mim pra ver se eu iria comentar sobre o erro de português da coisa. Mas eu contestei veementemente minha prima:

Como assim, tá errado? Me diga se em algum momento essa coisa parou de soar desde que chegou nesta casa?

Minha prima foi obrigada a concordar comigo. A coisa era a exceção à regra dos verbos Soar x suar.

Enfim, achei por bem compartilhar esta linda historinha aqui com vocês….



6 comentários sobre “Quando o som fede a suor – ou quando o suor fica barulhento: a história da namorada mala”

  1. Pedro comentou:

    haha
    que engraçado!

    D:

  2. Marlena comentou:

    O seu timing é impressionante, madrasta, e obrigada por compartilhar mais um “causo”.

  3. Fernando F comentou:

    Madrasta, que tal esses versos abaixo?
    Nesse caso o soar e o suar se aplicam bem, nos casos de tocar (um instrumento) e amar.
    Afinal, amando podemos suar e soar. Uhhh, ohhhh…

    “por que você não soa quando toca?
    por que você não sua quando ama?
    ninguém derrama sangue
    quando perde guerras de fliperama!
    por que você não sua quando toca?
    por que você não soa quando ama?
    por que você não soa quando toca?
    por que você não sua quando ama?”

    PS: Não pergunte de quem são os versos, você não vai gostar da resposta.
    Eu sei que você vai detestar a ideia de derramar sangue nas “guerras de fliperama” mas é uma metáfora – valei-me Santa Poesia – para quem faz as coisas sem paixão.
    Como amar sem suar ou amar sem soar ou tocar sem soar ou tocar sem suar…

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    interessante esses versinhos… me lembrei do Nerso da Capitinga:
    “Estava sentado à beira do riacho e vi o meu amor passar
    quando ela passou – eu me levantei e fui atrás dela”

    lição básica para lidar com esta madrasta: se vc não tivesse mencionado, talvez eu nem percebesse que vc não citou o autor.
    e AGORA QUE VOCÊ MENCIONOU QUE NÃO IRIA MENCIONAR, CONTA LOGO QUEM É O AUTOR DESSE TRECOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
    ou eu morro de ansiedade.

    Gracta.

  5. Fernando F comentou:

    Madrasta,
    O autor dos versos é o grande compositor e poeta H. Gessinger!

  6. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    ahn? que versos?

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