Tem coisas que só a Folha consegue fazer

Sei nem por onde começar. Bom, deixa eu começar agradecendo ao Loyola que, além de produzir esse avatar fófis de Cudi Ampola que eu uso, ainda me manda coisas como a que estampará este post.

Gente, verdade seja dita: a capacidade da Folha de gerar posts para este blog tende ao infinito. E tenho que dar o braço a torcer: o jornal da Barão de Limeira tem todo um estilo próprio, intransferível e inconfundível pra fazer merda. E uma folhice é eterna, não prescreve.

Esta daqui, por exemplo, tem praticamente dois anos. Vamos acompanhar:

Homem que esfaqueou três em mercado de SP foi contido meia hora após ataque

AFONSO BENITES [faço questão de manter o nome do autor da teteia.]
DE SÃO PAULO

“Quem quer morrer?”, dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo.[Tá. O texto até que começou legal. Eu distribuiria uns pontinhos no lugar das vírgulas que é pra dar pra respirar direito, mas isso realmente não vem ao caso. Próxima frase, por favor!]

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro[Epa! Citou o nome do estabelecimento! Na boa, não havia necessidade. E, se o autor realmente fizesse questão de citar o local, que o fizesse de maneira mais formal, tipos: “o hipermercado Extra da avenida tal, no centro de Guarulhos], ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90) […. e zás! Chegamos à nossa folhice em questão! Só tenho uma dúvida: isso aqui foi excesso de apuração ou jabá?].

Era dia de promoção –a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes)[RE-PI-TO: ISSO É EXCESSO DE APURAÇÃO OU JABÁ?!?!?!?!?!] . A loja estava cheia.

A primeira vítima foi o comerciante chinês Ding Yu Chi, 60, esfaqueado próximo à banca de tomates, ao lado da mulher. Sem motivo aparente, Araújo deu-lhe duas facadas na barriga. Afastou-se e voltou a esfaqueá-lo. Ao todo, desferiu oito golpes.

Ding andou por 30 metros e pediu ajuda. Seguranças disseram para ele se deitar no chão e esperar o socorro. Gemendo, no colo da mulher, dizia: “Não aguento mais”.

Uma poça de sangue se formou debaixo de seu corpo. Clientes começaram a gritar que um “maluco” tinha esfaqueado um homem. Seis mulheres desmaiaram.

A segunda vítima foi outro comerciante. Ele se deparou com Araújo, tentou fugir, mas foi ferido nas costas. Antes de fazer a terceira vítima (um fiscal do Extra atingido no abdômen), Araújo tentou esfaquear outro cliente, que jogou um carrinho de compras contra ele.

Pânico e correria duraram quase meia hora. “Quando começou a confusão, eu tinha acabado de passar minha primeira compra no caixa, às 20h41 [E ao chegar aqui nós percebemos que o zifio repórti peca por excesso, mesmo! O texto está muito bem escrito, com excesso de riqueza de detalhes!]. Quando acabou, eu terminei [Cejura que você terminou quando acabou? Que maravilha, isso, não? A conclusão que coincide com o término! Que grande revolução! Nego num pode elogiar muito um texto da Folha que eles vêm e pimba de novo, cacete!]. Eram 21h13″, disse a dona de casa Karina Marques, 31, exibindo o cupom fiscal com horários.

Um policial disparou dois tiros no meio da loja –mais gritos, mais pânico. Não o atingiram o agressor, que acabou detido pela PM.

A família de Ding estuda processar o Extra por omissão de socorro. Testemunhas dizem que ele sangrou sem parar na loja e só foi removido ao fim da confusão. Morreu ao entrar no hospital.

O Extra não divulgou cenas de câmeras internas. Em nota, informou ter “tomado todas as medidas cabíveis”. Também disse que acionou a PM, “lamenta profundamente o ocorrido” e se mantém “à disposição das autoridades”.

Preso, Araújo afirmou que era perseguido desde sua casa, em Guararema, a 40 km de Guarulhos, mas não disse quem o seguia. Segundo a polícia, ele não conhecia as vítimas. Na delegacia, disse não se lembrar de nada. Não parecia estar sob efeito de drogas nem alcoolizado.

A polícia ainda tem poucos dados dele. Só sabe que nasceu em São Bento do Una (PE) e nunca foi condenado. As outras duas vítimas passaram por cirurgias e não correm risco de morte.

 

O texto está realmente muito bem escrito. Tão bem escrito que eu aposto que o zifio era novo na Folha. Deve ter aprendido as manhas da redação e perdido toda a capacidade de escrever direito que Nossa Senhora da Boa ortografia lhe deu.

Mas aí eu fico pensando se esse jabá (Proposital? Inocente?) já não era um prenúncio ou, sem querer, uma compensação para o que aconteceria pouco mais de um mês depois

Enfim: PORRA, FOLHA!!!! SEU ESTILO DE FAZER MERDA É INIMITÁVEL, CACETE!!!!



6 comentários sobre “Tem coisas que só a Folha consegue fazer”

  1. Luciana comentou:

    Mas no trecho “Quando acabou, eu terminei” não vejo redundância, visto que o agente de “acabou” não é o mesmo de “terminei” – o que a pessoa que deu o depoimento disse é que quando a confusão acabou, ela terminou de passar as compras no caixa, que o início e o término da confusão coincidiram com o início e o término da passagem das compras dela pelo caixa. O que acho bem questionável é a relevância jornalística disso… Agora, mencionar o preço e a marca da faca usada pelo cara é um negócio assim inexplicável.

  2. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Então, Luciana, para evitar a confusão, a frase deveria ter ficado mais clara:
    “- quando acabou [a confusão], eu terminei [de passar as compras], disse uma das consumidoreas”.

    No mais, o preço e a marca da faca são o ponto alto do texto…. 😀

    Bjocas!

  3. Luiz Prata comentou:

    Não apenas o zifio citou o preço e a marca da faca, mas também o modelo e a quantidade por embalagem. Isso, além do nome do estabelecimento e da “promoção do dia”, pegou muito mal. Tipo, “merchan” em reportagem policial?
    Se a moda pega, daqui a pouco vão dizer, ao mostrarem flagrantes em imagens amadoras, a marca e o preço da câmera (ou celular).

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Esse tipo de coisa só acontece com a Folha… Você consegue visualizar esse texto no Globo, ou no Estadão, ou no [insira aqui o nome de QUALQUER JORNAL]?
    é. Poi zé…. 😀

  5. Vanessa Lampert comentou:

    Meodeos!!! Isso é sério, mesmo? Tive que jogar no Google para me convencer de que esse texto era real. Uau…isso e jornalismo literário em estado terminal. O amiguinho toma umas boletas e delira na descrição do fato…além da parte da propaganda básica, achei de extremo mau gosto descrever a agonia das últimas horas de vida da vitima…falta de bom senso, de ética e de respeito à vida…sem contar a falta de noção estética e de conhecimento do texto jornalístico. Isso deve ter deixado a Folha muito feliz, já que Afonso Benites continua lá, escrevendo do mesmíssimo jeito horroroso.

  6. Jeabusy comentou:

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